{"id":788,"date":"2025-12-19T23:15:01","date_gmt":"2025-12-20T02:15:01","guid":{"rendered":"https:\/\/scientiaetratio.com.br\/?p=788"},"modified":"2026-05-23T11:41:42","modified_gmt":"2026-05-23T14:41:42","slug":"entre-a-protecao-e-o-esquecimento-a-lentidao-dos-processos-de-adocao-e-o-papel-do-judiciario-na-institucionalizacao-prolongada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/entre-a-protecao-e-o-esquecimento-a-lentidao-dos-processos-de-adocao-e-o-papel-do-judiciario-na-institucionalizacao-prolongada\/","title":{"rendered":"ENTRE A PROTE\u00c7\u00c3O E O ESQUECIMENTO: A LENTID\u00c3O DOS PROCESSOS DE ADO\u00c7\u00c3O E O PAPEL DO JUDICI\u00c1RIO NA INSTITUCIONALIZA\u00c7\u00c3O PROLONGADA"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>BETWEEN PROTECTION AND NEGLECT: THE DELAY OF ADOPTION PROCEEDINGS AND THE ROLE OF THE JUDICIARY IN PROLONGED INSTITUTIONALIZATION<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Artigo submetido em 30 de novembro de 2025<br>Artigo aprovado em 12 de dezembro de 2025<br>Artigo publicado em 19 de dezembro de 2025<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-blush-light-purple-gradient-background has-background\"><tbody><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Scientia et Ratio<\/strong><br>Volume 5 \u2013 N\u00famero 9 \u2013 Dezembro de 2025<br>ISSN 2525-8532<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-7e4ac651328708ea719ac0894fa30934 wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background\"><tbody><tr><td><strong>Autor:<br><\/strong>Maria Gabriella Adriano Maciel<a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><br>Markus Samuel Leite Norat<a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftn2\">[2]<\/a><br>Katheryne Krug<a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftn3\">[3]<\/a><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-7e4ac651328708ea719ac0894fa30934 wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RESUMO<\/strong>: O presente artigo analisa a ado\u00e7\u00e3o no Brasil como uma medida de prote\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a e do adolescente, com foco na institucionaliza\u00e7\u00e3o prolongada decorrente da morosidade do Poder Judici\u00e1rio sobre a formaliza\u00e7\u00e3o do processo de ado\u00e7\u00e3o. Busca-se compreender as causas e os efeitos da demora processual na concretiza\u00e7\u00e3o da ado\u00e7\u00e3o, considerando suas implica\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas, sociais e psicol\u00f3gicas. Analisa-se a evolu\u00e7\u00e3o normativa do C\u00f3digo Civil e do Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente, identificando os princ\u00edpios constitucionais da dignidade da pessoa humana e do melhor interesse da crian\u00e7a como fundamento do sistema jur\u00eddico. Avalia-se, tamb\u00e9m, o papel do Estado e da sociedade na garantia dos direitos da inf\u00e2ncia, com destaque a atua\u00e7\u00e3o de profissionais especializados, a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas e a reintegra\u00e7\u00e3o familiar. Discute-se a fun\u00e7\u00e3o do ordenamento jur\u00eddico na efetiva\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 conviv\u00eancia familiar e apresentar pr\u00e1ticas e reformas processuais que acelerem o processo de ado\u00e7\u00e3o. A metodologia utilizada baseia-se em pesquisa bibliogr\u00e1fica e documental com an\u00e1lise de legisla\u00e7\u00e3o, doutrinas e relat\u00f3rios institucionais. Conclui-se que a efetiva\u00e7\u00e3o da ado\u00e7\u00e3o exige de articula\u00e7\u00e3o entre \u00f3rg\u00e3os judici\u00e1rios, profissionais especializados e pol\u00edticas p\u00fablicas, sendo imprescind\u00edvel reduzir a morosidade judicial para garantir a prote\u00e7\u00e3o plena da inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Palavras-chave: <\/strong>Ado\u00e7\u00e3o; Institucionaliza\u00e7\u00e3o Prolongada; Morosidade Judicial; Conviv\u00eancia Familiar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ABSTRACT<\/strong>: This study analyzes adoption in Brazil as a protective measure for children and adolescents, focusing on prolonged institutionalization resulting from judicial delays in the formalization of the adoption process. It seeks to understand the causes and effects of procedural delays in the realization of adoption, considering their legal, social, and psychological implications. The normative evolution of the Civil Code and the Child and Adolescent Statute is examined, identifying the constitutional principles of human dignity and the best interests of the child as the foundation of the legal system. The role of the State and society in guaranteeing children&#8217;s rights is also assessed, highlighting the contribution of specialized professionals and the importance of public policies and family reintegration. The study further discusses the function of the legal framework in ensuring the right to family life, proposing practices and procedural reforms to expedite adoption processes. The methodology is based on bibliographic and documentary research, including the analysis of legislation, legal doctrine, and institutional reports. It concludes that the effectiveness of adoption depends on coordination between judicial bodies, specialized professionals, and public policies, with the reduction of judicial delays being essential to guarantee the full protection of childhood and adolescence.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Keywords:<\/strong> Adoption; Prolonged Institutionalization; Judicial Delays; Family Life.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>1&nbsp; <\/strong><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ado\u00e7\u00e3o pode ser compreendida como um processo espont\u00e2neo, afetivo e legal, de suma import\u00e2ncia no ordenamento jur\u00eddico, que estabelece v\u00ednculo de filia\u00e7\u00e3o entre adotante e adotado, formando uma estrutura familiar baseada em afeto, respeito e prote\u00e7\u00e3o. No Brasil, de acordo com dados do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), aproximadamente 30 mil crian\u00e7as e adolescentes encontram-se acolhidos pelo Sistema Nacional de Ado\u00e7\u00e3o e Acolhimento (SNA), mas apenas 5 mil est\u00e3o habilitadas \u00e0 ado\u00e7\u00e3o, enquanto 35 mil fam\u00edlias aguardam na fila para adotar. Embora os n\u00fameros aparentarem estar em equil\u00edbrio, a realidade revela uma contradi\u00e7\u00e3o: muitas crian\u00e7as permanecem por anos em institui\u00e7\u00f5es, entre paredes que n\u00e3o lhe oferecem pertencimento, privadas do conv\u00edvio familiar, ao mesmo tempo que fam\u00edlias enfrentam longa espera em raz\u00e3o da morosidade judicial. (IBDFAM, 2020)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O princ\u00edpio da prote\u00e7\u00e3o integral da crian\u00e7a e do adolescente, previsto no artigo 227 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 e regulamentado pelo Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA), assegura \u00e0 inf\u00e2ncia e \u00e0 juventude prioridade absoluta na concretiza\u00e7\u00e3o dos seus direitos. Apesar dessa base jur\u00eddica consistente, na pr\u00e1tica, verifica-se que os processos de ado\u00e7\u00e3o enfrentam dificuldades significativas, a institucionaliza\u00e7\u00e3o, que deveria ser uma medida transit\u00f3ria, r\u00e1pida, torna-se uma situa\u00e7\u00e3o permanente, comprometendo o desenvolvimento emocional, social e cognitivo dos envolvidos. H\u00e1 uma grande contradi\u00e7\u00e3o entre a norma e a realidade, que evidencia fragilidades na atua\u00e7\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio e na articula\u00e7\u00e3o com pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas ao acolhimento e reintegra\u00e7\u00e3o familiar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A relev\u00e2ncia deste estudo decorre da necessidade de compreender e enfrentar os impactos da lentid\u00e3o processual, que amea\u00e7a o direito fundamental \u00e0 conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria. O tema justifica-se pela urg\u00eancia em propor solu\u00e7\u00f5es que assegurem maior celeridade e comprometimento com os ideais que melhor interessam \u00e0s crian\u00e7as e adolescentes, um direito concreto, urgente e inegoci\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, o objetivo geral do trabalho \u00e9 analisar os efeitos da morosidade judicial nos processos de ado\u00e7\u00e3o no Brasil e a sua repercuss\u00e3o no direito \u00e0 fam\u00edlia da crian\u00e7a e do adolescente. Como objetivos espec\u00edficos, busca-se entender as causas da procrastina\u00e7\u00e3o processual, examinar a evolu\u00e7\u00e3o normativa, avaliar o papel do ordenamento jur\u00eddico e das pol\u00edticas p\u00fablicas e apresentar resolu\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a efetiva\u00e7\u00e3o de ado\u00e7\u00f5es c\u00e9leres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A metodologia utilizada fundamenta-se na pesquisa bibliogr\u00e1fica e documental, por meio da an\u00e1lise de legisla\u00e7\u00f5es, doutrinas jur\u00eddicas e publica\u00e7\u00f5es que tratam da ado\u00e7\u00e3o e do acolhimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, a estrutura do trabalho organiza-se da seguinte forma: o primeiro cap\u00edtulo apresenta a evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e normativa da ado\u00e7\u00e3o no ordenamento jur\u00eddico brasileiro; o segundo cap\u00edtulo analisa as consequ\u00eancias da institucionaliza\u00e7\u00e3o prolongada e atua\u00e7\u00e3o no Judici\u00e1rio; o terceiro cap\u00edtulo discute as pol\u00edticas p\u00fablicas e a reintegra\u00e7\u00e3o familiar como ferramentas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 inf\u00e2ncia; e o quarto cap\u00edtulo prop\u00f5e caminhos para a materializa\u00e7\u00e3o \u00e1gil da ado\u00e7\u00e3o, destacando solu\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas e reformas necess\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>2&nbsp; <\/strong><strong>ADO\u00c7\u00c3O NO BRASIL: ENTRE O ESQUECIMENTO E A PROTE\u00c7\u00c3O<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ado\u00e7\u00e3o no Brasil sempre se caracterizou por refletir uma tens\u00e3o entre o dever de proteger as crian\u00e7as e os obst\u00e1culos pr\u00e1ticos que, em grande parte, atrasam ou dificultam a efetiva\u00e7\u00e3o desse direito. Fatores como: a falta de interesse de pretendentes, a sele\u00e7\u00e3o por determinados perfis de crian\u00e7as, a morosidade dos processos e a burocracia envolvida ajudam para que muitas permane\u00e7am institucionalizadas por longos per\u00edodos, vivenciando um \u201cesquecimento social\u201d. Para compreender a atual situa\u00e7\u00e3o do processo de ado\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio analisar o percurso hist\u00f3rico e a evolu\u00e7\u00e3o legislativa, evidenciando como o direito brasileiro tem buscado conciliar a prote\u00e7\u00e3o e a efetividade. Portanto, a pr\u00f3xima se\u00e7\u00e3o abordar\u00e1 a hist\u00f3ria e a constru\u00e7\u00e3o jur\u00eddica da ado\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2.1&nbsp; HIST\u00d3RIA DA ADO\u00c7\u00c3O NO BRASIL: DO PASSADO AO PRESENTE<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao abordar a tem\u00e1tica da ado\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso conhecer a sua trajet\u00f3ria hist\u00f3rica, identificando como se estruturou e as etapas que foram percorridas para alcan\u00e7ar a forma atual. Hoje, a ado\u00e7\u00e3o \u00e9 conceituada como um instituto jur\u00eddico amplamente aceito, sendo associado como um ato de compaix\u00e3o e acolhimento. Para atingir esse reconhecimento e prote\u00e7\u00e3o legal, percorreu um caminho repleto de mudan\u00e7as sociais e legislativas que moldaram sua configura\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ado\u00e7\u00e3o acontecia muito antes da exist\u00eancia do Brasil, \u00e9 um processo que est\u00e1 presente na trajet\u00f3ria da humanidade. H\u00e1 relatos de ado\u00e7\u00e3o entre os Gregos Romanos, era uma pr\u00e1tica considerada comum, motivada pela necessidade de um herdeiro, fortalecimento de alian\u00e7as pol\u00edticas e a falta de filhos naturais dos casais. Um dos maiores exemplos de ado\u00e7\u00e3o na Roma Antiga \u00e9 a ado\u00e7\u00e3o do imperador Otaviano por J\u00falio C\u00e9sar, que serviu para garantir sua sucess\u00e3o imperial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, durante o per\u00edodo imperial e colonial, n\u00e3o havia uma regulamenta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica para esse ato. O que existia eram pr\u00e1ticas informais, como a \u201croda dos expostos\u201d, uma roda de madeira fixada no muro ou janelas de conventos ou Santas Casas de Miseric\u00f3rdias onde as crian\u00e7as de at\u00e9 7 anos eram deixadas, sem que suas origens fossem reveladas, elas ficavam sob os cuidados da caridade, bem como a tutela, mas sem estabelecer v\u00ednculos de filia\u00e7\u00e3o. O fechamento da \u00faltima roda no Brasil ocorreu em 1950, mas essa pr\u00e1tica ainda vem acontecendo em pa\u00edses europeus (Kozesinski, 2016, s\/p).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apenas com o C\u00f3digo Civil de 1916 a ado\u00e7\u00e3o foi reconhecida como um instituto jur\u00eddico no pa\u00eds. Mas seu alcance era limitado: apenas maiores de 50 anos, sem descendentes leg\u00edtimos podiam adotar, e o adotado n\u00e3o teria a condi\u00e7\u00e3o plena de filho, principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 heran\u00e7a. Al\u00e9m disso a ado\u00e7\u00e3o poderia ser desfeita ap\u00f3s a maioridade da crian\u00e7a adotada, se ela e os adotantes quisessem, ou ent\u00e3o quando o adotado cometer \u201cingratid\u00e3o\u201d contra o adotante, sem que fosse explicitado na lei do que se tratava. A regulamenta\u00e7\u00e3o se dava atrav\u00e9s de um contrato e o Cart\u00f3rio emitia o documento da ado\u00e7\u00e3o sem que houvesse qualquer processo judicial (Kozesinski, 2016, s\/p).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s 40 anos novas mudan\u00e7as foram efetivadas, a Lei n\u00ba 3.133\/1957 flexibilizou a rigidez legitimada, diminuiu a idade m\u00ednima do adotante para 30 anos, colocando como requisito aos candidatos que fossem casal, que tivessem pelo menos 5 anos de relacionamento oficial, e ainda permitiu a ado\u00e7\u00e3o mesmo por quem tivesse filhos biol\u00f3gicos, desde que houvesse motivos justificados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Poder Judici\u00e1rio passou a atuar de forma mais efetiva na pr\u00e1tica da ado\u00e7\u00e3o a partir da Lei de 1957, quando os ju\u00edzes da inf\u00e2ncia come\u00e7aram a exigir autoriza\u00e7\u00e3o judicial para a regulariza\u00e7\u00e3o da escritura de ado\u00e7\u00e3o de beb\u00eas nos Cart\u00f3rios. Treze anos depois, a Lei n\u00ba 4.655\/65 introduziu a \u201clegitima\u00e7\u00e3o adotiva\u201d, destinada a regularizar ado\u00e7\u00f5es irregulares e garantir \u00e0s crian\u00e7as os mesmos direitos dos filhos biol\u00f3gicos. Essa legisla\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m instituiu medidas que permanecem at\u00e9 hoje, como o rompimento definitivo dos v\u00ednculos com a fam\u00edlia de origem, refletido no registro de nascimento com os nomes dos pais e av\u00f3s adotantes, e a irrevogabilidade da ado\u00e7\u00e3o (Kozesinski, 2016, s\/p).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a promulga\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo de Menores, em 1979, a ado\u00e7\u00e3o passou a ser compreendida n\u00e3o apenas como um direito de fam\u00edlia, mas como um direito da crian\u00e7a. O C\u00f3digo definiu modalidades de ado\u00e7\u00e3o, simples e plena, e estabeleceu requisitos obrigat\u00f3rios para os adotantes, incluindo estabilidade conjugal, idoneidade moral, comprova\u00e7\u00e3o de sanidade f\u00edsica e mental, al\u00e9m da adequa\u00e7\u00e3o do lar. Al\u00e9m disso, foi a primeira legisla\u00e7\u00e3o a regulamentar expressamente a ado\u00e7\u00e3o por estrangeiros, fornecendo diretrizes claras para sua realiza\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, o artigo 20 disp\u00f4s que o estrangeiro que resida ou tenha domic\u00edlio fora do Brasil somente poder\u00e1 requerer a coloca\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a ou adolescente brasileiro em fam\u00edlia substituta com finalidade de ado\u00e7\u00e3o simples, desde que o adotando esteja em situa\u00e7\u00e3o irregular, de car\u00e1ter n\u00e3o eventual, conforme previsto na al\u00ednea <em>a<\/em> do inciso I do art. 2\u00ba da pr\u00f3pria lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 passa a assegurar a igualdade entre os filhos adotivos e biol\u00f3gicos, anunciando em seu artigo 227: \u201cOs filhos, havidos ou n\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o de casamento, ou por ado\u00e7\u00e3o, ter\u00e3o os mesmos direitos e qualifica\u00e7\u00f5es, proibidas quaisquer designa\u00e7\u00f5es discriminat\u00f3rias relativas \u00e0 filia\u00e7\u00e3o\u201d (Brasil, 1988).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2009, o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (Lei n\u00ba 8.069\/90) passou por altera\u00e7\u00f5es ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 12.010\/2009, conhecida como a \u201cLei da Ado\u00e7\u00e3o\u201d, que buscou aperfei\u00e7oar a sistem\u00e1tica adotiva, garantindo mais efetividade ao direito \u00e0 conviv\u00eancia familiar, j\u00e1 previsto no ECA (Brasil, 2009). Essa legisla\u00e7\u00e3o foi atualizada pela Lei n\u00ba 13.509\/17, que permanece em vigor e \u00e9 um pilar normativo da ado\u00e7\u00e3o no Brasil atualmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Compreender a ado\u00e7\u00e3o apenas sob a perspectiva hist\u00f3rica e social n\u00e3o \u00e9 suficiente para analisar sua efetividade enquanto instrumento de prote\u00e7\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1rio entender como o direito brasileiro estruturou legalmente esse instituto, estabelecendo normas que garantem a prote\u00e7\u00e3o integral da crian\u00e7a e do adolescente. A ado\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas um ato de afeto e constru\u00e7\u00e3o familiar, \u00e9 tamb\u00e9m um instituto jur\u00eddico regulado pelo C\u00f3digo Civil e pelo Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente, que asseguram direitos e garantias voltados ao melhor interesse do adotado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2.2 INSTITUTO JUR\u00cdDICO DA ADO\u00c7\u00c3O COMO GARANTIA DA PROTE\u00c7\u00c3O INTEGRAL DA CRIAN\u00c7A E DO ADOLESCENTE<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O instituto jur\u00eddico da ado\u00e7\u00e3o, no direito brasileiro, n\u00e3o est\u00e1 limitado a um mecanismo de cria\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos de filia\u00e7\u00e3o civil, sua natureza tamb\u00e9m est\u00e1 ligada ao cumprimento do mandamento constitucional de assegurar prote\u00e7\u00e3o integral \u00e0s crian\u00e7as e adolescentes, previsto no artigo 227 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988. Este dispositivo atribui \u00e0 fam\u00edlia, \u00e0 sociedade e ao Estado o dever de assegurar, com prioridade, os direitos fundamentais dos menores, destacando-se o direito \u00e0 conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (Lei n\u00ba 8.069\/1990), regulamenta a ado\u00e7\u00e3o nos artigos 39 a 52, reafirmando que deve ser compreendida como medida excepcional, aplic\u00e1vel quando esgotadas as possibilidades de manuten\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a ou adolescente junto \u00e0 fam\u00edlia natural ou extensa (Brasil, 1990). Tal previs\u00e3o almeja garantir \u00e0 crian\u00e7a um ambiente saud\u00e1vel, afetivo e est\u00e1vel, apto a assegurar seu pleno desenvolvimento f\u00edsico, ps\u00edquico, social e moral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A consagra\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o integral tamb\u00e9m se relaciona \u00e0 supera\u00e7\u00e3o da institucionaliza\u00e7\u00e3o prolongada. A perman\u00eancia das crian\u00e7as e adolescentes em abrigos, por tempo indeterminado, contradiz o princ\u00edpio da dignidade da pessoa humana e o direito \u00e0 conviv\u00eancia familiar, previsto tanto na Constitui\u00e7\u00e3o quanto no ECA (Brasil, 1988; Brasil, 1990). Nesse contexto, a ado\u00e7\u00e3o surge como instrumento jur\u00eddico capaz de efetivar o melhor interesse da crian\u00e7a, promovendo n\u00e3o apenas a prote\u00e7\u00e3o legal, mas tamb\u00e9m a consolida\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos afetivos e a inser\u00e7\u00e3o social do menor, assegurando-lhe igualdade de direitos em rela\u00e7\u00e3o a filhos biol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No plano jur\u00eddico, a ado\u00e7\u00e3o \u00e9 vista como uma a\u00e7\u00e3o de Estado de car\u00e1ter constitutivo, exigindo senten\u00e7a judicial para produzir efeitos e garantindo a participa\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria do Minist\u00e9rio P\u00fablico, em defesa do interesse p\u00fablico e do menor. O consentimento dos pais ou representantes legais \u00e9 regra, podendo ser dispensado em situa\u00e7\u00f5es excepcionais, como aus\u00eancia ou destitui\u00e7\u00e3o do poder familiar. O menor com idade superior a 12 anos deve ser ouvido, refor\u00e7ando seu status de sujeito de direitos e destaque do pr\u00f3prio processo de ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2.2.1 O Princ\u00edpio do Melhor Interesse da Crian\u00e7a no Direito Brasileiro<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O princ\u00edpio do melhor interesse da crian\u00e7a exige que seus interesses sejam prioridades do Estado, da sociedade e da fam\u00edlia, tanto na cria\u00e7\u00e3o quanto na aplica\u00e7\u00e3o dos direitos que lhe dizem respeito, especialmente nas rela\u00e7\u00f5es familiares (L\u00f4bo, 2005, p. 99). Trata-se de uma invers\u00e3o de prioridades em rela\u00e7\u00e3o ao passado: \u201cO p\u00e1trio poder existia em fun\u00e7\u00e3o do pai; j\u00e1 a autoridade parental ou poder familiar existe em fun\u00e7\u00e3o e no interesse do filho. Hoje qualquer decis\u00e3o deve ser tomada considerando seu melhor interesse\u201d (L\u00f4bo, 2005, p. 99). Qualquer medida, inclusive nos casos de ado\u00e7\u00e3o, deve ter como refer\u00eancia o bem-estar do menor. A crian\u00e7a \u00e9 protagonista das decis\u00f5es que a afetam, e o juiz vai sempre avaliar a melhor solu\u00e7\u00e3o para seus direitos, tanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 filia\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica quanto socioafetiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O princ\u00edpio encontra respaldo no art. 227 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, no Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente e na Conven\u00e7\u00e3o Internacional dos Direitos da Crian\u00e7a, que determinam que todas as a\u00e7\u00f5es relativas aos menores considerem, em primeiro lugar, seu interesse superior. Segundo Miguel Cillero Bru\u00f1ol, os direitos das crian\u00e7as n\u00e3o se exercem contrariamente aos de outras pessoas; o princ\u00edpio n\u00e3o \u00e9 absoluto, mas estabelece que o interesse superior da crian\u00e7a seja uma considera\u00e7\u00e3o primordial. O princ\u00edpio \u00e9 de prioridade e n\u00e3o de exclus\u00e3o de outros direitos ou interesses (Bru\u00f1ol, 1997, p. 8) Para a ado\u00e7\u00e3o, isso significa assegurar que o adotado seja colocado em um ambiente est\u00e1vel, seguro e afetivo. Assim, a ado\u00e7\u00e3o torna-se um mecanismo concreto de prote\u00e7\u00e3o integral, garantindo que o melhor interesse e a dignidade da pessoa humana sejam os crit\u00e9rios centrais das decis\u00f5es jur\u00eddicas, refor\u00e7ando sua condi\u00e7\u00e3o de sujeito pleno de direitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A instrumentaliza\u00e7\u00e3o desse princ\u00edpio, no contexto da ado\u00e7\u00e3o, exige uma avalia\u00e7\u00e3o cuidadosa das condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas e, sobretudo, emocionais dos pretendentes, bem como a observ\u00e2ncia de ritos processuais que buscam garantir a celeridade e a seguran\u00e7a jur\u00eddica. A finalidade prec\u00edpua n\u00e3o \u00e9 satisfazer o desejo dos adotantes, mas sim proporcionar \u00e0 crian\u00e7a ou adolescente o direito fundamental \u00e0 conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria, conforme previsto no art. 19 do ECA (Brasil, 1990).<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>INSTITUCIONALIZA\u00c7\u00c3O PROLONGADA E SEUS DESAFIOS<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A institucionaliza\u00e7\u00e3o prolongada de crian\u00e7as e adolescentes em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade representa uma problem\u00e1tica recorrente no Brasil. A perman\u00eancia desses sujeitos em abrigos por per\u00edodos mais longos do que o desej\u00e1vel \u00e9 um reflexo dos desafios jur\u00eddicos, sociais e institucionais que a quest\u00e3o enfrenta. Embora a legisla\u00e7\u00e3o estabele\u00e7a a conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria e o melhor interesse da crian\u00e7a como prioridade absoluta, a morosidade judicial e a insufici\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes frequentemente inviabilizam a efetiva\u00e7\u00e3o desse direito fundamental. Nesse contexto, a an\u00e1lise das causas da demora nos processos de ado\u00e7\u00e3o, bem como das consequ\u00eancias sociais e psicol\u00f3gicas da institucionaliza\u00e7\u00e3o, mostra-se indispens\u00e1vel para a compreens\u00e3o do papel do Estado e da sociedade na prote\u00e7\u00e3o integral da inf\u00e2ncia e da adolesc\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">3.1 CAUSAS DA DEMORA NOS PROCESSOS DE ADO\u00c7\u00c3O<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os fatores que contribuem para a lentid\u00e3o dos processos de ado\u00e7\u00e3o s\u00e3o in\u00fameros. Apesar da evolu\u00e7\u00e3o dos procedimentos relacionados a ado\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes, o processo ainda apresenta falhas que levam \u00e0 sua demora. A burocracia existente no sistema jur\u00eddico \u00e9 uma das principais problem\u00e1ticas: o que era para ser um processo tranquilo e satisfat\u00f3rio acaba se transformando em um processo desestimulante e desgastante, tanto para os adotantes quanto para os que anseiam ser adotados. Em muitos casos, essa demora leva \u00e0 desist\u00eancia dos interessados, comprometendo a premissa central de proteger a integridade e os interesses das crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, a advogada Silvana Monte Moreira, ex-presidente da Comiss\u00e3o de Ado\u00e7\u00e3o do Instituto Brasileiro de Direito de Fam\u00edlia (IBDFAM), aponta que os principais empecilhos da ado\u00e7\u00e3o s\u00e3o \u201clidar com a morosidade do Judici\u00e1rio, com o desrespeito aos prazos previstos no ECA, com os processos de destitui\u00e7\u00e3o do poder familiar que n\u00e3o terminam e com a inseguran\u00e7a jur\u00eddica.\u201d (IBDFAM, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do ponto de vista jur\u00eddico-institucional, a escassez de varas especializadas em inf\u00e2ncia e juventude em muitas comarcas brasileiras compromete a tramita\u00e7\u00e3o c\u00e9lere dos processos. Geralmente, as demandas relacionadas \u00e0 ado\u00e7\u00e3o s\u00e3o acumuladas em outras mat\u00e9rias, resultando na sobrecarga dos magistrados e dilata\u00e7\u00e3o dos prazos processuais. Al\u00e9m disso, a multiplicidade de etapas obrigat\u00f3rias previstas no Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA), embora sejam necess\u00e1rias para assegurar a prote\u00e7\u00e3o integral, acaba gerando entraves quando n\u00e3o acompanhadas de uma estrutura adequada para sua execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro fator relevante \u00e9 a insufici\u00eancia de equipes t\u00e9cnicas multidisciplinares, formadas por psic\u00f3logos, assistentes sociais e pedagogos, respons\u00e1veis por elaborar relat\u00f3rios, visitas domiciliares e avalia\u00e7\u00e3o tanto das fam\u00edlias pretendentes quanto da situa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as acolhidas. A falta de profissionais nas varas de inf\u00e2ncia prolonga a an\u00e1lise dos casos e impede o cumprimento dos prazos legais, conforme aponta o defensor p\u00fablico do N\u00facleo de Inf\u00e2ncia e Juventude (Nadij) da Defensoria P\u00fablica do Estado do Cear\u00e1 (DPE-CE), Adriano Leitinho (Leitinho, 2019, s\/p).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m \u00e9 preciso considerar os aspectos burocr\u00e1ticos e administrativos, como a falta de integra\u00e7\u00e3o entre os sistemas informatizados das varas de inf\u00e2ncia e juventude. Embora o Sistema Nacional de Ado\u00e7\u00e3o e Acolhimento (SNA) represente um avan\u00e7o significativo, ainda existem falhas na atualiza\u00e7\u00e3o de dados e na comunica\u00e7\u00e3o entre os \u00f3rg\u00e3os, atrasando a aproxima\u00e7\u00e3o entre as crian\u00e7as dispon\u00edveis e os habilitados \u00e0 ado\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ademais, quest\u00f5es de perfil e compatibilidade entre adotantes e adotados influenciam diretamente a morosidade. De acordo com dados de <em>O Estado de S. Paulo<\/em>, a maioria dos pretendentes \u00e0 ado\u00e7\u00e3o prioriza crian\u00e7as com at\u00e9 dois anos de idade, do sexo feminino, sem irm\u00e3os, de cor branca e sem hist\u00f3rico de doen\u00e7as ou defici\u00eancias, o que diverge do perfil predominante das crian\u00e7as dispon\u00edveis para a ado\u00e7\u00e3o no Brasil, que corresponde a crian\u00e7as mais velhas, pardas, integrantes dos grupos de irm\u00e3os ou com necessidades espec\u00edficas de sa\u00fade. Essas prefer\u00eancias tamb\u00e9m t\u00eam a ver com fatores culturais e sociais: a ado\u00e7\u00e3o tardia, inter-racial ou de crian\u00e7as com defici\u00eancia ainda enfrenta resist\u00eancia, fruto de preconceitos enraizados e de uma vis\u00e3o idealizada da filia\u00e7\u00e3o, associada a estere\u00f3tipos de \u201cfilhos perfeitos\u201d. Essa incompatibilidade gera longos per\u00edodos de espera, tanto para os pretendentes quanto para as crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A demora injustificada nesses processos fere diretamente a dignidade das crian\u00e7as e adolescentes que esperam por uma fam\u00edlia. Nas palavras de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, o Estado pode ser responsabilizado civilmente sempre que o servi\u00e7o p\u00fablico \u201cn\u00e3o funcione, funcione atrasado ou funcione mal\u201d (Di Pietro, 2019, p. 831).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, a demora nos processos de ado\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado de um sistema permeado por dificuldades estruturais, burocr\u00e1ticas, culturais e sociais, que demandam tanto reformas legislativas e administrativas quanto mudan\u00e7as de mentalidade social, a fim de assegurar o direito fundamental das crian\u00e7as \u00e0 conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>CONSEQU\u00caNCIAS SOCIAIS E PSICOL\u00d3GICAS DA INSTITUCIONALIZA\u00c7\u00c3O<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora o acolhimento institucional seja uma medida de prote\u00e7\u00e3o excepcional e provis\u00f3ria, a lentid\u00e3o dos processos de ado\u00e7\u00e3o o transforma em uma realidade extensa, gerando severas consequ\u00eancias que comprometem o desenvolvimento pleno da crian\u00e7a e do adolescente. A perman\u00eancia excessiva no abrigo acende o dilema central do trabalho: a falha em prover o direito \u00e0 conviv\u00eancia familiar sob o pretexto da prote\u00e7\u00e3o, resultando no que \u00e9 popularmente conhecido como o \u201cesquecimento institucional\u201d. As sequelas dessa experi\u00eancia manifestam-se no plano emocional, cognitivo e social, tornando a celeridade processual um imperativo n\u00e3o apenas jur\u00eddico, mas principalmente psicossocial.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>A Quest\u00e3o do V\u00ednculo e a Teoria do Apego (O Dano Emocional)<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A compreens\u00e3o das consequ\u00eancias emocionais da institucionaliza\u00e7\u00e3o pode ser fundamentada na Teoria do Apego, desenvolvida por John Bowlby (1984). Para o autor, o desenvolvimento emocional saud\u00e1vel depende da forma\u00e7\u00e3o de um v\u00ednculo seguro com um ou poucos cuidadores principais na primeira inf\u00e2ncia. Esse v\u00ednculo \u00e9 a base da confian\u00e7a, empatia e capacidade de estabelecer relacionamentos est\u00e1veis ao decorrer da vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por\u00e9m, o ambiente institucional, caracterizado pela alta quantidade de cuidadores, propor\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis entre adultos e crian\u00e7as, acaba rompendo essa din\u00e2mica fundamental. A crian\u00e7a acolhida raramente consegue encontrar uma figura de refer\u00eancia est\u00e1vel, o que impede a consolida\u00e7\u00e3o do apego seguro e favorece o surgimento de padr\u00f5es de relacionamento marcados pela ansiedade, evita\u00e7\u00e3o ou ambival\u00eancia afetiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As consequ\u00eancias do apego inseguro manifestam-se de in\u00fameras formas. Uma delas \u00e9 a dificuldade de confiar, que pode aparecer como retraimento diante de novos v\u00ednculos ou, em sentido oposto, como uma sociabilidade sup\u00e9rflua e uma car\u00eancia afetiva exacerbada, numa tentativa de obter aten\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a ruptura constante de v\u00ednculos, tanto pela troca de cuidadores, quanto pela expectativa frustrada da ado\u00e7\u00e3o, traz constantemente o trauma do abandono, levando a crian\u00e7a a internalizar a ideia de que \u201cn\u00e3o \u00e9 digna de afeto\u201d. Essa dor emocional, ao longo do tempo, gera um vazio afetivo que compromete o desenvolvimento da autoestima e da identidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Logo, o que deveria representar acolhimento e cuidado transforma-se, muitas vezes, em fonte de sofrimento ps\u00edquico, na medida em que a crian\u00e7a cresce sem uma base emocional segura. O esquecimento institucional n\u00e3o \u00e9 apenas social, mas tamb\u00e9m afetivo.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>A S\u00edndrome da Institucionaliza\u00e7\u00e3o (O Dano Comportamental e Cognitivo)<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As consequ\u00eancias da institucionaliza\u00e7\u00e3o prolongada extrapolam o campo emocional e atingem o desenvolvimento cognitivo e comportamental. Estudos sobre o fen\u00f4meno, conhecido como S\u00edndrome da Institucionaliza\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m associada ao conceito de hospitalismo, descrito por Ren\u00e9 Spitz (1945), demonstram que a priva\u00e7\u00e3o afetiva e sensorial prolongada produz sequelas graves no desenvolvimento infantil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as manifesta\u00e7\u00f5es mais frequentes, destacam-se os atrasos no desenvolvimento da linguagem, das habilidades motoras e das fun\u00e7\u00f5es cognitivas superiores, resultado da aus\u00eancia de est\u00edmulos individualizados e do ambiente desafiador dos abrigos. Al\u00e9m disso, surgem comportamentos adaptativos, que s\u00e3o respostas psicol\u00f3gicas \u00e0 vida institucional, mas tornam-se desadaptativos quando a crian\u00e7a \u00e9 reinserida em um contexto familiar. \u00c9 poss\u00edvel observar nesses casos, tanto a apatia e passividade quanto rea\u00e7\u00f5es agressivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra consequ\u00eancia t\u00edpica s\u00e3o os comportamentos de autoestimula\u00e7\u00e3o (self-stimulation), como balan\u00e7ar o corpo, repetir movimentos ou at\u00e9 mesmo, bater a cabe\u00e7a. Tais condutas funcionam como tentativas de autoproduzir est\u00edmulos diante da aus\u00eancia de experi\u00eancias sensoriais ricas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o passar do tempo, a crian\u00e7a se adapta \u00e0 rotina do abrigo, perde a iniciativa, a autonomia e a capacidade de decis\u00e3o, conformando-se \u00e0s regras e limites do ambiente coletivo. Assim, o abrigo passa a ser visto como um mundo poss\u00edvel, enquanto o exterior torna-se algo estranho e amea\u00e7ador.<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>O Desafio da Ado\u00e7\u00e3o Tardia e a Constru\u00e7\u00e3o da Identidade<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A lentid\u00e3o dos processos judiciais e administrativos relacionados \u00e0 ado\u00e7\u00e3o empurra crian\u00e7as e adolescentes para a chamada \u201cado\u00e7\u00e3o tardia\u201d, termo utilizado para designar aqueles com mais de seis ou sete anos. Quando disponibilizados para ado\u00e7\u00e3o, j\u00e1 trazem consigo viv\u00eancias de abandono, sucessivas separa\u00e7\u00f5es e longos per\u00edodos de espera. O v\u00ednculo com os futuros adotantes torna-se mais complexo e demanda maior preparo emocional tanto das fam\u00edlias quanto das equipes t\u00e9cnicas do Judici\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas crian\u00e7as, acabam enfrentando um desafio duplo: aceitar uma nova fam\u00edlia e redefinir a pr\u00f3pria identidade. O adolescente, sobretudo, pode resistir \u00e0 ado\u00e7\u00e3o por se reconhecer mais como um \u201cacolhido\u201d do que como um \u201cfilho\u201d. A identidade constru\u00edda sob a condi\u00e7\u00e3o de abandono \u00e9 dif\u00edcil de reconstruir sem acompanhamento psicol\u00f3gico e afetivo;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, \u00e9 importante salientar que embora o dano emocional e comportamental seja significativo, a experi\u00eancia de uma ado\u00e7\u00e3o bem-sucedida pode restaurar confian\u00e7a, sentimento de pertencimento e o desenvolvimento saud\u00e1vel. Logo, a celeridade dos processos de ado\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o administrativa, mas tamb\u00e9m uma quest\u00e3o de sa\u00fade mental e de garantia de direitos fundamentais. A demora judicial prolonga a priva\u00e7\u00e3o afetiva e perpetua o ciclo de esquecimento, refor\u00e7ando a institucionaliza\u00e7\u00e3o como o \u00fanico destino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, compreender as consequ\u00eancias sociais e psicol\u00f3gicas da institucionaliza\u00e7\u00e3o prolongada \u00e9 reconhecer que o verdadeiro dano n\u00e3o est\u00e1 apenas na aus\u00eancia da fam\u00edlia, mas na nega\u00e7\u00e3o do direito de ser reconhecido como sujeito. O \u201cesquecimento institucional\u201d \u00e9, antes de tudo, uma forma silenciosa da viola\u00e7\u00e3o da dignidade humana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa nega\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica impede o desenvolvimento pleno da identidade e da autonomia, perpetuando um ciclo de invisibilidade e vulnerabilidade que marca profundamente a trajet\u00f3ria de vida desses indiv\u00edduos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">3.3 O DESCUMPRIMENTO DO COMPROMISSO ESTATAL: A FALHA DA PROTE\u00c7\u00c3O INTEGRAL NA INSTITUCIONALIZA\u00c7\u00c3O PROLONGADA<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O arcabou\u00e7o normativo brasileiro, capitaneado pelo art. 227 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 e pelo Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA), estabelece de forma categ\u00f3rica que \u00e9 dever da fam\u00edlia, da sociedade e do Estado assegurar \u00e0 crian\u00e7a e ao adolescente o direito \u00e0 conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria, com prioridade absoluta. Essa determina\u00e7\u00e3o jur\u00eddica \u00e9 a base da Doutrina da Prote\u00e7\u00e3o Integral, que elevou a crian\u00e7a \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de sujeito de direitos e imp\u00f4s a todos os entes o compromisso de garantir seu desenvolvimento. No entanto, a realidade da institucionaliza\u00e7\u00e3o prolongada no pa\u00eds revela uma falha estrutural e um descumprimento desse compromisso, configurando-se como evid\u00eancia material da viola\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da prote\u00e7\u00e3o integral. O que deveria ser uma responsabilidade compartilhada entre fam\u00edlia, sociedade e Estado transforma-se, na pr\u00e1tica, em um \u00f4nus desigualmente distribu\u00eddo, no qual o poder p\u00fablico se mostra ineficiente, a sociedade omissa e as crian\u00e7as esquecidas em abrigos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessa perspectiva, a institucionaliza\u00e7\u00e3o prolongada constitui a express\u00e3o mais vis\u00edvel da viola\u00e7\u00e3o desse princ\u00edpio. O acolhimento institucional, conforme o art. 19, \u00a7 1\u00ba e 2\u00ba do ECA, deve ser uma medida excepcional e provis\u00f3ria, n\u00e3o podendo ultrapassar o prazo m\u00e1ximo de dezoito meses, salvo em situa\u00e7\u00f5es justificadas (Brasil, 1990). Todavia, a realidade mostra que essa regra \u00e9 frequentemente descumprida. A morosidade dos processos judiciais, seja na destitui\u00e7\u00e3o do poder familiar, seja na conclus\u00e3o da ado\u00e7\u00e3o, contraria a l\u00f3gica de prote\u00e7\u00e3o e transforma a exce\u00e7\u00e3o em regra. Essa procrastina\u00e7\u00e3o processual, que resulta na perman\u00eancia indefinida em institui\u00e7\u00f5es, materializa a falha estatal e evidencia que o Estado n\u00e3o tem conseguido cumprir sua fun\u00e7\u00e3o protetiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Poder Judici\u00e1rio, enquanto pe\u00e7a central na engrenagem estatal de garantia de direitos, torna-se correspons\u00e1vel ao n\u00e3o gerir os casos com a celeridade que a urg\u00eancia da inf\u00e2ncia exige. A lentid\u00e3o processual, somada \u00e0 defici\u00eancia das equipes t\u00e9cnicas e \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas intersetoriais, contribui diretamente para a cronifica\u00e7\u00e3o da viola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os danos psicossociais e comportamentais observados em crian\u00e7as submetidas a longos per\u00edodos de acolhimento s\u00e3o provas irrefut\u00e1veis de que o Estado falhou em seu dever de prote\u00e7\u00e3o. Ao negar o tempo de conviv\u00eancia familiar e de constru\u00e7\u00e3o de la\u00e7os, o Estado imp\u00f5e um dano irrevers\u00edvel, transformando a institucionaliza\u00e7\u00e3o prolongada em uma forma de esquecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O descumprimento do compromisso de prote\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas culpa do Poder P\u00fablico, a sociedade tamb\u00e9m tem responsabilidade direta nesse processo. O perfil restritivo da maioria dos pretendentes \u00e0 ado\u00e7\u00e3o, que priorizam beb\u00eas, crian\u00e7as pequenas, brancas e sem irm\u00e3os, refor\u00e7a a exclus\u00e3o daqueles que n\u00e3o se encaixam nesse modelo \u201cperfeito\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Forma-se, desse jeito, um c\u00edrculo vicioso: a lentid\u00e3o do Estado e o vi\u00e9s social dos adotantes se retroalimentam consolidando a institucionaliza\u00e7\u00e3o como um problema cr\u00f4nico e estrutural. O Estado, ao falhar em garantir rapidez e efetividade, e a sociedade, ao restringir seu olhar afetivo, contribuem para a nega\u00e7\u00e3o do direito fundamental \u00e0 conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A inf\u00e2ncia institucionalizada torna-se s\u00edmbolo da dist\u00e2ncia entre o texto constitucional e a realidade concreta, revelando que a prioridade absoluta \u00e9 na verdade uma promessa ret\u00f3rica. Superar essa disson\u00e2ncia requer a formula\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas judiciais, a integra\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas e a mudan\u00e7a de consci\u00eancia social, temas que ser\u00e3o aprofundados no pr\u00f3ximo cap\u00edtulo, ao se examinar o papel do Poder Judici\u00e1rio na efetiva\u00e7\u00e3o dessa viola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>4 <\/strong><strong>A CELERIDADE COMO IMPERATIVO JUR\u00cdDICO: O PAPEL PROTAGONISTA DO JUDICI\u00c1RIO NA EFETIVA\u00c7\u00c3O DA ADO\u00c7\u00c3O<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ado\u00e7\u00e3o, enquanto express\u00e3o concreta do direito \u00e0 conviv\u00eancia familiar, exige do Estado n\u00e3o apenas normas protetivas, mas tamb\u00e9m uma atua\u00e7\u00e3o eficiente e c\u00e9lere. O tempo, nesses processos, n\u00e3o \u00e9 um elemento neutro, cada dia de demora representa a perpetua\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos interrompidos e o prolongamento da aus\u00eancia de um lar. Assim, a celeridade processual emerge como um verdadeiro imperativo jur\u00eddico, diretamente vinculado ao princ\u00edpio do melhor interesse da crian\u00e7a e do adolescente. Nesse contexto, o Poder Judici\u00e1rio ocupa posi\u00e7\u00e3o central, sendo respons\u00e1vel por transformar a letra da lei em realidade, garantindo que o acesso \u00e0 fam\u00edlia n\u00e3o seja impedido pela morosidade institucional. A inefici\u00eancia estatal, contudo, evidencia um descompasso entre a promessa constitucional de prote\u00e7\u00e3o integral e a realidade vivenciada por milhares de crian\u00e7as institucionalizadas. Desse modo, torna-se indispens\u00e1vel repensar pr\u00e1ticas, estruturas e prioridades, a fim de assegurar que o direito \u00e0 conviv\u00eancia familiar n\u00e3o permane\u00e7a apenas no plano normativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">3.3 A RESPONSABILIDADE ESTATAL E A VIOLA\u00c7\u00c3O DA CELERIDADE PROCESSUAL EM FACE DO MELHOR INTERESSE<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Constitui\u00e7\u00e3o Federal e o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA) consagram o Princ\u00edpio do Melhor Interesse da Crian\u00e7a e do Adolescente como norte de todas as decis\u00f5es que lhes digam respeito. Mais do que uma diretriz abstrata, esse princ\u00edpio imp\u00f5e ao Estado uma atua\u00e7\u00e3o eficiente, capaz de assegurar o desenvolvimento integral e a concretiza\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 conviv\u00eancia familiar. No \u00e2mbito dos processos de ado\u00e7\u00e3o, a celeridade n\u00e3o \u00e9 um simples requisito procedimental, e sim um componente fundamental da prote\u00e7\u00e3o integral assegurada \u00e0 crian\u00e7a e ao adolescente. O tempo, no processo de ado\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 um aliado, mas sim um fator de risco \u00e0 forma\u00e7\u00e3o ps\u00edquica e social da crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A demora na conclus\u00e3o dos processos representa uma forma de viola\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio conte\u00fado do princ\u00edpio do melhor interesse. Cada dia de espera refor\u00e7a o afastamento da crian\u00e7a do conv\u00edvio familiar e compromete sua constitui\u00e7\u00e3o emocional. A dura\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel do processo, prevista no art. 5\u00ba, LXXVIII, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, deve ser compreendida n\u00e3o apenas como uma garantia processual, mas como um dever jur\u00eddico voltado \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia (Brasil, 1988).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, a realidade pr\u00e1tica mostra-se em disson\u00e2ncia com esse imperativo. Como apontado na Se\u00e7\u00e3o 3, a morosidade na tramita\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es decorre de fatores estruturais e administrativos, tais como o excesso de formalismo procedimental, a falta de integra\u00e7\u00e3o entre os sistemas de informa\u00e7\u00e3o do Judici\u00e1rio e das Varas da Inf\u00e2ncia, e a gest\u00e3o ineficiente das audi\u00eancias e prazos processuais. Tais entraves revelam uma omiss\u00e3o estatal, na medida em que o Poder Judici\u00e1rio, respons\u00e1vel pela tutela dos direitos infantojuvenis, n\u00e3o tem assegurado, de forma efetiva, o cumprimento do princ\u00edpio da prioridade absoluta previsto no art. 227 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao tolerar a morosidade e permitir que o acolhimento provis\u00f3rio se torne permanente, o Estado substitui a prote\u00e7\u00e3o pelo esquecimento. O princ\u00edpio do melhor interesse, que deveria orientar a atua\u00e7\u00e3o estatal, \u00e9 desprezado a uma promessa distante, e a crian\u00e7a, ao inv\u00e9s de ser acolhida por uma fam\u00edlia, permanece invis\u00edvel em um sistema lento. Dessa forma, a viola\u00e7\u00e3o da celeridade processual revela-se como uma das express\u00f5es mais graves do descumprimento do dever constitucional de garantir a conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">3.4 CAMINHOS PARA A EFETIVIDADE: BOAS PR\u00c1TICAS E INOVA\u00c7\u00d5ES NA GEST\u00c3O JUDICIAL DOS PROCESSOS DE ADO\u00c7\u00c3O<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante das falhas na celeridade processual, torna-se indispens\u00e1vel adotar medidas concretas que garantam o direito \u00e0 conviv\u00eancia familiar. A efic\u00e1cia depende de uma nova mentalidade de gest\u00e3o do tempo processual, voltada para a prioriza\u00e7\u00e3o das demandas infantojuvenis e para a elimina\u00e7\u00e3o de entraves desnecess\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A moderniza\u00e7\u00e3o dos procedimentos surge como ferramenta essencial para reduzir a morosidade. O monitoramento de prazos, por meio de pain\u00e9is de controles gerenciais administrados pelas Corregedorias, permite a visualiza\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea do tempo de tramita\u00e7\u00e3o dos processos de ado\u00e7\u00e3o. Sistemas podem incluir prazos sinalizadores, alertando quando uma a\u00e7\u00e3o ultrapassa a m\u00e9dia aceit\u00e1vel, possibilitando interven\u00e7\u00f5es preventivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, a digitaliza\u00e7\u00e3o inteligente dos processos reduz significativamente o tempo ocioso em tarefas repetitivas. Nesse contexto, \u00e9 poss\u00edvel citar o Sistema Nacional de Ado\u00e7\u00e3o e Acolhimento (SNA), como exemplo de um avan\u00e7o tecnol\u00f3gico crucial. O SNA centraliza informa\u00e7\u00f5es sobre crian\u00e7as e pretendentes, permitindo o cruzamento de dados de forma \u00e1gil em todo o territ\u00f3rio nacional, oferecendo transpar\u00eancia, efici\u00eancia e visibilidade sobre o descompasso entre o perfil das crian\u00e7as e o perfil desejado pelos adotantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maior parte dos pretendentes busca crian\u00e7as mais novas, sem irm\u00e3os e sem defici\u00eancia, enquanto grupos menos procurados, como crian\u00e7as mais velhas, grupos de irm\u00e3os ou com defici\u00eancia, permanecem em risco de institucionaliza\u00e7\u00e3o prolongada. A tecnologia do SNA, portanto, s\u00f3 atinge seu potencial quando aliada a interven\u00e7\u00f5es humanas e judiciais proativas, como campanhas de Busca Ativa e mutir\u00f5es que promovam a ado\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as fora do perfil mais demandado. Dessa forma, o Judici\u00e1rio, ao gerir o SNA de maneira estrat\u00e9gica, transforma dados em decis\u00f5es que respeitam o princ\u00edpio do melhor interesse, acelerando o processo e reduzindo o risco do \u201cesquecimento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A colabora\u00e7\u00e3o interinstitucional continua sendo pilar fundamental para a efetividade da ado\u00e7\u00e3o. Protocolos claros entre Varas de Inf\u00e2ncia, CRAS\/CREAS e equipes psicossociais garantem padroniza\u00e7\u00e3o e celeridade na produ\u00e7\u00e3o e entrega de relat\u00f3rios psicossociais essenciais. A cria\u00e7\u00e3o de um Protocolo \u00danico de Elabora\u00e7\u00e3o de Relat\u00f3rios Psicossociais assegura a qualidade t\u00e9cnica e a rapidez na tramita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A designa\u00e7\u00e3o de ju\u00edzes refer\u00eancia ou varas especializadas em ado\u00e7\u00e3o fortalece a cultura da celeridade, diminuindo retrabalho e tornando as decis\u00f5es mais consistentes. Integrar essas pr\u00e1ticas ao uso estrat\u00e9gico do SNA garante acompanhamento sistem\u00e1tico e planejamento das pol\u00edticas de ado\u00e7\u00e3o em \u00e2mbito nacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ado\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas institucionais e inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, especialmente o uso inteligente do SNA, constitui a liga\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria entre a teoria da prote\u00e7\u00e3o integral e a supera\u00e7\u00e3o do \u201cesquecimento institucional\u201d. A transforma\u00e7\u00e3o do sistema judicial e da gest\u00e3o processual \u00e9 o maior legado que pode ser deixado, assegurando que o direito \u00e0 fam\u00edlia seja exercido no tempo certo, garantindo \u00e0s crian\u00e7as e adolescentes a prote\u00e7\u00e3o e a conviv\u00eancia familiar que lhes s\u00e3o devidos por lei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>4&nbsp; CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O presente estudo teve como objetivo analisar a lentid\u00e3o dos processos de ado\u00e7\u00e3o no Brasil e o papel do Poder Judici\u00e1rio na efetiva\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 conviv\u00eancia familiar, ressaltando a celeridade como imperativo jur\u00eddico. A partir da revis\u00e3o do arcabou\u00e7o normativo e da an\u00e1lise das consequ\u00eancias da institucionaliza\u00e7\u00e3o prolongada, foi poss\u00edvel evidenciar que a morosidade processual n\u00e3o se configura apenas como uma falha administrativa, mas como uma viola\u00e7\u00e3o concreta do princ\u00edpio do melhor interesse da crian\u00e7a e do adolescente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa demonstrou que fatores estruturais e administrativos, como excesso de formalismo, defici\u00eancias na gest\u00e3o processual e falhas na integra\u00e7\u00e3o de sistemas, prolongam a institucionaliza\u00e7\u00e3o e geram impactos negativos sobre o desenvolvimento emocional e social das crian\u00e7as. Nesse contexto, a atua\u00e7\u00e3o do Judici\u00e1rio se mostra central, sendo o agente respons\u00e1vel por transformar normas em decis\u00f5es efetivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo tamb\u00e9m destacou a relev\u00e2ncia das inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e da integra\u00e7\u00e3o institucional, com \u00eanfase no Sistema Nacional de Ado\u00e7\u00e3o e Acolhimento (SNA). Essa ferramenta digital oferece transpar\u00eancia e agilidade, permitindo cruzamento de informa\u00e7\u00f5es e identifica\u00e7\u00e3o de lacunas entre o perfil das crian\u00e7as e o das fam\u00edlias pretendentes. No entanto, s\u00f3 a tecnologia n\u00e3o \u00e9 suficiente, \u00e9 preciso da interven\u00e7\u00e3o proativa do Judici\u00e1rio, por meio de pol\u00edticas de Busca Ativa, mutir\u00f5es e coordena\u00e7\u00e3o interinstitucional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, conclui-se que a transforma\u00e7\u00e3o do sistema judicial e a ado\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas de gest\u00e3o constituem o caminho mais s\u00f3lido para garantir que o direito \u00e0 conviv\u00eancia familiar seja exercido de forma tempestiva. A integra\u00e7\u00e3o entre inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, articula\u00e7\u00e3o institucional e compromisso judicial assegura que as crian\u00e7as e adolescentes n\u00e3o sejam v\u00edtimas do \u201cesquecimento institucional\u201d, consolidando a prote\u00e7\u00e3o integral prevista na Constitui\u00e7\u00e3o e no ECA.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa forma, este trabalho refor\u00e7a que a efetividade da ado\u00e7\u00e3o depende de um compromisso conjunto do Estado, do Judici\u00e1rio e da sociedade, capaz de transformar normas em pr\u00e1ticas concretas, garantindo que cada crian\u00e7a tenha a oportunidade de exercer seu direito \u00e0 fam\u00edlia de forma plena e no tempo adequado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>REFER<\/strong><strong>\u00ca<\/strong><strong>NCIAS<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BERENICE, Maria. <strong>Manual de direito das fam\u00edlias<\/strong><em>.<\/em> 14. ed. S\u00e3o Paulo: Revista dos Tribunais, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BOWLBY, John. <strong>Apego:<\/strong> a natureza do v\u00ednculo. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 1989.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. <strong>Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Federativa do Brasil<\/strong>. Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, Bras\u00edlia, 5 out. 1988.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Lei n\u00ba 8.069, de 13 de julho de 1990. <strong>Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente<\/strong>. Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, Bras\u00edlia, 16 jul. 1990.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Lei n\u00ba 12.010, de 3 de agosto de 2009. <strong>Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente.<\/strong> Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, Bras\u00edlia, 4 ago. 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CITALIA RESTAURO. <strong>Ado<\/strong><strong>\u00e7\u00e3o na Roma Antiga:<\/strong> um instrumento pol\u00edtico. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/citaliarestauro.com\/adocao-na-roma-antiga-um-instrumento-politico\/#:~:text=e%2520a%2520educa%25C3%25A7%25C3%25A3o-,O%2520nascimento,que%2520n%25C3%25A3o%2520serve%2520para%2520nada%25C2%25BB\">https:\/\/citaliarestauro.com\/adocao-na-roma-antiga-um-instrumento-politico\/#:~:text=e%20a%20educa%C3%A7%C3%A3o-,O%20nascimento,que%20n%C3%A3o%20serve%20para%20nada%C2%BB<\/a>. Acesso em: 18 set. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CONSELHO NACIONAL DE JUSTI\u00c7A (CNJ). <strong>CNJ Servi<\/strong><strong>\u00e7<\/strong><strong>o:<\/strong> saiba como funciona o Cadastro Nacional da Ado\u00e7\u00e3o. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.cnj.jus.br\/cnj-servico-saiba-como-funciona-o-cadastro-nacional-da-adocao\/#:~:text=O%2520processo%2520de%2520ado%25C3%25A7%25C3%25A3o%2520no,passo%2520a%2520passo%2520da%2520ado%25C3%25A7%25C3%25A3o\">https:\/\/www.cnj.jus.br\/cnj-servico-saiba-como-funciona-o-cadastro-nacional-da-adocao\/#:~:text=O%20processo%20de%20ado%C3%A7%C3%A3o%20no,passo%20a%20passo%20da%20ado%C3%A7%C3%A3o<\/a>. Acesso em: 03 nov. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DIALNET. <strong>Consequ\u00eancias psicol\u00f3gicas em crian\u00e7as que aguardam ado\u00e7\u00e3<\/strong><strong>o. <\/strong>Dispon\u00edvel em: file:\/\/\/C:\/Users\/gabim\/Downloads\/Dialnet-ConsequenciasPsicologicasEmCriancasQueAguardamAdoc-7797983.pdf. Acesso em: 22 out. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. <strong>Direito Administrativo<\/strong>. 32. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ESTAD\u00c3O. <strong>Crian<\/strong><strong>\u00e7as e ado\u00e7\u00e3<\/strong><strong>o:<\/strong> perfil de pretendentes. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/arte.estadao.com.br\/brasil\/adocao\/criancas\/#:~:text=Al%25C3%25A9m%2520das%2520prefer%25C3%25AAncias%2520mostradas%2520acima,dos%2520pretendentes%2520aceitam%2520apenas%2520meninas\">https:\/\/arte.estadao.com.br\/brasil\/adocao\/criancas\/#:~:text=Al%C3%A9m%20das%20prefer%C3%AAncias%20mostradas%20acima,dos%20pretendentes%20aceitam%20apenas%20meninas<\/a>. Acesso em: 18 set. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">EUFORUM RJ<strong>. Emotional deprivation disorders, pandemic and protection measures.<\/strong> Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.euforumrj.org\/emotional-deprivation-disorders-pandemic-and-protection-measures#:~:text=A%2520crucial%2520theoretical%2520premise,be%2520accompanied%2520by%2520weight%2520loss\">https:\/\/www.euforumrj.org\/emotional-deprivation-disorders-pandemic-and-protection-measures#:~:text=A%20crucial%20theoretical%20premise,be%20accompanied%20by%20weight%20loss<\/a>. Acesso em: 22 out. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FIORIN, Jos\u00e9 Luiz. <strong>A reda\u00e7\u00e3<\/strong><strong>o cient<\/strong><strong>\u00ed<\/strong><strong>fica:<\/strong> do texto \u00e0 publica\u00e7\u00e3o. 5. ed. S\u00e3o Paulo: Contexto, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">IBDFAM \u2013 INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO DE FAM\u00cdLIA. <strong>Not<\/strong><strong>\u00edcias sobre ado\u00e7\u00e3<\/strong><strong>o.<\/strong> Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/ibdfam.org.br\/noticias\/8474\/\">https:\/\/ibdfam.org.br\/noticias\/8474\/<\/a>. Acesso em: 18 set. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">KOZESINSKI, Carla A. B. Gon\u00e7alves. <strong>A hist<\/strong><strong>\u00f3ria da ado\u00e7\u00e3o no Brasil<\/strong>. Ningu\u00e9m cresce sozinho, 12 dez. 2016. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/ninguemcrescesozinho.com.br\/2016\/12\/12\/a-historia-da-adocao-no-brasil\/#%253A~%253Atext%253DSomente%2520em%2520meados%2520do%2520s%25C3%25A9culo%252Cdentro%2520do%2520direito%2520de%2520fam%25C3%25ADlia\">https:\/\/ninguemcrescesozinho.com.br\/2016\/12\/12\/a-historia-da-adocao-no-brasil\/#%3A~%3Atext%3DSomente%20em%20meados%20do%20s%C3%A9culo%2Cdentro%20do%20direito%20de%20fam%C3%ADlia<\/a>. Acesso em: 24 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LANG, Diana L. <strong>Parenting and Family Diversity Issues<\/strong>. Ames, IA: Iowa State University Digital Press, 2020. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/iastate.pressbooks.pub\/parentingfamilydiversity\/chapter\/spitz\/\">https:\/\/iastate.pressbooks.pub\/parentingfamilydiversity\/chapter\/spitz\/<\/a>. Acesso em: 03 nov. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LOBO, Paulo. <strong>Fam<\/strong><strong>\u00edlias<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MORAIS, Maryana Nascimento Rodrigues; SILVA, Vict\u00f3ria Augustinho dos Anjos; TOSCHI, Mylena Seabra. <strong>A morosidade do processo de ado\u00e7\u00e3o e a institucionaliza\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as no abrigo:<\/strong> um olhar para ado\u00e7\u00e3o tardia. Revista Ra\u00edzes no Direito, Faculdade Evang\u00e9lica Ra\u00edzes, An\u00e1polis, v. 13, n. 2, p. 73-94, ago.\/dez. 2024. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.unievangelica.edu.br\/index.php\/raizesnodireito\/article\/view\/8063\/5660?utm_source=chatgpt.com\">https:\/\/periodicos.unievangelica.edu.br\/index.php\/raizesnodireito\/article\/view\/8063\/5660<\/a>. Acesso em: 24 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ESTADO CE. <strong>Falta de profissionais dificulta ado\u00e7\u00f5es.<\/strong> Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/oestadoce.com.br\/geral\/falta-de-profissionais-dificulta-adocoes\/\">https:\/\/oestadoce.com.br\/geral\/falta-de-profissionais-dificulta-adocoes\/<\/a>. Acesso em: 18 set. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">OLIVEIRA, M\u00f4nica. <strong>Ado<\/strong><strong>\u00e7\u00e3o e institucionaliza\u00e7\u00e3<\/strong><strong>o:<\/strong> impactos da morosidade judicial no desenvolvimento da crian\u00e7a. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RODRIGUES, Dheisy Dhiane Barros Costa; BARROS, Graciela Maria Costa. <strong>A morosidade no processo de ado\u00e7\u00e3o no Brasil como est\u00edmulo \u00e0 <\/strong><strong>ado<\/strong><strong>\u00e7\u00e3<\/strong><strong>o <\/strong><strong>\u201c\u00e0 brasileira\u201d<\/strong><strong>.<\/strong> Conte\u00fado Jur\u00eddico, 15 fev. 2023. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/conteudojuridico.com.br\/consulta\/artigos\/61052\/a-morosidade-no-processo-de-adoo-no-brasil-como-estmulo-adoo-brasileira?utm_source=\">https:\/\/conteudojuridico.com.br\/consulta\/artigos\/61052\/a-morosidade-no-processo-de-adoo-no-brasil-como-estmulo-adoo-brasileira?utm_source=<\/a>. Acesso em: 24 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SCORSOLINI-COMIN, Fabio. <strong>Ado<\/strong><strong>\u00e7\u00e3<\/strong><strong>o:<\/strong> legisla\u00e7\u00e3o, cen\u00e1rios e pr\u00e1ticas. 1. ed. S\u00e3o Paulo: Vetor, 2016. E-book. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/plataforma.bvirtual.com.br\">https:\/\/plataforma.bvirtual.com.br<\/a>. Acesso em: 24 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SAULO, S\u00edlvio. <strong>Fam<\/strong><strong>\u00ed<\/strong><strong>lia.<\/strong> Rio de Janeiro: Forense, 2015. PEPSIC. <strong>Consequ\u00eancias psicol\u00f3gicas em crian\u00e7as que aguardam ado\u00e7\u00e3<\/strong><strong>o.<\/strong> Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/pepsic.bvsalud.org\/pdf\/arbp\/v57n1\/v57n1a03.pdf\">https:\/\/pepsic.bvsalud.org\/pdf\/arbp\/v57n1\/v57n1a03.pdf<\/a>. Acesso em: 22 out. 2025.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftnref1\" id=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Bacharelanda em Direito. Centro Universit\u00e1rio de Jo\u00e3o Pessoa \u2013 UNIP\u00ca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Doutorando em Ci\u00eancias Jur\u00eddicas e Sociais. Mestre em Direito e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel. Especializa\u00e7\u00e3o em Coordena\u00e7\u00e3o Pedag\u00f3gica. Especializa\u00e7\u00e3o em Tutoria em Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia e Doc\u00eancia do Ensino Superior. Especializa\u00e7\u00e3o em Direito da Seguridade Social Previdenci\u00e1rio e Pr\u00e1tica Previdenci\u00e1ria. Especializa\u00e7\u00e3o em Advocacia Extrajudicial. Especializa\u00e7\u00e3o em Direito da Crian\u00e7a, Juventude e Idosos. Especializa\u00e7\u00e3o em Direito Educacional. Especializa\u00e7\u00e3o em Direito do Consumidor. Especializa\u00e7\u00e3o em Direito Civil, Processo Civil e Direito do Consumidor. Especializa\u00e7\u00e3o em Direito do Trabalho e Processual do Trabalho. Especializa\u00e7\u00e3o em Direito Ambiental. Especializa\u00e7\u00e3o em Desenvolvimento em Aplica\u00e7\u00f5es Web. Especializa\u00e7\u00e3o em Desenvolvimento de Jogos Digitais. Especializa\u00e7\u00e3o em Ensino Religioso. Especializa\u00e7\u00e3o em Doc\u00eancia no Ensino de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas. Especializa\u00e7\u00e3o em Ensino de Hist\u00f3ria e Geografia. Especializa\u00e7\u00e3o em Ensino de Arte e Hist\u00f3ria. Especializa\u00e7\u00e3o em Doc\u00eancia em Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica. Licenciatura em Geografia. Licenciatura em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas. Licenciatura em Hist\u00f3ria. Licenciatura em Letras Portugu\u00eas. Licenciatura em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o. Licenciatura em Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica. Licenciatura em Artes. Licenciatura em Ci\u00eancias Sociais. Licenciatura em Filosofia. Bacharelado em Direito. Editor de Livros, Revistas e Websites. Advogado especializado em Direito do Consumidor. Coordenador Pedag\u00f3gico e Professor do Departamento de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Direito do Centro Universit\u00e1rio de Jo\u00e3o Pessoa UNIP\u00ca; Professor convidado da Escola Nacional de Defesa do Consumidor do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a; Professor do Curso de Gradua\u00e7\u00e3o em Direito no Centro Universit\u00e1rio de Jo\u00e3o Pessoa UNIP\u00ca; Professor do Curso de Gradua\u00e7\u00e3o em Direito na Faculdade Internacional Cidade Viva FICV; Membro Coordenador Editorial de Livros Jur\u00eddicos da Editora Edijur (S\u00e3o Paulo); Membro Diretor Geral e Editorial das seguintes Revistas Cient\u00edficas: Scientia et Ratio; Revista Brasileira de Direito do Consumidor; Revista Brasileira de Direito e Processo Civil; Revista Brasileira de Direito Imobili\u00e1rio; Revista Brasileira de Direito Penal; Revista Cient\u00edfica Jur\u00eddica Cognitio Juris, ISSN 2236-3009; e Ci\u00eancia Jur\u00eddica; Membro do Conselho Editorial da Revista Luso-Brasileira de Direito do Consumo, ISSN 2237-1168; Autor de mais de 90 livros jur\u00eddicos e de diversos artigos cient\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Bacharel em Direito pela UDC-Paran\u00e1; Graduanda em Letras-Portugu\u00eas (FPB); P\u00f3s-Graduanda em Direito Penal e Processo Penal (Dam\u00e1sio-2017); P\u00f3s-Graduanda em Direito Civil e Processo Civil (Unip\u00ea-2025-2026); Mestranda em Direito e Desenvolvimento (Unip\u00ea-2025-2026); Professora Estagi\u00e1ria em Letras (2025-Escola Argentina Pereira Gomes-PB); Professora Estagi\u00e1ria de Metodologia (2025-Unip\u00ea).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BETWEEN PROTECTION AND NEGLECT: THE DELAY OF ADOPTION PROCEEDINGS AND THE ROLE OF THE JUDICIARY IN PROLONGED INSTITUTIONALIZATION Artigo submetido&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":1199,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"https:\/\/cognitiojuris.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cognitio_juris_n10.jpg","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[19],"class_list":["post-788","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-cientificos","tag-9-2025"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/788","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=788"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/788\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1192,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/788\/revisions\/1192"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1199"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=788"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=788"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=788"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}