{"id":317,"date":"2023-12-20T20:02:00","date_gmt":"2023-12-20T23:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/scientiaetratio.com.br\/?p=317"},"modified":"2026-05-23T10:49:12","modified_gmt":"2026-05-23T13:49:12","slug":"a-nao-aplicacao-do-principio-da-insignificancia-em-bens-de-valores-sentimentais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/a-nao-aplicacao-do-principio-da-insignificancia-em-bens-de-valores-sentimentais\/","title":{"rendered":"A N\u00c3O APLICA\u00c7\u00c3O DO PRINC\u00cdPIO DA INSIGNIFIC\u00c2NCIA EM BENS DE VALORES SENTIMENTAIS"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">NON-APPLICATION OF THE PRINCIPLE OF INSIGNIFICANCE IN GOODS WITH SENTIMENTAL VALUES<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Artigo submetido em 10 de dezembro de 2023<br>Artigo aprovado em 15 de dezembro de 2023<br>Artigo publicado em 20 de dezembro de 2023<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-luminous-vivid-orange-background-color has-background\"><tbody><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Scientia et Ratio<\/strong><br>Volume 3 \u2013 N\u00famero 4 \u2013 Dezembro de 2023<br>ISSN 2525-8532<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-7e4ac651328708ea719ac0894fa30934 wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background\"><tbody><tr><td><strong>Autor:<br><\/strong>Lucas Miranda do Nascimento<a id=\"_ftnref1\" href=\"\/scientiaetratio\/#_ftn1\">[1]<\/a><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-7e4ac651328708ea719ac0894fa30934 wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RESUMO<\/strong>: Este trabalho acad\u00eamico tem como objetivo analisar a aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da insignific\u00e2ncia no direito penal, com foco na dimens\u00e3o subjetiva do valor sentimental dos bens. A relev\u00e2ncia desse tema reside na necessidade de compreender como a valoriza\u00e7\u00e3o subjetiva dos bens afeta a interpreta\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o desse princ\u00edpio, que visa excluir a tipicidade de condutas de menor gravidade. Para alcan\u00e7ar esse objetivo, a pesquisa adota uma abordagem te\u00f3rico-jur\u00eddica, baseada em revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica, an\u00e1lise doutrin\u00e1ria e jurisprudencial. Os objetivos gerais s\u00e3o: 1) analisar o princ\u00edpio da insignific\u00e2ncia no contexto do direito penal; 2) investigar o papel do valor sentimental dos bens na an\u00e1lise da aplica\u00e7\u00e3o desse princ\u00edpio. Os objetivos espec\u00edficos incluem: 1) contextualizar o princ\u00edpio da insignific\u00e2ncia e sua evolu\u00e7\u00e3o no ordenamento jur\u00eddico; 2) explorar a dimens\u00e3o subjetiva do valor sentimental dos bens; 3) avaliar como o valor sentimental influencia a aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da insignific\u00e2ncia. A metodologia compreende pesquisa bibliogr\u00e1fica, an\u00e1lise de decis\u00f5es judiciais e estudo de casos para exemplificar a aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio em situa\u00e7\u00f5es envolvendo o valor sentimental. A pergunta-problema central \u00e9: &#8220;Como o valor sentimental dos bens impacta a interpreta\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da insignific\u00e2ncia no direito penal?&#8221;. Este estudo busca contribuir para a compreens\u00e3o do papel do valor sentimental na an\u00e1lise da insignific\u00e2ncia, fornecendo subs\u00eddios para uma aplica\u00e7\u00e3o mais consistente e justa desse princ\u00edpio no sistema jur\u00eddico brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Palavras-chave: <\/strong>Princ\u00edpio da Insignific\u00e2ncia; Direito Penal; Valor Sentimental dos Bens; Tipicidade; Relev\u00e2ncia Jur\u00eddica; Dimens\u00e3o Subjetiva; Aplica\u00e7\u00e3o Jurisdicional; Crime da Bagatela; Teoria do Bem Jur\u00eddico; An\u00e1lise Jur\u00eddica; Jurisprud\u00eancia Brasileira; Interpreta\u00e7\u00e3o Legal; penalidade M\u00ednima; Lesividade; Justi\u00e7a Criminal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ABSTRACT<\/strong>: This academic work aims to analyze the application of the principle of insignificance in criminal law, focusing on the subjective dimension of the sentimental value of goods. The relevance of this topic lies in the need to understand how the subjective valuation of goods is related to the interpretation and application of this principle, which aims to exclude the typical nature of less serious conduct. For this objective, the research adopts a theoretical-legal approach, based on a bibliographical review, doctrinal and jurisprudential analysis. The general objectives are: 1) analyze the principle of insignificance in the context of criminal law; 2) investigate the role of the sentimental value of goods in analyzing the application of this principle. The specific objectives include: 1) contextualize the principle of insignificance and its evolution in the legal system; 2) explore the subjective dimension of the sentimental value of goods; 3) evaluate how sentimental value influences the application of the principle of insignificance. The methodology comprises bibliographical research, analysis of judicial decisions and case studies to exemplify the application of the principle in situations involving sentimental value. The central problem question is: &#8220;How does the sentimental value of goods impact the interpretation and application of the principle of insignificance in criminal law?&#8221; This study seeks to contribute to the understanding of the role of sentimental value in the analysis of insignificance, providing support for a more consistent and fair application of this principle in the Brazilian legal system.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Keywords:<\/strong> Principle of Insignificance; Criminal Law; Sentimental Value of Goods; Typicality; Legal Relevance; Subjective Dimension; Jurisdictional Application; Trifle Crime; Theory of Legal Good; Legal Analysis; Brazilian Jurisprudence; Legal Interpretation; Minimum penalty; Injury; Criminal Justice.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">1\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 INTRODU\u00c7\u00c3O<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Princ\u00edpio da Insignific\u00e2ncia, popularmente conhecido como Princ\u00edpio da Bagatela, \u00e9 um importante conceito no \u00e2mbito do direito penal brasileiro, tendo como finalidade evitar a criminaliza\u00e7\u00e3o de condutas de baixa gravidade, que n\u00e3o representam uma amea\u00e7a significativa \u00e0 sociedade, no entanto, a aplica\u00e7\u00e3o deste princ\u00edpio torna-se desafiadora quando se considera o valor sentimental atribu\u00eddo a determinados bens ou objetos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (TCC) tem como objetivo explorar a rela\u00e7\u00e3o entre o Princ\u00edpio da Insignific\u00e2ncia, o valor sentimental dos bens e a import\u00e2ncia deste valor na an\u00e1lise da aplica\u00e7\u00e3o do referido princ\u00edpio, no contexto do direito penal. A quest\u00e3o central abordada \u00e9 at\u00e9 que ponto o valor sentimental atribu\u00eddo a um bem pode ou deve influenciar a aplica\u00e7\u00e3o do Princ\u00edpio da Insignific\u00e2ncia, e do mesmo modo, como o sistema jur\u00eddico deve lidar com a complexidade da dimens\u00e3o subjetiva do valor sentimental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A interse\u00e7\u00e3o entre o Princ\u00edpio da Insignific\u00e2ncia e o valor sentimental dos bens \u00e9 relevante para a compreens\u00e3o do direito penal brasileiro e para a busca de um sistema jur\u00eddico que seja justo, equitativo e sens\u00edvel \u00e0s nuances das experi\u00eancias humanas, assim, a partir da revis\u00e3o da literatura, an\u00e1lise de casos judiciais e consulta a renomados autores do direito penal, este TCC visa contribuir para a discuss\u00e3o e reflex\u00e3o sobre como conciliar a necessidade de um sistema penal que se concentra em condutas verdadeiramente relevantes com a import\u00e2ncia do valor sentimental para o indiv\u00edduo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, esta pesquisa busca lan\u00e7ar luz sobre um tema jur\u00eddico complexo e atual, explorando a intera\u00e7\u00e3o entre o Princ\u00edpio da Insignific\u00e2ncia e o valor sentimental dos bens, destacando a import\u00e2ncia de uma abordagem equilibrada e sens\u00edvel no direito penal. A relev\u00e2ncia do valor sentimental quanto a an\u00e1lise da aplica\u00e7\u00e3o do Princ\u00edpio da Insignific\u00e2ncia levantam quest\u00f5es complexas e desafia o sistema legal a considerar n\u00e3o apenas os aspectos objetivos, mas tamb\u00e9m as dimens\u00f5es subjetivas e emocionais das condutas criminosas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos cap\u00edtulos subsequentes, aprofundaremos essa discuss\u00e3o, analisando casos emblem\u00e1ticos e as perspectivas de respeit\u00e1veis estudiosos arcaicos e contempor\u00e2neos do direito penal, bem como, o posicionamento dos&nbsp; tribunais p\u00e1trios, atrav\u00e9s de jurisprud\u00eancias, analisando os crit\u00e9rios para a aplica\u00e7\u00e3o do referido princ\u00edpio, estimulando a realiza\u00e7\u00e3o de demais estudos dobre este tema e contribuindo para uma compreens\u00e3o mais completa e cr\u00edtica do tema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O PRINC\u00cdPIO DA INSIGNIFIC\u00c2NCIA E SUA APLICA\u00c7\u00c3O NO DIREITO PENAL<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Princ\u00edpio da Insignific\u00e2ncia ou Princ\u00edpio da Bagatela, como tamb\u00e9m \u00e9 conhecido, teve sua origem no Direito Romano e a sua aplica\u00e7\u00e3o era limitada apenas no ramo do direito provado, por\u00e9m, a sua utiliza\u00e7\u00e3o no Direito Penal ergueu-se atrav\u00e9s do renomado e importante cientista jur\u00eddico Claus Roxin, onde incorporou o princ\u00edpio em comento ao direito penal, ao publicar a sua obra <em>Pol\u00edtica Criminal y Sistema del Derecho Penal<\/em> \u2013 Roxin, em 1964, sendo erguido como uma m\u00e1xima de interpreta\u00e7\u00e3o restritiva do tipo penal, onde seria exclu\u00edda a tipicidade penal da conduta cometida pelo agente infrator, quando existente \u00ednfimas les\u00f5es ao bem jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outrossim, ap\u00f3s o ilustre e renomado cientista jur\u00eddico Claus Roxin adotar o Princ\u00edpio da Insignific\u00e2ncia para o Direito Penal, trazendo a sua aplica\u00e7\u00e3o do direito privado para o direito p\u00fablico, outros importantes estudiosos do Direito Penal tamb\u00e9m passaram a estudar e discutir sobre a aplica\u00e7\u00e3o do referido princ\u00edpio, no que desrespeita a uma melhor an\u00e1lise para aplica\u00e7\u00e3o deste, sob a an\u00e1lise dos requisitos objetivos e subjetivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O princ\u00edpio da insignific\u00e2ncia \u00e9 vetor interpretativo do tipo penal, tendo por escopo restringir a qualifica\u00e7\u00e3o de condutas que se traduzam em \u00ednfima les\u00e3o ao bem jur\u00eddico nele (tipo penal) albergado. Tal forma de forma de interpreta\u00e7\u00e3o insere-se num quadro de v\u00e1lida medida de pol\u00edtica criminal, visando, para al\u00e9m da descarceriza\u00e7\u00e3o, ao descongestionamento da Justi\u00e7a Penal, que deve ocupar-se apenas das infra\u00e7\u00f5es tidas por socialmente mais graves. Numa vis\u00e3o humanit\u00e1ria do Direito Penal, ent\u00e3o, \u00e9 de se prestigiar esse princ\u00edpio da toler\u00e2ncia, que, se bem aplicado, n\u00e3o chega a estimular a ideia de impunidade. Ao tempo que se verificam patentes a necessidade e a utilidade do princ\u00edpio da insignific\u00e2ncia, \u00e9 imprescind\u00edvel que aplica\u00e7\u00e3o se d\u00ea de maneira criteriosa, contribuindo sempre tendo em conta a realidade brasileira, para evitar que a atua\u00e7\u00e3o estatal v\u00e1 al\u00e9m dos limites do razo\u00e1vel na prote\u00e7\u00e3o do interesse p\u00fablico (Masson, 2019, p. 102).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ademais, cumpre evidenciar que, este princ\u00edpio toma como base para a sua inser\u00e7\u00e3o no direito penal, o Princ\u00edpio da M\u00ednima Interven\u00e7\u00e3o do Estado, mas, o Princ\u00edpio da Bagatela ainda n\u00e3o encontra-se disposto expressamente em nosso ordenamento jur\u00eddico por meio de uma lei, mas, tem a sua aplica\u00e7\u00e3o no sistema jurisdicional brasileiro, enquanto ferramenta do direito penal, por meio de jurisprud\u00eancias, onde s\u00e3o analisados como requisitos para a an\u00e1lise de ocorr\u00eancia ou n\u00e3o de les\u00e3o relevante, os requisitos objetivos, onde observa a exist\u00eancia da m\u00ednima ofensividade, inexist\u00eancia de periculosidade social da a\u00e7\u00e3o, o reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e inexpressividade da les\u00e3o jur\u00eddica provocada, conforme jurisprud\u00eancias do Supremo Tribunal Federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Posto isto, tendo em vista a correla\u00e7\u00e3o entre o Princ\u00edpio da Insignific\u00e2ncia e o Princ\u00edpio da Interven\u00e7\u00e3o M\u00ednima do Estado (um dos motivos pelo qual Roxin baseou-se para permitir a inser\u00e7\u00e3o do Princ\u00edpio da Insignific\u00e2ncia ao C\u00f3digo Penal), onde veio a ser introduzida pelo Ex-Ministro do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello no Habeas Corpus de n\u00ba 103.657, de sua relatoria, onde fora destacado de maneira evidente os requisitos objetivos supramencionados. Sen\u00e3o, vejamos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O princ\u00edpio da insignific\u00e2ncia \u2013que deve ser analisado em conex\u00e3o com os postulados da fragmentariedade e da interven\u00e7\u00e3o m\u00ednima do Estado em mat\u00e9ria penal \u2013 tem o sentido de excluir ou de afastar a pr\u00f3pria tipicidade penal, examinada na perspectiva de seu car\u00e1ter material. Doutrina, Tal postula\u00e7\u00e3o \u2013 que considera necess\u00e1ria , na aferi\u00e7\u00e3o do relevo material da tipicidade penal, a presen\u00e7a de certos vetores tais como (a) a m\u00ednima ofensividade da conduta do agente, (b) a nenhuma periculosidade social da a\u00e7\u00e3o, (c) o reduzid\u00edssimo grau de reprovabilidade do comportamento e (d) a inexpressividade da les\u00e3o jur\u00eddica provocada \u2013 apoiou-se, em seu processo de formula\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, no reconhecimento de que o car\u00e1ter subsidi\u00e1rio do sistema penal reclama e imp\u00f5e, em fun\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios objetivos por ele visados, a interven\u00e7\u00e3o m\u00ednima do Poder P\u00fablico. (STF, 15 de fevereiro de 2011)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ato cont\u00ednuo, al\u00e9m dos requisitos objetivos estabelecidos pelos Tribunais Superiores, tamb\u00e9m fora elencados requisitos subjetivos a serem analisados, para analisar melhor a exist\u00eancia de uma conduta insignificante, visando a prote\u00e7\u00e3o aos bens jur\u00eddico protegidos pelo direito penal, sendo analisado sobre a perspectiva do agente infrator, onde se observa a exist\u00eancia de reincid\u00eancias ou habitualidades, antecedentes, conduta social, personalidade do agente, conforme estabelece o art. 59 do C\u00f3digo Penal, e na v\u00edtima, a condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, o valor sentimental do bem, as circunst\u00e2ncias do fato e o resultado final do crime, n\u00e3o podendo, portanto, reconhecer a insignific\u00e2ncia da conduta apenas sobre o valor pecuni\u00e1rio do bem ou pelas demais caracter\u00edsticas contidas nos requisitos objetivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[&#8230;] \u201ch\u00e1 que se conjugar a import\u00e2ncia do objeto material para a v\u00edtima, levando-se em considera\u00e7\u00e3o a sua condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, o valor sentimental do bem\u201d [&#8230;]. (TJ-BA, 06 de novembro de 2013)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na mesma linha, tendo em vista a importante e necess\u00e1ria an\u00e1lise dos requisitos subjetivos, em casos de pleito da insignific\u00e2ncia da conduta, onde visa proteger os bens jur\u00eddicos tutelados (a sa\u00fade, a honra, a autoestima, a intimidade, a autodetermina\u00e7\u00e3o, a dignidade sexual, a liberdade individual, o patrim\u00f4nio e correlatos), vem sendo reiteradamente discutida, onde podemos observar a sua propens\u00e3o expositiva por maio do julgado a seguir:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cN\u00e3o se pode, t\u00e3o somente, avaliar a tipicidade da conduta praticada em vista do seu valor econ\u00f4mico, especialmente porque, no caso, o preju\u00edzo suportado pela v\u00edtima, obviamente, \u00e9 superior\u201d [&#8230;]. (STF, 06 de setembro de 2011)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mantendo a mesma tese e fundamento nos julgamentos, os Tribunais Superiores julgaram alguns casos, onde analisaram cada caso concreto sob os requisitos objetivos e subjetivos, condi\u00e7\u00f5es essas, que s\u00e3o essenciais para uma melhor avalia\u00e7\u00e3o do fato e uma justa aplica\u00e7\u00e3o jurisdicional, visando a prote\u00e7\u00e3o da parte mais vulner\u00e1vel e amea\u00e7ada, de acordo com a propor\u00e7\u00e3o do dano causado, sen\u00e3o vejamos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[&#8230;] Para reconhecer o delito como insignificante deve haver a pondera\u00e7\u00e3o dos requisitos objetivos e subjetivos. Dentre os requisitos objetivos necess\u00e1rios para a sua caracteriza\u00e7\u00e3o encontramos a m\u00ednima ofensividade da conduta; aus\u00eancia de periculosidade social; reduzido grau de reprovabilidade do comportamento; e inexpressividade da les\u00e3o jur\u00eddica. Por outro lado, os requisitos subjetivos consistem na import\u00e2ncia do bem para a v\u00edtima; valor sentimental; e as circunst\u00e2ncias e resultado do delito.[&#8230;] (STF, 18 de maio de 2022)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse diapas\u00e3o, resta evidenciado que, ap\u00f3s o renomado cientista jur\u00eddico Claus Roxin atrelar o referido princ\u00edpio ao Direito Penal, sob sua linha de pensamento funcionalista, v\u00e1rios tribunais e estudiosos do direito passaram a se debru\u00e7ar mais sobre o tema, bem como, levantaram-se v\u00e1rias discuss\u00f5es nos Tribunais Superiores, tomando como base v\u00e1rios casos concretos, onde analisam a exist\u00eancia de dano consider\u00e1vel a v\u00edtima o infort\u00fanio observando a possibilidade ou n\u00e3o de aplicar se o referido princ\u00edpio, seja na Seara do direito p\u00fablico ou privado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">3\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 DO VALOR SENTIMENTAL DOS BENS E SUA RELEV\u00c2NCIA<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s a an\u00e1lise sob o surgimento do Princ\u00edpio da Insignific\u00e2ncia, a sua aplica\u00e7\u00e3o no Direito Penal e os requisitos necess\u00e1rios elencados pelos Tribunais Superiores, para apurar a exist\u00eancia de consider\u00e1vel les\u00e3o jur\u00eddica, ainda sob os requisitos subjetivos atrelados a v\u00edtima, destaca-se a liga\u00e7\u00e3o sentimental existente entre o bem subtra\u00eddo e a v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A an\u00e1lise de cada caso concreto, visando a apura\u00e7\u00e3o de v\u00ednculo sentimental entre o bem objurgado e a v\u00edtima se faz t\u00e3o relevante, que o Supremo Tribunal Federal j\u00e1 se pronunciou no sentido de que, se deve analisar o caso concreto na perspectiva da v\u00edtima, levando em considera\u00e7\u00e3o a exist\u00eancia peculiar de reduzido sentimento de perda, sen\u00e3o vejamos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 do \u00e2ngulo da v\u00edtima, o exame da relev\u00e2ncia ou irrelev\u00e2ncia penal deve atentar para o seu peculiarmente reduzido sentimento de perda por efeito da conduta do agente, a ponto de n\u00e3o experimentar revoltante sensa\u00e7\u00e3o de impunidade ante a n\u00e3o incid\u00eancia da norma penal que, a princ\u00edpio, lhe favorecia. (STF, 20 de mar\u00e7o de 2012)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ou seja, diante do pronunciamento supramencionado, o Relator Ministro Ayres Britto transcende a tamanha import\u00e2ncia em analisar a exist\u00eancia de sofrimento para a v\u00edtima, em decorr\u00eancia da perda do objeto, sob a exist\u00eancia de v\u00ednculo sentimental entre o objeto subtra\u00eddo e a v\u00edtima, vis\u00e3o esta, derivada do pensamento se diversos doutrinadores que tamb\u00e9m \u00e9 seguida por outros demais Ministros, como \u00e9 o caso da Ministra do Superior Tribunal de Justi\u00e7a Laurita Vaz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cH\u00e1 que se conjugar aimport\u00e2ncia do objeto material para a v\u00edtima, levando-se emconsidera\u00e7\u00e3o a sua condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, o valor sentimental do bem\u201d [&#8230;] (STJ, 07 de abril de 2005)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ato cont\u00ednuo, levando em considera\u00e7\u00e3o que o valor sentimental atribu\u00eddo a um determinado bem \u00e9 de valor imensur\u00e1vel, visto que, os objetos que det\u00e9m este significado passam a construir uma identidade e inestim\u00e1vel representatividade para determinadas pessoas, ou seja, s\u00e3o abarrotados de mem\u00f3rias, significados, narrativas, personalidade, hist\u00f3ria e simbologias, possuindo uma conex\u00e3o atemporal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste sentido, surge para o judici\u00e1rio de forma excepcional, uma grande import\u00e2ncia quanto a an\u00e1lise dos requisitos subjetivos a serem analisados na perspectiva da v\u00edtima, para uma maior aten\u00e7\u00e3o quando a exist\u00eancia de valor sentimental entre a o bem\/objeto subtra\u00eddo e a v\u00edtima, seguindo a linha intelectual de grandes obras, de renomados cientistas jur\u00eddicos, para analisar a exist\u00eancia de les\u00f5es aos bens jur\u00eddicos tutelados pelo direito penal, sen\u00e3o vejamos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os bens s\u00e3o, pois, coisas reais ou objetos ideais dotados de \u201cvalor\u201d, isto \u00e9, coisas materiais e objetos imateriais que, al\u00e9m de serem o que s\u00e3o, \u201cvalem\u201d. Por isso s\u00e3o, em geral, apetecidos, procurados, disputados, defendidos, e, pela mesma raz\u00e3o, expostos a certos perigos de ataques ou sujeitos a determinadas les\u00f5es. (Toledo, 1994, p. 15).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda sob a mesma vis\u00e3o, v\u00e1rios outros cientistas jur\u00eddicos defendem uma cautela a mais, quando se tratar da aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da insignific\u00e2ncia, sob a perspectiva de que, para a sua aplica\u00e7\u00e3o, \u00e9 imperioso analisar as condi\u00e7\u00f5es do ofendido, levando em considera\u00e7\u00e3o a tamanha import\u00e2ncia do objeto material subtra\u00eddo para a v\u00edtima, visando apurar a exist\u00eancia de valor sentimental do respectivo bem, sen\u00e3o observemos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[&#8230;] \u201cH\u00e1 que se conjugar a import\u00e2ncia do objeto material para a v\u00edtima, levando-se em considera\u00e7\u00e3o a sua condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, o valor sentimental do bem\u201d [&#8230;] (Masson, 2019, p. 109).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta senda, seguindo a mesma linha intelectual das doutrinas supramencionadas e das demais citadas no decorrer deste trabalho, Magistrados, Desembargadores e Ministros, em alguns julgados, passaram a fundamentar as decis\u00f5es sob esses mesmos argumentos, trazendo em suas decis\u00f5es um meio para melhor analisar o caso concreto, visando proteger bens jur\u00eddicos que, eventualmente foram ou possam ser amea\u00e7ados. Observemos julgados:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 que se conjugar aimport\u00e2ncia do objeto material para a v\u00edtima, levando-se emconsidera\u00e7\u00e3o a sua condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, o valor sentimental do bem,como tamb\u00e9m as circunst\u00e2ncias e o resultado do crime, tudo de modo adeterminar, subjetivamente, se houve relevante les\u00e3o. (STJ, 07 de abril de 2005)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta senda, cita-se como exemplos desse contexto de liga\u00e7\u00e3o sentimental entre o bem e a v\u00edtima, um porta-retrato, onde encontra-se uma foto em fam\u00edlia, em que um ou mais membros presentes na foto j\u00e1 tenham falecidos, inexistindo nesta situa\u00e7\u00e3o outra imagem igual ou que possa ser substitu\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um outro exemplo a ser citado, em que foi caso de afastamento do Princ\u00edpio da Insignific\u00e2ncia pelo Supremo Tribunal Federal, no que tange a exist\u00eancia de valor sentimental entre o bem subtra\u00eddo e a v\u00edtima, ocorreu em rela\u00e7\u00e3o a subtra\u00e7\u00e3o de um \u201cDisco de Ouro\u201d pertencente a um m\u00fasico brasileiro, onde, este recebeu a referida premia\u00e7\u00e3o no auge de sua carreira, tornando este objeto um item de imensur\u00e1vel valor sentimental. Vejamos o trecho do julgado:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[&#8230;] \u201cFurto de quadro denominado &#8220;disco de ouro&#8221;. Premia\u00e7\u00e3o conferida \u00e0queles artistas que tenham alcan\u00e7ado a marca de mais de cem mil discos vendidos no Pa\u00eds. Valor sentimental inestim\u00e1vel.\u201d [&#8230;] (STF, 06 de setembro de 2011)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seguindo a linha, tamb\u00e9m pode-se citar como exemplo, os casos de furto de l\u00e1pides em t\u00famulos, onde o Egr\u00e9gio Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo entendeu por n\u00e3o aplicar o princ\u00edpio da Insignific\u00e2ncia no referido caso, tendo em vista que, os objetos subtra\u00eddos s\u00e3o atulhados de mem\u00f3rias e significados, passando a existir e transpassar de maneira indubit\u00e1vel um valor sentimental, sen\u00e3o observemos o referido julgado:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAplica\u00e7\u00e3o, em senten\u00e7a, do princ\u00edpio da insignific\u00e2ncia. Impossibilidade. [&#8230;] Objetos dotados de valor sentimental.\u201d (TJ-SP, 08 de agosto de 2022)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sob esta mesma perspectiva, cumpre salientar que a n\u00e3o aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da insignific\u00e2ncia tamb\u00e9m recai nos casos em que envolvem animais de estima\u00e7\u00e3o, tendo em vista que, h\u00e1 grande imin\u00eancia em existir uma liga\u00e7\u00e3o emocional incompar\u00e1vel entre determinados indiv\u00edduos e seus animais de estima\u00e7\u00e3o, em decorr\u00eancia de v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es suportadas pela v\u00edtima, no decorrer de sua vida, tendo o animal nesta situa\u00e7\u00e3o um \u00ednfimo valor ou n\u00e3o, sen\u00e3o observemos o julgado:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cFURTO DE ANIMAL DE ESTIMA\u00c7\u00c3O QUE AL\u00c9M DO VALOR PATRIMONIAL POSSUI INESTIM\u00c1VEL VALOR SENTIMENTAL. PRINC\u00cdPIO DA INSIGNIFIC\u00c2NCIA AFASTADO.\u201d (TJ-SC, 25 de outubro de 2012)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, resta evidenciada a necessidade em realizar uma minuciosa an\u00e1lise ao caso concreto, com base em provas documentais e testemunhais onde existe indubitavelmente abalo extrapatrimonial consider\u00e1vel, \u00e9 quando o bem subtra\u00eddo pertenceu a um familiar, em que a v\u00edtima possu\u00eda um alto grau de intimidade, zelo e apre\u00e7o, tendo este j\u00e1 falecido, e sendo o referido objeto o \u00fanico bem do familiar falecido em posse da v\u00edtima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ademais, cumpre evidenciar que, al\u00e9m dos Tribunais Superiores e renomados doutrinadores do direito, outros estudiosos em forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica tamb\u00e9m buscam estudar a relev\u00e2ncia do valor sentimental nos casos em que envolvem o Princ\u00edpio da Insignific\u00e2ncia, sen\u00e3o vejamos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em terceiro lugar, existem bens cujo valor econ\u00f4mico \u00e9 praticamente nulo, mas que possuem um valor sentimental e existencial insubstitu\u00edveis. Por exemplo, um velho e surrado caderninho com receitas que uma mulher guarda como \u00fanica recorda\u00e7\u00e3o de sua m\u00e3e ou av\u00f3, ou a camisa desbotada de um time de futebol, camisa esta usada em um grande t\u00edtulo e que traz grandes alegrias e recorda\u00e7\u00f5es ao seu dono. Bens de valor sentimental inestim\u00e1vel que, possivelmente, muitos dos propriet\u00e1rios sequer venderiam, ainda que se lhes fosse oferecido um valor alt\u00edssimo (BRASIL. 2016).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, em \u00faltima an\u00e1lise, a relev\u00e2ncia do valor sentimental dos bens destaca a import\u00e2ncia de uma justi\u00e7a equitativa, que respeita n\u00e3o apenas a lei, mas tamb\u00e9m a experi\u00eancia humana em toda a sua complexidade. O sistema legal deve ser sens\u00edvel \u00e0s emo\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es pessoais, garantindo que a justi\u00e7a seja verdadeiramente alcan\u00e7ada em cada caso. O reconhecimento desse valor contribui para um sistema jur\u00eddico mais justo e compreensivo, refletindo uma sociedade que valoriza n\u00e3o apenas bens materiais, mas tamb\u00e9m os v\u00ednculos emocionais que eles representam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a>3.1 <\/a>A DIMENS\u00c3O SUBJETIVA DO VALOR SENTIMENTAL<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A dimens\u00e3o subjetiva do valor sentimental \u00e9 uma considera\u00e7\u00e3o crucial em v\u00e1rias \u00e1reas do direito, especialmente quando se trata da aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da Insignific\u00e2ncia no campo penal. O valor sentimental de um bem \u00e9 intrinsecamente pessoal, variando amplamente de indiv\u00edduo para indiv\u00edduo, e est\u00e1 profundamente enraizado em suas experi\u00eancias, mem\u00f3rias e conex\u00f5es emocionais. Essa dimens\u00e3o subjetiva n\u00e3o apenas torna a an\u00e1lise legal mais complexa, mas tamb\u00e9m ressalta a necessidade de um sistema legal sens\u00edvel \u00e0s complexidades da experi\u00eancia humana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para compreender plenamente a dimens\u00e3o do valor sentimental, \u00e9 essencial reconhecer que os objetos e bens materiais muitas vezes tornam portadores de significados e conex\u00e3o emocional ao lingo da vida de uma pessoa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Psic\u00f3logos como Daniel Kahneman (1982), em sua pesquisa sobre economia comportamental, demonstram como as pessoas atribuem valor emocional a objetos com base em suas experi\u00eancias e mem\u00f3rias pessoais. Eles podem representar uma liga\u00e7\u00e3o com o passado, uma conex\u00e3o com entes queridos ou at\u00e9 mesmo uma extens\u00e3o da pr\u00f3pria identidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em raz\u00e3o da tamanha dimens\u00e3o subjetiva do valor sentimental, alguns estudiosos do direito sustentam a import\u00e2ncia em analisar os requisitos subjetivos da v\u00edtima, para apurar a exist\u00eancia de consider\u00e1vel les\u00e3o, sen\u00e3o vejamos o que diz o renomado cientista jur\u00eddico contempor\u00e2neo Cleber Masson:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O reconhecimento do princ\u00edpio da insignific\u00e2ncia depende de requisitos objetivos, relacionados ao fato, e de requisitos subjetivos, vinculados ao agente e \u00e0 v\u00edtima. Por esta raz\u00e3o, seu cabimento deve ser analisado no caso concreto, de acordo com as suas especificidades, e n\u00e3o no plano abstrato (Masson, 2019, p. 103).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ato cont\u00ednuo, como meio de prote\u00e7\u00e3o aos bens jur\u00eddicos, n\u00e3o se pode ater a an\u00e1lise do caso concreto apenas ao valor do bem, mas a exist\u00eancia de ofensividade dos bens protegidos pelo Estado, o desvalor social da a\u00e7\u00e3o e a intensidade da culpabilidade do agente, conforme bem menciona Fagundes (2019).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste sentido, resta evidenciada a tamanha dimens\u00e3o subjetiva sentimental que depositamos em determinados objetos, devendo, portanto, o judici\u00e1rio analisar cada caso concreto com a sua devida cautela, visando a prote\u00e7\u00e3o de bens jur\u00eddicos tutelados pelo Direito Penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">4\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A RELEV\u00c2NCIA DO VALOR SENTIMENTAL NA AN\u00c1LISE DA APLICA\u00c7\u00c3O DO PRINC\u00cdPIO DA INSIGNIFIC\u00c2NCIA<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A an\u00e1lise da aplica\u00e7\u00e3o do Princ\u00edpio da Insignific\u00e2ncia no contexto jur\u00eddico brasileiro \u00e9 um tema complexo de trabalhar, visto que, envolve a pondera\u00e7\u00e3o de diversos fatores para determinar se uma conduta deve ser considerada como crime ou n\u00e3o. Este princ\u00edpio, tamb\u00e9m conhecido como Princ\u00edpio da Bagatela, visa evitar a criminaliza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es de baixa gravidade, ou seja, aquelas que n\u00e3o representam um perigo significativo para a sociedade, no entanto, a quest\u00e3o que se coloca \u00e9: como o valor sentimental atribu\u00eddo a um bem influencia a aplica\u00e7\u00e3o desse princ\u00edpio? A resposta a essa pergunta \u00e9 crucial, pois pode afetar diretamente a justi\u00e7a e a equidade no sistema legal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para abordar essa quest\u00e3o de maneira adequada, \u00e9 essencial considerar a dimens\u00e3o subjetiva do valor sentimental. O valor sentimental de um bem n\u00e3o pode ser mensurado objetivamente, uma vez que est\u00e1 intrinsecamente relacionado \u00e0s experi\u00eancias, mem\u00f3rias e emo\u00e7\u00f5es pessoais associadas a esse bem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa dimens\u00e3o subjetiva do valor sentimental nos leva a uma importante considera\u00e7\u00e3o: como a lei pode e deve lidar com algo t\u00e3o intrinsicamente pessoal? Como pode determinar objetivamente o valor emocional de um bem na an\u00e1lise da aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da insignific\u00e2ncia?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rog\u00e9rio Greco, um dos cientistas jur\u00eddicos mais renomados no campo do direito penal brasileiro, aborda em sua obra \u201cCurso de Direito Penal Brasileiro\u201d a necessidade de analisar um caso concreto, levando em considera\u00e7\u00e3o a relev\u00e2ncia do bem objeto de tutela jurisdicional, diante da exist\u00eancia de dano irrepar\u00e1vel ou de uma escala consideravelmente danosa, tendo em vista que, para o caso amoldar-se ao princ\u00edpio em comento, \u00e9 necess\u00e1ria a total comprova\u00e7\u00e3o de inexist\u00eancia de dano consider\u00e1vel \u00e0 v\u00edtima. Vejamos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da necessidade de existir um modelo abstrato que preveja com perfei\u00e7\u00e3o a conduta praticada pelo agente, \u00e9 preciso que, para que ocorra essa adequa\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, para que a conduta do agente se amolde com perfei\u00e7\u00e3o ao tipo penal, seja levada em considera\u00e7\u00e3o a relev\u00e2ncia do bem que est\u00e1 sendo objeto de prote\u00e7\u00e3o (Rog\u00e9rio Greco, 2019, p. 113).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta linha, ele defende a aplica\u00e7\u00e3o do Princ\u00edpio da Insignific\u00e2ncia como um filtro necess\u00e1rio para a atua\u00e7\u00e3o do Direito Penal, no entanto, quando se trata do valor sentimental, pode ser t\u00e3o significativo para um indiv\u00edduo que justifica a n\u00e3o aplica\u00e7\u00e3o do Princ\u00edpio da Insignific\u00e2ncia, sob a exist\u00eancia indubit\u00e1vel de sess\u00e3o irrepar\u00e1vel a v\u00edtima. Isso nos leva a uma reflex\u00e3o profunda sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a justi\u00e7a legal e a justi\u00e7a emocional. Como conciliar a necessidade de um sistema penal que se concentra em bens relevantes com import\u00e2ncia do valor sentimental para o indiv\u00edduo?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A an\u00e1lise voltada a identificar a liga\u00e7\u00e3o sentimental entre o bem e o agente lesado \u00e9 uma forma de humanizar o direito penal. Ela reconhece a import\u00e2ncia de considerar n\u00e3o apenas o aspecto material de uma conduta, mas tamb\u00e9m o impacto emocional que essa conduta pode ter sobre a v\u00edtima. Quando um objeto de valor sentimental \u00e9 roubado, danificado ou destru\u00eddo, a v\u00edtima n\u00e3o perde apenas um bem material; ela perde uma parte de sua hist\u00f3ria, de sua identidade e de suas conex\u00f5es emocionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ato cont\u00ednuo, cumpre evidenciar que, o poder judici\u00e1rio, ao analisar o caso concreto, fazendo a an\u00e1lise sob os requisitos objetivos e subjetivos listados pelos Tribunais superiores, tomando como base os fundamentos e provas apresentadas em ju\u00edzo, poder\u00e1 apurar a exist\u00eancia de abalo extrapatrimonial capaz de prejudicar bens jur\u00eddicos amparados pelo Direito Penal, facilitando assim, uma melhor aplica\u00e7\u00e3o do direito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existem lit\u00edgios em que, na fase instrut\u00f3ria apresentam-se de forma clara a exist\u00eancia de liga\u00e7\u00e3o sentimental entre o bem e a v\u00edtima, por exemplo, quando ocorre um furto sobre uma alian\u00e7a de casamento, onde, embora o valor de mercado da alian\u00e7a possa ser abaixo, presumidamente existe um valor sentimental imensur\u00e1vel ao casal, mas, tamb\u00e9m existem casos que exigem do judici\u00e1rio necessita de uma melhor an\u00e1lise sobre as provas colhidas e os fundamentos apresentados para concluir a exist\u00eancia de dano consider\u00e1vel a v\u00edtima, sob os aspectos subjetivos, destacando, a an\u00e1lise de exist\u00eancia de dano imaterial a v\u00edtima, sobre a exist\u00eancia de valor sentimental para o agente lesado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta linha, em casos judiciais que envolvem bens de valor sentimental, os Tribunais brasileiros frequentemente adotam uma abordagem que reflete as perspectivas dos autores mencionados, passando a reconhecer que o valor sentimental de um bem pode ser t\u00e3o significativo que justifica a n\u00e3o aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da insignific\u00e2ncia, contudo, uma melhor an\u00e1lise na prote\u00e7\u00e3o dos elementos subjetivos das v\u00edtimas n\u00e3o toma tanto zelo, quanto a propor\u00e7\u00e3o que deveria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em \u00faltima an\u00e1lise, a dimens\u00e3o subjetiva do valor sentimental dos bens acrescenta uma complexidade importante \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o da insignific\u00e2ncia, neste sentido, cumpre destacar a necessidade de uma an\u00e1lise sens\u00edvel e equilibrada das condutas criminais, que leve em considera\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas os fatos objetivos, mas tamb\u00e9m a experi\u00eancia humana profunda e pessoal associada aos bens, com o intuito de apurar a exist\u00eancia de ataque a bens jur\u00eddicos amparados pelo direito penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso ressalta a import\u00e2ncia de uma abordagem que busque a justi\u00e7a de forma equilibrada, considerando tanto a prote\u00e7\u00e3o dos bens jur\u00eddicos quando a dimens\u00e3o subjetiva do valor sentimental, assim, nesse contexto, podemos observar a tamanha relev\u00e2ncia do valor sentimental na an\u00e1lise da aplica\u00e7\u00e3o do Princ\u00edpio da Insignific\u00e2ncia, n\u00e3o podendo o referido princ\u00edpio ser aplicado de maneira autom\u00e1tica, devendo a an\u00e1lise deve ser hol\u00edstica e completa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Posto isto, surge a import\u00e2ncia de considerar tanto os aspectos objetivos, como o valor econ\u00f4mico, quanto os aspectos subjetivos, como o valor sentimental, visto que, essa abordagem permite que o sistema legal seja mais justo, equitativo e sens\u00edvel \u00e0s complexidades da experi\u00eancia humana, garantindo que a justi\u00e7a seja verdadeiramente alcan\u00e7ada em cada caso. Afinal, o direito penal n\u00e3o deve ser cego \u00e0s emo\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es pessoais que moldam a vida das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">5\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A intera\u00e7\u00e3o entre o Princ\u00edpio da Insignific\u00e2ncia e o valor sentimental dos bens no direito penal \u00e9 complexa e relevante, tendo em vista que, este important\u00edssimo princ\u00edpio \u00e9 essencial para evitar a criminaliza\u00e7\u00e3o de condutas de baixa gravidade, no entanto, a dimens\u00e3o subjetiva do valor sentimental n\u00e3o pode ser ignorada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste sentido, cumpre evidenciar que, o valor emocional atribu\u00eddo a um bem passa a ser de tamanha relev\u00e2ncia, que o sistema jur\u00eddico deve se ater a essas complexidades das experi\u00eancias humanas, seguindo a linha de grandes doutrinadores e jurisprud\u00eancias de tribunais que j\u00e1 se manifestaram quanto ao referido tema, onde visa equilibrar o valor sentimental e a gravidade objetiva da conduta do agente delituoso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, a conclus\u00e3o destaca a import\u00e2ncia de um sistema jurisdicional legal, sens\u00edvel \u00e0s emo\u00e7\u00f5es e rela\u00e7\u00f5es pessoais, visando a aplica\u00e7\u00e3o de uma justi\u00e7a n\u00e3o apenas pela perspectiva puramente objetiva, mas tamb\u00e9m levar em considera\u00e7\u00e3o o impacto emocional fruto das condutas criminosas, para que seja aplicado o direito de uma forma mais justa e necess\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este trabalho contribui para a reflex\u00e3o sobre a relev\u00e2ncia do valor sentimental na aplica\u00e7\u00e3o do Princ\u00edpio da Insignific\u00e2ncia, visando a n\u00e3o aplica\u00e7\u00e3o do referido princ\u00edpio nas situa\u00e7\u00f5es em que envolvam bens de valores sentimentais para a v\u00edtima, com o intuito de proteger bens jur\u00eddicos tutelados pelo direito penal, sendo eles, a honra, a autoestima e a sa\u00fade, em decorr\u00eancia de consider\u00e1vel les\u00e3o \u00e0 v\u00edtima, oriunda da conduta delituosa do agente infrator.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REFER\u00caNCIAS<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Habeas Corpus n\u00ba 107615. Relator: Ministro Dias Toffoli. Minas Gerais, MG, 06 de setembro de 2011. <strong>Documento Para Dep\u00f3sitos Judiciais<\/strong>. Minas Gerais, 06 out. 2011. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/jurisprudencia\/stf\/20621599. Acesso em: 10 set. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Superior Tribunal de Justi\u00e7a. Habeas Corpus n\u00ba 29905. Relator: Ministra Laurita Vaz. Rio Grande do Sul, RS, 07 de abril de 2005. <strong>Di\u00e1rio da Justi\u00e7a<\/strong>. Rio Grande do Sul, 02 maio 2005. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/jurisprudencia\/stj\/19300569. Acesso em: 10 set. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Habeas Corpus n\u00ba 110953. Relator: Ministro Ayres Britto. Bras\u00edlia, DF, 20 de mar\u00e7o de 2012. <strong>Di\u00e1rio Judicial Eletr\u00f4nico<\/strong>. Bras\u00edlia, 13 abr. 2012. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/jurisprudencia\/stf\/21506233. Acesso em: 23 nov. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Tribunal de Justi\u00e7a. Habeas Corpus n\u00ba 00166878620138050000. Relator: Desembargador Pedro Augusto Costa Guerra. Bahia, BA, 06 de novembro de 2013. <strong>Di\u00e1rio da Justi\u00e7a<\/strong>. Bahia, 06 nov. 2013. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/jurisprudencia\/tj-ba\/1120357133. Acesso em: 10 set. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Tribunal de Justi\u00e7a. Apela\u00e7\u00e3o n\u00ba 15119253520218260566. Relator: Desembargador Marcos Alexandre Coelho Zilli. S\u00e3o Paulo, SP, 08 de agosto de 2022. <strong>Di\u00e1rio da Justi\u00e7a<\/strong>. S\u00e3o Paulo, 08 ago. 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/jurisprudencia\/tj-sp\/1610581802. Acesso em: 05 nov. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Ac\u00f3rd\u00e3o n\u00ba 103657. Relator: Ministro Jos\u00e9 Celso de Mello Filho. Bras\u00edlia, DF, 15 de fevereiro de 2011. <strong>Di\u00e1rio Judicial Eletr\u00f4nico<\/strong>. Bras\u00edlia, 04 jun. 2013. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/jurisprudencia\/stf\/24808330. Acesso em: 15 nov. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Tribunal de Justi\u00e7a. Apela\u00e7\u00e3o n\u00ba 20120592500. Relator: Desembargadora Cinthia Beatriz da Silva Bittencourt Schaefer. Santa Catarina, SC, 25 de outubro de 2012. <strong>Di\u00e1rio Judicial Eletr\u00f4nico<\/strong>. Santa Catarina. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/jurisprudencia\/tj-sc\/1103285444. Acesso em: 20 nov. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Habeas Corpus n\u00ba 215370. Relator: Ministra C\u00e1rmen L\u00facia. Bras\u00edlia, DF, 18 de maio de 2022. <strong>Di\u00e1rio Judicial Eletr\u00f4nico<\/strong>. Bras\u00edlia, 23 maio 2022. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.jusbrasil.com.br\/jurisprudencia\/stf\/1512416797. Acesso em: 20 nov. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FAGUNDES, Rafael. <strong>A Insignific\u00e2ncia no Direito Penal Brasileiro<\/strong>. Rio de Janeiro: Revan, 2019. 280 p.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GRECO, Rog\u00e9rio. <strong>Curso de direito penal<\/strong>. 21. ed. Rio de Janeiro: Impetus, 2019. 937 p.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MASSON, Cleber. <strong>Direito Penal Parte Geral<\/strong>. 4. ed. S\u00e3o Paulo: M\u00e9todo, 2019. 943 p.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MORE: <strong>Mecanismo online para refer\u00eancias<\/strong>, vers\u00e3o 2.0.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REIS, Marco Antonio Santos. <strong>O que H\u00e1 de Significativo na Insignific\u00e2ncia?<\/strong>: o problema da inexatid\u00e3o dos par\u00e2metros ou crit\u00e9rios de aplica\u00e7\u00e3o. 2016. 138 f. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado) &#8211; Curso de Direito, Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2016. Cap. 3. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.mprj.mp.br\/documents\/20184\/1260352\/Marco_Antonio_Santos_Reis.pdf. Acesso em: 17 out. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">TOLEDO, Francisco de Assis. <strong>Princ\u00edpios b\u00e1sicos de direito penal<\/strong>. 5. ed. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 1994. 384p.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">TVERSKY, Amos; KAHNEMAN, Daniel. <strong>Judgment under Uncertainty: Heuristics and Biases<\/strong>. Cambridge: Cambridge University Press, 1982. 574 p.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Graduado em Direito pelo Centro Universit\u00e1rio de Jo\u00e3o Pessoa \u2013 UNIP\u00ca.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NON-APPLICATION OF THE PRINCIPLE OF INSIGNIFICANCE IN GOODS WITH SENTIMENTAL VALUES Artigo submetido em 10 de dezembro de 2023Artigo aprovado&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":1086,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"https:\/\/cognitiojuris.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cognitio-juris_n1.jpg","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[15],"class_list":["post-317","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-cientificos","tag-5o-numero"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/317","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=317"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/317\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1085,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/317\/revisions\/1085"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1086"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=317"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=317"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=317"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}