{"id":862,"date":"2016-12-01T15:24:00","date_gmt":"2016-12-01T18:24:00","guid":{"rendered":"https:\/\/scientiaetratio.com.br\/?p=862"},"modified":"2026-05-18T02:21:35","modified_gmt":"2026-05-18T05:21:35","slug":"o-direito-ao-aborto-para-os-casos-de-fetos-com-diagnostico-de-microcefalia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/o-direito-ao-aborto-para-os-casos-de-fetos-com-diagnostico-de-microcefalia\/","title":{"rendered":"O DIREITO AO ABORTO PARA OS CASOS DE FETOS COM DIAGN\u00d3STICO DE MICROCEFALIA"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>THE RIGHT TO ABORTION FOR FETAL CASES WITH MICROCEPHALY DIAGNOSIS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Artigo submetido em 02 de novembro de 2016<br>Artigo aprovado em 18 de novembro de 2016<br>Artigo publicado em 01 de dezembro de 2016<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background\"><tbody><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Scientia et Ratio<\/strong><br>Volume 1 &#8211; N\u00famero 2 &#8211; Dezembro 2016<br>ISSN 2525-8532<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-7e4ac651328708ea719ac0894fa30934 wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-very-light-gray-to-cyan-bluish-gray-gradient-background has-background\"><tbody><tr><td><strong>Autor(es):<br><\/strong>Maria Tatiany Leite Andrade<a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftn1\">[1]<\/a><br>Andr\u00e9 Ricardo Fons\u00eaca da Silva<a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftn2\">[2]<\/a><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-white-color has-text-color has-link-color wp-elements-7e4ac651328708ea719ac0894fa30934 wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>RESUMO<\/strong>: Com o n\u00famero crescente no Brasil de crian\u00e7as que nascem com microcefalia, causado pelo zika v\u00edrus, inicia-se uma discuss\u00e3o acerca do suposto direito ao aborto relacionado a esses casos. O presente artigo tem por finalidade refletir e questionar tais direitos, bem como investigar sua legalidade no ordenamento jur\u00eddico brasileiro. Para tanto, utilizou-se os seguintes m\u00e9todos, pesquisa pura e ao mesmo tempo dedutiva, al\u00e9m de ser uma an\u00e1lise qualitativa e tamb\u00e9m complementar hist\u00f3rica, utilizando por base a t\u00e9cnica da pesquisa bibliogr\u00e1fica. Conclui-se que o aborto nesses casos, fere um direito fundamental estabelecido e protegido pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal, o direito \u00e0 vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Palavras-chave<\/strong>: Aborto. Microcefalia. Zika V\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>ABSTRACT<\/strong>: With the growing number of childs born with microcephaly caused by the Zyka virus in Brasil starts a discussion about the alleged right to abortion related to these cases.\u00a0 This article aims to reflect and question these rights and to investigate its legality in the Brazilian legal system. Therefore, the following methods were used: pure research while deductive, and also a qualitative and historical analysis using the technique based on bibliographic research. It was concluded that abortion in these cases hurts a fundamental right established and protected by the Constitution, the right to life.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Keywords: <\/strong>Abortion. Microcephaly. Zika virus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>1 INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi realizada para o estudo uma pesquisa pura devido a n\u00e3o ser um estudo de caso especifico e, sim, uma an\u00e1lise conceitual do tema direito ao aborto em casos de feto com diagn\u00f3stico de microcefalia. Al\u00e9m de ser uma pesquisa dedutiva, porque partiu do tema geral direito ao aborto para se relacionar com as novas situa\u00e7\u00f5es de an\u00e1lise frente aos casos de microcefalia. Foi utilizado, tamb\u00e9m, o m\u00e9todo complementar hist\u00f3rico porque foi feito um estudo evolutivo das constitui\u00e7\u00f5es no Brasil, relacionadas ao direito a vida nela previstas. Por fim, serviu-se, igualmente, de estudo bibliogr\u00e1fico, devido \u00e0 an\u00e1lise de livros, artigos, jurisprud\u00eancias, bem como declara\u00e7\u00f5es de importantes \u00f3rg\u00e3os mundiais como a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade e Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O presente estudo busca discorrer sobre a problem\u00e1tica do suposto direito ao aborto para os casos de fetos com diagn\u00f3stico de microcefalia. \u00c9 certo que dentro desse par\u00e2metro ora em debate a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 ser\u00e1 um norte, na medida em que surge num contexto de busca da defesa e da realiza\u00e7\u00e3o de direitos fundamentais do indiv\u00edduo e da coletividade, nas mais diferentes vertentes, quer sejam favor\u00e1veis ou contr\u00e1rios ao aborto nesses casos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Note-se, pois, que no \u00e2mbito da reflex\u00e3o ou avalia\u00e7\u00e3o de bens ou valores, o princ\u00edpio da dignidade da pessoa humana, aqui no trabalho abra\u00e7ando o direito \u00e0 vida, justifica, ou at\u00e9 mesmo decide, a restri\u00e7\u00e3o de outros bens constitucionalmente protegidos, ainda que representados em normas que contenham direitos fundamentais, de modo a servir como verdadeiro, justo e imprescind\u00edvel crit\u00e9rio para solu\u00e7\u00e3o de conflitos eventualmente postos a delibera\u00e7\u00e3o do Poder Judici\u00e1rio, como no caso em quest\u00e3o de eventuais autoriza\u00e7\u00f5es para aborto de fetos com microcefalia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, \u00e9 evidente que as garantias constitucionais fundamentais s\u00e3o indispens\u00e1veis \u00e0 pessoa humana, necess\u00e1rios para assegurar a todos, inclusive o nascituro, uma exist\u00eancia digna, livre e igual. Os Poderes constitu\u00eddos devem buscar reconhec\u00ea-los e, sobretudo, concretiz\u00e1-los, incorporando-o ao dia a dia do homem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por outro lado, \u00e9 ineg\u00e1vel a discuss\u00e3o de que n\u00e3o existem direitos fundamentais absolutos. Se ocorrer uma situa\u00e7\u00e3o de conflito entre dois direitos fundamentais distintos, como inegavelmente existe no presente trabalho, impondo-se a proceder \u00e0 compatibilidade entre ambos, aplicando-se o princ\u00edpio da proporcionalidade ou razoabilidade, o qual, certamente, permitir\u00e1, por meio de an\u00e1lise comparativa no interesse envolvido no caso posto, harmoniz\u00e1-los e se chegar \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o dos direitos de forma justa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Noutras palavras, ser\u00e1 indicado qual o direito que na situa\u00e7\u00e3o concreta est\u00e1 mais amea\u00e7ado de sofrer uma les\u00e3o mais gravosa caso venha ceder frente a outro, devendo por isso prevalecer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pois bem, no caso de aborto de fetos com diagn\u00f3stico de microcefalia, nota-se, de logo, que entram em conflitos direitos fundamentais da mulher gestante em contrapartida de direitos fundamentais do feto. H\u00e1 choque entre a dignidade da mulher gestante e a futura dignidade do nascituro. \u00c9 o que a doutrina constitucional de uma forma geral chama de colis\u00e3o de direitos fundamentais. E observando o conflito de direitos \u00e9 necess\u00e1rio que se leve em considera\u00e7\u00e3o o peso relativo em cada um, ou seja, o direito a vida daqueles que j\u00e1 possuem em sua plenitude com a expectativa de vida do feto, e sua eventual ruptura ao direito de nascimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste contexto, percebe-se que o aumento no n\u00famero de casos de microcefalia no Brasil acarreta maior demanda pela legaliza\u00e7\u00e3o da interrup\u00e7\u00e3o da gravidez nos casos de malforma\u00e7\u00e3o fetal. O debate da epidemia da doen\u00e7a em nosso pa\u00eds ganha bastante destaque, sendo ineg\u00e1vel, portanto, que h\u00e1 argumentos bem intencionados de ambos os lados e que buscam proteger valores constitucionais nos dois p\u00f3los da discuss\u00e3o. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sendo assim, este artigo est\u00e1 dividido em cinco t\u00f3picos, onde o primeiro trata-se da introdu\u00e7\u00e3o, o segundo ressalta uma abordagem do que vem a ser a microcefalia, suas causas e eventuais complica\u00e7\u00f5es e os tratamentos oferecidos pelo Poder P\u00fablico. J\u00e1 o terceiro item analisa a legisla\u00e7\u00e3o atual referente \u00e0 autoriza\u00e7\u00e3o ao aborto prevista no C\u00f3digo Penal Brasileiro. A quarta situa\u00e7\u00e3o abordada fala da grave situa\u00e7\u00e3o existente hoje no Brasil sobre os casos de fetos diagnosticados com microcefalia, mormente frente ao surto do Zika V\u00edrus, provocado pelo mosquito <em>aedes<\/em> <em>aegypti<\/em>, e que assola nosso pa\u00eds, bem como a an\u00e1lise da discuss\u00e3o do tema \u00e0 luz de nosso ordenamento jur\u00eddico de uma forma ampla. O quinto e \u00faltimo t\u00f3pico sustenta as considera\u00e7\u00f5es finais sobre o referido tema.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>MICROCEFALIA<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para um melhor entendimento acerca do tema direito ao aborto para fetos diagnosticados com microcefalia, se fez necess\u00e1rio um estudo sobre a doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz, a microcefalia trata-se de uma malforma\u00e7\u00e3o cong\u00eanita, em que o c\u00e9rebro n\u00e3o se desenvolve de maneira adequada. Neste caso, os beb\u00eas nascem com per\u00edmetro cef\u00e1lico menor que o normal, que habitualmente \u00e9 superior a 32 cm. (Fiocruz, 2016)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil adotou recentemente a recomenda\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade para diagnosticar uma crian\u00e7a com microcefalia e reduziu a medida para avaliar o c\u00e9rebro. Para menino, a medida da cabe\u00e7a ser\u00e1 igual ou inferior a 31,9cm. E, para menina, igual ou inferior a 31,5cm. Ou seja, as crian\u00e7as que apresentarem essas medidas tem a microcefalia, que pode ser identificada logo no pr\u00e9-natal ou ap\u00f3s o nascimento. (Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2016)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela \u00e9 causada por v\u00e1rios fatores, que podem ser gen\u00e9ticos ou at\u00e9 mesmo fatores provocados durante a gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as poss\u00edveis causas da microcefalia podemos destacar a exposi\u00e7\u00e3o a subst\u00e2ncias qu\u00edmicas durante a gesta\u00e7\u00e3o, agentes biol\u00f3gicos (infecciosos), bact\u00e9rias e v\u00edrus, al\u00e9m de radia\u00e7\u00e3o. A rub\u00e9ola e toxoplasmose adquiridas durante a gesta\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m s\u00e3o consideradas como causas da microcefalia, bem como, a diabetes materna n\u00e3o controlada e s\u00edfilis. (Fiocruz, 2016)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Recentemente, os casos no Brasil de microcefalia tiveram um aumento significativo, o que gerou uma grande preocupa\u00e7\u00e3o. Nesse contexto, imperioso ressaltar o trabalho da m\u00e9dica paraibana, Doutora Adriana Melo, a qual associou o zika v\u00edrus como outra causa da microcefalia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 17 de Novembro de 2015, por iniciativa de Adriana Melo, a Fiocruz recebeu material colhido de duas pacientes que tiveram o diagn\u00f3stico de que seus beb\u00eas tinham a microcefalia. Pois bem, depois da an\u00e1lise das amostras das pacientes a Fiocruz comprovou a presen\u00e7a do v\u00edrus zika. Sendo assim, veio \u00e0 confirma\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o oficial por parte do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade da associa\u00e7\u00e3o do zika v\u00edrus com o surto de microcefalia que atinge nosso pa\u00eds. (\u00c9poca, 2016)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitas s\u00e3o as consequ\u00eancias que essa doen\u00e7a pode provocar nas crian\u00e7as, como por exemplo: atraso nas fun\u00e7\u00f5es motoras e na fala, bem como d\u00e9ficit mental, distor\u00e7\u00f5es faciais, epilepsia, altera\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas, hiperatividade, nanismo ou baixa estatura. Todas essas complica\u00e7\u00f5es variam de cada caso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto ao tratamento da microcefalia, n\u00e3o existe nenhum para cur\u00e1-la, o que existe \u00e9 o tratamento para amenizar as complica\u00e7\u00f5es que a microcefalia causa na pessoa, atrav\u00e9s de terapias que melhoram a habilidade da crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, por sua vez, criou um Protocolo de Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade e Resposta \u00e0 Ocorr\u00eancia de Microcefalia Relacionada \u00e0 Infec\u00e7\u00e3o pelo V\u00edrus Zika. Segundo o site do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, esse protocolo prev\u00ea que sejam identificados precocemente os casos de microcefalia e os cuidados especializados da gestante e da crian\u00e7a, bem como definir como ser\u00e1 feito o tratamento para que as crian\u00e7as que nascem com microcefalia sejam estimuladas mais cedo e com isso tenham seu potencial maximizado. (Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2016)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vale lembrar que hoje, o Sistema \u00danico de Sa\u00fade, enfrenta muita dificuldade no seu acesso. A superlota\u00e7\u00e3o, a falta de leitos nos hospitais, aparelhos quebrados, laborat\u00f3rios interditados e a falta de m\u00e9dicos nos prontos-socorros e nos postos de sa\u00fade, tem sido uma das maiores dificuldades encontradas. Um paciente diagnosticado com microcefalia tem vivenciado problemas ainda maiores, pois, o acesso a esses tratamentos espec\u00edficos, oferecidos pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade, nem sempre est\u00e1 dispon\u00edvel nas localidades mais afetadas o que vem gerando a essas fam\u00edlias, v\u00edtimas dessa epidemia, um obst\u00e1culo para permitir a elas uma boa qualidade dos servi\u00e7os. Isso sem d\u00favida \u00e9 um fator de grande preocupa\u00e7\u00e3o para quem vai necessitar, durante toda sua exist\u00eancia, se socorrer aos tratamentos para microcefalia oferecidos pelo SUS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitos s\u00e3o os casos no Brasil de microcefalia. Em recente divulga\u00e7\u00e3o, o minist\u00e9rio da sa\u00fade tornou p\u00fablico dados sobre como anda o surto da doen\u00e7a no pa\u00eds. Dos 3.763 casos de Microcefalia e\/ou malforma\u00e7\u00f5es, sugestivos de infec\u00e7\u00e3o cong\u00eanita investigados, 1.271 casos foram confirmados da microcefalia e que, possivelmente, est\u00e1 relacionada ao zika v\u00edrus. Bem como, os 2.492 foram descartados. Dentre os 1.271 que foram confirmados, 1.152 s\u00e3o da regi\u00e3o Nordeste, 63 da regi\u00e3o Sudeste, 16 da Regi\u00e3o Norte, 34 da regi\u00e3o Centro-Oeste e 6 apenas da Regi\u00e3o Sul. Dos 1.152 casos que foram confirmados na regi\u00e3o nordeste, 339 est\u00e3o presentes no estado Pernambuco, 232 casos na Bahia, 115 na Para\u00edba, 115 no Maranh\u00e3o, seguido do Rio Grande do Norte com 96 casos, Cear\u00e1 com 84, Piau\u00ed com 75, Alagoas com 59 e, por fim, Sergipe com 37 dos casos confirmados. (Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 2016)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conclui-se, portanto, que a regi\u00e3o Nordeste \u00e9 a mais afetada pelo surto e que o estado de Pernambuco ganha destaca pelo maior n\u00famero de casos apresentado.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>\u00a0ABORTO NO BRASIL<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inicialmente, \u00e9 importante fazer um estudo etimol\u00f3gico sobre a palavra aborto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, a palavra aborto adv\u00e9m de <em>ab<\/em> que significa priva\u00e7\u00e3o, e <em>ortus <\/em>que significa nascimento. Feito esse esclarecimento, pode se chegar \u00e0 conclus\u00e3o que o aborto \u00e9 a interrup\u00e7\u00e3o do desenvolvimento do feto durante a gravidez, desde que a gesta\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o tenha chegado ao seu fim. (JESUS, 2006).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde mesmo modo, Cezar Bitencourt defende que para que ocorra o crime de aborto tem que est\u00e1 com a gravidez em andamento e que o feto esteja vivo, pois a interrup\u00e7\u00e3o da gravidez tem que se d\u00e1 devido \u00e0s artimanhas para provocar o aborto. (BITENCOURT, 2014)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vale lembrar que se pode classificar o aborto como natural, acidental, criminoso e legal ou permitido. O aborto natural e acidental ocorre quando a interrup\u00e7\u00e3o da gesta\u00e7\u00e3o se d\u00e1 de forma espont\u00e2nea, provocado por causas naturais ou acidentais. O aborto criminoso se d\u00e1 pela interrup\u00e7\u00e3o da gesta\u00e7\u00e3o de forma induzida pela pr\u00f3pria gestante ou por terceiros, com ou sem o seu consentimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O aborto \u00e9 tipificado como crime no C\u00f3digo Penal Brasileiro que est\u00e1 em vigor desde 1940, nos artigos 124, 125, 126 e 127.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo prescrito no C\u00f3digo Penal Brasileiro:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Artigo 124: Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento. Pena &#8211; deten\u00e7\u00e3o, de um a tr\u00eas anos. Artigo 125: Provocar aborto, sem o consentimento da gestante. Pena &#8211; reclus\u00e3o, de tr\u00eas a dez anos. Artigo 126: Provocar aborto com o consentimento da gestante. Pena &#8211; reclus\u00e3o, de um a quatro anos. Par\u00e1grafo \u00fanico. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante n\u00e3o \u00e9 maior de quatorze anos, ou \u00e9 alienada ou d\u00e9bil mental, ou se o consentimento \u00e9 obtido mediante fraude, grave amea\u00e7a ou viol\u00eancia. Artigo 127: As penas cominadas nos dois artigos anteriores s\u00e3o aumentadas de um ter\u00e7o, se, em conseq\u00fc\u00eancia do aborto ou dos meios empregados para provoc\u00e1-lo, a gestante sofre les\u00e3o corporal de natureza grave; e s\u00e3o duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrev\u00e9m \u00e0 morte. (Brasil, 2016)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 o aborto legal s\u00e3o aqueles permitidos pela lei. Hoje, no Brasil, s\u00f3 s\u00e3o permitidas tr\u00eas tipos de aborto, ou seja, s\u00f3 em tr\u00eas situa\u00e7\u00f5es que o aborto, quando praticado por m\u00e9dico capacitado, n\u00e3o \u00e9 qualificado como crime: O aborto necess\u00e1rio, que \u00e9 aquele provocado quando a gesta\u00e7\u00e3o causa risco de vida a gestante (CP, art. 128, I); O Aborto praticado quando a gravidez \u00e9 resultante de estupro (CP, art. 128, II); E o Aborto Terap\u00eautico, que \u00e9 aquele praticado quando o feto \u00e9 considerado anencef\u00e1lico (ADPF-54).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dois primeiros tipos de aborto, o aborto necess\u00e1rio e o aborto no caso de gravidez resultante de estupro, est\u00e3o previsto no artigo 128 do C\u00f3digo Penal Brasileiro:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Artigo 128: N\u00e3o se pune o aborto praticado por m\u00e9dico: Aborto necess\u00e1rio I &#8211; se n\u00e3o h\u00e1 outro meio de salvar a vida da gestante; Aborto no caso de gravidez resultante de estupro II &#8211; se a gravidez resulta de estupro e o aborto \u00e9 precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal. (Brasil, 2016)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 o aborto de feto anencef\u00e1lico foi aprovado pelo Supremo Tribunal Federal em 12 de Abril de 2012, atrav\u00e9s do julgamento da Argui\u00e7\u00e3o de Descumprimento de Preceito Fundamental 54 (ADPF-54), essa a\u00e7\u00e3o teve por relator o Ministro Marco Aur\u00e9lio de Mello, ela foi proposta em 2004 pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores na Sa\u00fade e s\u00f3 foi julgada oito anos depois. A a\u00e7\u00e3o pleiteava a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto para fetos anencef\u00e1licos, mostrando que, neste caso, n\u00e3o h\u00e1 viola\u00e7\u00e3o \u00e0 vida, j\u00e1 que a vida do feto resulta totalmente inviabilizada, ou seja, um morto cerebral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Melhor dizendo, no entender da nossa Corte Constitucional, o feto sem c\u00e9rebro, mesmo que biologicamente vivo, \u00e9 juridicamente morto, n\u00e3o gozando, portanto, de prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica e, principalmente, de prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddico-penal. Sendo assim, a interrup\u00e7\u00e3o da gesta\u00e7\u00e3o de feto anencef\u00e1lico n\u00e3o configura crime contra a vida, revelando-se em conduta at\u00edpica do agente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outrossim, de logo se salienta que a decis\u00e3o hist\u00f3rica do STF n\u00e3o \u00e9 uma autoriza\u00e7\u00e3o para aborto em caso de fetos diagnosticados com microcefalia, mormente frente \u00e0 comprova\u00e7\u00e3o que a microcefalia nem sempre impede a vida do nascituro ap\u00f3s o nascimento, como \u00e9 de conhecimento p\u00fablico. Portanto, claramente tratar-se de casos distintos, opostos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por sua vez o Conselho Federal de Medicina, em 10 de Maio de 2012 , para regular essa hip\u00f3tese de aborto, editou a Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 1.989\/2012<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim ressalta a Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 1.989\/2012:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art.1\u00ba: Na ocorr\u00eancia do diagn\u00f3stico inequ\u00edvoco de anencefalia o m\u00e9dico pode, a pedido da gestante, independente de autoriza\u00e7\u00e3o do Estado, interromper a gravidez. Art. 2o O diagn\u00f3stico de anencefalia \u00e9 feito por exame ultrassonogr\u00e1fico realizado a partir da 12a (d\u00e9cima segunda) semana de gesta\u00e7\u00e3o e deve conter: I \u2013 duas fotografias, identificadas e datadas: uma com a face do feto em posi\u00e7\u00e3o sagital; a outra, com a visualiza\u00e7\u00e3o do polo cef\u00e1lico no corte transversal, demonstrando a aus\u00eancia da calota craniana e de par\u00eanquima cerebral identific\u00e1vel; II \u2013 laudo assinado por dois m\u00e9dicos, capacitados para tal diagn\u00f3stico. Art. 3o Conclu\u00eddo o diagn\u00f3stico de anencefalia, o m\u00e9dico deve prestar \u00e0 gestante todos os esclarecimentos que lhe forem solicitados, garantindo a ela o direito de decidir livremente sobre a conduta a ser adotada, sem impor sua autoridade para induzi-la a tomar qualquer decis\u00e3o ou para limit\u00e1-la naquilo que decidir: \u00a71o \u00c9 direito da gestante solicitar a realiza\u00e7\u00e3o de junta m\u00e9dica ou buscar outra opini\u00e3o sobre o diagn\u00f3stico. \u00a72o Ante o diagn\u00f3stico de anencefalia, a gestante tem o direito de:I \u2013 manter a gravidez; II \u2013 interromper imediatamente a gravidez, independente do tempo de gesta\u00e7\u00e3o, ou adiar essa decis\u00e3o para outro momento. \u00a73o Qualquer que seja a decis\u00e3o da gestante, o m\u00e9dico deve inform\u00e1-la das consequ\u00eancias, incluindo os riscos decorrentes ou associados de cada uma. \u00a74o Se a gestante optar pela manuten\u00e7\u00e3o da gravidez, ser-lhe-\u00e1 assegurada assist\u00eancia m\u00e9dica pr\u00e9-natal compat\u00edvel com o diagn\u00f3stico.\u00a75o Tanto a gestante que optar pela manuten\u00e7\u00e3o da gravidez quanto a que optar por sua interrup\u00e7\u00e3o receber\u00e3o, se assim o desejarem, assist\u00eancia de equipe multiprofissional nos locais onde houver disponibilidade. \u00a76o A antecipa\u00e7\u00e3o terap\u00eautica do parto pode ser realizada apenas em hospital que disponha de estrutura adequada ao tratamento de complica\u00e7\u00f5es eventuais, inerentes aos respectivos procedimentos. Art. 4o Ser\u00e1 lavrada ata da antecipa\u00e7\u00e3o terap\u00eautica do parto, na qual deve constar o consentimento da gestante e\/ou, se for o caso, de seu representante legal. Par\u00e1grafo \u00fanico. A ata, as fotografias e o laudo do exame referido no artigo 2o desta resolu\u00e7\u00e3o integrar\u00e3o o prontu\u00e1rio da paciente. Art. 5o Realizada a antecipa\u00e7\u00e3o terap\u00eautica do parto, o m\u00e9dico deve informar \u00e0 paciente os riscos de recorr\u00eancia da anencefalia e referenci\u00e1-la para programas de planejamento familiar com assist\u00eancia \u00e0 contracep\u00e7\u00e3o, enquanto essa for necess\u00e1ria, e \u00e0 preconcep\u00e7\u00e3o, quando for livremente desejada, garantindo-se, sempre, o direito de op\u00e7\u00e3o da mulher. Par\u00e1grafo \u00fanico. A paciente deve ser informada expressamente que a assist\u00eancia preconcepcional tem por objetivo reduzir a recorr\u00eancia da anencefalia. Art. 6o Esta resolu\u00e7\u00e3o entra em vigor na data de sua publica\u00e7\u00e3o. Bras\u00edlia-DF, 10 de maio de 2012 CARLOS VITAL TAVARES CORR\u00caA LIMA HENRIQUE BATISTA E SILVA Presidente em exerc\u00edcio Secret\u00e1rio-geral. (Conselho Federal de Medicina, 2016)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>4 DIREITO AO ABORTO PARA OS CASOS DE MICROCEFALIA<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos \u00faltimos meses em nosso pa\u00eds, em particular de forma mais acentuada no Nordeste brasileiro, ocorreu um aumento consider\u00e1vel de crian\u00e7as que nasceram com microcefalia devido \u00e0 epidemia do Zika V\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O debate que se levantou \u00e9 que o feto diagnosticado com microcefalia tamb\u00e9m poderia ter seu nascimento interrompido, na medida em que n\u00e3o conseguiria ter uma vida saud\u00e1vel, provocando para as fam\u00edlias perturba\u00e7\u00f5es e desgastes por toda a vida, al\u00e9m de gastos excessivos para manter essa crian\u00e7a de uma forma mais apraz\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, percebe-se que v\u00e1rios s\u00e3o os exemplos de mulheres que foram abandonadas por seus companheiros devido ao diagn\u00f3stico de que seus filhos teriam microcefalia e outras que abandonam seus pr\u00f3prios entes porque n\u00e3o sabem como lidar com essa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, observa-se que os problemas sociais existentes no Brasil, agravam o debate sobre o aborto. Deste modo, percebemos que a falta de informa\u00e7\u00e3o aos cuidados de preven\u00e7\u00e3o da gravidez e a dificuldade ao acesso de m\u00e9todos contraceptivos, ainda s\u00e3o obst\u00e1culos para se garantir que seja preservado o direito dessas mulheres, mesmo porque o pa\u00eds ainda apresenta um grande n\u00famero de mulheres que s\u00e3o violentadas, o que acaba aumentando as gesta\u00e7\u00f5es indesejadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com esse efeito, pode-se enxergar o tamanho do problema que essa verdadeira epidemia vem causando em nosso pa\u00eds. N\u00e3o obstante a uma consider\u00e1vel gera\u00e7\u00e3o de brasileiros diagnosticados com microcefalia, com todos os preju\u00edzos da\u00ed advindos, ainda vivenciamos um grave abalo social nas fam\u00edlias provocado, tamb\u00e9m, por mencionada doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, o grupo de advogados, acad\u00eamicos e ativistas que esteve \u00e0 frente da discuss\u00e3o sobre aborto de fetos anenc\u00e9falos no Supremo Tribunal Federal, elaboram uma a\u00e7\u00e3o similar para pedir \u00e0 Suprema Corte o direito ao aborto em gesta\u00e7\u00f5es de beb\u00eas com microcefalia, e argumentam que o surto do zika v\u00edrus, que esta provocando um aumento para casos de microcefalia no pa\u00eds, \u00e9 de responsabilidade do governo e que, por isso, essas fam\u00edlias n\u00e3o podem ser obrigadas a carregar essa culpa. Segundo esse grupo de especialistas, a n\u00e3o legaliza\u00e7\u00e3o do aborto e a falta de pol\u00edticas para o combate do mosquito <em>Aedes Aegypti<\/em> violam a Constitui\u00e7\u00e3o Federal no direito \u00e0 sa\u00fade e direito \u00e0 seguridadesocial<em>. <\/em>(O Globo, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nota-se que a argumenta\u00e7\u00e3o do referido grupo, que defende os direitos fundamentais da mulher gestante, colide com os direitos fundamentais do feto. E analisando o conflito de direitos \u00e9 necess\u00e1rio que se leve em considera\u00e7\u00e3o o peso relativo em cada um, ou seja, o direito \u00e0 vida daqueles que j\u00e1 possuem expectativa de vida, e sua eventual ruptura ao direito de nascer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">4.1 DECLARA\u00c7\u00d5S DA ONU E OMS<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, fundada em 24 de outubro de 1945, tamb\u00e9m conhecida pela sigla ONU, \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o internacional formada por pa\u00edses que se reuniram voluntariamente para manter a paz e a seguran\u00e7a mundial, bem como proteger os direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi no dia 5 de Fevereiro de 2016, que o chefe de Direitos Humanos das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Zeid Ra\u2019ad Al Hussein, fez um pedido para os pa\u00edses que foram mais atingidos pelo Zika V\u00edrus e que apresentam muitos casos de microcefalia ou m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o cong\u00eanita, dessem mais acesso as mulheres e as gestantes \u00e0s informa\u00e7\u00f5es, m\u00e9todos contraceptivos e o direito de decidirem sobre manter ou n\u00e3o sua gesta\u00e7\u00e3o. Para ele, respeitar o direito humano da mulher \u00e9 a melhor maneira de enfrentar essa epidemia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Disse Zeid:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos pa\u00edses afetados pelo zika e que possuem leis restritivas sobre direitos reprodutivos da mulher, a situa\u00e7\u00e3o que enfrentam mulheres e meninas \u00e9 especialmente s\u00e9ria em v\u00e1rios n\u00edveis. (ONU, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste mesmo contexto, a diretora executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, declarou que os Poderes Judici\u00e1rio e Legislativo podem acabar com as limita\u00e7\u00f5es sobre o direito de reprodu\u00e7\u00e3o da mulher e com isso salvar muitas vidas, j\u00e1 que s\u00e3o as mulheres, especialmente as pobres e sem o acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es, que s\u00e3o mais atingidas por essa epidemia e que acabam recorrendo \u00e0 abortos ilegais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Mlambo-Ngcuka:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil e a Col\u00f4mbia s\u00e3o os pa\u00edses que registraram o maior n\u00famero de casos da doen\u00e7a entre as 29 na\u00e7\u00f5es da Am\u00e9rica Latina e Caribe onde o v\u00edrus foi identificado. No estado brasileiro da Bahia, 65% das ocorr\u00eancias s\u00e3o de mulheres. Na Col\u00f4mbia, o p\u00fablico feminino representa 67% do total de 37.011 acometidos pelo zika. Desse contingente, a maioria tem entre 20 e 34 anos de idade. (ONU, 2016)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aparentemente, as mulheres na Am\u00e9rica Latina est\u00e3o recorrendo a interrup\u00e7\u00f5es da gravidez pouco seguras, o que provoca temores quanto ao seu bem-estar. Revogar as limita\u00e7\u00f5es aos servi\u00e7os (de sa\u00fade reprodutiva) neste momento cr\u00edtico poderia fazer uma diferen\u00e7a substancial para as vidas das mulheres. Legisladores e o Judici\u00e1rio t\u00eam um papel crucial nisso e podem permitir a flexibilidade em casos nos quais a sa\u00fade psicol\u00f3gica, f\u00edsica e social das mulheres estejam em risco. (ONU, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda sobre o assunto, no dia Internacional da Mulher, 8 de mar\u00e7o de 2016, integrantes do Comit\u00ea sobre Direitos Econ\u00f4micos, Sociais e Culturais das Na\u00e7\u00f5es Unidas (CESCR), destacaram que os direitos humanos est\u00e3o ligados aos direitos sexuais e reprodutivos da mulher e, conseq\u00fcentemente, que todos os pa\u00edses deveriam lhes assegurar esses direitos, afirmando ainda que:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Por exemplo, a falta de servi\u00e7os obstetr\u00edcios emergenciais ou a nega\u00e7\u00e3o (da realiza\u00e7\u00e3o) de um aborto levam, frequentemente, \u00e0 mortalidade e \u00e0 morbidade maternas, o que, por sua vez, constitui uma viola\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 vida ou \u00e0 seguran\u00e7a e, em certas circunst\u00e2ncias, pode equivaler \u00e0 tortura ou a tratamento desumano, cruel ou degradante. (ONU, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ou seja, para eles, impedir que as mulheres realizem um aborto seguro, est\u00e1 privando-as de direitos fundamentais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sa\u00fade sexual e reprodutiva n\u00e3o \u00e9 apenas parte integral do direito geral \u00e0 sa\u00fade, mas \u00e9 tamb\u00e9m insepar\u00e1vel de outros, como os direitos \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao trabalho, \u00e0 igualdade, \u00e0 privacidade e \u00e0 autonomia individual. (ONU, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A foto 01 demonstra a manifesta\u00e7\u00e3o de mulheres no Rio de Janeiro destacando o alto \u00edndice de mortes em abortos clandestinos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foto 01 \u2013 Manifesta\u00e7\u00e3o de mulheres no Rio de Janeiro<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fonte: ONU, 2016<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade foi fundada no dia 7 de abril de 1948, e est\u00e1 sob a depend\u00eancia da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. A OMS tem por objetivo o desenvolvimento da sa\u00fade mundial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em recente entrevista a revista \u00c9POCA, a m\u00e9dica brasileira Suzanne Serruya, nomeada, em Janeiro de 2016, chefe da \u00e1rea de Microcefalia criada pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), falou sobre a epidemia de microcefalia causada pelo Zika v\u00edrus. Quando questionada pela reda\u00e7\u00e3o da \u00e9poca sobre o direito ao aborto nesses casos, a m\u00e9dica falou que, diante dessa situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso que haja um debate sobre os direitos reprodutivos da mulher, pois tem que ser dela o direito de decidir se querem ou n\u00e3o interromper a gesta\u00e7\u00e3o. Ela ainda refor\u00e7ou que a n\u00e3o legaliza\u00e7\u00e3o do aborto s\u00f3 prejudica ainda mais a sa\u00fade da mulher, j\u00e1 que elas acabam optando por abordos ilegais, ocasionando com isso v\u00e1rias mortes maternas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em destaque, a chefe da \u00e1rea de microcefalia ressaltou:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os casos de zika v\u00e3o pressionar o debate sobre os direitos reprodutivos. A interrup\u00e7\u00e3o da gravidez, em qualquer situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma decis\u00e3o da mulher. A mulher sem acesso ao aborto legal, independente da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, pode optar pelo aborto clandestino. Quem est\u00e1 na ponta mais pobre do sistema estar\u00e1 exposta a abortos inseguros, sim. Enfrentar a discuss\u00e3o do aborto \u00e9 inevit\u00e1vel, com tudo que ela traz.&nbsp; A gente precisa separar a religi\u00e3o das decis\u00f5es pol\u00edticas. Estados n\u00e3o laicos s\u00e3o extremamente desfavor\u00e1veis \u00e0 mulher. A interrup\u00e7\u00e3o da gesta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica, envolve morte materna. Espero que todos os pa\u00edses possam entrar nessa discuss\u00e3o e chegar \u00e0 melhor decis\u00e3o pensando na mulher. (\u00c9poca, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por tudo que foi exposto, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade, assim como tamb\u00e9m a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, seguem favor\u00e1vel ao direito ao aborto para os casos de microcefalia, priorizando com isso a autonomia individual da mulher, dando a ela o direito de decidir se quer ou n\u00e3o interromper a gesta\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; L\u00edderes Religiosos, por sua vez, dividem opini\u00f5es sobre o assunto. A Igreja Cat\u00f3lica se mant\u00e9m contra ao aborto nesses casos, pois asseguram que o direito individual da gestante n\u00e3o pode violar o direito \u00e0 vida do feto. O Papa Francisco, l\u00edder da Igreja Cat\u00f3lica, em entrevista coletiva realizada no avi\u00e3o quando voltava do M\u00e9xico em 17 de Fevereiro de 2016, condenou o aborto e defendeu, nesses casos, o uso de contraceptivos, pois a defici\u00eancia n\u00e3o pode justificar o aborto e a vida em qualquer situa\u00e7\u00e3o deve ser preservada. (O Globo, 2016)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">4.2 POSI\u00c7\u00c3O DO GOVERNO<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desta forma, \u00e9 importante citarmos algumas posi\u00e7\u00f5es governamentais relacionadas ao assunto em tela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s apelo da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), em entrevista a R\u00e1dio Ag\u00eancia Nacional, o ministro da Justi\u00e7a Jos\u00e9 Eduardo Cardozo, afirmou que o governo ainda n\u00e3o est\u00e1 debatendo sobre o direito ao aborto para fetos com microcefalia. E que o governo vai aguardar uma posi\u00e7\u00e3o dos ministros sobre o assunto. (Ag\u00eancia Nacional, 2016)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 o ministro da cultura, Juca Ferreira, ao participar de uma a\u00e7\u00e3o contra o mosquito a<em>edes aegypti<\/em> no Rio Branco, defendeu o aborto para fetos com microcefalia e afirmou: \u201cN\u00e3o podemos obrigar uma m\u00e3e a ter um filho com microcefalia\u201d. (\u00c9poca, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda declarou que essa era uma posi\u00e7\u00e3o pessoal dele e n\u00e3o do governo:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acho que essa rigidez sobre aborto tem que ser revista. Eu, pessoalmente, sou favor\u00e1vel a uma revis\u00e3o para que a mulher possa optar por fazer ou n\u00e3o, mas isso \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o pessoal minha e n\u00e3o do governo federal. N\u00e3o h\u00e1 nenhum posicionamento oficial sobre o assunto. (\u00c9poca, 2016)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O ministro da sa\u00fade, Marcelo Castro, vem defendendo a manuten\u00e7\u00e3o da lei que pro\u00edbe a pr\u00e1tica. Em entrevista a TV Cidade Verde de Teresina no Piau\u00ed, realizada no dia 9 de fevereiro de 2016, afirmou que sua posi\u00e7\u00e3o segue ao que a lei determina, vejamos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A posi\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio da sa\u00fade \u00e9 inequ\u00edvoca, \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o em defesa da lei. Somos agentes p\u00fablicos e n\u00e3o podemos ter outra defesa que n\u00e3o seja a defesa estrita da lei. A legisla\u00e7\u00e3o s\u00f3 permite aborto em tr\u00eas situa\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o inclui a microcefalia. (Folha de S\u00e3o Paulo, 2016)&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 o Ex-Ministro da Sa\u00fade Jos\u00e9 Gomes Tempor\u00e3o (2007 a 2011), asseverou que apoia o direito ao aborto de fetos com microcefalia. Assim, ressalta:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Coloquei-me \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do grupo que levou a quest\u00e3o ao Judici\u00e1rio e vamos continuar em contato. Eu apoio que isso seja levado ao Supremo e que se levante a discuss\u00e3o. A quest\u00e3o tratada nesta demanda ao Supremo se refere aos direitos da mulher, caso seja comprovada esta rela\u00e7\u00e3o entre zika e microcefalia, a mulher deve ter o direito de levar a gravidez adiante ou n\u00e3o. (O Globo, 2016)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dentro do contexto de declara\u00e7\u00f5es de alguns ministros do governo, mesmo que de forma n\u00e3o t\u00e3o acentuada, abre-se um debate para questionar a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas a longo prazo para a erradica\u00e7\u00e3o do mosquito <em>aedes aegypci <\/em>em nosso territ\u00f3rio. Uma dessas consequ\u00eancias deve-se, sem d\u00favida, a instabilidade gerada em virtude das in\u00fameras trocas de ministros da sa\u00fade que presenciamos nos \u00faltimos anos. Esse fato, por si s\u00f3, j\u00e1 demonstra a falta de prioridades do governo com a sa\u00fade no nosso pa\u00eds, frente \u00e0 epidemia que estamos enfrentando contra o zika v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, \u00e9 importante a an\u00e1lise do Estudo realizado pelo Datafolha Instituto de Pesquisa sobre o aborto, que foi realizada entre os dias 24 e 25 de fevereiro de 2016 e contou com 2.768 entrevistados, em 171 munic\u00edpios brasileiros (a margem de erro \u00e9 de dois pontos percentuais, para mais ou para menos).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa analisou, dentre outros casos, o direito da mulher abortar o feto quando a mesma tiver contra\u00eddo o v\u00edrus da zika e tamb\u00e9m debateu sobre o aborto para os fetos diagnosticados com microcefalia, onde concluiu que 58% dos entrevistados acreditam que as gr\u00e1vidas, que tiveram o v\u00edrus da zika, n\u00e3o devem ser autorizadas a fazer o aborto, j\u00e1 32% defendem que elas possam interromper a gesta\u00e7\u00e3o, enquanto outros 10% resolveram n\u00e3o opinar. J\u00e1 51% dos entrevistados rejeitam o aborto de fetos diagnosticados com microcefalia causada pelo zika v\u00edrus, 39% s\u00e3o a favor ao aborto nesse caso e 10% n\u00e3o quiseram opinar. O estudo foi divulgado no dia 29 de Fevereiro de 2016. (Datafolha, 2016)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conclui-se, portanto, que grande parte dos entrevistados n\u00e3o s\u00e3o favor\u00e1veis ao aborto para as gestantes que tenham seu feto diagnosticado com microcefalia.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>DIREITO \u00c0 VIDA E SUA HISTORICIDADE<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O direito \u00e0 vida foi um direito constru\u00eddo historicamente por toda a humanidade. Ele \u00e9 o primeiro direito humano e serve como base para os demais direitos fundamentais previstos constitucionalmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E tanto o \u00e9 que, a pr\u00f3pria hist\u00f3ria h\u00e1 de registrar sua previs\u00e3o elencada nos dez mandamentos de Deus. Segundo a b\u00edblia, foram as leis deixadas por Ele para que, n\u00f3s humanos, pud\u00e9ssemos seguir e nos livrar do pecado. E l\u00e1 se encontra previsto o direito \u00e0 vida, quando restou sedimentado o mandamento maior de \u201cN\u00c3O MATAR\u201d, pois somente Deus tem o direito de tirar a vida do pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Feito esse registro hist\u00f3rico, passa-se, daqui a diante, a compor algumas considera\u00e7\u00f5es referentes \u00e0 abordagem do direito \u00e0 vida em algumas Constitui\u00e7\u00f5es brasileiras j\u00e1 revogadas. Destaca-se que as Cartas s\u00e3o un\u00e2nimes em garantir e assegurar aos brasileiros e estrangeiros residentes no Brasil o direito \u00e0 vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a><\/a>A Constitui\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos do Brasil, de 18 de setembro de 1946, em seu artigo 141 e a Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Federativa do Brasil, de 1967 em seu artigo 150 sustentam que o direito a vida \u00e9 inviol\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1946:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 141 &#8211; A Constitui\u00e7\u00e3o assegura aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa\u00eds a inviolabilidade dos direitos concernentes \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, a seguran\u00e7a individual e \u00e0 propriedade. (Brasil, 2016)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos dizeres da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1967:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Art. 150 &#8211; A Constitui\u00e7\u00e3o assegura aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no pa\u00eds a inviolabilidade dos direitos concernentes \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 propriedade. (Brasil, 2016)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pois bem, trazendo para a Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de 1988, norte principal para os dias atuais do Estado Democr\u00e1tico de Direito, o qual se destina \u201ca assegurar o exerc\u00edcio dos direitos sociais e individuais\u201d, assim como o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justi\u00e7a social, bem como, seguindo a tend\u00eancia do constitucionalismo contempor\u00e2neo, incorporou, expressamente, ao seu texto normativo, o princ\u00edpio da dignidade da pessoa humana (art. 1\u00ba, inc. III, da CF) como valor supremo, definindo-o como fundamento da Rep\u00fablica Federativa do Brasil, onde enxerga-se, em seu texto legal, que o referido princ\u00edpio tem um valor inigual\u00e1vel e serve como fundamento, como j\u00e1 dito, para os demais direitos fundamentais previstos, notadamente o direito \u00e0 vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ou seja, deve ser por expressa determina\u00e7\u00e3o constitucional a base a guiar o operador do Direito nas solu\u00e7\u00f5es dos conflitos de eventuais autoriza\u00e7\u00f5es para aborto de fetos com diagn\u00f3stico de microcefalia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 o que disp\u00f5e o art. 1\u00ba, III da Constitui\u00e7\u00e3o Federal:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Rep\u00fablica Federativa do Brasil, formada pela uni\u00e3o indissol\u00favel dos Estados e Munic\u00edpios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democr\u00e1tico de Direito e tem como fundamentos: III \u2013 a dignidade da pessoa humana. (Brasil, 2016)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enfim, o princ\u00edpio da dignidade da pessoa humana, \u00e9 o referencial para aplica\u00e7\u00e3o das normas jur\u00eddicas, pois todo cidad\u00e3o, inclusive os nascituros, deve ser tratados de forma digna e igual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste contexto, no <em>caput<\/em> do artigo 5\u00b0 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, o direito \u00e0 vida est\u00e1 disposto como um direito inviol\u00e1vel, raz\u00e3o pela qual nem o Estado e nem ningu\u00e9m tem direito de tirar a vida de outrem, sen\u00e3o nas exce\u00e7\u00f5es admitidas \u00e0 sua tutela. Mostra-se como um direito fundamental de todos, pois sem a vida n\u00e3o podemos falar em outros direitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Alexandre de Moraes, o direito \u00e0 vida estabelece uma pr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o para existir e \u00e9 por isso que \u00e9 o mais importante de todos os direitos, sendo fundamental para resguardar os demais direitos. (MORAES, 2010)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Por sua vez, Paulo Branco, ressalta o valor supremo do direito \u00e0 vida e que ele pressup\u00f5e sentido aos demais direitos que a Constitui\u00e7\u00e3o Federal disp\u00f5e. (BRANCO, 2014)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda refor\u00e7a Bitencourt, \u201cIndependente do tempo a vida tem que ser protegida, pois toda a vida \u00e9 vida\u201d. (BITENCOURT, 2014)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Deste modo, de acordo com nossa Carta Maior o Direito \u00e0 Vida est\u00e1 erigido como norma matriz, imprimindo-lhe unidade de sentido, condicionando a interpreta\u00e7\u00e3o de outras eventuais normas e princ\u00edpios. Portanto, trata-se de uma verdadeira b\u00fassola constitucional a orientar o Direito e os cidad\u00e3os em geral.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ademais, por raz\u00f5es l\u00f3gicas, na medida em que a legisla\u00e7\u00e3o infraconstitucional tem que seguir as bases constitucionais, o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente apresenta os direitos dos menores, dentre eles o direito \u00e0 vida, que deve ser visto com a mesma amplitude.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 o que prev\u00ea o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Artigo 7\u00b0: A crian\u00e7a e adolescente t\u00eam direito a prote\u00e7\u00e3o \u00e0 vida e \u00e0 sa\u00fade, mediante a efetiva\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas sociais p\u00fablicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condi\u00e7\u00f5es dignas de exist\u00eancia. (Brasil, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O C\u00f3digo Civil, por sua vez, defende, em seu artigo 2\u00b0, os direitos do nascituro desde a sua concep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o C\u00f3digo civil:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Artigo 2\u00b0: A personalidade civil da pessoa come\u00e7a com o nascimento com vida; Mas a lei p\u00f5e a salvo, desde a concep\u00e7\u00e3o, os direitos do nascituro. (Brasil, 2016)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pode-se perceber que, se o nascituro tem direito, j\u00e1 estamos reconhecendo-lhe a qualidade de pessoa, pois, no ordenamento jur\u00eddico, todo titular de direito \u00e9 pessoa. Neste contexto, na pr\u00f3pria legisla\u00e7\u00e3o brasileira, percebe-se que os direitos do nascituro s\u00e3o protegidos desde a sua concep\u00e7\u00e3o, a exemplo da Lei n\u00ba 11.804\/2008, Lei dos Alimentos Grav\u00eddicos, e de decis\u00f5es do STJ que admitiram o dano moral ao nascituro, visto que j\u00e1 foi aprovado at\u00e9 mesmo pagamento de DPVAT pela morte do nascituro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A lei dos alimentos grav\u00eddicos disciplina o direito de alimentos da mulher gestante e a forma como ser\u00e1 exercido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vejamos o Recurso Especial N\u00ba 931.556 &#8211; RS (2007\/0048300-6), que teve como relatora a ministra Nancy Andrighi e concedeu, ao nascituro, o dano moral:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RESPONSABILIDADE CIVIL. ACIDENTE DO TRABALHO. MORTE. INDENIZA\u00c7\u00c3O POR DANO MORAL. DIES A QUO. CORRE\u00c7\u00c3O MONET\u00c1RIA. DATA DA FIXA\u00c7\u00c3O PELO JUIZ. JUROS DE MORA. DATA DO EVENTO DANOSO. PROCESSO CIVIL. JUNTADA DE DOCUMENTO NA FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE, DESDE QUE N\u00c3O CONFIGURDA A M\u00c1-F\u00c9 DA PARTE E OPORTUNIZADO O CONTRADIT\u00d3RIO. ANULA\u00c7\u00c3O DO PROCESSO. INEXIST\u00caNCIA DE DANO. DESNECESSIDADE. CIVIL. COMPENSA\u00c7\u00c3O POR DANOS MORAIS. FILHO NASCITURO. IRRELEV\u00c2NCIA NA FIXA\u00c7\u00c3O DO QUANTUM INDENIZAT\u00d3RIO<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 devida corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria sobre o valor da indeniza\u00e7\u00e3o por dano moral fixado a partir da data do arbitramento. Precedentes. Os juros morat\u00f3rios, em se tratando de acidente de trabalho, est\u00e3o sujeitos ao regime da responsabilidade extracontratual, aplicando-se, portanto, a S\u00famula n\u00ba 54 da Corte, contabilizando-os a partir da data do evento danoso. Precedentes. \u00c9 poss\u00edvel a apresenta\u00e7\u00e3o de provas documentais na apela\u00e7\u00e3o, desde que n\u00e3o fique configurada a m\u00e1-f\u00e9 da parte e seja observado o contradit\u00f3rio. Precedentes. A sistem\u00e1tica do processo civil \u00e9 regida pelo princ\u00edpio da instrumentalidade das formas, devendo ser reputados v\u00e1lidos os atos que cumpram a sua finalidade essencial, sem que acarretem preju\u00edzos aos litigantes. Imposs\u00edvel admitir-se a redu\u00e7\u00e3o do valor fixado a t\u00edtulo de compensa\u00e7\u00e3o por danos morais em rela\u00e7\u00e3o ao nascituro, em compara\u00e7\u00e3o com outros filhos do de cujus, j\u00e1 nascidos na ocasi\u00e3o do evento morte, porquanto o fundamento da compensa\u00e7\u00e3o \u00e9 a exist\u00eancia de um sofrimento imposs\u00edvel de ser quantificado com precis\u00e3o. Embora sejam muitos os fatores a considerar para a fixa\u00e7\u00e3o da satisfa\u00e7\u00e3o compensat\u00f3ria por danos morais, \u00e9 principalmente com base na gravidade da les\u00e3o que o juiz fixa o valor da repara\u00e7\u00e3o. (Consult\u00f3rio Jur\u00eddico, 2008)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Observa-se tamb\u00e9m, insiste-se, o Pagamento de DPVAT pela morte do nascituro, no recurso especial n\u00ba 1.415.727\u2013SC (2013\/0360491-3), que teve como relator o Ministro Luis Felipe Salom\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DIREITO CIVIL. ACIDENTE AUTOMOBIL\u00cdSTICO. ABORTO. A\u00c7\u00c3O DE COBRAN\u00c7A. SEGURO OBRIGAT\u00d3RIO. DPVAT.PROCED\u00caNCIA DO PEDIDO. ENQUADRAMENTO JUR\u00cdDICO DO NASCITURO. ART. 2\u00ba DO C\u00d3DIGO CIVIL DE 2002. EXEGESE SISTEM\u00c1TICA.ORDENAMENTO JUR\u00cdDICO QUE ACENTUA A CONDI\u00c7\u00c3O DE PESSOA DO NASCITURO. VIDA INTRAUTERINA. PERECIMENTO. INDENIZA\u00c7\u00c3O DEVIDA. ART. 3\u00ba, INCISO I, DA LEI N. 6.194\/1974. INCID\u00caNCIA<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">1. A despeito da literalidade do art. 2\u00ba do C\u00f3digo Civil que condiciona a aquisi\u00e7\u00e3o de personalidade jur\u00eddica ao nascimento, o ordenamento jur\u00eddico p\u00e1trio aponta sinais de que n\u00e3o h\u00e1 essa indissol\u00favel vincula\u00e7\u00e3o entre o nascimento com vida e o conceito de pessoa, de personalidade jur\u00eddica e de titulariza\u00e7\u00e3o de direitos, como pode aparentar a leitura mais simplificada da lei. 2. Entre outros, registram se como indicativos de que o direito brasileiro confere ao nascituro a condi\u00e7\u00e3o de pessoa, titular de direitos: exegese sistem\u00e1tica dos arts. 1\u00ba, 2\u00ba, 6\u00ba, e 45, caput, do C\u00f3digo Civil; direito do nascituro de receber doa\u00e7\u00e3o, heran\u00e7a e de ser curatela do (arts. 542, 1.779 e 1.798 do C\u00f3digo Civil); a especial prote\u00e7\u00e3o conferida \u00e0 gestante, assegurando se lhe atendimento pr\u00e9-natal (art. 8\u00ba do ECA, o qual, ao fim e ao cabo, visa a garantir o direito \u00e0 vida e \u00e0 sa\u00fade do nascituro); &nbsp;alimentos grav\u00eddicos, cuja titularidade \u00e9, na verdade, do nascituro e n\u00e3o da m\u00e3e (Lei n. 11.804\/2008); no direito penal a condi\u00e7\u00e3o de pessoa viva do nascituro embora n\u00e3o nascida \u00e9 afirmada sem a menor cerim\u00f4nia, pois o crime de aborto (arts. 124 a 127) sempre esteve alocado no t\u00edtulo referente a &#8220;crimes contra a pessoa&#8221; e especificamente no cap\u00edtulo &#8220;dos crimes contra a vida&#8221; tutela da vida humana em forma\u00e7\u00e3o, a chamada vida intrauterina (MIRABETE, Julio Fabbrini. Manual de direito penal, volume II. 25 ed. S\u00e3o Paulo: Atlas, 2007, p. 62 63; NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de direito penal. 8 ed. S\u00e3o Paulo: Revista dos Tribunais, 2012, p. 658). 3. As teorias mais restritivas dos direitos do nascituro natalista e da personalidade condicional fincam ra\u00edzes na ordem jur\u00eddica superada pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 e pelo C\u00f3digo Civil de 2002. O paradigma no qual foram edificadas transitava, essencialmente, dentro da \u00f3rbita dos direitos patrimoniais. Por\u00e9m, atualmente isso n\u00e3o mais se sustenta. Reconhecem-se, corriqueiramente, amplos cat\u00e1logos de direitos n\u00e3o patrimoniais ou de bens imateriais da pessoa como a honra, o nome, imagem, integridade moral e ps\u00edquica, entre outros. 4. Ademais, hoje mesmo que se adote qualquer das outras duas teorias restritivas, h\u00e1 de se reconhecer a titularidade de direitos da personalidade ao nascituro, dos quais o direito \u00e0 vida \u00e9 o mais importante. Garantir ao nascituro expectativas de direitos, ou mesmo direitos condicionados ao nascimento, s\u00f3 faz sentido se lhe for garantido tamb\u00e9m o direito de nascer, o direito \u00e0 vida, que \u00e9 direito pressuposto a todos os demais. 5. Portanto, \u00e9 procedente o pedido de indeniza\u00e7\u00e3o referente ao seguro DPVAT, com base no que disp\u00f5e o art. 3\u00ba da Lei n. 6.194\/1974. Se o preceito legal garante indeniza\u00e7\u00e3o por morte, o aborto causado pelo acidente subsume a perfei\u00e7\u00e3o ao comando normativo, haja vista que outra coisa n\u00e3o ocorreu, sen\u00e3o a morte do nascituro, ou o perecimento de uma vida intrauterina.6. Recurso especial provido. (Consult\u00f3rio Jur\u00eddico, 2014)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outrossim, observa-se que o Brasil adota conven\u00e7\u00f5es sobre os direitos humanos, as quais defendem o direito \u00e0 vida, como \u00e9 o caso do Pacto Internacional de Direitos Civis e Pol\u00edticos de 1966, onde O Brasil ratificou em 24 de janeiro de 1992, que em seu artigo 6\u00b0 destaca que o direito \u00e0 vida deve ser preservado pela lei. Pacto Internacional de Direitos Civis e Pol\u00edticos,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Artigo 6\u00b0: O direito \u00e0 vida \u00e9 inerente \u00e0 pessoa humana. Este direito dever\u00e1 ser protegido pela lei. Ningu\u00e9m poder\u00e1 ser arbitrariamente privado da vida. (Pacto Internacional de Direitos Civis e Pol\u00edticos)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil tamb\u00e9m ratificou, em 25 de setembro de 1992, a Conven\u00e7\u00e3o Americana sobre Direitos Humanos, Pacto de San Jos\u00e9 da Costa Rica, que em seu artigo 4\u00b0 protege o direito \u00e0 vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pacto de San Jos\u00e9 da Costa Rica:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Artigo 4\u00ba -Direito \u00e0 vida. 1. Toda pessoa tem direito de que se respeite sua vida. Esse direito deve ser protegido pela lei e, em geral, desde o momento da concep\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m pode ser privado da vida arbitrariamente. (<em>Pacto de San Jos\u00e9 da Costa Rica)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E a Declara\u00e7\u00e3o Universal Dos Direitos Humanos, assinada no dia 10 de dezembro de 1948, representa um marco da humanidade no reconhecimento de um modelo de padr\u00e3o de vida aceito universalmente para todos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Artigo 1\u00b0: Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. S\u00e3o dotadas de raz\u00e3o e consci\u00eancia e devem agir em rela\u00e7\u00e3o umas \u00e0s outras com esp\u00edrito de fraternidade. (Declara\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, ainda na Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, em seu artigo 3\u00b0: disp\u00f5e que <em>\u201cTodo o homem tem direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade e \u00e0 seguran\u00e7a pessoal\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto, percebe-se todo arcabou\u00e7o jur\u00eddico envolvendo o assunto, demonstrando a import\u00e2ncia que o direito \u00e0 vida \u00e9 apresentado no ordenamento jur\u00eddico brasileiro, bem como, na legisla\u00e7\u00e3o mundial. Deste modo \u00e9 indiscut\u00edvel a inviolabilidade deste direito, que pressup\u00f5e base elementar dos direitos fundamentais.<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\u00a0PROJETO DE LEI 4396\/2016<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 importante frisar que, tramita perante a C\u00e2mara dos Deputados o projeto de Lei n. 4396\/2016, de autoria do deputado federal Anderson Ferreira (PR-PE), o qual pretende alterar o C\u00f3digo Penal Brasileiro (Decreto-Lei 2848\/40) e aumentar a pena em um ter\u00e7o at\u00e9 a metade, para a pr\u00e1tica de aborto com fetos que tenham a microcefalia ou mesmo qualquer outra anomalia. Para o deputado abortar um feto com defici\u00eancia seria uma forma qualificada do crime de aborto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Deputado Anderson Ferreira, em sua an\u00e1lise, destacou que:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Anteriormente foram os anenc\u00e9falos. Hoje voc\u00ea v\u00ea o movimento tentando querer incluir a microcefalia. E amanh\u00e3 o que ser\u00e1? Amanh\u00e3 pode ser outro tipo de doen\u00e7a. Se nos depararmos com outra epidemia, se abre um precedente para querermos tamb\u00e9m legalizar o aborto para outro tipo de doen\u00e7a. (EBC, 2016).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Projeto de Lei n. 4396\/2016, foi apresentado ao Plen\u00e1rio no dia 16 de Fevereiro de 2016, onde, ap\u00f3s um despacho, foi encaminhada \u00e0 publica\u00e7\u00e3o pela Coordena\u00e7\u00e3o de Comiss\u00f5es Permanentes (CCP) e, em seguida, foi recebido pela Comiss\u00e3o de Seguridade Social e Fam\u00edlia (CSSF), no dia 23 de Fevereiro de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>5 CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os direitos fundamentais evolu\u00edram com grande intensidade no sentido de proteger o indiv\u00edduo em sua dignidade e liberdade. Todavia, diante de uma sociedade cuja desigualdade ainda \u00e9 a marca; diante a um contexto de vida onde o capitalismo e outras ideologias alimentam o individualismo; diante aos reclamos da atualidade, em que valores e vidas s\u00e3o constantemente postos em plano secund\u00e1rio, pondo em risco tudo e todos, s\u00f3 resta \u00e0 esperan\u00e7a de um projeto mais solid\u00e1rio para n\u00f3s seres humanos: o Direito \u00e0 Vida!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desse modo, cabe aos operadores do Direito esse papel de transforma\u00e7\u00e3o, utilizando a dignidade da pessoa humana como hermen\u00eautica, a partir da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, como exposto no decorrer do trabalho, sempre objetivando a amplia\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio da solidariedade humana para al\u00e9m das fronteiras das palavras, reconhecendo que a civiliza\u00e7\u00e3o s\u00f3 evoluiu e evoluir\u00e1 quando todos, juntos, pudermos assumir um projeto de vida que leve em considera\u00e7\u00e3o nossa ess\u00eancia: seres sociais que somos a caminho de um mundo sempre melhor e em busca do maior direito de todos que \u00e9 a felicidade, cujo precedente \u00e9 o valor vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Enfim, dentre desse contexto, abortar um feto com microcefalia n\u00e3o \u00e9 uma resposta adequada \u00e0 crise de sa\u00fade p\u00fablica presente hoje no Brasil. Presume-se, portanto, que um diagn\u00f3stico de microcefalia n\u00e3o \u00e9 raz\u00e3o suficiente para destruir a crian\u00e7a no \u00fatero, na medida em que se trata indiscutivelmente de uma vida, e nesse particular amparada pela nossa Constitui\u00e7\u00e3o Federal, bem como tutelada como crime sua eventual interrup\u00e7\u00e3o pelo C\u00f3digo Penal brasileiro, ainda mais se levarmos em considera\u00e7\u00e3o tratar-se de caso completamente diverso de fetos com anencefalia, sem c\u00e9rebro, sem vida, sem raz\u00e3o de qualquer possibilidade de atua\u00e7\u00e3o Estatal na interrup\u00e7\u00e3o da gravidez nesses casos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pelo exposto, \u00e9 importante opinar que os problemas sociais n\u00e3o devem ser explica\u00e7\u00e3o para que o direito \u00e0 vida do feto em gesta\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja preservado, embora, por fim, fique o registro e a torcida para que os servi\u00e7os p\u00fablicos em nosso pa\u00eds, assim como os problemas sociais sejam, ao m\u00ednimo, minimizados. E que seja introduzido pol\u00edticas p\u00fablicas planejadas a longo prazo ao combate desses problemas estruturais e sociais, para que as futuras gera\u00e7\u00f5es possam usufruir de um Estado com maior igualdade social e subsist\u00eancia digna de toda a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BITENCOURT, C. <strong>Tratado De Direito Penal<\/strong>. 14. ed. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2014. 167 e 229 p.<strong> <\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Brasil<\/strong>. <a href=\"https:\/\/legislacao.planalto.gov.br\/legisla\/legislacao.nsf\/viwTodos\/c44c4a59ad7cbc37032569fa007421ec?OpenDocument&amp;Highlight=1,&amp;AutoFramed\">CONSTITUI\u00c7\u00c3O DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL (DE 18 DE SETEMBRO DE 1946<\/a><strong>.<\/strong> Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Constituicao\/Constituicao46.htm\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Constituicao\/Constituicao46.htm<\/a>&gt;. Acessado em: 08 de maio de 2016.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>______<\/strong>. <strong>CONSTITUI\u00c7\u00c3O DA REP\u00daBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1967<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Constituicao\/Constituicao67.htm\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Constituicao\/Constituicao67.htm<\/a>&gt;. Acessado em: 08 de maio de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>______<\/strong>. <strong>CONSTITUI\u00c7\u00c3O DA REP\u00daBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988<\/strong> Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Constituicao\/Constituicao.htm\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Constituicao\/Constituicao.htm<\/a>&gt;. Acessado em: 08 de maio de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>______<\/strong> <strong>LEI N\u00ba 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990<\/strong>.Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Leis\/L8069.htm\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Leis\/L8069.htm<\/a>&gt;. Acessado em: 08 de maio de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>______<\/strong><strong>. LEI No 10.406, DE 10 DE JANEIRO DE 2002. <\/strong>Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Leis\/2002\/L10406.htm\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/Leis\/2002\/L10406.htm<\/a>&gt;. Acessado em: 08 de maio de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>______<\/strong>. <strong>LEI N\u00ba 11.804, DE&nbsp; 5 DE NOVEMBRO DE 2008.<\/strong> Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2007-2010\/2008\/lei\/l11804.htm\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2007-2010\/2008\/lei\/l11804.htm<\/a>&gt;. Acessado em: 08 de maio de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>______<\/strong>. <strong>DECRETO No 592, DE 6 DE JULHO DE 1992.<\/strong> Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto\/1990-1994\/d0592.htm\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto\/1990-1994\/d0592.htm<\/a>&gt;. Acessado em: 08 de maio de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>______<\/strong>. <strong>DECRETO-LEI No 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/CCIVIL_03\/Decreto-Lei\/Del2848.htm\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/CCIVIL_03\/Decreto-Lei\/Del2848.htm<\/a>&gt;. Acessado em: 08 de maio de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Comiss\u00e3o Internacional dos Direitos Humanos. <strong>Conven\u00e7\u00e3o Americana Sobre Direitos Humanos<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.cidh.org\/Basicos\/Portugues\/c.Convencao_Americana.htm\">http:\/\/www.cidh.org\/Basicos\/Portugues\/c.Convencao_Americana.htm<\/a>&gt;. Acessado em: 08 de maio de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Consultou Jur\u00eddico. STJ Concede Indeniza\u00e7\u00e3o para Nascituro por Danos Morais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.conjur.com.br\/2008-jun-19\/stj_concede_indenizacao_nascituro_danos_morais\">http:\/\/www.conjur.com.br\/2008-jun-19\/stj_concede_indenizacao_nascituro_danos_morais<\/a>&gt;. Acessado em: 20 de abril de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">______.<strong> Feto morto em acidente de tr\u00e2nsito n\u00e3o tem direito a DPVAT, diz TJ-GO <\/strong>Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.conjur.com.br\/2014-jul-24\/feto-morto-acidente-transito-nao-direito-dpvat\">http:\/\/www.conjur.com.br\/2014-jul-24\/feto-morto-acidente-transito-nao-direito-dpvat<\/a>&gt;. Acessado em: 27 de abril de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos. <strong>A Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.dudh.org.br\/declaracao\/\">http:\/\/www.dudh.org.br\/declaracao\/<\/a>&gt;. Acessado em: 08 de maio de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">EBC Not\u00edcias. <strong>Projeto quer aumentar pena para aborto em casos de microcefalia<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.ebc.com.br\/noticias\/saude\/2016\/02\/projeto-quer-aumentar-pena-para-aborto-em-casos-de-microcefalia\">http:\/\/www.ebc.com.br\/noticias\/saude\/2016\/02\/projeto-quer-aumentar-pena-para-aborto-em-casos-de-microcefalia<\/a>&gt;. Acessado em: 23 de fevereiro de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9poca. <strong>A causa dos novos casos de malforma\u00e7\u00e3o cerebral em beb\u00eas do Nordeste \u00e9 mesmo o zika v\u00edrus? A inquieta\u00e7\u00e3o de uma m\u00e9dica da Para\u00edba em busca da verdade<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/tempo\/noticia\/2015\/11\/o-avanco-do-surto-de-microcefalia.html\">http:\/\/epoca.globo.com\/tempo\/noticia\/2015\/11\/o-avanco-do-surto-de-microcefalia.html<\/a>&gt;. Acessado em: 27 de abril de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">______<strong>. \u201cO zika torna inevit\u00e1vel o debate sobre o aborto\u201d, diz Suzanne Serruya, da OMS. <\/strong>Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/vida\/noticia\/2016\/01\/o-zika-torna-inevitavel-o-debate-sobre-o-aborto-diz-suzanne-serruya-da-oms.html\">http:\/\/epoca.globo.com\/vida\/noticia\/2016\/01\/o-zika-torna-inevitavel-o-debate-sobre-o-aborto-diz-suzanne-serruya-da-oms.html<\/a>&gt;. Acessado em: 07 de abril de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">______. <strong>Ministro defende op\u00e7\u00e3o de aborto em casos de microcefalia<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt; <a href=\"http:\/\/epoca.globo.com\/tempo\/filtro\/noticia\/2016\/02\/em-acao-contra-aedes-aegypti-ministro-defende-aborto-em-casos-de-microcefalia.html\">http:\/\/epoca.globo.com\/tempo\/filtro\/noticia\/2016\/02\/em-acao-contra-aedes-aegypti-ministro-defende-aborto-em-casos-de-microcefalia.html<\/a>&gt;. Acessado em: 07 de maio de 2016<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fiocruz. <strong>O que \u00e9 a microcefalia?<\/strong> Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/portal.fiocruz.br\/pt-br\/o-que-%C3%A9-microcefalia\">http:\/\/portal.fiocruz.br\/pt-br\/o-que-%C3%A9-microcefalia<\/a>&gt;. Acessado em: 27de abril de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">______. <strong>O que causa a microcefalia?<\/strong> Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/portal.fiocruz.br\/pt-br\/o-que-causa-a-microcefalia\">http:\/\/portal.fiocruz.br\/pt-br\/o-que-causa-a-microcefalia<\/a>&gt;. Acessado em: 27 de abril de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Folha de S\u00e3o Paulo. Ministro da Sa\u00fade defende lei contra o aborto, que exclui microcefalia.&nbsp; Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2016\/02\/1738148-ministro-da-saude-defende-lei-contra-o-aborto-que-exclui-casos-de-microcefalia.shtml&gt;. Acessado em: 27 de abril de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">JESUS, D. <strong>Direito Penal<\/strong>. 26. ed. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2004. 119 p.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Datafolha. <strong>51% rejeitam aborto de fetos com microcefalia causada por zika<\/strong> Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/datafolha.folha.uol.com.br\/opiniaopublica\/2016\/02\/1744625-51-rejeitam-aborto-de-fetos-com-microcefalia-causada-por-zika.shtml\">http:\/\/datafolha.folha.uol.com.br\/opiniaopublica\/2016\/02\/1744625-51-rejeitam-aborto-de-fetos-com-microcefalia-causada-por-zika.shtml<\/a>. Acessado em: 22 de abril de 2016<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MENDES, G; BRANCO, P. <strong>Curso de Direito Constitucional<\/strong>. 9. ed. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2014. 255-256 p.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. <strong>V\u00edrus Zika X Microcefalia<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/combateaedes.saude.gov.br\/index.php\/tira-duvidas#diagnostico-microcefalia\">http:\/\/combateaedes.saude.gov.br\/index.php\/tira-duvidas#diagnostico-microcefalia<\/a>&gt;. Acessado em: 08 de maio de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">______. <strong>V\u00edrus Zika X Microcefalia<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/combateaedes.saude.gov.br\/index.php\/tira-duvidas#o-que-e-microcefalia\">http:\/\/combateaedes.saude.gov.br\/index.php\/tira-duvidas#o-que-e-microcefalia<\/a>&gt;. Acessado em: 08 de maio de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">______. <strong>MINIST\u00c9RIO DA SA\u00daDE CONFIRMA 1.271 CASOS DE MICROCEFALIA. <\/strong>Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/combateaedes.saude.gov.br\/noticias\/603-microcefalia-ministerio-da-saude-confirma-1-271-casos-no-pais\">http:\/\/combateaedes.saude.gov.br\/noticias\/603-microcefalia-ministerio-da-saude-confirma-1-271-casos-no-pais<\/a>&gt;. Acessado em: 08 de maio de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MORAES, A. <strong>Direito Constitucional.<\/strong> 25. Ed. S\u00e3o Paulo: Atlas, 2010. 35 p.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">C\u00e2mara Federal. PL 4396\/2016. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.camara.gov.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=2077282\">http:\/\/www.camara.gov.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=2077282<\/a>&gt;. Acessado em: 08 de maio de 2016.<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Globo. <strong>Direito ao aborto<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/blog\/yvonne-maggie\/post\/direito-ao-aborto.html\">http:\/\/g1.globo.com\/pop-arte\/blog\/yvonne-maggie\/post\/direito-ao-aborto.html<\/a>&gt;. Acessado em: 08 de maio de 2016.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00ad\u00ad\u00ad______. <strong>Papa admite uso de contraceptivos em pa\u00edses afetados pelo v\u00edrus da zika<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/jornal-nacional\/noticia\/2016\/02\/papa-admite-uso-de-contraceptivos-em-paises-afetados-pelo-virus-da-zika.html\">http:\/\/g1.globo.com\/jornal-nacional\/noticia\/2016\/02\/papa-admite-uso-de-contraceptivos-em-paises-afetados-pelo-virus-da-zika.html<\/a>&gt;. Acessado em: 23 de fevereiro de 2016.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">______. <strong>Ex-ministro da Sa\u00fade apoiar\u00e1 pedido de aborto legal por microcefalia no STF<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/bemestar\/noticia\/2016\/02\/ex-ministro-da-saude-apoiara-pedido-de-aborto-legal-por-microcefalia-no-stf.html\">http:\/\/g1.globo.com\/bemestar\/noticia\/2016\/02\/ex-ministro-da-saude-apoiara-pedido-de-aborto-legal-por-microcefalia-no-stf.html<\/a>&gt;. Acessado em: 27 de abril de 2016.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ONU Mulheres. <strong>\u201cMulheres devem estar no centro da resposta ao surto de zika\u201d, diz diretora executiva da ONU Mulheres<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.onumulheres.org.br\/noticias\/mulheres-devem-estar-no-centro-da-resposta-ao-surto-de-zika-diz-diretora-executiva-da-onu-mulheres\/\">http:\/\/www.onumulheres.org.br\/noticias\/mulheres-devem-estar-no-centro-da-resposta-ao-surto-de-zika-diz-diretora-executiva-da-onu-mulheres\/<\/a>&gt;. Acessado em: 14 de abril de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ONU. <strong>Defender direitos das mulheres \u00e9 essencial para a resposta ao zika, diz ONU<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/nacoesunidas.org\/defender-direitos-das-mulheres-e-essencial-para-a-resposta-ao-zika-diz-onu\/\">https:\/\/nacoesunidas.org\/defender-direitos-das-mulheres-e-essencial-para-a-resposta-ao-zika-diz-onu\/<\/a>&gt;. Acessado em: 14 de abril de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">______. <strong>Sa\u00fade sexual e reprodutiva \u00e9 insepar\u00e1vel dos outros direitos humanos, destacam especialistas da ONU<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/nacoesunidas.org\/saude-sexual-e-reprodutiva-e-inseparavel-dos-outros-direitos-humanos-destacam-especialistas-da-onu\/\">https:\/\/nacoesunidas.org\/saude-sexual-e-reprodutiva-e-inseparavel-dos-outros-direitos-humanos-destacam-especialistas-da-onu\/<\/a>&gt;. Acessado em: 14 de abril de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portal M\u00e9dicos. <strong>RESOLU\u00c7\u00c3O CFM N\u00ba 1.989\/2012. <\/strong>Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.portalmedico.org.br\/resolucoes\/CFM\/2012\/1989_2012.pdf\">http:\/\/www.portalmedico.org.br\/resolucoes\/CFM\/2012\/1989_2012.pdf<\/a>&gt;. Acessado em: 07 de maio de 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">R\u00e1dio Ag\u00eancia Nacional. <strong>Governo vai aguardar posi\u00e7\u00e3o do STF sobre aborto e microcefalia<\/strong>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/radioagencianacional.ebc.com.br\/geral\/audio\/2016-02\/governo-vai-aguardar-posicao-do-stf-sobre-aborto-e-microcefalia\">http:\/\/radioagencianacional.ebc.com.br\/geral\/audio\/2016-02\/governo-vai-aguardar-posicao-do-stf-sobre-aborto-e-microcefalia<\/a>&gt;. Acessado em: 23 de fevereiro de 2016.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Graduanda em Direito pelo Centro Universit\u00e1rio de Jo\u00e3o Pessoa (UNIP\u00ca).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"\/scientiaetratio\/#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Doutor em Pol\u00edticas P\u00fablicas e Forma\u00e7\u00e3o Humana pela UERJ, Mestre em Direito pela UFPB.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>THE RIGHT TO ABORTION FOR FETAL CASES WITH MICROCEPHALY DIAGNOSIS Artigo submetido em 02 de novembro de 2016Artigo aprovado em&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":1057,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"fifu_image_url":"https:\/\/cognitiojuris.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/cognitio-juris_n6.jpg","fifu_image_alt":"","footnotes":""},"categories":[2],"tags":[12],"class_list":["post-862","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos-cientificos","tag-2-2016"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/862","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=862"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/862\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1052,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/862\/revisions\/1052"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1057"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=862"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=862"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoranorat.com.br\/scientiaetratio\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=862"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}