{"id":845,"date":"2016-12-01T14:55:00","date_gmt":"2016-12-01T17:55:00","guid":{"rendered":"https:\/\/scientiaetratio.com.br\/?p=845"},"modified":"2026-05-18T02:21:32","modified_gmt":"2026-05-18T05:21:32","slug":"a-disposicao-cenica-das-salas-de-audiencias-e-tribunais-brasileiros-a-inconstitucionalidade-da-prerrogativa-de-assento-do-ministerio-publico-no-processo-penal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/a-disposicao-cenica-das-salas-de-audiencias-e-tribunais-brasileiros-a-inconstitucionalidade-da-prerrogativa-de-assento-do-ministerio-publico-no-processo-penal\/","title":{"rendered":"A DISPOSI\u00c7\u00c3O C\u00caNICA DAS SALAS DE AUDI\u00caNCIAS E TRIBUNAIS BRASILEIROS: A INCONSTITUCIONALIDADE DA PRERROGATIVA DE ASSENTO DO MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO NO PROCESSO PENAL"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>THE SCIENTIFIC ARRANGEMENT OF THE BRAZILIAN AUDIENCES ROOMS AND COURTS: THE UNCONSTITUTIONALITY OF THE PUBLIC MINISTRY&#8217;S SEATING PREROGATIVE IN THE CRIMINAL PROCESS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Artigo submetido em 02 de novembro de 2016<br>Artigo aprovado em 15 de novembro de 2016<br>Artigo publicado em 01 de dezembro de 2016<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background\"><tbody><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Scientia et Ratio<\/strong><br>Volume 1 &#8211; N\u00famero 2 &#8211; Dezembro 2016<br>ISSN 2525-8532<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-7e4ac651328708ea719ac0894fa30934 wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background\"><tbody><tr><td><strong>Autor(es):<br><\/strong>Karine Azevedo Egypto Rosa<a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-7e4ac651328708ea719ac0894fa30934 wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Resumo<\/strong>: O presente artigo tem como objetivo o enfoque cr\u00edtico da prerrogativa de assento dos membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico e analisar uma poss\u00edvel inconstitucionalidade da disponibilidade do mobili\u00e1rio c\u00eanico dentro das salas de audi\u00eancias e sess\u00f5es de julgamento no que se refere ao processo penal. Ser\u00e3o abordados alguns fundamentos com o fim de demonstrar as diversas viola\u00e7\u00f5es constitucionais que tal localiza\u00e7\u00e3o privilegiada do \u00f3rg\u00e3o ministerial acusador- que no processo penal atua como parte- nos locais de julgamento acarreta bem como os preju\u00edzos causados \u00e0 defesa, seja esta feita pela Defensoria P\u00fablica ou por advocacia privada, \u00e0 sociedade e, principalmente, \u00e0 imparcialidade e legitimidade da decis\u00e3o proferida bem como do pr\u00f3prio julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Palavras-chave<\/strong>: prerrogativa de assento; disposi\u00e7\u00e3o c\u00eanica; princ\u00edpios constitucionais; paridade de armas; Defensoria P\u00fablica e Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Abstract:<\/strong> The present study aims to analyze the possible unconstitutionality of the prerogative of prosecutors\u2019 place of seat in court rooms and court proceedings regarding criminal proceedings. The study is based on a series of elements in order to demonstrate the various constitutional violations due to such privileged location of prosecutors in the court rooms, which act in the criminal proceedings as part of the trial. Furthermore, this prerogative causes damages related to the defense, to the society, and especially, to the fairness and the legitimacy of the trial itself.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Keywords:<\/strong> prerogative seat; scenic layout; essentials principles; parity of arms; public ministry.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 INTRODU\u00c7\u00c3O<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O processo penal h\u00e1 muito j\u00e1 descrito por Carnelutti como a \u201cgata borralheira\u201d do direito, \u00e9 um dos ramos do sistema jur\u00eddico brasileiro que mais sofre com preconceitos e distorcidas vis\u00f5es, tanto dos pr\u00f3prios operadores do direito como da sociedade em geral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por ser uma seara voltada para processo e julgamento dos acusados pela pr\u00e1tica de infra\u00e7\u00f5es penais, em regra pessoas marginalizadas dentro da estrutura social brasileira, ou, como afirma o mestre Nilo Batista, pessoas \u201cselecionadas pelo sistema\u201d <a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, passa-se a ideia de que cuida somente de pessoas culpadas, \u201cbandidos\u201d propriamente ditos, o que explica boa parte dos preconceitos enfrentados, principalmente pelos que atuam na defesa destes supostos inimigos do povo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, o processo penal fora usado como arma do pr\u00f3prio Estado para, atrav\u00e9s de falsas provas e acusa\u00e7\u00f5es, enviar para a cadeia incont\u00e1veis opositores do regime militar, de forma a silenci\u00e1-los, servindo como legitima\u00e7\u00e3o para a arbitrariedade do poder punitivo estatal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todavia, ao longo dos recentes anos, mais precisamente ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, passou por um processo de reestrutura\u00e7\u00e3o de seus valores e diretrizes, de maneira que n\u00e3o restam d\u00favidas da intencional ruptura com o seu passado autorit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Anteriormente utilizado como meio de domina\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o, legitimador de vingan\u00e7as pessoais e injusti\u00e7as de todo o g\u00eanero, com o status constitucional que adquiriu com a nova Carta Magna e posteriormente transmitida \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o infraconstitucional atrav\u00e9s de sucessivas reformas do C\u00f3digo de Processo Penal, passou a ser visto de outra forma, na qual os direitos e garantias individuais do acusado deixaram de ser secund\u00e1rios e passaram a protagonizar todo o tr\u00e2mite do cen\u00e1rio processual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Novos princ\u00edpios, garantias e direitos incrementaram o texto constitucional ou por ele foram refor\u00e7ados, conferindo aos acusados em um processo criminal maiores chances de defesa e de manuten\u00e7\u00e3o de sua liberdade individual durante todo o processo, passando a prevalecer a m\u00e1xima de que a regra \u00e9 a liberdade e a pris\u00e3o \u00e9 a exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante destas atuais funda\u00e7\u00f5es constitucionais, passou a vigorar o sistema acusat\u00f3rio como modelo processual, deixando para tr\u00e1s o sistema inquisitorial que preponderava at\u00e9 ent\u00e3o, revelando-se, ent\u00e3o, incont\u00e1veis rituais, procedimentos e regras previstas em lei que n\u00e3o mais se ad\u00e9quam ao novo sistema, incompat\u00edveis com o atual processo penal constitucional p\u00e1trio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitas foram veementemente questionadas e combatidas pela Doutrina e, finalmente, abolidas do sistema (ou quase) com as reformas do CPP, como disposi\u00e7\u00f5es que condicionavam o recurso contra senten\u00e7as condenat\u00f3rias ao recolhimento do acusado \u00e0 pris\u00e3o e a busca indiscriminada pelo mito da verdade real.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas outros resqu\u00edcios do modelo inquisitorial permanecem vigentes dentro do sistema, passando despercebidos por muitos, mas causando preju\u00edzos de grande monta \u00e0queles que ocupam a estigmatizada posi\u00e7\u00e3o no banco dos r\u00e9us e a seus defensores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A concep\u00e7\u00e3o c\u00eanica das salas de audi\u00eancias e de sess\u00f5es de julgamentos de todos os foros brasileiros, onde se realizam os atos processuais de natureza criminal, \u00e9 um desses ran\u00e7os inquisitoriais que ainda insistem em permanecer, n\u00e3o obstante a sua incompatibilidade com as novas tend\u00eancias do direito processual penal p\u00f3s-1988.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">2.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A MAL FADADA PRERROGATIVA DE ASSENTO<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A atual disposi\u00e7\u00e3o c\u00eanica das salas de audi\u00eancias e tribunais espalhados por todo o Brasil, desde as comarcas de interior at\u00e9 as Cortes Superiores, denota uma grande discrep\u00e2ncia de posicionamento entre as partes do processo, pass\u00edvel de f\u00e1cil percep\u00e7\u00e3o at\u00e9 para o mais leigo dos presentes em qualquer desses espa\u00e7os judiciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O lugar de destaque ocupado pelo membro do Minist\u00e9rio P\u00fablico ao lado direito do \u00f3rg\u00e3o julgador e em plano superior ao dos demais, tanto nas audi\u00eancias c\u00edveis quanto nas criminais, demonstra uma insinuante posi\u00e7\u00e3o de preval\u00eancia no processo em rela\u00e7\u00e3o aos demais atores processuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal posi\u00e7\u00e3o espacial privilegiada do \u00f3rg\u00e3o ministerial adv\u00e9m de uma prerrogativa institu\u00edda pela legisla\u00e7\u00e3o infraconstitucional da carreira, quais sejam: art. 18, I, \u201ca\u201d da Lei Complementar 75\/93 e art. 41, XI da Lei 8.625\/93, que disp\u00f5em, respectivamente, sobre a organiza\u00e7\u00e3o, atribui\u00e7\u00e3o e estatuto do Minist\u00e9rio P\u00fablico da Uni\u00e3o e Lei Org\u00e2nica Nacional dos Minist\u00e9rios P\u00fablicos Estaduais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vejamos tais dispositivos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LEI COMPLEMENTAR N\u00ba 75, DE 20 DE MAIO DE 1993<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 18. S\u00e3o prerrogativas dos membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico da Uni\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">I &#8211; institucionais:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">a) sentar-se no mesmo plano e imediatamente \u00e0 direita dos ju\u00edzes singulares ou presidentes dos \u00f3rg\u00e3os judici\u00e1rios perante os quais oficiem;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LEI N\u00ba 8.625, DE 12 DE FEVEREIRO DE 1993<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 41. Constituem prerrogativas dos membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico, no&nbsp; exerc\u00edcio de sua fun\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de outras previstas na Lei Org\u00e2nica:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">XI &#8211; tomar assento \u00e0 direita dos Ju\u00edzes de primeira inst\u00e2ncia ou do Presidente do Tribunal, C\u00e2mara ou Turma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A prerrogativa legal dos membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico de ocuparem posi\u00e7\u00e3o imediatamente ao lado direito e em mesmo plano dos julgadores demonstra a desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o das c\u00e1tedras, revelando um injustific\u00e1vel tratamento privilegiado da acusa\u00e7\u00e3o em detrimento da defesa, que insiste em permanecer, mesmo diante da sua afronta direta aos preceitos da nova Carta Magna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;A inconstitucionalidade de tal prerrogativa de assento \u00e0 luz dos princ\u00edpios constitucionais que conformam o processo penal gera diversos preju\u00edzos para a defesa, para o acusado, para a sociedade em geral bem como para o pr\u00f3prio sistema penal, que requer o uso de instrumentos e elementos democr\u00e1ticos em todos os seus rituais e procedimentos, de forma a legitimar suas decis\u00f5es e garantir efetivamente um processo justo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe uma err\u00f4nea ideia pregada por muitos doutrinadores que abordam esta quest\u00e3o de que tal situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o passa de um problema \u201cirrelevante\u201d perto das incont\u00e1veis adversidades que permeiam diariamente o processo penal brasileiro, devendo-se, portanto, os processualistas penais se atentarem \u00e0s quest\u00f5es mais \u201crelevantes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, quando se fala em liberdade, o principal direito inerente \u00e0 dignidade humana, pilar basilar de nosso Estado Democr\u00e1tico de Direito, n\u00e3o h\u00e1 que se medir a import\u00e2ncia de algo que a restringe: tudo- absolutamente tudo- \u00e9 importante quando o que est\u00e1 em jogo \u00e9 o direito de defesa do indiv\u00edduo processado e em vias de perder sua liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O membro do MP, quando atua dentro do processo penal na posi\u00e7\u00e3o de acusador privativo do Estado- titular da a\u00e7\u00e3o penal p\u00fablica-, fun\u00e7\u00e3o esta atribu\u00edda pela pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o, atua de forma parcial, podendo ent\u00e3o ser compreendido na qualifica\u00e7\u00e3o de parte processual, assim como a defesa, corroborando a tese de que justamente por ser parte, n\u00e3o merece o mesmo tratamento privilegiado de quando atua como <em>custus legis <\/em>nas demandas c\u00edveis, imparcial e desinteressado na lide.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na tentativa de adquirir a mesma impon\u00eancia do Minist\u00e9rio Publico dentro das salas de audi\u00eancias e garantir o exerc\u00edcio do direito de defesa no mesmo grau de igualdade, no ano de 2009 a Defensoria P\u00fablica, por meio da Lei Complementar 132, que acrescentou o 7\u00ba par\u00e1grafo ao art. 4\u00ba da tamb\u00e9m Lei Complementar 80\/94 -que disp\u00f5e sobre a Organiza\u00e7\u00e3o da Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o, do Distrito Federal e prescreve normas gerais para a sua organiza\u00e7\u00e3o nos Estados- a fim de garantir aos membros da Defensoria o direito de se sentar no mesmo plano dos promotores de justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em destaque, o referido dispositivo:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;LEI COMPLEMENTAR N\u00ba 132, DE 12 DE JANEIRO DE 1994<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 4\u00ba S\u00e3o fun\u00e7\u00f5es institucionais da Defensoria P\u00fablica, dentre outras:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a7 7\u00ba&nbsp; Aos membros da Defensoria P\u00fablica \u00e9 garantido sentar-se no mesmo plano do Minist\u00e9rio P\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Note-se que estas disposi\u00e7\u00f5es surgiram ap\u00f3s a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, atrav\u00e9s de leis complementares que, inicialmente com o Minist\u00e9rio P\u00fablico e algum tempo depois com a Defensoria P\u00fablica, buscaram de certa forma igualar as posi\u00e7\u00f5es destas institui\u00e7\u00f5es dentro da distribui\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os judiciais em que se realizam os atos processuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, percebe-se que tais prerrogativas institucionais de assento, tanto da Defensoria P\u00fablica quanto do Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o possuem status constitucional como outras prerrogativas concedidas a estas institui\u00e7\u00f5es previstas na CF, posto que foram apenas previstas em leis infraconstitucionais das pr\u00f3prias carreiras, sendo certo que os advogados privados sequer possuem previs\u00e3o de prerrogativa neste sentido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Extra\u00edmos ent\u00e3o que n\u00e3o era a inten\u00e7\u00e3o do legislador constituinte conferir prerrogativa de assento nos espa\u00e7os judiciais a nenhuma institui\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel \u00e0 administra\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, quais sejam a Defensoria, o Minist\u00e9rio P\u00fablico e aos advogados, o que nos leva a crer que n\u00e3o h\u00e1 e nem deve haver hierarquia nem diferen\u00e7a no tratamento entre tais fun\u00e7\u00f5es, sendo todas igualmente essenciais e indispens\u00e1veis a uma decis\u00e3o judicial justa e democr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tentativa da Defensoria P\u00fablica de se igualar aos membros do <em>Parquet<\/em> no que se refere a sua posi\u00e7\u00e3o espacial n\u00e3o obteve quase ou nenhum \u00eaxito, sendo raros os locais de julgamentos em que o defensor p\u00fablico possui realmente assento ao lado do promotor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isto se deu pelo fato de que o mobili\u00e1rio dos espa\u00e7os judici\u00e1rios em todo o Brasil j\u00e1 estava de todo consolidado da maneira advinda dos per\u00edodos de exce\u00e7\u00e3o, ou seja, com o assento do promotor enraizado ao lado do juiz, e em raz\u00e3o da car\u00eancia de verbas ou de falta de vontade dos magistrados locais de se adequarem a nova lei, somados \u00e0 aus\u00eancia de manifesta\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria a tal composi\u00e7\u00e3o c\u00eanica pelos advogados e defensores, tudo se quedou do mesmo jeito que antes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com isso conclui-se que apesar de ambas as institui\u00e7\u00f5es -Minist\u00e9rio P\u00fablico e Defensoria P\u00fablica- possu\u00edrem prerrogativas de assento previstas em lei nas salas de audi\u00eancias e tribunais, apenas a prerrogativa do MP \u00e9 realmente observada em todo o Brasil, raz\u00e3o pela qual esta se tornou o foco central das cr\u00edticas, sendo a prerrogativa da Defensoria quase que esquecida em todo mundo jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Importante ressaltar neste momento que n\u00e3o se trata de tentar minimizar a import\u00e2ncia desta grandiosa institui\u00e7\u00e3o republicana que \u00e9 o Minist\u00e9rio P\u00fablico nem de suas imprescind\u00edveis atribui\u00e7\u00f5es constitucionais de defesa da ordem jur\u00eddico-democr\u00e1tica, do sistema acusat\u00f3rio de processo penal e dos interesses coletivos bem como da correta aplica\u00e7\u00e3o da lei p\u00e1tria, al\u00e9m de diversos outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que se busca enfatizar \u00e9 que esta estrutura c\u00eanica \u00e9 manifestamente incompat\u00edvel e inadequada ao modelo processual acusat\u00f3rio e aos princ\u00edpios garantidores institu\u00eddos pela Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, pois gera um preju\u00edzo ao acusado e sua defesa -por mais \u201cinsignificante\u201d que seja para alguns- e a viola\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 defesa de qualquer indiv\u00edduo, independente da gravidade do crime cometido, importa em uma afronta direta aos direitos fundamentais constitucionalmente institu\u00eddos, o que, portanto, significa um desrespeito a todos os indiv\u00edduos da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Busca-se apenas igualar a situa\u00e7\u00e3o c\u00eanica dos m\u00f3veis das salas de audi\u00eancia de modo a adequ\u00e1-la \u00e0s diretrizes do novo processo penal constitucional, conferindo \u00e0s partes locais equidistantes do julgador, em respeito aos princ\u00edpios da isonomia e da ampla defesa, que garantem ao acusado o direito de ser processado por um procedimento justo e democr\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Conforme ensinamento de Maria L\u00facia Karam, \u201cprivilegiar a acusa\u00e7\u00e3o, rejeitar ou minimizar o direito do r\u00e9u a defesa, pretender investigar e obter condena\u00e7\u00f5es a qualquer pre\u00e7o significa minar os pr\u00f3prios fundamentos da democracia\u201d (KARAM, Maria Lucia. <em>O direito a defesa e a paridade de armas<\/em>, p.5).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 ainda que atentar que sentar-se no mesmo plano e imediatamente a direita do julgador, sejam ju\u00edzes singulares, sejam presidentes dos \u00f3rg\u00e3os judici\u00e1rios, como disp\u00f5e a prerrogativa do art. 18, I, \u2018a\u2019 da LC75\/93 n\u00e3o significa em hip\u00f3tese alguma sentar-se ombro a ombro com o magistrado e prejudicar assim a defesa t\u00e9cnica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como sustentou Adriano Antunes Damasceno, \u201cembora aos membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico seja assegurada por for\u00e7a de lei a prerrogativa de assento ao lado do magistrado, a validade de uma normatividade tem de estar aberta \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o discursiva\u201d (MOREIRA, 2004, p. 170<em> apud<\/em> DAMASCENO, Adriano Antunes. <em>A compreens\u00e3o c\u00eanica da audi\u00eacia de instru\u00e7\u00e3o e julgamento criminal no Brasil,<\/em> p.2.).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Diante disto, dentro da atual composi\u00e7\u00e3o espacial dos espa\u00e7os judiciais, faz-se necess\u00e1ria a redemocratiza\u00e7\u00e3o dos mesmos, indo de encontro com esta \u201cin\u00e9rcia acr\u00edtica\u201d que parece permear os legisladores e as Cortes Superiores, diante da escassez de precedentes sobre o referido assunto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em artigo, Maria L\u00facia Karam e Rubens Casara exp\u00f5em suas vis\u00f5es cr\u00edticas sobre o tema:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem que quase ningu\u00e9m se questione, sem que quase ningu\u00e9m se pergunte, cotidianamente se repetem, da mais long\u00ednqua comarca ao Supremo Tribunal Federal, audi\u00eancias e sess\u00f5es em que o Minist\u00e9rio Publico, \u00f3rg\u00e3o acusador no processo penal, diferenciadamente se coloca fisicamente junto ao \u00f3rg\u00e3o julgador, em inaceit\u00e1vel posi\u00e7\u00e3o insinuadora de uma sua suposta imparcialidade e\/ou superioridade. (KARAM, Maria L\u00facia; CASARA, Rubens R. R.<em> Redefini\u00e7\u00e3o C\u00eanica das salas de audi\u00eancias e de sess\u00f5es dos tribunais<\/em>. In: Revista de Estudos Criminais, n. 19. Porto Alegre: Instituto Interdisciplinar de Estudos Criminais, Jul.\/Set. 2005).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Necess\u00e1rio se faz frear esta corrida dos atores processuais em busca de um lugar privilegiado dentro do Judici\u00e1rio, estando certo que todos- Minist\u00e9rio P\u00fablico, Defensoria P\u00fablica e advogados privados- s\u00e3o essenciais tanto para a atividade jurisdicional quanto para a Administra\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a, n\u00e3o devendo haver lugar para privil\u00e9gios em prol de uma s\u00f3 categoria de operadores do direito em detrimento das demais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Nesse sentido, conclui Ada Pellegrini:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Melhor seria se os operadores jur\u00eddicos, para al\u00e9m de suas vaidades coorporativas, refletissem a magnitude de seus respectivos of\u00edcios, mas no pleno respeito \u00e0 relev\u00e2ncia dos outros, aceitando que seus integrantes se sentem lado a lado, em local pr\u00f3prio e distinto daquele em que se desenvolve o of\u00edcio jurisdicional. (GRINOVER, Ada Pellegrini. <em>O processo em evolu\u00e7\u00e3o<\/em>, p.24).<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>A SIMBOLOGIA DE UMA SALA DE AUDI\u00caNCIAS<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cada dia muitas decis\u00f5es que mudam a vida de uma pessoa s\u00e3o tomadas dentro dos limites de uma sala de audi\u00eancia em um dos tribunais espalhados pelo territ\u00f3rio nacional. Todavia, apesar do grande poder de impacto que \u00e9 capaz de gerar na sociedade, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que poucas s\u00e3o as pessoas que realmente compreendem todos os aspectos do sistema de justi\u00e7a brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Poder Judici\u00e1rio \u00e9, por si s\u00f3, um dos Poderes do Estado mais impregnado de rituais, simbologia e mitos adquiridos ao longo do tempo e perpetuados desde sempre pelos que frequentam seus espa\u00e7os, na maioria das vezes sem serem sequer percebidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde a impon\u00eancia dos edif\u00edcios forenses at\u00e9 as vestimentas utilizadas por seus membros dentro dos espa\u00e7os judici\u00e1rios, tudo possui um significado- ainda que impercept\u00edvel \u00e0 primeira vista- e denota a grandiosidade e diversidade de s\u00edmbolos e rituais que revelam no dia-a-dia a rotina de hierarquia, ordem e poder que se exala em cada corredor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A tradi\u00e7\u00e3o jur\u00eddica brasileira \u00e9 marcada por vestes, rituais e cerim\u00f4nias que formam um complicado sistema de simbolismos, dif\u00edcil de ser compreendido em todos os seus aspectos e significados sem um exame atento ou atrav\u00e9s de uma maior experi\u00eancia pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os s\u00edmbolos est\u00e3o presentes em toda estrutura de poder, dentro das mais diversas sociedades, culturas ou institui\u00e7\u00f5es, cada um sob uma forma determinada e espec\u00edfica, expressas ou n\u00e3o, criados para representar algo atrav\u00e9s de seu significado, sendo certo que um s\u00f3 s\u00edmbolo pode ter diversas e diferentes acep\u00e7\u00f5es em cada lugar do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Pierre Bourdieu (BOURDIEU, Pierre. <em>O poder simb\u00f3lico<\/em>, 1989 p.9-11), atento aos fen\u00f4menos de percep\u00e7\u00e3o social, da produ\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica e das rela\u00e7\u00f5es informais de poder, o mito, a l\u00edngua, a arte s\u00e3o instrumentos de conhecimento e de constru\u00e7\u00e3o do mundo e, a partir disto, s\u00e3o concebidos sistemas simb\u00f3licos de alta, m\u00e9dia ou baixa complexidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No que se refere ao \u00e2mbito jur\u00eddico, todos os ritos e procedimentos judiciais possuem um sentido, um significado real e concreto intr\u00ednseco ao sistema de justi\u00e7a, que podem influir de diferentes formas para a consecu\u00e7\u00e3o dos atos processuais bem como para a decis\u00e3o final nos processos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tudo dentro dos espa\u00e7os judici\u00e1rios pode adquirir um simbolismo referente \u00e0 \u00e1rea e ao lugar a qual pertence, podendo ser uma forma de comunica\u00e7\u00e3o, consciente ou subconsciente para os pr\u00f3prios funcion\u00e1rios, para os atores processuais e tamb\u00e9m para a sociedade em geral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a Teoria do Agir Comunicativo, consubstanciada por <a href=\"http:\/\/www.google.com.br\/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=&amp;esrc=s&amp;source=web&amp;cd=1&amp;ved=0CDAQFjAA&amp;url=http%3A%2F%2Fpt.wikipedia.org%2Fwiki%2FJ%25C3%25BCrgen_Habermas&amp;ei=j51eU7KzA8up8QG624HYCw&amp;usg=AFQjCNFgUye0Vkw_DFqrjqIlM83EzjBQjQ&amp;sig2=5UKoGTnk9zYHGZt2z3yPrg&amp;bvm=bv.65397613,d.b2U\">J\u00fcrgen<\/a> Habermas, \u201c(&#8230;) nos procedimentos judiciais, a composi\u00e7\u00e3o do tribunal, a posi\u00e7\u00e3o de cada protagonista da rela\u00e7\u00e3o processual conspira para a solu\u00e7\u00e3o do caso penal\u201d (HABERMAS, J\u00fcrgen. <em>Direito e Democracia entre facticidade e validade, Vol. I<\/em>, 2003).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pr\u00f3pria justi\u00e7a \u00e9 simbolizada pela figura de uma mulher com os olhos vendados que carrega uma espada e uma balan\u00e7a em cada m\u00e3o: a venda nos olhos representa a imparcialidade e a igualdade que deve dispensar no tratamento jur\u00eddico de todos, a espada representa a for\u00e7a, a ordem e as regras necess\u00e1rias para se impor o direito e a balan\u00e7a a pondera\u00e7\u00e3o dos interesses em lit\u00edgio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme o estudo do Instituto Lia Pires sobre o tema, \u201co mundo social \u00e9 constitu\u00eddo em fun\u00e7\u00e3o de um sistema de significa\u00e7\u00f5es\u201d <a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, principalmente no \u00e2mbito do processo penal, em que a simbologia e o ritual assumem especial relevo para concretizar a significa\u00e7\u00e3o de uma decis\u00e3o judicial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para os autores deste estudo, advogados integrantes do Centro de Estudos da OAB\/RS Marcelo Marcante Flores e Fl\u00e1vio Pires, a distribui\u00e7\u00e3o dos assentos dentro de uma sala de audi\u00eancia \u00e9 revestido por uma alta simbologia, que deveria mostrar justamente os fatores que asseguram a legitimidade de um julgamento: a equidade e a imparcialidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O processo e sua simbologia devem ser adequados para mostrar a realidade que se pretende e determina a lei, isto \u00e9, a igualdade entre as partes, refletindo a todos sempre a neutralidade do juiz na condu\u00e7\u00e3o de suas atribui\u00e7\u00f5es funcionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O assento ocupado pelos protagonistas do processo, o mobili\u00e1rio de cada espa\u00e7o judicial, o martelo do julgador, o sal\u00e3o do tribunal do j\u00fari, as grandiosas est\u00e1tuas de m\u00e1rmore, os longos corredores, as obras de arte, tudo isto possui um significado simb\u00f3lico que vai al\u00e9m da percep\u00e7\u00e3o visual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A figura do magistrado, imponente em sua posi\u00e7\u00e3o central e superior aos demais, com sua toga negra n\u00e3o deixa esconder o simbolismo de poder que tal posi\u00e7\u00e3o remete aos demais presentes no local. Estes s\u00edmbolos muitas vezes geram em muitos um temor reverencial que percebemos facilmente em uma oitiva de testemunha ou em um interrogat\u00f3rio de um acusado, nos quais a figura do juiz \u00e9 capaz de gerar um constrangimento aos mais simples e humildes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A arquitetura de um local contribui em alto grau para a concep\u00e7\u00e3o e sustenta\u00e7\u00e3o de sua ordem social, pol\u00edtica e hier\u00e1rquica, n\u00e3o sendo o Poder Judici\u00e1rio exce\u00e7\u00e3o. O design marcante, o ambiente solene, o mobili\u00e1rio suntuoso e s\u00edmbolos de natureza religiosa e republicana conferem aos espa\u00e7os judiciais, de forma indireta, a formalidade e o poder que de l\u00e1 emana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em regra, os pr\u00e9dios onde s\u00e3o instalados os \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis pela tutela jurisdicional do Estado s\u00e3o constru\u00eddos para refletir os s\u00edmbolos da justi\u00e7a atrav\u00e9s de uma arquitetura simb\u00f3lica que revela a inten\u00e7\u00e3o de demonstrar ao p\u00fablico e aos profissionais da \u00e1rea a poderosa estrutura que existe em seu interior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na maioria das vezes tal arquitetura influencia de forma subconsciente as pessoas que l\u00e1 se encontram, j\u00e1 que o significado de seus s\u00edmbolos geralmente n\u00e3o se apresenta de forma expressa e direta, mas sim atua como um meio inconsciente de comunica\u00e7\u00e3o, gerando mensagens e impress\u00f5es no c\u00e9rebro humano sem que seja sequer percebido pelos destinat\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trata-se de uma mensagem subjacente de hierarquia e poder que est\u00e1 incorporado no layout dos tribunais brasileiros. Os grandiosos edif\u00edcios p\u00fablicos, que se distinguem visivelmente dos demais pr\u00e9dios do ambiente, bem como todo o cen\u00e1rio interno onde s\u00e3o tomadas as decis\u00f5es enfatizam o poder que l\u00e1 existe e os diferencia das demais classes sujeitas a este.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora muitos n\u00e3o percebam, tanto o exterior quanto o interior de um determinado edif\u00edcio pode impactar diretamente a maneira como eles se comportam l\u00e1 dentro e como sentem-se em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas que l\u00e1 trabalham.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, \u00e9 not\u00f3rio o sentimento de inferioridade que muitos sentem diante de um promotor, um defensor p\u00fablico ou, principalmente, diante de um juiz togado, em raz\u00e3o da pr\u00f3pria import\u00e2ncia do cargo que exercem, mas tamb\u00e9m em fun\u00e7\u00e3o da arquitetura do pr\u00e9dio onde os tribunais se localizam e pela pr\u00f3pria estrutura e composi\u00e7\u00e3o do mobili\u00e1rio da sala em que se realizam os atendimentos e atos processuais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do mesmo modo, n\u00e3o se pode negar a prov\u00e1vel superioridade que a maioria dos magistrados devem sentir em rela\u00e7\u00e3o aos acusados, principalmente dentro do processo penal, cuja estigmatiza\u00e7\u00e3o dos r\u00e9us se mostra mais presente do que nos demais ramos, em raz\u00e3o tamb\u00e9m, em parte, de sua localiza\u00e7\u00e3o espacial central e superior que ocupa na sala e tamb\u00e9m pelo pr\u00f3prio ambiente altivo que o cerca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda \u00e9 poss\u00edvel destacar os s\u00edmbolos do Estado e da democracia que s\u00e3o representados em bandeiras do pa\u00eds e do estado o qual o tribunal pertence, incutindo assim um senso de valores democr\u00e1ticos, refor\u00e7ando a ideia pr\u00e9-existente nos cidad\u00e3os de que a justi\u00e7a est\u00e1 sendo feita naquele local e de que os direitos constitucionais dos indiv\u00edduos l\u00e1 subjugados est\u00e3o sendo devidamente respeitados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base nisso, \u00e9 poss\u00edvel entender a import\u00e2ncia que os s\u00edmbolos e rituais possuem dentro de todo o sistema judicial, n\u00e3o podendo ser tratados de forma simplista, pois \u00e9 certo que possuem a capacidade de impactar e influenciar tanto o consciente quanto o subconsciente das pessoas e assim gerar consequ\u00eancias graves como influir diretamente no resultado de um julgamento ou outras de menor escala, como um mero constrangimento apenas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que o direito penal \u00e9 o ramo do direito que, atrav\u00e9s do violento poder de punir estatal, mais interfere na liberdade individual e que possui maior capacidade de gerar consequ\u00eancias desastrosas na vida de qualquer pessoa que responda a um processo criminal, independente de ser proferida ao final uma senten\u00e7a condenat\u00f3ria, vez que \u00e9 ineg\u00e1vel que o simples fato de ser imputado pela pr\u00e1tica de uma infra\u00e7\u00e3o penal j\u00e1 caracteriza uma estigmatiza\u00e7\u00e3o do sujeito perante a sociedade, seus familiares e amigos, que dir\u00e1 o cumprimento de uma pena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sendo assim, partindo-se da necessidade da efici\u00eancia e garantismo atrelados ao processo penal, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil enxergar a vis\u00e3o do Legislador Constituinte ao optar pela inclus\u00e3o de suas regras na Lei Maior do Estado brasileiro, a Constitui\u00e7\u00e3o Federal da Rep\u00fablica, j\u00e1 que esta fornece maior prote\u00e7\u00e3o a todos os acusados do que qualquer outra esp\u00e9cie legislativa, em raz\u00e3o de sua higidez e hierarquia no plano pol\u00edtico-jur\u00eddico, impedindo assim que venham a ser eventualmente afrontados por leis infraconstitucionais ou quaisquer outras manobras legislativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Constitui\u00e7\u00e3o encontram-se previstas uma diversidade de normas atinentes direta ou indiretamente ao processo penal. Algumas determinam apenas fundamentos sobre os quais ele deve ser constru\u00eddo e baseado, outras especificam regras gerais de direito material e processual que interessam ao processo penal e ainda temos diversas normas que abordam diretamente o conte\u00fado processual penal, todas servindo de corol\u00e1rio para a efetiva\u00e7\u00e3o de um processo criminal justo e democr\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante disto, nota-se a concep\u00e7\u00e3o moderna do processo penal brasileiro, que n\u00e3o se limita apenas \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o pura e simples do direito penal, mas tamb\u00e9m considerado como meio adequado de prote\u00e7\u00e3o das garantias e direitos individuais do acusado frente ao poderoso <em>ius puniendi <\/em>do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, podemos observar que a estrutura c\u00eanica das salas de audi\u00eancias, com a posi\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gio do \u00f3rg\u00e3o estatal acusador, que ocupa a tribuna mais alta ao lado direito do juiz em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 defesa, que se localiza em plano inferior, fere frontalmente o escopo garantista e de efetividade do processo criminal, na medida em que viola in\u00fameras garantias do acusado e ainda afronta o desejo social de um processo justo e democr\u00e1tico<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Analisando toda a simbologia existente dentro de uma sala de audi\u00eancia, deve ser considerado principalmente o valor simb\u00f3lico intr\u00ednseco a cada posi\u00e7\u00e3o ocupada por cada ator processual e o cotejamento entre a posi\u00e7\u00e3o espacial privilegiada do <em>Parquet<\/em> e as consequ\u00eancias que geram tanto para os atores processuais quanto para os que assistem ao ato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal simbolismo pode afetar diretamente o resultado final de uma demanda penal, principalmente no que se refere ao Tribunal do J\u00fari, que, por ser composto por jurados leigos que julgam por sua \u00edntima convic\u00e7\u00e3o, podem levar em considera\u00e7\u00e3o para a sua decis\u00e3o a proximidade entre acusador e julgador e, assim, melhor valorar os argumentos da acusa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desse modo, a disposi\u00e7\u00e3o do mobili\u00e1rio dentro das salas de audi\u00eancias tamb\u00e9m possui um significado pr\u00f3prio percebido atrav\u00e9s do simbolismo que cada posi\u00e7\u00e3o espacial possui, seja mais pr\u00f3xima ou mais afastada do julgador, seja em n\u00edvel superior ou n\u00e3o, sendo certo que n\u00e3o h\u00e1 qualquer car\u00e1ter aleat\u00f3rio na maneira em que s\u00e3o distribu\u00eddos pela sala.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 f\u00e1cil perceber que a fixa\u00e7\u00e3o da bancada do juiz no lugar central e sob um pedestal foi metricamente pensado a fim de simbolizar a sua autoridade na presid\u00eancia do ato, adquirindo ares quase que \u201cdivinos\u201d de forma intencional para determinar o futuro dos r\u00e9us que se encontram diante dele e em tablado de n\u00edvel inferior, o que caracteriza sua submiss\u00e3o \u00e0 decis\u00e3o que ser\u00e1 proferida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em contraste, a sociedade representada pelo p\u00fablico em geral se localiza nas extremidades da sala, distantes ao que se passa na audi\u00eancia da mesma forma que est\u00e3o alheias ao processo, caracterizando o baix\u00edssimo poder de influir no resultado final da demanda, mas tamb\u00e9m simbolizando uma autoridade moral externa, observando e fiscalizando de longe a efetiva\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, podendo agir, em tese, caso esta n\u00e3o seja feita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seguindo esta mesma linha de racioc\u00ednio, as partes do processo penal -acusa\u00e7\u00e3o e defesa- representadas, em regra, respectivamente pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico e pela Defensoria P\u00fablica ou profissional habilitado pela OAB, deveriam estar posicionadas em um mesmo local, j\u00e1 que possuem a mesma representatividade dentro do processo, a mesma qualifica\u00e7\u00e3o jur\u00eddica de parte processual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, n\u00e3o \u00e9 isto que ocorre nos espa\u00e7os judiciais brasileiros onde se realizam as audi\u00eancias criminais. Apesar de ser parte assim como a defesa, o membro do MP ocupa posi\u00e7\u00e3o diferenciada, destacada da defesa, imediatamente ao lado do julgador, conferindo assim a esta posi\u00e7\u00e3o espacial um simbolismo diferente do que deveria ter, conduzindo a interpreta\u00e7\u00f5es erradas sobre sua verdadeira qualifica\u00e7\u00e3o no processo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao observador se transmite uma impress\u00e3o de proximidade e at\u00e9 de identidade entre o acusador e o julgador, o que certamente enseja uma confus\u00e3o entre as atribui\u00e7\u00f5es de cada institui\u00e7\u00e3o, interferindo assim, mesmo que apenas de forma aparente, na imparcialidade do julgamento para os que a ele assistem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na estrutura c\u00eanica de toda sala de audi\u00eancias e tribunais, quando se coloca o julgador ao centro e acima de todos os demais, importa ao senso comum uma representa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 naquele espa\u00e7o judicial cargo mais alto e mais repleto de justi\u00e7a, certeza e corre\u00e7\u00e3o para a aplica\u00e7\u00e3o da lei no caso concreto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E justamente quando se coloca o membro do Minist\u00e9rio P\u00fablico, que figura como \u00f3rg\u00e3o acusador no processo penal, imediatamente ao lado direito do julgador, sem nenhuma barreira f\u00edsica entre ambos, tal posi\u00e7\u00e3o acaba por transmitir a seu favor, para todos aqueles presentes na sala, todo o poder -simb\u00f3lico ou n\u00e3o- que decorre desta proximidade com a figura do magistrado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No parecer oferecido pelo brilhante constitucionalista Jos\u00e9 Afonso da Silva \u00e0 Ordem dos Advogados do Brasil, ele, em um tom ir\u00f4nico, fez uma inusitada compara\u00e7\u00e3o entre a prerrogativa de assento dos integrantes do Minist\u00e9rio P\u00fablico com o simbolismo da religi\u00e3o cat\u00f3lica, o qual prega que \u201caquele que sentar-se ao lado direito de Deus Pai Todo-Poderoso subir\u00e1 aos c\u00e9us.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um Estado em que o processo penal \u00e9 marcado pela adversariedade entre as partes, que est\u00e1 diretamente relacionado ao direito ao confronto, constitui-se um verdadeiro corol\u00e1rio do modelo acusat\u00f3rio a paridade de armas em seu sentido formal e material, no qual as partes advers\u00e1rias devem ter as mesmas condi\u00e7\u00f5es e instrumentos para buscar o convencimento do juiz, o que inclui necessariamente o vi\u00e9s simb\u00f3lico de tais \u201carmas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em obra dedicada ao sistema adversarial, Diogo Malan sustenta:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(&#8230;) a passividade do \u00f3rg\u00e3o julgador ate o final da contenda \u00e9 considerada imprescind\u00edvel, do ponto de vista endoprocessual para assegurar a neutralidade, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vers\u00f5es f\u00e1ticas apresentadas pelo acusador e pelo defensor. (&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ademais disso, tais atributos de neutralidade e passividade tamb\u00e9m s\u00e3o considerados importantes na perspectiva extraprocessual, pois a confian\u00e7a da sociedade na legitimidade do sistema processual depende da percep\u00e7\u00e3o deste \u00faltimo como algo confi\u00e1vel e justo, o que pressup\u00f5e a neutralidade do \u00f3rg\u00e3o julgador (MALAN, Diogo. <em>Direito ao confronto no Processo Penal.<\/em> Ed. Lumen Juris, Rio de Janeiro, 2009, p. 19).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta composi\u00e7\u00e3o c\u00eanica desigual interfere diretamente no sistema acusat\u00f3rio ao diferenciar o lugar das partes, impedindo que o sistema adversarial funcione como deveria. Uma parte estando distante e em local inferiorizado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 outra parte impede consideravelmente o confronto igualit\u00e1rio que deve ser travado entre acusa\u00e7\u00e3o e defesa perante o juiz, que \u00e9 o \u201c\u00e1rbitro\u201d neutro que ir\u00e1 decidir a demanda, encontrando-se acima e equidistante de ambas, demonstrando sua posi\u00e7\u00e3o de sujeito desinteressado no caso penal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todavia, com a acusa\u00e7\u00e3o ocupando local destacado ao lado do juiz, caem por terra tais princ\u00edpios da acusatoriedade, como a adversarialidade, a paridade de armas e o tratamento igualit\u00e1rio, e, por via de consequ\u00eancia, prejudica a defesa ao serem afrontados no seu direito constitucional de contradit\u00f3rio e ampla defesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme argumentou o Conselho Federal da OAB na A\u00e7\u00e3o Direta:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trata-se, portanto, de uma arquitetura\/modelo que gera constrangimento funcional, pois ela dissimula a real posi\u00e7\u00e3o que devem ostentar as partes em um processo conduzido pelos princ\u00edpios e regras do Estado Democr\u00e1tico de Direito. Ou seja, perante a testemunha, o perito, o acusado e qualquer outro participante da rela\u00e7\u00e3o processual, o mobili\u00e1rio comp\u00f5e a imagem de duas autoridades de igual hierarquia [o juiz e o Minist\u00e9rio P\u00fablico]. (ADI n\u00ba4678. Rel. Min. Carmen L\u00facia).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora <em>a priori<\/em> a disposi\u00e7\u00e3o da c\u00e1tedra atual n\u00e3o transpare\u00e7a os empecilhos e preju\u00edzos que causa \u00e0 defesa t\u00e9cnica, impende-se dela uma forma de comunica\u00e7\u00e3o que \u00e9 recebida pelo juiz, pelas partes e pela popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A proximidade destes dois atores processuais, uma vez que ambos representam o Estado, somados \u00e0s inevit\u00e1veis conversas ao \u201cp\u00e9-de-ouvido\u201d incitadas pela pr\u00f3pria intimidade do conv\u00edvio di\u00e1rio traz a impress\u00e3o- e apenas impress\u00e3o- de que haveria uma parcialidade do julgador, que estaria desde j\u00e1 pr\u00e9-disposto a aceitar os argumentos sustentados pela parte com quem tem maior afinidade aparentemente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na li\u00e7\u00e3o de Cl\u00e1udia Aguiar Silva Britto, baseada nos ensinamentos de Habermas e sua Teoria do Agir Comunicativo:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u201cguerra\u201d processual que se vivencia em \u00e2mbito judicial penal est\u00e1 muito longe de ser estabelecida como o ambiente democr\u00e1tico (&#8230;).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Certamente, a \u201cbeliger\u00e2ncia\u201d processual inicialmente representada pela estrutura f\u00edsica de car\u00e1ter dominat\u00f3rio das salas de audi\u00eancias, onde a rela\u00e7\u00e3o triangular se escamoteia diante do paralelismo c\u00eanico, por\u00e9m real, entre Estado-juiz e Estado-acusa\u00e7\u00e3o, alcan\u00e7a at\u00e9 mesmo o comportamento, as atitudes de linguagem manifestadas pelos representantes dos \u00f3rg\u00e3os do Estado. A pr\u00e1xis cotidiana penal parece ser diametralmente oposta \u00e0 lei, em boa parte, dos casos criminais. (BRITTO, Cl\u00e1udia Aguiar Silva. <em>Processo Penal Comunicativo: uma abordagem habermasiana para o processo penal<\/em>, p. 11).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cumpre ressaltar que se trata apenas de impress\u00e3o que chega aos observadores, posto que n\u00e3o se pretende aqui colocar sob d\u00favidas a seriedade e a responsabilidade com que os julgadores e os membros do Minist\u00e9rio P\u00fablico realizam suas atribui\u00e7\u00f5es legais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, apesar de ser apenas uma mera impress\u00e3o, ainda assim gera preju\u00edzos \u00e0 defesa e ao acusado, que diante dos demais est\u00e3o colocados em posi\u00e7\u00e3o inferior, passando tamb\u00e9m a impress\u00e3o de que seus argumentos levantados durante a audi\u00eancia ter\u00e3o menor valor no sopesamento com os argumentos apresentados pela acusa\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o deixa de ser um \u201cconstrangimento funcional\u201d, como afirma a OAB.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda mais enf\u00e1tica, Maria L\u00facia Karam afirma que o tratamento privilegiado conferido ao MP dentro dos tribunais nada mais \u00e9 do que uma \u201cviol\u00eancia simb\u00f3lica\u201d (CASARA, Rubens R. R; KARAM, Maria L\u00facia. <em>A redefini\u00e7\u00e3o c\u00eanica&#8230;<\/em> ob. cit., p. 1) contra a fun\u00e7\u00e3o daqueles que exercem a defesa do imputado, notadamente a Defensoria P\u00fablica e a advocacia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Disp\u00f5e o parecer do Instituto Brasileiro de Ci\u00eancias Criminais um estudo sobre o tema, no qual chega a comparar a desigualdade no tratamento das partes dentro do processo penal \u00e0 luta de gladiadores na Roma antiga, na qual um deles luta armado e protegido por uma armadura enquanto o outro, completamente desprotegido, ingressa na disputa apenas com uma rede e uma faca (TRESCHEL, <em>Stephan. Human rights in criminal proceedings,<\/em> 2005).<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante do paradoxo que se extrai do processo penal atual, que est\u00e1 sempre dividido entre efetivar a justi\u00e7a para garantir a paz social e ainda garantir os direitos individuais do acusado, o processo deve servir como instrumento social e democr\u00e1tico para a efetiva\u00e7\u00e3o da tutela jurisdicional do Estado, em constante conformidade com as normas constitucionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora previsto em lei, tal privil\u00e9gio do \u00f3rg\u00e3o acusador, quando contraposto com a nova concep\u00e7\u00e3o do processo penal p\u00e1trio, erguida sob a \u00e9gide do contradit\u00f3rio e do devido processo, n\u00e3o merece permanecer resistindo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como sustenta Adriano Antunes Damasceno<a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a>, \u201cno Brasil h\u00e1 pr\u00e1ticas e ritos do cen\u00e1rio jur\u00eddico que adquirem o manto de sagrado e seguem avessos a cr\u00edticas ao longo do tempo\u201d. E \u00e9 isto que ocorre com o tratamento privilegiado dispensado ao MP mesmo quando n\u00e3o atua com a imparcialidade de um fiscal da lei: transformou-se em um mito, que sempre esteve presente no \u00e2mbito jur\u00eddico e, portanto, inquestion\u00e1vel para muitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil -OAB- ingressou, em abril de 2012, com A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade perante o STF em face da C\u00e2mara dos Deputados, Senado Federal e Presidente da Rep\u00fablica buscando a inconstitucionalidade dos mesmos dispositivos, que fora distribu\u00edda por preven\u00e7\u00e3o \u00e0 Ministra Carmen L\u00facia e se encontra pendente de julgamento at\u00e9 o presente momento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A OAB exp\u00f5e a tradi\u00e7\u00e3o jur\u00eddica penal autorit\u00e1ria reiterada pelo CPP a fim de enfatizar seus argumentos sobre a inconstitucionalidade requerida na ADI:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A quest\u00e3o, portanto, mais se relaciona com a tradi\u00e7\u00e3o jur\u00eddica nacional, resultante de per\u00edodos de exce\u00e7\u00e3o em que a atua\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico n\u00e3o se compadecia com o regime republicano e a necessidade de tratamento ison\u00f4mico das partes na estrutura c\u00eanica judici\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ou seja, a origem desse modelo de c\u00e1tedra (&#8230;) funda-se na estrutura patriarcal e na ideologia de castas entranhadas na hist\u00f3ria brasileira, que durante muito tempo permitiu a manuten\u00e7\u00e3o de tratamentos privilegiados que n\u00e3o s\u00e3o, em grande parte dos casos, visualizados como tais. (ADI n\u00ba 4768. Rel. Min. Carmen L\u00facia).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nota-se que a sociedade brasileira ainda caminha a passos curtos em dire\u00e7\u00e3o a um maior grau de civilidade, tendo em vista os in\u00fameros abusos e preconceitos que nos deparamos na pr\u00e1tica da advocacia criminal e a prerrogativa de assento do MP est\u00e1 a\u00ed para que n\u00e3o nos esque\u00e7amos disto, dentre outros exemplos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na li\u00e7\u00e3o de Jacinto Nelson de Miranda Coutinho:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se a salvaguarda dos direitos e garantias individuais no processo penal \u00e9 o melhor crit\u00e9rio pelo qual se pode medir o grau de civilidade de um povo, mais cuidado se pede ao se reformar aquele que talvez seja, dentre todos os ramos do direito, o que maior impacto exerce sobre a vida humana e especialmente sobre aquela vitimada pela desigualdade no acesso \u00e0s condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de vida. (COUTINHO, Jacinto Nelson de Miranda. <em>Um devido processo legal (constitucional) \u00e9 incompat\u00edvel com o Sistema do CPP, de todo inquisitorial.<\/em> In: Processo Penal e Democracia, estudos em homenagem aos 20 anos da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de 1988. PRADO, Geraldo; MALAN, Diodo (coords.). Ed. Lumen Juris, Rio de Janeiro, 2009)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Percebe-se uma temer\u00e1ria tend\u00eancia pol\u00edtico-social de conferir novas e supostas interpreta\u00e7\u00f5es da Constitui\u00e7\u00e3o em prol da sociedade, substituindo os ideais liberais e individualistas dos direitos fundamentais pelos direitos sociais, na tentativa de minimizar ou at\u00e9 extinguir os direitos do acusado em prol dos interesses supostamente pacifistas de uma \u201csociedade de risco\u201d, que busca quase sempre por uma condena\u00e7\u00e3o como forma de solucionar o problema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ressalta Geraldo Prado que \u201c\u00e9 preciso questionar, colocar sob d\u00favida o estado de normalidade que parece imperar, perquirir a raz\u00e3o de ser das coisas para, se necess\u00e1rio, transform\u00e1-las\u201d (PRADO, Geraldo. <em>Sistema Acusat\u00f3rio: a conformidade constitucional das leis processuais penais, <\/em>2001, p. 23), principalmente diante do momento atual em que vivemos, cuja expans\u00e3o do poder punitivo se estimula pelos clamores de seguran\u00e7a de grande parte da sociedade brasileira, que possui a errada vis\u00e3o de que a op\u00e7\u00e3o repressiva e o rigor do direito penal s\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o contra a eleva\u00e7\u00e3o dos \u00edndices de criminalidade do pa\u00eds, uma falsa mas perene cren\u00e7a de que se melhora com mais pena, pris\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um Sistema Penal que historicamente tem sido \u201cforte com os fracos e fraco com os fortes\u201d, na qual a imposi\u00e7\u00e3o de uma pena a um suposto autor do crime opera como uma esp\u00e9cie de absolvi\u00e7\u00e3o aos demais autointitulados \u201ccidad\u00e3os do bem\u201d, nota-se a forte necessidade de uma reafirma\u00e7\u00e3o da efetividade de qualquer direito de defesa do r\u00e9u- ainda que \u201cirrelevante\u201d para alguns- em busca do reequil\u00edbrio entre as partes e, consequentemente, de um processo igualit\u00e1rio em que todos possuam as mesmas oportunidades e instrumentos na defesa de seus interesses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atento aos problemas do processo penal em todo mundo, h\u00e1 muito tempo atr\u00e1s j\u00e1 questionava Francesco Carnelutti que \u201cconsiderar o homem como uma coisa: pode-se ter uma forma mais expressiva de incivilidade? Mas \u00e9 aquilo que acontece, infelizmente, nove entre dez vezes no processo penal.\u201d (FELDENS, Luciano. <em>Minist\u00e9rio P\u00fablico: entre Legitimidade Jur\u00eddica e Legitimidade Pol\u00edtica<\/em>. In: PRADO, Geraldo; MALAN, Diogo (coords.). <em>Processo penal e Democracia: Estudos em homenagem aos 20 anos da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de 1988, <\/em>2009).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Defender os direitos do acusado significa necessariamente defender os direitos de cada indiv\u00edduo da sociedade e o cumprimento da lei n\u00e3o se faz apenas atrav\u00e9s de acusa\u00e7\u00f5es e a obten\u00e7\u00e3o de condena\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m pela fiscaliza\u00e7\u00e3o e a garantia ao respeito dos direitos fundamentais garantidos expressamente na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Logo, quando se reivindica a aplica\u00e7\u00e3o efetiva de todos direitos e garantias constitucionais do acusado e a observ\u00e2ncia do sistema acusat\u00f3rio em todo o processo penal, se pressup\u00f5e que este seja norteado pelas bases do contradit\u00f3rio e da mais ampla defesa, sempre privilegiando a liberdade individual em detrimento do encarceramento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As balizas constitucionais que delimitam a atua\u00e7\u00e3o do poder estatal punitivo foram insistentemente tra\u00e7adas a fim de que a partir delas se extra\u00edsse a fun\u00e7\u00e3o de efici\u00eancia e garantia do processo penal, sendo certo que qualquer \u00f3bice \u00e0 defesa do acusado deve ser incansavelmente combatida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em raz\u00e3o disto, n\u00e3o mais se pode aceitar que o processo seja utilizado como uma \u201carma\u201d contra as minorias marginalizadas que respondem a um procedimento criminal, j\u00e1 que se constatou que o direito a um processo justo e igualit\u00e1rio \u00e9 pressuposto de um Estado de Democr\u00e1tico de Direito a qual pertencemos desde 1988 gra\u00e7as a um tortuoso, por\u00e9m vitorioso clamor social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de o layout dos espa\u00e7os judiciais terem se originado no per\u00edodo de exce\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro, no qual vigorava uma estrutura patriarcal que estabelecia, de forma autorit\u00e1ria e discriminat\u00f3ria, posi\u00e7\u00e3o superior ao \u00f3rg\u00e3o acusador estatal, ficou claro que este modelo n\u00e3o mais se ad\u00e9qua a atual conjuntura estatal, como j\u00e1 visto, havendo real necessidade de sua reestrutura\u00e7\u00e3o, uma readequa\u00e7\u00e3o \u00e0 luz dos preceitos constitucionais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma verdadeira redemocratiza\u00e7\u00e3o das salas de audi\u00eancias e de sess\u00f5es de julgamentos de todo o pa\u00eds \u00e9 imprescind\u00edvel para que passem a existir sob a \u00e9gide do valor fundamental da rep\u00fablica, a dignidade da pessoa humana, no qual a prote\u00e7\u00e3o dos direitos do imputado valha, tanto para o Estado quanto para a sociedade, mais do que uma condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Certo \u00e9 que tais avan\u00e7os n\u00e3o ser\u00e3o obtidos apenas com a redefini\u00e7\u00e3o c\u00eanica das salas de audi\u00eancias, haja vista que o processo penal brasileiro padece de in\u00fameros outros problemas cr\u00f4nicos e estruturais que colocam em maiores riscos a liberdade individual do imputado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, a guerra somente \u00e9 vencida atrav\u00e9s da conquista de batalhas menores, uma por vez. E esta talvez seja uma batalha \u00ednfima perto de toda a guerra que se tem pela frente, mas que nem por isso merece desconsidera\u00e7\u00e3o, como j\u00e1 ficou bem comprovado em toda a exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Logo, devem ser abolidas de uma vez por todas qualquer tratamento privilegiado de uma parte em detrimento da outra n\u00e3o s\u00f3 dentro do processo como tamb\u00e9m nos espa\u00e7os judiciais, posto que a condi\u00e7\u00e3o de parte \u00e9 igual para todos e assim est\u00e3o sob o mesmo degrau na escala hier\u00e1rquica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Qualquer tratamento privilegiado no processo penal somente deve ser admiss\u00edvel, de forma excepcional, nos casos em que seja para preponderar a tutela da liberdade individual do acusado e assim compensar o desequil\u00edbrio real que existe entre o r\u00e9u e o agigantado \u00f3rg\u00e3o estatal acusador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A resist\u00eancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico \u00e0 necess\u00e1ria redefini\u00e7\u00e3o c\u00eanica, n\u00e3o abrindo m\u00e3o de sua posi\u00e7\u00e3o de superioridade, importa em descumprir os mandamentos constitucionais a ele conferidos, de defesa da ordem jur\u00eddica e social, j\u00e1 que o cumprimento de tais mandamentos exige uma defesa ativa da efetiva\u00e7\u00e3o da cl\u00e1usula do devido processo legal, o que \u00e9 flagrantemente violado por sua prerrogativa de assento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ficou demonstrado que as formas, signos e s\u00edmbolos est\u00e3o sempre atrelados a significados concretos e a consequ\u00eancias reais dentro do processo penal, por isso necessitam serem repensados sob a \u00f3tica do modelo acusat\u00f3rio adotado na Lei Maior, de forma que tais s\u00edmbolos judiciais existam para proteger o imputado da viola\u00e7\u00e3o de seus princ\u00edpios constitucionais e jamais para refor\u00e7ar tais viola\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de ainda serem poucos os pronunciamentos judiciais e da aparente falta de interesse dos Tribunais Superiores em se debru\u00e7arem sobre o tema, existem algumas decis\u00f5es que corroboram a tese aqui sustentada, que foram alvo de muita repercuss\u00e3o no meio jur\u00eddico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O magistrado carioca Andr\u00e9 Luiz Nicolitt, nos autos do processo n. 2003.005.000056-7 negou validade aos dispositivos que preveem a prerrogativa de assento do MP quando este atuar em processo criminal, com o fundamento na paridade de armas, isonomia e tamb\u00e9m na teoria do agir comunicativo de Habermas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existe ainda Reclama\u00e7\u00e3o perante o STF, ajuizada pelo juiz federal Ali Mazloum da 7\u00aa Vara Criminal Federal do Estado de S\u00e3o Paulo, que alterou a disposi\u00e7\u00e3o de sua sala a pedido da Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o, o que foi alvo de Mandado de Seguran\u00e7a impetrado pelos Procuradores da Rep\u00fablica locais, no qual foi concedida liminar suspendendo os efeitos da decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta Reclama\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m fora distribu\u00edda por preven\u00e7\u00e3o \u00e0 Ministra Carmem L\u00facia e ainda pendente de julgamento, o magistrado requer que o Supremo acolha as mudan\u00e7as realizadas em sua sala de audi\u00eancia bem como que seja adotado tal modelo de c\u00e1tedra para todo o pa\u00eds, \u201ccom vistas a assegurar a paridade de tratamento entre acusa\u00e7\u00e3o e defesa durante as audi\u00eancias criminais\u201d (Reclama\u00e7\u00e3o n. 12.011. Rel. Ministra Carmen L\u00facia).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel abordar tal tema sem prestigiar o conhecido e festejado parecer (PELLEGRINI, Ada. <em>O processo em evolu\u00e7\u00e3o, <\/em>p. 317) da ilustre processualista paulista Ada Pellegrini -cujo alguns trechos j\u00e1 foram aqui citados-, elaborado em resposta \u00e0 consulta de alguns ju\u00edzes-auditores da Justi\u00e7a Militar Federal sobre a quest\u00e3o, no qual a doutrinadora condena categoricamente a postura coorporativa do MP, que utiliza fracos argumentos na defesa de sua prerrogativa em detrimento da pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o, classificando como \u201clament\u00e1vel, at\u00e9 rid\u00edculo\u201d tal posicionamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O STF tamb\u00e9m j\u00e1 teve a oportunidade de decidir sobre o tema em um recurso julgado em 1994, o qual teve como relatoria do Ministro Marco Aur\u00e9lio, que proferiu voto contr\u00e1rio \u00e0 prerrogativa, com o seguinte teor:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MANDADO DE SEGURAN\u00c7A &#8211; OBJETO &#8211; DIREITO SUBJETIVO &#8211; PRERROGATIVA DA MAGISTRATURA. Tem-no os integrantes da magistratura frente a ato que, em \u00faltima analise, implique o afastamento de aspecto revelador da equidistancia, consideradas as partes do processo, como e o caso da cis\u00e3o da bancada de julgamento, para dar lugar aquele que atue em nome do Estado-acusador. DEVIDO PROCESSO LEGAL &#8211; PARTES &#8211; MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO E DEFESA &#8211; PARIDADE DE ARMAS. Acusa\u00e7\u00e3o e defesa devem estar em igualdade de condi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o sendo agasalhavel, constitucionalmente, interpreta\u00e7\u00e3o de normas reveladoras da ordem jur\u00eddica que desague em tratamento preferencial. A &#8220;par condicio&#8221; e inerente ao devido processo legal (ADA PELLEGRINI GRINOVER). JUSTI\u00c7A MILITAR &#8211; CONSELHO DE JUSTI\u00c7A &#8211; BANCADA &#8211; COMPOSI\u00c7\u00c3O &#8211; C\u00d3DIGO DE PROCESSO PENAL MILITAR &#8211; ESTATUTO DO MINIST\u00c9RIO P\u00daBLICO. A Lei Complementar n. 75\/93, reveladora do Estatuto do Minist\u00e9rio P\u00fablico, n\u00e3o derrogou os artigos 400 e 401 do C\u00f3digo de Processo Penal Militar no que disp\u00f5em sobre a unicidade, nos Conselhos de Justi\u00e7a, da bancada julgadora e reserva de lugares pr\u00f3prios e equivalentes a acusa\u00e7\u00e3o e a defesa. Abandono da interpreta\u00e7\u00e3o gramatical e linear da al\u00ednea &#8220;a&#8221; do inciso I do artigo 18 da Lei Complementar n. 75\/93, quanto a prerrogativa do membro Minist\u00e9rio P\u00fablico da Uni\u00e3o de sentar-se no mesmo plano e imediatamente a direita dos ju\u00edzes singulares ou presidentes de \u00f3rg\u00e3os judici\u00e1rios. Empr\u00e9stimo de sentido compat\u00edvel com os contornos do devido processo legal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(RMS 21884, Relator(a): Min. MARCO AUR\u00c9LIO, Segunda Turma, julgado em 17\/05\/1994, DJ 25-11-1994 PP-32302 EMENT VOL-01768-01 PP-00099).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">(Grifos nossos)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de esparsas, estas decis\u00f5es judiciais reiteram o mesmo entendimento, ressaltando que os dispositivos legais que concedem prerrogativa de assento ao \u00f3rg\u00e3o ministerial dentro do processo penal n\u00e3o merecem prosperar, padecendo de uma expl\u00edcita inconstitucionalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tais decis\u00f5es tamb\u00e9m serviram de base para a fundamenta\u00e7\u00e3o da ADI ajuizada perante o STF pela OAB, a qual se espera que o pronunciamento final da Corte seja no sentido de declarar a inconstitucionalidade dos dispositivos e, assim, por fim h\u00e1 pelo menos uma, dentre in\u00fameras disposi\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias ao r\u00e9u dentro do processo penal brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A compreens\u00e3o c\u00eanica das salas de audi\u00eancias n\u00e3o pode ser visualizada sob a \u00f3tica carreirista, de maneira que o imputado seja a figura de menor import\u00e2ncia dentro da sala. O processo penal e todos os direitos e garantias que o acompanham possuem sua exist\u00eancia atreladas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o do acusado e esta jamais deve ser olvidada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como bem salientado pelo maestral penalista Juarez Cirino em recente palestra<a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a> em homenagem aos mestres Nilo Batista e Vera Malaguti, \u201co sistema penal brasileiro n\u00e3o passa de uma m\u00e1quina de moer gente\u201d e, sendo assim, este trabalho passa a ser uma singela contribui\u00e7\u00e3o na tentativa de abrandar a moedura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">5.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 REFER\u00caNCIAS<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BADAR\u00d3, Gustavo Henrique. <strong>Direito ao julgamento por juiz imparcial: como assegurar a imparcialidade objetiva do juiz nos sistemas em que n\u00e3o h\u00e1 a fun\u00e7\u00e3o do juiz de garantias.<\/strong> In: BONATO, Gilson (org.). Processo Penal, Constitui\u00e7\u00e3o e Cr\u00edtica. Rio de Janeiro, Lumen Juris, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BATISTA, Nilo. <strong>Introdu\u00e7\u00e3o cr\u00edtica ao direito penal brasileiro<\/strong><em>.<\/em> Rio de Janeiro: Revan, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BONATO, Gilson. <strong>Devido Processo Legal e Garantias Processuais Penais<\/strong><em>.<\/em> Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2003.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BOUDIEU, Pierre. <strong>O Poder Simb\u00f3lico. <\/strong>Rio de Janeiro: Bertrand Brasil S.A, 1989.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL, Supremo Tribunal Federal<em>. <\/em>ADI n. 4768, Relatora Ministra Carmen L\u00facia, 2012. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.stf.jus.br\/portal\/peticaoInicial\/verPeticaoInicial.asp?base=ADIN&amp;s1=4768&amp;processo=4768&gt;. Acesso em: 05 de Janeiro de 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRITTO, Cl\u00e1udia Aguiar.&nbsp; <strong>Processo Penal Comunicativo: uma abordagem habermasiana para o processo penal.<\/strong> Dispon\u00edvel em: &lt;www.publicadireito.com.br\/artigos\/?cod=4558dbb6f6f8bb2e\u200e&gt;. Acessado em: 26\/04\/2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CARNELUTTI, Francesco. <strong>As mis\u00e9rias do processo penal<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Bookseller, 2006.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CASARA, Rubens R. R. <strong>A imparcialidade do Minist\u00e9rio P\u00fablico no Processo Penal brasileiro: um mito a ser desvelado<\/strong>. In: BONATO, Gilson (org.). <em>Processo Penal, Constitui\u00e7\u00e3o e Cr\u00edtica<\/em>. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CASARA, Rubens R. R.; KARAM, Maria L\u00facia. <strong>Redefini\u00e7\u00e3o c\u00eanica das salas de audi\u00eancias e de sess\u00f5es nos tribunais. <\/strong>Revista de Estudos Criminais n. 19, Jul.\/Set. 2005.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CHOUKR, Fauzi Hassan. <strong>O juiz de garantias na reforma do C\u00f3digo de Processo Penal.<\/strong> In: BONATO, Gilson (org.). <em>Processo Penal, Constitui\u00e7\u00e3o e Cr\u00edtica<\/em>. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">COGAN, Luiz A. Cyrilo. <strong>Processo Penal Constitucional: uma an\u00e1lise principiol\u00f3gica.<\/strong> Dispon\u00edvel em: &lt;www.epm.tjsp.jus.br\/ArtigosView.aspx?ID=2879&gt;. Acesso em: 23 de Mar\u00e7o de 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">COUTINHO, Jacinto Nelson. <strong>Um devido processo legal (constitucional) \u00e9 incompat\u00edvel com o sistema do CPP, de todo inquisitorial<\/strong>. In: PRADO, Geraldo; MALAN, Diogo Rudge (coords.). &nbsp;<em>Processo Penal e Democracia: estudos em homenagem aos 20 anos da Constitui\u00e7\u00e3o da Re\u00fablica de 1988<\/em>. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DAMASCENO, Adriano Antunes. <strong>A compreens\u00e3o c\u00eanica da audi\u00eacia de instru\u00e7\u00e3o e julgamento criminal no Brasil.<\/strong> Dispon\u00edvel em: &lt; http:\/\/www.anadep.org.br\/wtksite\/cms\/conteudo\/13130\/ADRIANO_ANTUNES_DAMASCENO.pdf &gt;. Acesso em: 28 de Fevereiro de 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FELDENS, Luciano. <strong>Mninst\u00e9rio P\u00fablico, Processo Penal e Democracia: Identidade e desafios<\/strong>. In: PRADO, Geraldo; MALAN, Diogo Rudge (coords.). <em>Processo Penal e Democracia: estudos em homenagem aos 20 anos da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de 1988<\/em>. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FERNANDES, Ant\u00f4nio Scarance. <strong>Processo penal constitucional<\/strong><em>.<\/em> S\u00e3o Paulo: Revista dos Tribunais, 1999.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FERNANDES, Ant\u00f4nio Scarance. <strong>Vinte anos de Constitui\u00e7\u00e3o e o Processo Penal<\/strong>. In: PRADO, Geraldo; MALAN, Diogo Rudge (coords.). <em>Processo Penal e Democracia: estudos em homenagem aos 20 anos da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de 1988<\/em>. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FERRAJOLI, Luigi. <strong>Direito e raz\u00e3o: teoria do garantismo penal<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Ana Paula Zomer, Fauzi Hassan Choukr, Juarez Tavarez e Luiz Fl\u00e1vio Gomes. S\u00e3o Paulo: Revista dos Tribunais, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GRINOVER, Ada Pellegrini. <strong>Novas tend\u00eancias do direito processual<\/strong><em>.<\/em> Rio de Janeiro: Forense Universit\u00e1ria, 1990.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GRINOVER, Ada Pellegrini. <strong>O processo em evolu\u00e7\u00e3o<\/strong><em>.<\/em> Rio de Janeiro: Forense Universit\u00e1ria, 1998.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GRINOVER, Ada Pellegrini; FERNANDES, Ant\u00f4nio Scarance; GOMES FILHO, Ant\u00f4nio. <strong>As nulidades do processo Penal<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Malheiros, 1994.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">HANSON, Ashley. <strong>Scales of Justice<\/strong>. <em>SVSU.<\/em> 2010. Dispon\u00edvel em: &lt;www.svsu.edu\/media\/writingcenter\/Hanson_01.pdf\u200e&gt;. Acesso em: 03 de Abril de 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">INSTITUTO BRASILEIRO DE CI\u00caNCIAS CRIMINAIS (IBCCRIM). Memorial ADI n. 4768. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.ibccrim.org.br\/docs\/amicus_curiae\/ADI_n._4768_Concepcao_cenica_em_salas_de_audiencia_criminal-Memorial.pdf&gt;. Acesso em: 12 de Fevereiro de 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">INSTITUTO LIA PIRES. <strong>Estudo para elabora\u00e7\u00e3o de proposta de conclus\u00e3o<\/strong><em>.<\/em> Dispon\u00edvel em: &lt;www.conjur.com.br\/dl\/estudo-instituto-lia-pires-paridade.pdf\u200e &gt;. Acesso em: 12 de Fevereiro de 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">KARAM, Maria L\u00facia. <strong>O direito \u00e0 defesa e \u00e0 paridade de armas<\/strong>. In: PRADO, Geraldo; MALAN, Diogo Rudge (coords.). <em>Processo Penal e Democracia: estudos em homenagem aos 20 anos da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988<\/em>. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LOPES JR., Aury. <strong>Direito processual penal e sua conformidade constitucional<\/strong>. Rio de Janeiro: Lumen Juris 2007.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MALAN, Diogo. <strong>Direito ao confronto no processo penal<\/strong><em>.<\/em> Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MARQUES, Jos\u00e9 Frederico. <strong>Elementos do direito processual penal<\/strong><em>.<\/em> Campinas: Millenium, 2000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOREIRA, Barbosa. <strong>Temas de Direito Processual<\/strong><em>.<\/em> S\u00e3o Paulo: Saraiva, 1984.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PRADO, Geraldo. <strong>Sistema Acusat\u00f3rio: a conformidade constitucional das leis processuais penais.<\/strong> Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2001.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RAMOS, Jos\u00e9 Saulo Pereira. <strong>Os arquivos da ditadura guardam segredos inc\u00f4modos para o MP<\/strong>. Em: &lt;http:\/\/www.conjur.com.br\/2005-jan-19\/abrirem_arquivos_maior_surpesa_mp&gt;.&nbsp; Acesso em: 22 de Abril de 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SARMENTO, Daniel. <strong>A pondera\u00e7\u00e3o de interesses na Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/strong><em>.<\/em> Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">STRECK, L\u00eanio. <strong>A concep\u00e7\u00e3o c\u00eanica das salas de audi\u00eancias e o problema dos paradoxos. <\/strong>Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/enk.com.br\/lenio\/artigos\/&gt;. Acesso em: 14 de Fevereiro de 2014.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">TORNAGHI, H\u00e9lio. <strong>A Rela\u00e7\u00e3o Processual Penal<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 1987.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">TOURINHO FILHO, Fernando da Costa.\u00a0<strong>Manual de processo penal<\/strong>.\u00a013\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">TUCCI, Rog\u00e9rio Lauria. <strong>Direitos e garantias individuais no processo penal brasileiro<\/strong><em>.<\/em> S\u00e3o Paulo: Revista dos Tribunais, 2004.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Karine Azevedo Egypto Rosa, graduada em Direito, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro- UFRJ, p\u00f3s-graduada pela Universidade Candido Mendes em Direito Penal e Processual Penal e aprovada nos concursos para defensor p\u00fablico na Defensoria P\u00fablica do Estado do Mato Grosso e Defensoria P\u00fablica do Estado da Bahia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Para maiores esclarecimentos sobre a seletividade do sistema penal brasileiro, ler BATISTA, Nilo. <em>Introdu\u00e7\u00e3o Cr\u00edtica ao Direito Penal brasileiro.<\/em> Ed. Revan, Rio de Janeiro, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Estudo para elabora\u00e7\u00e3o de proposta de conclus\u00e3o, realizado no ano de 2011 pelo Instituto Lia Pires a pedido da OAB\/RS, sobre a disposi\u00e7\u00e3o das partes nas salas de audi\u00eancia, dando especial \u00eanfase na disposi\u00e7\u00e3o c\u00eanica do sal\u00e3o do Tribunal do J\u00fari, com propostas para a redistribui\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> DAMASCENO, Adriano Antunes. <em>A compreens\u00e3o c\u00eanica da audi\u00eancia de instru\u00e7\u00e3o e julgamento criminal no Brasil. <\/em>Tese inscrita perante a Comiss\u00e3o Julgadora do Concurso de Teses do X Congresso Nacional dos Defensores P\u00fablicos, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> Encontro de Criminologia Cr\u00edtica: homenagem aos mestres Nilo Batista e Vera Malaguti, ocorrida em 30 de Abril de 2014 no audit\u00f3rio da Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro- EMERJ.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>THE SCIENTIFIC ARRANGEMENT OF THE BRAZILIAN AUDIENCES ROOMS AND COURTS: THE UNCONSTITUTIONALITY OF THE PUBLIC MINISTRY&#8217;S SEATING PREROGATIVE IN THE&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":1053,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"https:\/\/cognitiojuris.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cognitio-juris_n6.jpg","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[12],"class_list":["post-845","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-cientificos","tag-2-2016"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/845","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=845"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/845\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1047,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/845\/revisions\/1047"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1053"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=845"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=845"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=845"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}