{"id":652,"date":"2024-12-30T00:34:00","date_gmt":"2024-12-30T03:34:00","guid":{"rendered":"https:\/\/scientiaetratio.com.br\/?p=652"},"modified":"2026-05-23T11:28:05","modified_gmt":"2026-05-23T14:28:05","slug":"a-novacao-na-recuperacao-judicial-uma-analise-sobre-a-aplicacao-do-instituto-de-direito-civil-ao-direito-falimentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/a-novacao-na-recuperacao-judicial-uma-analise-sobre-a-aplicacao-do-instituto-de-direito-civil-ao-direito-falimentar\/","title":{"rendered":"A NOVA\u00c7\u00c3O NA RECUPERA\u00c7\u00c3O JUDICIAL: UMA AN\u00c1LISE SOBRE A APLICA\u00c7\u00c3O DO INSTITUTO DE DIREITO CIVIL AO DIREITO FALIMENTAR"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>THE NOVATION IN JUDICIAL RECOVERY: AN ANALYSIS OF THE APPLICATION OF THE CIVIL LAW INSTITUTE TO BANKRUPTCY LAW<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Artigo submetido em 08 de julho de 2024<br>Artigo aprovado em 19 de julho de 2024<br>Artigo publicado em 30 de dezembro de 2024<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-vivid-cyan-blue-background-color has-background\"><tbody><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Scientia et Ratio<\/strong><br>Volume 4 \u2013 N\u00famero 7 \u2013 Dezembro de 2024<br>ISSN 2525-8532<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-7e4ac651328708ea719ac0894fa30934 wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background\"><tbody><tr><td><strong>Autor:<br>Ana Carolina Couto Matheus<a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftn1\" id=\"_ftnref1\"><sup><strong><sup>[1]<\/sup><\/strong><\/sup><\/a><\/strong><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-7e4ac651328708ea719ac0894fa30934 wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RESUMO: <\/strong>A pesquisa em ep\u00edgrafe analisa as caracter\u00edsticas da nova\u00e7\u00e3o previstas na Lei n\u00ba. 11.101\/2005, em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0s regras do C\u00f3digo Civil, abordando em um primeiro momento, a origem hist\u00f3rica e o desenvolvimento da legisla\u00e7\u00e3o de fal\u00eancias no Brasil. Em seguida, torna-se fundamental compreender as etapas principais do processo de recupera\u00e7\u00e3o judicial. Posteriormente, ser\u00e1 apresentada a no\u00e7\u00e3o de nova\u00e7\u00e3o regida pelo C\u00f3digo Civil, juntamente com suas especificidades, a fim de possibilitar maior entendimento acerca da norma, seguida de uma compara\u00e7\u00e3o com a nova\u00e7\u00e3o regida pela Lei n\u00ba. 11.101\/2005. Insta salientar que a metodologia utilizada foi a revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica, o exame legislativo e jurisprudencial, as t\u00e9cnicas do referente, da categoria, do conceito operacional e do fichamento para avaliar a figura da nova\u00e7\u00e3o regida pelo C\u00f3digo Civil, a fim de possibilitar uma compara\u00e7\u00e3o com a nova\u00e7\u00e3o regida pela Lei n\u00ba. 11.101\/2005, seguindo a metodologia dedutiva, ou seja, partindo de problematiza\u00e7\u00f5es e hip\u00f3teses gerais para chegar a um entendimento espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Palavras-chave: <\/strong>Nova\u00e7\u00e3o. Direito Falimentar. Direito Civil.<strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ABSTRACT: <\/strong>The aforementioned research analyzes the characteristics of novation provided for in Law n\u00ba. 11.101\/2005, in contrast to the rules of the Civil Code, initially addressing the historical origin and development of bankruptcy legislation in Brazil. Next, it is essential to understand the main stages of the judicial recovery process. Subsequently, the notion of novation governed by the Civil Code will be presented, along with its specificities, in order to enable greater understanding of the norm, followed by a comparison with novation governed by Law n\u00ba. 11,101\/2005. It is important to highlight that the methodology used was the bibliographical review, the legislative and jurisprudential examination, the referent, category, operational concept and registration techniques to evaluate the figure of novation governed by the Civil Code, in order to enable a comparison with the novation governed by Law n\u00ba. 11.101\/2005, following the deductive methodology, that is, starting from problematizations and general hypotheses to reach a specific understanding.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Keywords:<\/strong> Novation. Bankruptcy Law. Civil Right.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>1 INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Comumente, visando satisfazer seus cr\u00e9ditos, cada credor adentra o campo dos procedimentos judiciais ou extrajudiciais, valendo-se de execu\u00e7\u00f5es e\/ou cobran\u00e7as conduzidas de forma singular. Entretanto, diante de um conglomerado de credores unidos perante um devedor em comum, torna-se mais eficaz e proporcional instigar um debate em conjunto, com o escopo de instaurar um tratamento mais equitativo entre os credores e propiciar modalidades alternativas e mais vi\u00e1veis para a consecu\u00e7\u00e3o das obriga\u00e7\u00f5es por parte do devedor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante de tal cen\u00e1rio, o legislador promulgou a legisla\u00e7\u00e3o falimentar, cuja gest\u00e3o est\u00e1 sob o comando da Lei n\u00ba. 11.101\/2005, que regulamenta o \u00e2mbito da recupera\u00e7\u00e3o judicial, extrajudicial e fal\u00eancia do empres\u00e1rio e da sociedade empres\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal dispositivo substituiu o Decreto n\u00ba. 7.661\/1945 pelo instituto da recupera\u00e7\u00e3o judicial, introduzindo tamb\u00e9m inova\u00e7\u00f5es no que tange \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o das prerrogativas dos credores, visto que o ju\u00edzo universal incumbido de conduzir o processo de recupera\u00e7\u00e3o apenas det\u00e9m compet\u00eancia para dirimir quest\u00f5es de natureza jur\u00eddica, enquanto que todas as outras, envolvendo propostas, modalidades de quita\u00e7\u00e3o e montantes devidos, s\u00e3o objeto de delibera\u00e7\u00e3o entre o credor, o empres\u00e1rio (devedor) em processo de recupera\u00e7\u00e3o e o administrador judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessa conjuntura, \u00e9 evidente que o direito falimentar redirecionou seu escopo primordial, outrora voltado para a puni\u00e7\u00e3o do devedor insolvente e sua exclus\u00e3o do mercado, agora direcionado para a preserva\u00e7\u00e3o da empresa, com vistas \u00e0 poss\u00edvel ressurg\u00eancia desta e \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de suas atividades econ\u00f4micas, consequentemente, zelando pela estabilidade da economia nacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A recupera\u00e7\u00e3o judicial e extrajudicial s\u00e3o institutos aplic\u00e1veis ao empres\u00e1rio \u2013 concebido legalmente conforme estabelecido no artigo 966 do C\u00f3digo Civil \u2013 que se encontra em situa\u00e7\u00e3o de insolv\u00eancia perante um consider\u00e1vel n\u00famero de credores, tal concep\u00e7\u00e3o \u00e9 extra\u00edda do disposto no artigo 1\u00ba da Lei n\u00ba. 11.101\/2005. Diante deste cen\u00e1rio, o devedor det\u00e9m a prerrogativa de requerer a recupera\u00e7\u00e3o judicial, com o fito de viabilizar sua recupera\u00e7\u00e3o e a continuidade de suas opera\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os objetivos e princ\u00edpios norteadores da recupera\u00e7\u00e3o judicial est\u00e3o delineados no artigo 47 da Lei n\u00b0. 11.101\/2005, quais sejam: a preserva\u00e7\u00e3o da empresa, a manuten\u00e7\u00e3o de sua fun\u00e7\u00e3o social e o est\u00edmulo \u00e0 atividade econ\u00f4mica. A recupera\u00e7\u00e3o judicial representa um benef\u00edcio conferido aos empres\u00e1rios devedores que ostentam meios de efetuar sua recupera\u00e7\u00e3o e permanecer no mercado econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim sendo, infere-se que a finalidade preponderante \u00e9 permitir a reabilita\u00e7\u00e3o dos empres\u00e1rios em situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, todavia, o empres\u00e1rio deve comprovar a efetiva possibilidade de recupera\u00e7\u00e3o, cumprindo diversos requisitos substantivos e formais mediante a apresenta\u00e7\u00e3o da documenta\u00e7\u00e3o requerida nos artigos 48 e 51 da Lei n\u00b0. 11.101\/2005.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Preenchidos os requisitos de legitimidade ativa, os requisitos materiais e formais relativos ao peticionante da recupera\u00e7\u00e3o, e tendo a peti\u00e7\u00e3o inicial sido adequadamente instru\u00edda, o juiz universal deve emitir uma decis\u00e3o de deferimento do pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial, conforme preceitua o artigo 52 da Lei n\u00ba. 11.101\/2005.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Subsequentemente, a parte devedora em recupera\u00e7\u00e3o judicial disp\u00f5e de um prazo irrevog\u00e1vel de sessenta dias a contar da publica\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o que homologou o processamento da recupera\u00e7\u00e3o judicial para elaborar o plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial, conforme estipula o artigo 53 da Lei n\u00ba. 11.101\/2005.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O plano de recupera\u00e7\u00e3o representa uma proposi\u00e7\u00e3o apresentada pelo devedor, detalhando como pretende quitar suas d\u00edvidas junto aos credores. O plano formulado pelo devedor \u00e9 submetido \u00e0 vota\u00e7\u00e3o na Assembleia Geral de credores, ocasi\u00e3o em que estes deliberam sobre sua aprova\u00e7\u00e3o ou rejei\u00e7\u00e3o, prevalecendo a hip\u00f3tese afirmativa, o plano \u00e9 ratificado pelo ju\u00edzo universal e a recupera\u00e7\u00e3o judicial \u00e9 deferida ao empres\u00e1rio requerente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a aprova\u00e7\u00e3o do plano, h\u00e1 uma substitui\u00e7\u00e3o de todos os cr\u00e9ditos abarcados pelo processo de recupera\u00e7\u00e3o judicial, em virtude do artigo 59 da Lei n\u00ba. 11.101\/2005. Todavia, mesmo sendo este t\u00f3pico expressamente previsto em lei, ainda existe muito a ser discutido, sobretudo no que tange \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o do instituto da nova\u00e7\u00e3o, tradicionalmente regulado pelo C\u00f3digo Civil, no contexto do processo de recupera\u00e7\u00e3o judicial, abordando todas as suas particularidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa objetiva, em sua primeira fase, elucidar a origem hist\u00f3rica e a evolu\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o falimentar brasileira, e, em seguida, \u00e9 crucial adquirir conhecimento acerca das etapas centrais do procedimento da recupera\u00e7\u00e3o judicial. Posteriormente, busca-se apresentar a figura da nova\u00e7\u00e3o, regulamentada pelo C\u00f3digo Civil, a fim de possibilitar uma compara\u00e7\u00e3o com a nova\u00e7\u00e3o disposta na Lei n\u00ba. 11.101\/2005.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O escopo deste estudo \u00e9 responder ao seguinte questionamento: a nova\u00e7\u00e3o recuperacional \u00e9 uma nova manifesta\u00e7\u00e3o da nova\u00e7\u00e3o civil tradicional ou uma abordagem in\u00e9dita da aplica\u00e7\u00e3o deste instituto jur\u00eddico?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A metodologia utilizada foi a revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica, o exame legislativo e jurisprudencial, para avaliar a figura da nova\u00e7\u00e3o regida pelo C\u00f3digo Civil, a fim de possibilitar uma compara\u00e7\u00e3o com a nova\u00e7\u00e3o regida pela Lei n\u00ba. 11.101\/2005, seguindo a metodologia dedutiva, ou seja, partindo de problematiza\u00e7\u00f5es e hip\u00f3teses gerais para chegar a um entendimento espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>2 ORIGEM E EVOLU\u00c7\u00c3O HIST\u00d3RICA DA LEGISLA\u00c7\u00c3O FALIMENTAR BRASILEIRA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 importante destacar a preocupa\u00e7\u00e3o com o adimplemento das obriga\u00e7\u00f5es desde a Roma Antiga, por meio do instituto <em>manus injectio<\/em>, como forma de garantia da d\u00edvida, inicialmente vinculada ao corpo do devedor. Posteriormente, a <em>Lex Poetelia Papiria<\/em> proibiu a morte ou escraviza\u00e7\u00e3o do devedor, direcionando a garantia para seu patrim\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a transi\u00e7\u00e3o da Idade M\u00e9dia para a Idade Moderna, o Direito Empresarial surgiu como disciplina especializada, consolidando-se com os C\u00f3digos Civil e Comercial na Fran\u00e7a em 1804 e 1808. Essa regulamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica teve impacto direto na evolu\u00e7\u00e3o do direito falimentar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No contexto brasileiro, o primeiro C\u00f3digo Comercial foi promulgado em 1850, mas o direito falimentar foi regulamentado independentemente pelo Regulamento 738 no mesmo ano. Contudo, cr\u00edticas \u00e0 excessiva autonomia concedida aos credores levaram \u00e0 necessidade de modifica\u00e7\u00e3o legislativa, culminando no Decreto n\u00ba. 917\/1890.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse C\u00f3digo Comercial brasileiro havia dado excessiva import\u00e2ncia aos interesses dos credores, concedendo-lhes tal autonomia que, ao juiz, cabia apenas homologar as suas decis\u00f5es tomadas em assembleia geral. Al\u00e9m disso, dois ter\u00e7os dos credores quirograf\u00e1rios podiam conceder a morat\u00f3ria e mesmo decidir sobre a decreta\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia. Muita \u00eanfase era dada \u00e0 ru\u00edna do devedor como resultado inevit\u00e1vel de sua fal\u00eancia. E mais, os cr\u00edticos dessa legisla\u00e7\u00e3o acusavam o C\u00f3digo de lento e muito dispendioso, e ao mesmo tempo sustentavam que ele havia conseguido a proeza de prejudicar tanto devedores quanto credores (Tzirulnik, 2005, p. 43).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A legisla\u00e7\u00e3o falimentar brasileira passou por diversas reformas, sendo a mais significativa com o Decreto n\u00ba. 7.661\/1945 e, posteriormente, em 2005, com a Lei n\u00ba. 11.101\/2005. Essa \u00faltima reflete influ\u00eancias dos princ\u00edpios da fun\u00e7\u00e3o social da empresa e da preserva\u00e7\u00e3o da empresa, adaptando-se \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais, priorizando a recupera\u00e7\u00e3o empresarial em detrimento da puni\u00e7\u00e3o do devedor insolvente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2.1 CONCEITO E FINALIDADE DA RECUPERA\u00c7\u00c3O JUDICIAL<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Destaca-se a influ\u00eancia dos princ\u00edpios da fun\u00e7\u00e3o social da empresa e da preserva\u00e7\u00e3o da empresa na legisla\u00e7\u00e3o falimentar brasileira, especificamente na Lei n\u00ba. 11.101\/2005. O artigo 47 dessa lei define os objetivos da recupera\u00e7\u00e3o judicial, centrados na supera\u00e7\u00e3o da crise econ\u00f4mico-financeira do devedor, visando a manuten\u00e7\u00e3o da fonte produtora, a preserva\u00e7\u00e3o da empresa, sua fun\u00e7\u00e3o social, o est\u00edmulo \u00e0 atividade econ\u00f4mica, e a prote\u00e7\u00e3o dos interesses dos credores e empregados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova abordagem introduzida pela legisla\u00e7\u00e3o falimentar, em contraste com o antigo Decreto-Lei, prioriza um sistema de reabilita\u00e7\u00e3o sobre o sistema de liquida\u00e7\u00e3o. A empresa deve demonstrar sua capacidade de recupera\u00e7\u00e3o para evitar a declara\u00e7\u00e3o de fal\u00eancia. A preserva\u00e7\u00e3o da empresa \u00e9 destacada como o cerne da quest\u00e3o, alinhando-se com o direito fundamental consagrado na Constitui\u00e7\u00e3o Federal e respaldado pelo Enunciado 53 da I Jornada de Direito Civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fun\u00e7\u00e3o social da empresa, regulamentada pelo direito empresarial e pela legisla\u00e7\u00e3o falimentar, assegura a preserva\u00e7\u00e3o da empresa, permitindo que ela continue suas atividades econ\u00f4micas e cumpra sua fun\u00e7\u00e3o social. Em resumo, a legisla\u00e7\u00e3o falimentar estabelece que a recupera\u00e7\u00e3o judicial busca preservar a empresa como meio fundamental para alcan\u00e7ar seus objetivos e princ\u00edpios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2.2 PRINC\u00cdPIOS DA LEGISLA\u00c7\u00c3O RECUPERACIONAL<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os princ\u00edpios da legisla\u00e7\u00e3o recuperacional s\u00e3o muito importantes na interpreta\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba. 11.101\/2005. Os princ\u00edpios fundamentais, como a preserva\u00e7\u00e3o da empresa e sua fun\u00e7\u00e3o social, s\u00e3o ressaltados no artigo 47 da referida lei. A preserva\u00e7\u00e3o da unidade empresarial \u00e9 considerada crucial para o desenvolvimento econ\u00f4mico, gerando empregos e promovendo a circula\u00e7\u00e3o da moeda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Princ\u00edpio da Viabilidade da Empresa destaca a necessidade de comprovar a situa\u00e7\u00e3o financeira da empresa em crise no pedido de recupera\u00e7\u00e3o, utilizando demonstrativos cont\u00e1beis. O Princ\u00edpio da Igualdade entre os Credores assegura tratamento equitativo e proporcional, embora exista uma ordem preferencial entre as cinco classes de credores, com os cr\u00e9ditos trabalhistas em primeiro lugar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Princ\u00edpio da Participa\u00e7\u00e3o Ativa dos Credores destaca a import\u00e2ncia dos credores na aprova\u00e7\u00e3o do plano de recupera\u00e7\u00e3o durante a assembleia geral. Os Princ\u00edpios da Celeridade e Efici\u00eancia Processual est\u00e3o relacionados ao funcionamento cont\u00ednuo da empresa durante a recupera\u00e7\u00e3o, visando cumprir prazos estabelecidos na legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O texto enfatiza que esses princ\u00edpios orientadores, interligados ao princ\u00edpio da conserva\u00e7\u00e3o da empresa, desempenham um papel crucial no processo de recupera\u00e7\u00e3o judicial, orientando tanto a interpreta\u00e7\u00e3o legislativa quanto a jurisprudencial. Eles servem como guias para a legisla\u00e7\u00e3o falimentar, contribuindo em todas as etapas do processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>3 O PROCEDIMENTO DA RECUPERA\u00c7\u00c3O JUDICIAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A recupera\u00e7\u00e3o judicial \u00e9 um processo espec\u00edfico, com particularidades destinadas a permitir a continuidade das opera\u00e7\u00f5es comerciais de uma empresa em risco. Os dispositivos da legisla\u00e7\u00e3o falimentar, incluindo a recupera\u00e7\u00e3o judicial, n\u00e3o devem ser vistos como medidas negativas, mas sim como benef\u00edcios concedidos a um grupo seleto de entidades que atendem aos requisitos legais estipulados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">3.1 A LEGITIMIDADE ATIVA E O PROCESSAMENTO DO PEDIDO DE RECUPERA\u00c7\u00c3O JUDICIAL<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O texto aborda a legitimidade ativa e o processamento do pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial, destacando os requisitos de natureza material que o empres\u00e1rio deve atender para obter a autoriza\u00e7\u00e3o do tribunal competente. Enumera os requisitos, como a regularidade da atividade econ\u00f4mica por pelo menos dois anos, aus\u00eancia de decreta\u00e7\u00e3o de fal\u00eancia nos \u00faltimos cinco anos e a n\u00e3o condena\u00e7\u00e3o por crime. Menciona a documenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria e destaca a import\u00e2ncia de apresentar uma lista completa de todos os credores do devedor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na concep\u00e7\u00e3o de Tomazette (2021, p. 68), tais diretrizes visam apenas evitar situa\u00e7\u00f5es em que haja uma representa\u00e7\u00e3o artificial da verdadeira situa\u00e7\u00e3o das atividades do requerente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A constata\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, introduzida pela Lei n\u00ba. 14.112\/2020 permite ao juiz nomear um profissional para analisar a veracidade e integralidade da documenta\u00e7\u00e3o apresentada com o pedido de recupera\u00e7\u00e3o. A constata\u00e7\u00e3o pr\u00e9via n\u00e3o avalia a viabilidade econ\u00f4mica, mas verifica as condi\u00e7\u00f5es de funcionamento da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A decis\u00e3o de processamento do pedido de recupera\u00e7\u00e3o autoriza o in\u00edcio do processo, mas a recupera\u00e7\u00e3o judicial s\u00f3 \u00e9 concedida com a aprova\u00e7\u00e3o do plano pelos credores em assembleia. Representam efeitos dessa decis\u00e3o, a nomea\u00e7\u00e3o do administrador judicial, a suspens\u00e3o de a\u00e7\u00f5es ou execu\u00e7\u00f5es contra o devedor e a centraliza\u00e7\u00e3o dos processos no tribunal universal competente. O pr\u00f3ximo passo \u00e9 continuar a explanar os demais est\u00e1gios do processo de recupera\u00e7\u00e3o judicial, incluindo a elabora\u00e7\u00e3o e aprova\u00e7\u00e3o do plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">3.2 CR\u00c9DITOS SUJEITOS \u00c0 RECUPERA\u00c7\u00c3O JUDICIAL<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cr\u00e9ditos banc\u00e1rios representam exce\u00e7\u00e3o estabelecida pela legisla\u00e7\u00e3o aos cr\u00e9ditos sujeitos \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o judicial. A legisla\u00e7\u00e3o concede tratamento privilegiado a esses cr\u00e9ditos, isentando-os como efeitos da recupera\u00e7\u00e3o judicial, com o objetivo de proteger a estabilidade econ\u00f4mica nacional e reduzir taxas de juros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os contratos de aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria, nos quais os bancos det\u00eam garantias sobre bens m\u00f3veis e im\u00f3veis, e contratos de venda com reserva de dom\u00ednio; os cr\u00e9ditos desses contratos n\u00e3o est\u00e3o sujeitos aos efeitos da recupera\u00e7\u00e3o judicial, destacando a import\u00e2ncia do registro do contrato em cart\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A justificativa para esse benef\u00edcio est\u00e1 na prote\u00e7\u00e3o da estabilidade econ\u00f4mica nacional, com o objetivo de proporcionar mais seguran\u00e7a aos empr\u00e9stimos banc\u00e1rios no Brasil e, assim, reduzir as taxas de juros, dada a import\u00e2ncia desses empr\u00e9stimos em nossa economia, como afirmado por Ramos (2020, p. 1355).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maioria dos credores que det\u00eam garantias fiduci\u00e1rias sobre bens m\u00f3veis e im\u00f3veis s\u00e3o bancos, pois s\u00e3o os principais agentes envolvidos em transa\u00e7\u00f5es garantidas por aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria. O contrato de aliena\u00e7\u00e3o fiduci\u00e1ria \u00e9 um acordo no qual uma das partes (fiduciante), propriet\u00e1ria de um bem, o aliena em confian\u00e7a para a outra parte (fiduci\u00e1rio), que se compromete a devolver a propriedade do bem nas condi\u00e7\u00f5es estabelecidas no contrato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u201ctrava banc\u00e1ria\u201d (Ramos, 2020, p. 1361-1362) em que os receb\u00edveis dados em garantia podem prejudicar a recupera\u00e7\u00e3o judicial, uma vez que os bancos ret\u00eam esses cr\u00e9ditos como garantia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Superior Tribunal de Justi\u00e7a j\u00e1 se manifestou sobre o assunto no julgamento do REsp 1.725.609, afirmando que os cr\u00e9ditos decorrentes de contratos de compra e venda com reserva de dom\u00ednio n\u00e3o est\u00e3o sujeitos aos efeitos da recupera\u00e7\u00e3o judicial. \u00c9 importante o registro do contrato em cart\u00f3rio como requisito para a aplica\u00e7\u00e3o dessa norma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cr\u00e9ditos provenientes de contratos de c\u00e2mbio, devido \u00e0 natureza flex\u00edvel dessas transa\u00e7\u00f5es em moedas estrangeiras, o legislador os categoriza como extraconcursais, n\u00e3o sujeitos \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A legisla\u00e7\u00e3o de fal\u00eancias especifica quais tipos de cr\u00e9ditos n\u00e3o est\u00e3o sujeitos \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o judicial e, portanto, n\u00e3o devem ser inclu\u00eddos na lista de credores e n\u00e3o est\u00e3o vinculados \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">3.3 O PLANO DE RECUPERA\u00c7\u00c3O JUDICIAL<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trata-se do processo de elabora\u00e7\u00e3o, apresenta\u00e7\u00e3o e aprova\u00e7\u00e3o do plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial. Devido \u00e0 sua natureza conciliat\u00f3ria, \u00e9 crucial que haja um consenso entre o devedor e a massa de credores. Para que isso aconte\u00e7a, \u00e9 necess\u00e1rio que seja apresentada uma proposta de acordo, que \u00e9 chamada de plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial, conforme explicado por Tomazette (2021, p. 73).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O objetivo fundamental da recupera\u00e7\u00e3o judicial \u00e9 reunir todos os credores do empres\u00e1rio em crise em um processo para alcan\u00e7ar um amplo acordo de pagamento de d\u00edvidas. Este \u00e9 o prop\u00f3sito do Plano de Recupera\u00e7\u00e3o Judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o de apresenta\u00e7\u00e3o do plano, ap\u00f3s a autoriza\u00e7\u00e3o do processamento do pedido de recupera\u00e7\u00e3o judicial, a empresa em recupera\u00e7\u00e3o tem um prazo de sessenta dias para elaborar e apresentar o plano de recupera\u00e7\u00e3o, sendo essa uma obriga\u00e7\u00e3o estabelecida por lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 muito importante cumprir o prazo legal para a apresenta\u00e7\u00e3o do plano. O n\u00e3o cumprimento do prazo legal para a apresenta\u00e7\u00e3o do plano resultar\u00e1 na convers\u00e3o autom\u00e1tica da recupera\u00e7\u00e3o em fal\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao conte\u00fado do plano, \u00e9 aconselh\u00e1vel que o plano seja cuidadosamente elaborado, de prefer\u00eancia por profissionais especializados em administra\u00e7\u00e3o de empresas ou \u00e1reas relacionadas, e que apresente medidas vi\u00e1veis para superar a crise enfrentada pela empresa, como sugerido por Ramos (2020, p. 1346).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A formula\u00e7\u00e3o do plano de recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma etapa cr\u00edtica para o sucesso do processo, devendo ser cuidadosamente elaborado por profissionais especializados, apresentando medidas vi\u00e1veis para superar a crise.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A legisla\u00e7\u00e3o de fal\u00eancias estabelece requisitos espec\u00edficos que devem ser inclu\u00eddos no plano de recupera\u00e7\u00e3o, conforme listado nos incisos do artigo 53 da Lei n\u00ba. 11.101\/2005 (LREF). O cerne do plano \u00e9 a apresenta\u00e7\u00e3o dos meios de recupera\u00e7\u00e3o, que podem incluir altera\u00e7\u00f5es na estrutura de gest\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios (mediante acordo coletivo) e m\u00e9todos especiais para pagamento de cr\u00e9ditos trabalhistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o do plano, os credores t\u00eam trinta dias corridos para analisar, manifestar opini\u00f5es e apresentar obje\u00e7\u00f5es. A aus\u00eancia de obje\u00e7\u00f5es implica aprova\u00e7\u00e3o tacitamente. Se houver obje\u00e7\u00f5es, o juiz convoca uma Assembleia Geral de Credores para deliberar sobre o plano. Altera\u00e7\u00f5es no plano podem ser introduzidas durante a assembleia, desde que haja concord\u00e2ncia do devedor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A aprova\u00e7\u00e3o do plano de recupera\u00e7\u00e3o em Assembleia Geral de Credores \u00e9 crucial. O juiz, ao homologar o plano, n\u00e3o analisa a viabilidade econ\u00f4mica da empresa, deixando essa tarefa para os credores, que possuem o poder decis\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O controle judicial do plano se limita \u00e0 legalidade, evitando fraude e abuso de direito. O juiz n\u00e3o deve recusar a concess\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o judicial ou a homologa\u00e7\u00e3o do plano com base na an\u00e1lise econ\u00f4mico-financeira, conforme estabelecido nos enunciados 44 e 46 da I Jornada de Direito Comercial do CJF\/STJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se o plano for rejeitado, o administrador judicial pode conceder um prazo para que os credores apresentem um plano alternativo. Se ambos os planos forem rejeitados, o juiz converter\u00e1 a recupera\u00e7\u00e3o judicial em fal\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 muito importante a participa\u00e7\u00e3o ativa dos credores na an\u00e1lise e aprova\u00e7\u00e3o do plano, pois o sucesso da recupera\u00e7\u00e3o judicial depende, em grande parte, da coopera\u00e7\u00e3o e decis\u00f5es dos envolvidos no processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">3.4 DA CONCESS\u00c3O DA RECUPERA\u00c7\u00c3O JUDICIAL<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fase de concess\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o judicial, \u00e9 importante destacar que o juiz, ao homologar o plano de recupera\u00e7\u00e3o, concede a recupera\u00e7\u00e3o judicial ao empres\u00e1rio devedor, desde que cumpridas as exig\u00eancias da lei. A concess\u00e3o ocorre quando o plano n\u00e3o sofre obje\u00e7\u00e3o de credor nos termos do artigo 55 ou \u00e9 aprovado pela assembleia-geral de credores, conforme artigos 45 ou 56-A da LREF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir da concess\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o judicial e a publica\u00e7\u00e3o da decis\u00e3o que homologa o plano, inicia-se a fase executiva do processo de recupera\u00e7\u00e3o. O plano come\u00e7a a produzir efeitos de acordo com o que foi aprovado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos principais efeitos \u00e9 a nova\u00e7\u00e3o de todos os cr\u00e9ditos existentes antes do pedido de recupera\u00e7\u00e3o, com exce\u00e7\u00f5es legais. O artigo 59 da LREF estabelece que o plano implica nova\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos anteriores ao pedido, obrigando o devedor e todos os credores a ele sujeitos, sem preju\u00edzo das garantias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova\u00e7\u00e3o determinada pela lei significa que todos os cr\u00e9ditos, inclusive aqueles que surgiram ap\u00f3s o pedido de recupera\u00e7\u00e3o, est\u00e3o submetidos aos efeitos do plano, mesmo que o credor n\u00e3o tenha participado da Assembleia Geral de Credores (AGC) ou n\u00e3o tenha concordado com os termos do plano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A decis\u00e3o que concede a recupera\u00e7\u00e3o judicial constitui um t\u00edtulo executivo judicial, conforme o artigo 59, \u00a7 1\u00ba, da LREF. Essa decis\u00e3o serve como base para a execu\u00e7\u00e3o das disposi\u00e7\u00f5es do plano, vinculando todos os credores do empres\u00e1rio devedor aos efeitos do plano aprovado, por meio da nova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 importante ressaltar que a nova\u00e7\u00e3o no contexto da recupera\u00e7\u00e3o judicial possui caracter\u00edsticas espec\u00edficas, diferenciando-se do conceito tradicionalmente disposto no C\u00f3digo Civil. Essa fase da concess\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o judicial \u00e9 crucial para determinar a efic\u00e1cia do plano aprovado e para estabelecer as condi\u00e7\u00f5es sob as quais os cr\u00e9ditos ser\u00e3o novados, transformando a decis\u00e3o judicial em um t\u00edtulo executivo judicial vinculante para todas as partes envolvidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>4 DO INSTITUTO DA NOVA\u00c7\u00c3O<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O instituto da nova\u00e7\u00e3o \u00e9 muito importante no contexto da recupera\u00e7\u00e3o judicial. A nova\u00e7\u00e3o \u00e9 um conceito jur\u00eddico que envolve a substitui\u00e7\u00e3o de uma obriga\u00e7\u00e3o anterior por uma nova, com o prop\u00f3sito de extinguir a obriga\u00e7\u00e3o anterior e criar uma nova obriga\u00e7\u00e3o, geralmente com termos e condi\u00e7\u00f5es diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na recupera\u00e7\u00e3o judicial, a nova\u00e7\u00e3o ocorre quando um plano de recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 aprovado. Isso implica a substitui\u00e7\u00e3o dos termos antigos dos contratos de d\u00edvida pelos estipulados no plano, vinculando os credores aos novos termos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O efeito principal da nova\u00e7\u00e3o na recupera\u00e7\u00e3o judicial \u00e9 vincular os credores aos termos e condi\u00e7\u00f5es do plano aprovado. Os credores n\u00e3o podem mais exigir o cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es originais estipuladas nos contratos de d\u00edvida anteriores ao pedido de recupera\u00e7\u00e3o, estando sujeitos \u00e0s regras do plano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pressupostos da nova\u00e7\u00e3o na recupera\u00e7\u00e3o judicial incluem a aprova\u00e7\u00e3o do plano pelos credores durante a Assembleia Geral de Credores (AGC) e a homologa\u00e7\u00e3o judicial do plano pelo juiz. A aprova\u00e7\u00e3o pelos credores \u00e9 seguida pela homologa\u00e7\u00e3o judicial para que o plano entre em vigor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova\u00e7\u00e3o tem origem na substitui\u00e7\u00e3o de obriga\u00e7\u00f5es em contratos civis e comerciais. Na recupera\u00e7\u00e3o judicial, ela \u00e9 uma ferramenta legal essencial para reorganizar as d\u00edvidas da empresa em crise, possibilitando sua reabilita\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 crucial o posicionamento dos tribunais brasileiros sobre a nova\u00e7\u00e3o na recupera\u00e7\u00e3o judicial. A jurisprud\u00eancia geralmente reconhece a validade da nova\u00e7\u00e3o na recupera\u00e7\u00e3o judicial, desde que os requisitos legais sejam cumpridos, ou seja, a aprova\u00e7\u00e3o pelos credores e a homologa\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em suma, a nova\u00e7\u00e3o na recupera\u00e7\u00e3o judicial \u00e9 um mecanismo legal que substitui as obriga\u00e7\u00f5es anteriores da empresa por novas, estabelecidas no plano aprovado. Isso \u00e9 essencial para reorganizar as d\u00edvidas da empresa e facilitar sua recupera\u00e7\u00e3o financeira, com base na nova\u00e7\u00e3o civil tradicional e respaldo na legisla\u00e7\u00e3o e jurisprud\u00eancia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">4.1 A NOVA\u00c7\u00c3O CIVIL E SUAS CARACTER\u00cdSTICAS&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A palavra \u201cnova\u00e7\u00e3o\u201d tem origem no latim, significando \u201crenova\u00e7\u00e3o\u201d. No direito romano, a nova\u00e7\u00e3o surgiu como uma maneira de extinguir obriga\u00e7\u00f5es impr\u00f3prias, resultando na extin\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o principal sem o efetivo cumprimento da presta\u00e7\u00e3o original.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova\u00e7\u00e3o romana, por sua natureza, era uma t\u00e9cnica legal que permitia a substitui\u00e7\u00e3o de uma obriga\u00e7\u00e3o por outra, extinguindo a primeira. Essa pr\u00e1tica visava renovar rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas sem a necessidade de cumprimento efetivo da obriga\u00e7\u00e3o original.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os princ\u00edpios da nova\u00e7\u00e3o romana influenciaram o conceito de nova\u00e7\u00e3o no direito contempor\u00e2neo, incluindo seu uso na recupera\u00e7\u00e3o judicial. Na nova\u00e7\u00e3o, ocorre indiretamente a cess\u00e3o de cr\u00e9dito, extinguindo a obriga\u00e7\u00e3o primitiva e dando origem a uma nova entre o antigo devedor e um novo credor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma de transfer\u00eancia de cr\u00e9dito entre partes. Para Alves (2018, p. 478) \u201cse eu quiser que seja devido a ti o que outrem me deve, n\u00e3o posso empregar nenhum dos modos de alienar as coisas corp\u00f3reas, sendo mister que, \u00e0 minha ordem, tu estipules com ele; donde resulta que ele se desobriga com rela\u00e7\u00e3o a mim, sujeitando-se a ti\u201d; o que se denomina nova\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova\u00e7\u00e3o moderna n\u00e3o exige a manuten\u00e7\u00e3o das mesmas condi\u00e7\u00f5es da obriga\u00e7\u00e3o anterior. Requisitos incluem a exist\u00eancia de uma obriga\u00e7\u00e3o anterior, a constitui\u00e7\u00e3o de uma nova obriga\u00e7\u00e3o, a ocorr\u00eancia de algo de novo e a inten\u00e7\u00e3o de novar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No direito brasileiro, a nova\u00e7\u00e3o \u00e9 disciplinada nos artigos 360 a 367 do C\u00f3digo Civil. Esses artigos definem o conceito e os meios de aplica\u00e7\u00e3o desse instituto jur\u00eddico, estabelecendo as bases para sua utiliza\u00e7\u00e3o em diversas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">4.2 REQUISITOS DA NOVA\u00c7\u00c3O&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro requisito essencial para que ocorra a nova\u00e7\u00e3o civil \u00e9 a exist\u00eancia pr\u00e9via de uma obriga\u00e7\u00e3o v\u00e1lida (<em>prior obligatio<\/em>). A exist\u00eancia de uma obriga\u00e7\u00e3o pr\u00e9via \u00e9 o prop\u00f3sito fundamental da nova\u00e7\u00e3o, sendo essencial para sua aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cSe a nova\u00e7\u00e3o tem por finalidade extinguir uma rela\u00e7\u00e3o obrigacional precedente, ser\u00e1 imprescind\u00edvel que esta exista, sob pena de a nova\u00e7\u00e3o perder sua raz\u00e3o de ser; assim, \u00e9 essencial a exist\u00eancia de um d\u00e9bito anterior, que ser\u00e1 substitu\u00eddo por um novo\u201d (Diniz, 2007, p. 292). A obriga\u00e7\u00e3o preexistente deve ser v\u00e1lida; obriga\u00e7\u00f5es nulas, extintas ou inexistentes n\u00e3o podem ser objeto de nova\u00e7\u00e3o, conforme o disposto no art. 367 do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 possibilidade de transforma\u00e7\u00e3o substancial, mesmo uma obriga\u00e7\u00e3o nula pode ser transformada substancialmente em uma nova obriga\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel, desde que contenha os mesmos requisitos da obriga\u00e7\u00e3o predecessora, de acordo com o art. 170 do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Obriga\u00e7\u00f5es anul\u00e1veis podem ser objeto de nova\u00e7\u00e3o, pois permanecem v\u00e1lidas at\u00e9 serem anuladas por senten\u00e7a judicial, conforme previsto no art. 177 do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obriga\u00e7\u00e3o anul\u00e1vel permanecer\u00e1 v\u00e1lida enquanto n\u00e3o for anulada por senten\u00e7a. O v\u00edcio que torna anul\u00e1vel a obriga\u00e7\u00e3o n\u00e3o afeta a ordem p\u00fablica, e a disposi\u00e7\u00e3o legal que prescreve seu desfazimento visa t\u00e3o-somente a prote\u00e7\u00e3o do relativamente incapaz ou do que foi v\u00edtima de um v\u00edcio resultante de erro, dolo, coa\u00e7\u00e3o, estado de perigo, les\u00e3o ou fraude (Diniz, 2007, p. 292).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O segundo requisito da nova\u00e7\u00e3o civil \u00e9 a constitui\u00e7\u00e3o de uma nova obriga\u00e7\u00e3o (<em>posterior obligatio<\/em>). A constitui\u00e7\u00e3o de uma nova obriga\u00e7\u00e3o \u00e9 um requisito fundamental da nova\u00e7\u00e3o. A nova\u00e7\u00e3o ocorre apenas se a nova obriga\u00e7\u00e3o for substancialmente distinta da antiga, podendo recair sobre o objeto e os sujeitos da obriga\u00e7\u00e3o. A nova obriga\u00e7\u00e3o deve atender aos requisitos do art. 104 do C\u00f3digo Civil para ser v\u00e1lida como novo neg\u00f3cio jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caso n\u00e3o haja o conhecimento, a obriga\u00e7\u00e3o novada pode ser apenas anul\u00e1vel em parte (n\u00e3o viciada). Assim, o neg\u00f3cio continua a produzir efeitos no mundo jur\u00eddico, em conformidade com o explanado por Farias e Rosenvald (2017, p. 514).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O terceiro requisito da nova\u00e7\u00e3o \u00e9 a inten\u00e7\u00e3o de novar (<em>animus novandi<\/em>). A inten\u00e7\u00e3o de novar \u00e9 considerada o elemento ps\u00edquico da nova\u00e7\u00e3o. As partes interessadas devem expressamente declarar sua vontade de realizar o novo neg\u00f3cio jur\u00eddico com o objetivo de extinguir e substituir a obriga\u00e7\u00e3o pr\u00e9via.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O <em>animus novandi <\/em>n\u00e3o se presume, precisa ser inequivocamente declarado pelas partes. Caso n\u00e3o haja inten\u00e7\u00e3o de novar, a segunda obriga\u00e7\u00e3o confirma simplesmente a primeira, sem aplica\u00e7\u00e3o do instituto da nova\u00e7\u00e3o. Trata-se de ponto controverso a possibilidade de nova\u00e7\u00e3o de obriga\u00e7\u00f5es naturais, mas alguns doutrinadores, como Gon\u00e7alves (2020), defendem sua aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O art. 104 do C\u00f3digo Civil estabelece condi\u00e7\u00f5es para a validade do neg\u00f3cio jur\u00eddico, incluindo agente capaz, objeto l\u00edcito, poss\u00edvel, determinado ou determin\u00e1vel, e forma prescrita ou n\u00e3o defesa em lei. O art. 361 do C\u00f3digo Civil estabelece que, n\u00e3o havendo \u00e2nimo de novar, a segunda obriga\u00e7\u00e3o confirma simplesmente a primeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">4.3 EFEITOS DA NOVA\u00c7\u00c3O<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova\u00e7\u00e3o apresenta efeitos duplos, atuando tanto como agente extintor da obriga\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, quanto como gerador de uma nova obriga\u00e7\u00e3o sob um novo contexto contratual. Em rela\u00e7\u00e3o ao efeito extintivo a nova\u00e7\u00e3o age como agente de reden\u00e7\u00e3o, desfazendo os la\u00e7os da obriga\u00e7\u00e3o preexistente. Com a extin\u00e7\u00e3o da obriga\u00e7\u00e3o ancestral, a cessa\u00e7\u00e3o de todos os seus efeitos originais ocorre concomitantemente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da regra de que o credor devedor insolvente n\u00e3o pode buscar regress\u00e3o contra o devedor primordial, a boa-f\u00e9 \u00e9 essencial. Se o devedor ocultar intencionalmente a insolv\u00eancia do sucessor na obriga\u00e7\u00e3o, a m\u00e1-f\u00e9 pode restaurar a obriga\u00e7\u00e3o anterior, como destaca Gon\u00e7alves (2020, p. 389).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova\u00e7\u00e3o exonera automaticamente os devedores solid\u00e1rios que n\u00e3o participaram da nova\u00e7\u00e3o. A responsabilidade persiste apenas para os devedores solid\u00e1rios que aderiram \u00e0 nova obriga\u00e7\u00e3o, conforme o artigo 365 do C\u00f3digo Civil. A nova\u00e7\u00e3o extingue obriga\u00e7\u00f5es acess\u00f3rias, como juros e multas, e suas garantias, incluindo as reais, a menos que estejam vinculadas a garantias espec\u00edficas como penhor, anticrese e hipoteca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Destaca-se a distin\u00e7\u00e3o com a nova\u00e7\u00e3o recuperacional, onde, como regra, os efeitos das garantias dos cr\u00e9ditos novados s\u00e3o mantidos. Esses efeitos demonstram a pot\u00eancia normativa da nova\u00e7\u00e3o, ressaltando a necessidade de cuidado e cautela por parte das partes envolvidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A m\u00e1-f\u00e9 pode anular a nova\u00e7\u00e3o, e a exonera\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica dos devedores solid\u00e1rios \u00e9 contraposta ao princ\u00edpio da boa-f\u00e9. Al\u00e9m disso, a nova\u00e7\u00e3o, ao extinguir obriga\u00e7\u00f5es acess\u00f3rias e garantias, impacta significativamente o contexto das rela\u00e7\u00f5es contratuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">4.4 MODALIDADES DE NOVA\u00c7\u00c3O<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As modalidades de nova\u00e7\u00e3o, delineadas no art. 360 do C\u00f3digo Civil, abrangem diferentes situa\u00e7\u00f5es em que a nova\u00e7\u00e3o pode ocorrer. Na modalidade de nova\u00e7\u00e3o objetiva ou real, o devedor assume uma nova obriga\u00e7\u00e3o para extinguir e substituir a anterior, mantendo os mesmos sujeitos da rela\u00e7\u00e3o anterior, mas alterando o objeto da obriga\u00e7\u00e3o. A base legal \u00e9 o art. 360, inciso I, do C\u00f3digo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova\u00e7\u00e3o subjetiva ou pessoal envolve a substitui\u00e7\u00e3o dos sujeitos na nova rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica. Na nova\u00e7\u00e3o subjetiva passiva ocorre a substitui\u00e7\u00e3o do antigo devedor por um novo, liberando o primeiro da d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existem duas modalidades de nova\u00e7\u00e3o subjetiva passiva: por expromiss\u00e3o ou por delega\u00e7\u00e3o. Por expromiss\u00e3o ocorre pela substitui\u00e7\u00e3o sem a necessidade do consentimento do devedor original (artigo 362 do C\u00f3digo Civil). A delega\u00e7\u00e3o requer a anu\u00eancia do devedor original ao indicar um terceiro para assumir sua posi\u00e7\u00e3o na obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova\u00e7\u00e3o subjetiva ativa, prevista no artigo 360, incisos II e III, do C\u00f3digo Civil, \u00e9 a substitui\u00e7\u00e3o do antigo credor por um novo, com o primeiro renunciando ao cr\u00e9dito mediante a celebra\u00e7\u00e3o de uma nova obriga\u00e7\u00e3o. Ocorre a distin\u00e7\u00e3o clara dos institutos da cess\u00e3o de cr\u00e9dito e sub-roga\u00e7\u00e3o, pois na nova\u00e7\u00e3o ativa, a antiga obriga\u00e7\u00e3o \u00e9 extinta e uma nova \u00e9 criada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova\u00e7\u00e3o mista ocorre simultaneamente \u00e0 mudan\u00e7a do objeto da presta\u00e7\u00e3o e dos sujeitos da rela\u00e7\u00e3o jur\u00eddica obrigacional, ou seja, tanto o conte\u00fado quanto os participantes da obriga\u00e7\u00e3o sofrem altera\u00e7\u00f5es substanciais. Trata-se da combina\u00e7\u00e3o das modalidades objetiva e subjetiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em suma, a nova\u00e7\u00e3o \u00e9 um instituto jur\u00eddico complexo com diferentes modalidades, cada uma com requisitos, efeitos e formas de aplica\u00e7\u00e3o distinta. O prop\u00f3sito principal da nova\u00e7\u00e3o \u00e9 extinguir uma obriga\u00e7\u00e3o antiga, substituindo-a por uma nova no cen\u00e1rio jur\u00eddico. A aplica\u00e7\u00e3o adequada requer aten\u00e7\u00e3o aos requisitos espec\u00edficos de cada modalidade para alcan\u00e7ar o resultado desejado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>5 DA NOVA\u00c7\u00c3O RECUPERACIONAL E SUAS PECULIARIDADES<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova\u00e7\u00e3o no contexto da recupera\u00e7\u00e3o judicial de empresas, conforme estabelecido na Lei de Recupera\u00e7\u00e3o e Fal\u00eancias (LREF), envolve a substitui\u00e7\u00e3o de uma obriga\u00e7\u00e3o anterior por uma nova, notadamente relevante no processo de reorganiza\u00e7\u00e3o financeira de empresas em crise.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A aprova\u00e7\u00e3o do plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial implica nova\u00e7\u00e3o de todos os cr\u00e9ditos anteriores ao pedido, conforme o artigo 59 da LREF. Ap\u00f3s a concess\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o judicial, a nova\u00e7\u00e3o implica a substitui\u00e7\u00e3o dos termos antigos dos contratos de d\u00edvida pelos estipulados no plano de recupera\u00e7\u00e3o aprovado. Isso vincula os credores aos novos termos, extinguindo as obriga\u00e7\u00f5es anteriores. A nova\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m confere \u00e0 decis\u00e3o judicial que concede a recupera\u00e7\u00e3o judicial o status de t\u00edtulo executivo judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo 49 da LREF amplia a abrang\u00eancia da recupera\u00e7\u00e3o judicial a todos os cr\u00e9ditos existentes na data do pedido, mesmo os n\u00e3o vencidos. Destaca-se que os credores conservam seus direitos e privil\u00e9gios contra coobrigados, fiadores e obrigados de regresso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova\u00e7\u00e3o recuperacional n\u00e3o prejudica as garantias existentes, nem introduz altera\u00e7\u00f5es nas rela\u00e7\u00f5es com os coobrigados e devedores solid\u00e1rios. Os credores mant\u00eam intactos os seus direitos e privil\u00e9gios em rela\u00e7\u00e3o aos coobrigados, fiadores e obrigados regressivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A concess\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o judicial n\u00e3o resulta na suspens\u00e3o das garantias vinculadas \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o principal. Isso significa que eventuais a\u00e7\u00f5es judiciais de execu\u00e7\u00e3o podem prosseguir normalmente contra o devedor, sem que as garantias sejam afetadas pelo processo de recupera\u00e7\u00e3o judicial. Nesse sentido \u00e9 o entendimento do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) no julgamento do Agravo Regimental no Conflito de Compet\u00eancia 116.173\/AL:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AGRAVO REGIMENTAL NO CONFLITO DE COMPET\u00caNCIA. RECUPERA\u00c7\u00c3O JUDICIAL. AS A\u00c7\u00d5ES E EXECU\u00c7\u00d5ES MOVIDAS CONTRA OS AVALISTAS N\u00c3O SE SUSPENDEM POR FOR\u00c7A DO DEFERIMENTO DA RECUPERA\u00c7\u00c3O JUDICIAL DA COOBRIGADA. 1. Decorre do art. 6\u00ba da Lei 11.101\/05 a suspens\u00e3o das a\u00e7\u00f5es e execu\u00e7\u00f5es que se voltem contra o patrim\u00f4nio da sociedade em recupera\u00e7\u00e3o. 2. O art. 49, \u00a7 1\u00ba, da Lei 11.101\/2005, prev\u00ea que os credores do devedor em recupera\u00e7\u00e3o judicial conservam seus direitos e privil\u00e9gios contra os coobrigados, fiadores e obrigados de regresso. 3. <strong>A obriga\u00e7\u00e3o que decorre do aval \u00e9 aut\u00f4noma, n\u00e3o tendo a sua efic\u00e1cia suspensa pelo deferimento da recupera\u00e7\u00e3o judicial da sociedade garantida. Precedentes<\/strong>. 4. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO (BRASIL. Superior Tribunal de Justi\u00e7a. Agravo Regimental no Conflito de Compet\u00eancia 116.173\/AL. Relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Bras\u00edlia. AgRg no CC n. 116.173\/AL, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Segunda Se\u00e7\u00e3o, DJe de 15.4.2013).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste sentido tamb\u00e9m \u00e9 o posicionamento STJ no Informativo n\u00ba 554, a saber:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DIREITO EMPRESARIAL. RECUPERA\u00c7\u00c3O JUDICIAL DE DEVEDOR PRINCIPAL E TERCEIROS DEVEDORES SOLID\u00c1RIOS OU COOBRIGADOS EM GERAL. RECURSO REPETITIVO (ART. 543-C DO CPC E RES. 8\/2008-STJ). A recupera\u00e7\u00e3o judicial do devedor principal n\u00e3o impede o prosseguimento das execu\u00e7\u00f5es nem induz suspens\u00e3o ou extin\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es ajuizadas contra terceiros devedores solid\u00e1rios ou coobrigados em geral, por garantia cambial, real ou fidejuss\u00f3ria, pois n\u00e3o se lhes aplicam a suspens\u00e3o prevista nos arts. 6\u00ba, caput, e 52, III, ou a nova\u00e7\u00e3o a que se refere o art. 59, caput, por for\u00e7a do que disp\u00f5e o art. 49, \u00a7 1\u00ba, todos da Lei 11.101\/2005 (BRASIL. Superior Tribunal de Justi\u00e7a. Recursos Repetitivos. <strong>Informativo n\u00ba 554,<\/strong> de 25 de fevereiro de 2015. Rel. Min. Luis Felipe Salom\u00e3o. Informativo n\u00ba 554 do STJ, publicado em 25 de fevereiro de 2015, p. 8).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 evidente o posicionamento adotado pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) em rela\u00e7\u00e3o a esse tema, aplicando rigorosamente as diretrizes estabelecidas no artigo 49, \u00a7 1\u00ba da Lei de Recupera\u00e7\u00e3o e Fal\u00eancias. A S\u00famula n\u00ba 581 do STJ tamb\u00e9m corrobora essa abordagem, estabelecendo que a recupera\u00e7\u00e3o judicial do devedor principal n\u00e3o impede o andamento das a\u00e7\u00f5es contra terceiros devedores solid\u00e1rios ou coobrigados em geral, por garantia cambial, real ou fidejuss\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova\u00e7\u00e3o recuperacional n\u00e3o extingue as obriga\u00e7\u00f5es acess\u00f3rias ou as garantias vinculadas \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o principal. Por conseguinte, percebe-se que o disposto no art. 49, \u00a7 1\u00ba da LREF aparenta ir de encontro ao disposto no art. 364 do C\u00f3digo Civil, o qual exprime que&nbsp;a nova\u00e7\u00e3o extingue os acess\u00f3rios e garantias da d\u00edvida, sempre que n\u00e3o houver estipula\u00e7\u00e3o em contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme a jurisprud\u00eancia do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, a recupera\u00e7\u00e3o judicial n\u00e3o suspende a\u00e7\u00f5es e execu\u00e7\u00f5es contra avalistas, coobrigados ou devedores solid\u00e1rios. A obriga\u00e7\u00e3o decorrente do aval \u00e9 aut\u00f4noma e n\u00e3o tem sua efic\u00e1cia suspensa pela recupera\u00e7\u00e3o judicial da sociedade garantida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova\u00e7\u00e3o na recupera\u00e7\u00e3o judicial, ao contr\u00e1rio da nova\u00e7\u00e3o civil comum, preserva as garantias reais ou fidejuss\u00f3rias, permitindo que os credores exer\u00e7am seus direitos contra terceiros garantidores. A nova\u00e7\u00e3o na recupera\u00e7\u00e3o judicial \u00e9 espec\u00edfica, sujeita a condi\u00e7\u00e3o resolutiva e n\u00e3o extingue as garantias, diferenciando-se da nova\u00e7\u00e3o prevista na lei civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As particularidades da nova\u00e7\u00e3o recuperacional no contexto da recupera\u00e7\u00e3o judicial de empresas se contrastam com a nova\u00e7\u00e3o civil tradicional, especialmente no que diz respeito \u00e0s garantias vinculadas \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inicialmente, destaca-se a aparente contradi\u00e7\u00e3o entre a nova\u00e7\u00e3o recuperacional, regida pelos dispositivos da Lei de Recupera\u00e7\u00e3o e Fal\u00eancias (LREF), e a nova\u00e7\u00e3o civil tradicional conforme o C\u00f3digo Civil. Enquanto o C\u00f3digo Civil, no artigo 364, estabelece que a nova\u00e7\u00e3o extingue garantias, a LREF, nos artigos 49, \u00a7 1\u00ba, e 59, afirma que a nova\u00e7\u00e3o recuperacional n\u00e3o prejudica as garantias vinculadas \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 primeira vista, a nova\u00e7\u00e3o recuperacional parece seguir a l\u00f3gica da nova\u00e7\u00e3o civil tradicional, ocorrendo quando o devedor, ao aprovar o plano de recupera\u00e7\u00e3o, substitui uma obriga\u00e7\u00e3o preexistente por uma nova. No entanto, ao examinar mais detalhadamente a legisla\u00e7\u00e3o de fal\u00eancias, s\u00e3o evidenciadas peculiaridades, principalmente no que diz respeito \u00e0s garantias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto a nova\u00e7\u00e3o civil comumente extingue garantias, na nova\u00e7\u00e3o recuperacional, a regra \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o delas, conforme os artigos 49, \u00a7 1\u00ba, e 59 da LREF. Isso se deve \u00e0 transfer\u00eancia da obriga\u00e7\u00e3o antiga para uma nova mediante a aprova\u00e7\u00e3o do plano de recupera\u00e7\u00e3o. A nova\u00e7\u00e3o recuperacional ocorre \u201csem preju\u00edzo das garantias\u201d, conforme o disposto no artigo 59 da LREF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As garantias n\u00e3o s\u00e3o afetadas pelo processo de recupera\u00e7\u00e3o judicial, o que proporciona seguran\u00e7a aos credores em rela\u00e7\u00e3o aos seus direitos. O artigo 50 da LREF introduz uma exce\u00e7\u00e3o ao disposto no artigo 49, \u00a7 1\u00ba, permitindo a supress\u00e3o ou substitui\u00e7\u00e3o das garantias, desde que haja a aprova\u00e7\u00e3o expressa do credor titular da respectiva garantia real.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) estendeu a aplica\u00e7\u00e3o do artigo 50, \u00a7 1\u00ba da LREF, afirmando no Informativo n\u00ba 591 que, durante a assembleia geral de credores, se o plano de recupera\u00e7\u00e3o explicitamente prev\u00ea a classe dos credores reais, estes t\u00eam o poder de aprovar a supress\u00e3o de todas as garantias fidejuss\u00f3rias ou reais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Informativo n\u00ba 591 do STJ discute a vincula\u00e7\u00e3o de todos os credores \u00e0 determina\u00e7\u00e3o de um plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial aprovado pela maioria na assembleia geral de credores. Destaca que, se a maioria dos credores, devidamente representada pelas respectivas classes, optar, por meio de dispositivo expressamente consignado no plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial, pela supress\u00e3o de todas as garantias fidejuss\u00f3rias e reais existentes na data da aprova\u00e7\u00e3o do plano, todos os credores, inclusive aqueles que n\u00e3o compareceram \u00e0 assembleia ou que se abstiveram ou votaram contrariamente, estar\u00e3o vinculados a essa determina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O STJ ressalta que o Poder Judici\u00e1rio pode promover o controle de legalidade do plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial, sem interferir na an\u00e1lise da viabilidade econ\u00f4mica da empresa em crise. O artigo 59 da Lei n\u00ba. 11.101\/2005 estabelece que a concess\u00e3o de recupera\u00e7\u00e3o judicial enseja a nova\u00e7\u00e3o das obriga\u00e7\u00f5es, sem preju\u00edzo das garantias, observando o disposto no \u00a7 1\u00ba do artigo 50 da mesma lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova\u00e7\u00e3o operada pelo plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial \u00e9 diferenciada da nova\u00e7\u00e3o civil, pois, enquanto a nova\u00e7\u00e3o civil extingue as garantias da d\u00edvida, a nova\u00e7\u00e3o recuperacional, por regra, preserva as garantias, especialmente as reais. A supress\u00e3o ou substitui\u00e7\u00e3o dessas garantias s\u00f3 \u00e9 permitida mediante aprova\u00e7\u00e3o expressa do credor titular da respectiva garantia, conforme estabelecido no \u00a7 1\u00ba do artigo 50.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O referido Informativo destaca que a extin\u00e7\u00e3o das obriga\u00e7\u00f5es decorrente da homologa\u00e7\u00e3o do plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial est\u00e1 condicionada ao efetivo cumprimento de seus termos. Caso a condi\u00e7\u00e3o resolutiva n\u00e3o seja implementada, os credores ter\u00e3o reconstitu\u00eddos seus direitos e garantias nas condi\u00e7\u00f5es originariamente contratadas, conforme o artigo 61, \u00a7 2\u00ba, da Lei n\u00ba. 11.101\/2005. A n\u00e3o implementa\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o resolutiva pode levar \u00e0 decreta\u00e7\u00e3o da fal\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao permitir a supress\u00e3o das garantias mediante aprova\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria na assembleia, a lei n\u00e3o restringe essa decis\u00e3o apenas aos credores que votaram favoravelmente, visando viabilizar a consecu\u00e7\u00e3o do plano de recupera\u00e7\u00e3o judicial. Destaca-se que a necessidade de consentimento dos credores com garantia real, conforme o artigo 50, \u00a7 1\u00ba, foi preservada, uma vez que todos os credores, ao aprovarem o plano que disp\u00f5e sobre a supress\u00e3o das garantias, anu\u00edram com essa condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Recurso Especial n\u00ba. 1.794.209 \u2013 SP indica uma decis\u00e3o mais recente do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) em rela\u00e7\u00e3o ao tema da supress\u00e3o de garantias em planos de recupera\u00e7\u00e3o judicial. Segundo essa nova interpreta\u00e7\u00e3o, a clareza e especificidade das cl\u00e1usulas nos planos de recupera\u00e7\u00e3o tornam-se ainda mais relevantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com essa posi\u00e7\u00e3o restritiva adotada pelo STJ, as cl\u00e1usulas que dispensam as garantias, mesmo aprovadas pela assembleia geral de credores, aplicam-se somente aos credores que expressamente renunciem \u00e0s suas garantias. Portanto, a aprova\u00e7\u00e3o na assembleia geral de credores n\u00e3o implica automaticamente na supress\u00e3o das garantias de todos os credores reais. Somente aqueles que manifestarem expressamente sua ren\u00fancia \u00e0s garantias estar\u00e3o sujeitos a essa supress\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa decis\u00e3o destaca a import\u00e2ncia da manifesta\u00e7\u00e3o clara por parte dos credores reais que desejam manter suas garantias, mesmo que o plano seja aprovado pela assembleia geral de credores. A interpreta\u00e7\u00e3o mais restrita refor\u00e7a a necessidade de uma abordagem espec\u00edfica e individualizada para cada credor em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas garantias, proporcionando uma maior prote\u00e7\u00e3o aos direitos dos credores na recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O exposto fornece uma an\u00e1lise abrangente sobre o processo de recupera\u00e7\u00e3o judicial no contexto das normas estabelecidas pela Lei de Recupera\u00e7\u00e3o e Fal\u00eancias (LREF) no Brasil, incluindo considera\u00e7\u00f5es sobre nova\u00e7\u00e3o, aprova\u00e7\u00e3o do plano de recupera\u00e7\u00e3o, supress\u00e3o de garantias, prazos e a poss\u00edvel convola\u00e7\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o em fal\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir da interpreta\u00e7\u00e3o mais recente do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), destaca-se a import\u00e2ncia da clareza nas cl\u00e1usulas do plano de recupera\u00e7\u00e3o, especialmente aquelas relacionadas \u00e0 supress\u00e3o de garantias. Conforme o Recurso Especial n\u00ba. 1.794.209 \u2013 SP, a cl\u00e1usula que prev\u00ea a supress\u00e3o das garantias reais e fidejuss\u00f3rias s\u00f3 se aplica aos credores que expressamente concordaram com a aprova\u00e7\u00e3o do plano, n\u00e3o sendo eficaz em rela\u00e7\u00e3o aos credores ausentes da assembleia geral, abstidos de votar ou que se posicionaram contra tal disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, caso o devedor descumpra o plano dentro do prazo de dois anos ap\u00f3s a concess\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o judicial, isso pode levar \u00e0 convola\u00e7\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o em fal\u00eancia, conforme previsto no artigo 61 da LREF. Essa possibilidade busca assegurar que o cumprimento do plano ocorra dentro de um prazo razo\u00e1vel e proporciona aos credores uma via para protegerem seus interesses no caso de inadimplemento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A an\u00e1lise detalhada dos artigos 61 e 63 da LREF mostra que, se o plano for cumprido adequadamente, o juiz pode decretar o encerramento da recupera\u00e7\u00e3o judicial. Isso inclui o pagamento do saldo de honor\u00e1rios ao administrador judicial, a apura\u00e7\u00e3o do saldo das custas judiciais, a apresenta\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rio circunstanciado do administrador judicial sobre a execu\u00e7\u00e3o do plano e a dissolu\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea de Credores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em resumo, o processo de recupera\u00e7\u00e3o judicial no Brasil \u00e9 um mecanismo complexo que visa proporcionar a revitaliza\u00e7\u00e3o de empresas em dificuldades financeiras, garantindo, ao mesmo tempo, a prote\u00e7\u00e3o dos direitos dos credores. O acompanhamento das decis\u00f5es judiciais e o entendimento das disposi\u00e7\u00f5es legais s\u00e3o cruciais para as partes envolvidas neste processo. A nova\u00e7\u00e3o recuperacional \u00e9 uma modalidade peculiar desse instituto jur\u00eddico que se adapta \u00e0s caracter\u00edsticas espec\u00edficas do processo de recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00eanfase na n\u00e3o extin\u00e7\u00e3o imediata dos cr\u00e9ditos e na condi\u00e7\u00e3o resolutiva vinculada ao cumprimento do plano de recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 crucial para compreender a din\u00e2mica dessa nova\u00e7\u00e3o. A possibilidade de convers\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o em fal\u00eancia, caso o devedor n\u00e3o cumpra o plano, evidencia a natureza condicional da nova\u00e7\u00e3o recuperacional, diferenciando-a substancialmente da nova\u00e7\u00e3o civil tradicional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A manuten\u00e7\u00e3o das garantias reais, a conserva\u00e7\u00e3o dos direitos contra coobrigados e a permiss\u00e3o para inclus\u00e3o de cl\u00e1usulas no plano que prevejam a supress\u00e3o ou substitui\u00e7\u00e3o das garantias, mediante a expressa concord\u00e2ncia dos credores, s\u00e3o aspectos que ressaltam a complexidade e a flexibilidade desse instituto no contexto da recupera\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova\u00e7\u00e3o recuperacional \u00e9 uma resposta legislativa \u00e0s demandas espec\u00edficas do ambiente de reestrutura\u00e7\u00e3o de empresas em dificuldades financeiras. Demonstra a necessidade de adapta\u00e7\u00e3o das normas jur\u00eddicas para lidar com situa\u00e7\u00f5es complexas e din\u00e2micas. Sua an\u00e1lise abrangente contribui para uma compreens\u00e3o mais profunda desse fen\u00f4meno jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova\u00e7\u00e3o \u00e9 uma ferramenta jur\u00eddica essencial na reestrutura\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas durante a recupera\u00e7\u00e3o judicial, com diversas nuances e implica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas que devem ser compreendidas para sua correta aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>6 CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante o decorrer da pesquisa realizada sobre o tema em quest\u00e3o, evidenciou-se que o procedimento de recupera\u00e7\u00e3o judicial, conforme regido pela Lei n\u00ba. 11.101\/2005 introduziu no ordenamento jur\u00eddico brasileiro uma inovadora maneira de permitir que o empres\u00e1rio devedor em situa\u00e7\u00e3o de crise possa se reabilitar, desde que demonstre de forma convincente sua capacidade de se recuperar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, a legisla\u00e7\u00e3o de reestrutura\u00e7\u00e3o deve abranger todos os elementos necess\u00e1rios para facilitar essa recupera\u00e7\u00e3o do empres\u00e1rio em crise, visto que a manuten\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica \u00e9 ben\u00e9fica para todas as partes envolvidas, contribuindo para o bom funcionamento da economia nacional, e a fal\u00eancia deve ser uma op\u00e7\u00e3o apenas para as empresas cuja recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 manifestamente invi\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, a preserva\u00e7\u00e3o da empresa e de sua fun\u00e7\u00e3o social n\u00e3o s\u00e3o meros conceitos abstratos, mas sim objetivos concretos que devem ser alcan\u00e7ados por meio da recupera\u00e7\u00e3o judicial, conforme estabelecido no artigo 47 da Lei n\u00ba. 11.101\/2005.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao contr\u00e1rio da cren\u00e7a comum, a recupera\u00e7\u00e3o judicial \u00e9 um benef\u00edcio concedido exclusivamente aos empres\u00e1rios, conforme definido no artigo 966 do C\u00f3digo Civil, quando estes se encontram em situa\u00e7\u00e3o de insolv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A legisla\u00e7\u00e3o de fal\u00eancia apresenta diversas particularidades que a distinguem de outros ramos do direito, e quando conceitos de outras \u00e1reas do direito s\u00e3o aplicados ao processo de recupera\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio adapt\u00e1-los \u00e0 finalidade central da recupera\u00e7\u00e3o, criando novas categorias jur\u00eddicas ou formas flex\u00edveis de aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, o objetivo geral da pesquisa foi apresentar os procedimentos processuais e os objetivos fundamentais do instituto da recupera\u00e7\u00e3o judicial, destacando a inova\u00e7\u00e3o do legislador ao incorporar, na legisla\u00e7\u00e3o de reestrutura\u00e7\u00e3o tradicionalmente relacionada ao Direito Empresarial, o conceito de nova\u00e7\u00e3o, que tradicionalmente pertence ao \u00e2mbito do Direito Civil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, foram abordadas v\u00e1rias distin\u00e7\u00f5es entre a nova\u00e7\u00e3o prevista na legisla\u00e7\u00e3o de reestrutura\u00e7\u00e3o e a nova\u00e7\u00e3o civil, incluindo quest\u00f5es relacionadas \u00e0s garantias dos credores e aos direitos vinculados \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es originais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Consequentemente, surge a pergunta sobre a natureza da nova\u00e7\u00e3o na recupera\u00e7\u00e3o, ou seja, se ela representa uma nova esp\u00e9cie de nova\u00e7\u00e3o civil tradicional ou uma maneira diferente de aplicar esse conceito jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi discutido que existem diferen\u00e7as significativas entre a nova\u00e7\u00e3o na legisla\u00e7\u00e3o de reestrutura\u00e7\u00e3o e a nova\u00e7\u00e3o civil, especialmente no que diz respeito \u00e0s garantias dos credores e aos direitos vinculados \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es originais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova\u00e7\u00e3o na recupera\u00e7\u00e3o judicial \u00e9 uma categoria \u00fanica de nova\u00e7\u00e3o, que difere substancialmente da nova\u00e7\u00e3o civil em seus objetivos e efeitos nas obriga\u00e7\u00f5es \u00e0s quais se aplica. Envolve a substitui\u00e7\u00e3o de uma obriga\u00e7\u00e3o antiga por uma nova, contida no plano de recupera\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 \u00e9 extinta ap\u00f3s o cumprimento integral do plano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova\u00e7\u00e3o na recupera\u00e7\u00e3o inclui uma cl\u00e1usula resolutiva condicionada, que pode resultar na convers\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o em fal\u00eancia se o plano n\u00e3o for cumprido, restaurando assim as obriga\u00e7\u00f5es e garantias originalmente contratadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ALVES, Jos\u00e9 Carlos Moreira. <strong>Direito Romano<\/strong>. 18. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ASCARELLI, Tullio. <strong>Origem do direito comercial<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de F\u00e1bio Konder Comparato. Revista de Direito Mercantil, Econ\u00f4mico, Industrial e Financeiro, n. 103, set. 1996.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BEZERRA FILHO, Manoel Justino. <strong>Lei de Recupera\u00e7\u00e3o de Empresas e Fal\u00eancias Comentada<\/strong>. 4. ed. S\u00e3o Paulo: RT, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. <strong>Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Federativa do Brasil de 1988<\/strong>. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/ConstituicaoCompilado.htm. Acesso em: 17 fev. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. <strong>Lei n\u00ba. 11.101\/2005<\/strong>, <strong>de 09 de fevereiro de 2005<\/strong>. Regula a recupera\u00e7\u00e3o judicial, a extrajudicial e a fal\u00eancia do empres\u00e1rio e da sociedade empres\u00e1ria. Dispon\u00edvel em http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2005\/lei\/l11101.htm. Acesso em: 15 fev. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. <strong>Lei n\u00ba. 10.406, de 10 de janeiro de 2002<\/strong>. Institui o C\u00f3digo Civil. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/2002\/l10406compilada.htm. Acesso em: 15 fev. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Superior Tribunal de Justi\u00e7a. <strong>Recurso Especial n\u00ba. 1725609\/RS<\/strong>. Relatora Ministra Nancy Andrighi, Bras\u00edlia. Dispon\u00edvel em: https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?termo=REsp+1.725.609&amp;aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;chkordem=DESC&amp;chkMorto=MORTO. Acesso em: 14 fev. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Superior Tribunal de Justi\u00e7a. <strong>Agravo Regimental no Conflito de Compet\u00eancia 116.173\/AL<\/strong>. Relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Bras\u00edlia. Dispon\u00edvelem:https:\/\/processo.stj.jus.br\/SCON\/pesquisar.jsp?i=1&amp;b=ACOR&amp;livre=((%27AGRCC%27.clas.+e+@num=%27116173%27)+ou+(%27AgRg%20no%20CC%27+adj+%27116173%27).suce.)&amp;thesaurus=JURIDICO&amp;fr=veja Acesso em: 16 fev. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Superior Tribunal de Justi\u00e7a. <strong>Recurso Especial n\u00ba. 1.794.209\/SP<\/strong>. Relator Ministro Ricardo Villas B\u00f4as Cueva. Bras\u00edlia. Dispon\u00edvel em: https:\/\/processo.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;termo=REsp%201794209. Acesso em: 17 fev. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Superior Tribunal de Justi\u00e7a. Recursos Repetitivos. <strong>Informativo n\u00ba 554,<\/strong> de 25 de fevereiro de 2015. Relator Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o, Bras\u00edlia. Dispon\u00edvel em:https:\/\/processo.stj.jus.br\/jurisprudencia\/externo\/informativo\/?acao=pesquisar&amp;livre=@cnot=%2715141%27. Acesso em: 16 fev. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Superior Tribunal de Justi\u00e7a. <strong>Informativo n\u00ba 591, <\/strong>de 4 a 18 de outubro de 2016. Relator Ministro Marco Aur\u00e9lio Bellizze, Bras\u00edlia. Dispon\u00edvel em: https:\/\/processo.stj.jus.br\/jurisprudencia\/externo\/informativo\/?acao=pesquisarumaedicao&amp;livre=0591.cod. Acesso em: 15 fev. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Superior Tribunal de Justi\u00e7a. S\u00famulas Anotadas. Inteiro Teor. <strong>S\u00famula 581<\/strong>. Dispon\u00edvel em: https:\/\/scon.stj.jus.br\/SCON\/pesquisar.jsp?b=SUMU&amp;sumula=581. Acesso em: 17 fev. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Conselho da Justi\u00e7a Federal. <strong>Enunciado n\u00ba. 44<\/strong>. I Jornada de Direito Comercial. Crise da Empresa: Fal\u00eancia e Recupera\u00e7\u00e3o. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.cjf.jus.br\/enunciados\/enunciado\/69. Acesso em: 16 fev. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Conselho da Justi\u00e7a Federal. <strong>Enunciado n\u00ba. 46<\/strong>, <strong>da I Jornada de Direito Comercial<\/strong>. Crise da Empresa: Fal\u00eancia e Recupera\u00e7\u00e3o. Dispon\u00edvel em: cjf.jus.br\/enunciados\/enunciado\/101. Acesso em: 16 fev. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Conselho de Justi\u00e7a Federal. <strong>Enunciado 53 da I Jornada de Direito Civil<\/strong>. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.cjf.jus.br\/enunciados\/enunciado\/754. Acesso em: 17 fev. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CHAGAS, Edilson Enedino das. <strong>Direito empresarial esquematizado<\/strong>. 10. ed. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DINIZ, Maria Helena. <strong>Curso de direito civil brasileiro<\/strong>: teoria geral obriga\u00e7\u00f5es. 22. ed. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD. Nelson. <strong>Curso de direito civil: <\/strong>Obriga\u00e7\u00f5es. 11. ed. Salvador: JusPodivm, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GON\u00c7ALVES, Carlos Roberto. <strong>Direito civil<\/strong>: Parte Geral, Obriga\u00e7\u00f5es, Contratos. Esquematizado. 10. ed. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MAMEDE, Gladston. <strong>Fal\u00eancia e recupera\u00e7\u00e3o de empresas<\/strong>. 14. ed. S\u00e3o Paulo: Atlas, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RAMOS, Andr\u00e9 Luiz Santa Cruz. <strong>Direito empresarial<\/strong>. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense\/M\u00e9todo, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SACRAMONE, Marcelo Barbosa. <strong>Coment\u00e1rios \u00e0 Lei de recupera\u00e7\u00e3o de empresas e fal\u00eancia<\/strong>. 5. ed. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">TOMAZETTE, Marlon. <strong>Curso de Direito Empresarial<\/strong>: Teoria Geral e Direito Societ\u00e1rio. 8. ed. S\u00e3o Paulo: Atlas, 2017. TZIRULNIK, Luiz. <strong>Direito falimentar<\/strong>. 7. ed. S\u00e3o Paulo: RT, 2005.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Doutora em Ci\u00eancia Jur\u00eddica pela UNIVALI-SC. Mestre em Direito pela UNIPAR-PR. Especialista em Direito Tribut\u00e1rio pela UnP-RN. P\u00f3s-Graduada em Direito Constitucional pela UVB-SP. Bacharel em Direito pela TOLEDO-SP. Professora Associada do Departamento de Ci\u00eancias Jur\u00eddicas, do Centro de Ci\u00eancias Jur\u00eddicas da UFPB. Professora de Direito Processual Civil do DCJ\/CCJ\/UFPB. Orientadora. Conferencista. Conselheira Editorial. Pesquisadora. Advogada. Consultora Jur\u00eddica. E-mail: carol.couto2023@gmail.com.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>THE NOVATION IN JUDICIAL RECOVERY: AN ANALYSIS OF THE APPLICATION OF THE CIVIL LAW INSTITUTE TO BANKRUPTCY LAW Artigo submetido&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":1151,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"https:\/\/cognitiojuris.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cognitio-juris_n7.jpg","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[17],"class_list":["post-652","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-cientificos","tag-7o-numero"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/652","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=652"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/652\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1143,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/652\/revisions\/1143"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1151"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=652"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=652"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=652"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}