{"id":171,"date":"2023-06-01T00:16:00","date_gmt":"2023-06-01T03:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/scientiaetratio.com.br\/?p=171"},"modified":"2026-05-18T02:34:02","modified_gmt":"2026-05-18T05:34:02","slug":"uma-abordagem-sobre-escritas-biograficas-nao-autorizadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/uma-abordagem-sobre-escritas-biograficas-nao-autorizadas\/","title":{"rendered":"UMA ABORDAGEM SOBRE ESCRITAS BIOGR\u00c1FICAS N\u00c3O AUTORIZADAS"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>AN APPROACH TO UNAUTHORIZED BIOGRAPHICAL WRITINGS<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Artigo submetido em 15 de fevereiro de 2023<br>Artigo aprovado em 22 de fevereiro de 2023<br>Artigo publicado em 01 de junho de 2023<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background\"><tbody><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Scientia et Ratio<\/strong><br>Ano III \u2013 N\u00famero 4 \u2013 Junho de 2023<br>ISSN 2525-8532<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background\"><tbody><tr><td><strong>Autores:<br><\/strong>Rosilene Paiva Marinho de Sousa<a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftn1\">[1]<\/a><br>Marckson Roberto Ferreira de Sousa<a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftn2\">[2]<\/a><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RESUMO<\/strong>: Os reflexos advindos da escrita biogr\u00e1fica para o campo da hist\u00f3ria perpassam os aspectos que envolvem a vida do biografado, sobretudo ao se tratar de biografias n\u00e3o autorizadas. Neste sentido, este trabalho tem por escopo analisar as caracter\u00edsticas da biogr\u00e1fica n\u00e3o autorizada em face dos aspectos lacunares, por aus\u00eancia de documentos, rastros e vest\u00edgios que permita uma aproxima\u00e7\u00e3o com a realidade do biografado. Para isso se faz necess\u00e1rio compreender o que se entende por biografia, partindo de seus aspectos hist\u00f3ricos. Busca identificar as dimens\u00f5es existentes de biografia e como estas se apresentam. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 metodologia, trata-se de uma pesquisa qualitativa, documental e bibliogr\u00e1fica, utilizando-se como instrumentaliza\u00e7\u00e3o a documenta\u00e7\u00e3o indireta, pela necessidade de an\u00e1lise dos institutos. Ao final, buscando indicar as dist\u00e2ncias e aproxima\u00e7\u00f5es poss\u00edveis na biografia n\u00e3o autorizada a uma escrita aut\u00eantica e fidedigna a partir das fontes dispon\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Palavras-chave<\/strong>: Biografia n\u00e3o autorizada. Fontes dispon\u00edveis. Papel do historiador. Vest\u00edgios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ABSTRACT<\/strong>: The reflexes arising from biographical writing for the field of history permeate the aspects that involve the life of the biographer, especially when dealing with unauthorized biographies. In this sense, this work aims to analyze the characteristics of unauthorized biography in the face of lacunar aspects, due to the absence of documents, traces and traces that allow an approximation with the biographical reality. For this it is necessary to understand what is meant by biography, starting from its historical aspects. It seeks to identify the existing dimensions of biography and how these present themselves. With regard to the methodology, this is a qualitative, documentary and bibliographical research, using indirect documentation as instrumentalization, due to the need for analysis of the institutes. Finally, seeking to indicate the distances and possible approximations in the unauthorized biography to an authentic and reliable writing from the available sources.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Keywords<\/strong>: Unauthorized biography. Available sources. Role of the historian. Traces.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>1 INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos \u00faltimos anos tem-se percebido um crescente interesse pela escrita biogr\u00e1fica pelos historiadores, em face da possibilidade de uma vis\u00e3o que abrange tanto aspectos que est\u00e3o relacionados com a coletividade, como pela escrita sobre a vida de uma pessoa. Dentro desses limites, percebe-se uma variedade de aspectos que podem levar o historiador a diferentes vis\u00f5es, estejam relacionados ou n\u00e3o a contextos sociais, econ\u00f4micos, pol\u00edticos, culturais que possam influenciar a vida do biografado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A biografia n\u00e3o autorizada, em si, pode refletir diferentes percursos e vis\u00f5es, que podem chegar a uma poss\u00edvel aproxima\u00e7\u00e3o a uma escrita aut\u00eantica e fidedigna, partindo-se da ideia de que os documentos, rastros e vest\u00edgios lhe abrem possibilidades que precisam ser observadas e que podem lhe trazer, a partir da metodologia a ser empregada nos seus trabalhos, uma representa\u00e7\u00e3o sobre o passado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O trabalho do historiador na escrita de biografia n\u00e3o autorizada deve ser um trabalho minucioso, que atente para o n\u00e3o envolvimento pessoal com o texto escrito, mas com as fontes dispon\u00edveis, e a metodologia adequada para que se torne o mais veross\u00edmil poss\u00edvel a perspectiva do biografado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa representa\u00e7\u00e3o do passado, como of\u00edcio do historiador deve levar em considera\u00e7\u00e3o segundo Gaddis (2003), padr\u00f5es de comportamento humano que prolongam atrav\u00e9s do tempo e espa\u00e7o, e da prova de uma experi\u00eancia espec\u00edfica que disciplina o que se pode conhecer por experi\u00eancias coletivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, esse trabalho pretende apresentar uma vis\u00e3o da biografia partindo de seu processo hist\u00f3rico de reconhecimento como campo de estudo dos historiadores, perpassando pelo estudo de suas dimens\u00f5es ou tipologias, com base na classifica\u00e7\u00e3o de Levi, e posterior discuss\u00e3o sobre distanciamentos e aproxima\u00e7\u00f5es que uma biografia n\u00e3o autorizada apresenta para uma escrita aut\u00eantica e fidedigna a partir das fontes dispon\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trata-se de uma pesquisa, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 metodologia, qualitativa, documental e bibliogr\u00e1fica, utilizando-se como instrumentaliza\u00e7\u00e3o a documenta\u00e7\u00e3o indireta, pela necessidade de an\u00e1lise de textos sobre o assunto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Percebe-se a necessidade de aproximar a escrita de biografias n\u00e3o autorizadas ao estudo da metodologia a ser utilizada pelos historiadores para que a mesma possa servir de instrumento de pesquisa como fonte hist\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>2 CEN\u00c1RIO HIST\u00d3RICO DA ESCRITA BIOGR\u00c1FICA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O termo biografia, etimologicamente, tem sua origem nos tempos do neoplat\u00f4nico Damaskios, no s\u00e9culo V a. C., ao qual atribuiu a sua escrita, a partir da palavra <em>bios<\/em>, que significa vida e <em>gr\u00e1phein<\/em>, que significa escrever, descrever, desenhar. (CARINO, 1999).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Biografia, na compreens\u00e3o da maioria dos ocidentais, significa escrita de uma hist\u00f3ria de vida, e, dessa forma, j\u00e1 era empregada na antiguidade cl\u00e1ssica, com a obra de Plutarco sobre a vida de Alexandre, o Grande. Segundo Borges (2006), a biografia apresenta um percurso, desde a Gr\u00e9cia antiga, oscilando entre ci\u00eancia e arte, verdade e fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No per\u00edodo da Renascen\u00e7a, no s\u00e9culo XIII, destacam-se a obra do escritor Bocaccio com uma Vida de Dante, fundamentada sobre documentos, com certa concep\u00e7\u00e3o moderna; e , no s\u00e9culo XVI, a obra de Giorgio Vasari, <em>Delle Vitae de&#8217;pi\u00fa eccelelenti pittori, scultori ed architettori<\/em> (Sobre as vidas dos mais excelentes pintores, escultores e arquitetos), publicado pela primeira vez em Floren\u00e7a, em 1550. (BORGES, 2008). J\u00e1 na Idade Moderna, segundo a referida autora, nos s\u00e9culos XVII e XVIII, a concep\u00e7\u00e3o de biografia vai se alterando profundamente:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[&#8230;] Na Inglaterra, uma obra revolucion\u00e1ria, a <em>Life of Samuel Johnson LL.D<\/em>. (Vida de Samuel Johnson LL.D.), de James Boswell, foi publicada em 16 de maio de 1791, O trabalho \u00e9 tido por muitos como o marco inicial do que hoje chamamos de biografia, dada sua preocupa\u00e7\u00e3o com novos m\u00e9todos de se investigar uma vida, compreendendo forte rela\u00e7\u00e3o de conviv\u00eancia bi\u00f3grafo\/biografado. (BORGES, 2008, p. 205).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante muito tempo, houve uma predomin\u00e2ncia da hist\u00f3ria escrita em detrimento da oral, de modo que durante o per\u00edodo da Escola dos Annales, em que a \u00eanfase recaia sobre os processos de longa dura\u00e7\u00e3o e o estudo preferencial das fontes seriais (quantitativas), dificilmente davam espa\u00e7o ao papel do indiv\u00edduo na Hist\u00f3ria, pois consideravam que os relatos pessoais, as hist\u00f3rias de vida e as biografias n\u00e3o contribuiriam para o conhecimento do passado, por serem subjetivos, por acreditar-se que muitas vezes havia distor\u00e7\u00f5es dos fatos e dificilmente seriam representativos de uma \u00e9poca ou de um grupo. (ALBERTI, 2008, p.163).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a referida autora, com o passar do tempo, a vis\u00e3o da hist\u00f3ria como ci\u00eancia, permitiu a inclus\u00e3o de novos campos de estudo:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[&#8230;] Essas convic\u00e7\u00f5es sobre o que seria pr\u00f3prio da Hist\u00f3ria sofreram modifica\u00e7\u00f5es a partir da d\u00e9cada de 1980: temas contempor\u00e2neos foram incorporados \u00e0 Hist\u00f3ria, chegando-se a estabelecer um novo campo, que recebeu o nome de Hist\u00f3ria do tempo presente; passou-se a valorizar tamb\u00e9m a an\u00e1lise qualitativa, e o relato pessoal deixou de ser visto como exclusivo de seu autor, tornando-se capaz de transmitir uma experi\u00eancia coletiva, uma vis\u00e3o de mundo tornada poss\u00edvel em determinada configura\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e social. [&#8230;] Surgiram novos objetos, e os historiadores passaram a se interessar tamb\u00e9m pela vida cotidiana, pela fam\u00edlia, pelos gestos do trabalho, pelos rituais, pelas festas e pelas formas de sociabilidade \u2013 temas que, quando investigados no &#8220;tempo presente&#8221;, podem ser abordados por meio de entrevistas de Hist\u00f3ria oral. (ALBERTI, 2008, p.163).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, Borges (2006), exp\u00f5e que as transforma\u00e7\u00f5es ocorridas na biografia s\u00e3o tracejadas com base em tr\u00eas paradigmas, quais sejam, a denominada \u201ccl\u00e1ssica\u201d ou \u201cheroica\u201d, que apesar de consider\u00e1veis modifica\u00e7\u00f5es internas, houve normas est\u00e1veis da Antiguidade ao s\u00e9culo XVII; a rom\u00e2ntica, que se deu do final do s\u00e9culo XVIII ao in\u00edcio do s\u00e9culo XX; e, a biografia moderna, advinda do interesse por parte da historiografia francesa, partindo dos movimentos da sociedade e o desenvolvimento das disciplinas que estudam o homem em sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Schmidt (1997, p. 5), o retorno recente da biografia trata-se de:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[&#8230;] um movimento internacional e percept\u00edvel em diversas correntes recentes, tais como a nova hist\u00f3ria francesa, o grupo contempor\u00e2neo de historiadores brit\u00e2nicos de inspira\u00e7\u00e3o marxista, a microhist\u00f3ria italiana, a psico-hist\u00f3ria, a nova hist\u00f3ria cultural norte-americana, a historiografia alem\u00e3 recente e tamb\u00e9m a historiografia brasileira atual. Apesar das diferen\u00e7as entre estas tradi\u00e7\u00f5es historiogr\u00e1ficas, \u00e9 marcante em todas elas o interesse pelo resgate de trajet\u00f3rias singulares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De car\u00e1ter interdisciplinar, o g\u00eanero biogr\u00e1fico permite o di\u00e1logo com outros campos do conhecimento, tais como, da Hist\u00f3ria, da Literatura, do Jornalismo, da Psicologia. Conforme esclarece Alberti (2005), sua peculiaridade \u201c[&#8230;] decorre de toda uma postura com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 hist\u00f3ria e \u00e0s configura\u00e7\u00f5es socioculturais, que privilegia a recupera\u00e7\u00e3o do vivido conforme concebido por quem viveu\u201d. Nesse sentido, segundo Borges (2008), s\u00e3o os movimentos da sociedade e o desenvolvimento das disciplinas que estudam o homem em sociedade, s\u00e3o considerados os dois eixos que claramente, podem explicar hoje o interesse pelas biografias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>3 DIMENS\u00d5ES DA ESCRITA BIOGR\u00c1FICA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escrita biogr\u00e1fica pode ser observada partindo de aspectos variados que a direciona para dimens\u00f5es distintas embora sua fun\u00e7\u00e3o, na vis\u00e3o do historiador esteja voltada para a constru\u00e7\u00e3o de um liame entre o passado hist\u00f3rico e a escrita sobre a vida de um indiv\u00edduo. Pode-se dizer, conforme Lejeune (1980), que a biografia tem uma fun\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica de reprodu\u00e7\u00e3o social. Nesse sentido, Pereira (2000, p. 122) esclarece que:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mais recente enfoque para a elabora\u00e7\u00e3o de biografias, ao mesmo tempo em que busca ressaltar a irredutibilidade do indiv\u00edduo, busca recuperar o universo social no qual sua personalidade foi formada \u2013 seu campo exterior, j\u00e1 que, n\u00e3o sendo um sujeito isolado, o indiv\u00edduo faz parte de diversos grupos, de uma sociedade e de uma cultura precisas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seguindo esse entendimento, Pereira (2000) destaca ainda que o aspecto sobre o qual a documenta\u00e7\u00e3o costuma ser lacunar se coloca na rela\u00e7\u00e3o entre trajet\u00f3ria individual e hist\u00f3ria social, por se tratar de uma rela\u00e7\u00e3o complexa, pois o indiv\u00edduo coloca-se como polo ativo em face desse social, dele se apropriando, filtrando-o, retraduzindo-o e projetando-o em outra dimens\u00e3o, que \u00e9 a de sua pr\u00f3pria subjetividade. Nesse sentido, Levi (1989, p. 1329) coloca que os problemas ligados \u00e0 identidade como sua pr\u00f3pria complexidade, sua forma\u00e7\u00e3o progressiva e n\u00e3o linear e suas contradi\u00e7\u00f5es, se tornaram os protagonistas dos problemas biogr\u00e1ficos com que se deparam os historiadores: \u201c[&#8230;] <em>De fa\u00e7on r\u00e9v\u00e9latrice, la complexit\u00e9 m\u00eame de l\u2019identit\u00e9, sa formation progressive et non<\/em><em> <\/em><em>lin\u00e9aire, ses contradictions sont devenues les protagonistes des probl\u00e8mes biographiques qui<\/em><em> <\/em><em>se posent aux historiens<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O referido autor esclarece que, tendo em vista que as fontes apenas informam os resultados e n\u00e3o os processos de tomadas de decis\u00e3o falta a neutralidade da documenta\u00e7\u00e3o que conduz muitas vezes a explica\u00e7\u00f5es lineares, que se contrap\u00f5e a riqueza das trajet\u00f3rias individuais e da singularidade irredut\u00edvel da vida de um indiv\u00edduo. Assim, os historiadores passam a abordar o problema biogr\u00e1fico de maneiras bastante diversas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, Levi (2006) apresenta uma tipologia dessas abordagens visando lan\u00e7ar um percurso sobre a complexidade da perspectiva biogr\u00e1fica. Sua tipologia a respeito da perspectiva biogr\u00e1fica se apresenta como:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto a prosopografia e biografia modal, nesta \u00faltima, as biografias individuais s\u00f3 despertam interesse quando esbo\u00e7am os comportamentos ou as apar\u00eancias ligadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es sociais estatisticamente mais frequentes e servem apenas para ilustrar formas t\u00edpicas de comportamento ou <em>status<\/em>. Na prosopografia, a biografia de um indiv\u00edduo concentra todas as caracter\u00edsticas de um grupo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na biografia e contexto, segundo Levi (2006), conserva-se sua especificidade. Todavia a \u00e9poca, o meio e a ambi\u00eancia tamb\u00e9m s\u00e3o muito valorizados como fatores capazes de caracterizar um ambiente que explicaria a singularidade das trajet\u00f3rias. Para o referido autor, qualquer que seja a sua originalidade manifesta, uma vida n\u00e3o pode ser compreendida unicamente atrav\u00e9s de seus desvios ou singularidades, mas num contexto hist\u00f3rico que o justifica. Ainda considera como a perspectiva que tem conseguido manter o equil\u00edbrio entre a especificidade da trajet\u00f3ria individual e o sistema social como um todo, embora o referido contexto apresenta-se frequentemente como algo r\u00edgido, que ele serve de pano de fundo im\u00f3vel para explicar a biografia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A biografia e os casos extremos, nesse caso, n\u00e3o se percebe a integridade e exaustividade est\u00e1ticas do contexto, mas por meio de suas margens. Descrevendo os casos extremos, focaliza-se precisamente sobre as margens do campo social dentro do qual s\u00e3o poss\u00edveis esses casos. O retorno ao qualitativo por meio do estudo de caso responde a um movimento dial\u00e9tico no campo da hist\u00f3ria das mentalidades. (LEVI, 2006).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No que concerne a biografia e hermen\u00eautica, nessa perspectiva, o material biogr\u00e1fico torna-se intrinsecamente discursivo, mas n\u00e3o se consegue traduzir-lhe a natureza real, somente podendo ser interpretado, de um modo ou de outro. O que se torna significativo \u00e9 o pr\u00f3prio ato interpretativo, isto \u00e9, o processo de transforma\u00e7\u00e3o do texto, de atribui\u00e7\u00e3o de um significado a um ato biogr\u00e1fico que pode adquirir uma infinidade de outros significados. O que o torna relativista. Para Levi (2006), essa abordagem hermen\u00eautica embora se oriente na impossibilidade de escrever uma biografia, ela estimula a reflex\u00e3o entre os historiadores, levando-os a utilizar as formas narrativas de modo mais disciplinado e a buscar t\u00e9cnicas de comunica\u00e7\u00e3o mais sens\u00edveis ao car\u00e1ter aberto e din\u00e2mico das escolhas e das a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todavia, Pereira (2000, p. 126) esclarece que em Hist\u00f3ria e em Ci\u00eancias Sociais, a escrita biogr\u00e1fica a partir da an\u00e1lise das fontes, deve come\u00e7ar pela cr\u00edtica e contextualiza\u00e7\u00e3o do documento, independente de se tratar do depoimento oral, documentos pessoais ou outros documentos escritos. A referida autora cita o exemplo dos arquivos pessoais, que s\u00e3o elementos muito \u00fateis para a constru\u00e7\u00e3o de uma biografia, mas s\u00e3o apenas documentos como outros quaisquer, devendo, portanto, ser contextualizados e validados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Frente a essas perspectivas que envolvem a escrita biogr\u00e1fica, a valida\u00e7\u00e3o e contextualiza\u00e7\u00e3o da escrita biogr\u00e1fica n\u00e3o autorizada, exige um tratamento diferenciado em face da utiliza\u00e7\u00e3o das fontes dispon\u00edveis. H\u00e1 uma necessidade do historiador se acautelar um pouco mais no sentido de n\u00e3o conduzir a escrita \u00e0 exist\u00eancia de parcialidade ou de indu\u00e7\u00f5es, uma vez que seus mecanismos de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o investigados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, Schmidt (1997, p.9), exp\u00f5e que se deve \u201c[&#8230;] levar em conta os complexos processos de recria\u00e7\u00e3o do passado, das rela\u00e7\u00f5es entre o lembrar e o esquecer, que marcam o funcionamento da mem\u00f3ria e que v\u00eam sendo t\u00e3o ressaltados pelos estudiosos da hist\u00f3ria oral\u201d. Seguindo esse mesmo entendimento, Pereira (2000), esclarece que, deve-se alertar para os elementos de inven\u00e7\u00e3o, de aproxima\u00e7\u00e3o ou de fantasia que ronda toda narrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante desse quadro, torna-se importante uma an\u00e1lise sobre a abrang\u00eancia da escrita biogr\u00e1fica n\u00e3o autorizada, buscando discutir o alcance e limites que ela se prop\u00f5e na perspectiva do discurso representativo do autor a partir de fontes dispon\u00edveis, sendo poss\u00edvel buscar caracterizar o papel do historiador na recria\u00e7\u00e3o do passado, ao lidar com lacunas nas fontes para a constru\u00e7\u00e3o uma escrita biogr\u00e1fica aut\u00eantica e fidedigna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>4 DISTANCIAMENTOS E APROXIMA\u00c7\u00d5ES DA BIOGRAFIA N\u00c3O AUTORIZADA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao tratar de escrita biogr\u00e1fica, de forma geral, ao longo de um percurso milenar, \u201c[&#8230;] fala-se na biografia como \u2018g\u00e9nero comp\u00f3sito\u2019, \u2018h\u00edbrido\u2019, \u2018controverso\u2019, \u2018problem\u00e1tico\u2019, \u2018confuso\u2019, \u2018duvidoso\u2019, ou seja, um \u2018g\u00e9nero menor\u2019.\u201d (BORGES, 2008, p. 203-204). Conforme a referida autora, esse debate, a inspirou a pensar nas \u2018grandezas e mis\u00e9rias\u2019 da biografia, ou seja, em sua fecundidade e em seus limites. Nesse sentido, seguindo esse entendimento, nesta se\u00e7\u00e3o prop\u00f5e-se uma an\u00e1lise dos distanciamentos e aproxima\u00e7\u00f5es da biografia n\u00e3o autorizada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fernandes (2011) exp\u00f5e que \u201c[&#8230;] os relatos de vidas, escritos ou n\u00e3o por quem os vivem, atravessam as narrativas historiogr\u00e1ficas\u201d. Seguindo essa compreens\u00e3o, Pereira (2000, p. 117), esclarece que:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O g\u00eanero biogr\u00e1fico se fez acompanhar da revaloriza\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria Oral, como fonte\/m\u00e9todo\/t\u00e9cnica de pesquisa, bem como dos arquivos pessoais \u2013 autobiografias e toda sorte de documentos pessoais, como di\u00e1rios, mem\u00f3rias, correspond\u00eancias etc \u2013, como preciosa fonte hist\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entendimento de Campello e Caldeira (2008), a biografia, enquanto g\u00eanero hist\u00f3rico-liter\u00e1rio, pode ser entendida como um tipo de obra dedicado \u00e0 vida de uma pessoa. Pode-se dizer que, segundo Pereira (2000, p. 118), \u201c[&#8230;] a biografia se define como a hist\u00f3ria de um indiv\u00edduo redigida por outro\u201d. Segundo a referida autora, as biografias constituem-se importante fonte de conhecimento hist\u00f3rico, por\u00e9m, apresentam distin\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 forma com que a trajet\u00f3ria de vida pode ser elaborada e apresentada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, o g\u00eanero biogr\u00e1fico por se apresentar com grande variedade e riqueza de produ\u00e7\u00e3o, vem assinalada por grandes diverg\u00eancias de m\u00e9todos e concep\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, Levi (1989) esclarece que a literatura comporta uma infinidade de modelos e esquemas biogr\u00e1ficos que influenciam os historiadores e que o trabalho de elabora\u00e7\u00e3o de biografias costuma encontrar obst\u00e1culos de ordem documental muitas vezes intranspon\u00edveis, o que atribui a biografia um car\u00e1ter lacunar:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[&#8230;] <em>Cette influence, plus souvent indirecte que directe, a sugg\u00e9r\u00e9 des probl\u00e8mes, des<\/em><em> interrogations et des sch\u00e8mes psychologiques ou comportementaux qui renvoient l\u2019historien \u00e0 des obstacles documentaires souvent insurmontables: \u00e0 propos par exemple, des gestes et des pens\u00e9es de la vie quotidienne, des doutes et des incertitudes, du caract\u00e8re fragmentaire et dynamique de l\u2019identit\u00e9 et des moments contradictoires de sa construction. <\/em>(LEVI, 1989, p. 1325).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses obst\u00e1culos podem ser mais evidenciados ao se tratar de biografias n\u00e3o autorizadas, embora estas tenham sido reconhecidas pelo Supremo Tribunal Federal, n\u00e3o obrigando ao biografado o fornecimento de fontes para a escrita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tratar de distanciamentos e aproxima\u00e7\u00f5es da biografia n\u00e3o autorizada, compreende a exposi\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o que tem como foco o papel do historiador na escrita do texto biogr\u00e1fico, bem como, documentos, rastros e vest\u00edgios que permita uma aproxima\u00e7\u00e3o com a realidade do biografado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Borges (2008, p. 212), questiona como se realiza a pesquisa da vida de um indiv\u00edduo, e esclarece que a investiga\u00e7\u00e3o se d\u00e1,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[&#8230;] por interm\u00e9dio das \u2018vozes\u2019 que nos chegam do passado, dos fragmentos de sua exist\u00eancia que ficaram registrados, ou seja, por meio das chamadas fontes documentais. Como \u2018sem documentos n\u00e3o h\u00e1 Hist\u00f3ria\u2019, os vest\u00edgios que encontramos em boa medida condicionam nossa ambi\u00e7\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, se faz relevante esclarecer a import\u00e2ncia de documentos, rastros e vest\u00edgios que permitam uma aproxima\u00e7\u00e3o com a realidade do biografado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como aproxima\u00e7\u00f5es para a escrita de uma biografia n\u00e3o autorizada, toma-se como referencial o pensamento de Gaddis (2003, p.131), ao questionar como os bi\u00f3grafos podem afirmar que conhecem o que se passou na mente dos indiv\u00edduos mortos \u00e1 bastante tempo. Com base nessa indaga\u00e7\u00e3o, o referido autor exp\u00f5e que a resposta se relaciona ao que torna poss\u00edvel escrever sobre qualquer tipo de hist\u00f3ria, que seria os processos passados que geram estruturas sobreviventes, tais como documentos, imagens e mem\u00f3rias, que permitem reconstruir o que aconteceu nas suas mentes. Segundo o referido autor, deve-se levar em considera\u00e7\u00e3o o sujeito singular e enfatiza que as fontes s\u00e3o como instantes fotogr\u00e1ficos em que \u201c[&#8230;] a sequ\u00eancia de acordo com a qual n\u00f3s nos organizamos e o significado que atribu\u00edmos aos intervalos entre eles s\u00e3o t\u00e3o importantes quanto o que cada um deles revela\u201d. (GADDIS, 2003, p.132). Al\u00e9m disso, esclarece que a biografia \u00e9 ao mesmo tempo um exerc\u00edcio indutivo e dedutivo que parte dos padr\u00f5es de comportamento humano que se estendem atrav\u00e9s do tempo e espa\u00e7o, e da prova de uma experi\u00eancia espec\u00edfica que disciplina o que se pode conhecer por experi\u00eancias coletivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, no \u00e2mbito da biografia n\u00e3o autorizada, as lacunas muitas vezes constantes e existentes, pela falta de contato direto com o biografado, cujo objetivo seria esclarecer ou suprir algumas lacunas, podem gerar distanciamentos. Esses distanciamentos, muitas vezes coloca o historiador frente ao problema da imparcialidade frente \u00e0s qualidades subjetivas a que se apresenta o seu trabalho, e tendem a ponderar como car\u00e1ter os elementos da personalidade que permanecem constantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Borges (2008), esclarece que a preocupa\u00e7\u00e3o deve ser com o veross\u00edmil, o que considera-se poss\u00edvel e prov\u00e1vel, sendo poss\u00edvel se fazer tr\u00eas tipos de coloca\u00e7\u00f5es, quais sejam, afirma\u00e7\u00f5es seguras e comprovadas pelas fontes, a exemplo de contradi\u00e7\u00f5es entre datas, devendo o historiador apresentar todas indicando sempre as fontes; pode realizar afirma\u00e7\u00f5es hipot\u00e9ticas a partir de dados incompletos; e, usar intui\u00e7\u00f5es, que deve levar o historiador a usar mais da sua experi\u00eancia de vida. Nesse sentido, a referida autora, esclarece que,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tipo mais completo de uma biografia seria aquele em que o bi\u00f3grafo realiza um \u2018mergulho na alma\u2019 de seu biografado, conseguindo penetrar no que ver\u00edamos como a intimidade da pessoa j\u00e1 desaparecida. E como se daria esse penetrar? Basicamente <strong>por meio dos documentos da \u2018escrita de si\u2019 <\/strong>ou de \u2018produ\u00e7\u00e3o de si\u2019, que podem nos revelar a intimidade do biografado. Seriam esses:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2022 a mem\u00f3ria ou a tradi\u00e7\u00e3o oral familiar;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2022 mem\u00f3rias, autobiografias, ego-hist\u00f3ria, correspond\u00eancia (ativa e passiva), di\u00e1rios;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2022 entrevistas na m\u00eddia (orais, escritas ou em filmes, v\u00eddeos);<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2022 os chamados objetos da cultura material: fotos, objetos pessoais, a biblioteca etc, que alguns chamam de \u2018teatro da mem\u00f3ria\u2019. (Borges, 2008, p. 214, grifo do autor).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desta forma, esses elementos destacados por Borges (2008), possibilita uma escrita aut\u00eantica e fidedigna para uma biografia n\u00e3o autorizada a partir das fontes dispon\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>5 CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 se considera consenso entre os historiadores a ideia de que n\u00e3o h\u00e1 uma verdade absoluta, em face das v\u00e1rias vers\u00f5es que se pode atribuir a determinados fatos. Os historiadores t\u00eam o entendimento de que toda constru\u00e7\u00e3o constitui uma representa\u00e7\u00e3o sobre o passado, com base em aspectos que envolvem tempo e espa\u00e7o. No caso das biografias, no mesmo contexto da representa\u00e7\u00e3o do passado, ficou patente a impossibilidade de determinar toda a vida de um indiv\u00edduo na particularidade do seu eu. Nesse sentido, os historiadores procuram se valer de fontes hist\u00f3ricas, tais como documentos rastros e vest\u00edgios que possam auxiliar o seu trabalho no processo de reconstru\u00e7\u00e3o do passado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Deve-se levar em considera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m como o historiador deve fazer suas coloca\u00e7\u00f5es, valendo-se das fontes hist\u00f3ricas para afirma\u00e7\u00f5es seguras, hipot\u00e9ticas e intuitivas, desde que sempre tente buscar evitar parcialidades na sua escrita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As biografias n\u00e3o autorizadas, al\u00e9m de ter suas particularidades espec\u00edficas, encontram barreiras no sentido de falta de contato direto com o biografado, ou a disponibilidade de outras fontes que possam contribuir para o seu texto. Mesmo assim, na maioria dos casos, as fontes dispon\u00edveis permitem que com o aux\u00edlio de metodologias que utilizem padr\u00f5es de comportamento humano que se estendem atrav\u00e9s do tempo e espa\u00e7o, e da prova de uma experi\u00eancia espec\u00edfica que disciplina o que se pode conhecer por experi\u00eancias coletivas, s\u00e3o caminhos que podem conduzir a m\u00e1xima aproxima\u00e7\u00e3o poss\u00edvel de uma escrita aut\u00eantica e fidedigna sobre o biografado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ALBERTI, Verena. <strong>Manual de Hist\u00f3ria Oral<\/strong>. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ALBERTI, Verena. Hist\u00f3rias. dentro da Hist\u00f3ria. In: PINSKY, Carla Bassanezi, (org.). <strong>Fontes Hist\u00f3ricas<\/strong>. 2.ed. S\u00e3o Paulo : Contexto, 2008<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BORGES, Vavy Pacheco. <strong>Alcance e Limites da Biografia<\/strong>. Anais do XVIII Encontro Regional de Hist\u00f3ria \u2013 O historiador e seu tempo. ANPUH\/SP \u2013 UNESP\/Assis, 24 a 28 de julho de 2006. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.anpuhsp.org.br\/sp\/downloads\/CD%20XVIII\/pdf\/ORDEM%20ALFAB%C9TICA\/Vavy%20Pacheco%20Borges.pdf\">http:\/\/www.anpuhsp.org.br\/sp\/downloads\/CD%20XVIII\/pdf\/ORDEM%20ALFAB%C9TICA\/Vavy%20Pacheco%20Borges.pdf<\/a>&gt;. Acesso em: 12 set. 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BORGES, Vavy Pacheco. Grandezas e Mis\u00e9rias da Biografia. In: PINSKY, Carla Bassanezi, (org.). <strong>Fontes Hist\u00f3ricas<\/strong>. 2.ed. S\u00e3o Paulo : Contexto, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CAMPELLO, Bernadete Santos;&nbsp; CALDEIRA, Paulo da Terra (Orgs). <strong>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s Fontes de Informa\u00e7\u00e3o<\/strong>. 2. ed. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CARINO, Jonaedson. A Biografia e sua Instrumentalidade Educativa. <strong>Educa\u00e7\u00e3o &amp; Sociedade<\/strong>. Ano XX, n 67. Ago. 1999. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/es\/v20n67\/v20n67a05.pdf\">http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/es\/v20n67\/v20n67a05.pdf<\/a>&gt;. Acesso em: 12 set. 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GADDIS, John Lewis. <strong>Paisagens da Hist\u00f3ria<\/strong>: como os historiadores mapeiam o passado. Rio de Janeiro: Campus, 2003.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FERNANDES, Telma Dias. Escritos Autobiogr\u00e1ficos e Escrita da Hist\u00f3ria: Historiografia e Relatos sobres o per\u00edodo militar brasileiro In: OLIVEIRA, Camila Aparecida Braga; MOLLO, Helena Miranda; BUARQUE, Virg\u00ednia Albuquerque de Castro (orgs). <strong>Caderno de resumos &amp; Anais do 5\u00ba Semin\u00e1rio Nacional de Hist\u00f3ria da Historiografia<\/strong>: biografia &amp; hist\u00f3ria intelectual. Ouro Preto: EdUFOP, 2011. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.seminariodehistoria.ufop.br\/ocs\/index.php\/snhh\/2011\/paper\/viewFile\/762\/430\">http:\/\/www.seminariodehistoria.ufop.br\/ocs\/index.php\/snhh\/2011\/paper\/viewFile\/762\/430<\/a>&gt;. Acesso em: 22 ago. 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LEJEUNE, Philippe. <strong>Je Est un Autre<\/strong>. Paris: \u00c9ditions du Seuil, 1980.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LEVI, Giovanni. Usos da Biografia. In: AMADO, Jana\u00edna; FERREIRA, Marieta de Moraes (org.). <strong>Usos &amp; abusos da hist\u00f3ria oral<\/strong>. 8. ed.Rio de Janeiro: Editora FGV 2006.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LEVI, Giovanni. Les Usages de la Biographie. In: <strong>Annales. \u00c9conomies, Soci\u00e9t\u00e9s, Civilisations<\/strong>. 44\u1d49 ann\u00e9e, n. 6, 1989. pp. 1325-1336. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.persee.fr\/doc\/ahess_0395-2649_1989_num_44_6_283658\">http:\/\/www.persee.fr\/doc\/ahess_0395-2649_1989_num_44_6_283658<\/a>&gt;. Acesso em 22 ago. 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PEREIRA, L\u00edgia Maria Leite. Algumas Reflex\u00f5es sobre Hist\u00f3rias de Vida: biografias e autobiograf\u00edas. In: <strong>Revista Hist\u00f3ria Oral<\/strong>. Dossi\u00ea: Mem\u00f3ria e trabalho: v. 3, 2000. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/revista.historiaoral.org.br\/index.php?journal=rho&amp;page=article&amp;op=view&amp;path%20%5B%5D=26&amp;path%5B%5D=20%20\">http:\/\/revista.historiaoral.org.br\/index.php?journal=rho&amp;page=article&amp;op=view&amp;path %5B%5D=26&amp;path%5B%5D=20<\/a> &gt;. Acesso em 21 ago. 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SCHMIDT, Benito Bisso. Construindo Biografias&#8230; Historiadores e Jornalistas: Aproxima\u00e7\u00f5es e Afastamentos. <strong>Estudos Hist\u00f3ricos<\/strong>, FGV, Rio de Janeiro, n. 19, 1997.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Doutora em Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o pela Universidade Federal da Para\u00edba. Professora do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Propriedade Intelectual e Transfer\u00eancia de Tecnologia para Inova\u00e7\u00e3o \u2013 PROFNIT\/UFOB e do Bacharelado em Direito na Universidade Federal do Oeste da Bahia. E-mail: <a href=\"\/scientiaetratio\/rosilene.sousa@ufob.edu.br\">rosilene.sousa@ufob.edu.br<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Doutor em Engenharia El\u00e9trica pela Universidade Federal da Para\u00edba. Professora do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia da informa\u00e7\u00e3o e do Departamento de Ci\u00eancia da Informa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Para\u00edba. 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