{"id":1785,"date":"2026-08-16T08:51:00","date_gmt":"2026-08-16T11:51:00","guid":{"rendered":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/?p=1785"},"modified":"2026-08-16T08:52:08","modified_gmt":"2026-08-16T11:52:08","slug":"a-vida-util-dos-produtos-e-o-direito-do-consumidorobsolescencia-por-software-direito-ao-reparo-e-responsabilidade-do-fornecedor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/a-vida-util-dos-produtos-e-o-direito-do-consumidorobsolescencia-por-software-direito-ao-reparo-e-responsabilidade-do-fornecedor\/","title":{"rendered":"A VIDA \u00daTIL DOS PRODUTOS E O DIREITO DO CONSUMIDOR: OBSOLESC\u00caNCIA POR SOFTWARE, DIREITO AO REPARO E RESPONSABILIDADE DO FORNECEDOR"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>THE USEFUL LIFE OF PRODUCTS AND CONSUMER LAW: SOFTWARE OBSOLESCENCE, THE RIGHT TO REPAIR, AND SUPPLIER LIABILITY<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left wp-block-paragraph\">Artigo submetido em 15 de agosto de 2026<br>Artigo aprovado em 16 de agosto de 2026<br>Artigo publicado em 16 de agosto de 2026<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-pale-ocean-gradient-background has-background\"><tbody><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Scientia et Ratio<\/strong><br>Volume 6 \u2013 N\u00famero 10 \u2013 2026<br>ISSN 2525-8532<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-b1534a3b7cc807cd62964c550315d5c9 wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background\"><tbody><tr><td><strong>Autor:<br><\/strong>Pablo Devid Silva Soares Ferreira<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a><br>Markus Samuel Leite Norat<a href=\"#_ftn2\"><sup><sup>[2]<\/sup><\/sup><\/a><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-7e4ac651328708ea719ac0894fa30934 wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RESUMO: O avan\u00e7o da digitaliza\u00e7\u00e3o modificou a pr\u00f3pria natureza dos bens de consumo dur\u00e1veis. Produtos antes compreendidos predominantemente como objetos f\u00edsicos passaram a depender de softwares, atualiza\u00e7\u00f5es, servidores remotos, aplicativos, autentica\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os digitais mantidos pelo fabricante. Nesse contexto, um bem materialmente \u00edntegro pode perder fun\u00e7\u00f5es essenciais ou tornar-se economicamente in\u00fatil por decis\u00e3o unilateral do fornecedor, seja pela interrup\u00e7\u00e3o de atualiza\u00e7\u00f5es, pelo encerramento de servi\u00e7os em nuvem, pela incompatibilidade deliberada com componentes de reposi\u00e7\u00e3o, pela restri\u00e7\u00e3o ao reparo independente ou por modifica\u00e7\u00f5es de software que reduzam desempenho ou funcionalidade. O presente artigo investiga se o sistema brasileiro de prote\u00e7\u00e3o ao consumidor, mesmo antes de legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre direito ao reparo, oferece fundamento suficiente para reconhecer uma tutela da chamada vida \u00fatil digital dos produtos. Adota-se m\u00e9todo dedutivo, com pesquisa bibliogr\u00e1fica, legislativa e jurisprudencial, a partir dos princ\u00edpios da vulnerabilidade, boa-f\u00e9 objetiva, transpar\u00eancia e confian\u00e7a, dos deveres de informa\u00e7\u00e3o e qualidade, das normas relativas aos v\u00edcios e \u00e0 garantia, do art. 32 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor e da jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a acerca do crit\u00e9rio da vida \u00fatil do bem em v\u00edcios ocultos. Examina-se, ainda, o Projeto de Lei n. 805\/2024 e a Diretiva (UE) 2024\/1799 como elementos de direito prospectivo e comparado. Sustenta-se que o consumidor n\u00e3o adquire apenas a estrutura f\u00edsica de um produto conectado, mas uma expectativa leg\u00edtima de manuten\u00e7\u00e3o de sua funcionalidade essencial durante per\u00edodo compat\u00edvel com sua durabilidade razoavelmente esperada. Conclui-se que a descontinua\u00e7\u00e3o digital prematura, quando previs\u00edvel, artificial, n\u00e3o informada ou tecnicamente evit\u00e1vel, pode configurar viola\u00e7\u00e3o do dever de informa\u00e7\u00e3o, pr\u00e1tica abusiva, v\u00edcio de adequa\u00e7\u00e3o ou inadimplemento de deveres anexos decorrentes da boa-f\u00e9, sem preju\u00edzo da necessidade de an\u00e1lise concreta da seguran\u00e7a, viabilidade t\u00e9cnica e proporcionalidade econ\u00f4mica de cada caso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Palavras-chave: Direito do Consumidor; vida \u00fatil digital; obsolesc\u00eancia programada; direito ao reparo; software.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ABSTRACT: The digitalization of consumer markets has changed the very nature of durable goods. Products once understood mainly as physical objects now increasingly depend on software, updates, remote servers, applications, authentication mechanisms and digital services maintained by manufacturers. In this context, a physically intact product may lose essential functions or become economically useless as a result of a unilateral supplier decision, including the discontinuation of updates, shutdown of cloud services, deliberate incompatibility with replacement parts, restrictions on independent repair, or software changes that reduce performance or functionality. This article investigates whether Brazilian consumer protection law, even before the enactment of specific right-to-repair legislation, provides sufficient grounds to recognize legal protection for the digital useful life of products. The study adopts a deductive method based on bibliographic, legislative and case-law research, focusing on consumer vulnerability, objective good faith, transparency and legitimate expectations, as well as duties of information and quality, rules on defects and warranties, Article 32 of the Brazilian Consumer Defense Code and the Superior Court of Justice&#8217;s case law concerning the useful-life criterion for latent defects. Bill No. 805\/2024 and Directive (EU) 2024\/1799 are also examined as prospective and comparative legal references. The article argues that consumers acquire not only the physical structure of a connected product but also a legitimate expectation that its essential functionality will be maintained for a period compatible with its reasonably expected durability. It concludes that premature digital discontinuation, when foreseeable, artificial, undisclosed or technically avoidable, may constitute a breach of the duty to inform, an abusive practice, a lack of conformity or a violation of ancillary duties derived from good faith, subject to a case-by-case assessment of safety, technical feasibility and economic proportionality.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Keywords: Consumer Law; digital useful life; planned obsolescence; right to repair; software.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">1 INTRODU\u00c7\u00c3O<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica do consumidor sempre acompanhou transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas capazes de acentuar a desigualdade entre quem produz e quem consome. A industrializa\u00e7\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o em massa e os contratos de ades\u00e3o alteraram a forma tradicional de contrata\u00e7\u00e3o e demonstraram a insufici\u00eancia de um modelo puramente civilista fundado na igualdade formal entre as partes. No Brasil, a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 elevou a defesa do consumidor \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de direito fundamental e princ\u00edpio da ordem econ\u00f4mica, e a Lei n. 8.078\/1990 estruturou um microssistema destinado a compensar a vulnerabilidade existente no mercado de consumo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Norat (2026) destaca que o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor deve ser compreendido para al\u00e9m de uma cole\u00e7\u00e3o de regras isoladas: trata-se de um sistema orientado por princ\u00edpios pr\u00f3prios e pela finalidade de equilibrar rela\u00e7\u00f5es estruturalmente assim\u00e9tricas. Essa premissa \u00e9 especialmente relevante quando se examinam fen\u00f4menos tecnol\u00f3gicos que n\u00e3o foram descritos literalmente pelo legislador de 1990, mas que reproduzem, e por vezes ampliam, a mesma assimetria informacional e t\u00e9cnica que justificou a cria\u00e7\u00e3o do microssistema consumerista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos \u00faltimos anos, a digitaliza\u00e7\u00e3o deslocou parte relevante da funcionalidade de produtos dur\u00e1veis para elementos imateriais controlados pelo fornecedor. Televisores inteligentes dependem de sistemas operacionais e aplicativos; autom\u00f3veis incorporam softwares capazes de ativar, limitar ou modificar fun\u00e7\u00f5es; c\u00e2meras de seguran\u00e7a e fechaduras dependem de servidores remotos; rel\u00f3gios e dispositivos vest\u00edveis exigem aplicativos de sincroniza\u00e7\u00e3o; computadores e telefones dependem de atualiza\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a; eletrodom\u00e9sticos conectados podem perder funcionalidades quando uma plataforma \u00e9 descontinuada. A propriedade material permanece com o consumidor, mas parte da utilidade econ\u00f4mica do bem continua tecnicamente subordinada a decis\u00f5es do fabricante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O problema central deste artigo pode ser formulado da seguinte maneira: pode o fornecedor, depois da venda, reduzir de forma significativa a utilidade de um produto dur\u00e1vel mediante descontinua\u00e7\u00e3o de software, encerramento de servidores, bloqueio de componentes ou restri\u00e7\u00e3o artificial ao reparo, ainda que o suporte f\u00edsico permane\u00e7a apto ao uso? Em termos jur\u00eddicos, busca-se identificar se existe, a partir das normas j\u00e1 vigentes, uma expectativa tutel\u00e1vel de vida \u00fatil digital correspondente \u00e0 durabilidade razo\u00e1vel do produto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hip\u00f3tese defendida \u00e9 a de que o ordenamento brasileiro j\u00e1 cont\u00e9m bases normativas suficientes para reconhecer essa tutela em situa\u00e7\u00f5es concretas. N\u00e3o se pretende afirmar um dever ilimitado de atualiza\u00e7\u00e3o eterna, tampouco impor ao fornecedor a manuten\u00e7\u00e3o indefinida de sistemas economicamente invi\u00e1veis. A proposta \u00e9 mais delimitada: quando uma funcionalidade essencial, objetivamente integrada \u00e0 oferta e determinante para a utilidade do produto, depende de suporte digital sob controle do fornecedor, sua retirada prematura, imprevis\u00edvel ou n\u00e3o informada pode violar o dever de informa\u00e7\u00e3o, a boa-f\u00e9 objetiva, a confian\u00e7a leg\u00edtima e a garantia de adequa\u00e7\u00e3o do produto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Metodologicamente, utiliza-se pesquisa qualitativa, de natureza bibliogr\u00e1fica, documental e jurisprudencial, com abordagem dedutiva. O eixo normativo \u00e9 formado pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal e pelo C\u00f3digo de Defesa do Consumidor, especialmente seus arts. 4\u00ba, 6\u00ba, 18, 24, 26, 31, 32, 39, 47 e 51. A jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a relativa \u00e0 vida \u00fatil dos produtos funciona como importante base interpretativa. Tamb\u00e9m s\u00e3o analisados o Projeto de Lei n. 805\/2024, atualmente em tramita\u00e7\u00e3o no Senado Federal, e a Diretiva (UE) 2024\/1799, que estabelece regras destinadas a promover o reparo de bens na Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2 A VULNERABILIDADE DO CONSUMIDOR NA ECONOMIA DOS PRODUTOS CONECTADOS<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vulnerabilidade constitui fundamento estruturante da Pol\u00edtica Nacional das Rela\u00e7\u00f5es de Consumo. O art. 4\u00ba, I, do CDC reconhece expressamente a vulnerabilidade do consumidor no mercado. A norma n\u00e3o descreve uma fragilidade ocasional, mas uma posi\u00e7\u00e3o estrutural decorrente do modo pelo qual os produtos s\u00e3o concebidos, ofertados e controlados. A assimetria pode ser econ\u00f4mica, jur\u00eddica, t\u00e9cnica e informacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Norat (2026) explica que o sistema consumerista rompe com a presun\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica de igualdade material entre contratantes justamente porque o consumidor n\u00e3o disp\u00f5e, em regra, dos mesmos conhecimentos, recursos e capacidade de negocia\u00e7\u00e3o do fornecedor. Na economia digital, essa assimetria se intensifica. O consumidor consegue observar o objeto f\u00edsico, mas n\u00e3o conhece o c\u00f3digo-fonte, a arquitetura de servidores, os protocolos de autentica\u00e7\u00e3o, a pol\u00edtica interna de atualiza\u00e7\u00f5es, a disponibilidade futura de pe\u00e7as nem as decis\u00f5es empresariais que determinar\u00e3o a continuidade de fun\u00e7\u00f5es essenciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O comprador de um produto conectado raramente possui meios para saber, no momento da contrata\u00e7\u00e3o, se determinada fun\u00e7\u00e3o permanecer\u00e1 dispon\u00edvel por dois, cinco ou dez anos. Tampouco consegue avaliar se uma futura incompatibilidade decorrer\u00e1 de necessidade t\u00e9cnica real, de raz\u00f5es de seguran\u00e7a, de encerramento inevit\u00e1vel de plataforma ou de decis\u00e3o comercial destinada a acelerar a substitui\u00e7\u00e3o do aparelho. O fornecedor, ao contr\u00e1rio, det\u00e9m as informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e define a estrat\u00e9gia de suporte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa assimetria revela uma forma espec\u00edfica de vulnerabilidade tecnol\u00f3gica. N\u00e3o se trata apenas de desconhecimento sobre como o produto funciona, mas da impossibilidade pr\u00e1tica de o consumidor controlar fatores externos que integram a utilidade do bem. A propriedade f\u00edsica, portanto, deixa de significar autonomia funcional plena. O usu\u00e1rio pode possuir o aparelho e, simultaneamente, depender de uma licen\u00e7a, de um aplicativo, de um servidor ou de uma chave digital gerenciada por terceiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A consequ\u00eancia jur\u00eddica desse fen\u00f4meno \u00e9 relevante: quanto maior a depend\u00eancia p\u00f3s-venda do consumidor em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 infraestrutura do fornecedor, maior deve ser a exig\u00eancia de transpar\u00eancia quanto \u00e0 dura\u00e7\u00e3o previs\u00edvel do suporte e \u00e0s consequ\u00eancias de eventual encerramento. A vulnerabilidade tecnol\u00f3gica n\u00e3o cria, por si s\u00f3, responsabilidade autom\u00e1tica, mas refor\u00e7a deveres de informa\u00e7\u00e3o, coopera\u00e7\u00e3o e lealdade derivados da boa-f\u00e9 objetiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">3 BOA-F\u00c9 OBJETIVA, CONFIAN\u00c7A E O DIREITO DE CONTINUAR UTILIZANDO O PRODUTO<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A boa-f\u00e9 objetiva, prevista entre os princ\u00edpios da Pol\u00edtica Nacional das Rela\u00e7\u00f5es de Consumo, exige comportamento leal e cooperativo em todas as fases da rela\u00e7\u00e3o contratual. Sua incid\u00eancia n\u00e3o termina com a entrega f\u00edsica da mercadoria. Em produtos cuja funcionalidade depende de atua\u00e7\u00e3o continuada do fornecedor, existem deveres p\u00f3s-contratuais capazes de persistir enquanto subsistir uma confian\u00e7a leg\u00edtima decorrente da pr\u00f3pria oferta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A confian\u00e7a \u00e9 particularmente importante quando a publicidade apresenta um bem como dur\u00e1vel, inteligente, atualiz\u00e1vel ou integrado a determinado ecossistema. O consumidor forma expectativas n\u00e3o apenas a partir do contrato escrito, mas tamb\u00e9m das caracter\u00edsticas objetivas do produto, de sua categoria, de seu pre\u00e7o, da comunica\u00e7\u00e3o mercadol\u00f3gica e dos padr\u00f5es normalmente associados \u00e0quela esp\u00e9cie de bem. Quanto maior o investimento e quanto mais dur\u00e1vel o produto, maior tende a ser a expectativa racional de utiliza\u00e7\u00e3o por per\u00edodo significativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o seria compat\u00edvel com a boa-f\u00e9, por exemplo, comercializar equipamento cuja principal funcionalidade dependa de um servidor que o fornecedor j\u00e1 saiba que ser\u00e1 desligado em curto prazo, sem revelar essa circunst\u00e2ncia de forma clara e ostensiva. Da mesma maneira, pode ser juridicamente problem\u00e1tico remover por atualiza\u00e7\u00e3o uma fun\u00e7\u00e3o que integrou a oferta e influenciou a decis\u00e3o de compra, quando n\u00e3o houver justificativa de seguran\u00e7a ou impossibilidade t\u00e9cnica proporcional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A prote\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a n\u00e3o significa congelar indefinidamente produtos tecnol\u00f3gicos. A inova\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e substitui\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es, encerramento de protocolos e evolu\u00e7\u00e3o de sistemas. O ponto jur\u00eddico n\u00e3o est\u00e1 na proibi\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a, mas na distribui\u00e7\u00e3o dos riscos dessa mudan\u00e7a. Se a obsolesc\u00eancia decorre de evolu\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel e foi adequadamente informada, a solu\u00e7\u00e3o pode ser distinta daquela em que a perda de funcionalidade \u00e9 criada unilateralmente para estimular nova compra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pode-se, assim, formular um princ\u00edpio operativo: o fornecedor que mant\u00e9m controle tecnol\u00f3gico relevante sobre o funcionamento de um produto ap\u00f3s a venda deve exercer esse poder de modo compat\u00edvel com a confian\u00e7a legitimamente criada. O poder t\u00e9cnico de desligar n\u00e3o equivale, automaticamente, ao direito jur\u00eddico de desligar sem consequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">4 O DEVER DE INFORMA\u00c7\u00c3O E A DURA\u00c7\u00c3O DO SUPORTE DIGITAL<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os direitos b\u00e1sicos previstos no art. 6\u00ba do CDC encontra-se a informa\u00e7\u00e3o adequada e clara sobre produtos e servi\u00e7os. O art. 31 complementa essa prote\u00e7\u00e3o ao exigir que a oferta assegure informa\u00e7\u00f5es corretas, claras, precisas, ostensivas e em l\u00edngua portuguesa sobre caracter\u00edsticas, qualidade, quantidade, composi\u00e7\u00e3o, pre\u00e7o, garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados relevantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao tratar dos direitos b\u00e1sicos, Norat (2026) associa a liberdade de escolha \u00e0 disponibilidade de informa\u00e7\u00f5es capazes de permitir uma decis\u00e3o consciente. Essa rela\u00e7\u00e3o assume especial import\u00e2ncia em produtos dependentes de software. Se o consumidor n\u00e3o sabe quanto tempo haver\u00e1 atualiza\u00e7\u00f5es essenciais, se determinada fun\u00e7\u00e3o depende de servidor externo ou se o produto poder\u00e1 deixar de operar ap\u00f3s o fim de uma plataforma, n\u00e3o disp\u00f5e de elementos suficientes para comparar alternativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tempo de suporte digital pode ser economicamente t\u00e3o importante quanto mem\u00f3ria, capacidade, pot\u00eancia ou dimens\u00e3o f\u00edsica. Dois produtos aparentemente equivalentes podem ter durabilidade efetiva muito diferente se um deles receber atualiza\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a e compatibilidade por sete anos e o outro por apenas dois. A aus\u00eancia dessa informa\u00e7\u00e3o impede compara\u00e7\u00e3o racional de custo ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa constata\u00e7\u00e3o decorre uma proposi\u00e7\u00e3o normativa: quando o funcionamento normal do produto depender de suporte digital continuado, a dura\u00e7\u00e3o prevista desse suporte deve ser tratada como caracter\u00edstica essencial da oferta. Se o fornecedor assume compromisso determinado, por exemplo, cinco anos de atualiza\u00e7\u00f5es, a declara\u00e7\u00e3o vincula a oferta. Se n\u00e3o assume prazo expresso, a inexist\u00eancia de informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser interpretada automaticamente como autoriza\u00e7\u00e3o para encerramento imediato, pois permanecem incidentes a boa-f\u00e9, a leg\u00edtima expectativa de durabilidade e a disciplina dos v\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio distinguir atualiza\u00e7\u00f5es de conveni\u00eancia e atualiza\u00e7\u00f5es essenciais. Nem todo produto precisa receber indefinidamente novos recursos ou mudan\u00e7as est\u00e9ticas. Por\u00e9m, atualiza\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a, compatibilidade e manuten\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es j\u00e1 adquiridas possuem natureza diferente. Quando a aus\u00eancia de atualiza\u00e7\u00e3o transforma um produto ainda fisicamente \u00fatil em equipamento inseguro ou incompat\u00edvel com fun\u00e7\u00f5es essenciais anunciadas, o problema passa da esfera da inova\u00e7\u00e3o para a esfera da adequa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O dever de informa\u00e7\u00e3o deve alcan\u00e7ar, ainda, hip\u00f3teses de depend\u00eancia de nuvem. A exist\u00eancia de servidor remoto indispens\u00e1vel ao funcionamento deveria ser revelada de forma destacada, acompanhada, sempre que poss\u00edvel, de informa\u00e7\u00f5es sobre dura\u00e7\u00e3o m\u00ednima do servi\u00e7o, condi\u00e7\u00f5es de encerramento e alternativas dispon\u00edveis ao consumidor. A informa\u00e7\u00e3o posterior ao desligamento \u00e9 insuficiente quando o risco era estrutural desde a venda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">5 GARANTIA LEGAL, V\u00cdCIO OCULTO E O CRIT\u00c9RIO DA VIDA \u00daTIL<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A garantia legal ocupa posi\u00e7\u00e3o decisiva na constru\u00e7\u00e3o proposta. O art. 24 do CDC estabelece que a garantia legal de adequa\u00e7\u00e3o independe de termo expresso, vedada a exonera\u00e7\u00e3o contratual do fornecedor. A garantia contratual, por sua vez, \u00e9 complementar \u00e0 legal. Norat (2026) ressalta que a garantia legal nasce da pr\u00f3pria lei e n\u00e3o depende de declara\u00e7\u00e3o do fornecedor, evidenciando que a prote\u00e7\u00e3o do consumidor n\u00e3o se limita \u00e0s condi\u00e7\u00f5es impressas no certificado de garantia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O art. 26 prev\u00ea prazos decadenciais para reclama\u00e7\u00e3o de v\u00edcios aparentes ou de f\u00e1cil constata\u00e7\u00e3o e determina, no \u00a7 3\u00ba, que, tratando-se de v\u00edcio oculto, o prazo se inicia quando ficar evidenciado o defeito. A jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a desenvolveu, a partir desse dispositivo, relevante diferencia\u00e7\u00e3o entre prazo para reclamar e per\u00edodo durante o qual \u00e9 razo\u00e1vel esperar que o produto funcione adequadamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No REsp 984.106\/SC, a Quarta Turma consolidou entendimento segundo o qual, em mat\u00e9ria de v\u00edcio oculto, o CDC adota o crit\u00e9rio da vida \u00fatil do bem, e n\u00e3o simplesmente o prazo da garantia contratual. Posteriormente, no REsp 1.787.287\/SP, a Terceira Turma reafirmou a possibilidade de responsabiliza\u00e7\u00e3o do fornecedor por defeito oculto surgido ap\u00f3s o fim da garantia contratual, desde que dentro da vida \u00fatil esperada e ausente demonstra\u00e7\u00e3o de uso inadequado pelo consumidor (BRASIL, 2012; BRASIL, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa jurisprud\u00eancia oferece a ponte dogm\u00e1tica necess\u00e1ria \u00e0 ideia de vida \u00fatil digital. Se a adequa\u00e7\u00e3o de um produto dur\u00e1vel deve ser aferida considerando o per\u00edodo em que razoavelmente se espera que ele funcione, n\u00e3o parece coerente limitar essa an\u00e1lise exclusivamente ao desgaste f\u00edsico. Em produtos h\u00edbridos, cuja utilidade resulta da combina\u00e7\u00e3o entre hardware e software, a deteriora\u00e7\u00e3o funcional provocada por elemento digital pode produzir efeito equivalente ao defeito f\u00edsico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considere-se um televisor cuja tela, placa e demais componentes estejam em pleno funcionamento, mas cujo sistema deixe de executar todos os aplicativos que compunham sua finalidade anunciada porque o fabricante interrompe suporte essencial de forma prematura. O consumidor preservou a estrutura material, mas perdeu parcela substancial da utilidade. Em outro exemplo, uma c\u00e2mera de seguran\u00e7a pode permanecer eletronicamente perfeita e tornar-se inutiliz\u00e1vel pelo desligamento do servidor obrigat\u00f3rio de autentica\u00e7\u00e3o. O resultado econ\u00f4mico \u00e9 semelhante \u00e0 quebra do produto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A qualifica\u00e7\u00e3o jur\u00eddica depender\u00e1 do caso. Se o encerramento decorre de risco grave de seguran\u00e7a, impossibilidade t\u00e9cnica superveniente ou evento externo inevit\u00e1vel, poder\u00e1 n\u00e3o haver ilicitude. Entretanto, se a perda de funcionalidade decorrer de desenho deliberado, aus\u00eancia injustificada de suporte, omiss\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o essencial ou decis\u00e3o comercial incompat\u00edvel com a vida \u00fatil razo\u00e1vel do bem, \u00e9 poss\u00edvel cogitar v\u00edcio de adequa\u00e7\u00e3o e responsabiliza\u00e7\u00e3o do fornecedor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O crit\u00e9rio da vida \u00fatil evita dois extremos. De um lado, impede que a garantia contratual seja tratada como autoriza\u00e7\u00e3o para qualquer falha posterior. De outro, n\u00e3o transforma o fornecedor em garantidor perp\u00e9tuo. A responsabilidade deve ser avaliada casuisticamente, considerando pre\u00e7o, categoria do produto, tecnologia, disponibilidade de pe\u00e7as, intensidade do uso, informa\u00e7\u00e3o prestada, tempo m\u00e9dio de durabilidade e causa da falha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">6 O ART. 32 DO CDC E A RELEITURA DO CONCEITO DE PE\u00c7AS E COMPONENTES<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O art. 32 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor determina que fabricantes e importadores assegurem a oferta de componentes e pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o enquanto n\u00e3o cessar a fabrica\u00e7\u00e3o ou importa\u00e7\u00e3o do produto e que, cessadas essas atividades, a oferta seja mantida por per\u00edodo razo\u00e1vel. A norma foi concebida em ambiente predominantemente f\u00edsico, mas sua finalidade permanece atual: impedir que um bem dur\u00e1vel se torne in\u00fatil apenas porque o fornecedor extinguiu os meios necess\u00e1rios ao reparo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A digitaliza\u00e7\u00e3o exige interpreta\u00e7\u00e3o funcional desse dispositivo. Em determinados produtos, a substitui\u00e7\u00e3o de uma pe\u00e7a f\u00edsica n\u00e3o basta. O componente pode depender de firmware, software de calibra\u00e7\u00e3o, senha, pareamento eletr\u00f4nico, chave criptogr\u00e1fica ou autoriza\u00e7\u00e3o remota. Se o fabricante disponibiliza a pe\u00e7a, mas bloqueia tecnicamente sua ativa\u00e7\u00e3o fora da rede autorizada, a exist\u00eancia material da reposi\u00e7\u00e3o pode tornar-se juridicamente ilus\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso n\u00e3o significa que todo software deva ser aberto ou que segredos industriais devam ser integralmente divulgados. H\u00e1 interesses leg\u00edtimos de propriedade intelectual, seguran\u00e7a cibern\u00e9tica e integridade do produto. O desafio \u00e9 compatibilizar esses interesses com o direito do consumidor de preservar a utilidade do bem adquirido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma interpreta\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea do art. 32 permite sustentar que o dever de assegurar reposi\u00e7\u00e3o deve abranger, ao menos, os recursos t\u00e9cnicos indispens\u00e1veis para que o componente legitimamente substitu\u00eddo possa funcionar. Se uma bateria nova exige procedimento digital de pareamento, ou se uma pe\u00e7a original precisa de ferramenta de calibra\u00e7\u00e3o, a negativa absoluta de acesso pode produzir efeito equivalente \u00e0 indisponibilidade da pe\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A no\u00e7\u00e3o de componente, portanto, pode adquirir dimens\u00e3o funcional e n\u00e3o apenas material. Em produtos definidos por software, determinados elementos digitais cumprem papel semelhante ao de pe\u00e7as tradicionais. Firmware, chaves de configura\u00e7\u00e3o e arquivos de restaura\u00e7\u00e3o podem ser indispens\u00e1veis \u00e0 continuidade do uso. A extens\u00e3o concreta desse dever deve observar proporcionalidade, seguran\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es empresariais sens\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">7 O DIREITO AO REPARO COMO DESDOBRAMENTO DA PROTE\u00c7\u00c3O CONSUMERISTA<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O chamado direito ao reparo n\u00e3o se resume \u00e0 possibilidade f\u00edsica de abrir um equipamento. Trata-se de conjunto de condi\u00e7\u00f5es que permitem ao consumidor conservar, consertar e prolongar a utiliza\u00e7\u00e3o do bem por escolha pr\u00f3pria ou por meio de prestador independente. Envolve acesso razo\u00e1vel a pe\u00e7as, informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, ferramentas, diagn\u00f3stico e aus\u00eancia de obst\u00e1culos artificiais que tornem o reparo desproporcionalmente dif\u00edcil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sob a perspectiva consumerista, o direito ao reparo relaciona-se \u00e0 liberdade de escolha, \u00e0 boa-f\u00e9, \u00e0 preven\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas abusivas e \u00e0 pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do produto dur\u00e1vel. A obriga\u00e7\u00e3o de usar exclusivamente uma rede autorizada durante toda a vida do bem pode, dependendo das circunst\u00e2ncias, criar depend\u00eancia econ\u00f4mica excessiva e reduzir artificialmente a concorr\u00eancia no mercado de p\u00f3s-venda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 preciso, contudo, evitar formula\u00e7\u00f5es absolutas. Existem produtos cujo reparo por terceiros pode gerar riscos relevantes, especialmente quando envolvem alta tens\u00e3o, dispositivos m\u00e9dicos, sistemas cr\u00edticos de seguran\u00e7a ou componentes cuja calibra\u00e7\u00e3o inadequada cause perigo. Nesses casos, restri\u00e7\u00f5es podem ser leg\u00edtimas. O direito ao reparo deve ser estruturado como presun\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel \u00e0 reparabilidade, admitindo limita\u00e7\u00f5es justificadas por seguran\u00e7a, prote\u00e7\u00e3o de dados, propriedade intelectual ou exig\u00eancias t\u00e9cnicas concretas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A discuss\u00e3o ganhou relev\u00e2ncia legislativa no Brasil com o Projeto de Lei n. 805\/2024, de autoria do senador Ciro Nogueira. A proposi\u00e7\u00e3o pretende alterar o CDC para coibir a obsolesc\u00eancia programada e disciplinar o direito ao reparo. Em maio de 2026, a Comiss\u00e3o de Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00e3o e Inform\u00e1tica do Senado aprovou parecer favor\u00e1vel \u00e0 mat\u00e9ria, que seguiu para an\u00e1lise subsequente (BRASIL, 2024; BRASIL, 2026).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A exist\u00eancia do projeto n\u00e3o significa que o direito ao reparo inexista hoje. O texto legislativo possui import\u00e2ncia porque explicita e densifica deveres, estabelece mecanismos e reduz incertezas. Entretanto, diversos fundamentos j\u00e1 podem ser extra\u00eddos do CDC vigente, especialmente dos arts. 6\u00ba, 18, 24, 26, 31, 32 e 39. A futura legisla\u00e7\u00e3o, se aprovada, tender\u00e1 a conferir maior precis\u00e3o a uma prote\u00e7\u00e3o que j\u00e1 encontra apoio principiol\u00f3gico no sistema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">8 OBSOLESC\u00caNCIA PROGRAMADA, OBSOLESC\u00caNCIA DIGITAL E PR\u00c1TICAS ABUSIVAS<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A express\u00e3o obsolesc\u00eancia programada \u00e9 utilizada para descrever estrat\u00e9gias destinadas a reduzir deliberadamente a dura\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica ou funcional de produtos, estimulando substitui\u00e7\u00e3o mais frequente. O conceito deve ser empregado com cautela, pois nem toda falha precoce decorre de planejamento intencional. Produtos possuem limita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, ciclos de inova\u00e7\u00e3o e desgaste natural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obsolesc\u00eancia digital representa uma categoria espec\u00edfica. Ela ocorre quando a perda de utilidade decorre de software, autentica\u00e7\u00e3o, servidores, incompatibilidades ou decis\u00f5es digitais controladas pelo fornecedor. Sua identifica\u00e7\u00e3o pode ser mais dif\u00edcil que a obsolesc\u00eancia f\u00edsica, porque a causa est\u00e1 frequentemente oculta no c\u00f3digo ou na infraestrutura do fabricante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Algumas situa\u00e7\u00f5es podem indicar risco de abusividade: atualiza\u00e7\u00e3o que reduz desempenho sem necessidade t\u00e9cnica demonstr\u00e1vel; bloqueio de pe\u00e7a funcional apenas por n\u00e3o possuir serial autorizado; encerramento abrupto de servidor indispens\u00e1vel pouco tempo ap\u00f3s a venda; retirada de fun\u00e7\u00e3o anunciada sem alternativa equivalente; aus\u00eancia de atualiza\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a quando o produto permanece no per\u00edodo razo\u00e1vel de utiliza\u00e7\u00e3o; ou projeto que torna reparo simples artificialmente dependente de ferramenta exclusiva e inacess\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O art. 39 do CDC pro\u00edbe pr\u00e1ticas abusivas e cont\u00e9m rol n\u00e3o exaustivo. O art. 51, por sua vez, invalida cl\u00e1usulas que impliquem ren\u00fancia de direitos ou coloquem o consumidor em desvantagem exagerada. A combina\u00e7\u00e3o dessas normas com a boa-f\u00e9 permite analisar condutas que, embora tecnologicamente sofisticadas, reproduzem formas tradicionais de desequil\u00edbrio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A inten\u00e7\u00e3o deliberada de abreviar a vida \u00fatil pode ser relevante, mas nem sempre ser\u00e1 indispens\u00e1vel para a tutela consumerista. O v\u00edcio de adequa\u00e7\u00e3o e a viola\u00e7\u00e3o do dever de informa\u00e7\u00e3o podem existir independentemente da prova de prop\u00f3sito doloso. Exigir do consumidor prova direta de que a empresa planejou a obsolesc\u00eancia tornaria a prote\u00e7\u00e3o praticamente invi\u00e1vel, dada a assimetria informacional. A an\u00e1lise deve privilegiar fatos objetivos: dura\u00e7\u00e3o real, causa t\u00e9cnica, informa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, possibilidade de corre\u00e7\u00e3o e comportamento do fornecedor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse ponto, a distribui\u00e7\u00e3o din\u00e2mica do \u00f4nus probat\u00f3rio possui fun\u00e7\u00e3o decisiva. Informa\u00e7\u00f5es sobre arquitetura do sistema, motivos do desligamento, compatibilidade, hist\u00f3rico de atualiza\u00e7\u00f5es e alternativas t\u00e9cnicas encontram-se predominantemente na esfera do fornecedor. Quando presentes verossimilhan\u00e7a e hipossufici\u00eancia, a invers\u00e3o prevista no art. 6\u00ba, VIII, pode permitir que a empresa demonstre a justificativa t\u00e9cnica da medida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">9 PRODUTOS DEPENDENTES DE NUVEM E O PROBLEMA DO DESLIGAMENTO DE SERVIDORES<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os casos mais sens\u00edveis est\u00e3o os produtos que dependem permanentemente de infraestrutura remota. Neles, o consumidor n\u00e3o compra apenas um objeto, mas ingressa em rela\u00e7\u00e3o funcional continuada, mesmo quando n\u00e3o h\u00e1 mensalidade. O aparelho pode exigir contato peri\u00f3dico com servidor para autenticar licen\u00e7a, processar dados, armazenar configura\u00e7\u00f5es ou executar comandos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa arquitetura cria risco singular: o fornecedor pode retirar unilateralmente do mercado a infraestrutura que mant\u00e9m o produto \u00fatil. O encerramento de uma empresa, a venda de uma divis\u00e3o, a mudan\u00e7a de modelo de neg\u00f3cios ou simples decis\u00e3o estrat\u00e9gica pode converter milhares de aparelhos em res\u00edduos eletr\u00f4nicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A solu\u00e7\u00e3o jur\u00eddica deve considerar se a depend\u00eancia de servidor era essencial e previs\u00edvel, se foi claramente informada, qual a idade dos produtos afetados, se existe solu\u00e7\u00e3o local ou migra\u00e7\u00e3o poss\u00edvel e se o fornecedor adotou medidas de transi\u00e7\u00e3o. Em determinados casos, liberar funcionalidade local, disponibilizar firmware final, permitir exporta\u00e7\u00e3o de dados ou oferecer substitui\u00e7\u00e3o proporcional pode reduzir o dano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando a empresa vende produto com forte expectativa de durabilidade e encerra o servi\u00e7o poucos meses ou poucos anos depois, sem informa\u00e7\u00e3o anterior adequada, a conduta pode frustrar a finalidade objetiva do contrato. A perda n\u00e3o deve ser vista apenas como encerramento de servi\u00e7o gratuito; pode representar destrui\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de parcela do pr\u00f3prio produto adquirido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 necess\u00e1rio distinguir servi\u00e7os acess\u00f3rios daqueles sem os quais o produto n\u00e3o cumpre a fun\u00e7\u00e3o principal. O encerramento de um recurso promocional secund\u00e1rio n\u00e3o possui a mesma gravidade que o desligamento de autentica\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para ligar o equipamento. A centralidade da fun\u00e7\u00e3o deve orientar a resposta jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">10 ATUALIZA\u00c7\u00d5ES DE SOFTWARE: DEVER DE MANUTEN\u00c7\u00c3O, SEGURAN\u00c7A E LIMITES<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualiza\u00e7\u00f5es de software ocupam posi\u00e7\u00e3o ambivalente. Podem prolongar a vida \u00fatil, corrigir vulnerabilidades e preservar compatibilidade, mas tamb\u00e9m podem remover fun\u00e7\u00f5es, introduzir incompatibilidades ou degradar desempenho. O direito do consumidor deve avaliar tanto a omiss\u00e3o de atualiza\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria quanto a atualiza\u00e7\u00e3o prejudicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em produtos conectados \u00e0 internet, a seguran\u00e7a cibern\u00e9tica integra progressivamente a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de qualidade. Um aparelho sem atualiza\u00e7\u00f5es m\u00ednimas pode expor dados, rede dom\u00e9stica e integridade do usu\u00e1rio. A expectativa de seguran\u00e7a razo\u00e1vel n\u00e3o desaparece simplesmente porque a falha \u00e9 imaterial. Se o produto \u00e9 comercializado para uso conectado, riscos digitais previs\u00edveis devem integrar o planejamento de suporte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o se pode exigir, entretanto, que todo dispositivo receba indefinidamente a vers\u00e3o mais recente de um sistema. A obriga\u00e7\u00e3o deve concentrar-se em manuten\u00e7\u00e3o compat\u00edvel com a vida \u00fatil razo\u00e1vel, especialmente corre\u00e7\u00f5es essenciais e preserva\u00e7\u00e3o de fun\u00e7\u00f5es originalmente contratadas. A cria\u00e7\u00e3o de novos recursos pertence a outro plano e pode depender de pol\u00edtica comercial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualiza\u00e7\u00f5es que reduzam desempenho exigem transpar\u00eancia refor\u00e7ada. Se a redu\u00e7\u00e3o for necess\u00e1ria para evitar risco de bateria, superaquecimento ou instabilidade, o fornecedor deve informar a raz\u00e3o e, quando poss\u00edvel, oferecer alternativas. Ocultar efeitos relevantes pode comprometer o consentimento do consumidor e violar o dever de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m deve ser analisado o direito de recusa. Em certas situa\u00e7\u00f5es, permitir que o consumidor mantenha vers\u00e3o antiga pode ser compat\u00edvel com sua autonomia; em outras, a vers\u00e3o antiga representa risco de seguran\u00e7a para terceiros ou para a rede. A resposta n\u00e3o deve ser autom\u00e1tica, mas proporcional \u00e0 natureza do produto e do risco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">11 EXPERI\u00caNCIA EUROPEIA E DIREITO COMPARADO<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Uni\u00e3o Europeia adotou, em 2024, a Diretiva (UE) 2024\/1799, destinada a promover o reparo de bens. A norma integra estrat\u00e9gia mais ampla de sustentabilidade e consumo respons\u00e1vel e procura tornar o reparo uma alternativa mais acess\u00edvel ao descarte e \u00e0 substitui\u00e7\u00e3o prematura. Entre seus objetivos est\u00e3o o fortalecimento do mercado de repara\u00e7\u00e3o, a redu\u00e7\u00e3o de obst\u00e1culos e a disponibiliza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es aos consumidores (UNI\u00c3O EUROPEIA, 2024).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A experi\u00eancia europeia \u00e9 relevante para o Brasil n\u00e3o como fonte normativa direta, mas como par\u00e2metro comparativo. Ela demonstra que a reparabilidade deixou de ser quest\u00e3o meramente ambiental e passou a integrar a agenda de prote\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do consumidor. O prolongamento da vida \u00fatil reduz custos individuais e externalidades ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O di\u00e1logo entre direito do consumidor e sustentabilidade tamb\u00e9m encontra base no art. 4\u00ba do CDC, que orienta a Pol\u00edtica Nacional das Rela\u00e7\u00f5es de Consumo \u00e0 melhoria da qualidade de vida e \u00e0 harmoniza\u00e7\u00e3o dos interesses. Produtos artificialmente descart\u00e1veis transferem custos ao consumidor e \u00e0 coletividade, al\u00e9m de estimular gera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A compara\u00e7\u00e3o revela ainda mudan\u00e7a de paradigma. Tradicionalmente, a tutela consumerista concentrava-se no momento da compra e na repara\u00e7\u00e3o do defeito. O direito ao reparo desloca aten\u00e7\u00e3o para a manuten\u00e7\u00e3o da utilidade ao longo do ciclo de vida. Essa perspectiva \u00e9 particularmente adequada aos produtos digitais, nos quais decis\u00f5es p\u00f3s-venda do fabricante podem determinar a dura\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do bem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O direito comparado, contudo, deve ser utilizado com cautela. A estrutura legislativa europeia, as regras de ecodesign e a organiza\u00e7\u00e3o do mercado diferem das brasileiras. Por isso, a Diretiva funciona como elemento argumentativo e prospectivo, n\u00e3o como fundamento direto de pretens\u00f5es no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">12 O PROJETO DE LEI N. 805\/2024 E A POSS\u00cdVEL POSITIVA\u00c7\u00c3O DO DIREITO AO REPARO<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Projeto de Lei n. 805\/2024 pretende inserir no ordenamento brasileiro regras expressas contra a obsolesc\u00eancia programada e em favor do direito ao reparo. A tramita\u00e7\u00e3o legislativa evidencia que o tema deixou de ser discuss\u00e3o exclusivamente acad\u00eamica. Em 6 de maio de 2026, a Comiss\u00e3o de Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00e3o e Inform\u00e1tica do Senado aprovou a mat\u00e9ria, que prosseguiu para nova an\u00e1lise legislativa (BRASIL, 2026).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A proposta possui import\u00e2ncia simb\u00f3lica e normativa. Ao tratar do direito de reparar, reconhece que a prote\u00e7\u00e3o do consumidor n\u00e3o se encerra na substitui\u00e7\u00e3o de um produto defeituoso dentro da garantia. H\u00e1 interesse leg\u00edtimo na conserva\u00e7\u00e3o do bem, na escolha do prestador e na redu\u00e7\u00e3o de barreiras artificiais \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do ponto de vista dogm\u00e1tico, a futura aprova\u00e7\u00e3o poder\u00e1 reduzir controv\u00e9rsias probat\u00f3rias e oferecer par\u00e2metros mais objetivos. Ainda assim, a aus\u00eancia de norma espec\u00edfica n\u00e3o impede o uso do CDC atual. O sistema brasileiro foi constru\u00eddo como microssistema aberto a novas situa\u00e7\u00f5es de mercado. A interpreta\u00e7\u00e3o principiol\u00f3gica permite alcan\u00e7ar pr\u00e1ticas tecnol\u00f3gicas que preservem a mesma ess\u00eancia econ\u00f4mica de abusos j\u00e1 conhecidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O valor do projeto para a tese deste artigo est\u00e1, portanto, em dois aspectos. Primeiro, demonstra a relev\u00e2ncia contempor\u00e2nea do problema. Segundo, confirma que a no\u00e7\u00e3o de durabilidade deve compreender possibilidade real de repara\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o simples integridade f\u00edsica. A vida \u00fatil digital \u00e9 consequ\u00eancia l\u00f3gica dessa amplia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">13 PROPOSTA DE CONSTRU\u00c7\u00c3O JUR\u00cdDICA DA VIDA \u00daTIL DIGITAL<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A express\u00e3o vida \u00fatil digital pode ser definida como o per\u00edodo durante o qual um produto dur\u00e1vel, cuja funcionalidade dependa de elementos digitais controlados pelo fornecedor, deve conservar condi\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas razo\u00e1veis para executar suas fun\u00e7\u00f5es essenciais legitimamente esperadas, ressalvadas limita\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, de seguran\u00e7a e proporcionalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A defini\u00e7\u00e3o cont\u00e9m cinco elementos. O primeiro \u00e9 a durabilidade: a tese n\u00e3o se dirige a servi\u00e7os naturalmente instant\u00e2neos ou a conte\u00fados claramente tempor\u00e1rios. O segundo \u00e9 a depend\u00eancia digital: deve existir rela\u00e7\u00e3o relevante entre software, servidor, autentica\u00e7\u00e3o ou plataforma e a utilidade do bem. O terceiro \u00e9 o controle do fornecedor: a perda deve decorrer de elemento situado em sua esfera de decis\u00e3o ou responsabilidade. O quarto \u00e9 a essencialidade da fun\u00e7\u00e3o afetada. O quinto \u00e9 a razoabilidade temporal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A aferi\u00e7\u00e3o da razoabilidade pode utilizar crit\u00e9rios semelhantes aos empregados para vida \u00fatil f\u00edsica: pre\u00e7o, categoria, publicidade, garantia oferecida, expectativa m\u00e9dia do mercado, disponibilidade de pe\u00e7as, finalidade, intensidade de uso, evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e informa\u00e7\u00e3o prestada no momento da compra. Tamb\u00e9m deve considerar a natureza do suporte digital e o custo de sua manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A vida \u00fatil digital n\u00e3o precisa coincidir exatamente com a vida \u00fatil f\u00edsica. Pode haver produto cujo hardware sobreviva por quinze anos, mas cujo suporte tecnol\u00f3gico razo\u00e1vel seja menor. O essencial \u00e9 que essa diferen\u00e7a seja justific\u00e1vel, previs\u00edvel e informada. A despropor\u00e7\u00e3o extrema entre durabilidade f\u00edsica e suporte digital pode indicar inadequa\u00e7\u00e3o, especialmente quando o consumidor n\u00e3o foi alertado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa constru\u00e7\u00e3o decorrem poss\u00edveis deveres do fornecedor: informar prazo m\u00ednimo de suporte quando conhecido; n\u00e3o retirar fun\u00e7\u00f5es essenciais de modo arbitr\u00e1rio; disponibilizar corre\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a compat\u00edveis com o per\u00edodo razo\u00e1vel; fornecer meios de reparo e ativa\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as quando tecnicamente seguro; planejar transi\u00e7\u00e3o em encerramento de servidores; e oferecer solu\u00e7\u00e3o proporcional quando a pr\u00f3pria decis\u00e3o empresarial inutilizar prematuramente o produto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As consequ\u00eancias jur\u00eddicas poder\u00e3o variar. O consumidor pode buscar reparo, reativa\u00e7\u00e3o, substitui\u00e7\u00e3o, abatimento, restitui\u00e7\u00e3o, perdas e danos ou tutela inibit\u00f3ria, conforme a natureza do il\u00edcito e as possibilidades previstas no CDC. Em quest\u00f5es coletivas, a homogeneidade do problema t\u00e9cnico pode justificar tutela coletiva, especialmente quando uma \u00fanica atualiza\u00e7\u00e3o ou desligamento atinge grande n\u00famero de usu\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A prova pericial ter\u00e1 papel relevante. A distin\u00e7\u00e3o entre obsolesc\u00eancia artificial e limita\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica leg\u00edtima depende frequentemente de conhecimento especializado. Documentos internos, cronogramas de suporte, logs, notas t\u00e9cnicas e pol\u00edticas de atualiza\u00e7\u00e3o podem esclarecer se havia alternativa razo\u00e1vel ao encerramento. A invers\u00e3o do \u00f4nus da prova deve ser utilizada de forma fundamentada, n\u00e3o autom\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">14 LIMITES DA TESE E RISCOS DE UMA RESPONSABILIDADE EXCESSIVA<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma teoria juridicamente \u00fatil deve tamb\u00e9m delimitar seus pr\u00f3prios limites. A defesa da vida \u00fatil digital n\u00e3o pode converter-se em obriga\u00e7\u00e3o de suporte perp\u00e9tuo. Sistemas antigos podem tornar-se inseguros, bibliotecas podem deixar de existir, padr\u00f5es de criptografia podem ser superados e custos de manuten\u00e7\u00e3o podem se tornar desproporcionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica tamb\u00e9m gera benef\u00edcios ao consumidor. Obrigar fabricantes a manter indefinidamente sistemas legados poderia reduzir investimento, elevar pre\u00e7os e criar riscos de seguran\u00e7a. A tutela deve buscar equil\u00edbrio entre prote\u00e7\u00e3o da confian\u00e7a e viabilidade econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por essa raz\u00e3o, a responsabilidade deve depender de fatores concretos. O simples encerramento de suporte ap\u00f3s per\u00edodo longo e claramente informado n\u00e3o equivale \u00e0 obsolesc\u00eancia abusiva. Da mesma forma, falha causada por modifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o autorizada, desgaste normal, uso incompat\u00edvel ou impossibilidade t\u00e9cnica genu\u00edna pode afastar responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A transpar\u00eancia possui papel preventivo central. Um fabricante que informa de maneira destacada o prazo m\u00ednimo de atualiza\u00e7\u00f5es permite ao consumidor incorporar esse dado \u00e0 decis\u00e3o de compra. A concorr\u00eancia pode, ent\u00e3o, deslocar-se tamb\u00e9m para a durabilidade digital. O problema mais grave ocorre quando o produto \u00e9 vendido como dur\u00e1vel, sem qualquer advert\u00eancia, e a depend\u00eancia tecnol\u00f3gica \u00e9 posteriormente utilizada para abreviar sua utiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A proporcionalidade tamb\u00e9m deve orientar os rem\u00e9dios. Em alguns casos, indeniza\u00e7\u00e3o integral pelo valor original ap\u00f3s muitos anos seria excessiva; em outros, simples desconto em novo produto pode ser insuficiente. O tempo de uso j\u00e1 usufru\u00eddo, a gravidade da perda e a possibilidade de reparo devem ser considerados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">15 IMPACTOS PR\u00c1TICOS PARA A ADVOCACIA E PARA A TUTELA COLETIVA<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A consolida\u00e7\u00e3o da vida \u00fatil digital como categoria jur\u00eddica teria efeitos pr\u00e1ticos relevantes. Na advocacia individual, a an\u00e1lise de casos deixaria de se concentrar apenas no certificado de garantia. Seria necess\u00e1rio investigar a data da compra, a natureza da fun\u00e7\u00e3o perdida, a pol\u00edtica de suporte divulgada, o hist\u00f3rico de atualiza\u00e7\u00f5es, a expectativa de durabilidade e a causa t\u00e9cnica da inutiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A produ\u00e7\u00e3o de prova deve come\u00e7ar pela preserva\u00e7\u00e3o de documentos digitais: capturas de tela, mensagens de encerramento, p\u00e1ginas de suporte, vers\u00f5es de software, notas fiscais, an\u00fancios e termos de uso. Em lit\u00edgios mais complexos, per\u00edcia pode demonstrar se o produto continua fisicamente apto e se a limita\u00e7\u00e3o decorre de bloqueio l\u00f3gico ou de necessidade t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em escala coletiva, o tema possui potencial ainda maior. Uma atualiza\u00e7\u00e3o defeituosa ou o desligamento de um servidor pode afetar simultaneamente milhares de consumidores. Nesses casos, a\u00e7\u00f5es coletivas podem produzir solu\u00e7\u00e3o uniforme, reduzir litigiosidade repetitiva e incentivar corre\u00e7\u00e3o estrutural da pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00d3rg\u00e3os administrativos de defesa do consumidor tamb\u00e9m podem desempenhar fun\u00e7\u00e3o preventiva. Exigir informa\u00e7\u00e3o clara sobre suporte, investigar encerramentos abruptos e incentivar padr\u00f5es de reparabilidade pode reduzir conflitos antes que cheguem ao Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tema tamb\u00e9m dialoga com prote\u00e7\u00e3o de dados e seguran\u00e7a da informa\u00e7\u00e3o, embora n\u00e3o se confunda com eles. Um produto abandonado digitalmente pode se tornar vulner\u00e1vel a invas\u00f5es, convertendo problema de durabilidade em risco \u00e0 privacidade e \u00e0 seguran\u00e7a. A resposta jur\u00eddica futura tende a ser interdisciplinar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">16 CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A transforma\u00e7\u00e3o digital alterou a rela\u00e7\u00e3o entre consumidor, produto e fornecedor. A venda de um bem conectado j\u00e1 n\u00e3o implica transfer\u00eancia completa do controle funcional. Parte da utilidade permanece dependente de decis\u00f5es empresariais posteriores, executadas por software, servidores, autentica\u00e7\u00f5es e atualiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa realidade exige leitura evolutiva do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor. O fato de a Lei n. 8.078\/1990 ter sido promulgada antes da dissemina\u00e7\u00e3o de produtos inteligentes n\u00e3o impede sua aplica\u00e7\u00e3o. Seu car\u00e1ter principiol\u00f3gico, a centralidade da vulnerabilidade, a boa-f\u00e9 objetiva, o dever de informa\u00e7\u00e3o, a garantia legal de adequa\u00e7\u00e3o, a disciplina dos v\u00edcios e o dever de fornecimento de componentes permitem enfrentar novas formas de desequil\u00edbrio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a sobre v\u00edcio oculto oferece fundamento especialmente relevante ao reconhecer que a responsabilidade do fornecedor deve ser relacionada \u00e0 vida \u00fatil do produto, e n\u00e3o apenas ao prazo formal da garantia contratual. Em bens h\u00edbridos, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para limitar a no\u00e7\u00e3o de vida \u00fatil \u00e0 mat\u00e9ria f\u00edsica quando software e infraestrutura digital integram objetivamente a pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do produto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Defendeu-se, assim, o reconhecimento da vida \u00fatil digital como expectativa juridicamente protegida de manuten\u00e7\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es essenciais de produtos dur\u00e1veis por per\u00edodo razo\u00e1vel. A categoria n\u00e3o cria garantia eterna. Exige pondera\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a, viabilidade t\u00e9cnica, custo, informa\u00e7\u00e3o prestada e tempo de uso. Seu objetivo \u00e9 impedir que o poder tecnol\u00f3gico p\u00f3s-venda seja utilizado de modo incompat\u00edvel com a confian\u00e7a que tornou poss\u00edvel a contrata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Projeto de Lei n. 805\/2024 e a Diretiva (UE) 2024\/1799 demonstram que reparabilidade e obsolesc\u00eancia j\u00e1 ocupam espa\u00e7o central na evolu\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea do Direito do Consumidor. No Brasil, a futura regulamenta\u00e7\u00e3o poder\u00e1 conferir maior precis\u00e3o ao tema, mas n\u00e3o parte de um vazio jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para finalizar, o consumidor contempor\u00e2neo n\u00e3o compra apenas mat\u00e9ria. Compra funcionalidade. Quando essa funcionalidade depende de elementos digitais controlados pelo fornecedor, o Direito do Consumidor deve examinar a dura\u00e7\u00e3o e a retirada desse suporte como parte da pr\u00f3pria qualidade do produto. O direito de adquirir um bem dur\u00e1vel tende, cada vez mais, a incluir o direito de continuar utilizando aquilo que se comprou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REFER\u00caNCIAS<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Federativa do Brasil de 1988. Bras\u00edlia, DF: Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, 1988.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Lei n\u00ba 8.078, de 11 de setembro de 1990. Disp\u00f5e sobre a prote\u00e7\u00e3o do consumidor e d\u00e1 outras provid\u00eancias. Bras\u00edlia, DF: Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, 1990. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8078compilado.htm. Acesso em: 12 ago. 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Senado Federal. Projeto de Lei n\u00ba 805, de 2024. Altera a Lei n\u00ba 8.078, de 11 de setembro de 1990, para coibir a chamada obsolesc\u00eancia programada e regular o direito ao reparo. Bras\u00edlia, DF: Senado Federal, 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/162652. Acesso em: 12 ago. 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Senado Federal. CCT aprova proibi\u00e7\u00e3o de pr\u00e1tica que reduz vida \u00fatil de produtos. Bras\u00edlia, DF, 6 maio 2026. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/materias\/2026\/05\/06\/proibicao-de-pratica-que-reduz-vida-util-de-produtos-avanca. Acesso em: 12 ago. 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Superior Tribunal de Justi\u00e7a. Recurso Especial n\u00ba 984.106\/SC. Relator: Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o. Quarta Turma. Julgado em 4 out. 2012. Bras\u00edlia, DF: STJ, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Superior Tribunal de Justi\u00e7a. Recurso Especial n\u00ba 1.787.287\/SP. Relator: Ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva. Terceira Turma. Julgado em 5 abr. 2022. Bras\u00edlia, DF: STJ, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">NORAT, Markus Samuel Leite. Direito do consumidor descomplicado: passo a passo did\u00e1tico e pr\u00e1tico. 1. ed. Jo\u00e3o Pessoa: Editora Norat, 2026. Livro digital. ISBN 978-65-86183-97-9. Dispon\u00edvel em: https:\/\/editoranorat.com.br\/direito-do-consumidor-descomplicado-passo-a-passo-didatico-e-pratico\/. Acesso em: 12 ago. 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">UNI\u00c3O EUROPEIA. Diretiva (UE) 2024\/1799 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 13 de junho de 2024, relativa a regras comuns para promover a repara\u00e7\u00e3o de bens. Jornal Oficial da Uni\u00e3o Europeia, 10 jul. 2024. Dispon\u00edvel em: https:\/\/eur-lex.europa.eu\/eli\/dir\/2024\/1799\/oj. Acesso em: 12 ago. 2026.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Advogado. Especialista em Direito Processual Civil, Direito Empresarial e Compliance e Integridade Corporativa. P\u00f3s-graduando em Direito Civil e Processo Civil pelo UNIP\u00ca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Doutorando em Ci\u00eancias Jur\u00eddicas e Sociais. Mestre em Direito e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel. Especializa\u00e7\u00e3o em Coordena\u00e7\u00e3o Pedag\u00f3gica. Especializa\u00e7\u00e3o em Tutoria em Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia e Doc\u00eancia do Ensino Superior. Especializa\u00e7\u00e3o em Direito da Seguridade Social Previdenci\u00e1rio e Pr\u00e1tica Previdenci\u00e1ria. Especializa\u00e7\u00e3o em Advocacia Extrajudicial. Especializa\u00e7\u00e3o em Direito da Crian\u00e7a, Juventude e Idosos. Especializa\u00e7\u00e3o em Direito Educacional. Especializa\u00e7\u00e3o em Direito do Consumidor. Especializa\u00e7\u00e3o em Direito Civil, Processo Civil e Direito do Consumidor. Especializa\u00e7\u00e3o em Direito do Trabalho e Processual do Trabalho. Especializa\u00e7\u00e3o em Direito Ambiental. Especializa\u00e7\u00e3o em Desenvolvimento em Aplica\u00e7\u00f5es Web. Especializa\u00e7\u00e3o em Desenvolvimento de Jogos Digitais. Especializa\u00e7\u00e3o em Ensino Religioso. Especializa\u00e7\u00e3o em Doc\u00eancia no Ensino de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas. Especializa\u00e7\u00e3o em Ensino de Hist\u00f3ria e Geografia. Especializa\u00e7\u00e3o em Ensino de Arte e Hist\u00f3ria. Especializa\u00e7\u00e3o em Doc\u00eancia em Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica. Licenciatura em Geografia. Licenciatura em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas. Licenciatura em Hist\u00f3ria. Licenciatura em Letras Portugu\u00eas. Licenciatura em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o. Licenciatura em Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica. Licenciatura em Artes. Licenciatura em Ci\u00eancias Sociais. Licenciatura em Filosofia. Bacharelado em Direito. Editor de Livros, Revistas e Websites. Advogado especializado em Direito do Consumidor. Coordenador Pedag\u00f3gico e Professor do Departamento de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Direito do Centro Universit\u00e1rio de Jo\u00e3o Pessoa UNIP\u00ca; Professor convidado da Escola Nacional de Defesa do Consumidor do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a; Professor do Curso de Gradua\u00e7\u00e3o em Direito no Centro Universit\u00e1rio de Jo\u00e3o Pessoa UNIP\u00ca; Professor do Curso de Gradua\u00e7\u00e3o em Direito na Faculdade Internacional Cidade Viva FICV; Membro Coordenador Editorial de Livros Jur\u00eddicos da Editora Edijur (S\u00e3o Paulo); Membro Diretor Geral e Editorial das seguintes Revistas Cient\u00edficas: Scientia et Ratio; Revista Brasileira de Direito do Consumidor; Revista Brasileira de Direito e Processo Civil; Revista Brasileira de Direito Imobili\u00e1rio; Revista Brasileira de Direito Penal; Revista Cient\u00edfica Jur\u00eddica Cognitio Juris, ISSN 2236-3009; e Ci\u00eancia Jur\u00eddica; Membro do Conselho Editorial da Revista Luso-Brasileira de Direito do Consumo, ISSN 2237-1168; Autor de mais de 90 livros jur\u00eddicos e de diversos artigos cient\u00edficos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>THE USEFUL LIFE OF PRODUCTS AND CONSUMER LAW: SOFTWARE OBSOLESCENCE, THE RIGHT TO REPAIR, AND SUPPLIER LIABILITY Artigo submetido em&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1787,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"https:\/\/cognitiojuris.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/cognitio_juris_n25.jpg","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[11],"class_list":["post-1785","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-cientificos","tag-10-2026"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1785","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1785"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1785\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1788,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1785\/revisions\/1788"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1787"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1785"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1785"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1785"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}