{"id":801,"date":"2025-12-19T23:55:40","date_gmt":"2025-12-20T02:55:40","guid":{"rendered":"https:\/\/scientiaetratio.com.br\/?p=801"},"modified":"2026-05-23T11:41:55","modified_gmt":"2026-05-23T14:41:55","slug":"politicas-publicas-e-integracao-sustentavel-dos-venezuelanos-migrantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/politicas-publicas-e-integracao-sustentavel-dos-venezuelanos-migrantes\/","title":{"rendered":"POL\u00cdTICAS P\u00daBLICAS E INTEGRA\u00c7\u00c3O SUSTENT\u00c1VEL DOS VENEZUELANOS MIGRANTES"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>PUBLIC POLICIES AND SUSTAINABLE INTEGRATION OF VENEZUELAN MIGRANTS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Artigo submetido em 01 de dezembro de 2025<br>Artigo aprovado em 13 de dezembro de 2025<br>Artigo publicado em 19 de dezembro de 2025<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-blush-light-purple-gradient-background has-background\"><tbody><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Scientia et Ratio<\/strong><br>Volume 5 \u2013 N\u00famero 9 \u2013 Dezembro de 2025<br>ISSN 2525-8532<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-7e4ac651328708ea719ac0894fa30934 wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background\"><tbody><tr><td><strong>Autor:<br><\/strong>Marlon Sousa Calderaro <a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftn1\"><em><sup><strong><sup>[1]<\/sup><\/strong><\/sup><\/em><\/a><br>Andr\u00e9 Ricardo Fons\u00eaca da Silva <a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftn2\"><em><sup><strong><sup>[2]<\/sup><\/strong><\/sup><\/em><\/a><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-7e4ac651328708ea719ac0894fa30934 wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RESUMO: <\/strong>Este artigo trata da migra\u00e7\u00e3o venezuelana para o Brasil, enfocando a integra\u00e7\u00e3o de migrantes no contexto das pol\u00edticas p\u00fablicas nacionais e internacionais, com \u00eanfase na sustentabilidade social, econ\u00f4mica e institucional. A partir da\u00ed, considerando a legisla\u00e7\u00e3o brasileira, como a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 e a Lei de Migra\u00e7\u00e3o (Lei n\u00ba 13.445\/2017), tem-se por objetivo analisar se as pol\u00edticas p\u00fablicas implementadas no pa\u00eds promovem de maneira efetiva a inclus\u00e3o social e econ\u00f4mica dos migrantes, garantindo seus direitos fundamentais e fortalecendo institui\u00e7\u00f5es locais. Desse modo, por meio do m\u00e9todo qualitativo, com an\u00e1lise bibliogr\u00e1fica e documental, pode-se observar que a integra\u00e7\u00e3o dos migrantes depende de uma articula\u00e7\u00e3o eficiente entre diferentes n\u00edveis de governo, organismos internacionais e sociedade civil, sendo fundamental a exist\u00eancia de institui\u00e7\u00f5es inclusivas e bem estruturadas. A pesquisa evidenciou que pol\u00edticas p\u00fablicas planejadas e financiadas adequadamente permitem transformar a migra\u00e7\u00e3o em oportunidade de desenvolvimento regional, contribuindo para redu\u00e7\u00e3o de desigualdades, dinamiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e fortalecimento da coes\u00e3o social. Ao mesmo tempo, identificou-se a necessidade de a\u00e7\u00f5es complementares em \u00e2mbito municipal, especialmente em regi\u00f5es perif\u00e9ricas do Nordeste, para ampliar a sustentabilidade e os efeitos positivos da integra\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Palavras-chave: <\/strong>Migra\u00e7\u00e3o Venezuelana; Pol\u00edticas p\u00fablicas; Sustentabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ABSTRACT:<\/strong> This article addresses Venezuelan migration to Brazil, focusing on the integration of migrants within the context of national and international public policies, with an emphasis on social, economic, and institutional sustainability. Considering Brazilian legislation, such as the 1988 Federal Constitution and the Migration Law (Law No. 13,445\/2017), the study aims to analyze whether the public policies implemented in the country effectively promote the social and economic inclusion of migrants, ensuring their fundamental rights and strengthening local institutions. Through a qualitative method, including bibliographic and documentary analysis, it was observed that migrant integration depends on efficient coordination among different levels of government, international organizations, and civil society, with inclusive and well-structured institutions being essential. The research showed that well-planned and adequately funded public policies can transform migration into an opportunity for regional development, contributing to the reduction of inequalities, economic dynamism, and the strengthening of social cohesion. At the same time, the study identified the need for complementary actions at the municipal level, particularly in peripheral regions of the Northeast, to enhance the sustainability and positive effects of migrant integration.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Keywords:<\/strong> Venezuelan Migration; Public Policies; Sustainability.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>1 INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O presente estudo busca analisar a efic\u00e1cia das pol\u00edticas p\u00fablicas brasileiras na integra\u00e7\u00e3o de migrantes venezuelanos, avaliando como essas a\u00e7\u00f5es promovem inclus\u00e3o social, prote\u00e7\u00e3o dos direitos fundamentais e desenvolvimento sustent\u00e1vel nas regi\u00f5es receptoras. O foco est\u00e1 em compreender a articula\u00e7\u00e3o entre legisla\u00e7\u00e3o nacional, tratados internacionais e a implementa\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica de programas governamentais, como a Opera\u00e7\u00e3o Acolhida, considerando dimens\u00f5es sociais, econ\u00f4micas e institucionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O problema que motiva esta pesquisa surge a partir da seguinte quest\u00e3o: de que maneira as pol\u00edticas p\u00fablicas brasileiras t\u00eam promovido a integra\u00e7\u00e3o de migrantes venezuelanos de forma sustent\u00e1vel, garantindo simultaneamente seus direitos fundamentais e sua inclus\u00e3o social e econ\u00f4mica?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A metodologia adotada baseia-se em uma abordagem qualitativa, combinando pesquisa bibliogr\u00e1fica e documental. Inicialmente, realizou-se levantamento e an\u00e1lise de legisla\u00e7\u00f5es nacionais, como a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 e a Lei de Migra\u00e7\u00e3o (Lei n\u00ba 13.445\/2017), bem como tratados internacionais, incluindo a Conven\u00e7\u00e3o sobre o Estatuto dos Refugiados de 1951 e o Protocolo de 1967. Em seguida, foram examinados relat\u00f3rios oficiais do governo brasileiro, dados do ACNUR, da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para Migra\u00e7\u00f5es (OIM) e estudos de casos, com destaque para a Opera\u00e7\u00e3o Acolhida em Roraima, permitindo compreender a aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica das pol\u00edticas p\u00fablicas de integra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, o presente artigo est\u00e1 dividido em quatro t\u00f3picos, sendo o primeiro dedicado \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o e o \u00faltimo \u00e0s considera\u00e7\u00f5es finais. O segundo t\u00f3pico aborda o contexto da migra\u00e7\u00e3o venezuelana no Brasil, apresentando dados populacionais, impactos sociais, econ\u00f4micos e urbanos, bem como os desafios enfrentados pelas regi\u00f5es receptoras. O terceiro t\u00f3pico analisa as pol\u00edticas p\u00fablicas de integra\u00e7\u00e3o, com destaque para a Opera\u00e7\u00e3o Acolhida e outras iniciativas federais e municipais, enfatizando a import\u00e2ncia de institui\u00e7\u00f5es inclusivas e estrat\u00e9gias de sustentabilidade social e econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>2 <\/strong><strong>CONTEXTUALIZA\u00c7\u00c3O DA MIGRA\u00c7\u00c3O VENEZUELANA NO BRASIL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nesta se\u00e7\u00e3o ser\u00e1 feito um panorama sobre o processo migrat\u00f3rio venezuelano, demonstrando os impactos existentes relacionados a essa migra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Al\u00e9m disso, ser\u00e1 demonstrada a rela\u00e7\u00e3o existente entre a pol\u00edtica migrat\u00f3ria venezuelana para o Brasil e a Agenda 2030 das Na\u00e7\u00f5es Unidas, especificando os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel que podem se aproximar das pol\u00edticas p\u00fablicas de integra\u00e7\u00e3o dos venezuelanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2.1 PANORAMA DA MIGRA\u00c7\u00c3O VENEZUELANA<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A migra\u00e7\u00e3o venezuelana para o Brasil representa um dos movimentos populacionais mais significativos da Am\u00e9rica Latina no s\u00e9culo XXI. Estima-se que, desde 2017, mais de 500 mil venezuelanos tenham entrado no pa\u00eds, impulsionados por crises econ\u00f4micas, pol\u00edticas e humanit\u00e1rias na Venezuela (UNHCR, 2020). Esse fluxo tem concentrado impactos em estados de fronteira, como Roraima e Amazonas, mas tamb\u00e9m tem alcan\u00e7ado regi\u00f5es perif\u00e9ricas do Nordeste, incluindo a Para\u00edba, que, embora recebendo um n\u00famero menor de migrantes, enfrenta desafios de integra\u00e7\u00e3o social e urbana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em Roraima, Boa Vista tornou-se o principal ponto de acolhimento e triagem dos venezuelanos, especialmente por meio da Opera\u00e7\u00e3o Acolhida, coordenada pelo governo federal em parceria com organiza\u00e7\u00f5es internacionais. Essa opera\u00e7\u00e3o permitiu organizar o fluxo migrat\u00f3rio, realizar triagem, documenta\u00e7\u00e3o e interioriza\u00e7\u00e3o dos migrantes, reduzindo impactos imediatos sobre a cidade, mas ainda enfrentando desafios de infraestrutura, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o (IOM, 2019). O aumento r\u00e1pido da popula\u00e7\u00e3o local, mesmo que tempor\u00e1rio, sobrecarregou servi\u00e7os p\u00fablicos e criou press\u00f5es sobre moradia, saneamento e transporte urbano (Camargo, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Amazonas, especialmente em Manaus, a migra\u00e7\u00e3o venezuelana trouxe impactos distintos, concentrando-se em setores urbanos de com\u00e9rcio informal e servi\u00e7os. Estudos apontam que a presen\u00e7a de migrantes dinamizou certos setores econ\u00f4micos, mas tamb\u00e9m aumentou a competi\u00e7\u00e3o por empregos de baixa qualifica\u00e7\u00e3o, intensificando desigualdades sociais e conflitos laborais. A gest\u00e3o urbana de cidades amaz\u00f4nicas, j\u00e1 marcada por desafios de infraestrutura e vulnerabilidade socioambiental, precisou adaptar pol\u00edticas p\u00fablicas emergenciais para lidar com a demanda crescente por servi\u00e7os b\u00e1sicos (Miranda, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Para\u00edba, embora o n\u00famero de venezuelanos seja menor, a chegada de migrantes evidencia fragilidades institucionais e limita\u00e7\u00f5es de pol\u00edticas p\u00fablicas locais. Jo\u00e3o Pessoa e outras cidades v\u00eam recebendo fam\u00edlias que dependem de assist\u00eancia social, programas de inclus\u00e3o educacional e oportunidades de trabalho, \u00e1reas em que h\u00e1 escassez de recursos e planejamento estruturado. Esse contexto revela a necessidade de a\u00e7\u00f5es integradas entre governo federal, estadual e municipal para garantir direitos fundamentais, como moradia digna, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, em conson\u00e2ncia com a Constitui\u00e7\u00e3o Federal e a Lei de Migra\u00e7\u00e3o (Lei n\u00ba 13.445\/2017) (Brasil, 2017).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do ponto de vista econ\u00f4mico, a migra\u00e7\u00e3o venezuelana apresenta tanto oportunidades quanto desafios. Migrantes podem suprir demandas por m\u00e3o de obra em setores deficit\u00e1rios, como com\u00e9rcio popular, alimenta\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o civil, contribuindo para o dinamismo local (Sen, 1999). Entretanto, sem pol\u00edticas de qualifica\u00e7\u00e3o profissional e reconhecimento de diplomas, grande parte desses indiv\u00edduos acaba inserida no mercado informal, perpetuando vulnerabilidades sociais e limitando o potencial econ\u00f4mico do fluxo migrat\u00f3rio (North, 1990).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os desafios sociais s\u00e3o igualmente significativos. A adapta\u00e7\u00e3o cultural e lingu\u00edstica, o acesso a servi\u00e7os b\u00e1sicos e a inser\u00e7\u00e3o escolar das crian\u00e7as venezuelanas exigem esfor\u00e7os coordenados do poder p\u00fablico e de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais (UNICEF, 2019). Em muitas cidades, a falta de programas estruturados de ensino de portugu\u00eas e de integra\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria aumenta o risco de exclus\u00e3o social, marginaliza\u00e7\u00e3o e precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida dos migrantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do ponto de vista urbano, o aumento populacional repentino pressiona o planejamento municipal. Roraima, por exemplo, enfrentou escassez de moradias tempor\u00e1rias e necessidade de amplia\u00e7\u00e3o de infraestrutura de saneamento b\u00e1sico (IOM, 2019). Na Para\u00edba, a quest\u00e3o urbana se manifesta na ocupa\u00e7\u00e3o irregular de espa\u00e7os p\u00fablicos e na demanda crescente por transporte e servi\u00e7os comunit\u00e1rios, evidenciando que a migra\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas um fen\u00f4meno humanit\u00e1rio, mas tamb\u00e9m um desafio de governan\u00e7a local e desenvolvimento sustent\u00e1vel (Carvalho &amp; Lima, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A migra\u00e7\u00e3o venezuelana tamb\u00e9m levanta quest\u00f5es relacionadas \u00e0 sustentabilidade social e institucional. A capacidade de integrar migrantes depende da exist\u00eancia de institui\u00e7\u00f5es eficientes, capazes de organizar recursos, distribuir direitos e reduzir incertezas, como ensina Douglass North (1990). Onde essas institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o fr\u00e1geis ou inexistentes, o impacto social tende a ser mais negativo, com aumento da informalidade, conflitos sociais e precariza\u00e7\u00e3o da oferta de servi\u00e7os p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, autores como Holmes e Sunstein (1999) destacam que a efetiva\u00e7\u00e3o de direitos depende de investimentos p\u00fablicos e escolhas pol\u00edticas. No contexto da migra\u00e7\u00e3o venezuelana, isso significa que o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, documenta\u00e7\u00e3o e emprego formal n\u00e3o ocorre automaticamente, mas requer pol\u00edticas p\u00fablicas planejadas e financiamento adequado para gerar inclus\u00e3o efetiva e sustentabilidade social.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>MIGRA\u00c7\u00c3O E DESENVOLVIMENTO SUSTENT\u00c1VEL<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A migra\u00e7\u00e3o venezuelana, al\u00e9m de representar um fen\u00f4meno humanit\u00e1rio, possui impactos diretos sobre o desenvolvimento sustent\u00e1vel das regi\u00f5es receptoras. A Agenda 2030 das Na\u00e7\u00f5es Unidas estabelece objetivos que se relacionam diretamente \u00e0 integra\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria, como o ODS 8, que promove trabalho decente e crescimento econ\u00f4mico, o ODS 10, voltado \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das desigualdades, o ODS 11, referente a cidades e comunidades sustent\u00e1veis, e o ODS 16, que trata de institui\u00e7\u00f5es eficazes e inclusivas (ONU, 2015). A incorpora\u00e7\u00e3o desses objetivos na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas permite que a migra\u00e7\u00e3o seja tratada n\u00e3o apenas como um desafio, mas como oportunidade de desenvolvimento regional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A promo\u00e7\u00e3o do ODS 8 exige que os migrantes venezuelanos tenham acesso a emprego formal, capacita\u00e7\u00e3o profissional e oportunidades de empreendedorismo. Estudos mostram que, quando inclu\u00eddos em atividades produtivas, os migrantes contribuem para o dinamismo econ\u00f4mico local, ampliando a base de m\u00e3o de obra em setores estrat\u00e9gicos como com\u00e9rcio, servi\u00e7os urbanos e economia verde (Sen, 1999). No entanto, a aus\u00eancia de pol\u00edticas estruturadas limita o potencial dessa for\u00e7a de trabalho, refor\u00e7ando a necessidade de planejamento e investimento p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ODS 10 evidencia a import\u00e2ncia de reduzir desigualdades sociais e econ\u00f4micas entre migrantes e a popula\u00e7\u00e3o local. A falta de acesso a direitos b\u00e1sicos, como moradia, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, tende a ampliar a marginaliza\u00e7\u00e3o e a exclus\u00e3o social. Nesse sentido, Holmes e Sunstein (1999) argumentam que os direitos t\u00eam custos e sua efetiva\u00e7\u00e3o depende de escolhas pol\u00edticas e recursos p\u00fablicos adequados, mostrando que a redu\u00e7\u00e3o de desigualdades exige a\u00e7\u00e3o deliberada e investimento institucional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No \u00e2mbito urbano, o ODS 11 se relaciona \u00e0 necessidade de cidades inclusivas e sustent\u00e1veis. A presen\u00e7a de migrantes em \u00e1reas como Jo\u00e3o Pessoa ou Boa Vista exige planejamento de infraestrutura, saneamento, transporte e habita\u00e7\u00e3o. A ocupa\u00e7\u00e3o irregular de \u00e1reas urbanas e a press\u00e3o sobre servi\u00e7os p\u00fablicos indicam que a sustentabilidade urbana depende n\u00e3o apenas da integra\u00e7\u00e3o social, mas de uma governan\u00e7a eficiente e de pol\u00edticas de ordenamento territorial (Rodrigues, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ODS 16, por sua vez, ressalta que institui\u00e7\u00f5es eficazes e inclusivas s\u00e3o fundamentais para transformar a migra\u00e7\u00e3o em oportunidade de desenvolvimento. Douglass North (1990) enfatiza que institui\u00e7\u00f5es funcionam como \u201cas regras do jogo\u201d, moldando incentivos, reduzindo incertezas e permitindo a integra\u00e7\u00e3o produtiva. Nos estados de acolhimento, como Roraima, a Opera\u00e7\u00e3o Acolhida exemplifica a efic\u00e1cia institucional, combinando triagem, documenta\u00e7\u00e3o e interioriza\u00e7\u00e3o dos migrantes para reduzir tens\u00f5es sociais e facilitar sua integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A integra\u00e7\u00e3o produtiva dos migrantes venezuelanos, quando alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS), exige a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas abrangentes que articulem educa\u00e7\u00e3o, capacita\u00e7\u00e3o profissional, acesso a empregos formais e est\u00edmulo ao empreendedorismo. Ao inserir os migrantes em setores produtivos estrat\u00e9gicos, como com\u00e9rcio, servi\u00e7os urbanos e economia verde, o Estado n\u00e3o apenas fortalece a economia local, mas tamb\u00e9m amplia a autonomia e as capacidades individuais, promovendo a liberdade substancial de que fala Amartya Sen (1999), ou seja, a possibilidade concreta de os indiv\u00edduos agirem de acordo com suas escolhas e desenvolverem suas potencialidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, pol\u00edticas p\u00fablicas bem planejadas e financiadas adequadamente desempenham papel central na promo\u00e7\u00e3o da coes\u00e3o social e na redu\u00e7\u00e3o de potenciais conflitos decorrentes da integra\u00e7\u00e3o de novos grupos populacionais. A aus\u00eancia de institui\u00e7\u00f5es inclusivas e de investimentos consistentes, especialmente em regi\u00f5es perif\u00e9ricas como a Para\u00edba, tende a gerar informalidade, precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e aumento das desigualdades sociais e econ\u00f4micas, comprometendo a sustentabilidade do processo de integra\u00e7\u00e3o. Holmes e Sunstein (1999) enfatizam que a prote\u00e7\u00e3o efetiva de direitos exige n\u00e3o apenas a cria\u00e7\u00e3o de normas, mas tamb\u00e9m a disponibilidade de recursos financeiros e a exist\u00eancia de uma governan\u00e7a eficiente..<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do ponto de vista ambiental, a integra\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel tamb\u00e9m implica participa\u00e7\u00e3o dos migrantes em projetos de economia circular, reciclagem e pol\u00edticas verdes. Ao engajar imigrantes em atividades produtivas que respeitam recursos naturais e promovem desenvolvimento urbano sustent\u00e1vel, \u00e9 poss\u00edvel articular o ODS 11 com pr\u00e1ticas de inclus\u00e3o econ\u00f4mica e social, tornando as cidades mais resilientes e ambientalmente conscientes (UNDP, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A migra\u00e7\u00e3o, portanto, deve ser compreendida como um fen\u00f4meno multidimensional, que articula economia, sociedade, institui\u00e7\u00f5es e meio ambiente. Quando pol\u00edticas p\u00fablicas s\u00e3o estruturadas com base nos princ\u00edpios de North e considerando os custos de direitos defendidos por Holmes e Sunstein (1999), \u00e9 poss\u00edvel construir estrat\u00e9gias que transformem fluxos migrat\u00f3rios em oportunidades de desenvolvimento sustent\u00e1vel regional, fortalecendo capacidades humanas e reduzindo desigualdades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">3 <strong>POL\u00cdTICAS P\u00daBLICAS, INTEGRA\u00c7\u00c3O PRODUTIVA E SUSTENTABILIDADE REGIONAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse t\u00f3pico ser\u00e3o apresentadas e discutidas algumas pol\u00edticas p\u00fablicas focadas nos migrantes venezuelanos, permeado pela pauta da sustentabilidade socioecon\u00f4mica. Para tanto, ser\u00e1 apresentada a Opera\u00e7\u00e3o Acolhida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ademais, ser\u00e3o aspectos culturais e sociais da migra\u00e7\u00e3o venezuelana. E tamb\u00e9m ser\u00e3o levantados pontos espec\u00edficos sobre o financiamento da integra\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria venezuelana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">3.1 OPERA\u00c7\u00c3O ACOLHIDA: POL\u00cdTICAS FEDERAIS DE INTEGRA\u00c7\u00c3O E SUSTENTABILIDADE SOCIOECON\u00d4MICA DOS MIGRANTES VENEZUELANOS<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Opera\u00e7\u00e3o Acolhida representa uma das pol\u00edticas p\u00fablicas federais mais importantes do Brasil para enfrentar a migra\u00e7\u00e3o venezuelana, estruturando-se com base em tr\u00eas eixos principais: ordenamento de fronteira, acolhimento e interioriza\u00e7\u00e3o (MDS, 2025). Desde sua cria\u00e7\u00e3o em abril de 2018, a estrat\u00e9gia de interioriza\u00e7\u00e3o busca realocar refugiados e migrantes venezuelanos que estavam em abrigos de Roraima para outros estados, de forma volunt\u00e1ria, ordenada e segura, oferecendo-lhes condi\u00e7\u00f5es para reconstruir suas vidas em locais com melhores oportunidades sociais e econ\u00f4micas (ACNUR, 2023; MDS, 2025).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A import\u00e2ncia institucional da Opera\u00e7\u00e3o Acolhida se reflete na forte coopera\u00e7\u00e3o entre diferentes esferas do governo e organismos internacionais. O Comit\u00ea Federal de Assist\u00eancia Emergencial, por exemplo, re\u00fane minist\u00e9rios, ag\u00eancias da ONU, estados, munic\u00edpios e entidades civis para coordenar as a\u00e7\u00f5es de acolhimento e reloca\u00e7\u00e3o (MDS, 2023; ACNUR, 2024). Al\u00e9m disso, as For\u00e7as Armadas t\u00eam papel estrat\u00e9gico no apoio log\u00edstico, especialmente nos primeiros pontos de triagem na fronteira, o que mostra o comprometimento do Estado brasileiro com a opera\u00e7\u00e3o (MDS, 2023).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em junho de 2025, a Opera\u00e7\u00e3o Acolhida atingiu a marca de <strong>150 mil venezuelanos interiorizados<\/strong>, distribu\u00eddos por mais de <strong>1.100 munic\u00edpios<\/strong> do Brasil (MDS, 2025). Esse n\u00famero revela a escala territorial da pol\u00edtica e seu sucesso em evitar a sobrecarga de Roraima, promovendo uma interioriza\u00e7\u00e3o mais equilibrada e sustent\u00e1vel para os migrantes em diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dados do ACNUR refor\u00e7am essa dimens\u00e3o: de abril de 2018 at\u00e9 o final de 2023, a ag\u00eancia reportou mais de <strong>120 mil venezuelanos interiorizados<\/strong> por meio dessa estrat\u00e9gia (ACNUR, 2023). No relat\u00f3rio de interioriza\u00e7\u00e3o referente ao terceiro trimestre de 2023, a ACNUR registra que <strong>114.463 pessoas<\/strong> foram realocadas por diferentes modalidades, mostrando a robustez institucional da opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A interioriza\u00e7\u00e3o ocorre por m\u00faltiplas modalidades: al\u00e9m da realoca\u00e7\u00e3o institucional para abrigos em munic\u00edpios de destino, h\u00e1 tamb\u00e9m reunifica\u00e7\u00e3o familiar, reuni\u00e3o social e a modalidade inovadora de <strong>Vaga de Emprego Sinalizada (VES)<\/strong> (MDS, 2025). Nesta \u00faltima, empresas brasileiras sinalizam oportunidades de trabalho a migrantes, contribuindo diretamente para sua inser\u00e7\u00e3o produtiva e para a sustentabilidade socioecon\u00f4mica do processo (MDS, 2025).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A estrat\u00e9gia de realoca\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria e gratuita proporciona dignidade e autonomia aos migrantes. Por meio do apoio log\u00edstico concedido pelo Estado e parceiros, muitos venezuelanos deixam os abrigos em Roraima para se instalar em outras cidades, com suporte para moradia inicial, transporte e adapta\u00e7\u00e3o (MDS, 2025). Essa etapa ajuda a transformar o acolhimento tempor\u00e1rio em um processo de integra\u00e7\u00e3o mais duradouro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, parte fundamental da opera\u00e7\u00e3o depende da coopera\u00e7\u00e3o dos organismos internacionais. A ACNUR lidera a\u00e7\u00f5es de apoio \u00e0 interioriza\u00e7\u00e3o, fornecendo recursos para abrigos, suporte financeiro e articula\u00e7\u00e3o com munic\u00edpios que recebem os migrantes (ACNUR, 2024). A Organiza\u00e7\u00e3o Internacional para Migra\u00e7\u00f5es (OIM) tamb\u00e9m colabora, principalmente com a log\u00edstica de transporte e o registro dos migrantes realocados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do ponto de vista socioecon\u00f4mico, h\u00e1 sinais concretos de sucesso. Segundo relat\u00f3rios da ACNUR, muitos migrantes interiorizados conseguiram alguma fonte de renda poucos meses ap\u00f3s o reassentamento, indicando que a opera\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m da manuten\u00e7\u00e3o e aposta na autonomia (ACNUR, 2025). No relat\u00f3rio de janeiro a junho de 2025, a ACNUR informa que <strong>456 pessoas foram contratadas com apoio da ag\u00eancia<\/strong>, especialmente em setores como ind\u00fastria, servi\u00e7os e agroneg\u00f3cio. A<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A interioriza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m contribui para desafogar Roraima, estado que sofre com limita\u00e7\u00f5es de infraestrutura. Ao distribuir migrantes por mais munic\u00edpios, a Opera\u00e7\u00e3o Acolhida reduz a press\u00e3o sobre os servi\u00e7os p\u00fablicos locais como sa\u00fade, moradia e assist\u00eancia social, promovendo uma pol\u00edtica mais sustent\u00e1vel e menos concentrada (Fernandes; Pimentel; Silva, 2024).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">3.2 ASPECTOS CULTURAIS E SOCIAIS DA INTEGRA\u00c7\u00c3O MIGRAT\u00d3RIA<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A migra\u00e7\u00e3o venezuelana no Brasil n\u00e3o \u00e9 apenas um fen\u00f4meno demogr\u00e1fico ou econ\u00f4mico, mas tamb\u00e9m uma importante transforma\u00e7\u00e3o cultural e social. Migrantes chegam trazendo hist\u00f3rias, pr\u00e1ticas e valores que interagem com os modos de vida locais, renovando o tecido social das cidades receptoras. Esse encontro cultural nem sempre \u00e9 pac\u00edfico, pois a integra\u00e7\u00e3o exige adapta\u00e7\u00e3o m\u00fatua: os migrantes precisam compreender e participar da sociedade de acolhimento, enquanto os locais precisam reconhecer e valorizar as diferen\u00e7as culturais. Rodriguez (2022) destaca que em Boa Vista, Roraima, as redes informais de sociabilidade \u2014 chamadas de \u201cm\u00e1ticas\u201d \u2014 contribuem para a forma\u00e7\u00e3o de identidades coletivas entre os migrantes, funcionando como espa\u00e7os de pertencimento e trocas culturais. Esse processo evidencia que a integra\u00e7\u00e3o cultural depende tanto de espa\u00e7os f\u00edsicos quanto simb\u00f3licos de conviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As redes sociais locais e familiares desempenham papel crucial na constru\u00e7\u00e3o de pertencimento dos migrantes. Miranda (2022) analisa fam\u00edlias venezuelanas no Sul do Brasil e mostram que o apoio comunit\u00e1rio, aliado \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de la\u00e7os transnacionais com a Venezuela, cria uma rede h\u00edbrida que facilita a adapta\u00e7\u00e3o, ao mesmo tempo que preserva identidades culturais. Essa articula\u00e7\u00e3o entre pertencimento local e mem\u00f3ria transnacional refor\u00e7a a coes\u00e3o social, permitindo que os migrantes se insiram na comunidade sem perder sua identidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A integra\u00e7\u00e3o cultural tamb\u00e9m \u00e9 marcada por desafios interseccionais. Migrantes ind\u00edgenas e mulheres venezuelanas enfrentam barreiras espec\u00edficas relacionadas a g\u00eanero, etnia e classe. Cavalcante et al., (2023) analisam a migra\u00e7\u00e3o War\u00e3o em Sergipe, destacando como esses migrantes precisam equilibrar a preserva\u00e7\u00e3o de suas tradi\u00e7\u00f5es com a adapta\u00e7\u00e3o a normas urbanas, enfrentando vulnerabilidades sociais e simb\u00f3licas no processo de integra\u00e7\u00e3o. Essas desigualdades interseccionais influenciam o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, emprego e aos espa\u00e7os de conviv\u00eancia comunit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A m\u00eddia brasileira desempenha um papel central na forma\u00e7\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o social sobre os migrantes venezuelanos, influenciando significativamente como a popula\u00e7\u00e3o local interpreta a chegada e a presen\u00e7a desses grupos. Sarmento e Rodrigues (2020) destacam que a divulga\u00e7\u00e3o frequente de estere\u00f3tipos, como a representa\u00e7\u00e3o de migrantes como parte de uma \u201ccrise humanit\u00e1ria\u201d ou de indiv\u00edduos \u201cproblem\u00e1ticos\u201d, tende a criar barreiras simb\u00f3licas \u00e0 integra\u00e7\u00e3o. Esses discursos midi\u00e1ticos contribuem para dificultar a empatia social e refor\u00e7am processos de exclus\u00e3o, limitando oportunidades de intera\u00e7\u00e3o positiva entre migrantes e comunidades receptoras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em contrapartida, iniciativas de comunica\u00e7\u00e3o promovidas por ve\u00edculos comunit\u00e1rios ou plataformas locais t\u00eam se mostrado estrat\u00e9gicas na constru\u00e7\u00e3o de narrativas inclusivas. Relatos positivos sobre experi\u00eancias de integra\u00e7\u00e3o produtiva, participa\u00e7\u00e3o cultural e empreendedorismo migrante ajudam a fortalecer a aceita\u00e7\u00e3o social e a reduzir preconceitos. Esses exemplos mostram que a m\u00eddia pode atuar como instrumento de coes\u00e3o social, contribuindo para que migrantes sejam reconhecidos n\u00e3o apenas como benefici\u00e1rios de pol\u00edticas p\u00fablicas, mas como agentes ativos na transforma\u00e7\u00e3o das comunidades que os acolhem. A forma como as hist\u00f3rias s\u00e3o contadas e disseminadas impacta diretamente na percep\u00e7\u00e3o de pertencimento e no estabelecimento de v\u00ednculos sociais duradouros (Fernandes; Pimentel; Silva, 2024).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m das m\u00eddias tradicionais, a cultura digital se apresenta como um espa\u00e7o significativo de intera\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria para os migrantes venezuelanos. Redes sociais s\u00e3o amplamente utilizadas para manter la\u00e7os familiares e sociais com pessoas na Venezuela, bem como para trocar informa\u00e7\u00f5es, organizar eventos e compartilhar experi\u00eancias. Esses ambientes digitais permitem que os migrantes construam redes de apoio que transcendem fronteiras, funcionando como mecanismos de integra\u00e7\u00e3o social e cultural dentro do pa\u00eds receptor. A presen\u00e7a em plataformas digitais tamb\u00e9m contribui para a visibilidade de a\u00e7\u00f5es positivas e a valoriza\u00e7\u00e3o das compet\u00eancias dos migrantes, refor\u00e7ando sua capacidade de participar ativamente na sociedade local (Rodriguez, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses espa\u00e7os digitais n\u00e3o servem apenas como suporte material, mas configuram arenas simb\u00f3licas onde se negociam identidade, pertencimento e mem\u00f3ria cultural. Camargo (2021) enfatiza que as intera\u00e7\u00f5es nesses ambientes ajudam a preservar pr\u00e1ticas culturais, l\u00ednguas e tradi\u00e7\u00f5es, ao mesmo tempo que facilitam a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s normas e costumes do Brasil. A cultura digital funciona, portanto, como um elo entre o passado e o presente, permitindo que migrantes venezuelanos construam uma identidade coletiva h\u00edbrida que articula experi\u00eancias da Venezuela com a vida cotidiana no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, a integra\u00e7\u00e3o social dos migrantes depende tanto da m\u00eddia tradicional quanto da cultura digital, mas de formas distintas. Enquanto a m\u00eddia convencional pode refor\u00e7ar estere\u00f3tipos e barreiras simb\u00f3licas, a comunica\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria e os espa\u00e7os digitais oferecem oportunidades para narrativas inclusivas, preserva\u00e7\u00e3o cultural e fortalecimento do senso de pertencimento. Juntas, essas dimens\u00f5es medi\u00e1ticas constituem ferramentas estrat\u00e9gicas para promover a aceita\u00e7\u00e3o social e a coes\u00e3o entre migrantes e comunidades receptoras, demonstrando que a integra\u00e7\u00e3o cultural \u00e9 um processo multifacetado, que combina percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica, pr\u00e1ticas comunicativas e constru\u00e7\u00e3o de identidades coletivas (Camargo, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Migrantes qualificados tamb\u00e9m t\u00eam impactos culturais relevantes. Domeniconi et al., (2021) destacam que profissionais venezuelanos contribuem n\u00e3o apenas economicamente, mas tamb\u00e9m com conhecimento, l\u00edngua e valores culturais, enriquecendo o ambiente acad\u00eamico e profissional. Essa diversidade demonstra que a migra\u00e7\u00e3o venezuelana \u00e9 multifacetada, com diferentes perfis e contribui\u00e7\u00f5es para a sociedade receptora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aspectos culturais de migrantes ind\u00edgenas, como os Warao, ilustram tens\u00f5es entre preserva\u00e7\u00e3o de identidade e exig\u00eancias de adapta\u00e7\u00e3o urbana. Fernandes, Pimentel e Silva (2024) refor\u00e7am que pol\u00edticas p\u00fablicas precisam equilibrar assist\u00eancia emergencial e preserva\u00e7\u00e3o cultural, garantindo que migrantes tenham direito a educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e moradia sem perder sua heran\u00e7a cultural. A exist\u00eancia de pol\u00edticas interculturais \u00e9 essencial para reduzir vulnerabilidades e valorizar a diversidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil t\u00eam papel central na promo\u00e7\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o cultural. Sarmento e Rodrigues (2020) mostram que ONGs em Roraima atuam n\u00e3o apenas no apoio material, mas tamb\u00e9m como mediadoras culturais, conectando migrantes e comunidades locais. Projetos de conviv\u00eancia comunit\u00e1ria, atividades educativas e culturais contribuem para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociabilidade intercultural, fortalecendo la\u00e7os de pertencimento e reconhecimento m\u00fatuo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A intera\u00e7\u00e3o cotidiana entre migrantes e comunidades locais gera hibridiza\u00e7\u00e3o cultural. Rodriguez (2022) argumenta que a presen\u00e7a de migrantes promove transforma\u00e7\u00f5es culturais, resultando em uma \u201cnova brasilidade\u201d mais inclusiva e plural. Escolas, mercados, espa\u00e7os p\u00fablicos e associa\u00e7\u00f5es tornam-se arenas de troca cultural, onde pr\u00e1ticas venezuelanas e brasileiras se encontram, promovendo aprendizagem m\u00fatua e conviv\u00eancia intercultural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">3.3 GOVERNAN\u00c7A E FINANCIAMENTO DAS POL\u00cdTICAS DE INTEGRA\u00c7\u00c3O MIGRAT\u00d3RIA<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A governan\u00e7a das pol\u00edticas de integra\u00e7\u00e3o migrat\u00f3ria no Brasil, especialmente no contexto da Opera\u00e7\u00e3o Acolhida, envolve uma complexa articula\u00e7\u00e3o entre diferentes n\u00edveis de governo, organiza\u00e7\u00f5es internacionais e sociedade civil, exigindo um modelo institucional robusto para garantir sustentabilidade e efetividade. Segundo Sarmento e Rodrigues (2020), a opera\u00e7\u00e3o \u00e9 estruturada em diferentes n\u00edveis de gest\u00e3o \u2014 pol\u00edtico, estrat\u00e9gico, t\u00e1tico e operacional \u2014, envolvendo minist\u00e9rios federais, For\u00e7as Armadas, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e organismos internacionais como ACNUR e OIM. Essa rede institucionalizada permite coordenar a\u00e7\u00f5es que v\u00e3o desde a recep\u00e7\u00e3o e triagem at\u00e9 a interioriza\u00e7\u00e3o de migrantes, garantindo efici\u00eancia e previsibilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O financiamento dessas pol\u00edticas \u00e9 composto por recursos nacionais e internacionais. De acordo com ACNUR (2024), o Plano de Resposta para Refugiados e Migrantes (RMRP) no Brasil prev\u00ea significativos aportes financeiros destinados a assist\u00eancia humanit\u00e1ria, interioriza\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o produtiva. Esse financiamento complementar permite que programas de acolhimento n\u00e3o se limitem a medidas emergenciais, mas tamb\u00e9m apoiem o desenvolvimento socioecon\u00f4mico dos migrantes, criando oportunidades de trabalho e inclus\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, a depend\u00eancia de recursos externos apresenta desafios. Relat\u00f3rios recentes da OIM indicam que cortes or\u00e7ament\u00e1rios em 2025 reduziram significativamente a capacidade de opera\u00e7\u00e3o, impactando diretamente servi\u00e7os de transporte, triagem e acompanhamento social dos migrantes (OIM, 2025). Essa situa\u00e7\u00e3o demonstra a vulnerabilidade do modelo quando recursos internacionais n\u00e3o s\u00e3o constantes, refor\u00e7ando a necessidade de planejamento nacional e fontes de financiamento pr\u00f3prias para assegurar a continuidade das pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em resposta a essas incertezas, o governo brasileiro assumiu responsabilidade parcial pelo financiamento da Opera\u00e7\u00e3o Acolhida, destinando recursos federais emergenciais para manuten\u00e7\u00e3o da opera\u00e7\u00e3o em momentos cr\u00edticos (Governo Federal, 2025). Essa medida refor\u00e7a a import\u00e2ncia de mecanismos nacionais de financiamento, evidenciando a necessidade de autonomia institucional para sustentar pol\u00edticas de integra\u00e7\u00e3o a longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Historicamente, o Governo Federal j\u00e1 investiu valores significativos na Opera\u00e7\u00e3o Acolhida, incluindo recursos para interioriza\u00e7\u00e3o socioassistencial, infraestrutura de abrigos, transporte e assist\u00eancia social (MDS, 2023). Esse investimento demonstra que o Estado brasileiro exerce papel central na garantia do direito \u00e0 prote\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o de migrantes, complementando recursos internacionais e fortalecendo a capacidade institucional de execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cria\u00e7\u00e3o da <strong>Pol\u00edtica Nacional de Migra\u00e7\u00f5es, Ref\u00fagio e Apatridia (PNMRA)<\/strong> em 2025 formaliza a governan\u00e7a institucional no Brasil, estabelecendo inst\u00e2ncias permanentes de planejamento, monitoramento e avalia\u00e7\u00e3o, como o Comit\u00ea Executivo Federal e o Conselho Nacional de Migra\u00e7\u00e3o (Governo Federal, 2025). A PNMRA tamb\u00e9m prev\u00ea integra\u00e7\u00e3o entre Uni\u00e3o, estados, munic\u00edpios e sociedade civil, consolidando uma estrutura de governan\u00e7a capaz de coordenar a\u00e7\u00f5es de acolhimento e inclus\u00e3o socioecon\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da governan\u00e7a, a PNMRA prev\u00ea planejamento or\u00e7ament\u00e1rio e defini\u00e7\u00e3o de metas e indicadores para programas de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, emprego e inclus\u00e3o social dos migrantes. Fernandes, Pimentel e Silva (2024) destacam que essa sistematiza\u00e7\u00e3o institucional \u00e9 essencial para garantir efici\u00eancia no uso de recursos e para permitir a atra\u00e7\u00e3o de financiamento p\u00fablico e privado, bem como o alinhamento com organismos internacionais, refor\u00e7ando a sustentabilidade das pol\u00edticas migrat\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No \u00e2mbito legislativo, iniciativas recentes buscam ampliar a prote\u00e7\u00e3o social dos migrantes, incluindo propostas de aux\u00edlio emergencial para imigrantes em situa\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel (Senado Federal, 2025). A aprova\u00e7\u00e3o desses mecanismos depende de planejamento financeiro e coordena\u00e7\u00e3o institucional, refor\u00e7ando a necessidade de governan\u00e7a s\u00f3lida e de incentivos claros, conforme preconiza a teoria institucional de Douglass North (1990), que enfatiza que regras est\u00e1veis e institui\u00e7\u00f5es eficientes reduzem incertezas e permitem que pol\u00edticas complexas funcionem adequadamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, a governan\u00e7a e o financiamento ainda enfrentam desafios estruturais. A instabilidade de recursos internacionais, a necessidade de repasses emergenciais e desigualdades na capacidade administrativa de estados e munic\u00edpios podem comprometer a sustentabilidade das pol\u00edticas. Holmes e Sunstein (1999) destacam que direitos e pol\u00edticas p\u00fablicas t\u00eam custos concretos, e a implementa\u00e7\u00e3o de medidas de acolhimento e integra\u00e7\u00e3o exige financiamento previs\u00edvel e institui\u00e7\u00f5es eficientes para garantir efic\u00e1cia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, a consolida\u00e7\u00e3o de governan\u00e7a e financiamento \u00e9 fundamental para transformar pol\u00edticas emergenciais de acolhimento em programas sustent\u00e1veis e de longo prazo. Fortalecer a PNMRA, assegurar recursos pr\u00f3prios e manter coopera\u00e7\u00e3o com organismos internacionais permite que a migra\u00e7\u00e3o venezuelana seja incorporada de forma planejada e produtiva, contribuindo para o desenvolvimento social, econ\u00f4mico e institucional do Brasil, em conson\u00e2ncia com os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (Fernandes, Pimentel; Silva (2024).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>4 CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo demonstrou que os objetivos foram amplamente alcan\u00e7ados, uma vez que foi poss\u00edvel analisar detalhadamente a legisla\u00e7\u00e3o brasileira e internacional sobre migra\u00e7\u00e3o venezuelana e avaliar a implementa\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica das pol\u00edticas p\u00fablicas, como a Opera\u00e7\u00e3o Acolhida. Verificou-se que essas pol\u00edticas contribuem significativamente para a integra\u00e7\u00e3o social, econ\u00f4mica e cultural dos migrantes, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia de institui\u00e7\u00f5es inclusivas, conforme destacado pela teoria institucional de Douglass North.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa evidenciou que, embora existam iniciativas estruturadas e bem-sucedidas em alguns estados, persistem desafios relacionados \u00e0 infraestrutura, financiamento, capacita\u00e7\u00e3o profissional e acesso a direitos b\u00e1sicos em regi\u00f5es perif\u00e9ricas. Os dados analisados indicam que a efetividade das pol\u00edticas depende fortemente da coordena\u00e7\u00e3o entre diferentes n\u00edveis de governo, organiza\u00e7\u00f5es internacionais e sociedade civil, mostrando que pol\u00edticas p\u00fablicas integradas s\u00e3o essenciais para garantir sustentabilidade e inclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de confirmar que pol\u00edticas de integra\u00e7\u00e3o bem planejadas promovem inclus\u00e3o e coes\u00e3o social, o estudo contribuiu para o debate acad\u00eamico e jur\u00eddico sobre migra\u00e7\u00e3o e desenvolvimento sustent\u00e1vel. A an\u00e1lise da legisla\u00e7\u00e3o, aliada \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o de impactos pr\u00e1ticos, permitiu compreender como direitos e institui\u00e7\u00f5es interagem para transformar fluxos migrat\u00f3rios em oportunidades de desenvolvimento, oferecendo subs\u00eddios te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos para gestores p\u00fablicos, pesquisadores e organiza\u00e7\u00f5es que atuam com pol\u00edticas de integra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Futuras pesquisas podem aprofundar a an\u00e1lise de pol\u00edticas municipais e estaduais, avaliando indicadores de sucesso a m\u00e9dio e longo prazo, como inclus\u00e3o no mercado de trabalho, acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o social. Tamb\u00e9m seria relevante investigar as dimens\u00f5es culturais da integra\u00e7\u00e3o, as experi\u00eancias de migrantes em diferentes contextos urbanos e a efic\u00e1cia de programas de capacita\u00e7\u00e3o e empreendedorismo, contribuindo para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas mais eficazes, inclusivas e sustent\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ACNUR. <em><strong>Relat\u00f3rio de Interioriza\u00e7\u00e3o \u2014 julho a setembro de 2023<\/strong><\/em><strong><em>.<\/em><\/strong> Genebra: ACNUR, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ACNUR. <em><strong>Relat\u00f3rio de Interioriza\u00e7\u00e3o \u2014 abril a junho de 2024<\/strong><\/em>. Genebra: ACNUR, 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ACNUR. <em><strong>Ficha T\u00e9cnica \u2013 Opera\u00e7\u00e3o Acolhida \/ Interioriza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em>. Genebra: ACNUR, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CAVALCANTE, Olendina, et al. <em>Matica: tr\u00eas espa\u00e7os de sociabilidade de migrantes venezuelanos em Boa Vista, Roraima<\/em><em>.<\/em> <strong>Revista Brasileira de Hist\u00f3ria &amp; Ci\u00eancias Sociais,<\/strong> v.\u202f16, n.\u202f33, p.\u202f15871, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. <strong>Decreto n.\u00ba\u202f12.657, de 7 de outubro de 2025<\/strong>. Institui a Pol\u00edtica Nacional de Migra\u00e7\u00f5es, Ref\u00fagio e Apatridia. Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, Bras\u00edlia, 08 out. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Lei n\u00ba 13.445, de 24 de maio de 2017. <em><strong>Lei de Migra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em>. Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o, Bras\u00edlia, DF, 25 maio 2017.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CAMARGO, Selaide Rowe. <strong>Migra\u00e7\u00e3o venezuelana<\/strong>: uma an\u00e1lise sobre a gest\u00e3o do fluxo migrat\u00f3rio no Brasil. 2021. 146 f., il. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Pol\u00edtica Social) \u2014 Universidade de Bras\u00edlia, Bras\u00edlia, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DOMENICONI, J\u00f3ice de Oliveira; et al. <em><strong>Migra\u00e7\u00e3o venezuelana qualificada e inser\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica no Brasil<\/strong><\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora Humanitas, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FERNANDES, Ana; PIMENTEL, Lucas; SILVA, Maria. <em><strong>Migra\u00e7\u00e3o venezuelana e perspectivas LGBTQIA+: desafios de g\u00eanero e inclus\u00e3o<\/strong><\/em>. Rio de Janeiro: UERJ, 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GOVERNO DO BRASIL. <em><strong>Governo do Brasil institui Pol\u00edtica Nacional de Migra\u00e7\u00f5es, Ref\u00fagio e Apatridia<\/strong><\/em>. Bras\u00edlia: Minist\u00e9rio do Desenvolvimento e Assist\u00eancia Social, 08 out. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HOLMES, Stephen; SUNSTEIN, Cass. <em>T<strong>he Cost of Rights: Why Liberty Depends on Taxes<\/strong><\/em><strong><em>.<\/em><\/strong> New York: W. W. Norton, 1999.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MDS \u2013 MINIST\u00c9RIO DA DESENVOLVIMENTO SOCIAL<strong><em>. Opera\u00e7\u00e3o Acolhida: Relat\u00f3rio de Atividades e Interioriza\u00e7\u00e3o 2025<\/em><\/strong>. Bras\u00edlia: MDS, 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MDS \u2013 MINIST\u00c9RIO DA DESENVOLVIMENTO SOCIAL<strong><em>. Opera\u00e7\u00e3o Acolhida: Relat\u00f3rio de Atividades e Interioriza\u00e7\u00e3o 2023<\/em><\/strong>. Bras\u00edlia: MDS, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MENDES, Denise Figueir\u00f3; FERNANDES, Duval Magalh\u00e3es. <em><strong>Migra\u00e7\u00e3o venezuelana para o Brasil: vulnerabilidades da pessoa migrante e vis\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es de apoio<\/strong><\/em><strong><em>.<\/em><\/strong> 2022. Monografia \u2014 Universidade Federal de Minas Gerais, Minas Gerais, 2022<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MIRANDA, Liriane de Jesus. <em><strong>A migra\u00e7\u00e3o venezuelana no Brasil e a utiliza\u00e7\u00e3o da rede social Facebook no processo de integraliza\u00e7\u00e3o dos imigrantes<\/strong><\/em><strong><em>.<\/em><\/strong> 2022. Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (Geografia) \u2014 Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia, Uberl\u00e2ndia, 2022<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">NORTH, Douglass C. <em><strong>Institutions, Institutional Change and Economic Performance<\/strong><\/em><strong><em>.<\/em><\/strong> Cambridge: Cambridge University Press, 1990.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ONU \u2013 ORGANIZA\u00c7\u00c3O DAS NA\u00c7\u00d5ES UNIDAS. <em><strong>Transformando nosso mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel<\/strong><\/em>. Nova Iorque: ONU, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">OIM \u2013 ORGANIZA\u00c7\u00c3O INTERNACIONAL PARA MIGRA\u00c7\u00d5ES. <em><strong>Relat\u00f3rio de Atividades no Brasil 2025<\/strong><\/em><strong><em>.<\/em><\/strong> Genebra: OIM, 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PNUD \u2013 PROGRAMA DAS NA\u00c7\u00d5ES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO. <em><strong>Relat\u00f3rio de Desenvolvimento Humano 2020: O Futuro do Desenvolvimento Humano \u2013 Inclus\u00e3o e Sustentabilidade<\/strong><\/em>. Nova Iorque: PNUD, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RODRIGUEZ, Ana C\u00e9lia Machado. <em><strong>Bra\u00e7o forte, m\u00e3o amiga: a tentativa brasileira de securitiza\u00e7\u00e3o da migra\u00e7\u00e3o venezuelana em Roraima<\/strong><\/em>. 2022. Monografia \u2014 Universidade Federal de Roraima, Roraima, 2022<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SARMENTO, Jo\u00e3o; RODRIGUES, Fernanda. <em><strong>Pol\u00edticas de integra\u00e7\u00e3o de migrantes venezuelanos em Roraima: governan\u00e7a e coopera\u00e7\u00e3o institucional<\/strong><\/em>. Boa Vista: UFRR, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SENADO FEDERAL. <em><strong>Projeto de Lei sobre aux\u00edlio emergencial a imigrantes residentes no Brasil<\/strong><\/em><strong><em>.<\/em><\/strong> Bras\u00edlia: Senado Federal, 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SEN, A. <em><strong>Development as Freedom<\/strong><\/em><strong><em>.<\/em><\/strong> New York: Alfred A. Knopf, 1999.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">UNHCR \u2013 ACNUR. <em><strong>Global Trends: Forced Displacement in 2020<\/strong><\/em><strong><em>.<\/em><\/strong> Genebra: ACNUR, 2020. UNICEF. <em><strong>Situa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as migrantes e refugiadas venezuelanas no Brasil<\/strong><\/em><strong><em>. <\/em><\/strong>Bras\u00edlia: UNICEF Brasil, 2019.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Mestrando em Direito e Desenvolvimento no PPGD UNIP\u00ca (Centro Universit\u00e1rio de Jo\u00e3o Pessoa); Especialista em Direito P\u00fablico: Constitucional, Administrativo e Tribut\u00e1rio (Centro Universit\u00e1rio Est\u00e1cio da Amaz\u00f4nia, EST\u00c1CIO\/AM); Gradua\u00e7\u00e3o em Direito (Centro Universit\u00e1rio Est\u00e1cio da Amaz\u00f4nia, EST\u00c1CIO\/AM). E-mail: marlon.calderaro2@gmail.com<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Doutor em Pol\u00edticas P\u00fablicas e Forma\u00e7\u00e3o Humana (UERJ); Mestre em Direito (UFPB); Especialista em Direito Municipal (UNIP\u00ca); Bacharel em Direito (UNIP\u00ca); Bacharel em Teologia (FICV); Licenciado em Hist\u00f3ria (EST\u00c1CIO); Licenciado em Letras-Portugu\u00eas (EST\u00c1CIO); Professor Permanente do Mestrado em Direito da UNIPE; Professor Adjunto da Gradua\u00e7\u00e3o em Direito da UNIPE.&nbsp;Email: professor.andrefonseca@gmail.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PUBLIC POLICIES AND SUSTAINABLE INTEGRATION OF VENEZUELAN MIGRANTS Artigo submetido em 01 de dezembro de 2025Artigo aprovado em 13 de&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":1211,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"https:\/\/cognitiojuris.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cognitio_juris_n10.jpg","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[19],"class_list":["post-801","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-cientificos","tag-9-2025"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/801","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=801"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/801\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1203,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/801\/revisions\/1203"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1211"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=801"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=801"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=801"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}