{"id":294,"date":"2023-12-20T17:04:00","date_gmt":"2023-12-20T20:04:00","guid":{"rendered":"https:\/\/scientiaetratio.com.br\/?p=294"},"modified":"2026-05-23T10:49:14","modified_gmt":"2026-05-23T13:49:14","slug":"a-supressao-dos-direitos-humanos-no-hospital-colonia-em-barbacena-e-a-aplicabilidade-da-lei-antimanicomial-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/a-supressao-dos-direitos-humanos-no-hospital-colonia-em-barbacena-e-a-aplicabilidade-da-lei-antimanicomial-2\/","title":{"rendered":"A SUPRESS\u00c3O DOS DIREITOS HUMANOS NO HOSPITAL COL\u00d4NIA EM BARBACENA E A APLICABILIDADE DA LEI ANTIMANICOMIAL"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">THE SUPPRESSION OF HUMAN RIGHTS AT THER HOSPITAL COL\u00d4NIA EM BARBACENA AND THE APPLICABILITY OF THE ANTI-MANICOMIAL LAW<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Artigo submetido em 22 de junho de 2023<br>Artigo aprovado em 15 de julho de 2023<br>Artigo publicado em 20 de dezembro de 2023<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-luminous-vivid-orange-background-color has-background\"><tbody><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Scientia et Ratio<\/strong><br>Volume 3 \u2013 N\u00famero 4 \u2013 Dezembro de 2023<br>ISSN 2525-8532<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-7e4ac651328708ea719ac0894fa30934 wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background\"><tbody><tr><td><strong>Autor:<br><\/strong>Ana Stephany Pereira Sula da Silva<a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftn1\">[1]<\/a><br>Andr\u00e9 Ricardo Fons\u00eaca da Silva<a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftn2\">[2]<\/a><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-7e4ac651328708ea719ac0894fa30934 wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RESUMO<\/strong>: Historicamente, portadores de transtornos mentais t\u00eam sofrido com o descaso governamental e social, tendo os seus direitos individuais, pol\u00edticos e sociais suprimidos. Este artigo teve como objetivo narrar toda a barb\u00e1rie que ocorreu no Hospital Col\u00f4nia em Barbacena, Minas Gerais e toda a falta de dignidade e respeito no que tange aos seus pacientes, vinculados ao total desprezo com os direitos humanos vigentes para todos, analisando ainda a aplicabilidade da Lei 10.216\/2001. O presente trabalho foi elaborado com o intuito de propagar a import\u00e2ncia de um tratamento humanizado e da dissolu\u00e7\u00e3o dos manic\u00f4mios, para que atrocidades como a ocorrida no Hospital Col\u00f4nia, jamais voltem a acontecer. A metodologia aplicada foi qualitativa, estudo de caso com a t\u00e9cnica de revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica, sendo utilizados document\u00e1rios, livros e artigos cient\u00edficos que documentam a situa\u00e7\u00e3o que foi vivida no Col\u00f4nia e relacionam aquelas circunstancias ao \u00e2mbito jur\u00eddico. Desta forma, inicialmente foram apresentados os fatos e, logo ap\u00f3s, apontadas pol\u00edticas mais humanizadas, que nasceram junto com a lei antimanicomial. Foram detalhadas, neste artigo, as mortes em massa, os tipos de tratamentos realizados nos pacientes, a comercializa\u00e7\u00e3o de seus corpos e a reforma psiqui\u00e1trica em 2001. Vale ressaltar que o artigo procurou apontar a perversidade ocorrida dentro daquele hospital, toda a neglig\u00eancia com pessoas que precisavam de cuidados. Por fim, o presente trabalho apontou a falta de dignidade humana vivida pelos internos, que andavam nus, desnutridos e com frio, e como poderia ter sido evitado mais de 60 mil mortes se as medidas implantadas juntamente com a Lei Antimanicomial, apenas em 2001, tivessem sido pensadas alguns anos antes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Palavras-chave: <\/strong>Reforma psiqui\u00e1trica; Luta antimanicomial; Hospital Col\u00f4nia; Lei 10.216\/2001.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ABSTRACT<\/strong>: Historically, individuals with mental disorders have suffered from governmental and social neglect, with their individual, political, and social rights suppressed. This article aimed to narrate all the atrocities that occurred at the Col\u00f4nia Hospital in Barbacena, Minas Gerais, and the lack of dignity and respect towards its patients, linked to the total disregard of human rights prevailing for all, analyzing also the applicability of Law 10.216\/2001. This work was elaborated with the intention of propagating the importance of a humanized treatment and the dissolution of psychiatric hospitals, so that atrocities like the one that occurred at the Col\u00f4nia Hospital never happen again. The methodology applied was qualitative, a case study with the technique of bibliographic review, using documentaries, books, and scientific articles that document the situation that was experienced at Col\u00f4nia Hospital and relate those circumstances to the legal sphere. Thus, initially, the facts were presented and, shortly after, more humanized policies were pointed out, which were born along with the anti-asylum law. In this article, mass deaths, types of treatments performed on patients, the commercialization of their bodies, and the psychiatric reform in 2001 were detailed. It is worth noting that the article sought to point out the perversity that occurred within that hospital, all the neglect with people who needed care. Finally, this work pointed out the lack of human dignity experienced by the patients who walked naked, malnourished, and cold, and how more than 60,000 deaths could have been avoided if the measures implemented together with the Anti-Asylum Law only in 2001 had been thought of a few years earlier.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Keywords:<\/strong> Psychiatric reform; Anti-asylum fight; Colony Hospital; Law 10.216\/2001.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">1 INTRODU\u00c7\u00c3O<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O presente artigo tem como objetivo expor o descaso hist\u00f3rico do governo e da sociedade para com hospitais psiqui\u00e1tricos e pessoas com transtorno mental, com enfoque no Hospital Col\u00f4nia de Barbacena, em Minas Gerais. Atrav\u00e9s de document\u00e1rios ricos em entrevistas e imagens do Col\u00f4nia no \u00e1pice do descaso humano, livros e artigos cient\u00edficos, este artigo ganhou vida e vem no seu desenrolar mostrar a import\u00e2ncia da aplicabilidade da lei n\u00ba 10.216\/2001 para a utiliza\u00e7\u00e3o de novas formas de tratamento humanizadas e ressocializadoras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As pol\u00edticas de sa\u00fade mental antes da Reforma Psiqui\u00e1trica em 2001 tinham como foco t\u00e9cnicas de tratamentos degradantes que menosprezavam qualquer direito individual, social ou pol\u00edtico do interno, rompendo com os princ\u00edpios mais b\u00e1sicos dos direitos humanos.&nbsp; O \u201cholocausto brasileiro\u201d, vivenciado no Hospital Col\u00f4nia, matou mais de sessenta mil pessoas nos 80 anos em que perdurou, chegando a contabilizar em torno de 100 mortes em um \u00fanico inverno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Hospital Col\u00f4nia, recebia para tratamento n\u00e3o s\u00f3 pessoas com transtornos mentais, mas tamb\u00e9m, indigentes, filhos rebeldes, mulheres independentes, entre outras minorias da \u00e9poca. Excedia a lota\u00e7\u00e3o m\u00e1xima, n\u00e3o possu\u00eda comida para todos e a situa\u00e7\u00e3o vivida pelos pacientes era completamente degradante. Eram tantos \u00f3bitos por fome, frio e torturas que as valas do cemit\u00e9rio do hospital eram comunit\u00e1rias, alguns corpos eram separados e vendidos a custos alt\u00edssimos para universidades de medicina em todo o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1978 deu-se in\u00edcio o Movimento dos Trabalhadores em Sa\u00fade Mental, eles lutavam contra os hospitais psiqui\u00e1tricos e buscavam uma forma de tratamento humanit\u00e1ria para com os pacientes. O movimento ocasionou a abertura destes hospitais a imprensa, que atrav\u00e9s de registros fotogr\u00e1ficos, manchetes em jornais e document\u00e1rios expuseram as atrocidades vividas pelos internos, causando uma grande como\u00e7\u00e3o social que ocasionou pequenas melhorias nos hospitais psiqui\u00e1tricos da \u00e9poca, mas que posteriormente levou a cria\u00e7\u00e3o da lei n\u00ba 10.216\/2001, que redirecionou o modelo de assist\u00eancia em sa\u00fade mental e ampliou os direitos de pessoas portadoras de transtornos mentais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, esta pesquisa \u00e9 qualitativa, pois n\u00e3o tem por foco a elabora\u00e7\u00e3o de dados estat\u00edstico. Al\u00e9m de estudo de caso, pois foi estudada a situa\u00e7\u00e3o do Hospital Col\u00f4nia em Barbacena e tamb\u00e9m t\u00e9cnica de revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica, com base em artigos cient\u00edficos, livros e document\u00e1rios sobre a hist\u00f3ria de desumanidade ocorrida neste hospital.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo est\u00e1 dividido em quatro se\u00e7\u00f5es, a primeira aborda o surgimento do Col\u00f4nia e os objetivos de sua implanta\u00e7\u00e3o, detalhando o dia a dia dos internos, os tipos de tratamentos utilizados e o descaso com seus corpos ainda em vida e quando j\u00e1 falecidos, a segunda se\u00e7\u00e3o aborda os princ\u00edpios dos direitos humanos e a necessidade de sua preserva\u00e7\u00e3o, a terceira trata da indiferen\u00e7a dos l\u00edderes do Col\u00f4nia com os direitos humanos e os impactos da luta antimanicomial no pa\u00eds, &nbsp;e por fim, a quarta se\u00e7\u00e3o versa sobre a lei 10.216\/2001 e a evolu\u00e7\u00e3o dos direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais ap\u00f3s sua vig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2 \u201cNOS POR\u00d5ES DA LOUCURA\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Hospital Col\u00f4nia em Barbacena foi fundado em 1903, era a maior das 7 institui\u00e7\u00f5es psiqui\u00e1tricas distribu\u00eddas por Minas Gerais, internava muito mais do que sua capacidade permitia, era um ambiente projetado para suportar 200 pessoas e lidava diariamente com mais de 5 mil, o que ocasionava uma precariedade absurda, levando seus pacientes a comerem ratos por fome, passarem tanta sede a ponto de tomarem a pr\u00f3pria urina ou a \u00e1gua do esgoto que cortava o p\u00e1tio do hospital. Eram violados, torturados e espancados, 60 mil vidas foram ceifadas, 70% delas n\u00e3o possu\u00edam diagn\u00f3stico de doen\u00e7a mental e todas tiveram sua humanidade roubada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2.1 OS CORPOS COMO OBJETO<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os \u201cloucos\u201d chegavam ao Hospital Col\u00f4nia no popularmente conhecido \u201ctrem de doido\u201d, eram enviadas pessoas de todo o Brasil amontoadas e com fome. Os rec\u00e9m-chegados eram separados por idade e sexo, tomavam banhos coletivos e os homens tinham suas cabe\u00e7as raspadas, deixavam nessa triagem seus pertences, seus nomes e sua dignidade, muitos dos pacientes eram rebatizados pelos funcion\u00e1rios, pois recebiam apenas a alcunha \u201cIgnorado de Tal\u201d. Eram distribu\u00eddos cada um para seu determinado pavilh\u00e3o, sendo for\u00e7ados a juntarem as camas para que nem todos dormissem no ch\u00e3o, devido a superlota\u00e7\u00e3o nos dormit\u00f3rios. Assim que acordavam eram mandados para o p\u00e1tio, com sol ou chuva, nos dias mais frios se aglomeravam em busca da troca de calor humano, nas noites dormiam empilhados, mas quem ficava em baixo acabava sendo encontrado morto no dia seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eram obrigados a acordar as 5 da manh\u00e3, mas o p\u00e3o com manteiga e caf\u00e9 era distribu\u00eddo apenas as 8 horas, possu\u00edam apenas 3 refei\u00e7\u00f5es ao dia e nada mais. S\u00f3 quem entrava na fila pegava comida, aqueles mais debilitados que n\u00e3o dispusessem de condi\u00e7\u00e3o para chegar at\u00e9 o refeit\u00f3rio ficavam sem alimentos. Por dia, a cozinha do Col\u00f4nia produzia uma quantidade \u00ednfima de alimentos em rela\u00e7\u00e3o a quantidade de internos, geralmente engrossando o caldo de feij\u00e3o com \u00e1gua e farinha de mandioca para ter um melhor rendimento, a \u00fanica fartura existente era de verduras advindas da horta do hospital, mas a quantidade pequena de funcion\u00e1rios para pica-las levava a perda quase total desses alimentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como uma das formas de tratamento, os internos eram for\u00e7ados a trabalhar, consertavam vias p\u00fablicas, plantavam, faziam limpeza de pastos e preparavam doces para venda. Em registros encontrados na institui\u00e7\u00e3o, no ano de 1916, quase metade da receita do hospital foi garantida pelo trabalho duro dos pacientes e pela venda dos alimentos que eles plantavam e produziam. Na farm\u00e1cia do Hospital existiam apenas dois comprimidos dispon\u00edveis, Amplictil e Diazepam, ambos utilizados para sedar e acalmar os pacientes de alguma forma. (ARBEX, 2013, p. 65).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o trabalho ou os comprimidos n\u00e3o eram suficientes para manter algum paciente na linha, os tratamentos recorridos eram o de eletrochoque ou a lobotomia. Quanto ao eletrochoque, n\u00e3o existia prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, a qualquer sinal de desordem os funcion\u00e1rios eram instru\u00eddos a aplic\u00e1-lo. Era um tratamento empregado indiscriminadamente, muitos morriam, outros ficavam com les\u00f5es graves, as descargas el\u00e9tricas eram t\u00e3o grandes que a energia el\u00e9trica da cidade n\u00e3o suportava. Era uma forma de tortura adotada para conten\u00e7\u00e3o e intimida\u00e7\u00e3o dos internos, para que a ordem fosse mantida, em nenhum momento sendo posto em considera\u00e7\u00e3o a melhora do paciente. Nos casos de realiza\u00e7\u00e3o da lobotomia, eram feitas por m\u00e9dicos e quando os mesmos viam necessidade para faz\u00ea-la, por\u00e9m, na maioria dos casos os doentes que eram levados a cirurgia, quando n\u00e3o morriam, passavam a vegetar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os abusos eram constantes, as mulheres gr\u00e1vidas n\u00e3o possu\u00edam direito algum de ficar com seus filhos e n\u00e3o estavam isentas das torturas em caso de desordem. Muitas j\u00e1 chegavam gr\u00e1vidas ao Col\u00f4nia, outras engravidavam l\u00e1 dentro v\u00edtimas de estupro. Arbex relata em seu livro o caso de duas pacientes do Col\u00f4nia, S\u00f4nia e Maria da Concei\u00e7\u00e3o, que para evitar maus tratos e abusos durante a gesta\u00e7\u00e3o, repeliam a aproxima\u00e7\u00e3o de qualquer funcion\u00e1rio passando fezes em seus corpos. Essa t\u00e9cnica foi usada por in\u00fameras internas, mas, ap\u00f3s o parto nada podia ser feito e as crian\u00e7as eram retiradas de suas m\u00e3es a for\u00e7a, em seguida sendo encaminhadas para abrigos ou adotadas por funcion\u00e1rios do pr\u00f3prio Hospital. (ARBEX, 2013, p. 54).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Oliveira era um Hospital psiqui\u00e1trico que recebia mulheres e indigentes, mas em 1946 passou a receber apenas crian\u00e7as com defici\u00eancias f\u00edsicas ou mentais, em sua grande maioria rejeitadas pelos pais. L\u00e1 as condi\u00e7\u00f5es vividas pelos seus pequenos internos n\u00e3o se diferenciavam muito da situa\u00e7\u00e3o do Col\u00f4nia, existia tortura e abusos constantes, as crian\u00e7as viviam em situa\u00e7\u00e3o completamente insalubre. Um dos tratamentos de conten\u00e7\u00e3o para crian\u00e7as violentas era amarra-las no ch\u00e3o durante o dia inteiro, fizesse sol ou chuva. Aquelas que possu\u00edam paralisia cerebral ou eram aleijados ficavam em seus ber\u00e7os sem nenhum contato com o sol ou com uma brisa externa de ar, vegetando at\u00e9 o dia de sua morte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos depoimentos mais impactantes de uma das crian\u00e7as que viveu no Oliveira \u00e9 o de Elza Maria do Carmo, ela havia sido internada por crises de epilepsia, e com apenas nove anos de idade foi v\u00edtima de estupro dentro no Hospital. Agora com mais idade, em seu depoimento ela fala:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Eu estava de blusa e saia. Ele tirou minha calcinha e fez maldade comigo. Depois me deixou no mato, ensanguentada, chorando de dor. Fui encontrada pela pol\u00edcia, que me levou de volta. A dor mais forte, por\u00e9m, senti no cora\u00e7\u00e3o. Pensei que fosse morrer ali. Acho que morri um pouco. (ARBEX, 2013, p. 93).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Elza n\u00e3o foi a \u00fanica v\u00edtima de viol\u00eancia dentro no Oliveira, in\u00fameras outras crian\u00e7as passaram pelo mesmo que ela, as autoridades e os respons\u00e1veis sabiam das situa\u00e7\u00f5es vividas l\u00e1 dentro e n\u00e3o interviam, o hospital sendo fechada unicamente porque uma telha caiu na cabe\u00e7a do diretor. Os pequenos internos foram transferidos para o Col\u00f4nia, onde cheios de esperan\u00e7a \u201cesperavam resgatar, no endere\u00e7o, a inf\u00e2ncia roubada. Logo perceberam que os tempos eram novos, mas o tratamento, n\u00e3o.\u201d (ARBEX, 2013, p. 93).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como se n\u00e3o fosse o bastante todo o desrespeito e falta de humanidade com os internos ainda em vida, depois de falecidos a coisa n\u00e3o mudava. Inicialmente os corpos eram enterrados em valas coletivas no cemit\u00e9rio, mas, quando os respons\u00e1veis pelo hospital notaram que tamb\u00e9m poderiam lucrar em cima das mortes, mais de 1.856 corpos foram vendidos para universidades de medicina em todo o pa\u00eds. Quando as universidades j\u00e1 possu\u00edam material suficiente e as vendas diminu\u00edram, os corpos passaram a ser dissolvidos em \u00e1cido nos p\u00e1tios no Col\u00f4nia, junto aos pacientes que caminhavam por ali, tudo para que as ossadas pudessem ser comercializadas. \u201cNada se perdia, exceto a vida.\u201d (ARBEX, 2013, p. 15).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns funcion\u00e1rios do Col\u00f4nia que n\u00e3o compactuavam com os absurdos vivenciados dentro da institui\u00e7\u00e3o tentaram denunciar os ocorridos, mas ningu\u00e9m se dispunha a ouvir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vinte e oito presidentes do estado de Minas Gerais, interventores federais e governadores revezaram-se no poder desde a cria\u00e7\u00e3o do Col\u00f4nia, entre 1903 e 1980. Outros dez diretores comandaram a institui\u00e7\u00e3o nesse per\u00edodo [&#8230;]. Nenhum deles foi capaz de fazer os abusos cessarem. Dentro do hospital, apesar de ningu\u00e9m ter apertado o gatilho, todos carregam mortes nas costas. (ARBEX, 2013, p. 44-45).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foram anos de abusos infind\u00e1veis, de descaso total com pessoas que precisavam do m\u00ednimo de dignidade e nem isso era oferecido a elas. Com a luta antimanicomial a situa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a melhor de forma demorada e gradativa, mas j\u00e1 era um avan\u00e7o. Ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o da Lei 10.216\/2001, os sobreviventes do Col\u00f4nia foram encaminhados para resid\u00eancias terap\u00eauticas, passaram a ter direito a um sal\u00e1rio m\u00ednimo e bolsa de R$ 240 advindos do programa \u201cDe volta pra casa\u201d, tudo isso com objetivo de reabilitar pacientes que haviam passado por per\u00edodos longos de priva\u00e7\u00e3o de liberdade em interna\u00e7\u00f5es psiqui\u00e1tricas e reduzir os leitos hospitalares de longa perman\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>PRINC\u00cdPIOS DOS DIREITOS HUMANOS<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os direitos humanos s\u00e3o um reconhecimento de que apesar de toda e qualquer diferen\u00e7a, devem ser respeitados e garantidos os direitos b\u00e1sicos da vida humana. Esses direitos s\u00e3o universais, sendo aplicados a todas as pessoas, sem nenhuma distin\u00e7\u00e3o. Em 1879, foi criada na Fran\u00e7a, p\u00f3s revolu\u00e7\u00e3o francesa, a Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos do Homem e do Cidad\u00e3o, que serviu de grande inspira\u00e7\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o da DUDH (Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos), em 1948.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Divididos em gera\u00e7\u00f5es, esses direitos passaram por um grande processo hist\u00f3rico de lutas sem fim para que minorias alcan\u00e7assem o m\u00ednimo de dignidade em seu cotidiano. A primeira gera\u00e7\u00e3o teve as revolu\u00e7\u00f5es liberais do s\u00e9culo XVIII como marco, obtendo amplia\u00e7\u00e3o em direitos pol\u00edticos e civis. A segunda gera\u00e7\u00e3o veio a surgir muito tempo depois, apenas no s\u00e9culo XX, com as lutas sociais, econ\u00f4micas e culturais em busca de igualdade. Na terceira gera\u00e7\u00e3o vieram os direitos da comunidade, voltados para os povos, nacionalidades e etnias, nesse meio surgindo as lutas antimanicomiais e por fim, vieram a quarta e quinta gera\u00e7\u00e3o, voltadas para a preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente e a responsabilidade das gera\u00e7\u00f5es atuais quanto a isso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para que seja preservada a dignidade humana e haja uma real aplicabilidade da norma torna-se necess\u00e1ria o emprego de seus princ\u00edpios base, sendo um deles o princ\u00edpio da historicidade, demonstrando que os direitos humanos vieram a evoluir no decorrer de muitas lutas que marcaram a hist\u00f3ria, n\u00e3o podendo existir o retrocesso desses direitos j\u00e1 criados, apenas a amplia\u00e7\u00e3o, caso necess\u00e1rio, em momentos hist\u00f3ricos futuros. O princ\u00edpio da universalidade declara que esses direitos s\u00e3o pertencentes a toda a ra\u00e7a humana, independentemente de qualquer distin\u00e7\u00e3o. (MAIA; GRADELLA J\u00daNIOR, 2021)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em seguida tem-se o princ\u00edpio da indivisibilidade, ponderando a inexist\u00eancia total de hierarquia, todos devem usufruir igualmente de cada um dos 30 artigos presentes no DUDH. O princ\u00edpio da interdepend\u00eancia trata da vincula\u00e7\u00e3o que cada um dos artigos possui, sendo necess\u00e1ria \u00e0 sua aplica\u00e7\u00e3o em totalidade e n\u00e3o individualmente e por fim, o princ\u00edpio da inalienabilidade, que argui n\u00e3o ser poss\u00edvel a transmiss\u00e3o desses direitos para outros indiv\u00edduos. (MAIA; GRADELLA J\u00daNIOR, 2021)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como citado nos par\u00e1grafos anteriores, todas as normas presentes na Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos devem ser aplicadas a todos e de forma conjunta, para que nenhum direito fique desamparado. Desta forma, ap\u00f3s anos de invisibilidade perante a sociedade, os direitos adquiridos pelos portadores de transtorno mental devem ser preservados e monitorados, para que lastimas como as ocorridas no hospital Col\u00f4nia n\u00e3o voltem a se repetir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">4&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; DIREITOS HUMANOS E A LUTA ANTIMANICOMIAL<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O respeito aos direitos b\u00e1sicos das pessoas portadoras de transtornos mentais demorou muito para se tornar pauta em meio aos direitos humanos, tanto que os modelos de manic\u00f4mios espalhados pelo mundo n\u00e3o seguiam em circunst\u00e2ncia alguma os par\u00e2metros exigidos na DUDH, como o previsto em seu art. 5\u00ba: \u201cNingu\u00e9m ser\u00e1 submetido \u00e0 tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante\u201d, e mesmo assim o poder p\u00fablico simplesmente ignorava essas viola\u00e7\u00f5es. O Hospital Col\u00f4nia, foi o maior exemplo brasileiro de total descaso com os Direitos Humanos do indiv\u00edduo. Portadores de transtornos mentais e aqueles menosprezados pela sociedade eram levados aos montes para o Col\u00f4nia, que com o tempo se tornou um campo de exterm\u00ednio e foi nomeado pela escritora e jornalista brasileira Daniela Arbex, como o \u201cHolocausto brasileiro\u201d. (DUDH, 1948).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Manic\u00f4mios s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es que inicialmente foram criadas com intuito de tratar pessoas portadoras de transtornos mentais, mas utilizando m\u00e9todos de conten\u00e7\u00e3o e intimida\u00e7\u00e3o, tortura e reclus\u00e3o. No Hospital Col\u00f4nia n\u00e3o foi diferente, de acordo com Arbex, eles n\u00e3o possu\u00edam nenhum crit\u00e9rio m\u00e9dico para as interna\u00e7\u00f5es, grande parte dos pacientes eram pessoas que n\u00e3o seguiam os padr\u00f5es de normatiza\u00e7\u00e3o da \u00e9poca, eram eles mulheres independentes, alco\u00f3latras, homossexuais, negros, prostitutas e epil\u00e9pticos. \u201cA teoria eugenista, que sustentava a ideia de limpeza social, fortalecia o hospital e justificava seus abusos. Livrar a sociedade da esc\u00f3ria, desfazendo-se dela, de prefer\u00eancia em local que a vista n\u00e3o pudesse alcan\u00e7ar\u201d (ARBEX, 2013, p. 25).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existiam aos montes pessoas que n\u00e3o eram aceitas socialmente ou que apenas eram os desafetos de algu\u00e9m importante e isso j\u00e1 era motivo para interna\u00e7\u00e3o no Col\u00f4nia, levando a sua superlota\u00e7\u00e3o em 1930, quando ratos se tornaram alimento cotidiano, quando as camas foram substitu\u00eddas por capim para que os pavilh\u00f5es suportassem ainda mais internos, boa parte andava pelado por n\u00e3o haver roupas suficientes para todos, o p\u00e1tio possu\u00eda um odor forte de fezes humanas e nele andavam misturados os vivos entre os mortos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A situa\u00e7\u00e3o vivida pelos pacientes do Col\u00f4nia era absurda, eles eram torturados, muitas vezes at\u00e9 a morte, passavam fome, frio e sede, as mulheres estavam sempre sujeitas a abusos sexuais, l\u00e1 n\u00e3o possu\u00eda m\u00e9dicos suficientes e nem com profissionaliza\u00e7\u00e3o adequada para tratar dos internos. Cerca de 60 mil pessoas foram mortas em decorr\u00eancia da inexist\u00eancia absoluta de direitos b\u00e1sicos e de respeito a dignidade da pessoa humana, sem contabilizar todos os corpos que foram vendidos para universidades de medicina e dissolvidos em \u00e1cido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos os l\u00edderes pol\u00edticos, diretores do hospital, funcion\u00e1rios e a pr\u00f3pria sociedade foram coniventes com todas as barb\u00e1ries ocorridas dentro do hospital e nada foi penalizado, at\u00e9 hoje, todos se encontram impunes. Enquanto isso, a grande maioria dos internos perdeu a vida, outras seguem com traumas incur\u00e1veis, pessoas que j\u00e1 sofriam tanto com suas patologias passaram toda a vida sem receber nem o m\u00ednimo resqu\u00edcio de sentimento de humanidade para com eles.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A import\u00e2ncia da luta antimanicomial \u00e9 ineg\u00e1vel, os manic\u00f4mios n\u00e3o tem como objeto a ressocializa\u00e7\u00e3o do doente na sociedade e isso acarreta as longas interna\u00e7\u00f5es, superlota\u00e7\u00e3o e consequentemente falta de estrutura para tratar os doentes. O grande objetivo dessa luta \u00e9 o fim dos manic\u00f4mios e a implanta\u00e7\u00e3o de novos m\u00e9todos que substitu\u00edssem o modelo hospitaloc\u00eantrico. Sendo posteriormente implantado no Brasil v\u00e1rios CAPs, NAPs e RAPs, criados e fiscalizados pela Lei 10.216\/2001 da reforma psiqui\u00e1trica, que ser\u00e1 melhor explicada no pr\u00f3ximo t\u00f3pico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">5<a> <\/a>REFORMA PSIQUI\u00c1TRICA E A LEI 10.216\/2001<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A reforma psiqui\u00e1trica teve in\u00edcio na It\u00e1lia e foi se espalhando pelo mundo, chegou no Brasil no fim da d\u00e9cada de 70, sendo sua g\u00eanese as den\u00fancias realizadas por profissionais dos manic\u00f4mios que presenciavam todos os horrores diariamente. O governo n\u00e3o reagiu bem a essa iniciativa e afastou todos envolvidos dos seus respectivos cargos, o que acabou por deixar o movimento ainda mais forte, sendo ele ativamente apoiado pelos familiares dos internos e pela popula\u00e7\u00e3o, posteriormente sendo intitulado de Movimento dos Trabalhadores em Sa\u00fade Mental, o MTSM.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O objetivo do movimento era propagar todas as atrocidades que ocorriam dentro dos Hospitais Psiqui\u00e1tricos e toda a inefici\u00eancia nas formas de tratamento abordadas por eles, concomitantemente procurando encontrar formas de ampliar as op\u00e7\u00f5es em atendimento voltado a sa\u00fade mental, de forma inclusiva e ressocializadora. Com o tempo, o movimento passou a ser denominado MNLA ou Movimento Nacional da Luta Antimanicomial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A proposta da reforma antimanicomial nasceu em 18 de maio de 1987, sendo este considerado o dia da Luta Antimanicomial. Com o retorno da democracia ao pa\u00eds e a cria\u00e7\u00e3o do SUS (Sistema \u00danico de Sa\u00fade), foi implantada no Brasil uma pol\u00edtica nacional de sa\u00fade mental, onde a proposta inicial da reforma era a substitui\u00e7\u00e3o do atual modelo hospitalar de intera\u00e7\u00e3o para uma rede de aten\u00e7\u00e3o psicossocial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E finalmente em 06 de abril de 2001 foi promulgada a lei 10.216, uma materializa\u00e7\u00e3o de d\u00e9cadas de luta, uma lei que trata sobre os direitos e prote\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias a pessoas que portam transtornos mentais e que redireciona o modelo de assist\u00eancia em sa\u00fade mental. A dita lei al\u00e9m de humanizar os doentes impede que os mesmos sejam internados de forma compuls\u00f3ria e imprudente, como acontecia d\u00e9cadas atr\u00e1s. Em seu art. 2\u00ba, tem-se a finalidade de sua implanta\u00e7\u00e3o, a ressocializa\u00e7\u00e3o do paciente, \u201c[&#8230;] o tratamento visar\u00e1, como finalidade permanente, \u00e0 reinser\u00e7\u00e3o social do paciente em seu meio\u201d. (BRASIL, 2001)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pacientes passaram a obter o direito de ter inteiro conhecimento do seu tipo de transtorno e as modalidades de tratamento que podem ser utilizadas para sua melhora, as interna\u00e7\u00f5es se tornaram espor\u00e1dicas, sendo permitidas apenas ap\u00f3s laudo m\u00e9dico e em caso do paciente ser um risco para ele mesmo ou para terceiros. Nesses casos de interna\u00e7\u00e3o os m\u00e9dicos devem comunicar o Minist\u00e9rio P\u00fablico da entrada e da sa\u00edda do paciente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde a promulga\u00e7\u00e3o da Lei Antimanicomial a evolu\u00e7\u00e3o e as melhorias relacionadas ao tratamento direcionado a pessoas com transtornos mentais s\u00e3o incontest\u00e1veis. A quantidade de leitos espelhados pelo Brasil reduziu drasticamente e os tratamentos psicossociais vem trazendo grandes resultados, j\u00e1 tendo sido distribu\u00eddos por todo o pa\u00eds mais de 2.700 CAPs (Centros de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial), sendo este um servi\u00e7o de sa\u00fade comunit\u00e1ria voltado para pessoas com sofrimento ps\u00edquico ou transtorno metal, empregando em seus m\u00e9todos a psicoterapia, terapia ocupacional, oficinas terap\u00eauticas, medica\u00e7\u00e3o assistida, atendimentos domiciliares, entre outros m\u00e9todos que buscam preservar a cidadania e os v\u00ednculos sociais do paciente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m dos CAPs, foram criados tamb\u00e9m os NAPs (N\u00facleo de Assist\u00eancia Psicossocial) que t\u00eam como objetivo oferecer atendimento especializado a mulheres e crian\u00e7as v\u00edtimas de viol\u00eancia, na qual comparecem ao IML (Instituto M\u00e9dico&nbsp; Legal) para realiza\u00e7\u00e3o de corpo de delito e o RAPs (Rede de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial), criado em 2011, \u00e9 toda a rede voltada para a tratamento de pessoas que necessitam de atendimento psicossocial, estando envoltos nele o CAPS, SAMU e UPA, servi\u00e7os residenciais terap\u00eauticos, unidades de acolhimentos, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;\u00c9 importante ressaltar que o objetivo da Luta Antimanicomial era o fim dos manic\u00f4mios e das interna\u00e7\u00f5es compuls\u00f3rias, mas o art. 2\u00ba, inciso IX, da lei 10.2016\/2001, onde fala: \u201cser tratada, preferencialmente, em servi\u00e7os comunit\u00e1rios de sa\u00fade mental.\u201d, deixa uma brecha com a palavra \u201cpreferencialmente\u201d, para que muitos possam justificar a interna\u00e7\u00e3o como uma forma de tratamento priorit\u00e1rio ou at\u00e9 exclusiva, o que acaba por ocasionar a evolu\u00e7\u00e3o mais lenta e gradual da Reforma Psiqui\u00e1trica. (BRASIL, 2001)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por mais que a Lei Antimanicomial n\u00e3o seja perfeita, veio em um momento extremamente necess\u00e1rio e vem de certa forma alavancando os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais. Todavia, somente ela n\u00e3o \u00e9 capaz de trazer todas as melhorias necess\u00e1rias nesse processo, al\u00e9m das cria\u00e7\u00f5es de leis e pol\u00edticas p\u00fablicas advindas do governo, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio um trabalho conjunto entre sociedade e estado, para que possamos ver grandes mudan\u00e7as positivas nesse \u00e2mbito, pois grande parte do problema \u00e9 oriundo de um preconceito estruturado e enraizado na sociedade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">6&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s retratar um capitulo marcante e cheio de horror vivido no Brasil, torna-se ainda mais evidente o descaso com essas minorias, cada qual com suas individualidades eram invis\u00edveis para a sociedade, para seus familiares e para o governo. O surgimento do maior manic\u00f4mio do Brasil se deu com intuito de abrigar e tratar pessoas com transtornos mentais, mas findou se tornando um cemit\u00e9rio de vivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O hospital Col\u00f4nia seguia paradigmas que iam em total desencontro com os direitos humanos. Em um pa\u00eds que constitucionalizou esses direitos fundamentais em 1948, os internos do Col\u00f4nia sentiam fome, frio, sede, eram torturados, violados, n\u00e3o tinham direito ao m\u00ednimo de dignidade, e o total desprezo social voltado a esta situa\u00e7\u00e3o era ensurdecedor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a luta antimanicomial, as coisas come\u00e7aram a mudar e formas de tratamentos mais humanit\u00e1rios come\u00e7aram a ser inseridos n\u00e3o s\u00f3 no Col\u00f4nia, mas em todos os manic\u00f4mios do pa\u00eds. Com a cria\u00e7\u00e3o da Lei 10.2016\/2001 foi fortalecido o movimento que regulamentava essas novas diretrizes que ampliavam os direitos as pessoas portadoras de transtornos mentais. Apesar da lei possuir uma brecha que pode vir a ser um retrocesso em toda a luta antimanicomial, foi de grande import\u00e2ncia para a implanta\u00e7\u00e3o de novos modelos de tratamento e ressocializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Deve ser observado que apesar de toda evolu\u00e7\u00e3o voltada para a quest\u00e3o da sa\u00fade mental no Brasil, o investimento p\u00fablico \u00e9 muito abaixo do necess\u00e1rio, o que acaba por levar CAPs a serem fechados por falta de infraestrutura ou materiais b\u00e1sicos para seu funcionamento, desta forma, \u00e9 indispens\u00e1vel a atua\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico e da sociedade, para que esse progresso mesmo que lento e gradual continue a acontecer e que atrocidades como as vividas em Barbacena jamais voltem a ocorrer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REFER\u00caNCIAS<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ARBEX, Daniela.&nbsp;<strong>Holocausto Brasileiro<\/strong>: genoc\u00eddio: 60 mil mortos no maior hosp\u00edcio do brasil. Minas Gerais: Intrinseca, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BOLFE, Juliana Sim\u00f5es.&nbsp;<strong>Desrespeito aos direitos humanos nos manic\u00f4mios brasileiros no in\u00edcio do s\u00e9culo xx e aplicabilidade da Lei Antimanicomial<\/strong>. 2018. 8 f. Tese (Doutorado) &#8211; Curso de Psicologia, FAE, Curitiba, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BORGES, Viviane Trindade.<strong> <\/strong><a><strong>Mem\u00f3rias Dif\u00edceis: Hospital Col\u00f4nia de Barbacena, Reforma Psiqui\u00e1trica Brasileira e os usos pol\u00edticos de um passado doloroso. <\/strong><\/a>In: Unirio. Rio de Janeiro &#8211; RJ, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. <strong>Centro de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial \u2013 Caps. <\/strong>Bras\u00edlia,<strong> <\/strong>Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2022. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/acesso-a-informacao\/acoes-e-programas\/caps\">https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/acesso-a-informacao\/acoes-e-programas\/caps<\/a>. Acesso em: 14 abr. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. <strong>Rede de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial \u2013 Raps. <\/strong>Bras\u00edlia,<strong> <\/strong>Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/assuntos\/saude-de-a-a-z\/s\/saude-mental\/rede-de-atencao-psicossocial-raps#:~:text=S%C3%A3o%20servi%C3%A7os%20para%20o%20atendimento,emerg%C3%AAncia%2C%20ou%20seja%2C%20em%20momentos. Acesso em: 01 maio 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a><a><\/a><a>BRASIL. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/a> SUS realizou quase 60 milh\u00f5es de atendimentos psicossociais nos CAPS de todo o Brasil entre 2019 e 2021. Bras\u00edlia, Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/assuntos\/noticias\/2022\/abril\/sus-realizou-quase-60-milhoes-de-atendimentos-psicossociais-nos-caps-de-todo-o-brasil-entre-2019-e-2021. Acesso em: 14 abr. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. <strong>Lei 10.216, de 06 de abril de 2001.<\/strong> Disp\u00f5e sobre a prote\u00e7\u00e3o e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em sa\u00fade mental. Bras\u00edlia, DF: Presid\u00eancia da rep\u00fablica, 2001. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/leis_2001\/l10216.htm\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/leis_2001\/l10216.htm<\/a>. Acesso em: 15 abr. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CASTILHO, Ana Flavia de Andrade Nogueira. et al.&nbsp;<strong>A supress\u00e3o dos Direitos Dumanos dentro do maior manic\u00f4mio do estado brasileiro<\/strong>. 2017. 15 f. Tese (Doutorado) &#8211; Curso de Direito, UniVem, Mar\u00edlia &#8211; SP, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DELGADO, Paulo Gabriel Godinho.&nbsp;<strong>Democracia e Reforma Psiqui\u00e1trica no Brasil<\/strong>. 2011. 6 f. Tese (Doutorado) &#8211; Curso de Ci\u00eancias Sociais, UFJF, Juiz de Fora &#8211; MG, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DINIZ, Maria Gabriela Mour\u00e3o.&nbsp;<strong>&#8220;Campo de Concentra\u00e7\u00e3o&#8221;: Do manic\u00f4mio ao desastre: uma reflex\u00e3o sobre o contexto da sa\u00fade mental no Brasil<\/strong>. 2018. 47 f. Tese (Doutorado) &#8211; Curso de Direito, FAJS\/Uniceub, Bras\u00edlia, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FORMENTI, Ligia. <strong>Governo aprova reformula\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica de sa\u00fade mental<\/strong>. In. Uol. 2017. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/saude\/ultimas-noticias\/estado\/2017\/12\/14\/governo-aprova-reformulacao-de-politica-de-saude-mental.htm\">https:\/\/noticias.uol.com.br\/saude\/ultimas-noticias\/estado\/2017\/12\/14\/governo-aprova-reformulacao-de-politica-de-saude-mental.htm<\/a>. Acesso em: 10 fev. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GOMES, Suelen. <strong>Reforma antimanicomial no Brasil: Do horror aos dias de hoje<\/strong>. In. FioTec. 2018. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.fiotec.fiocruz.br\/noticias\/projetos\/4880-reforma-antimanicomial-no-brasil-do-horror-aos-dias-de-hoje\">https:\/\/www.fiotec.fiocruz.br\/noticias\/projetos\/4880-reforma-antimanicomial-no-brasil-do-horror-aos-dias-de-hoje<\/a>. Acesso em: 24 mar. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Holocausto Brasileiro.<\/strong> Produ\u00e7\u00e3o de Alessandro Arbex, Daniela Arbex, Roberto Rios, Maria Angela de Jesus, Paula Belchior e Patr\u00edcia Carvalho. Minas Gerais, 2016. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=jIentTu8nc4&amp;ab_channel=Desmistificando\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=jIentTu8nc4&amp;ab_channel=Desmistificando<\/a>. Acesso em: 10 fev. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00c9RMOGENES, Matheus<strong>. Exposi\u00e7\u00e3o \u201cCol\u00f4nia\u201d retrata atrocidades no manic\u00f4mio de Barbacena<\/strong>. In. Estado de Minas. 2022. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/app\/noticia\/cultura\/2022\/06\/02\/interna_cultura,1370571\/exposicao-colonia-retrata-atrocidades-no-manicomio-de-barbacena.shtml\">https:\/\/www.em.com.br\/app\/noticia\/cultura\/2022\/06\/02\/interna_cultura,1370571\/exposicao-colonia-retrata-atrocidades-no-manicomio-de-barbacena.shtml<\/a>. Acesso em: 22 abr. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MAIA, Ari Fernando; GRADELLA J\u00daNIOR, Osvaldo. <strong>A educa\u00e7\u00e3o em direitos humanos como suporte as pol\u00edticas antimanicomiais: Hist\u00f3ria e Mem\u00f3ria.<\/strong> In. Scielo. 2021. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/tes\/a\/P7DHZcwkrN7K4FMDxLWJL9k\/\">https:\/\/www.scielo.br\/j\/tes\/a\/P7DHZcwkrN7K4FMDxLWJL9k\/<\/a>. Acesso em: 13 maio 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a><a><\/a><a>MARQUES, Mar\u00edlia.<\/a> Vinte anos ap\u00f3s pol\u00edtica que fechou manic\u00f4mios no pa\u00eds, psiquiatra alerta para &#8216;estigmas que ainda existem&#8217; sobre doen\u00e7as mentais. In. G1. 2021. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/df\/distrito-federal\/noticia\/2021\/05\/23\/vinte-anos-apos-politica-que-fechou-manicomios-no-pais-psiquiatra-alerta-para-estigmas-que-ainda-existem-sobre-doencas-mentais.ghtml\">https:\/\/g1.globo.com\/df\/distrito-federal\/noticia\/2021\/05\/23\/vinte-anos-apos-politica-que-fechou-manicomios-no-pais-psiquiatra-alerta-para-estigmas-que-ainda-existem-sobre-doencas-mentais.ghtml<\/a>. Acesso em: 23 mar. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ORGANIZA\u00c7\u00c3O UNIVERSAL DAS NA\u00c7\u00d5ES UNIDAS. <strong>Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos. <\/strong>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 1948. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.unicef.org\/brazil\/declaracao-universal-dos-direitos-humanos\">https:\/\/www.unicef.org\/brazil\/declaracao-universal-dos-direitos-humanos<\/a>. Acesso em: 01 maio 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PERON, Paula Regina.&nbsp;<strong>A tr\u00e1gica hist\u00f3ria do hospital psiqui\u00e1trico col\u00f4nia<\/strong>. 2013. 7 f. Tese (Doutorado) &#8211; Curso de Psicologia, PUC &#8211; SP, S\u00e3o Paulo, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PORF\u00cdRIO, Francisco. <strong>\u201cDireitos Humanos\u201d,<\/strong> Brasil Escola. Dispon\u00edvel em:https:\/\/brasilescola.uol.com.br\/sociologia\/direitos-humanos.htm. Acesso em: 01 maio 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PRADO, Yuri. <em>et al.<\/em> &nbsp;<strong>Reforma psiqui\u00e1trica brasileira e sua discuss\u00e3o parlamentar: Disputas pol\u00edticas e contrarreforma<\/strong>. 2020. 13 f. Tese (Doutorado) &#8211; Curso de Psicologia, Fiocruz, Rio de Janeiro, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SILVA, Jucelinio Junio Honorato da. <strong>As viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos nos tratamentos psiqui\u00e1tricos da antiguidade e sua integra\u00e7\u00e3o na atualidade.<\/strong> In: UniEvang\u00e9lica. An\u00e1polis &#8211; GO, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SILVA NETO, Wilson Seraine da. <strong>Responsabilidade civil do estado em face das barb\u00e1ries praticadas no Hospital Col\u00f4nia no s\u00e9culo XX. <\/strong>In. Migalhas. 2018. Dispon\u00edvel em:https:\/\/www.migalhas.com.br\/depeso\/279075\/responsabilidade-civil-do-estado-em-face-das-barbaries-praticadas-no-hospital-colonia&#8211;no-seculo-xx Acesso em: 23 mar. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SPANEMBERG, Lucas. <strong>A nova realidade da interna\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica no Brasil. <\/strong>In.<strong> <\/strong>Veja Sa\u00fade. 2021. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/saude.abril.com.br\/coluna\/com-a-palavra\/a-nova-realidade-da-internacao-psiquiatrica-no-brasil\/\">https:\/\/saude.abril.com.br\/coluna\/com-a-palavra\/a-nova-realidade-da-internacao-psiquiatrica-no-brasil\/<\/a>. Acesso em: 24 mar. 2023. USP, Universidade de S\u00e3o Paulo<strong>. Princ\u00edpios dos Direitos Humanos.<\/strong> In. USP disciplinas. 2022. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/edisciplinas.usp.br\/mod\/page\/view.php?id=3007795&amp;lang=es\">https:\/\/edisciplinas.usp.br\/mod\/page\/view.php?id=3007795&amp;lang=es<\/a>. Acesso em: 13 maio 2023.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Bacharela em Direito. Centro Universit\u00e1rio de Jo\u00e3o Pessoa \u2013 UNIP\u00ca. Orientador: Prof. Dr. Andr\u00e9 Ricardo Fonseca da Silva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Doutor em Pol\u00edticas P\u00fablicas e Forma\u00e7\u00e3o Humana (UERJ). Mestre em Ci\u00eancias Jur\u00eddicas (UFPB). Bacharel em Direito (UNIPE). Professor da Gradua\u00e7\u00e3o e Mestrado da UNIPE. Email: professor.andrefonseca@gmail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>THE SUPPRESSION OF HUMAN RIGHTS AT THER HOSPITAL COL\u00d4NIA EM BARBACENA AND THE APPLICABILITY OF THE ANTI-MANICOMIAL LAW Artigo submetido&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":1088,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"https:\/\/cognitiojuris.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cognitio-juris_n1.jpg","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[15],"class_list":["post-294","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-cientificos","tag-5o-numero"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/294","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=294"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/294\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1087,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/294\/revisions\/1087"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1088"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=294"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=294"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=294"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}