{"id":519,"date":"2024-06-30T00:01:00","date_gmt":"2024-06-30T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/scientiaetratio.com.br\/?p=519"},"modified":"2026-05-23T11:06:27","modified_gmt":"2026-05-23T14:06:27","slug":"pensar-o-desenvolvimento-de-africa-entre-a-cooperacao-e-a-politica-e-economia-de-autoconfianca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/pensar-o-desenvolvimento-de-africa-entre-a-cooperacao-e-a-politica-e-economia-de-autoconfianca\/","title":{"rendered":"PENSAR O DESENVOLVIMENTO DE \u00c1FRICA: ENTRE A COOPERA\u00c7\u00c3O E A POL\u00cdTICA E ECONOMIA DE AUTOCONFIAN\u00c7A"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\" id=\"tw-target-text\">THINKING ABOUT THE DEVELOPMENT OF AFRICA: BETWEEN COOPERATION AND THE POLITICS AND ECONOMY OF SELF-CONFIDENCE<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Artigo submetido em 21 de mar\u00e7o de 2024<br>Artigo aprovado em 09 de abril de 2024<br>Artigo publicado em 30 de junho de 2024<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-luminous-vivid-amber-background-color has-background\"><tbody><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Scientia et Ratio<\/strong><br>Volume 4 \u2013 N\u00famero 6 \u2013 Junho de 2024<br>ISSN 2525-8532<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-7e4ac651328708ea719ac0894fa30934 wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background\"><tbody><tr><td><strong>Autor:<br><\/strong>Agostinho Bonf\u00edlio da Concei\u00e7\u00e3o Mendes<a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-7e4ac651328708ea719ac0894fa30934 wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Resumo<\/strong>: O texto procura discutir as alternativas ao desenvolvimento africano entre a coopera\u00e7\u00e3o e a pol\u00edtica e economia de autoconfian\u00e7a. Face aos falhan\u00e7os das pol\u00edticas neoliberais traduzidas em ajustes estruturais a que os pa\u00edses africanos foram submetidos a partir das d\u00e9cadas 70 como mecanismo para salvar as suas economias do descalabro, assim como os poucos resultados advindos da coopera\u00e7\u00e3o com novos actores como os BRICs e a China em particular, v\u00e1rios te\u00f3ricos colocam a pol\u00edtica da autoconfian\u00e7a como alternativa para o desenvolvimento. O texto procura problematizar esta alternativa e discute a possibilidade de um desenvolvimento baseado na concilia\u00e7\u00e3o do paradigma do desenvolvimento por meio dos aux\u00edlios e empr\u00e9stimos externos e a pol\u00edtica da autoconfian\u00e7a. Por meio da revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica procuramos defender a tese segundo a qual, um desenvolvimento sustent\u00e1vel para \u00c1frica \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s do financiamento externo conciliado com as potencialidades internas, raz\u00e3o pela qual torna-se necess\u00e1rio manter a coopera\u00e7\u00e3o com todos actores dispon\u00edveis, assim como a busca pela moderniza\u00e7\u00e3o e actualiza\u00e7\u00e3o de todos recursos culturais, sociais e humanos para coloc\u00e1-los ao servi\u00e7o do desenvolvimento do continente africano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Palavras-chave<\/strong>: Desenvolvimento, coopera\u00e7\u00e3o, autoconfian\u00e7a e pa\u00edses africanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Abstract:<\/strong> The text seeks to discuss alternatives to African development between cooperation and self-confidence politics and economics. In view of the failures of neoliberal policies translated into structural adjustments to which African countries were subjected from the 1970s onwards as a mechanism to save their economies from collapse, as well as the few results arising from cooperation with new actors such as the BRICs and China in In particular, several theorists place the policy of self-confidence as an alternative for development. The text seeks to problematize this alternative and discusses the possibility of development based on reconciling the development paradigm through external aid and loans and the policy of self-reliance. Through the literature review, we seek to defend the thesis according to which sustainable development for Africa is possible through external financing reconciled with internal potential, which is why it is necessary to maintain cooperation with all available actors, as well as the search for modernization and updating of all cultural, social and human resources to put them at the service of the development of the African continent.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Keywords:<\/strong> Development, cooperation, self-confidence and African countries.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;De uma forma geral, uma an\u00e1lise hist\u00f3rica das rela\u00e7\u00f5es entre a \u00c1frica e o resto do mundo mostra que a \u00c1frica sempre fez parte como objecto da hist\u00f3ria alheia e n\u00e3o como sujeito da sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria e isto ocorre da pol\u00edtica \u00e0 economia. Wallerstein (2010), no seu artigo \u201c\u00c1frica e a economia-mundo\u201d, ao analisar as din\u00e2micas das economias africanas no contexto da sua rela\u00e7\u00e3o com o capitalismo ocidental, entende que aquelas foram organizadas e estruturadas para estarem ao servi\u00e7o das exig\u00eancias e das metamorfoses das economias ocidentais-europeias, \u00e0 t\u00edtulo de exemplo, o com\u00e9rcio de escravos e as culturas obrigat\u00f3rias no per\u00edodo colonial foram implementadas para esse fim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As pol\u00edticas das institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais, as ajudas e empr\u00e9stimos externos aos pa\u00edses africanos vindos do ocidente parecem seguir a mesma l\u00f3gica, visto que, seguidas de um conjunto de imposi\u00e7\u00f5es e inger\u00eancias nos assuntos internos, a coopera\u00e7\u00e3o com o ocidente apenas ajudou a refor\u00e7ar a posi\u00e7\u00e3o de periferia e marginaliza\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses africanos face ao ocidente capitalista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cientes deste facto, a emerg\u00eancia de novos parceiros de coopera\u00e7\u00e3o, como os BRICs e a China, em particular, aliada \u00e0 descoberta de mais e novos recursos naturais em \u00c1frica, surgimento e afirma\u00e7\u00e3o de blocos regionais e novas parcerias Sul \u2013 Sul, fez com que muitos te\u00f3ricos ficassem entusiasmados com a ideia de um renascimento africano a partir dos anos 2000. Entretanto, a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica de muitos pa\u00edses africanos continua a mesma, e em alguns casos piorou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Face a isto, muitos te\u00f3ricos entendem que \u00e9 necess\u00e1rio, para o desenvolvimento em \u00c1frica, adoptar a pol\u00edtica de desenvolvimento baseado na autoconfian\u00e7a que consistiria na elimina\u00e7\u00e3o das ajudas e empr\u00e9stimos externos ao continente e centralidade nas potencialidades e recursos internos para galvanizar o desenvolvimento do continente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O texto analisa as alternativas ao desenvolvimento africano entre a coopera\u00e7\u00e3o e a pol\u00edtica e economia de autoconfian\u00e7a e por meio da revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica defende que um desenvolvimento sustent\u00e1vel para \u00c1frica \u00e9 poss\u00edvel atrav\u00e9s do financiamento externo conciliado com as potencialidades internas, raz\u00e3o pela qual torna-se necess\u00e1rio manter a coopera\u00e7\u00e3o com todos actores dispon\u00edveis, assim como a busca pela moderniza\u00e7\u00e3o e actualiza\u00e7\u00e3o de todos recursos culturais, sociais e humanos para coloca-los ao servi\u00e7o do desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Lugar da \u00c1frica na Economia &#8211; Mundo<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fonseca (2015), ao tratar das economias africanas no contexto colonial e p\u00f3s-independ\u00eancia, refere que o colonialismo tinha como objectivo principal remeter mat\u00e9ria-prima africana para as ind\u00fastrias europeias atrav\u00e9s do trip\u00e9: trabalho for\u00e7ado \u2013 cultivo obrigat\u00f3rio \u2013 pagamento de impostos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta condi\u00e7\u00e3o n\u00e3o favoreceu as economias africanas no p\u00f3s-independ\u00eancia, pois o cultivo obrigat\u00f3rio, na era colonial acabou travando significativamente as economias africanas no p\u00f3s-independ\u00eancia visto que muitos pa\u00edses n\u00e3o conseguiram dinamizar as suas produ\u00e7\u00f5es fazendo com que as suas economias ficassem dependentes da exporta\u00e7\u00e3o quase exclusiva<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s as independ\u00eancias houve muito optimismo em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses africanos, j\u00e1 que seriam os pr\u00f3prios donos da terra a governar em benef\u00edcio das suas popula\u00e7\u00f5es. Numa primeira fase foram sendo moldados Estados nacionais com amplo car\u00e1cter desenvolvimentistas. Entretanto, o modelo desenvolvimentista entrou em fal\u00eancia no primeiro sinal de crise na Europa. A crise de petr\u00f3leo de 1973, somada \u00e0 crise do Estado de bem-estar social e o advento do neoliberalismo atingiu bruscamente o continente africano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 que, conforme adianta Fonseca (2015), durante as d\u00e9cadas 70 e 80 o PIB de muitos pa\u00edses africanos era baseado na exporta\u00e7\u00e3o de poucas mercadorias para Europa. Por exemplo, a Costa de Marfim exportava Cacau e algod\u00e3o, o que significa uma grande depend\u00eancia do consumo europeu. Ora, quando a Europa foi atingida pela crise, isto afectou a \u00c1frica j\u00e1 que houve redu\u00e7\u00e3o na exporta\u00e7\u00e3o das mercadorias e, ao mesmo tempo, v\u00e1rias manobras cambiais realizadas pelos governos europeus levaram \u00e0 brusca desvaloriza\u00e7\u00e3o das moedas nacionais africanas. Isto mostra o qu\u00e3o marginal a \u00c1frica participava, at\u00e9 ent\u00e3o, na economia global.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta crise deixou os pa\u00edses africanos com apenas a alternativa de recorrer \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es financeiras internacionais e, por meio disso, o ocidente imp\u00f4s aos pa\u00edses africanos uma agenda neoliberal, por meio dos ajustamentos estruturais, ou seja, a ades\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es da <em>Bretton Woods<\/em> fez com que a sobreviv\u00eancia da maior parte das economias africanas ficasse dependente de ajuda internacional e empr\u00e9stimos externos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por essa raz\u00e3o, os programas de ajustamento estrutural come\u00e7aram a ser impulsionados a partir dos anos 70 pelo FMI e o Banco Mundial. Os programas tinham como objectivo declarado a promo\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f3mico por meio da liberaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica a partir de reformas b\u00e1sicas na economia, nomeadamente privatiza\u00e7\u00f5es, abertura do mercado ao exterior, redu\u00e7\u00e3o do peso do Estado, etc. (Afonso, 2011, p. 29).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Ajustamento Estrutural est\u00e1 associado ao conjunto de prescri\u00e7\u00f5es de pol\u00edtica econ\u00f3mica formulada pelas institui\u00e7\u00f5es de <em>Bretton Woods<\/em> (FMI e BM). A princ\u00edpio, pensava-se que a crise que os pa\u00edses atravessavam e que era respons\u00e1vel pelos elevados d\u00e9fices nas Balan\u00e7as de Pagamentos, seria um fen\u00f3meno de curto-prazo causado por choques externos \u2013 a subida dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo e a crise da d\u00edvida. A situa\u00e7\u00e3o marcada pelos acentuados d\u00e9fices p\u00fablicos, altas taxas de infla\u00e7\u00e3o e sobrevaloriza\u00e7\u00e3o da moeda apelava \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de medidas de estabiliza\u00e7\u00e3o. Por essa raz\u00e3o, as primeiras interven\u00e7\u00f5es do FMI, baseadas na doutrina neoliberal, recomendavam o fim do controle de pre\u00e7os e medidas de restri\u00e7\u00e3o da procura, atrav\u00e9s da redu\u00e7\u00e3o das despesas p\u00fablicas, desvaloriza\u00e7\u00e3o, subida das taxas de juro e aboli\u00e7\u00e3o dos subs\u00eddios (Alves, 2002, p. 17-18).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Olhando para o contexto africano, a necessidade de adop\u00e7\u00e3o de programas de estabiliza\u00e7\u00e3o e ajustamento estrutural surgiu da crise que os pa\u00edses africanos atravessaram a partir do final da d\u00e9cada de 70, quando um n\u00famero crescente de economias experimentou desequil\u00edbrios macroecon\u00f3micos persistentes e crescentemente insustent\u00e1veis. Esta situa\u00e7\u00e3o levou os governos a recorrerem ao FMI e Banco Mundial para requisitar ajuda financeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Oppenheimer e Carvalho (1998, p. 3), diferenciam os programas de estabiliza\u00e7\u00e3o, preconizados pelo FMI, dos programas de ajustamento estrutural defendidos pelo Banco Mundial. Nos seus dizeres, as medidas de estabiliza\u00e7\u00e3o compreendem tr\u00eas dimens\u00f5es fundamentais: iniciativas visando uma gest\u00e3o parcimoniosa das finan\u00e7as p\u00fablicas, actua\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria restritiva e controlo da taxa de crescimento da d\u00edvida externa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Green e Faber (1994, p.3), citados por Oppenheimer e Carvalho (1998, p. 5), sistematizam e agrupam da seguinte forma as pol\u00edticas e instrumentos defendidos pelo FMI, e de cuja combina\u00e7\u00e3o resultam os pacotes de estabiliza\u00e7\u00e3o <em>standard<\/em>, embora o FMI declare que n\u00e3o existe uma doutrina oficial sobre o ajustamento estrutural, verifica-se que as medidas que prop\u00f5e e implementa variam muito pouco de pa\u00eds para pa\u00eds, o que faz pressupor a presen\u00e7a de uma doutrina oficial, que se desdobra nos seguintes itens:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Ajustamentos na taxa de c\u00e2mbio, por meio de desvaloriza\u00e7\u00f5es sucessivas de acordo com os diferenciais da taxa de infla\u00e7\u00e3o entre o mercado interno e os principais parceiros comerciais, tendo como objectivo garantir a competitividade do pre\u00e7o das suas exporta\u00e7\u00f5es.<\/li>\n\n\n\n<li>Cria\u00e7\u00e3o de tectos para o cr\u00e9dito, limitando a expans\u00e3o total do cr\u00e9dito dom\u00e9stico, particularmente para os sectores p\u00fablico e governamental;<\/li>\n\n\n\n<li>Promo\u00e7\u00e3o de taxas de juros reais positiva;<\/li>\n\n\n\n<li>Medidas fiscais de apoio a poupan\u00e7a e\/ou de redu\u00e7\u00e3o do consumo.<\/li>\n\n\n\n<li>Redu\u00e7\u00e3o da despesa p\u00fablica, particularmente no que se refere a subs\u00eddios n\u00e3o-direccionados e aos encargos salariais da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica (reduzindo o n\u00famero de efectivos e\/ou contraindo a progress\u00e3o dos sal\u00e1rios).<\/li>\n\n\n\n<li>Reformula\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas de controlo governamental dos pre\u00e7os, particularmente no que se refere a melhoria dos pre\u00e7os junto dos agricultores e aos pre\u00e7os da energia.<\/li>\n\n\n\n<li>Uma gest\u00e3o melhorada da posi\u00e7\u00e3o financeira externa &#8211; restri\u00e7\u00f5es no crescimento adicional da d\u00edvida externa (em especial se esta for de natureza n\u00e3o-concessional), a elimina\u00e7\u00e3o (ou redu\u00e7\u00e3o) de pagamentos atrasados, a cria\u00e7\u00e3o de reservas m\u00ednimas de meios de pagamento internacionais.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rela\u00e7\u00e3o as pol\u00edtica de ajustamento estrutural do Banco Mundial verifica-se que estas t\u00eam um horizonte temporal de m\u00e9dio ou longo-prazo, actuando pela expans\u00e3o da oferta, em contraste com a orienta\u00e7\u00e3o de curto-prazo, centrada na contrac\u00e7\u00e3o da procura, que caracteriza o FMI. Portanto, enquanto o FMI coloca a \u00eanfase na esfera monet\u00e1ria, o Banco Mundial enfatiza a esfera real (Oppenheimer; Carvalho, 1998, p. 6).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, as prescri\u00e7\u00f5es do Banco Mundial concentraram-se na estrutura produtiva, advogando uma estrat\u00e9gia de privatiza\u00e7\u00e3o, desregulamenta\u00e7\u00e3o e liberaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio, atrav\u00e9s da qual fosse potenciado o papel regulador do mercado em detrimento do intervencionismo estatal, mais tarde as condicionalidades estenderam-se para os dom\u00ednios da reforma institucional, da ecologia, da luta contra a pobreza, da provis\u00e3o de servi\u00e7os sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste sentido, e incluindo algumas condicionalidades semelhantes \u00e0s propostas pelo FMI (reajustamentos da taxa de c\u00e2mbio, politicas de pre\u00e7os, reforma fiscal, etc.), um programa de ajustamento apoiado pelo Banco Mundial pode incluir uma larga variedade de medidas pol\u00edticas, tais como:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Pol\u00edtica de com\u00e9rcio externo &#8211; elimina\u00e7\u00e3o das quotas de importa\u00e7\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o das tarifas aduaneiras, melhoria dos incentivos e apoios \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o.<\/li>\n\n\n\n<li>Mobiliza\u00e7\u00e3o de recursos &#8211; reforma do or\u00e7amento e da estrutura fiscal (visando designadamente o aumento das receitas) reforma das pol\u00edticas de taxa de juro para um incentivo a poupan\u00e7a privada, melhoria na performance financeira do sector p\u00fablico (e, sempre que poss\u00edvel, programas de privatiza\u00e7\u00e3o), medidas de incentivo ao investimento directo estrangeiro, etc.<\/li>\n\n\n\n<li>Uso eficiente dos recursos &#8211; revis\u00e3o das prioridades do investimento p\u00fablico, mudan\u00e7a do sistema de incentivos \u00e0 ind\u00fastria, reforma dos pre\u00e7os agr\u00edcolas e da energia.<\/li>\n\n\n\n<li>Reforma institucional &#8211; reestrutura\u00e7\u00e3o no funcionalismo p\u00fablico, melhoria da capacidade para a formula\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas, aumento da efici\u00eancia na gest\u00e3o do sector p\u00fablico (recorrendo, se necess\u00e1rio, a privatiza\u00e7\u00e3o), apoio \u00e0s ind\u00fastrias locais competitivas.&nbsp;<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A imposi\u00e7\u00e3o da agenda neoliberal aos pa\u00edses africanos como condi\u00e7\u00e3o para os financiamentos externos teve efeitos adversos aos esperados, os PIBs dos pa\u00edses africanos, incluindo a sua produtividade foi amplamente atingidos devido \u00e1 liberaliza\u00e7\u00e3o dos mercados proposta pelo neoliberalismo. Conforme corrobora Oppenheimer (1998, p. 123), se \u00e9 verdade que o Programa de Reabilita\u00e7\u00e3o Econ\u00f3mica logrou reverter a tend\u00eancia de regress\u00e3o do PIB e PIB <em>per capita<\/em>, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que este crescimento n\u00e3o quebrou a tend\u00eancia sustentada de redu\u00e7\u00e3o de consumo privado <em>per capita<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Matsinhe (2011, p. 47) salienta que a realidade resultante do programa de reabilita\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica levou \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o do Estado em sectores sociais e \u00e0 liberaliza\u00e7\u00e3o do mercado econ\u00f3mico e financeiro. Isto resultou no crescente desemprego, no decl\u00ednio do poder de compra e os servi\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade tornaram-se inacess\u00edveis para a popula\u00e7\u00e3o mais pobre. A corrup\u00e7\u00e3o dos membros do governo e a aprova\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que permitiram a entrada dos Investimentos Estrangeiros Directos abriram espa\u00e7o para a instala\u00e7\u00e3o de corpora\u00e7\u00f5es multinacionais que pouco beneficiaram os pa\u00edses e o aumento da d\u00edvida externa dos pa\u00edses atingiu n\u00edveis bastante elevados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1990, a \u00c1frica recebeu 30% do montante destinado ao aux\u00edlio financeiro em todo mundo. Em 1994 a ajuda financeira internacional representou 12,4% do PNB da \u00c1frica. Em v\u00e1rios pa\u00edses essa ajuda responde por uma parcela elevada do PNB, Mo\u00e7ambique, por exemplo, foi de 65,9%. Consequentemente, a \u00c1frica subsariana tornou-se na regi\u00e3o mais endividada do mundo na d\u00e9cada 80. Al\u00e9m disso, o investimento estrangeiro directo foi deixando a \u00c1frica de lado. Dos 200 bilh\u00f5es de d\u00f3lares por ano na d\u00e9cada 80, apenas menos de 1% foi destinado \u00e0 \u00c1frica subsariana (Castells, 1999, p. 112).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desta forma, Castells (1999) destaca que as rela\u00e7\u00f5es comerciais pioraram substancialmente para maioria dos pa\u00edses africanos entre 1985 e 1994 pelas seguintes raz\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" start=\"1\">\n<li>Queda o pre\u00e7o das <em>commodities<\/em> prim\u00e1rias desde os meados da d\u00e9cada 70<\/li>\n\n\n\n<li>Pol\u00edticas de ajustamento estrutural, inspirados pelo FMI e BM que aumentaram o grau de depend\u00eancia \u00e0s <em>commodities<\/em> prim\u00e1rias<\/li>\n\n\n\n<li>Fragilidade de mercados internos que impediu que se sustentasse a industrializa\u00e7\u00e3o de produtos em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 importa\u00e7\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola para mercados internos.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Em busca de novas parcerias de coopera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Face aos falhan\u00e7os das pol\u00edticas neoliberais dos ajustamentos estruturais em \u00c1frica, o in\u00edcio do s\u00e9culo XXI \u00e9 marcado pela adop\u00e7\u00e3o de uma nova pol\u00edtica dos pa\u00edses africanos em rela\u00e7\u00e3o a economia global. Cientes da sua exclus\u00e3o e periferiza\u00e7\u00e3o do circuito financeiro internacional, os pa\u00edses africanos come\u00e7aram a tomar novas posturas com o intuito de se tornarem economicamente mais robustos e pouco dependentes econ\u00f3mica e politicamente do ocidente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em face disso, pa\u00edses que exportavam quase que exclusivamente para Europa, especialmente para as suas antigas metr\u00f3poles, come\u00e7am a estabelecer mais conex\u00f5es com os seus vizinhos, fortalecendo a integra\u00e7\u00e3o regional e buscam, de forma conjunta, novos parceiros comerciais (Fonseca, 2015, p. 13).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estes esfor\u00e7os tomam forma com a cria\u00e7\u00e3o da NEPAD (Nova Parceria para o Desenvolvimento de \u00c1frica) em 2001, cujos objectivos est\u00e3o voltados para a redu\u00e7\u00e3o e\/ou elimina\u00e7\u00e3o do fosso existente entre os pa\u00edses africanos e os desenvolvidos, promovendo o desenvolvimento acelerado e sustent\u00e1vel, erradicando a pobreza generalizada e eliminando a marginaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f3mica da \u00c1frica no sistema internacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cria\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Africana em 2002, visando revitalizar a antiga Organiza\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Africana criada em 1963 tamb\u00e9m tinha este desiderato de um renascimento africano. Inspirados nos ideais pan-africanistas, a Uni\u00e3o Africana, criada por 53 membros e abarcando quase todo o territ\u00f3rio do continente, busca essencialmente garantir a democracia e os Direitos Humanos no continente e colabora\u00e7\u00e3o m\u00fatua em quest\u00f5es sociais voltadas para sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e ajuda humanit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;A maior colabora\u00e7\u00e3o, solidariedade e integra\u00e7\u00e3o n\u00e3o se buscou apenas a n\u00edvel continental, mas tamb\u00e9m no \u00e2mbito regional, expressando-se atrav\u00e9s da forma\u00e7\u00e3o e fortalecimento de blocos regionais, como \u00e9 o caso da SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da \u00c1frica Austral), CEDEAO (Comunidade Econ\u00f3mica dos Estados da \u00c1frica Ocidental), entre outros (Fonseca, 2015, p. 14).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No \u00e2mbito de coopera\u00e7\u00e3o exterior, n\u00e3o deixando os organismos financeiros multilaterais e os pa\u00edses ocidentais, mas cientes da sua marginaliza\u00e7\u00e3o e interac\u00e7\u00e3o selectiva, os pa\u00edses africanos buscaram novos parceiros econ\u00f3micos e por rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas sul \u2013 sul, o que propiciou a o fortalecimento de novos la\u00e7os com os ent\u00e3o BRICS, com maior destaque para a China.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De facto, o investimento e presen\u00e7a chinesa cresceram bruscamente a partir dos anos 2000 devido \u00e0 busca por novos mercados consumidores e mat\u00e9ria-prima. Conforme afirma Cuco (2016, p. 6), a China \u00e9 movida para a \u00c1frica por interesse em recursos energ\u00e9tico, mas tamb\u00e9m pelo ouro, cobre e terra do continente. Para se ter uma ideia, cerca de 60% da produ\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera do Sud\u00e3o, um dos maiores produtores em \u00c1frica, vai para a China cobrindo 5% das necessidades chinesas do petr\u00f3leo. Angola e Nig\u00e9ria s\u00e3o outros dois pa\u00edses que contribuem com \u00bc da sua produ\u00e7\u00e3o. A \u00c1frica \u00e9 tamb\u00e9m fonte dos recursos minerais para a China. 60% da produ\u00e7\u00e3o em min\u00e9rios em \u00c1frica \u00e9 exportada para a China.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, este n\u00e3o \u00e9 a \u00fanico interesse da China em \u00c1frica, Tull (2009), citado por Cuco (2016, p. 6), aponta que a China v\u00ea na \u00c1frica uma oportunidade para buscar um papel activo no sistema internacional, pois precisa do apoio dos Estados africanos nas organiza\u00e7\u00f5es internacionais para se defender das crescentes cr\u00edticas do ocidente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua pol\u00edtica global, exactamente, para promover a ideia de que a China \u00e9 um polo alternativo na pol\u00edtica mundial. Portanto, necessidades econ\u00f3micas, geopol\u00edticas e geoestrat\u00e9gicas guiam as rela\u00e7\u00f5es China-\u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para \u00c1frica, a parceria com a China tamb\u00e9m tem se mostrado proveitosa na medida em que, como afirma Cuco (2016, p. 06), a \u00c1frica comercializa produtos da manufactura prim\u00e1ria da China; a China apoia na constru\u00e7\u00e3o de infra-estruturas; a China \u00e9 solid\u00e1ria naquelas quest\u00f5es que envolvem diferendo com o poder ocidental. Para se ter uma ideia, a \u00c1frica e a China realizaram m\u00faltiplas trocas, sendo que a circula\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica entre os dois aumentou de 10 bilh\u00f5es em 2000 para 200 bilh\u00f5es em 2012, representando um aumento de 20% em quase uma d\u00e9cada (Fonseca, 2015, p. 14).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grande diferencial entre a coopera\u00e7\u00e3o da \u00c1frica &#8211; China e \u00c1frica \u2013 Ocidente \u00e9 o facto de a China n\u00e3o colocar condicionamentos nos empr\u00e9stimos em mat\u00e9rias de boa governa\u00e7\u00e3o, democracia e direitos humanos como faz o ocidente, ou seja, para efectuar empr\u00e9stimos a China n\u00e3o coloca condi\u00e7\u00f5es relativas \u00e0s quest\u00f5es internas dos pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns autores, como Fonseca (2015), entendem que o n\u00e3o condicionalismo, aliado \u00e0 ao facto dos empr\u00e9stimos concedidos pela China serem mais baratos, faz com que a parceria dos pa\u00edses africanos com a China seja mais produtiva. Conforme defende Visentini (2011), o investimento chin\u00eas em \u00c1frica se mostrou ser muito produtivo aos africanos na medida em que a China respeita a soberania dos africanos e inclusive apoia os pa\u00edses de \u00c1frica no Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas, al\u00e9m de colaborar com a constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais multipolarizado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De facto, a coopera\u00e7\u00e3o com a China parece apresentar-se como uma boa alternativa aos pa\u00edses africanos para a \u201crecoloca\u00e7\u00e3o da escada\u201d<a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a> uma vez que a China n\u00e3o imp\u00f5e aos governos africanos o direccionamento dos seus investimentos e n\u00e3o interfere nos assuntos internos &nbsp;em quest\u00f5es de governa\u00e7\u00e3o, direitos humanos e democracia (Cuco, 2016, p. 3)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, o investimento e coopera\u00e7\u00e3o chinesa com a \u00c1frica \u00e9 amplamente criticado por ONGs que lidam com a quest\u00e3o dos direitos humanos, assim como pelos pa\u00edses ocidentais por caracteriz\u00e1-lo como sendo uma nova forma de imperialismo, por n\u00e3o olhar as condi\u00e7\u00f5es internas dos pa\u00edses, n\u00e3o cobrar mecanismos de presta\u00e7\u00e3o de contas dos governos aos seus cidad\u00e3os e por financiar tamb\u00e9m ditaduras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, o entusiasmo em volta da possibilidade de um \u201crenascimento africano\u201d galvanizado pela afirma\u00e7\u00e3o de novas parcerias de coopera\u00e7\u00e3o, descoberta de mais recursos naturais e busca de maior afirma\u00e7\u00e3o na arena internacional, foi desmoronando com o passar dos tempos. Os n\u00edveis de pobreza persistem, a escolaridade e os cuidados de sa\u00fade ainda s\u00e3o baixos e o fosso entre os pa\u00edses africanos e o resto do mundo acentua-se cada vez mais.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Aporias da pol\u00edtica e economia da Autoconfian\u00e7a<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;O paradigma de um desenvolvimento com base na coopera\u00e7\u00e3o com as organiza\u00e7\u00f5es internacionais multilaterais e em ajudas externas ao continente africano iniciadas com a ades\u00e3o de boa parte dos pa\u00edses da \u00c1frica subsaariana \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es financeiras internacionais foi se mostrando, com o andar do tempo, pouco eficaz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Face \u00e0 isso, muitos te\u00f3ricos, como Moyo (2009), Castells (1999), colocam a possibilidade de um desenvolvimento da \u00c1frica baseado no corte das ajudas externas e centralidade nas capacidades e potencialidades internas da pr\u00f3pria \u00c1frica, ou seja, um desenvolvimento baseado na economia e pol\u00edtica de autoconfian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ideia de um desenvolvimento econ\u00f3mico e pol\u00edtico africano baseado na autoconfian\u00e7a remonta ao pensamento social de Nyerere, que \u00e9 ocupado pelo conceito de <em>self-reliance<\/em> o que significa \u201cautoconfian\u00e7a\u201d, \u201cautonomia\u201d, \u201cauto-sufici\u00eancia\u201d. A ideia do conceito parte da an\u00e1lise que Nyerere faz da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica da Tanz\u00e2nia e dos pa\u00edses do terceiro mundo em geral. A sua preocupa\u00e7\u00e3o era conceber caminhos para o desenvolvimento destes povos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Nyerere, para o desenvolvimento precisa-se de duas coisas: o dinheiro e as pessoas. Na an\u00e1lise da sua realidade, percebe que n\u00e3o existiam recursos financeiros em \u00c1frica, o que significava que devia-se confiar no segundo factor \u2013 as pessoas. Seria pois, fatal para o desenvolvimento se os africanos pensassem no desenvolvimento contando com os recursos que tivessem que vir do exterior porque estes poderiam esgotar-se. Mesmo que n\u00e3o esgotassem, o povo pagaria caro porque teria de ceder em muitos aspectos da sua independ\u00eancia pol\u00edtica, pois haveria interfer\u00eancia externa nos assuntos internos (como ocorreu com a implementa\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas neoliberais)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, Nyerere rejeitava a ideia da ajuda externa porque, na sua vis\u00e3o, a ideia de desenvolvimento do homem ou de uma na\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser para de um outro homem ou outra na\u00e7\u00e3o: o desenvolvimento s\u00f3 pode ser feito pelo pr\u00f3prio homem ou pela pr\u00f3pria na\u00e7\u00e3o. Portanto, torna-se natural que a educa\u00e7\u00e3o seja considerada crucial para a Filosofia social de <em>Self-reliance<\/em>. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na mesma l\u00f3gica de desenvolvimento com base na autoconfian\u00e7a, Moyo (2009), no seu livro livro, <em>Dead Aid<\/em>, ou \u201c<em>Ajuda Morta<\/em>\u201d entende que programas de ajuda internacional t\u00eam vindo a falhar em melhorar as vidas da maior parte das popula\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses africanos e criaram uma depend\u00eancia m\u00fatua nefasta entre doadores e as elites governamentais africanas, na sua maioria corruptas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 que, em cinco d\u00e9cadas de ajuda ao continente, os sucessivos governos africanos pouco ou nada t\u00eam para mostrar como feitos concretos dos mais de 1 trili\u00e3o de d\u00f3lares recebidos em ajudas nesse per\u00edodo. Sendo que, a autora entende que a ajuda causou mais danos que benef\u00edcios, na medida que muitos governos africanos simplesmente abdicaram da sua responsabilidade pelos cuidados de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, infra-estruturas, seguran\u00e7a alimentar etc., deixando nas m\u00e3os dos doadores internacionais e, mesmo assim, os valores provenientes da ajuda externa s\u00e3o, vezes sem conta, desviados pelas elites para fins dos quais n\u00e3o haviam sido previstos, caindo-se, assim, num ciclo de corrup\u00e7\u00e3o, pobreza e ajuda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dambisa Moyo desafia e incentiva os governos africanos a estabelecerem medidas que estimulem o crescimento e forne\u00e7am esperan\u00e7a aos seus cidad\u00e3os. Visto que as ajudas externas apenas servem para deixar os governos africanos sem assumir as suas responsabilidades, pois deveriam ser os pr\u00f3prios governantes a apresentar as suas propostas e planos para fazer as suas economias avan\u00e7arem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No mesmo diapas\u00e3o, Castells (1999) defende a reconstru\u00e7\u00e3o das sociedades africanas com base no modelo de autoconfian\u00e7a, o que n\u00e3o significa permanecer atrelado \u00e0s economias primitivas e sociedades tradicionais antigas, mas sim come\u00e7ar de baixo para cima, ganhando acesso \u00e0 modernidade por um caminho diferente, rejeitando os valores e objectivos predominantemente do capitalismo global. Isto implicaria um desligamento parcial das economias africanas das redes globais de acumula\u00e7\u00e3o de capital, dadas as assimetrias vigentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, o pr\u00f3prio autor admite que um obst\u00e1culo fundamental \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia de autoconfian\u00e7a s\u00e3o os interesses e valores da maioria das elites pol\u00edticas africanas e de suas redes de patronagem. Por essa raz\u00e3o, seria necess\u00e1ria uma revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ora, as experi\u00eancias das revolu\u00e7\u00f5es mostram que s\u00e3o acompanhadas por uma grande incerteza em rela\u00e7\u00e3o aos seus verdadeiros frutos e h\u00e1 sempre riscos associados, como \u00e9 o caso da possibilidade de destruir as conquistas j\u00e1 alcan\u00e7adas e mesmo de instaurar um caos generalizado, como mostra o exemplo da L\u00edbia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, a revolu\u00e7\u00e3o exige sempre recursos, sejam financeiros, tecnol\u00f3gicos, humanos, etc., recursos estes que s\u00e3o escassos em \u00c1frica. Portanto, existe sempre o risco das revolu\u00e7\u00f5es serem financiadas pelo estrangeiro que, por esse feito, ter\u00e1 sempre seus interesses. Assim, os novos l\u00edderes revolucion\u00e1rios teriam que satisfazer os interesses dos seus financiadores e acabar\u00e3o perpetuando a mesma l\u00f3gica de domina\u00e7\u00e3o que estariam a combater.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Coopera\u00e7\u00e3o e Autoconfian\u00e7a: dois paradigmas rec\u00edprocos e complementares<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;O prop\u00f3sito de um desenvolvimento africano tendo como pressuposto a coopera\u00e7\u00e3o internacional, seja com os actores tradicionais (ocidente), assim como com os novos actores, particularmente os BRICS, e a China em particular, mostrou as suas fal\u00eancias na medida em que ocorre dentro da l\u00f3gica de domina\u00e7\u00e3o e supremacia dos interessas estrangeiros que deixam a \u00c1frica na condi\u00e7\u00e3o de periferiza\u00e7\u00e3o, marginaliza\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o selectiva. As pol\u00edticas neoliberais, assim como a coopera\u00e7\u00e3o chinesa n\u00e3o foram capazes de dinamizar as economias africanas e redu\u00e7\u00e3o o fosso existente em rela\u00e7\u00e3o aos outros pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da mesma forma, uma pol\u00edtica de desenvolvimento baseado na autoconfian\u00e7a, centrada nas pr\u00f3prias potencialidades da \u00c1frica, sem contar com o capital estrangeiro parece mais uma miragem ut\u00f3pica. Para al\u00e9m dos riscos que comporta, existe a ainda o entrave das pr\u00f3prias lideran\u00e7as africanas que tiram proveito com a situa\u00e7\u00e3o actual e n\u00e3o est\u00e3o interessadas com a mudan\u00e7a do <em>status quo<\/em>, sem contar com a possibilidade do pr\u00f3prio ocidente e outros parceiros de coopera\u00e7\u00e3o, com medo de perder as suas vantagens e suas hegemonias, interferirem de modos que tal mudan\u00e7a na actua\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses africanas se concretize.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Face \u00e0 isto, a melhor alternativa seria conciliar os dois paradigmas, ou seja, tirar o m\u00e1ximo proveito das potencialidades trazidas pelos parceiros de coopera\u00e7\u00e3o e colocando os recursos ai advindos ao servi\u00e7o da economia nas \u00e1reas previamente identificadas como impulsionadoras do desenvolvimento e, do mesmo modo, tirar proveito das potencialidades internas dos pa\u00edses, como \u00e9 o caso dos recursos naturais, florestais, turismo etc., para robustecer a economia de modos que, dessa forma, se tenha uma posi\u00e7\u00e3o mais s\u00f3lida para negociar os projectos de coopera\u00e7\u00e3o e parcerias com outros pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos grandes entraves ao desenvolvimento em \u00c1frica \u00e9 o facto de os governos concentrarem-se na exporta\u00e7\u00e3o de poucos produtos, de entre eles os recursos naturais explorados pelos megaprojectos, e haver pouca aposta nas \u00e1reas produtivas que realmente t\u00eam um grande impacto na vida das popula\u00e7\u00f5es em geral, como \u00e9 o caso da agricultura, pesca, pequena e m\u00e9dia ind\u00fastria e cria\u00e7\u00e3o cadeias de valor dos produtos internos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A falta de diversifica\u00e7\u00e3o da economia faz com que o crescimento econ\u00f3mico registado em muitos pa\u00edses africanos n\u00e3o se traduza na melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida das popula\u00e7\u00f5es, pelo contr\u00e1rio o crescimento baseado nos megaprojectos apenas aumenta o fosso existente entre os ricos e pobres pois maior parte dos recursos advindos da exporta\u00e7\u00e3o desses produtos n\u00e3o \u00e9 aplicado nas \u00e1reas que impulsionam o desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desta forma, se por um lado os condicionamentos dos empr\u00e9stimos e ajudas externas ao continente limitam as \u00e1reas de investimento desses recursos, por outro, existe falta de capacidade e vontade pol\u00edtica das autoridades em elaborar e implementar pol\u00edticas p\u00fablicas orientadas ao desenvolvimento e melhoria de condi\u00e7\u00f5es de vida das popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c1 t\u00edtulo de exemplo, conforme notado por Cuco (2016, p. 12), uma das prioridades da China na sua coopera\u00e7\u00e3o com os pa\u00edses africanos \u00e9 o apoio na \u00e1rea de infra-estruturais. Entretanto, ao inv\u00e9s dos pa\u00edses priorizarem aquelas infra-estruturas que podem catapultar o desenvolvimento (estradas que permitam o escoamento, de produtos agr\u00edcolas das regi\u00f5es rurais, onde est\u00e1 concentrada a maior parte de popula\u00e7\u00e3o de baixa renda; ind\u00fastria aut\u00f3ctone, escola de qualidade, etc.), volume maior dos investimentos \u00e9 canalisado para constru\u00e7\u00e3o de infra-estruturais que pouco impacto t\u00eam no desenvolvimento local, como \u00e9 o caso de aeroportos, est\u00e1dios, edif\u00edcios governamentais, pontes e estradas nas zonas urbanas e outras edifica\u00e7\u00f5es que acabam se transformando em aut\u00eanticos elefantes brancos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do mesmo, conforme defende Negr\u00e3o (2001), quatro premissas devem orientar as autoridades na sua actua\u00e7\u00e3o em prol desenvolvimento econ\u00f3mico em \u00c1frica, nomeadamente: direitos fundamentais, taxa de poupan\u00e7a, processo de tomada de decis\u00f5es e o tecido institucional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rela\u00e7\u00e3o aos direitos fundamentais, evid\u00eancias emp\u00edricas apontam que a sua concretiza\u00e7\u00e3o por parte do cidad\u00e3o era inerente ao processo de desenvolvimento. Assim, o investimento no capital humano contribui positivamente na efici\u00eancia e na qualidade do desempenho do cidad\u00e3o, bem como para assegurar a continuidade dos retornos pelos efeitos multiplicadores nas gera\u00e7\u00f5es seguintes. Desta forma, os governos devem eleger o acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o escolar de qualidade, \u00e0 sanidade ambiental, \u00e0 sa\u00fade como prioridades para o desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No que tange \u00e0 quest\u00e3o da poupan\u00e7a, Negr\u00e3o (2001), entende que mais do que aumentar a oferta (t\u00f3pico grato \u00e0s ag\u00eancias internacionais), em a mat\u00e9ria de desenvolvimento, o que est\u00e1 em causa \u00e9 o aumento da taxa de poupan\u00e7a da fam\u00edlia rural e posterior investimento produtivo no sector agr\u00e1rio. A erradica\u00e7\u00e3o ou al\u00edvio da pobreza s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com o aumento da riqueza e est\u00e1 apenas \u00e9 poss\u00edvel quando a poupan\u00e7a \u00e9 maior que o consumo e, do mesmo modo, quando a poupan\u00e7a \u00e9 canalisada para o investimento produtivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 ainda necess\u00e1rio, o refor\u00e7o do processo de tomada de decis\u00f5es, na medida em que existem limita\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas da democracia representativa nos pa\u00edses africanos. Em muitos deles a capital fica demasiado longe, as elites do poder auto reproduzem-se e a demagogia partid\u00e1ria instala-se no discurso oco dos funcion\u00e1rios locais. No entanto, a estabilidade social e pol\u00edtica exige bem mais do que a delega\u00e7\u00e3o do poder via voto, ela requer a participa\u00e7\u00e3o efectiva nos processos de tomada de decis\u00e3o desde o n\u00edvel familiar at\u00e9 ao n\u00edvel nacional, ou seja o exerc\u00edcio da democracia participativa que seria \u00fatil mesmo para reduzir as tens\u00f5es e conflitos sociais, pol\u00edticos e at\u00e9 mesmo armados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este argumento \u00e9 tamb\u00e9m partilhado por Oppenheimer e Carvalho (1998, p. 24) que ao constatarem a n\u00e3o exist\u00eancia de uma rela\u00e7\u00e3o directa entre o modelo de democracia ocidental e desenvolvimento econ\u00f3mico, prop\u00f5em a \u201cafricaniza\u00e7\u00e3o da democracia\u201d, o que significa que cabe \u00e0 cada sociedade africana gerar sua abordagem pr\u00f3pria \u00e0 problem\u00e1tica da constru\u00e7\u00e3o da democracia. Sugerem ainda que em \u00c1frica seria promissor substituir o modelo de democracia representativa pela democracia participativa por meio da capacita\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos e comunidades para passarem a integrar as formas locais de organiza\u00e7\u00e3o de poder.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, se \u00e9 certo que a \u00c1frica deve lutar para sair da sua depend\u00eancia absoluta de doadores, na media em que, como Ngoenha argumenta, \u00e9 dif\u00edcil se ser senhor de si mesmo quando se depende de caridade e da boa vontade de terceiro, parece tamb\u00e9m evidente que esta independ\u00eancia n\u00e3o deve ser brusca, \u00e9 necess\u00e1rio que a luta pela independ\u00eancia seja feita por meio da capitaliza\u00e7\u00e3o das vantagens da coopera\u00e7\u00e3o com os parceiros exteriores e a busca de potencialidades internas que favore\u00e7am o desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quer dizer que a \u00c1frica precisa continuar a se relacionar com os parceiros ocidentais, com a China, os BRICs, etc., aproveitando as doa\u00e7\u00f5es e empr\u00e9stimos externos para desenvolver a economia e, somente com uma economia robusta ser\u00e1 capaz de serem os africanos a definir as \u00e1reas de coopera\u00e7\u00e3o de acordo com as demandas dos seus pa\u00edses e n\u00e3o o contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do mesmo modo, ao mesmo tempo que a \u00c1frica precisa dos recursos externos para financiar as suas iniciativas de desenvolvimento, tamb\u00e9m precisa buscar em si, na sua gente, na sua cultura, nos seus conhecimentos aut\u00f3ctones os fundamentos e bases para realiza\u00e7\u00e3o e materializa\u00e7\u00e3o dos projectos de desenvolvimento. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 necess\u00e1rio modernizar e actualizar as culturas africanas para que estejam \u00e0 altura dos desafios hodiernos de desenvolvimento econ\u00f3mico e estabilidade pol\u00edtica e social. \u00c9 preciso buscar no substrato e tecido cultural fontes de inspira\u00e7\u00e3o para organiza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica das sociedades africanas e n\u00e3o simplesmente importar modelos de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social de outros cantos que nenhum significado tem para as pessoas em \u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conclus\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A crise dos anos 70 deixou os pa\u00edses africanos com apenas a alternativa de recorrer \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es financeiras internacionais e, por meio disso, o ocidente imp\u00f4s aos pa\u00edses africanos uma agenda neoliberal, por meio dos ajustamentos estruturais, ou seja, a ades\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es da <em>Bretton Woods<\/em> fez com que a sobreviv\u00eancia da maior parte das economias africanas ficasse dependente de ajuda internacional e empr\u00e9stimos externos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O entusiasmo em volta da possibilidade de um \u201crenascimento africano\u201d galvanizado pela afirma\u00e7\u00e3o de novas parcerias de coopera\u00e7\u00e3o, descoberta de mais recursos naturais e busca de maior afirma\u00e7\u00e3o na arena internacional, foi desmoronando com o passar dos tempos. Os n\u00edveis de pobreza persistem, a escolaridade e os cuidados de sa\u00fade ainda s\u00e3o baixos e o fosso entre os pa\u00edses africanos e o resto do mundo acentua-se cada vez mais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, visto que um desenvolvimento baseado nas ajudas e empr\u00e9stimos externos tem vindo a falhar em \u00c1frica e, da mesma forma, a ideia de cortar as ajudas e centrar-se nas potencialidades internas apresenta enormes desafios e incertezas, faz-se necess\u00e1rio apostar em uma terceira via poss\u00edvel que consiste em tirar proveito das doa\u00e7\u00f5es e empr\u00e9stimos externos, aliar aos factores e potencialidades internas dos pa\u00edses africanos, para galvanizar e acelerar as economias e, com as economias fortalecidas, assumir uma posi\u00e7\u00e3o mais firme e privilegiada para negociar com os parceiros os projectos de desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Afonso, A. (2011). <em>Vendedoras no sector informal de Luanda: sobreviv\u00eancia e entreajuda em contexto de liberaliza\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica<\/em> (tese de doutoramento em Estudos Africanos). Escola de Sociologia e Pol\u00edticas P\u00fablicas, Departamento de Ci\u00eancias Pol\u00edticas e Pol\u00edticas P\u00fablicas, Lisboa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alves, S. S. B. C. S. (2002). <em>Programas de ajustamento estrutural na \u00f3ptica do papel do estado na \u00e1frica a sul do saara<\/em>. UTL, Lisboa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">B\u00fcrgenmeier, B. (2005). <em>Economia do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel<\/em>. Instituto Piaget Editora, Viseu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Bussoti, L. (2022). <em>Um Manifesto por Mo\u00e7ambique: A terceira via de Ngoenha e Castiano<\/em>. Trans\/Form\/A\u00e7\u00e3o, Mar\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Castells, I. (1999). <em>Fim de Mil\u00e9nio:<\/em> <em>A era da Informa\u00e7\u00e3o: economia, sociedade e cultura<\/em>. Vol. III. Editora Paz e Terra, S\u00e3o Paulo. Cap. II. (p.95-202).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Chang, H. J. (2004). <em>Chutando a Escada: A estrat\u00e9gia do desenvolvimento em perspectiva hist\u00f3rica<\/em>. S\u00e3o Paulo, Editora UNESP.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Collier, P. (2007). <em>Os milh\u00f5es da pobreza: por que motivo os pa\u00edses mais carenciados do mundo est\u00e3o a ficar cada vez mais pobres? Qual \u00e9 a verdadeira chave para o seu crescimento? <\/em>Casa das letras, Lisboa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cuco, A. F. (2016). \u201c<em>\u00c9 a China uma boa alternativa de coopera\u00e7\u00e3o para \u00c1frica<\/em>?\u201d en Cuadernos de H Ideas [En l\u00ednea], vol. 10, n\u00ba 10, diciembre, consultado\u2026; URL: http:\/\/perio.unlp.edu.ar\/ojs\/index.php\/cps\/article\/v<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diaz, J. A. S. B. (2022). <em>As rela\u00e7\u00f5es internacionais da constru\u00e7\u00e3o do Estado em Mo\u00e7ambique: p\u00f3s-independ\u00eancia, guerra civil e transi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas<\/em>. Carta Internacional, Belo Horizonte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Floriano, A. P. (2012). <em>A desindustrializa\u00e7\u00e3o da \u00c1frica Sub-sahariana e o Impacto dos Programas de Estabiliza\u00e7\u00e3o e Ajustamento Industrial: O Caso dos PALOPs<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fonseca, D. F. (2015). <em>A \u00c1frica entre a desesperan\u00e7a neoliberal e o \u201crenascimento africano\u201d: d\u00edvida externa, pobreza e desenvolvimento<\/em>. Revista \u00c1frica e Africanidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Matsinhe, L. S. (2011). <em>Mo\u00e7ambique: Uma longa caminhada para um futuro incerto?<\/em> (Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Porto Alegre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meque, A. M. E. (2013). <em>A influ\u00eancia das institui\u00e7\u00f5es de Bretton Woods nas pol\u00edticas p\u00fablicas de Mo\u00e7ambique (1975-2010)<\/em>. (Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado Conjunto em Ci\u00eancia Pol\u00edtica, Governa\u00e7\u00e3o E Rela\u00e7\u00f5es Internacionais). UCM, Beira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Negr\u00e3o, G. N. (2001). <em>Como induzir o desenvolvimento em \u00c1frica<\/em>? CEsA, Lisboa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ngoenha, S. E. (2013)<em>. Intercultura, Alternativa \u00e0 Governa\u00e7\u00e3o Biopolitica? <\/em>Publifix, Maputo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ngoenha, S.; Castiano, J.P. ( 2019). <em>Manifesto por uma terceira via<\/em>. Maputo: Real Design.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Oppenheimer, J. (1998). <em>Pobreza no contexto do ajustamento estrutural \u2013 a situa\u00e7\u00e3o urbana em Mo\u00e7ambique<\/em>. CESA \u2013 ISEG, Maputo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Oppenheimer, J.; Carvalho, L. F. (1998). <em>Desenvolvimento econ\u00f3mico e democracia pol\u00edtica no contexto do ajustamento estrutural em \u00c1frica<\/em>. Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, Lisboa. Wallerstein, I. (2010). <em>\u00c1frica e a economia \u2013 mundo<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Licenciado em Filosofia, pela Universidade S\u00e3o Tom\u00e1s de Mo\u00e7ambique, em 2014. Licenciado em Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, pela Universidade Eduardo Mondlane, em 2017. Actualmente mestrando em Sociologia do Desenvolvimento na Universidade Rovuma &#8211; Nampula. Docente afecto \u00e0 Faculdade de Ci\u00eancias Sociais e Filosofia da Universidade Rovuma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Inspirando-se no livro \u201c<em>Chutando a Escada: a estrat\u00e9gia do desenvolvimento em perspectiva hist\u00f3rica<\/em>\u201d de Chang, onde o autor afirma que os pa\u00edses desenvolvidos est\u00e3o escondendo o \u201csegredo do seu sucesso\u201d, ou por outra \u201cchutando a escada\u201d ao recomendarem, aos pa\u00edses em desenvolvimento, pol\u00edticas e institui\u00e7\u00f5es que eles n\u00e3o tinham ao longo do seu desenvolvimento, Cuco entende que a nova abordagem de coopera\u00e7\u00e3o da China com a \u00c1frica poderia ser considerada um mecanismo uma forma de recolocar a escada para o desenvolvimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>THINKING ABOUT THE DEVELOPMENT OF AFRICA: BETWEEN COOPERATION AND THE POLITICS AND ECONOMY OF SELF-CONFIDENCE Artigo submetido em 21 de&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":1134,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"https:\/\/cognitiojuris.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cognitio-juris_n2.jpg","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[16],"class_list":["post-519","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-cientificos","tag-6o-numero"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/519","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=519"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/519\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1133,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/519\/revisions\/1133"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1134"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=519"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=519"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=519"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}