{"id":768,"date":"2025-12-19T22:47:04","date_gmt":"2025-12-20T01:47:04","guid":{"rendered":"https:\/\/scientiaetratio.com.br\/?p=768"},"modified":"2026-05-23T11:41:53","modified_gmt":"2026-05-23T14:41:53","slug":"os-reflexos-da-pejotizacao-na-configuracao-do-vinculoempregaticio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/os-reflexos-da-pejotizacao-na-configuracao-do-vinculoempregaticio\/","title":{"rendered":"OS REFLEXOS DA \u201cPEJOTIZA\u00c7\u00c3O\u201d NA CONFIGURA\u00c7\u00c3O DO V\u00cdNCULOEMPREGAT\u00cdCIO"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>THE IMPACT OF &#8220;OUTSOURCING&#8221; ON THE CONFIGURATION OF THE EMPLOYMENT RELATIONSHIP<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Artigo submetido em 01 de dezembro de 2025<br>Artigo aprovado em 15 de dezembro de 2025<br>Artigo publicado em 19 de dezembro de 2025<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-blush-light-purple-gradient-background has-background\"><tbody><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Scientia et Ratio<\/strong><br>Volume 5 \u2013 N\u00famero 9 \u2013 Dezembro de 2025<br>ISSN 2525-8532<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-7e4ac651328708ea719ac0894fa30934 wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background\"><tbody><tr><td><strong>Autor:<br><\/strong>Jady Gomes Costa<a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftn1\">[1]<\/a><br>Francisca Luciana de Andrade Borges Rodrigues<a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftn2\">[2]<\/a><br>Katheryne Krug<a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftn3\">[3]<\/a><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-7e4ac651328708ea719ac0894fa30934 wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RESUMO: O presente artigo visa analisar a pr\u00e1tica adotada por empregadores ao contratar trabalhadores na condi\u00e7\u00e3o de &#8220;pessoa jur\u00eddica&#8221; no Brasil, o fen\u00f4meno conhecido como &#8220;pejotiza\u00e7\u00e3o&#8221;. Alguns autores argumentam que essa aceita\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos como entidades jur\u00eddicas isenta o empregador das obriga\u00e7\u00f5es trabalhistas e da concess\u00e3o de outros benef\u00edcios ao trabalhador, como FGTS, f\u00e9rias, horas extras e demais. Configurando uma afronta \u00e0s garantias constitucionais e infraconstitucionais. Por outro lado, h\u00e1 quem enxergue a \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d como uma oportunidade mais vantajosa, tanto para empregadores quanto para empregados. A partir da compreens\u00e3o sobre a flexibiliza\u00e7\u00e3o do direito do trabalho, este, visualiza a aplica\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios trabalhistas ao fen\u00f4meno que est\u00e1 com enfoque no presente artigo, tendo assim o objetivo de determinar se essa forma de contrata\u00e7\u00e3o \u00e9 l\u00edcita ou il\u00edcita, al\u00e9m de apresentar seus efeitos jur\u00eddicos e sociais existentes no ambiente laborativo brasileiro, buscando visualizar criticamente essa pr\u00e1tica, e quais os efeitos negativos viventes nela. O trabalho em quest\u00e3o adota uma abordagem qualitativa e descritiva, que est\u00e1 baseada em pesquisas bibliogr\u00e1ficas e documentais, que tem o intuito de compreender sobre os reflexos da \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d frente as rela\u00e7\u00f5es do ambiente laboral brasileiro. O estudo tem o objetivo de avaliar a pr\u00e1tica usando a \u00f3tica do Direito do Trabalho, analisando as implica\u00e7\u00f5es sociais, econ\u00f4micas e jur\u00eddicas. A metodologia deste trabalho est\u00e1 centrada na exig\u00eancia de ligar fundamentos te\u00f3ricos e normativos que sejam eficazes em nutrir a an\u00e1lise cr\u00edtica do fen\u00f4meno. Para que isso fosse poss\u00edvel, foi utilizado pesquisa na legisla\u00e7\u00e3o, decis\u00f5es jurisprudenciais, obras doutrinarias e artigos cient\u00edficos, bem como, o C\u00f3digo da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT). O m\u00e9todo com enfoque para a argumenta\u00e7\u00e3o foi o dedutivo, para buscar compreender e analisar as consequ\u00eancias da pejotiza\u00e7\u00e3o na configura\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo empregat\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Palavras-chave: <\/strong>Pejotiza\u00e7\u00e3o; Precariza\u00e7\u00e3o; CLT; Direitos Trabalhistas; Flexibiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ABSTRACT: This article aims to analyze the practice adopted by employers in Brazil when hiring workers as &#8220;legal entities,&#8221; a phenomenon known as &#8220;outsourcing&#8221; (a term referring to the practice of hiring individuals as independent contractors through their own companies). Some authors argue that this acceptance of individuals as legal entities<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">exempts the employer from labor obligations and the granting of other benefits to the worker, such as FGTS a type of severance pay fund, vacation pay, overtime, and others, constituting a violation of constitutional and infraconstitutional guarantees. On the other hand, some see outsourcing as a more advantageous opportunity for both employers and employees. Based on an understanding of the flexibilization of labor law, this article examines the application of labor principles to the phenomenon in question, aiming to determine whether this form of hiring is legal or illegal, as well as presenting its existing legal and social effects in the Brazilian labor environment, critically examining this practice and its negative consequences. This work adopts a qualitative and descriptive approach, based on bibliographic and documentary research, aiming to understand the effects of &#8221; outsourcing &#8221; (the practice of forcing employees to become independent contractors) on labor relations in Brazil. The study aims to evaluate this practice from a labor law perspective, analyzing its social, economic, and legal implications. The methodology of this work is centered on the need to connect theoretical and normative foundations that are effective in fostering a critical analysis of the phenomenon. To achieve this, research was conducted using legislation, jurisprudential decisions, doctrinal works, and scientific articles, as well as the Consolidation of Labor Laws (CLT). The deductive method was used for argumentation, seeking to understand and analyze the consequences of &#8221; outsourcing&#8221; on the configuration of the employment relationship.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Keywords: <\/strong>Outsourcing; Precarious employment; CLT; Labor Rights; Flexibility.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>1&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; INTRODU\u00c7\u00c3O<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O presente estudo insere-se em um campo investigativo que examina as intera\u00e7\u00f5es sociais, transforma\u00e7\u00f5es nas constitui\u00e7\u00f5es al\u00e9m de experi\u00eancias pr\u00e1ticas, valendo-se de doutrinas, legisla\u00e7\u00f5es e de uma abordagem argumentativa para a discuss\u00e3o do tema. Apesar de a \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d aparentar oferecer flexibilidade, ela funciona, principalmente como um meio pela qual as empresas reduzam despesas associadas aos encargos trabalhistas e sociais, que n\u00e3o incidem nas contrata\u00e7\u00f5es formais. Essa pr\u00e1tica \u00e9 observada em diversos setores profissionais, como medicina, tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e publicidade, suscitando reflex\u00f5es sobre a equidade em seus limites mais extremos, e dificultando a concretiza\u00e7\u00e3o dos valores constitucionais e das garantias infraconstitucionais que deveriam resguardar os direitos dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A classifica\u00e7\u00e3o inadequada do v\u00ednculo que transforma um empregado em prestador aut\u00f4nomo, pode prejudicar as condi\u00e7\u00f5es laborais e obstruir o exerc\u00edcio de direitos fundamentais. Al\u00e9m disso, observa-se que a \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d pode ensejar a outros il\u00edcitos, como a evas\u00e3o de contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias (artigo 337-A do<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">C\u00f3digo Penal) e sonega\u00e7\u00e3o fiscal (Lei n.\u00ba 4.729\/1965), afetando, assim, tanto as receitas p\u00fablicas quanto o estado de bem-estar social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Importa destacar que a Lei n.\u00ba 11.196\/2005 representou uma regulamenta\u00e7\u00e3o apressada da contrata\u00e7\u00e3o de pessoas jur\u00eddicas, o que poderia ter legitimado essa pr\u00e1tica para alguns; no entanto, muitos especialistas em Direito do Trabalho Brasileiro contestam essa vis\u00e3o por considerarem question\u00e1vel promover direitos atrav\u00e9s da legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Adicionalmente, ser\u00e3o discutidos os efeitos gerais da &#8220;pejotiza\u00e7\u00e3o&#8221; na economia brasileira e na rotina laboral cotidiana, incluindo a diminui\u00e7\u00e3o dos encargos trabalhistas, o crescimento do trabalho informal, a redu\u00e7\u00e3o da arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria e a perda do poder de negocia\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. Entende-se que essa pr\u00e1tica tende a se expandir ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, este estudo tem o objetivo de ir al\u00e9m da simples identifica\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es geradas pela pejotiza\u00e7\u00e3o; almejando compreender os desafios impostos por sua expans\u00e3o interna e seu papel nas pol\u00edticas p\u00fablicas e pr\u00e1ticas empresariais voltadas \u00e0 promo\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es laborais mais justas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>2&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O FEN\u00d4MENO DA PEJOTIZA\u00c7\u00c3O<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d refere-se \u00e0 exig\u00eancia imposta ao trabalhador de estabelecer uma pessoa jur\u00eddica, ou seja, abrir uma empresa em seu nome. O empregador faz essa solicita\u00e7\u00e3o com o intuito de contornar a formalidade de um contrato de trabalho regido pela Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT). Em vez da contrata\u00e7\u00e3o convencional, celebra-se um contrato de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, o qual frequentemente cont\u00e9m cl\u00e1usulas restritivas que impossibilitam o trabalhador de receber horas extras, f\u00e9rias ou d\u00e9cimo terceiro sal\u00e1rio e outros direitos t\u00edpicos de uma rela\u00e7\u00e3o empregat\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionada a um tipo de acordo econ\u00f4mico, oneroso, pessoal e subordinado, caracter\u00edsticas que revelam a verdadeira natureza laboral do v\u00ednculo. O objetivo dessa pr\u00e1tica \u00e9 distorcer a rela\u00e7\u00e3o empregat\u00edcia. (Alvarenga 2013, p. 06) comentou:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pejotiza\u00e7\u00e3o consiste em pr\u00e1tica empresarial na qual o empregador busca os servi\u00e7os de um trabalhador que possua firma estabelecida ou ent\u00e3o exige que ele constitua pessoa jur\u00eddica, a fim de descaracterizar a rela\u00e7\u00e3o de<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">emprego para eximir-se das obriga\u00e7\u00f5es trabalhistas, previdenci\u00e1rias e tribut\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As raz\u00f5es pelas quais as empresas adotam esse modelo contratual s\u00e3o, essencialmente a oculta\u00e7\u00e3o da verdadeira rela\u00e7\u00e3o laboral e a evas\u00e3o de responsabilidades trabalhistas, o que compromete os direitos dos trabalhadores. \u00c9 crucial notar que esse fen\u00f4meno come\u00e7ou com a flexibiliza\u00e7\u00e3o das leis trabalhistas, especialmente ap\u00f3s a Lei 11.196\/2005.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com o que a mesma disp\u00f5e, os servi\u00e7os de natureza intelectual ainda que executados de forma pessoal e especializada, quando realizados atrav\u00e9s de uma pessoa jur\u00eddica, passam a ser tratados, para fins fiscais e previdenci\u00e1rios, segundo as regras aplic\u00e1veis \u00e0s empresas. A lei tamb\u00e9m refor\u00e7a que essa forma de contrata\u00e7\u00e3o n\u00e3o afasta a necessidade de observar os limites legais que impedem o uso da estrutura societ\u00e1ria para mascarar rela\u00e7\u00f5es que, na pr\u00e1tica, correspondem a um v\u00ednculo de emprego.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma observa-se que essa legisla\u00e7\u00e3o permite aos empregadores contratar indiv\u00edduos sob a forma jur\u00eddica empresarial, dando origem ao termo &#8220;pejotiza\u00e7\u00e3o&#8221;. A proposta subjacente \u00e9 deformar a verdadeira natureza da rela\u00e7\u00e3o trabalhista apresentando-a como um contrato comercial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal pr\u00e1tica \u00e9 considerada fraude nas rela\u00e7\u00f5es empregat\u00edcias, uma vez que o empregador se aproveita da situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade do trabalhador econ\u00f4mico, for\u00e7ando-o a aceitar condi\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis para garantir sua subsist\u00eancia. Segundo (Ortiz 2017, p. 02): elas \u201cvisando aumentar lucros\u201d, buscam \u201cse livrar\u201d das responsabilidades decorrentes das rela\u00e7\u00f5es laborais realizando contrata\u00e7\u00f5es onde trabalhadores (pessoas f\u00edsicas) s\u00e3o tratados como se fossem pessoas jur\u00eddicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse modelo j\u00e1 se encontra disseminado em v\u00e1rias profiss\u00f5es, como medicina veterin\u00e1ria, arquitetura e publicidade, de acordo com (Oliveira 2013, p. 01), j\u00e1 existem mecanismos governamentais destinados ao combate \u00e0 pr\u00e1tica da pejotiza\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(&#8230;) em decorr\u00eancia de serem empresas sem empregados, apenas de fachada, a pejotiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 comumente e ironicamente chamada da empresa do \u201ceu sozinho\u201d. Para evitar a ocorr\u00eancia, campanhas de preven\u00e7\u00e3o devem ser realizadas a fim de aprofundar os direitos que os empregados fazem jus. O Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho est\u00e1 engajado no Combate \u00e0 Pejotiza\u00e7\u00e3o com apoio dos Sindicatos representativos das categorias. Foi criada pela Procuradoria Geral do MPT, a Coordenadoria Nacional de Combate \u00e0s Fraudes nas Rela\u00e7\u00f5es de Trabalho \u2013 CONAFRET &#8211; e por sua vez nas Procuradorias Regionais, as Coordenadorias Regionais de Combate<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00e0s Fraudes nas Rela\u00e7\u00f5es de Trabalho, com um dos intuitos de inibir a pejotiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Importante ressaltar tamb\u00e9m que o Estado tem procurado implementar leis e regulamentos visando limitar e prevenir este fen\u00f4meno. As motiva\u00e7\u00f5es para ado\u00e7\u00e3o deste novo formato laboral geram diversas interpreta\u00e7\u00f5es entre especialistas na \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A PEJOTIZA\u00c7\u00c3O E SEUS EFEITOS<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em geral, observa-se que a &#8220;pejotiza\u00e7\u00e3o&#8221; tem consequ\u00eancias prejudiciais tanto para o empregador quanto para o trabalhador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em detrimento do trabalhador, perde sal\u00e1rios e benef\u00edcios sociais, fica sujeito a piores condi\u00e7\u00f5es de trabalho e tem a aus\u00eancia de prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica. J\u00e1 para o empregador, essa conduta carrega um risco jur\u00eddico muito elevado, uma vez que os a Justi\u00e7a do Trabalho tem reconhecido diversos precedentes, pela exist\u00eancia de um v\u00ednculo empregat\u00edcio disfar\u00e7ado, impondo penalidades como multas e em alguns casos pagamento de diferen\u00e7as salariais, ou indeniza\u00e7\u00f5es por danos morais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, essa pr\u00e1tica distorce a ess\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o de emprego e enfraquece o papel protetivo do Direito do Trabalho. Ela impacta a coletividade do mercado de trabalho criando desigualdade entre profissionais que desempenham fun\u00e7\u00f5es equivalentes, mas que possuem status e prote\u00e7\u00e3o legal diferente. Apesar de apresentar muitas vezes como forma de flexibilidade ou moderniza\u00e7\u00e3o, tal pr\u00e1tica \u00e9, na verdade, uma corrup\u00e7\u00e3o dos objetivos sociais das rela\u00e7\u00f5es de trabalho, com s\u00e9rios efeitos econ\u00f4micos e morais. Conforme publicado na revista da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Magistrados da Justi\u00e7a do Trabalho (ANAMATRA), no entendimento de (Turcato e Rodrigues 2008, p.11):<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tem sido pr\u00e1tica cada vez mais comum a de empresas que contratam funcion\u00e1rios na forma de pessoa jur\u00eddica (PJ). Ou seja, o empregado \u00e9 levado a constituir empresa e passa a receber mensalmente como prestador de servi\u00e7o. H\u00e1 ainda casos em que o empregado compra uma nota fiscal de uma terceira empresa para apresentar ao empregador, mediante o recebimento do sal\u00e1rio. Nesse tipo de rela\u00e7\u00e3o, quem contrata paga menos impostos e se isenta de in\u00fameras responsabilidades. Quem \u00e9 contratado abre m\u00e3o de seus direitos trabalhistas \u2013 como FGTS + 40%, f\u00e9rias, 13\u00ba sal\u00e1rio, horas extras, verbas rescis\u00f3rias \u2013 e assume gastos para manter a pessoa jur\u00eddica, como emiss\u00e3o de nota fiscal e administra\u00e7\u00e3o cont\u00e1bil. Visto que a simula\u00e7\u00e3o relaciona-se com o fato de que trabalhadores passam a prestar servi\u00e7os para uma empresa como empregados, estes se passando por empres\u00e1rios, os<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">encargos previdenci\u00e1rios decorrentes desta rela\u00e7\u00e3o de emprego estariam sendo eliminados pela pretensa contrata\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de pessoas jur\u00eddicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme tamb\u00e9m dados apontados na mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com estudo do IBGE veiculado em 2004, com base no Cadastro Nacional de Pessoa Jur\u00eddica (CNPJ), havia no pa\u00eds aproximadamente 4,5 milh\u00f5es de empresas cadastradas naquele ano. Desses, 3,1 milh\u00f5es (68%) s\u00e3o empresas sem empregados. O pr\u00f3prio IBGE diagnostica que, na maioria desses casos, a empresa \u00e9 assim constitu\u00edda com o objetivo de modificar o v\u00ednculo do trabalhador com a empresa em que ele realmente trabalha. (Turcato, E Rodrigues, 2008, p. 64).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como acontece em toda fraude, e como j\u00e1 mencionado, sempre existem duas faces do empregado e a do empregador. No entanto, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel renunciar a esses direitos simplesmente porque eles n\u00e3o podem ser alienados e nem transfer\u00edveis, conforme previsto pela legisla\u00e7\u00e3o brasileira que busca proteger a dignidade e a prote\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, o trabalhador sofre uma s\u00e9rie de tens\u00f5es e frustra\u00e7\u00f5es que podem culminar com o aparecimento de problemas sociais e morais causados pela viol\u00eancia de trabalho e equ\u00edvocos no entendimento anti-dominante da comunica\u00e7\u00e3o empresarial. Constrangimentos laborais no dia a dia s\u00e3o exposi\u00e7\u00f5es e falhas do sistema da produtividade, quando pessoas pejotizadas n\u00e3o recebem as devidas verbas trabalhistas, ilimita\u00e7\u00e3o da carga hor\u00e1ria de trabalho (n\u00e3o se configuram \u00e0s 44h semanais), falta do descanso remunerado, a falta de amparo \u00e0s regras da CLT. Existe tamb\u00e9m a possibilidade de o destinat\u00e1rio da norma trabalhista despojar-se da prote\u00e7\u00e3o que o Direito de Trabalho lhe confere, inclusive, contra\u00e7\u00e3o de seguro de vida e acidentes. (Belmonte, 2007, p.78).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A &#8220;pejotiza\u00e7\u00e3o&#8221; representa uma utiliza\u00e7\u00e3o pervertida da rela\u00e7\u00e3o de trabalho, e coloca em risco \u00e0 prote\u00e7\u00e3o legal ao trabalhador, e fomentando conflitos jurisprudenciais, com repercuss\u00f5es significativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse cen\u00e1rio tem um impacto negativo no acesso a garantias indispens\u00e1veis para o indiv\u00edduo, e torna o mercado de trabalho mais inseguro e desigual para aqueles empregados em \u00e1reas profissionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, a &#8220;pejotiza\u00e7\u00e3o&#8221; n\u00e3o deve ser compreendida como fen\u00f4meno de mera administra\u00e7\u00e3o contratual, mas sim como uma situa\u00e7\u00e3o que desafia a exist\u00eancia e o poder do Direito do Trabalho, que exige interven\u00e7\u00e3o estatal e pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas por parte de juristas e legisladores para evitar tais desvios nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>OS TIPOS DE PEJOTIZA\u00c7\u00c3O<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na realidade, existem duas modalidades distintas de &#8220;pejotiza\u00e7\u00e3o&#8221;: uma imposta pelo empregador, e outra realizada de forma consensual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira ocorre quando o empregador exige que o trabalhador constitua uma pessoa jur\u00eddica antes de realizar a contrata\u00e7\u00e3o. Neste caso, a rela\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica de emprego substitui-se por contrato de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os entre empresas, levando o trabalhador a transformar-se em \u201cPJ\u201d, e extinguindo consequentemente a Carteira de Trabalho e Previd\u00eancia Social (CTPS), permanecendo registrado sob contrato civil. N\u00e3o h\u00e1 altera\u00e7\u00e3o real nas condi\u00e7\u00f5es laborais, apesar da nova formalidade empresarial, o trabalhador continua exercendo a mesma atividade local sob dire\u00e7\u00e3o do mesmo empregador. Assim, o que se altera \u00e9 apenas a forma jur\u00eddica desta rela\u00e7\u00e3o, configurando dissimula\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo empregat\u00edcio e fraude trabalhista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O intuito da pejotiza\u00e7\u00e3o \u00e9 mascarar a verdadeira rela\u00e7\u00e3o de emprego, tornando-se mais ben\u00e9fico ao empregador, uma vez que reduz os altos custos trabalhistas. Como forma de convencer o prestador, o tomador promete conceder um aumento significativo no valor da remunera\u00e7\u00e3o, devido \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de custos e pagamento de impostos. Por\u00e9m, apesar do aumento da pec\u00fania parecer vantajoso ao prestador, este na verdade n\u00e3o estar\u00e1 protegido pelas leis trabalhistas, incluindo o direito a diversos benef\u00edcios exclusivos do trabalhador, como por exemplo: direito a horas extras, intervalos remunerados, d\u00e9cimo terceiro sal\u00e1rio, direitos previdenci\u00e1rios entre outros. Al\u00e9m de trabalhar de forma insegura e desprotegida, ainda ter\u00e1 o prestador, que arcar com todas as despesas advindas de uma pessoa jur\u00eddica, como o pagamento de impostos, contribui\u00e7\u00f5es de abertura, manuten\u00e7\u00e3o da atividade e tamb\u00e9m assun\u00e7\u00e3o dos riscos de um neg\u00f3cio fraudulento. (Marcondes, Naomi, 2018, p. 2)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No mesmo sentindo, tamb\u00e9m como comentou Santos, afirmando que a \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 esse v\u00ednculo trabalhista atrav\u00e9s de uma fraudada presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por meio do processo de pejotiza\u00e7\u00e3o, o empregador exige que o trabalhador constitua uma pessoa jur\u00eddica (empresa individual) para a sua admiss\u00e3o ou perman\u00eancia no emprego, formalizando-se um contrato de natureza comercial ou civil, com a consequente emiss\u00e3o de notas fiscais pelo trabalhador, n\u00e3o obstante a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os revelar-se como t\u00edpica rela\u00e7\u00e3o empregat\u00edcia. (Santos, 2018, p. 1)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A raz\u00f5es que levam o empregador a utilizar essa pr\u00e1tica, foi estabelecido pela jurisprud\u00eancia que o objetivo subjacente \u00e9 predominantemente aumentar a margem de lucro das empresas por meio da redu\u00e7\u00e3o dos custos trabalhistas e previdenci\u00e1rios devidos, caso uma contrata\u00e7\u00e3o formal tivesse ocorrido (Ortiz, 2017, p. 2).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O segundo tipo de \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 a consensual, na qual o empregador e o trabalhador concordam com a constitui\u00e7\u00e3o da pessoa jur\u00eddica. Nesse cen\u00e1rio, o trabalhador realiza voluntariamente suas tarefas e sugere ou concorda o contrato empresarial, ele percebe um aumento na renda l\u00edquida por meio da isen\u00e7\u00e3o de impostos e contribui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No mundo do trabalho de hoje, tornou-se mais prevalente, como parte das negocia\u00e7\u00f5es trabalhistas, e muitas vezes vista como uma \u201ctend\u00eancia de mercado de trabalho\u201d. De acordo com (Ortiz 2017, p. 2): &#8220;A pr\u00e1tica generalizada no direito do trabalho de ocultar uma rela\u00e7\u00e3o de emprego real por tr\u00e1s de uma entidade, formalmente vestida de natureza civil.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as caracter\u00edsticas distintas deste modo est\u00e1 a emiss\u00e3o de notas fiscais em nome da pessoa jur\u00eddica, embora o servi\u00e7o seja executado pessoalmente pelo trabalhador o que demonstra clara tentativa de disfar\u00e7ar a rela\u00e7\u00e3o empregat\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre essa especificidade, (Schmidt 2017, p. 1) ressalta: &#8220;Na pejotiza\u00e7\u00e3o, a pessoa jur\u00eddica \u00e9 constitu\u00edda com o \u00fanico prop\u00f3sito de cobrar por servi\u00e7os, realizar trabalho individual exclusivo e pretender dissimular uma rela\u00e7\u00e3o de emprego existente.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta n\u00e3o \u00e9 a formalidade que elimina a exig\u00eancia de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o pessoal e permanente, frequ\u00eancia, subordina\u00e7\u00e3o e \u00f4nus no que se refere ao reconhecimento de v\u00ednculo empregat\u00edcio exigido pela Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), todos presentes como um todo ou em parte quando se contrata por meio da \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muito comum tamb\u00e9m, \u00e9 incluir no contrato de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os uma cl\u00e1usula de exclusividade, que exigir\u00e1 que a pessoa jur\u00eddica preste servi\u00e7os somente para a empresa contratante, \u00e0s vezes, at\u00e9 dentro do estabelecimento e com hor\u00e1rios de trabalho semelhantes aos de qualquer funcion\u00e1rio regular. N\u00e3o h\u00e1 pagamento de horas extras ou outros direitos, nem mesmo se as horas trabalhadas excederem o m\u00e1ximo permitido por lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o \u00e9, que a \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d pode ser identificada ou de forma imposta ou acordada por consentimento m\u00fatuo entre as partes, e mesmo assim, mant\u00e9m a<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ess\u00eancia&nbsp;&nbsp; de&nbsp;&nbsp; uma&nbsp;&nbsp; rela\u00e7\u00e3o&nbsp;&nbsp; de&nbsp;&nbsp; trabalho,&nbsp;&nbsp; apenas&nbsp;&nbsp; com&nbsp;&nbsp; outra&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; apar\u00eancia legal completamente contr\u00e1ria \u00e0s diretrizes protetivas do Direito do Trabalho.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>OS IMPACTOS PARA O TRABALHADOR NO AMBIENTE LABORAL<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d traz consequ\u00eancias negativas s\u00e9rias para os trabalhadores, entre as quais se destacam: a) Precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, aus\u00eancia de garantias como f\u00e9rias remuneradas, d\u00e9cimo terceiro sal\u00e1rio, FGTS e estabilidade em casos de acidente de trabalho ou gesta\u00e7\u00e3o (Antunes, 2021, p, 13); b) Inseguran\u00e7a jur\u00eddica: o trabalhador permanece desprotegido pelas normas da CLT, ficando \u00e0 merc\u00ea da vontade do empregador (Melo, 2020, p, 45); c) Exclus\u00e3o de direitos previdenci\u00e1rios: a aus\u00eancia de contribui\u00e7\u00f5es regulares ao INSS pode comprometer o acesso a benef\u00edcios como aposentadoria, aux\u00edlio-doen\u00e7a e licen\u00e7a-maternidade (Druck; Franco, 2019, p, 34); d) Aumento da informalidade mascarada: embora exista aparente formalidade devido ao contrato empresarial, as condi\u00e7\u00f5es de trabalho costumam ser prec\u00e1rias e a remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 reduzida (Delgado, 2023, p,16);<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entende afirmar, portanto, que a flexibiliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho tem sido a causa principal do aumento da precariza\u00e7\u00e3o, sobretudo diante da redu\u00e7\u00e3o dos empregos fixos ou permanentes (Ara\u00fajo; Moraes, 2017, p, 74).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa \u00faltima configura\u00e7\u00e3o \u00e9, em regra, eivada de desprote\u00e7\u00e3o e pela vulnerabilidade. Trata-se do fen\u00f4meno identificado tamb\u00e9m como precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, que, infelizmente, constitui-se como um dos eixos centrais da din\u00e2mica do capitalismo contempor\u00e2neo. (Druck, 2011 apud Ara\u00fajo; Moraes, 2017, p, 22).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ademais, \u00edndices como a expans\u00e3o gradativa da globaliza\u00e7\u00e3o dos mercados e da concorr\u00eancia empresarial incidem diretamente na tend\u00eancia nas organiza\u00e7\u00f5es de reduzirem seu quadro de empregados efetivos, levando \u00e0 expans\u00e3o da for\u00e7a de trabalho flex\u00edvel (Kov\u00e1cs, 2003 apud Ara\u00fajo; Moraes, 2017, p, 26).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O contexto de precariza\u00e7\u00e3o do emprego gerado pela \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d amea\u00e7a diversos direitos dos trabalhadores, especialmente aqueles relacionados \u00e0 prote\u00e7\u00e3o e \u00e0 irrenunciabilidade, que se tornam vulner\u00e1veis diante da crescente incid\u00eancia de fraudes trabalhistas e da difus\u00e3o do discurso de \u201cflexibiliza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA flexibiliza\u00e7\u00e3o pode ser conceituada como forma de amenizar o rigor e a rigidez de algumas normas jur\u00eddicas de trabalho\u201d (Pereira, 2013, p, 86). Contudo, o termo flexibiliza\u00e7\u00e3o pode estar destorcido, uma vez que, \u201co verbo flexibilizar vem do<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">latim <em>flecto<\/em>, <em>flectis, flectere, flexi, flectum<\/em>, e, tem o sentido de curva, dobrar, fletir\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(Martins, 2009, p.09).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A legisla\u00e7\u00e3o trabalhista pode ser classificada em r\u00edgida ou flex\u00edvel. No sistema r\u00edgido, a interven\u00e7\u00e3o estatal \u00e9 acentuada, havendo pouco ou nenhum espa\u00e7o para a negocia\u00e7\u00e3o coletiva. No sistema flex\u00edvel, h\u00e1 pouco ou nenhuma legisla\u00e7\u00e3o, que, quando existente, apenas estabelece regras m\u00ednimas, cabendo \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o coletiva definir as demais condi\u00e7\u00f5es de trabalho. (Martins, 2009, p. 31).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No que se refere ao tema, os conceitos de flexibiliza\u00e7\u00e3o e desregulamenta\u00e7\u00e3o s\u00e3o distintos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o se confunde flexibiliza\u00e7\u00e3o com desregulamenta\u00e7\u00e3o. Desregulamentar significa desprover de normas heter\u00f4nomas as rela\u00e7\u00f5es de trabalho. Na desregulamenta\u00e7\u00e3o o Estado deixa de intervir na \u00e1rea trabalhista, n\u00e3o havendo limites na lei para quest\u00f5es trabalhistas, que ficam a cargo da negocia\u00e7\u00e3o individual ou coletiva. Na desregulamenta\u00e7\u00e3o a lei 42 simplesmente deixa de existir. Na flexibiliza\u00e7\u00e3o, s\u00e3o alteradas as regras existentes, diminuindo a interven\u00e7\u00e3o do Estado, por\u00e9m garantindo um m\u00ednimo indispens\u00e1vel de prote\u00e7\u00e3o ao empregado, para que este possa sobreviver, sendo a prote\u00e7\u00e3o m\u00ednima necess\u00e1ria. A flexibiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 feita com a participa\u00e7\u00e3o do sindicato. Em certos casos, por\u00e9m, \u00e9 permitida a negocia\u00e7\u00e3o coletiva para modificar alguns direitos, como reduzir sal\u00e1rios, reduzir e compensar jornada de trabalho, como ocorre nas crises econ\u00f4micas. (Martins, 2009, p. 14).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por este fato, pode-se confirmar que a flexibiliza\u00e7\u00e3o constitui um direito do empregador, tutelado pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal, devendo, entretanto, ser aplicada com grande cautela, e \u00e9 quando surge a inseguran\u00e7a jur\u00eddica da \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d, isto \u00e9, este conceito traz ao trabalhador um impacto que pode ser confort\u00e1vel ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>3&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A&nbsp;&nbsp; UTILIZA\u00c7\u00c3O&nbsp;&nbsp; DA&nbsp;&nbsp;&nbsp; PEJOTIZA\u00c7\u00c3O&nbsp;&nbsp; PARA&nbsp;&nbsp; OCULTAR&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; RELA\u00c7\u00d5ES&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; DE EMPREGO<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma parcela significativa da doutrina entende a \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d como uma infra\u00e7\u00e3o trabalhista organizada, tipificado no artigo 203 C\u00f3digo Penal brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Veja-se: \u201cFrustrar, mediante fraude ou viol\u00eancia, direito assegurado pela legisla\u00e7\u00e3o do trabalho.\u201d (Brasil, 1940, Art. 203).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A viola\u00e7\u00e3o deste artigo reflete o desrespeito aos direitos garantidos pela CLT, evidenciando fraude na rela\u00e7\u00e3o empregat\u00edcia estabelecida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O princ\u00edpio da primazia da realidade significa que as rela\u00e7\u00f5es jur\u00eddico trabalhistas se definem pela situa\u00e7\u00e3o de fato, isto \u00e9, pela forma como se realizou a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, pouco importando o nome que lhes foi atribu\u00eddo pelas partes. Despreza-se a fic\u00e7\u00e3o jur\u00eddica. \u00c9 sabido que muitas vezes a presta\u00e7\u00e3o de trabalho subordinado est\u00e1 encoberta por meio de contratos de Direito Civil ou Comercial. (Barros, 2020, p.186)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Resende complementa, que s\u00e3o utilizadas diversas simula\u00e7\u00f5es em presta\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os de forma fraudulenta:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trata-se de princ\u00edpio amplamente aplicado na pr\u00e1tica trabalhista, diante das in\u00fameras tentativas de se mascarar a realidade, notadamente no tocante \u00e0 exist\u00eancia do v\u00ednculo de emprego. Com efeito, \u00e9 comum a utiliza\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas fraudulentas, como por exemplo, a utiliza\u00e7\u00e3o de cooperativas \u201cde fachada\u201d, est\u00e1gios irregulares, terceiriza\u00e7\u00e3o irregular de atividade-fim, constitui\u00e7\u00e3o do trabalhador como pessoa jur\u00eddica (\u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d), entre outros artif\u00edcios. (Resende 2011, p. 29)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o s\u00f3 compromete normas trabalhistas, mas tamb\u00e9m impacta negativamente os sistemas previdenci\u00e1rios, devido \u00e0 aus\u00eancia de recolhimento obrigat\u00f3rio ao FGTS, tanto por parte dos tomadores quanto dos trabalhadores. Da mesma forma, afeta as receitas tribut\u00e1rias pelo n\u00e3o pagamento de impostos devidos. O autor Franco Filho sugere que seria necess\u00e1rio desenvolver uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre a \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d, alinhada \u00e0s exig\u00eancias atuais nas din\u00e2micas laborais contempor\u00e2neas&nbsp;&nbsp; e&nbsp;&nbsp;&nbsp; considerando&nbsp;&nbsp; tanto&nbsp;&nbsp; condi\u00e7\u00f5es&nbsp;&nbsp;&nbsp; laborais&nbsp;&nbsp; quanto rela\u00e7\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">trabalhistas dentro do quadro jur\u00eddico vigente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As altera\u00e7\u00f5es operadas com a Lei n. 13.467\/17 na CLT trouxeram um triste sinal: existem claros ind\u00edcios de ser tentado o incremento da pejotiza\u00e7\u00e3o no Brasil, de modo bastante patente. \u00c9 o que se infere do novo art. 442-B consolidado, dispondo que: \u201cArt. 442-B \u2013 A contrata\u00e7\u00e3o do aut\u00f4nomo, cumpridas por este todas as formalidades legais, com ou sem exclusividade, de forma cont\u00ednua ou n\u00e3o, afasta a qualidade de empregado prevista no art. 3\u00ba desta Consolida\u00e7\u00e3o\u201d (Franco Filho, 2018, p. 94).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trata-se de uma cl\u00e1usula prevista na legisla\u00e7\u00e3o que permite a celebra\u00e7\u00e3o de contratos com certo grau de autonomia na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, ainda que se utilizem CNPJ e emiss\u00e3o de nota fiscal. No entanto, se, na pr\u00e1tica, tais acordos mantiverem as caracter\u00edsticas habituais de uma rela\u00e7\u00e3o de emprego, como subordina\u00e7\u00e3o, controle de jornada e local de trabalho, imposi\u00e7\u00e3o de ordens e monitoramento constante, isso pode equivaler a um v\u00ednculo empregat\u00edcio oculto, capaz de revelar ind\u00edcios de sintomas de fraude.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessas circunst\u00e2ncias, o Judici\u00e1rio deve intervir para proteger o trabalhador e garantir a efetividade dos direitos trabalhistas, preservando os princ\u00edpios da dignidade da pessoa humana e da justi\u00e7a social nas rela\u00e7\u00f5es laborais contempor\u00e2neas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A subordina\u00e7\u00e3o, em sua dimens\u00e3o integrativa, faz-se presente quando a presta\u00e7\u00e3o de trabalho integra as atividades exercidas pelo empregador e o trabalhador n\u00e3o possui uma organiza\u00e7\u00e3o empresarial pr\u00f3pria, n\u00e3o assume verdadeiramente riscos de perdas ou de ganhos e n\u00e3o \u00e9 o propriet\u00e1rio dos frutos do seu trabalho, que pertencem, originariamente, \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o produtiva alheia para a qual presta a sua atividade. (Porto, 2009, p. 253).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, observa-se a presen\u00e7a da subordina\u00e7\u00e3o integrativa, uma vez que a atividade realizada pelo trabalhador se insere na din\u00e2mica produtiva do tomador de servi\u00e7o. O trabalhador n\u00e3o possui empresa ou organiza\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria e, portanto, n\u00e3o assume os riscos associados a lucros e perdas, tampouco \u00e9 propriet\u00e1rio dos resultados gerados por sua atividade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa situa\u00e7\u00e3o requer a interven\u00e7\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio, por meio de pr\u00e1ticas individuais para coibir essa pr\u00e1tica e proteger o trabalhador, que representa o polo mais vulner\u00e1vel da rela\u00e7\u00e3o de trabalho. Isso se aplica inclusive a trabalhadores com alta qualifica\u00e7\u00e3o intelectual, pois do ponto de vista econ\u00f4mico, permanecem em condi\u00e7\u00e3o de hipossufici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>OS REFLEXOS DA PEJOTIZA\u00c7\u00c3O NAS DIFERENTES CLASSES DE TRABALHADORES<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 poss\u00edvel afirmar que o fen\u00f4meno da \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d alcan\u00e7a n\u00e3o apenas as classes intelectuais, mas tamb\u00e9m trabalhadores vinculados a contratos formais de emprego. Diante desse avan\u00e7o, o Minist\u00e9rio do Trabalho passou a atuar diretamente para coibir a pr\u00e1tica, caracterizada pela contrata\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos como prestadores de servi\u00e7os em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 rela\u00e7\u00e3o empregat\u00edcia t\u00edpica. Trata-se de uma realidade que invade o mercado de trabalho e atinge um n\u00famero cada vez maior de categorias profissionais, como professores, jornalistas, m\u00e9dicos e dentistas, etc. (Pereira, 2013, p, 112).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O autor ainda relata que Coordenadoria de Combate \u00e0s Fraudes nas Rela\u00e7\u00f5es de Trabalho (CONAFRET), estrutura a\u00e7\u00f5es e discute estrat\u00e9gias de combate \u00e0s diversas modalidades de \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A terceiriza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o call center das companhias de telefonia celular e a contrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores por meio de pessoa jur\u00eddica (processo j\u00e1 chamado de pejotiza\u00e7\u00e3o) estiveram entre os principais itens da pauta da reuni\u00e3o ordin\u00e1ria da Coordenadoria de Combate \u00e0s Fraudes das Rela\u00e7\u00f5es de Trabalho (Conafret), conclu\u00edda hoje (03), em Bras\u00edlia (DF). Procuradores de Trabalho de todas as Regi\u00f5es do Pa\u00eds relataram os setores que mais concentram a fraude, que consiste na demiss\u00e3o de um emprego subordinado e sua recontrata\u00e7\u00e3o, dias depois, como pessoa jur\u00eddica (ou PJ), em preju\u00edzo de direitos trabalhistas legalmente assegurados. Em grandes centros, como Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, a irregularidade concentra-se em empresas jornal\u00edsticas. (Pereira, 2013, p,110 e 111).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme j\u00e1 apontado, verifica-se que o processo de &#8220;pejotiza\u00e7\u00e3o&#8221; tem se ampliado em diferentes segmentos do mundo do trabalho, tornando-se uma pr\u00e1tica cada vez mais comum. Trata-se de uma pr\u00e1tica disseminada e irregular, normalmente utilizada para reduzir custos e encargos trabalhistas, o que enfraquece a prote\u00e7\u00e3o legal dos trabalhadores e distorce o escudo das leis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como aponta (Carvalho 2010, p.63), essa nova forma de trabalho \u00e9 coerente com a realidade brasileira, e foi instalada sob o argumento da flexibiliza\u00e7\u00e3o. Jos\u00e9 A\u00edlton de Oliveira a descreve como &#8220;uma maneira de modernizar as rela\u00e7\u00f5es de trabalho\u201d; contudo, seguindo pr\u00e1ticas que ocultam rela\u00e7\u00f5es de emprego, aumentando condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias&#8221;. \u00c9 exatamente esse cen\u00e1rio que se observa:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre o pretexto da flexibiliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho \u00e9 que se insere uma das novas modalidades de flexibiliza\u00e7\u00e3o, que resulta na descaracteriza\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo de emprego e que se constitui na contrata\u00e7\u00e3o de sociedade (PJ) para 18 substituir o contrato de emprego. S\u00e3o as empresas do \u201ceu sozinho\u201d ou \u201cPJs\u201d ou \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d como comumente vem sendo denominadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa perspectiva, observa-se que profissionais de diversas \u00e1reas t\u00eam sido tratados de maneira semelhante \u00e0 anteriormente descrita, em ocasi\u00f5es repetidas e de forma sistem\u00e1tica por meio da terceiriza\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra sob a fachada de uma empresa corporativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em vista desses fatos, o Tribunal Regional do Trabalho da 1\u00aa Regi\u00e3o (TRT &#8211; 1) tem admitido em diversas decis\u00f5es a exist\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o de emprego sempre que se verifica presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os pessoal, permanente e subordinada, ainda que formalmente apresentada como contrata\u00e7\u00e3o por interm\u00e9dio de pessoa jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base no entendimento manifestado pelo TRT da 1\u00aa Regi\u00e3o, o julgamento proferido no processo n\u00ba 0000421-96.2012.5.01.0072, reafirma que a simples<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">constitui\u00e7\u00e3o de pessoa jur\u00eddica para intermediar servi\u00e7os n\u00e3o afasta o reconhecimento do v\u00ednculo empregat\u00edcio quando, na pr\u00e1tica, a presta\u00e7\u00e3o laboral se desenvolve de forma subordinada, cont\u00ednua e inserida na atividade fim da empresa contratante. A decis\u00e3o enfatiza que a chamada \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d configura fraude ao sistema trabalhista e, uma vez comprovada, \u00e9 identificada o reconhecimento da rela\u00e7\u00e3o de emprego.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel observar tal fen\u00f4meno em outros setores, por exemplo, no setor m\u00e9dico em que a &#8220;pejotiza\u00e7\u00e3o&#8221; \u00e9 utilizada para a redu\u00e7\u00e3o de custos em cl\u00ednicas e hospitais. Nesses casos, embora a conex\u00e3o seja estabelecida nominalmente por meio de uma pessoa jur\u00eddica, a subordina\u00e7\u00e3o, a continuidade e a presta\u00e7\u00e3o pessoal de servi\u00e7os s\u00e3o plenamente identific\u00e1veis, configurando, portanto, uma rela\u00e7\u00e3o comum de emprego.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse entendimento tamb\u00e9m \u00e9 reconhecido pela jurisprud\u00eancia do TRT-16, que j\u00e1 proferiu diversas decis\u00f5es afirmando a exist\u00eancia de v\u00ednculo empregat\u00edcio de m\u00e9dicos nessas situa\u00e7\u00f5es, refor\u00e7ando a necessidade de preservar a realidade dos servi\u00e7os prestados acima de sua forma nominal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em decis\u00e3o proferida no processo n\u00ba 0147000-15.2012.5.16.0001, o Tribunal Regional do Trabalho da 16\u00aa Regi\u00e3o deixou claro que, quando se comprova que a contrata\u00e7\u00e3o por pessoa jur\u00eddica funciona apenas como uma fachada para encobrir uma rela\u00e7\u00e3o de trabalho t\u00edpica, especialmente no caso de profissionais da \u00e1rea m\u00e9dica, imp\u00f5e-se o reconhecimento do v\u00ednculo empregat\u00edcio. O Tribunal ressaltou que a formaliza\u00e7\u00e3o como \u201caut\u00f4nomo\u201d ou \u201cempresa prestadora de servi\u00e7os\u201d n\u00e3o prevalece diante dos elementos f\u00e1ticos que demonstram subordina\u00e7\u00e3o, continuidade e pessoalidade, aplicando-se o princ\u00edpio do contrato realidade. A Corte tamb\u00e9m destacou que, embora o v\u00ednculo tenha sido reconhecido somente em ju\u00edzo, o que afasta a multa prevista no art. 477 da CLT, constatada a insalubridade por laudo pericial, permanece devido o adicional correspondente. No mesmo julgamento, concluiu-se ainda pela inexist\u00eancia de dano moral, diante da aus\u00eancia de conduta il\u00edcita da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme apontado \u00e9 poss\u00edvel identificar, que muito embora, mesmo que empregadores estejam aplicando essa fraude de maneira habitual e cont\u00ednua, os julgados do TRT t\u00eam trabalhado em derrotar essa pr\u00e1tica, sendo ela, por ele interpretada, como uma atitude fraudulenta e sem grandes benef\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A LEI N\u00ba 11.196\/2005 COMO INSTRUMENTO DE FLEXIBILIZA\u00c7\u00c3O E POSS\u00cdVEL LEGITIMA\u00c7\u00c3O DA PEJOTIZA\u00c7\u00c3O<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir da publica\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 11.196\/2005, especialmente de seu artigo 129, uma s\u00e9rie de discuss\u00f5es foram suscitadas \u00e1 cerca de seus efeitos sobre as rela\u00e7\u00f5es de trabalho e, sobretudo, no que se refere a pr\u00e1ticas como a &#8220;pejotiza\u00e7\u00e3o&#8221;. Essa consiste na desvincula\u00e7\u00e3o impessoalizada promovida pelo empregador, e for\u00e7a o trabalhador para constituir uma pessoa jur\u00eddica que ele possa atuar como prestador de terceiros em seu lugar. Segundo alguns juristas, a referida lei teria restringido essa forma de contrata\u00e7\u00e3o conferindo a ela uma apar\u00eancia de licitude mediante o discurso empresarial de autonomia e liberdade econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, a maior parte da doutrina e da jurisprud\u00eancia n\u00e3o acolhe essa interpreta\u00e7\u00e3o, uma vez que a Lei n\u00ba 11.196\/2005 possui natureza eminentemente de car\u00e1ter tribut\u00e1rio e (previdenci\u00e1rio), e n\u00e3o trabalhista. Assim, n\u00e3o foi admitida para derrogar as diretrizes emanadas pela CLT.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Leone Pereira, assim que essa Lei foi criada, a \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d estava mais concentrada nas classes de trabalhos intelectuais, contratados na condi\u00e7\u00e3o de pessoa jur\u00eddica. No entanto, com a passagem do tempo, essa pr\u00e1tica abrangeu as mais variadas classes de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em meio \u00e0 atual crise financeira mundial, causada, principalmente, pela globaliza\u00e7\u00e3o, houve um retrocesso acerca dos direitos trabalhistas, pois os referidos \u201ctrabalhadores intelectuais\u201d, contratados sob a forma de pessoa jur\u00eddica, deixam de contar com certas garantias, como sal\u00e1rio m\u00ednimo, f\u00e9rias, gratifica\u00e7\u00f5es natalinas, seguran\u00e7a e medicina do trabalho, limita\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho etc. (Pereira, 2013, p. 77).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a doutrina adotada pelos Tribunais Regionais do Trabalho e pelo Tribunal Superior do Trabalho, entende-se que a \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d frequentemente oculta um v\u00ednculo empregat\u00edcio padr\u00e3o, atrav\u00e9s do qual os empregadores evitam responsabilidades trabalhistas e previdenci\u00e1rias (Delgado, 2015, p, 15).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Tribunal Superior do Trabalho, na decis\u00e3o do Recurso n\u00ba 639- 35.2010.5.02.0083 &#8220;a rela\u00e7\u00e3o de emprego \u00e9 a principal forma de os trabalhadores aderirem ao sistema socioecon\u00f4mico vigente: sua exist\u00eancia \u00e9 presumida enquanto n\u00e3o houver provas de que tal presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o n\u00e3o exista&#8221; (TST, 2013).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, para que a \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d seja v\u00e1lida, o trabalhador deve, de fato, atuar de forma aut\u00f4noma, sob pena de ter v\u00ednculo reconhecido com fundamento no princ\u00edpio da primazia da realidade em vigor, e previsto no artigo 9\u00ba da CLT.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A conveni\u00eancia trazida pela Lei n\u00ba 11.196\/2005 mediante contratos celebrados via pessoa jur\u00eddica, n\u00e3o possui o cond\u00e3o de legitimar atos nulos e inv\u00e1lidos quando contr\u00e1rios aos princ\u00edpios do Direito do Trabalho, como os da intangibilidade e da norma mais favor\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como afirma Maur\u00edcio Godinho Delgado (2015, p. 204), &#8220;O princ\u00edpio da irrenunciabilidade traduz a inviabilidade t\u00e9cnico-jur\u00eddica de permitir que o empregado renuncie a seus direitos por mera express\u00e3o de vontade&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, o trabalhador torna-se &#8220;pejotizado&#8221; apenas na apar\u00eancia, pois continua prestando servi\u00e7os de forma pessoal sem parar, subordinado e permanentemente sendo despojado de direitos inequ\u00edvocos, que s\u00e3o resignados para manter o v\u00ednculo com a empresa. Isso viola a dignidade humana, pois o princ\u00edpio da liberdade e respeitabilidade das rela\u00e7\u00f5es de trabalho n\u00e3o \u00e9 mais protegido pelas garantias concedidas no art. 7\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como afirma (Martins Filho 2012, p. 101), \u201cem qualquer contrato de trabalho em que o trabalhador seja uma pessoa jur\u00eddica pode ocorrer, a t\u00edtulo de exemplo, uma presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o, ordem ou etc.\u201d. Assim, n\u00e3o faz diferen\u00e7a a exist\u00eancia formal de pessoa jur\u00eddica contratada no papel: o que prevalece \u00e9 a natureza pessoal da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os e a presen\u00e7a dos elementos essenciais da rela\u00e7\u00e3o de emprego, pessoalidade, remunera\u00e7\u00e3o, habitualidade e subordina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, a Lei n\u00ba 11.196\/2005, apesar de ter sido um importante avan\u00e7o no que diz respeito \u00e0 flexibilidade contratual e simplifica\u00e7\u00e3o de tributos, n\u00e3o se deve caracteriza-la como forma de legitimar a \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d quando utilizada para encobrir reais contratos de trabalho. A aplica\u00e7\u00e3o da referida norma deve estar em conson\u00e2ncia com os princ\u00edpios fundamentais do Direito do Trabalho, equilibrando o direito \u00e0 vida, a dignidade e a preserva\u00e7\u00e3o do trabalhador diante das necessidades econ\u00f4micas das empresas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>4&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De modo especifico, p\u00f4de-se analisar o fen\u00f4meno da \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d, que constitui o objetivo central deste estudo, permitindo a abertura da problem\u00e1tica<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">existente sobre o tema, observa-se que a pr\u00e1tica desse fen\u00f4meno tem se tornado algo corriqueiro na sociedade contempor\u00e2nea, especialmente em um ambiente capitalista no qual o empregador tende a priorizar os seus lucros e benef\u00edcios, em detrimento dos direitos e garantias dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A viola\u00e7\u00e3o clara e existente praticada por determinados empregadores acarretam muitos malef\u00edcios aos trabalhadores que veem esvair-se as garantias pautadas na Consolida\u00e7\u00e3o Das Leis Do Trabalho (CLT). Assim passa a figurar em rela\u00e7\u00f5es de trabalho sem seguran\u00e7a jur\u00eddica, como forma de prestador de servi\u00e7o, sem o caminho com assist\u00eancia devida e prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao lado dos profissionais da sa\u00fade, esses vivenciam a pr\u00e1tica da \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d com maior intensidade, enfrentando significativa aus\u00eancia de resguardos frente a essa problem\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante do estudo realizado, foi poss\u00edvel visualizar a acentuada precariza\u00e7\u00e3o das normas trabalhistas frente \u00e0 ilicitude da pr\u00e1tica da \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d. H\u00e1 muitos fatores que abra\u00e7am esse fen\u00f4meno, trazendo-o como algo que ainda ir\u00e1 perdurar, concluindo-se que tem muito ainda a ser alcan\u00e7ado para a prote\u00e7\u00e3o desse costume fraudulento dos empregadores, sendo, possivelmente necess\u00e1rio uma legisla\u00e7\u00e3o especifica que trate sobre a \u201cpejotiza\u00e7\u00e3o\u201d, necess\u00e1ria, a fim de garantir prote\u00e7\u00e3o efetiva aos trabalhadores e coibir pr\u00e1ticas fraudulentas por parte dos empregadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>REFER\u00caNCIAS<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ALVARENGA, R\u00fabia Zanotelli de. <strong>A pejotiza\u00e7\u00e3o como fraude \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o trabalhista<\/strong><em>. <\/em>Revista S\u00edntese Trabalhista e Previdenci\u00e1ria, S\u00e3o Paulo, v. 25, n. 291,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">p. 71-74, set. 2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ANTUNES, Ricardo. <strong>O privil\u00e9gio da servid\u00e3o<\/strong>: o novo proletariado de servi\u00e7os na era digital. 2. ed. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ARA\u00daJO, Francisco Rossal de. <strong>Avan\u00e7os e Possibilidades do Direito do Trabalho<\/strong>. S\u00e3o Paulo: LTr, 2006.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BARROS, Alice Monteiro de. Curso de Direito do Trabalho. 6. ed. <strong>rev<\/strong>. e ampl. S\u00e3o Paulo: LTr, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BELMONTE, Alexandre Agra. <strong>Pejotiza\u00e7\u00e3o, intermedia\u00e7\u00e3o de venda de seguros, participa\u00e7\u00e3o em blogs de consultas e opini\u00f5es e contratos de figura\u00e7\u00e3o avulsa <\/strong>\u2013 algumas reflex\u00f5es. Suplemento Trabalhista n. 066\/07. S\u00e3o Paulo: LTr, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. <strong>Decreto-lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940. C\u00f3digo Penal<\/strong>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decretolei\/del2848compilado.htm\">https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decretolei\/del2848compilado.htm<\/a>. Acesso em: 20 dez. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. <strong>Lei n\u00ba 11.196, de 21 de novembro de 2005<\/strong>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2005\/lei\/l11196.htm\">https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2004-2006\/2005\/lei\/l11196.htm<\/a>. Acesso em: 20 set. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho da 16\u00aa Regi\u00e3o. M\u00e9dico. Operadora de plano de sa\u00fade. V\u00ednculo empregat\u00edcio reconhecido. Pejotiza\u00e7\u00e3o. <strong>Processo n. 0147000- 15.2012.5.16.0001<\/strong>. Relator: Jos\u00e9 Evandro de Souza. Data de julgamento: 03 dez.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2015. Di\u00e1rio Eletr\u00f4nico da Justi\u00e7a do Trabalho, S\u00e3o Lu\u00eds, 3 dez. 2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Vade Mecum: CLT \u2013 <strong>Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho<\/strong>. 10. ed. S\u00e3o Paulo: Rideel, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CARVALHO, Maria Am\u00e9lia Lira de. <strong>Pejotiza\u00e7\u00e3o e descaracteriza\u00e7\u00e3o do contrato de emprego: o caso dos m\u00e9dicos em Salvador <\/strong>\u2013 Bahia. 2012. 154 f. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado) \u2013 Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Salvador, Programa de Mestrado em Pol\u00edticas Sociais e Cidadania, Salvador, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CARVALHO, Sandro Sacchet de. <strong>Uma vis\u00e3o geral sobre a Reforma Trabalhista<\/strong>. Ipea, Pol\u00edtica em Foco, Mercado de Trabalho, out. 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">COELHO, Jairo Borges. <strong>Pejotiza\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho<\/strong>. 2017. Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (Bacharelado em Direito) \u2013 Universidade do Extremo Sul Catarinense \u2013 UNESC, Crici\u00fama, 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DELGADO, Mauricio Godinho. <strong>Capitalismo, trabalho e emprego: entre o paradigma da destrui\u00e7\u00e3o e os caminhos de reconstru\u00e7\u00e3o<\/strong>. 1. ed. S\u00e3o Paulo: LTr, 2006.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DRUCK, Gra\u00e7a; DUTRA, Renata. <strong>A contrarreforma neoliberal e a terceiriza\u00e7\u00e3o: a precariza\u00e7\u00e3o como regra<\/strong>. Caderno CRH, Salvador, v. 32, n. 86, p. 289-305, maio\/ago. 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FRANCO FILHO, Georgenor de Sousa. <strong>Pejotiza\u00e7\u00e3o<\/strong>. In: FRANCO FILHO, Georgenor de Sousa. Reforma trabalhista em pontos. 2. ed. S\u00e3o Paulo: LTr, 2018. p. 93-94. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/juslaboris.tst.jus.br\/bitstream\/handle\/20.500.12178\/162071\/2019_franco_filho%20_georgenor_pejotizacao.pdf?sequence=1\">https:\/\/juslaboris.tst.jus.br\/bitstream\/handle\/20.500.12178\/162071\/2019_franco_filho<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/juslaboris.tst.jus.br\/bitstream\/handle\/20.500.12178\/162071\/2019_franco_filho%20_georgenor_pejotizacao.pdf?sequence=1\">%20_georgenor_pejotizacao.pdf?sequence=1<\/a>. Acesso em: 20 set. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MARCONDES, Fernanda; MARCHI, Fernanda; AKIYAMA, Isabella Naomi. <strong>O fen\u00f4meno da pejotiza\u00e7\u00e3o e suas consequ\u00eancias nas rela\u00e7\u00f5es de emprego. <\/strong>2018. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/pt.scribd.com\/document\/800747337\/Matheus-Lima-Atividade-Defesa-Final\">https:\/\/pt.scribd.com\/document\/800747337\/Matheus-Lima-<\/a> <a href=\"https:\/\/pt.scribd.com\/document\/800747337\/Matheus-Lima-Atividade-Defesa-Final\">Atividade-Defesa-Final<\/a>. Acesso em: 5 nov. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MARTINS, Sergio Pinto. Direito do trabalho. 23. ed. S\u00e3o Paulo: <strong>Atlas<\/strong>, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MARTINS FILHO, Ives Gandra da Silva. <strong>Manual esquem\u00e1tico de direito e processo do trabalho<\/strong>. 21. ed. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MELO, Jos\u00e9 Eduardo de Resende Chaves Jr. <strong>A rela\u00e7\u00e3o de emprego disfar\u00e7ada: a pejotiza\u00e7\u00e3o e os novos modelos contratuais<\/strong>. Belo Horizonte: RTM, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">OLIVEIRA, Laura Machado de. <strong>Pejotiza\u00e7\u00e3o e a precariza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de emprego<\/strong>. Jus Navigandi, Teresina, ano 18, n. 3501, 31 jan. 2013. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/jus.com.br\/artigos\/23588\/pejotizacao-e-a-precarizacao-das-relacoes-deemprego\">https:\/\/jus.com.br\/artigos\/23588\/pejotizacao-e-a-precarizacao-das-relacoes-<\/a> <a href=\"https:\/\/jus.com.br\/artigos\/23588\/pejotizacao-e-a-precarizacao-das-relacoes-deemprego\">deemprego<\/a>. Acesso em: 15 set. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ORTIZ, Fernanda Colomby. <strong>A pejotiza\u00e7\u00e3o como forma de burlar a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista<\/strong>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/ambito-juridico.com.br\/\">http:\/\/ambito-juridico.com.br<\/a>. Acesso em: 10 ago. 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PEREIRA, Jossivan Gomes. <strong>A expans\u00e3o da pejotiza\u00e7\u00e3o e o v\u00ednculo empregat\u00edcio<\/strong>. 2023. Artigo Cient\u00edfico (Curso de Direito) \u2013 Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Goi\u00e1s, Escola de Direito, Neg\u00f3cios e Comunica\u00e7\u00e3o, Goi\u00e2nia, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PEREIRA, Leone. <strong>O trabalhador como pessoa jur\u00eddica<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PORTO, Lorena Vasconcelos. A subordina\u00e7\u00e3o no contrato de trabalho: uma releitura necess\u00e1ria. S\u00e3o Paulo: LTr, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RESENDE, Ricardo. <strong>Direito do Trabalho Esquematizado<\/strong>. Rio de Janeiro: Forense; S\u00e3o Paulo: M\u00e9todo, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SANTOS, Andr\u00e9a Dantas. <strong>Pejotiza\u00e7\u00e3o e fraude nas rela\u00e7\u00f5es de emprego: an\u00e1lise dos efeitos trabalhistas e fiscais-tribut\u00e1rios <\/strong>(o caso dos sal\u00f5es de beleza). Revista Eletr\u00f4nica do Tribunal Regional do Trabalho do Paran\u00e1, n. 1, p. 19- 51, out. 2011. Dispon\u00edvel em: https:\/\/juslaboris.tst.jus.br\/bitstream\/handle\/20.500.12178\/161810\/2019_rev_trt09_v0 008_n0080.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y. Acesso em: 20 dez. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SCHMIDT, Fernando. <strong>Pejotiza\u00e7\u00e3o, crime e fraude \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o trabalhista<\/strong>. Jus Brasil, 2015. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/fernando8.jusbrasil.com.br\/artigos\/218110285\/pejotizacao-crime-e-fraude-a-legislacao-trabalhista\">https:\/\/fernando8.jusbrasil.com.br\/artigos\/218110285\/pejotizacao-crime-e-fraude-a-<\/a> <a href=\"https:\/\/fernando8.jusbrasil.com.br\/artigos\/218110285\/pejotizacao-crime-e-fraude-a-legislacao-trabalhista\">legislacao-trabalhista<\/a>. Acesso em: 20 set. 2025. TURCATO, Sandra; RODRIGUES, Rosualdo. PJ \u00e9 artif\u00edcio para sonega\u00e7\u00e3o de direitos. <strong>Revista ANAMATRA<\/strong>, Brasil, ano XVII, n. 55, p. 11-15, 2\u00ba semestre de 2008.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Bacharelanda em Direito. Centro Universit\u00e1rio de Jo\u00e3o Pessoa \u2013 UNIP\u00ca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Mestranda em Direito pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o PPGD &#8211; UNIP\u00ca da Institui\u00e7\u00e3o de Ensino Superior Cruzeiro do Sul, unidade Jo\u00e3o Pessoa &#8211; PB. P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Direito Processual Civil pela Universidade Potiguar do Rio Grande do Norte &#8211; UnP. Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Jur\u00eddicas pelo Centro Universit\u00e1rio de Jo\u00e3o Pessoa &#8211; UNIP\u00ca do Grupo Cruzeiro do Sul. Consultora Jur\u00eddica, sob o registro &#8211; OAB\/PB &#8211; 11805.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Bacharel em Direito pela UDC-Paran\u00e1; Graduanda em Letras-Portugu\u00eas (FPB); P\u00f3s-Graduanda em Direito Penal e Processo Penal (Dam\u00e1sio-2017); P\u00f3s-Graduanda em Direito Civil e Processo Civil (Unip\u00ea-2025-2026); Mestranda em Direito e Desenvolvimento (Unip\u00ea-2025-2026); Professora Estagi\u00e1ria em Letras (2025-Escola Argentina Pereira Gomes-PB); Professora Estagi\u00e1ria de Metodologia (2025-Unip\u00ea).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>THE IMPACT OF &#8220;OUTSOURCING&#8221; ON THE CONFIGURATION OF THE EMPLOYMENT RELATIONSHIP Artigo submetido em 01 de dezembro de 2025Artigo aprovado&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":1209,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"https:\/\/cognitiojuris.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cognitio_juris_n10.jpg","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[19],"class_list":["post-768","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-cientificos","tag-9-2025"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/768","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=768"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/768\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1201,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/768\/revisions\/1201"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1209"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=768"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=768"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=768"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}