{"id":322,"date":"2023-12-20T20:05:00","date_gmt":"2023-12-20T23:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/scientiaetratio.com.br\/?p=322"},"modified":"2026-05-23T10:49:19","modified_gmt":"2026-05-23T13:49:19","slug":"analise-da-violencia-patrimonial-contra-a-mulher-em-ambito-domestico-e-familiar-a-luz-da-lei-11-340-2006","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/analise-da-violencia-patrimonial-contra-a-mulher-em-ambito-domestico-e-familiar-a-luz-da-lei-11-340-2006\/","title":{"rendered":"AN\u00c1LISE DA VIOL\u00caNCIA PATRIMONIAL CONTRA A MULHER EM \u00c2MBITO DOM\u00c9STICO E FAMILIAR \u00c0 LUZ DA LEI 11.340\/2006"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ANALYSIS OF PROPERTY VIOLENCE AGAINST WOMEN IN THE DOMESTIC AND FAMILY SPHERE IN THE LIGHT OF LAW 11.340\/2006<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Artigo submetido em 05 de dezembro de 2023<br>Artigo aprovado em 15 de dezembro de 2023<br>Artigo publicado em 20 de dezembro de 2023<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-luminous-vivid-orange-background-color has-background\"><tbody><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Scientia et Ratio<\/strong><br>Volume 3 \u2013 N\u00famero 4 \u2013 Dezembro de 2023<br>ISSN 2525-8532<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-7e4ac651328708ea719ac0894fa30934 wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background\"><tbody><tr><td><strong>Autor:<br><\/strong>Andr\u00e9a Gregorio Siqueira<a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftn1\">[1]<\/a><br>Lucilene Solano de Freitas Martins<a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftn2\">[2]<\/a><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-7e4ac651328708ea719ac0894fa30934 wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RESUMO<\/strong>: Este trabalho tem como escopo analisar a viol\u00eancia patrimonial contra a mulher no contexto dom\u00e9stico e familiar, contida no artigo 7\u00ba, inciso IV da Lei 11.340\/2006 (Lei Maria da Penha). Quando a viol\u00eancia patrimonial se segue a um ataque f\u00edsico, como numa discuss\u00e3o, em que o agressor quebra algum bem de valor financeiro ou sentimental da v\u00edtima, torna-se mais f\u00e1cil compreender o dano ocasionado. Por outro lado, existem outras mulheres que sofrem a viol\u00eancia contra o patrim\u00f4nio de forma silenciosa, que normalmente n\u00e3o h\u00e1 agress\u00f5es f\u00edsicas, inj\u00farias e difama\u00e7\u00f5es. Tudo acontece atrav\u00e9s de gestos de amor e carinho do agressor, que s\u00f3 quer conseguir o que deseja: vantagens financeiras. A viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher na sociedade parte da premissa do patriarcado que \u00e9 uma err\u00f4nea cultura de poder aos homens e submiss\u00e3o as mulheres, tendo influ\u00eancia para desigualdade de g\u00eanero no Brasil. Dessa forma, define-se como objetivo geral trazer indaga\u00e7\u00f5es que demonstrem a invisibilidade da viol\u00eancia patrimonial de forma isolada quando n\u00e3o estando ligadas as outras formas de viol\u00eancia contra a mulher. Esta pesquisa tem uma metodologia bibliogr\u00e1fica, em que se utiliza como aporte te\u00f3rico livros, artigos e doutrinas, que abordam a produ\u00e7\u00e3o textual enquanto processo de ideias. Observando o seguinte questionamento: a Lei Maria da Penha traz consigo mecanismos de preven\u00e7\u00e3o a viol\u00eancia contra \u00e0 mulher, como campanhas e palestras, mas pouco cita-se a viol\u00eancia patrimonial como caso isolado, ocasionando danos na sociedade atrav\u00e9s das v\u00edtimas que permanecem em sil\u00eancio em seus casos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Palavras-chave: <\/strong>Mulher; Viol\u00eancia; Fam\u00edlia; G\u00eanero; Mecanismos de prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ABSTRACT<\/strong>: The scope of this work is to analyze property violence against women in the domestic and family context, as contained in article 7, item IV of Law 11.340\/2006 (Maria da Penha Law). When property violence follows a physical attack, such as an argument in which the aggressor breaks some of the victim&#8217;s financial or sentimental property, it is easier to understand the damage caused. On the other hand, there are other women who suffer violence against property in a silent way, where there is usually no physical aggression, insults or defamation. Everything happens through gestures of love and affection from the aggressor, who just wants to get what he wants: financial advantages. Domestic violence against women in society is based on the premise of patriarchy, which is an erroneous culture of power for men and submission for women, influencing gender inequality in Brazil. As such, the general objective is to raise questions that demonstrate the invisibility of property violence in isolation when it is not linked to other forms of violence against women. This research is based on a bibliographical methodology, using books, articles and doctrines as theoretical input, which address textual production as a process of ideas. Observing the following question: the Maria da Penha Law brings with it mechanisms to prevent violence against women, such as campaigns and lectures, but little mention is made of property violence as an isolated case, causing damage to society through victims who remain silent in their cases.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Keywords:<\/strong> Woman; Violence; Family; Gender; Protection mechanisms.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">1\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 INTRODU\u00c7\u00c3O<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A viol\u00eancia contra as mulheres \u00e9 o impasse social mais pertinente e persistente da sociedade moderna. Embora tenha-se v\u00e1rios progressos da igualdade de g\u00eanero e dos direitos das mulheres, a viol\u00eancia permanece como a ser uma comina\u00e7\u00e3o permanente \u00e0 seguran\u00e7a, dignidade e bem-estar das mulheres em todo o mundo. Abranger as ra\u00edzes e os fatores que perpetuam esse tipo de intensidade de misoginia \u00e9 primordial para preveni-lo e elimin\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O objetivo desse trabalho \u00e9 explorar um aspecto fundamental da tenacidade da viol\u00eancia contra a mulher: o patriarcado e a viol\u00eancia patrimonial. Ao examinar o sistema de poder profundamente enraizado do patriarcado, onde coloca os homens numa posi\u00e7\u00e3o privilegiada e as mulheres em uma posi\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel, pretende-se elucidar com as normas, valores e estruturas sociais que ret\u00eam o patriarcado em uma liga\u00e7\u00e3o com a viol\u00eancia de g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No primeiro cap\u00edtulo trata-se sobre os aspectos hist\u00f3ricos e sociais da viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher no Brasil. O patriarcado, como sistema, tem profundas ra\u00edzes hist\u00f3ricas e manifesta-se em diferentes esferas da vida, desde as rela\u00e7\u00f5es pessoais at\u00e9 as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e jur\u00eddicas. Perpetua estere\u00f3tipos de g\u00eanero competitivo, promove a desigualdade salarial, limita o acesso das mulheres \u00e0s oportunidades econ\u00f4micas e promove uma cultura que tolera e normaliza a viol\u00eancia contra as v\u00edtimas. Esse estudo visa aprofundar a nossa compreens\u00e3o de como o patriarcado contribuiu para as formas de viol\u00eancia contra a mulher nas rela\u00e7\u00f5es dom\u00e9stica e familiar. Ao mesmo tempo, procura-se tamb\u00e9m destacar a import\u00e2ncia do movimento feminista como parte integrante da estrat\u00e9gia eficaz para o combate \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres em busca de conscientiza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica do Brasil para promover sociedades mais igualit\u00e1rias, onde todos possam viver livres da viol\u00eancia baseada no g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante de in\u00fameros casos na sociedade, Maria da Penha Maia Fernandes foi um dos que mais revolucionou o pa\u00eds. No segundo cap\u00edtulo conta-se a hist\u00f3ria do caso de Maria da Penha, casada com um colombiano que tentou, por duas vezes, retirar a sua vida, em uma delas deixando-a parapl\u00e9gica. O caso repercutiu n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas tamb\u00e9m chegou at\u00e9 a Conven\u00e7\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos. O pa\u00eds foi punido por omitir sobre todo o caso, necessitando da cria\u00e7\u00e3o de uma lei que protege as mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar. Sendo assim, no ano de 2006, a Lei 11.340, nomeada por Lei Maria da Penha, foi aprovada pelo Congresso Nacional, que homenageou a v\u00edtima Maria da Penha. Ainda nesse contexto, ser\u00e3o abordados os objetivos dessa lei que s\u00e3o: prevenir, punir e erradicar. Como tamb\u00e9m, os cinco tipos de viol\u00eancia que s\u00e3o trazidas no contexto da lei, sendo elas: f\u00edsica, psicol\u00f3gica, sexual, patrimonial e moral. Posteriormente, aborda-se o ciclo da viol\u00eancia contra a mulher, conhecido como ciclo da lua mel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No cap\u00edtulo terceiro trata-se sobre a viol\u00eancia patrimonial nas rela\u00e7\u00f5es afetivas diante do art. 7\u00aa, inc. IV da Lei Maria da Penha e os enfrentamentos desse caso quando se \u00e9 isolado, como o estelionato amoroso, trazendo como exemplo o caso do golpista do <em>tinder<\/em> (aplicativo de relacionamento) e a prote\u00e7\u00e3o aos bens patrimoniais diante do art. 24 da LMP (Brasil, 2006).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As v\u00edtimas possuem uma rede de programas para que sejam protegidas e acolhidas, al\u00e9m de serem atendidas nas delegacias especializadas de atendimento \u00e0s mulheres. O \u00faltimo cap\u00edtulo traz a descri\u00e7\u00e3o da rede de apoio as v\u00edtimas, oferecidos pelo Estado da Para\u00edba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 ASPECTOS HIST\u00d3RICOS E SOCIAIS DA VIOL\u00caNCIA DOM\u00c9STICA CONTRA A MULHER NO BRASIL<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A viol\u00eancia dom\u00e9stica possui diversos fatores hist\u00f3ricos e sociais que moldaram a na\u00e7\u00e3o brasileira ao longo do tempo. Antes da independ\u00eancia do Brasil, o pa\u00eds era uma col\u00f4nia de Portugal totalmente influenciado pelas normas patriarcais da Europa, onde estabeleciam uma posi\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica de g\u00eanero. O documento oficial que ditava a justi\u00e7a no pa\u00eds naquele per\u00edodo era o C\u00f3digo Filipino do s\u00e9culo XVI ao XIX. Existia uma grande disparidade entre os g\u00eaneros feminino e masculino, pois o homem era de natureza polig\u00e2mica e a feminilidade da mulher era caracterizada com maternidade, submiss\u00e3o e resigna\u00e7\u00e3o ao poder e aos valores patriarcais difundidos no \u00e2mbito social, ou seja, o homem patriarca tinha poder sobre a sua esposa e sobre a casa, sendo o chefe da fam\u00edlia decidindo as quest\u00f5es importantes do lar, como finan\u00e7as, educa\u00e7\u00e3o e casamento dos filhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ideologia patriarcal garantida por lei legitimava a domina\u00e7\u00e3o masculina em seu lar, intensificando a pr\u00e1tica da viol\u00eancia dom\u00e9stica como forma de doutrinar a fam\u00edlia, contribuindo tamb\u00e9m para a explora\u00e7\u00e3o do sexo feminino. Para Hartmann, o patriarcado define-se como:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[&#8230;] um conjunto de rela\u00e7\u00f5es sociais que tem por uma base material e no qual h\u00e1 rela\u00e7\u00f5es hier\u00e1rquicas entre homens, e solidariedade, entre eles, que os habilitam a controlar mulheres. Patriarcado \u00e9, pois o sistema masculino de opress\u00e3o das mulheres. (Hartmann, 1979, p. 232)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1822, o Estado brasileiro deixou de ser colonizado por Portugal ap\u00f3s a Independ\u00eancia do Brasil, passando as suas pr\u00f3prias legisla\u00e7\u00f5es. O C\u00f3digo Civil de 1916 continha diversas previs\u00f5es legais discriminat\u00f3rias, fazendo com que as mulheres n\u00e3o tivessem direitos jur\u00eddicos que pudessem exercer ao contrair o casamento. Essa legisla\u00e7\u00e3o previa, de forma clara, a discrimina\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, designando ao homem soberania e poder nas decis\u00f5es do contexto familiar e sobre a vida da sua esposa, considerando-a inferior, sem poder exercer seu autogoverno. Vejamos o que diz o art. 233 do C\u00f3digo Civil brasileiro do ano de 1916:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 233. O marido \u00e9 o chefe da sociedade conjugal. Compete-lhe:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">I. a representa\u00e7\u00e3o legal da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">II. a administra\u00e7\u00e3o dos bens comuns e dos particulares da mulher, que ao marido competir administrar em virtude do regime matrimonial adaptado, ou do pacto antenupcial (arts. 178, \u00a7 9\u00ba, n\u00ba I, c,\u00a0274,\u00a0289, n\u00ba I, e\u00a0311).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">III.\u00a0direito de fixar e mudar o domic\u00edlio da fam\u00edlia (arts. 36\u00a0e\u00a0233, n\u00ba IV).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">IV. o direito de autorizar a profiss\u00e3o da mulher e a sua resid\u00eancia fora do tecto conjugal (arts. 231, n\u00ba II,\u00a0242, n\u00ba VII,\u00a0243 a 245, n\u00ba II, e\u00a0247, n\u00ba III).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">V. prover \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia, guardada a disposi\u00e7\u00e3o do\u00a0art. 277. (Brasil, 1916)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O art. 242, do mesmo c\u00f3digo, traz indaga\u00e7\u00f5es de que a mulher n\u00e3o poderia administrar bens sem a anu\u00eancia do seu c\u00f4njuge, fazendo com que a mulher fosse titulada de incapaz para realizar pr\u00e1ticas de neg\u00f3cios financeiros, dando assim permiss\u00e3o a pr\u00e1tica de viol\u00eancia patrimonial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 242. A mulher n\u00e3o pode, sem autoriza\u00e7\u00e3o do marido (art.251):&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">I. praticar os atos que este n\u00e3o poderia sem consentimento da mulher (art. 235).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">II. alienar; ou gravar de \u00f4nus real, os im\u00f3veis de seu dom\u00ednio particular, qualquer que seja o regime de bens (art. 263, n\u00ba II, III, VIII, 269, 275 e 310).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">III. alienar os seus direitos reais sobre im\u00f3veis de outra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">IV. aceitar ou repudiar heran\u00e7a ou legado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">V. aceitar tutela, curatela ou outro m\u00fanus p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">VI. litigiar em ju\u00edzo civil ou comercial, an\u00e3o ser nos casos indicados nos arts. 248 e 251&nbsp;VII. Exercer profiss\u00e3o (art. 233, n\u00ba IV)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">VIII. contrair obriga\u00e7\u00f5es, que possam importar em alhea\u00e7\u00e3o de bens do casal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">IX. acceitar mandato (art. 1299). (Brasil, 1916)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No per\u00edodo do s\u00e9culo XIX, a sociedade brasileira passou por transforma\u00e7\u00f5es denominadas como capitalismo. O casamento era uma via de interesse econ\u00f4mico e pol\u00edtico, sendo criada uma s\u00e9rie de estere\u00f3tipos, levando a sociedade a entender atrav\u00e9s de cren\u00e7as culturais que os sexos ocupariam lugares pr\u00e9-determinados, em que o homem era o chefe da sociedade conjugal e a mulher era designada ao espa\u00e7o dom\u00e9stico como cuidadora do lar, dos filhos e para procria\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, eram consideradas como objeto de posse dos maridos e deveriam ser fi\u00e9is, submissas e recolhidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Consequentemente as mulheres s\u00f3 eram respeitadas e honradas quando eram casadas puras e cumpriam o seu papel de esposa tradicionalista, fazendo com que tivessem como conceito de felicidade pr\u00f3pria o matrimonio, pois era uma forma de ter sua dignidade validada pela sociedade. Essa estereotipagem desenvolveu gatilhos para existir a discrimina\u00e7\u00e3o e a intoler\u00e2ncia no que diz respeito \u00e0s mulheres, violando os direitos em raz\u00e3o do g\u00eanero, contribuindo para v\u00e1rias formas de viol\u00eancia contra a mulher. Durante s\u00e9culos, a viol\u00eancia dom\u00e9stica n\u00e3o era vista como problema pol\u00edtico e social. Diante do poder do marido nas rela\u00e7\u00f5es afetivas, todo ato de viol\u00eancia praticado contra as mulheres era permitido e n\u00e3o existia nada em que o Estado pudesse intervir, j\u00e1 que as mulheres eram propriedades dos homens, dando \u00eanfase ao ditado popular \u201cem briga de marido e mulher, ningu\u00e9m mete a colher\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O in\u00edcio do feminismo brasileiro se deu por volta da d\u00e9cada de 1970, sendo um per\u00edodo importante para mulheres na luta por seus direitos. Nesse contexto, o termo \u201cviol\u00eancia dom\u00e9stica\u201d passou a ganhar for\u00e7as e ter visibilidade atrav\u00e9s desse movimento, conseguindo amplia\u00e7\u00e3o para discuss\u00e3o sobre a viol\u00eancia dom\u00e9stica abordando as formas de agress\u00f5es no contexto familiar. Com a repercuss\u00e3o e com a grande quantia de mulheres engajadas no movimento, as den\u00fancias das viol\u00eancias sofridas em seus relacionamentos come\u00e7aram a surgir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 30 de dezembro de 1976, \u00c2ngela Maria Fernandes Diniz, brasileira, foi v\u00edtima de quatro disparos de arma de fogo praticado pelo seu namorado, Raul Fernando do Amaral Street, na Praia dos Ossos, em Balne\u00e1rio de Arma\u00e7\u00e3o de B\u00fazios\/RJ, ap\u00f3s a v\u00edtima romper a rela\u00e7\u00e3o por se sentir livre e se enquadrar fora dos padr\u00f5es convencionais da sociedade. Em seu julgamento, Raul disse que teria matado por amor. Unidas, as feministas iniciaram uma campanha nacional com o slogan \u201cquem ama n\u00e3o mata\u201d, referindo-se a frase dita pelo autor do crime e clamando justi\u00e7a pelo homic\u00eddio contra \u00e0s mulheres que n\u00e3o era crime hediondo na \u00e9poca. Hoje, no Estado brasileiro, temos a Lei 13.104\/15 que altera o artigo 121 do C\u00f3digo Penal brasileiro, tendo a inclus\u00e3o da qualificadora do homic\u00eddio praticado contra a mulher em raz\u00f5es do sexo feminino prevista no inc. VI. (Brasil, 2015).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O crime ocorrido ficou registrado como um marco na luta pelos direitos das mulheres e conscientiza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia de g\u00eanero, tendo uma representa\u00e7\u00e3o significativa, desencadeando uma s\u00e9rie de manifesta\u00e7\u00f5es lideradas pelo movimento feminista. O fato \u00e9 citado at\u00e9 os dias atuais, ganhando repercuss\u00e3o novamente no ano de 2023 com o lan\u00e7amento do filme \u00c2ngela, que conta a hist\u00f3ria da rela\u00e7\u00e3o amorosa do casal e as consequ\u00eancias da conturbada rela\u00e7\u00e3o, que resultou em um dos crimes mais emblem\u00e1ticos do pa\u00eds. Foi estreado nos cinemas brasileiros em 07 de setembro de 2023, pela produtora Bravura Cinematogr\u00e1fica, produzido por F\u00e1bio Zavala e Daniel Caldeira, dispon\u00edvel no <em>streaming Amazon Prime<\/em> V\u00eddeo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos anos 80, o movimento feminista entrou em uma fase de grande signific\u00e2ncia, mantendo-se mais pr\u00f3spero na segunda onda de mulheres em busca da igualdade de g\u00eanero, igualdade salarial e representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. V\u00e1rias campanhas foram lan\u00e7adas em busca de conscientiza\u00e7\u00e3o para combater a viol\u00eancia dom\u00e9stica. Segundo Sarti:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos anos 1980 o movimento de mulheres no Brasil era uma for\u00e7a pol\u00edtica e social consolidada. Explicitou-se um discurso feminista em que estavam em jogo as rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero. As ideias feministas difundiram-se no cen\u00e1rio social do pa\u00eds, produto n\u00e3o s\u00f3 da atua\u00e7\u00e3o de suas porta-vozes diretas, mas tamb\u00e9m do clima receptivo das demandas de uma sociedade que se modernizava como a brasileira. Os grupos feministas alastraram-se pelo pa\u00eds. Houve significativa penetra\u00e7\u00e3o do movimento feminista em associa\u00e7\u00f5es profissionais, partidos, sindicatos, legitimando a mulher como sujeito social particular. (Sarti, 2004, p. 35-50)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1985, o Decreto n\u00ba 23.769\/1985, criou a primeira delegacia da mulher com intuito de investigar determinados delitos contra a v\u00edtima do sexo feminino previstos no C\u00f3digo Penal brasileiro, tornando-se uma grande conquista. Com a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, a cidadania das mulheres foi conquistada de fato, abolindo de vez as discrimina\u00e7\u00f5es contra elas, atrav\u00e9s do seu art. 5\u00ba: \u201cTodos s\u00e3o iguais perante a lei, sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa\u00eds a inviolabilidade do direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, \u00e0 igualdade, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 propriedade\u201d. (Brasil, 1988)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1994, foi adotada, na cidade de Bel\u00e9m do Par\u00e1, a Conven\u00e7\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos para prevenir, punir e erradicar a viol\u00eancia contra a mulher, tamb\u00e9m inclu\u00edda no ordenamento jur\u00eddico pelo Decreto de n\u00ba 1.973\/1996. A Conven\u00e7\u00e3o ficou conhecida no Brasil como Conven\u00e7\u00e3o Bel\u00e9m do Par\u00e1, com o objetivo de combater a viol\u00eancia de g\u00eanero e proteger os direitos das mulheres nas Am\u00e9ricas. Para a conven\u00e7\u00e3o, entende-se por viol\u00eancia contra as mulheres, onde consta em seu art. 1\u00ba: \u201cqualquer a\u00e7\u00e3o ou conduta, baseada no g\u00eanero, que cause morte, dano f\u00edsico, sexual ou psicol\u00f3gico \u00e0 mulher, tanto no \u00e2mbito p\u00fablico como no privado\u201d. (OEA, 1994). Por\u00e9m, foi apenas ap\u00f3s o caso de Maria da Penha que o Brasil adotou uma Lei com aparatos jur\u00eddicos para coibir e, especialmente, punir os autores de casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica (Brasil, 2023).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">3\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O CASO MARIA DA PENHA MAIA FERNANDES E A CRIA\u00c7\u00c3O DA LEI 11.340\/2006<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maria da Penha Maia Fernandes, foi v\u00edtima de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar de forma brutal, calculista e silenciosa, pelo seu marido, na \u00e9poca, Marco Ant\u00f4nio Heredia Viveros, colombiano. Os dois se conheceram no ano de 1974, em uma institui\u00e7\u00e3o de ensino superior. Com o passar do tempo, iniciaram um namoro, em que Marco era muito am\u00e1vel, gentil e sol\u00edcito com ela. Com o desejo de constituir uma fam\u00edlia, casaram-se, tiveram a sua primeira filha e decidiram morar na cidade de Fortaleza\/CE. Ap\u00f3s Marco conseguir sua cidadania brasileira, estabilidade profissional e econ\u00f4mica no pa\u00eds, iniciou os epis\u00f3dios de agress\u00f5es, demonstrando comportamentos explosivos, exaltando-se com muita facilidade em desfavor de Maria e de suas pr\u00f3prias filhas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ano de 1983, Maria da Penha foi surpreendida enquanto dormia, com um disparo de arma de fogo, que atingiu suas costas. Como consequ\u00eancia desse ato, ficou parapl\u00e9gica. Marco foi o autor do crime, mas para a pol\u00edcia, declarou que houve uma tentativa de assalto, onde, posteriormente, foi constatado pela per\u00edcia que n\u00e3o havia veracidade nessa informa\u00e7\u00e3o. Maria realizou duas cirurgias, precisou de tratamentos e ficou por quatro meses internada. Ao chegar em casa, foi mantida em c\u00e1rcere privado. Em um certo dia, enquanto tomava banho, o seu companheiro com o intuito de retirar a sua vida mais uma vez, tentou eletrocut\u00e1-la no chuveiro. Diante das leis vigentes \u00e0 \u00e9poca do fato, a fam\u00edlia e os amigos de Maria deram apoio jur\u00eddico, ajudando-a sair de casa sem que fosse representada por abandono de lar e n\u00e3o perdesse a guarda das suas tr\u00eas filhas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tendo em vista que na \u00e9poca do crime a lei favorecia o marido, Maria teve grandes desafios em busca de justi\u00e7a. O crime ocorrido em 1983 teve o primeiro julgamento no ano de 1991, oito anos ap\u00f3s o crime. Marco foi sentenciado a quinze anos de pris\u00e3o, mas devido a recursos solicitados pela sua defesa, saiu do f\u00f3rum em liberdade. Mesmo com toda dor e sede de justi\u00e7a, Maria escreve o livro \u201cSobrevivi, posso contar\u201d, que foi publicado no ano de 1994, no qual relata toda a sua experi\u00eancia no ciclo da viol\u00eancia e os andamentos do processo contra Marco. Em 1996, ocorreu o segundo julgamento e Marco foi condenado a dez anos e seis meses de pris\u00e3o, por\u00e9m, mais uma vez, a sua senten\u00e7a n\u00e3o foi cumprida sob alega\u00e7\u00f5es de irregularidades processuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1998 o caso ganhou uma repercuss\u00e3o internacional. No mesmo ano, a Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos recebeu a den\u00fancia de Maria da Penha Maia Fernandes atrav\u00e9s do Centro pela Justi\u00e7a e o Direito Internacional (CEJIL) e do Comit\u00ea Latino-americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher (CLADEM), os quais denunciaram o caso \u00e0 Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos (CIDH\/OEA). Embora ocorrido viola\u00e7\u00e3o por parte do Estado em infringir os direitos humanos, se manteve omisso e n\u00e3o se pronunciou a respeito em momento algum durante todo o processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2001, ap\u00f3s receber quatro of\u00edcios da CIDH\/OEA, o Brasil foi responsabilizado por neglig\u00eancia, omiss\u00e3o e toler\u00e2ncia a viol\u00eancia dom\u00e9stica praticada contra as mulheres brasileiras, sendo exigido quatro recomenda\u00e7\u00f5es ao pa\u00eds: tendo como primeira, o complemento r\u00e1pido e eficaz do processo penal de Marco pelas agress\u00f5es e tentativas de homic\u00eddio em desfavor de Maria da Penha; a segunda, elaborar uma investiga\u00e7\u00e3o com seriedade e imparcialidade para determinar a responsabilidade pelas irregularidades e atrasos injustificados que impediram o processamento r\u00e1pido e efetivo do respons\u00e1vel, bem como tomar as medidas administrativas, legislativas e judici\u00e1rias correspondentes; a terceira, adotar, sem preju\u00edzo das a\u00e7\u00f5es que possam ser instauradas contra o autor do fato, as medidas necess\u00e1rias para que o Estado assegure \u00e0 v\u00edtima adequada repara\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica e material pelas viola\u00e7\u00f5es aqui estabelecidas, particularmente por sua falha em oferecer um recurso r\u00e1pido e efetivo por manter o caso na impunidade por mais de quinze anos e por impedir, com esse atraso, a possibilidade oportuna de a\u00e7\u00e3o de repara\u00e7\u00e3o e indeniza\u00e7\u00e3o civil; a quarta, prosseguir e intensificar o processo, de forma que evite a toler\u00e2ncia estatal e o tratamento discriminat\u00f3rio com respeito \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica contra mulheres no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por conseguinte, a Comiss\u00e3o recomenda, particularmente, o seguinte: adotar medidas de capacita\u00e7\u00e3o e sensibiliza\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios judiciais e policiais especializados, para que compreendam a import\u00e2ncia de n\u00e3o tolerar a viol\u00eancia dom\u00e9stica; simplificar os procedimentos judiciais penais, a fim de que possa ser reduzido o tempo processual, sem afetar os direitos e garantias do devido processo; estabelecer procedimentos jur\u00eddicos, r\u00e1pidos e efetivos para a solu\u00e7\u00e3o de conflitos intrafamiliares, bem como de sensibiliza\u00e7\u00e3o com respeito \u00e0 sua gravidade e consequ\u00eancias penais que s\u00e3o geradas; multiplicar o n\u00famero de delegacias policiais especiais para a defesa dos direitos da mulher e dot\u00e1-las de recursos especiais necess\u00e1rios para a efetiva tramita\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o de todas as den\u00fancias de viol\u00eancia dom\u00e9stica; prestar apoio ao MP na prepara\u00e7\u00e3o de seus informes judiciais; bem como incluir em seus planos pedag\u00f3gicos unidades curriculares destinadas \u00e0 compreens\u00e3o da import\u00e2ncia do respeito a mulher e seus direitos reconhecidos na Conven\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m do Par\u00e1, como tamb\u00e9m ao manejo dos conflitos intrafamiliares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante do impacto ocasionado pela sociedade tradicionalista de mulheres que passavam pela mesma situa\u00e7\u00e3o de Maria da Penha, ou seja, esse n\u00e3o era um caso isolado, a sociedade p\u00f4de garantir uma lei que olhasse com mais cautela para essas v\u00edtimas, com atribui\u00e7\u00f5es e mecanismos de prote\u00e7\u00e3o, assim encorajando as mulheres.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>PREVENIR, PUNIR E ERRADICAR: O CONTEXTO DA LEI 11.340\/2006<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s as recomenda\u00e7\u00f5es da Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos e pressionamento da Organiza\u00e7\u00e3o de Direito das Mulheres para cria\u00e7\u00e3o da lei que as protegessem, o Congresso Nacional brasileiro aprovou a Lei 11.340\/2006, chamada de Lei Maria da Penha, como forma de homenagear Maria da Penha Maia Fernandes, que \u00e9 um s\u00edmbolo de luta contra a viol\u00eancia de g\u00eanero no Estado Brasileiro. Essa Lei prev\u00ea pol\u00edticas destinadas a prevenir, punir e erradicar a viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A preven\u00e7\u00e3o \u00e9 um fator importante para Lei, onde, atrav\u00e9s de campanhas de conscientiza\u00e7\u00f5es, pode evitar que a viol\u00eancia dom\u00e9stica ocorra. Ainda que j\u00e1 tenha ocorrido, ir\u00e1 prevenir danos maiores por meio das medidas protetivas de urg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a Lei Maria da Penha tenha apenas uma tipifica\u00e7\u00e3o penal em seu texto que \u00e9 o crime de descumprimento de Medidas Protetivas de Urg\u00eancia, presente no art. 24-A, tendo como puni\u00e7\u00e3o a pena de tr\u00eas meses a dois anos, as formas de viol\u00eancia elencadas no texto est\u00e3o presentes no C\u00f3digo Penal e suas penas s\u00e3o qualificadas em decorr\u00eancia da viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar. Al\u00e9m disso, ela prev\u00ea medidas punitivas para os agressores, atrav\u00e9s das MPU como: proibi\u00e7\u00e3o de aproxima\u00e7\u00e3o e contato com a v\u00edtima, assim como afastamento do lar de conviv\u00eancia com ela (Brasil 2006).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A lei tamb\u00e9m se tem como foco a erradica\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de a\u00e7\u00f5es educativas de conscientiza\u00e7\u00f5es, visando implantar uma mudan\u00e7a de comportamento e pensamento da sociedade para que a agress\u00e3o n\u00e3o seja vista como algo normal do cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2006, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), definiu como viol\u00eancia contra a mulher todo ato de viol\u00eancia praticado por motivo de g\u00eanero, dirigido em desfavor da mulher. A viol\u00eancia de g\u00eanero \u00e9 uma das formas de viol\u00eancia mais preocupante, pois muitas vezes faz com que a v\u00edtima continue dormindo com o agressor, embora tamb\u00e9m seja por falta de alternativas. Se faz necess\u00e1rio afirmar que as viol\u00eancias cometidas contra as mulheres nem sempre s\u00e3o por quest\u00f5es de pobreza, desigualdade social ou cultural, j\u00e1 que s\u00e3o perpetradas por v\u00e1rios n\u00edveis econ\u00f4micos. Segundo Bastos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A viol\u00eancia de g\u00eanero \u00e9, talvez, a mais preocupante forma de viol\u00eancia, porque, literalmente, a v\u00edtima, nesses casos, por absoluta falta de alternativa, \u00e9 obrigada a dormir com o inimigo. \u00c9 um tipo de viol\u00eancia que, na maioria das vezes, ocorre onde deveria ser um local de recesso e harmonia, onde deveria imperar um ambiente de respeito e afeto, que \u00e9 o lar, o seio familiar. (Bastos, 2007, p. 125)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 indubit\u00e1vel que a Lei 11.340\/2006, desde a sua cria\u00e7\u00e3o, produz e produziu resultados positivos para a sociedade brasileira. Os n\u00fameros de boletins de ocorr\u00eancias e solicita\u00e7\u00f5es de MPU crescem anualmente, embora lament\u00e1vel, traz a reflex\u00e3o de que a Lei est\u00e1 surtindo efeito no quesito den\u00fancia. Segundo a ONU, a Lei Maria da Penha \u00e9 uma das leis mais avan\u00e7adas do mundo, desde a sua cria\u00e7\u00e3o, ela nunca sofreu retrocessos e avan\u00e7a anualmente. Fernandez diz:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Lei Maria da Penha representa, sem d\u00favida, um grande e ineg\u00e1vel avan\u00e7o na normativa jur\u00eddica nacional no que se refere \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica contra as mulheres. A Lei modifica concretamente a resposta que o Estado d\u00e1 \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra as mulheres; rompe com paradigmas tradicionais do Direito; d\u00e1 maior \u00eanfase \u00e0 preven\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia e prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres e seus dependentes em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia, ao mesmo tempo em que fortalece a \u00f3ptica repressiva na medida necess\u00e1ria, e trata a quest\u00e3o na perspectiva da integralidade, multidisciplinaridade, complexidade e especificidade, como de fato se demanda que seja abordado o problema. (Fernandes, 2012, p. 187)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por alguns anos, a sociedade n\u00e3o acreditava na efic\u00e1cia da lei, tendo em vista que a pena era afian\u00e7\u00e1vel e os agressores pagavam suas fian\u00e7as com cestas b\u00e1sicas. Na atualidade, n\u00e3o existe fian\u00e7a e o agressor pode ser preso por suas condutas, que est\u00e3o previstas na LMP e qualificadas no C\u00f3digo de Processo Penal, existindo tamb\u00e9m a possibilidade de a v\u00edtima realizar as den\u00fancias dentro dos seus lares, conseguindo o afastamento do agressor do seu conv\u00edvio. Aqueles que possuem posse e porte de arma, mesmo que sejam agentes de seguran\u00e7a p\u00fablica, t\u00eam seu armamento apreendido at\u00e9 o final do processo judicial, sendo devolvido apenas em caso de absolvi\u00e7\u00e3o, como forma de prote\u00e7\u00e3o para as mulheres.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\u00a0FORMAS DE VIOL\u00caNCIA CONTRA A MULHER ELENCADAS NA LEI MARIA DA PENHA<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No art. 7\u00ba, incisos I, II, III, IV e V da Lei 11.340\/2006 s\u00e3o elencados cinco tipos de viol\u00eancia contra \u00e0 mulher, s\u00e3o elas: f\u00edsica, psicol\u00f3gica, sexual, patrimonial e moral. As viol\u00eancias s\u00e3o qualificadas de acordo com o C\u00f3digo Penal e se definem como:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A f\u00edsica, presente no inciso I, \u00e9 qualquer conduta que ofenda a integridade ou sa\u00fade corporal, mesmo que n\u00e3o haja vest\u00edgios vis\u00edveis. Geralmente \u00e9 a que possui mais visibilidade, sendo mais abordada nas campanhas voltadas ao tema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A psicol\u00f3gica, presente no inciso II, \u00e9 uma das que se faz mais presente nas rela\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar. S\u00e3o entendidas pelos atos de humilha\u00e7\u00e3o, manipula\u00e7\u00e3o, diminui\u00e7\u00e3o de autoestima, assim como qualquer conduta que ocasione em danos emocionais ou outro meio que cause preju\u00edzo \u00e0 sa\u00fade psicol\u00f3gica e autodetermina\u00e7\u00e3o. Geralmente em todos os tipos de viol\u00eancia t\u00eam-se danos psicol\u00f3gicos, atrav\u00e9s dos traumas correlacionados a essas viol\u00eancias, sendo uma grande causadora de gatilhos para desencadeio de ansiedade, depress\u00e3o, crise de p\u00e2nico, que muitas vezes podem ocorrer de forma impercept\u00edvel pela v\u00edtima, sendo capaz de acontecer durante o ciclo da viol\u00eancia e perdurar at\u00e9 mesmo ap\u00f3s o fim dessa rela\u00e7\u00e3o. Manzini fala sobre a viol\u00eancia psicol\u00f3gica:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A viol\u00eancia psicol\u00f3gica inicia-se de forma branda, com atos que passam despercebidos pela v\u00edtima, onde o agressor lan\u00e7a m\u00e3o de pequenos insultos a fim de tornar a v\u00edtima insegura e baixar sua autoestima, bem porque, para partir para agress\u00e3o f\u00edsica, o agressor precisa tornar a mulher desvalorizada de tal modo que ela aceite a agress\u00e3o e se sinta culpada pela viol\u00eancia sofrida. Assim, o agressor passa a dissuadir a mulher, visando que esta, manifestamente vulner\u00e1vel, torne-se emocionalmente dependente e aja conforme sua vontade, acatando suas decis\u00f5es e aceite o tratamento a ela despendido. (Manzini et al., 2019).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sexual, presente no inciso III, onde muitas v\u00edtimas n\u00e3o imaginam que est\u00e3o vivenciando esse tipo de viol\u00eancia, acreditando que \u00e9 um dever da mulher e um direito de o homem ter rela\u00e7\u00e3o carnal, assim como ser impedidas de fazer uso de meios contraceptivos, engravidar, abortar ou ser compelida \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de coa\u00e7\u00e3o, chantagem, manipula\u00e7\u00e3o e suborno. Antigamente era um dever da mulher, tido como obriga\u00e7\u00e3o marital ter rela\u00e7\u00e3o sexual com o seu marido quando ele quisesse (Brasil, 2006).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A patrimonial, que por muitas vezes s\u00e3o invis\u00edveis diante da sociedade e das rela\u00e7\u00f5es, descrita no inciso IV. S\u00e3o caracterizados como viol\u00eancia de patrim\u00f4nio a quebra de objetos pessoais, a desconstru\u00e7\u00e3o de um material de trabalho, proibi\u00e7\u00e3o de acessar sua conta banc\u00e1ria pessoal ou manusear o seu sal\u00e1rio, como tamb\u00e9m ter os documentos pessoais retidos. Normalmente, este tipo de viol\u00eancia est\u00e1 associado a outras viol\u00eancias, como a moral e psicol\u00f3gica, dado o controle de bens exercido pelo agressor (Brasil, 2006).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por \u00faltimo, a moral, que na maioria das vezes, est\u00e1 presente nas discuss\u00f5es matrimoniais atrav\u00e9s de xingamentos com palavras de baixo cal\u00e3o. O inciso V dessa lei protege \u00e0 honra da v\u00edtima contra as condutas de cal\u00fania, difama\u00e7\u00e3o ou inj\u00faria nas rela\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas e familiares (Brasil, 2006).<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\u00a0O CICLO DA LUA DE MEL: O CICLO DA VIOL\u00caNCIA DOM\u00c9STICA CONTRA A MULHER<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa teoria surgiu em 1979, pela psic\u00f3loga americana Lenore Walker, ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o de um estudo em que ela ouviu uma m\u00e9dia de 1500 mulheres em situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar, levando a diagnosticar tr\u00eas fases de um comportamento padr\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es abusivas entre homens e mulheres, denominando-o de: ciclo da viol\u00eancia. Dias fala sobre alguns sentimentos das v\u00edtimas que passaram pelo ciclo:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sil\u00eancio passa \u00e0 indiferen\u00e7a e \u00e0s reclama\u00e7\u00f5es, reprimendas, reprova\u00e7\u00f5es. Depois v\u00eam os castigos, as puni\u00e7\u00f5es. Os gritos transformam -se em empurr\u00f5es, tapas, socos, pontap\u00e9s, num crescer sem fim. As agress\u00f5es n\u00e3o se cingem \u00e0 pessoa da v\u00edtima, o var\u00e3o destr\u00f3i seus objetos de estima\u00e7\u00e3o, a envergonha em p\u00fablico, a humilha diante dos filhos. Sabe que estes s\u00e3o seu ponto fraco e os usa como massa de manobra, amea\u00e7ando maltrat\u00e1-los. O vitimizador sempre atribui a culpa \u00e0 mulher, tenta justificar seu descontrole na conduta da v\u00edtima, suas exig\u00eancias constantes de dinheiro, seu desleixo para com a casa e os filhos. Alega que foi ela quem come\u00e7ou, pois n\u00e3o faz nada certo, n\u00e3o faz o que ele manda. Ela acaba reconhecendo que em parte a culpa \u00e9 sua. Assim o perdoa. Para evitar a nova agress\u00e3o, recua, deixando mais espa\u00e7o para a agress\u00e3o. Depois&#8230; vem o arrependimento, pedidos de perd\u00e3o, choro, flores, promessas. A v\u00edtima sente-se melhor e acredita que ele vai mudar, e sente-se protegida, amada, querida. (Dias, 2010, p. 1)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira fase, denominada como aumento da tens\u00e3o, caracteriza-se pelo excesso de a\u00e7\u00f5es raivosas do agressor, muitas vezes por motivos f\u00fateis e insignificantes, como: crises de ci\u00fames doentio, inj\u00faria, cal\u00fania, difama\u00e7\u00f5es, destrui\u00e7\u00e3o de objeto e culpabiliza\u00e7\u00e3o da v\u00edtima pelo comportamento violento do agressor. Geralmente a v\u00edtima, mesmo aflita, tenta agir de forma mais d\u00f3cil poss\u00edvel, acreditando que \u00e9 s\u00f3 um dia ruim que o indiv\u00edduo passou. \u201cO ciclo da viol\u00eancia \u00e9 perverso. Primeiro vem o sil\u00eancio seguido da indiferen\u00e7a. Depois surge as reclama\u00e7\u00f5es reprimendas reprova\u00e7\u00f5es e come\u00e7am os castigos e as puni\u00e7\u00f5es\u201d. Dias (2013, p. 21)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A segunda fase \u00e9 chamada de explos\u00e3o, onde ocorre o ponto auge da tens\u00e3o, provocando o incidente agudo da viol\u00eancia, podendo gerar danos psicol\u00f3gico, moral, patrimonial e les\u00f5es corporais graves. A v\u00edtima fica coagida, desencadeia uma tens\u00e3o psicol\u00f3gica, sente medo, ansiedade e at\u00e9 vergonha de contar para as pessoas. Nesse momento, muitas v\u00edtimas desejam p\u00f4r um ponto final nesse ciclo, algumas saem de casa, terminam o relacionamento, tentam buscar ajuda e ir \u00e0 delegacia para realizar a den\u00fancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A terceira e \u00faltima fase \u00e9 chamada de lua de mel, onde a v\u00edtima est\u00e1 abalada e fragilizada psicologicamente ap\u00f3s toda a forma de viol\u00eancia sofrida. O agressor pede desculpas, promete mudan\u00e7a de comportamento, tornando-se am\u00e1vel e carinhoso. Com isso, a v\u00edtima acredita nas falsas promessas em que o companheiro pode mudar, por am\u00e1-lo e depender emocionalmente do agressor. Por\u00e9m, ele n\u00e3o muda e retorna \u00e0 primeira fase do ciclo, com um aumento de tens\u00e3o ainda maior, podendo desencadear fatalidades, como o feminic\u00eddio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">4\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 VIOL\u00caNCIA PATRIMONIAL \u00c0 LUZ DA LEI MARIA DA PENHA<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante do conte\u00fado literal do art. 7\u00ba, inciso IV da Lei 11.340\/2006, a viol\u00eancia patrimonial contra a mulher nas rela\u00e7\u00f5es dom\u00e9stica e familiar configura os atos de \u201creten\u00e7\u00e3o, subtra\u00e7\u00e3o, destrui\u00e7\u00e3o parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econ\u00f4micos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades\u201d. (Brasil, 2006)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com o artigo, o patrim\u00f4nio compreende-se como a soma dos direitos subjetivos de uma pessoa. Conceituados n\u00e3o apenas os de valores econ\u00f4mico-financeiro, mas aqueles que apresentam import\u00e2ncia ao trabalho da v\u00edtima, que tenha valores pessoais, emocionais e os que s\u00e3o necess\u00e1rios ao pleno exerc\u00edcio da vida civil. &nbsp;O art. 7\u00ba da LMP \u00e9 um rol taxativo e n\u00e3o se limita \u00e0s formas de viol\u00eancia elencadas, tendo em vista que h\u00e1 v\u00e1rias maneiras de viola\u00e7\u00e3o pela sociedade. Na pr\u00e1tica, s\u00e3o exemplos de viol\u00eancia ao patrim\u00f4nio: impedir que a companheira tome decis\u00f5es financeiras e administre suas finan\u00e7as; obrigar a v\u00edtima a assinar documentos financeiros contra a sua vontade; n\u00e3o permitir o uso do direito de trabalhar; reter o sal\u00e1rio; se apropriar de bens m\u00f3veis e im\u00f3veis, entre outros (Brasil, 2006).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A viol\u00eancia patrimonial \u00e9 compreendida atrav\u00e9s da an\u00e1lise de quest\u00f5es de g\u00eanero, para que se entenda as desigualdades que s\u00e3o atribu\u00eddas entre homens e mulheres. Consequentemente, a viol\u00eancia de g\u00eanero \u00e9 gerada atrav\u00e9s de mecanismos de poder, onde s\u00e3o respaldados e protegidos pelo conservadorismo e discursos culturais que privilegiam o homem e atribuem um lugar de fala para as mulheres, como se elas devessem se sentir e agir como algu\u00e9m que est\u00e1 aguardando um posicionamento para saber o que acontecer\u00e1 com ela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 importante ressaltar que h\u00e1 uma invisibilidade da viol\u00eancia patrimonial no Brasil. Geralmente nas campanhas de preven\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o \u00e0 n\u00e3o viol\u00eancia contra a mulher, vemos mulheres com hematomas, cicatrizes de agress\u00f5es em seus corpos e relatos de viol\u00eancia f\u00edsica, mas pouco se fala sobre a prote\u00e7\u00e3o aos seus bens diante da Lei Maria da Penha de forma isolada perante as outras viol\u00eancias. Segundo Pereira, a viol\u00eancia patrimonial \u00e9:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um tipo de viol\u00eancia desconhecido por muitas mulheres, apesar de estar presente em suas vidas, seja nas den\u00fancias isoladamente ou de forma conjugada com outros tipos de viol\u00eancia, principalmente psicol\u00f3gica, associada \u00e0 perda de bens, tanto de valor material quanto sentimental. (Pereira, <em>et. al,<\/em> 2013, p. 26).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em campanhas, geralmente utiliza-se imagens de mulheres com marcas de les\u00f5es f\u00edsicas, para enfatizar a conscientiza\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra a mulher.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao olhar para figura imagina-se que \u00e9 apenas da viol\u00eancia f\u00edsica que est\u00e1 sendo tratada, diante das les\u00f5es expostas pelo corpo da mulher apresentada, fazendo com que as v\u00edtimas n\u00e3o tenham conhecimento sobre a den\u00fancia de outros tipos de viol\u00eancia presentes na Lei Maria da Penha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No m\u00eas de outubro do ano de 2023, a jornalista global Patr\u00edcia Ramos denunciou seu ex-c\u00f4njuge por pr\u00e1tica de viol\u00eancia dom\u00e9stica, \u201cEle abriu uma conta no meu nome sem eu saber. Ele ficava com meu dinheiro. E quando eu descobri isso foi um dos motivos que fizeram eu ter for\u00e7a para denunciar.\u201d (Rede Globo, 2023). Al\u00e9m da viol\u00eancia f\u00edsica, psicol\u00f3gica e moral sofrida, a viol\u00eancia patrimonial foi uma das que deram for\u00e7as para que o caso fosse denunciado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No dia 10 de novembro de 2023, em um programa de televis\u00e3o brasileiro \u201cencontro\u201d, a v\u00edtima relatou que seu ex-marido n\u00e3o aceitava que os dois tivessem contas banc\u00e1rias separadas, sendo necess\u00e1rio fazer uma conta conjunta onde Diogo movimentava a conta e realizava transfer\u00eancias, sem que houvesse o consentimento da v\u00edtima, al\u00e9m de ficar com o dinheiro de alguns trabalhos dela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na den\u00fancia, ela detalha que uma conta foi aberta no Ita\u00fa ap\u00f3s Diogo saber da inten\u00e7\u00e3o dela de se divorciar. No entanto, Patr\u00edcia alega que a abertura foi feita&nbsp;sem a presen\u00e7a dela&nbsp;e que Diogo&nbsp;n\u00e3o teria procura\u00e7\u00e3o ou autoriza\u00e7\u00e3o&nbsp;em nome dela para realiz\u00e1-la. Ainda segundo o documento, Diogo teria usado a boa-f\u00e9 do gerente e justificado que&nbsp;queria fazer uma surpresa para a ent\u00e3o esposa. (Rede Globo, 2023)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Patr\u00edcia tamb\u00e9m contou que quando solicitou o div\u00f3rcio, Diego pediu dinheiro, impondo o pagamento de R$: 400.000,00, para que fosse assinado o div\u00f3rcio. \u201cEle n\u00e3o queria assinar o papel, a separa\u00e7\u00e3o. Ele ficava me perseguindo, me rondando. At\u00e9 que ele come\u00e7ou a me pedir dinheiro para assinar o div\u00f3rcio. Foi uma chantagem financeira.\u201d (Rede Globo, 2023)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de praticar v\u00e1rios tipos de viol\u00eancias contra Patr\u00edcia, n\u00e3o era apenas o dano f\u00edsico e emocional que Diego deseja atingir, ele visava o patrim\u00f4nio dela como uma via de interesse para obter vantagens pessoais.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>ESTELIONATO AMOROSO: A VIOL\u00caNCIA PATRIMONIAL SILENCIOSA<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existem casos em que as v\u00edtimas n\u00e3o est\u00e3o correlacionadas com uma vida conturbada de agress\u00f5es f\u00edsicas, psicol\u00f3gicas, morais e sexuais. Elas se sentem amadas, \u00fanicas e que encontraram o grande amor da sua vida. Mas por outro lado existe um golpista em busca de conseguir vantagens. Geralmente conhecido por estelionato amoroso ou sentimental, esse crime \u00e9 tipificado no contexto de viol\u00eancia dom\u00e9stica contra a mulher.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estelionato amoroso \u00e9 um enganador que utiliza formas de manipula\u00e7\u00f5es emocionais contra as v\u00edtimas, em busca de conseguir vantagens financeiras ou outros benef\u00edcios. Geralmente os criminosos est\u00e3o nas redes sociais \u00e0 procura de v\u00edtimas, muitas delas s\u00e3o mulheres maduras, ou que estejam passando por momentos dif\u00edceis emocionalmente, como o luto. Alguns desses relacionamentos s\u00e3o mantidos a dist\u00e2ncia, por chamada de v\u00eddeo. Os golpistas fazem promessas de amor e preenchem a aus\u00eancia da presen\u00e7a f\u00edsica com muito carinho em forma de palavras, gestos, promessas de casamento, at\u00e9 conseguirem confian\u00e7a e come\u00e7am a agir de forma manipuladora. Quando menos se espera, a v\u00edtima come\u00e7a a ser explorada financeiramente, em que o fraudador cria hist\u00f3rias sobre falsas necessidades com o intuito de extorquir dinheiro, bens m\u00f3veis e im\u00f3veis, assim como assist\u00eancias financeiras. Muitos tamb\u00e9m fazem o uso de identidades fict\u00edcias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estelionato pode ocorrer por meio de redes sociais, aplicativos amorosos ou pessoalmente. Al\u00e9m das perdas financeiras, as v\u00edtimas tamb\u00e9m sofrem os efeitos emocionais da trai\u00e7\u00e3o e da manipula\u00e7\u00e3o, que podem incluir sentimentos de vergonha e raiva, resultando, assim, em perdas patrimoniais e danos emocionais. Esse termo foi utilizado pela primeira vez no ordenamento jur\u00eddico brasileiro no ano de 2013, na 7\u00aa Vara C\u00edvel de Bras\u00edlia, sendo uma a\u00e7\u00e3o movida por Suzana Oliveira Del Bosco Jardim em face de Sergio Ant\u00f4nio Pinheiro de Oliveira. A posteriori, o referido processo foi remetido para a 5\u00aa Turma C\u00edvel do Tribunal de Justi\u00e7a do Distrito Federal, que conservou a senten\u00e7a <em>a quo,<\/em> ocasionando a puni\u00e7\u00e3o do homem, considerado ex-namorado da requerente, a restitu\u00ed-la em pec\u00fania, em circunst\u00e2ncias das d\u00edvidas por ela contra\u00eddas no decurso do relacionamento amoroso (Distrito Federal, 2023).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Baseado em fatos, a <em>Netflix<\/em> produziu um document\u00e1rio chamado: O Golpista do <em>Tinder<\/em>, contando a hist\u00f3ria de Simon Yehuda Hayut, um israelense que ficou conhecido com o nome de Simon Leviev (nome utilizado no <em>Tinder<\/em>), o qual utilizava o aplicativo de relacionamento para obter vantagens financeiras. Lan\u00e7ado pela plataforma no ano de 2022, o document\u00e1rio relata sobre os golpes aplicados por Simon entre 2017 e 2019, e como ficaram conhecidos mundialmente. Simon se mostrava ser um homem atraente e passava a falsa hist\u00f3ria para as v\u00edtimas de que era filho de um magnata dos diamantes israelense-russo Lev Leviev, propriet\u00e1rio da <em>LDD Diamonds<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A narrativa dos fatos se d\u00e1 a \u00f3tica de tr\u00eas mulheres, come\u00e7ando por Cecile com quem Simon namorou. Ela estava apaixonada e acreditava em todo o luxo vivido ao seu lado. Ap\u00f3s conseguir a sua confian\u00e7a, Leviev contou uma hist\u00f3ria que estava sendo perseguido por inimigos e precisaria de sua ajuda financeira. Por am\u00e1-lo e confiar em suas promessas de reembolsar todo dinheiro gasto, empresta seu cart\u00e3o <em>Amex<\/em> e faz empr\u00e9stimos totalizando o valor de US$ 250 mil d\u00f3lares. Logo depois, Pernilla, que teve uma tarde rom\u00e2ntica ao lado de Simon, mas por n\u00e3o conseguirem ter uma atra\u00e7\u00e3o f\u00edsica, ficaram amigos. Mesmo assim, usando a mesma narrativa contada a Cecile, Pernilla o empresta US$ 40 mil. Diferente de Cecile, ela procura uma importante m\u00eddia norueguesa e consegue publicar a sua hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Posteriormente, Ayleen, que era namorada do Simon h\u00e1 um ano e dois meses descobre toda a sua farsa pelas m\u00eddias. Ele nega e diz que elas foram pagas para mentir. Ela finge acreditar na verdade do seu amado, mas contata Pernilla que juntas ajudam a prend\u00ea-lo. O document\u00e1rio inspirou o nome dado a um caso brasileiro ocorrido no ano de 2021, chamando-o de gal\u00e3 do <em>Tinder<\/em>. Renan Augusto Gomes, utilizava perfis falsos em aplicativos de relacionamentos se passando por filho de alem\u00e3es. Seu foco era conquistar mulheres de classe m\u00e9dia alta, assumindo namoros, alguns deles chegou a conhecer os familiares das v\u00edtimas. Com um tempo de relacionamento, quando conquistava confian\u00e7a, iniciava os pedidos de dinheiro emprestado declarando que estava com problemas no banco e que precisava dos valores para manter uma suposta empresa. Ele foi preso no ano de 2022, ap\u00f3s uma das v\u00edtimas denunci\u00e1-lo em desfavor de um preju\u00edzo de R$: 150.000,00. Depois da repercuss\u00e3o do crime, foram identificadas ao menos cinco novas v\u00edtimas, uma delas alegou perder meio milh\u00e3o de reais para o golpista.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>MECANISMO DE PROTE\u00c7\u00c3O \u00c0 V\u00cdTIMA DE VIOL\u00caNCIA PATRIMONIAL ART. 24, LEI 11.340\/2006<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pr\u00f3pria Lei Maria da Penha traz medidas cautelares em seu artigo 24, como forma de coibir a viol\u00eancia patrimonial em casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 24. Para a prote\u00e7\u00e3o patrimonial dos bens da sociedade conjugal ou daqueles de propriedade particular da mulher, o juiz poder\u00e1 determinar, liminarmente, as seguintes medidas, entre outras:<a><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">I &#8211; restitui\u00e7\u00e3o de bens indevidamente subtra\u00eddos pelo agressor \u00e0 ofendida;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>II &#8211; proibi\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria para a celebra\u00e7\u00e3o de atos e contratos de compra, venda e loca\u00e7\u00e3o de propriedade em comum, salvo expressa autoriza\u00e7\u00e3o judicial;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>III &#8211; suspens\u00e3o das procura\u00e7\u00f5es conferidas pela ofendida ao agressor;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>IV &#8211; presta\u00e7\u00e3o de cau\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria, mediante dep\u00f3sito judicial, por perdas e danos materiais decorrentes da pr\u00e1tica de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a ofendida. (Brasil, 2006)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A v\u00edtima poder\u00e1 registrar boletim de ocorr\u00eancia, representar criminalmente em desfavor do enganador e, se necess\u00e1rio, solicitar medidas protetivas de urg\u00eancia. Assim como, conseguir a restitui\u00e7\u00e3o de bens e suspender as procura\u00e7\u00f5es utilizadas para vendas, compras e movimenta\u00e7\u00f5es financeiras. Tamb\u00e9m poder\u00e1 solicitar em Vara C\u00edvel danos morais e materiais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">5\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 REDE DE SERVI\u00c7OS PARA AS MULHERES V\u00cdTIMAS DE VIOL\u00caNCIA DOM\u00c9STICA E FAMILIAR NO ESTADO DA PARA\u00cdBA<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ano de 2022, segundo a Pol\u00edcia Civil da Para\u00edba, foram registrados no Estado um total de 4.072 solicita\u00e7\u00f5es de medidas protetivas de urg\u00eancia por mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar, totalizando uma m\u00e9dia de 11 solicita\u00e7\u00f5es por dia. Assim como foram instaurados 3.047 inqu\u00e9ritos policiais de viol\u00eancia dom\u00e9stica e 1.269 autos de pris\u00e3o em flagrante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante desse cen\u00e1rio, a seguran\u00e7a p\u00fablica do Estado precisa mapear estrat\u00e9gias de combate e prote\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas. A rede de atendimento \u00e0s v\u00edtimas deu in\u00edcio na d\u00e9cada de 1980, com a Unidade de Policial de Atendimento \u00e0 Mulher (UPAM), atrav\u00e9s da Seguran\u00e7a P\u00fablica da capital, destinando o atendimento para as mulheres em situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia (Para\u00edba, 2023). No entanto, no decorrer dos anos, a Para\u00edba conseguiu amplificar o aux\u00edlio \u00e0s v\u00edtimas atrav\u00e9s de servi\u00e7os, institui\u00e7\u00f5es, \u00f3rg\u00e3os governamentais e n\u00e3o governamentais. Hoje o Estado possui uma extens\u00e3o de rede de servi\u00e7os para as mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, composta por institui\u00e7\u00f5es e recursos para proteger, apoiar, dar assist\u00eancia legal e psicol\u00f3gica. Os componentes de redes de servi\u00e7os incluem:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Delegacias Especializadas de Atendimento \u00e0 Mulher: em 1987 foi inaugurada duas DEAM\u2019s por meio do decreto 11.276\/87, uma na cidade de Jo\u00e3o Pessoa, hoje atual DEAM Norte e outra na cidade de Campina Grande. Atualmente s\u00e3o 14 delegacias especializadas de atendimento \u00e0 mulher, em v\u00e1rias cidades do estado. Uma delas, a DEAM Sul, \u00e9 a \u00fanica com funcionamento de 24h at\u00e9 o momento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Casa Abrigo: de car\u00e1ter sigiloso e tempor\u00e1rio, abrigam as v\u00edtimas que est\u00e3o em risco iminente de morte, em decorr\u00eancia da viol\u00eancia dom\u00e9stica. As casas funcionam de acordo com decreto de n\u00ba 42.213\/22 e 42.308\/22. Na Para\u00edba, as v\u00edtimas podem contar com o apoio de duas casas de acolhimento: a Casa Abrigo Aryane Thais que funciona na capital do estado e a Casa de Abrigamento Provis\u00f3rio Irene de Sousa Rolim, que funciona no munic\u00edpio de Sousa, no sert\u00e3o do estado. As casas possuem policiamento 24 horas e equipes multiprofissionais, compostas por assistente social, advogada, psic\u00f3loga, educadora social e enfermeira. As v\u00edtimas s\u00e3o encaminhadas por meio da Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade Humana, das DEAM\u2019s ou por outro meio de servi\u00e7o da Rede de Atendimento \u00e0s Mulheres em Situa\u00e7\u00e3o de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica da Para\u00edba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Centros de Refer\u00eancia: atualmente, a Para\u00edba possui 07 Centros de Refer\u00eancia de Atendimento \u00e0 Mulher (CRAM\u2019s), sendo eles: Centro de Refer\u00eancia de Atendimento \u00e0 Mulher Ednalva Bezerra, localizado na cidade de Jo\u00e3o Pessoa; Centro Estadual de Refer\u00eancia da Mulher F\u00e1tima Lopes \u2013 CERMF e Centro de Refer\u00eancia de Atendimento \u00e0 Mulher Professora Ana Luiza Mendes Leite, localizados na cidade de Campina Grande; Centro Intermunicipal de Atendimento \u00e0s Mulheres do Cariri Maria Eliane Pereira dos Anjos \u2013 CIAMC, localizado na cidade de Sum\u00e9; Centro de Refer\u00eancia da Mulher Susane Alves da Silva, localizado na cidade de Cajazeiras; Centro de Refer\u00eancia de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Mulher, localizado nas cidades de Santa Luzia e Patos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Delegacia online: al\u00e9m das delegacias f\u00edsicas, as v\u00edtimas poder\u00e3o solicitar de forma remota em desfavor dos seus agressores: medidas protetivas de urg\u00eancia ou boletim de ocorr\u00eancia. Exceto, quando houver viol\u00eancia sexual. O procedimento \u00e9 realizado atrav\u00e9s do site delegaciaonline.pb.gov.br e possui uma aba para Viol\u00eancia Dom\u00e9stica contra \u00e0 Mulher. Essa \u00e9 uma forma de auxiliar as v\u00edtimas que se sentem envergonhadas em ir at\u00e9 as delegacias, assim como para as v\u00edtimas que est\u00e3o sendo mantidas em c\u00e1rcere privado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Disque Den\u00fancia: o disque 180 \u00e9 um servi\u00e7o nacional, podendo ser acessado at\u00e9 em outros pa\u00edses. \u00c9 um canal de den\u00fancia e apoio \u00e0s mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar. O servi\u00e7o registra e encaminha as den\u00fancias aos \u00f3rg\u00e3os competentes que prontamente fornecem informa\u00e7\u00f5es \u00e0s v\u00edtimas sobre os seus direitos e quais os locais de rede de apoio adequado ao caso mais pr\u00f3ximo do local que ela se encontra. A liga\u00e7\u00e3o \u00e9 gratuita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maternidades e Hospitais referenciados para o Atendimento da Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Sexual: na Para\u00edba, as v\u00edtimas contam com a assist\u00eancia de 13 hospitais e maternidades de algumas cidades do estado. Sendo eles: Jo\u00e3o Pessoa, capital do estado, temos o Hospital de Emerg\u00eancia e Trauma Senador Humberto Lucena, Maternidade Frei Dami\u00e3o, Instituto e Maternidade C\u00e2ndida Vargas, Hospital da Pol\u00edcia Militar General Edson Ramalho e Hospital Infantil Arlinda Marques. Na cidade de Campina Grande, que \u00e9 a segunda maior cidade da Para\u00edba temos o Instituto Elp\u00eddio de Almeida (ISEA) e o Hospital Regional de Emerg\u00eancia e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes. Nas cidades do agreste, borborema e sert\u00e3o paraibano, temos Hospital Regional de Cajazeiras, Hospital Regional de Guarabira, Hospital e Maternidade Santa Filomena, Maternidade Peregrino Filho, Hospital e Maternidade Sinh\u00e1 Carneiro e o Hospital Regional de Sousa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m dos atendimentos citados, as duas principais universidades do Estado oferecem atendimento \u00e0s v\u00edtimas estudantes: UEPB \u2013 Campus \u2013 Campina Grande, o N\u00facleo de Investiga\u00e7\u00f5es e Interven\u00e7\u00f5es em Tecnologias Sociais e na UFPB \u2013 N\u00facleo de Jo\u00e3o Pessoa, o Comit\u00ea de Pol\u00edticas de Preven\u00e7\u00e3o e Enfretamento \u00e0 Viol\u00eancia Contra as Mulheres na UFPB.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ronda Maria da Penha: o programa foi institu\u00eddo no ano de 2016, tornando-se Lei Municipal de n\u00ba 13.772 em Jo\u00e3o Pessoa, na capital da Para\u00edba. Tem por objetivo, de forma multidisciplinar, acolher e monitorar as mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar que possuem medidas protetivas de urg\u00eancia vigentes e que residem na cidade. O programa conta com atendimentos na \u00e1rea de sa\u00fade como: psic\u00f3loga e assistente social especializadas. \u00c9 ofertado tamb\u00e9m atendimento jur\u00eddico, rondas e a\u00e7\u00f5es educativas para a sociedade pessoense.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Patrulha Maria da Penha: atualmente, atende 100 de 223 munic\u00edpios do estado que possuem medidas protetivas de urg\u00eancia e tem por objetivo ofertar acompanhamento preventivo e peri\u00f3dico, garantindo maior prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar. Essas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o desenvolvidas em um conjunto, entre a Coordenadoria da Mulher; Coordenadoria da Mulher em Situa\u00e7\u00e3o de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar do TJPB; Secretaria de Seguran\u00e7a e Defesa Social (SESDS), por meio da Pol\u00edcia Militar; Pol\u00edcia Civil; Coordena\u00e7\u00e3o das Delegacias Especializadas de Mulheres e Secretaria da Mulher e da Diversidade Humana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Promotorias, Defensorias e Juizados: As v\u00edtimas podem ir at\u00e9 o local ou serem encaminhadas por outras redes de servi\u00e7os. Em Jo\u00e3o Pessoa, as v\u00edtimas podem contar com a Promotoria de Justi\u00e7a Especializada de Defesa da Mulher em Situa\u00e7\u00e3o de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar; Defensoria Especializada de Atendimento \u00e0 Mulher\/N\u00facleo de Atendimento \u00e0s Mulheres V\u00edtimas de Viol\u00eancia da Defensoria P\u00fablica da Para\u00edba e Juizado Especial de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar Contra a Mulher. Em Campina Grande, podem contar com a Promotoria de Justi\u00e7a Especializada de Defesa da Mulher em Situa\u00e7\u00e3o de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar e o Juizado Especial de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar Contra a Mulher.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Importante destacar que a capital paraibana tem a Lei n\u00ba 13.566\/2018 (Lei Marielle Franco), tendo por objetivo o ensino de no\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas da Lei Maria da Penha, na rede de ensino municipal de Jo\u00e3o Pessoa\/PB, sendo direcionadas aos professores e alunos, como forma de impulsionar o conhecimento sobre a lei, fazendo com que tenha a desnaturaliza\u00e7\u00e3o a viol\u00eancia contra as mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para abordagem das redes de servi\u00e7os, foi utilizado a Guia de Rede de Enfrentamento e Atendimento a Viol\u00eancia Dom\u00e9stica, como meios utilizados ao apoio a quem sofre a viol\u00eancias dom\u00e9sticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">6\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considerando tudo o que foi apresentado neste trabalho em rela\u00e7\u00e3o ao tema proposto, fica evidente que existe uma enorme lacuna a preencher em termos de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher. A viol\u00eancia patrimonial sempre esteve presente em todas as sociedades desde a antiguidade, sob diferentes formas. A cria\u00e7\u00e3o do patriarcado teve grande relev\u00e2ncia para que houvesse a figura do homem correlacionada ao poder e a mulher submissa ao marido. Essa estrutura social gerou e perpetuou, historicamente a viol\u00eancia patrimonial contra as mulheres, tendo o ordenamento jur\u00eddico como corrobora\u00e7\u00e3o para que os homens fossem considerados chefe conjugal, com poderes que se estenderam a quest\u00e3o patrimonial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s grandes lutas feministas, foi criado a Lei Maria da Penha, no estado brasileiro, com objetivo de prevenir, punir e erradicar a viol\u00eancia contra a mulher. Mas para alcan\u00e7ar esse contexto \u00e9 necess\u00e1rio perseverar no processo de desnaturaliza\u00e7\u00e3o das desigualdades entre homens e mulheres, de forma que conscientize a popula\u00e7\u00e3o e modifique a opini\u00e3o p\u00fablica, n\u00e3o apenas da viol\u00eancia f\u00edsica, mas tamb\u00e9m daquelas que agem de maneira silenciosa, assim como a viol\u00eancia patrimonial que traz al\u00e9m de danos financeiros, psicol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em virtude dos fatos mencionados, conclui-se que a viol\u00eancia patrimonial contra a mulher \u00e9 invis\u00edvel e silenciada pela sociedade, fazendo com que \u00e0s v\u00edtimas n\u00e3o tenham consentimento desse tipo de viol\u00eancia como um caso isolado. Desta forma, \u00e9 menos denunciada e identificada. Portanto, \u00e9 muito importante difundir, cada vez mais, informa\u00e7\u00f5es acerca do tema, para que as mulheres v\u00edtimas deste tipo de viol\u00eancia possam reivindicar os seus direitos. No entanto, \u00e9 de extrema import\u00e2ncia que haja investimento em campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o, que constituem um mecanismo primordial para preven\u00e7\u00e3o e combate da viol\u00eancia. Assim como, a implementa\u00e7\u00e3o da Lei Marielle Franco no munic\u00edpio de Jo\u00e3o Pessoa que visa desconstruir os estere\u00f3tipos criados no patriarcado nas escolas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, ap\u00f3s analises, foi identificado que faltam pesquisas e dados que identifique a quantidade de v\u00edtimas desses casos isolados, assim como, campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o acerca da viol\u00eancia patrimonial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REFER\u00caNCIAS<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BASTOS, Marcelo Lessa. Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar contra a Mulher \u2013 Lei \u201cMaria da Penha\u201d \u2013 Alguns coment\u00e1rios. In: FREITAS, Andr\u00e9 Guilherme Tavares de (org.). <strong>Novas Leis de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica contra a Mulher e de T\u00f3xicos<\/strong> (Lei 11.340\/06 e 11.343\/06) Doutrina e Legisla\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL, <strong>Conven\u00e7\u00e3o interamericana para prevenir, punir e erradicar a viol\u00eancia contra a mulher, \u201cConven\u00e7\u00e3o de Bel\u00e9m do Par\u00e1\u201d<\/strong>. Brasil, 1994. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.cidh.org\/basicos\/portugues\/m.belem.do.para.htm.&gt;Acesso em 03 nov.2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL, <strong>Constitui\u00e7\u00e3o 1988. <\/strong>Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Federativa do Brasil de 1988. Bras\u00edlia: Presidente da Rep\u00fablica, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL, <strong>Lei 3.071 de 01 de janeiro de 1916<\/strong>. C\u00f3digo Civil dos Estados Unidos do Brasil. Bras\u00edlia: Presidente da Rep\u00fablica, 1916. Dispon\u00edvel em:&lt; <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l3071.htm\">https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l3071.htm<\/a>&gt;. Acesso em 05 nov. 2023<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. <strong>Lei n\u00ba. 11.340, de 07 de agosto de 2006. <\/strong>Lei Maria da Penha. Bras\u00edlia: Presidente da Rep\u00fablica, 2006.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL, <strong>Lei 13.104, de 09 de mar\u00e7o de 2015<\/strong>. Brasil, 2015. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2015\/lei\/l13104.htm\">https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2015\/lei\/l13104.htm<\/a>.&gt; Acesso em 17 nov.2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CERQUEIRA, D. et. al. <strong>Avaliando a Lei Maria da Penha<\/strong>. Bras\u00edlia: Ipea, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DIAS, Maria Berenice. <strong>A Lei Maria da Penha na justi\u00e7a<\/strong>: a efetividade da Lei 11.340\/2006 de combate \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher. S\u00e3o Paulo: Revista dos Tribunais, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DIAS, Maria Berenice. <strong>A Lei Maria da Penha na justi\u00e7a<\/strong>: a efetividade da Lei 11.340\/2006 de combate \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher. S\u00e3o Paulo: Revista dos Tribunais, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DISTRITO FEDERAL. Tribunal de Justi\u00e7a.&nbsp;<strong>Senten\u00e7a dos Autos n. 0012574-32.2013.807.0001.<\/strong>&nbsp;Requerente: Suzana Oliveira Del Bosco Tardim. Requerido: Sergio Antonio Pinheiro De Oliveira. Juiz: Luciano dos Santos Mendes. Bras\u00edlia, 08 set. 2014. Dispon\u00edvel em: https:\/\/bit.ly\/3TjXfIK. Acesso em: 29 set 2023<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FERNANDES, Maria da Penha. <strong>Sobrevivi&#8230; Posso contar<\/strong>. 2ed. Fortaleza: Armaz\u00e9m da Cultura, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HARTMAN, Heid.<strong> The unhappy marriage of marxism and feminism<\/strong>: towards a more progressive union, capital and class, London, v. 3, n. 2,1979.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>INSTITUTO MARIA DA PENHA. <\/strong>IMP.2023. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.institutomariadapenha.org.br\/lei-11340\/resumo-da-lei-maria-da-penha.html\">https:\/\/www.institutomariadapenha.org.br\/lei-11340\/resumo-da-lei-maria-da-penha.html<\/a>; Acesso em 15 set. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MANZINI, Luana; VELTER; Stela Cunha. Viol\u00eancia psicol\u00f3gica contra mulheres: uma abordagem com os instrumentos previstos na Lei Maria da Penha. <strong>Jusbrasil<\/strong>. 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MATO GROSSO DO SUL, Minist\u00e9rio P\u00fablico. <strong>Campanha estamos aqui para apoiar voc\u00ea<\/strong>. Dispon\u00edvel em:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&lt; <a href=\"https:\/\/www.mpms.mp.br\/noticias\/2020\/11\/acolhimento-as-mulheres-vitimas-de-violencia-e-tema-de-campanha-do-mpms\">https:\/\/www.mpms.mp.br\/noticias\/2020\/11\/acolhimento-as-mulheres-vitimas-de-violencia-e-tema-de-campanha-do-mpms<\/a>&gt;. Acesso em 15 nov. 2023<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PARA\u00cdBA, Secretaria de estado da Mulher da Diversidade Humana. SEMDH\/PB. <strong>Guia da rede de enfrentamento e atendimento \u00e2 viol\u00eancia dom\u00e9stica e sexual. Para\u00edba.<\/strong> Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.tjpb.jus.br\/sites\/default\/files\/anexos\/2021\/04\/guia_da_rede_de_enfrentamento_e_atendimento_a_violencia_domestica_e_sexual_1-1.pdf\">https:\/\/www.tjpb.jus.br\/sites\/default\/files\/anexos\/2021\/04\/guia_da_rede_de_enfrentamento_e_atendimento_a_violencia_domestica_e_sexual_1-1.pdf<\/a>; Acesso em: 03 nov 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PEREIRA, R. et. al. O fen\u00f4meno da viol\u00eancia patrimonial contra a mulher:percep\u00e7\u00f5es das v\u00edtimas<strong>.&nbsp;Revista Brasileira de Economia Dom\u00e9stica<\/strong>, Vi\u00e7osa, v. 24, n. 1, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REDEGLOBO. ENCONTRO. <strong>Patr\u00edcia Ramos fala pela primeira vez sobre denuncia de viol\u00eancia dom\u00e9stica contra o ex-marido.<\/strong> Rio de Janeiro: Rede Globo, 10 de novembro, 2023. Programa de TV. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/gshow.globo.com\/tudo-mais\/tv-e-famosos\/noticia\/patricia-ramos-fala-pela-primeira-vez-sobre-denuncia-de-violencia-domestica-contra-o-ex-marido.ghtml&gt;. Acesso em 21 nov. 2023<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SARTI, Cynthia Andersen. <strong>O feminismo brasileiro desde os anos 1970: <\/strong>revisitando uma trajet\u00f3ria. Estudos Feministas, Florian\u00f3polis, v. 12, n. 2, 2004. Dispon\u00edvel em:&nbsp;&lt;<a href=\"https:\/\/bit.ly\/2J2Qfkb\">https:\/\/bit.ly\/2J2Qfkb<\/a>&gt;. Acesso em: 03 nov.2023. Secretaria Especial de Pol\u00edticas para as Mulheres, 2005. Dispon\u00edvel em: &lt; <a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/institucional\/omv\/copy_of_acervo\/outras-referencias\/copy2_of_entenda-a-violencia\/pdfs\/enfrentando-a-violencia-contra-a-mulher-orientacoes-praticas-para-profissionais-e-voluntarios\">https:\/\/www12.senado.leg.br\/institucional\/omv\/copy_of_acervo\/outras-referencias\/copy2_of_entenda-a-violencia\/pdfs\/enfrentando-a-violencia-contra-a-mulher-orientacoes-praticas-para-profissionais-e-voluntarios<\/a>&gt;. Acesso em: 22 nov. 2023<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Bacharela em Direito pelo Centro Universit\u00e1rio de Jo\u00e3o Pessoa \u2013 UNIP\u00ca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Mestre em Direito. Professora Universit\u00e1ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANALYSIS OF PROPERTY VIOLENCE AGAINST WOMEN IN THE DOMESTIC AND FAMILY SPHERE IN THE LIGHT OF LAW 11.340\/2006 Artigo submetido&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":1092,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"https:\/\/cognitiojuris.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cognitio-juris_n1.jpg","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[15],"class_list":["post-322","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-cientificos","tag-5o-numero"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/322","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=322"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/322\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1091,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/322\/revisions\/1091"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1092"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=322"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=322"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=322"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}