Curso de História para o 1º Ano do Ensino Médio
MÓDULO 5 – OUTROS POVOS E CIVILIZAÇÕES ANTIGAS
Aula 64 – Civilizações do Extremo Oriente: contribuições para a humanidade
Aula 64 – Civilizações do Extremo Oriente: contribuições para a humanidade
Nesta aula vamos tratar sobre as grandes civilizações da Ásia Oriental e do sul da Ásia, e descobrir como elas contribuíram de forma decisiva para construir o mundo em que vivemos hoje. Em muitos momentos da nossa educação, aprendemos a história como se ela fosse principalmente uma história europeia ou mediterrânea. Mas a verdade é que enquanto os gregos filosofavam, enquanto os romanos construíam seu império e enquanto os europeus medievais viviam sob o feudalismo, as civilizações do Extremo Oriente estavam produzindo avanços intelectuais, tecnológicos e filosóficos que transformariam o mundo inteiro.
A China, a Índia e o Japão, que estudamos nas aulas anteriores, não foram civilizações passivas que apenas existiram em algum canto distante do mundo. Foram civilizações ativas, criativas e extremamente produtivas, cujas contribuições chegaram até nós por caminhos muitas vezes tortuosos e cujas marcas estão presentes no nosso cotidiano, mesmo que nem sempre percebamos isso.
Vamos começar pela China, que é, sem dúvida, a civilização do Extremo Oriente que mais contribuições tecnológicas e intelectuais deu ao mundo.
A primeira grande contribuição que precisamos destacar é o papel. Antes da invenção do papel, as civilizações usavam os materiais mais variados para registrar informações: pedra, argila, papiro, osso, madeira e seda. Todos esses materiais tinham limitações sérias: eram pesados, frágeis, caros ou difíceis de produzir em grande quantidade. O papel, inventado na China durante a Dinastia Han, por volta do século dois antes de Cristo e aperfeiçoado ao longo dos séculos seguintes, mudou completamente isso. Feito de fibras vegetais, como bambu, cânhamo ou cascas de árvore, o papel era leve, flexível, relativamente barato de produzir e de uma qualidade muito superior para a escrita. Ele permitiu a multiplicação de documentos administrativos, de textos literários e religiosos, de mapas e de tratados científicos em uma escala que nenhum material anterior tornava possível.
O papel viajou da China para o mundo árabe por volta do século oito depois de Cristo, depois de uma batalha entre exércitos árabes e chineses na Batalha de Talas, em 751 depois de Cristo, na qual os árabes capturaram alguns artesãos chineses que sabiam fabricar papel. A partir do mundo árabe, a técnica de fabricação do papel chegou à Europa, primeiro à Península Ibérica e depois ao resto do continente, por volta dos séculos doze e treze. A chegada do papel à Europa foi um passo fundamental para a democratização do conhecimento, pois tornou os livros muito mais acessíveis do que eram quando escritos em pergaminho, um material feito de pele de animais que era muito mais caro e de produção muito mais limitada.
A segunda grande contribuição chinesa é a impressão tipográfica. Os chineses desenvolveram técnicas de impressão muito antes da Europa. O uso de blocos de madeira entalhados para imprimir textos em papel surgiu na China durante a Dinastia Tang, por volta do século sete depois de Cristo. Mais tarde, durante a Dinastia Song, o artesão Bi Sheng inventou os tipos móveis, em que cada caractere era esculpido separadamente e podia ser recomposto em qualquer ordem para imprimir qualquer texto. Essa invenção, que os europeus às vezes atribuem erroneamente a Gutenberg no século quinze, existia na China séculos antes.
A diferença é que a escrita chinesa, com seus milhares de caracteres, tornava a impressão com tipos móveis muito mais complexa do que na Europa, onde o alfabeto de apenas vinte e tantas letras tornava o sistema de Gutenberg muito mais prático. Mas o princípio era o mesmo, e é muito provável que a invenção de Gutenberg tenha sido influenciada pelo conhecimento das técnicas de impressão chinesas, que já circulavam pelo mundo árabe.
A pólvora é outra invenção chinesa que mudou a história do mundo de forma radical. Descoberta por alquimistas taoístas que experimentavam substâncias em busca de elixires de vida eterna, a pólvora foi inicialmente usada em fogos de artifício durante festividades e rituais religiosos. Com o tempo, os chineses perceberam seu potencial militar e desenvolveram as primeiras armas de pólvora da história: bombas incendiárias, foguetes rudimentares, e depois canhões e armas de fogo. A pólvora viajou para o mundo árabe por volta do século nono ou décimo, e chegou à Europa por volta do século treze. Quando a pólvora chegou à Europa, ela transformou completamente a arte da guerra, tornando obsoletas as armaduras de aço dos cavaleiros medievais, demolindo as muralhas dos castelos feudais e revolucionando a estratégia e a tática militares. A pólvora foi um dos fatores que ajudou a enterrar o sistema feudal medieval europeu e a abrir caminho para a era dos Estados nacionais modernos.
A bússola é a quarta grande invenção chinesa que merece destaque. Os chineses descobriram as propriedades magnéticas de certos minerais, como a magnetita, e desenvolveram os primeiros instrumentos de orientação magnética. Esses instrumentos eram inicialmente usados para fins geomânticos, de acordo com os princípios do Feng Shui, a arte chinesa de organizar os espaços de acordo com o fluxo da energia cósmica. Mas a aplicação da bússola à navegação marítima foi uma revolução. Antes da bússola, os navegadores só podiam se orientar pelas estrelas, o que tornava a navegação noturna e a navegação em céu nublado extremamente perigosas. Com a bússola, era possível navegar em qualquer condição climática e em mar aberto, sem precisar seguir a costa. A bússola chegou ao mundo árabe e depois à Europa por volta dos séculos doze e treze, e foi um instrumento fundamental para as grandes navegações europeias dos séculos quinze e dezesseis.
A seda foi outro produto chinês de impacto extraordinário no mundo. Desenvolvida na China há mais de cinco mil anos, a seda era um tecido de beleza e de qualidade incomparáveis. Os chineses guardaram por séculos o segredo de sua produção, punindo com a morte quem tentasse exportar os ovos do bicho-da-seda ou as sementes da amoreira. Mas a seda circulava pelo mundo através das redes comerciais, e era tão valorizada que ela própria funcionava como moeda de troca. A seda deu nome à Rota da Seda, a grande rede de rotas comerciais que conectava a China ao Mediterrâneo, e sobre a qual vamos falar mais detalhadamente em seguida.
A porcelana é outro produto chinês que revolucionou a cultura material do mundo. Os chineses desenvolveram técnicas de fabricação de cerâmica de uma fineza e de uma resistência que não tinham equivalente em nenhuma outra parte do mundo. A porcelana chinesa era tão admirada que era presenteada como símbolo de prestígio entre reis e imperadores, e sua influência sobre a arte cerâmica do mundo islâmico e depois da Europa foi enorme. Até hoje, em muitos países de língua inglesa, a palavra china, que vem do nome do país, é usada para designar qualquer tipo de louça fina, independentemente de onde foi fabricada.
Os chineses também deram ao mundo avanços fundamentais em astronomia e em matemática. Os astrônomos chineses observaram o céu com extraordinária precisão, registrando fenômenos como eclipses, cometas e a aparição de novas estrelas com uma regularidade e uma acurácia que só seria igualada muito tempo depois em outras partes do mundo. O calendário chinês, que combina elementos do calendário solar e do calendário lunar, é um dos mais sofisticados que qualquer civilização antiga desenvolveu.
Em matemática, os chineses desenvolveram cedo o uso do sistema decimal e de instrumentos de cálculo como o ábaco. Eles conheciam os números negativos e os usavam em cálculos econômicos muito antes de qualquer civilização ocidental. Desenvolveram métodos de resolução de sistemas de equações lineares que só seriam redescobertos na Europa séculos depois. E fizeram avançadas aproximações do valor de pi, a razão entre a circunferência e o diâmetro de um círculo, com uma precisão notável para a época.
O sistema de exames imperiais para a seleção de funcionários públicos é outra contribuição chinesa de enorme importância histórica. Ao criar um sistema em que os cargos administrativos eram preenchidos com base no mérito intelectual, medido por provas de conhecimento dos textos clássicos, e não apenas por nascimento aristocrático, a China inventou o embrião da meritocracia burocrática. Esse sistema, que funcionou na China por mais de mil anos, influenciou os sistemas de seleção de funcionários públicos de muitos países modernos, e o princípio de que os cargos públicos devem ser preenchidos por meio de concursos é uma herança direta, embora indireta e mediada, dessa tradição chinesa.
O confucionismo, como sistema de pensamento ético e político, foi talvez a contribuição intelectual mais duradoura da China. Ele moldou não apenas a China, mas toda a Ásia Oriental, incluindo o Japão, a Coreia e o Vietnã, por mais de dois mil anos. Os valores confucianos de respeito às autoridades, de lealdade, de educação, de trabalho árduo e de busca pela harmonia social estão profundamente incorporados nas culturas dos países da Ásia Oriental até hoje, e muitos estudiosos acreditam que esses valores têm um papel importante no desenvolvimento econômico acelerado que esses países viveram nas últimas décadas do século vinte.
Vamos agora falar das contribuições da Índia, que são igualmente extraordinárias, embora muitas vezes menos conhecidas do grande público.
A contribuição mais importante e mais universal da Índia para a humanidade é, sem dúvida, o sistema numérico que usamos hoje. O que chamamos de algarismos arábicos, os numerais um, dois, três, quatro e assim por diante, que utilizamos em toda a matemática moderna, foram na verdade inventados na Índia. Os matemáticos indianos desenvolveram o sistema de numeração posicional com base dez, em que o valor de um numeral depende de sua posição em relação aos outros numerais: unidades, dezenas, centenas e assim por diante. Esse sistema foi uma revolução em relação aos sistemas anteriores, como os números romanos, que eram extremamente difíceis de usar para fazer operações matemáticas complexas.
Mas a invenção indiana mais extraordinária dentro desse sistema numérico é o zero. O conceito de zero, um numeral que representa a ausência de quantidade e que permite o funcionamento do sistema posicional, foi inventado na Índia por volta do quinto ou sexto século depois de Cristo. Parece simples, mas o conceito de zero foi uma das ideias mais difíceis e mais revolucionárias da história do pensamento humano. Sem o zero, não existe sistema numérico posicional. Sem o sistema posicional, não existe matemática avançada. Sem matemática avançada, não existem física, química, engenharia, computação ou qualquer uma das ciências e tecnologias que sustentam o mundo moderno. O zero, inventado na Índia, está na base de toda a nossa civilização tecnológica.
Esses numerais indianos chegaram ao mundo árabe por volta do século oito depois de Cristo, onde foram adotados entusiasticamente pelos matemáticos islâmicos, que os desenvolveram e os transmitiram para a Europa medieval. Por isso eles são chamados de algarismos arábicos, mas deveriam mais corretamente ser chamados de algarismos indo-arábicos.
A álgebra, como disciplina matemática, também tem raízes profundas na tradição matemática indiana, embora tenha sido desenvolvida principalmente pelo matemático árabe Al-Khwarizmi, que estudou as obras dos matemáticos indianos. O próprio nome álgebra vem do título de um livro de Al-Khwarizmi, e a palavra algoritmo vem do nome do próprio Al-Khwarizmi em latim, mostrando como as contribuições indianas e árabes estão entrelaçadas.
A medicina indiana, chamada de Ayurveda, que significa ciência da vida em sânscrito, é outro campo em que a Índia fez contribuições pioneiras. O médico indiano Sushruta, que viveu por volta do século seis antes de Cristo, descreveu técnicas cirúrgicas de enorme sofisticação, incluindo operações de catarata, remoção de cálculos renais, amputações de membros e reconstruções do nariz, que é considerada a primeira cirurgia plástica documentada na história. Ele descreveu centenas de instrumentos cirúrgicos e técnicas de anestesia. Seus textos, compilados no Sushruta Samhita, foram estudados e usados por médicos do mundo árabe e depois da Europa medieval.
O xadrez é outra invenção indiana que se espalhou pelo mundo inteiro. O jogo foi inventado na Índia, provavelmente por volta do século sexto depois de Cristo, com o nome de Chaturanga, que em sânscrito significa as quatro divisões do exército, referindo-se aos quatro tipos de peças originais: infantaria, cavalaria, elefantes e carros de guerra. O Chaturanga viajou para a Pérsia, onde se transformou no Shatranj, depois para o mundo árabe e finalmente para a Europa medieval, onde se transformou no xadrez que conhecemos hoje. O xadrez é hoje jogado em todos os países do mundo e é reconhecido como um dos melhores exercícios para o desenvolvimento da inteligência estratégica e do pensamento analítico.
O cultivo e a produção de tecidos de algodão são outras contribuições indianas que transformaram a vida humana. A Índia é um dos lugares onde o algodão foi domesticado e cultivado mais cedo na história, e os tecidos de algodão produzidos na Índia antiga eram famosos em todo o mundo antigo pela sua qualidade e pela sua variedade. A tradição têxtil indiana influenciou as tradições de tecelagem de muitos outros povos e contribuiu para o desenvolvimento da indústria têxtil mundial.
O budismo é talvez a contribuição espiritual mais duradoura da Índia para a humanidade. Como já estudamos, o budismo nasceu na Índia no século sexto antes de Cristo com Siddhartha Gautama, e se espalhou por toda a Ásia, chegando ao Sri Lanka, à China, ao Japão, à Coreia, ao Vietnã, à Tailândia, ao Tibete e a muitos outros países. Com mais de quinhentos milhões de seguidores atualmente, o budismo é uma das maiores religiões do mundo, e suas práticas de meditação e de atenção plena têm influenciado cada vez mais o pensamento ocidental contemporâneo. A meditação mindfulness, que hoje é praticada em empresas, hospitais, escolas e centros de saúde em todo o mundo, tem suas raízes nas práticas meditativas do budismo indiano.
O yoga é outra prática de origem indiana que se tornou global. Originalmente uma disciplina espiritual ligada ao hinduísmo, que envolvia práticas físicas, técnicas de respiração e meditação com o objetivo de unir o corpo, a mente e o espírito, o yoga foi adotado no mundo ocidental principalmente como uma forma de exercício físico e de redução do estresse. Mas em sua forma original, o yoga é muito mais do que um exercício: é um sistema completo de desenvolvimento espiritual e mental que tem sido praticado na Índia há mais de quatro mil anos.
O conceito de não violência, chamado em sânscrito de ahimsa, é outra contribuição filosófica e ética da Índia que influenciou o pensamento mundial. O ahimsa era central tanto no hinduísmo quanto no budismo e no jainismo, outra grande religião indiana. Esse princípio de respeito por todos os seres vivos e de recusa ao uso da violência influenciou pensadores e líderes do século vinte, como Mahatma Gandhi, que usou o ahimsa como princípio central de sua luta pela independência da Índia do domínio britânico, e Martin Luther King Junior, que usou princípios semelhantes em sua luta pelos direitos civis nos Estados Unidos.
Vamos agora falar das contribuições do Japão, que, embora se beneficiando enormemente das influências chinesa e indiana, desenvolveu uma série de criações culturais e artísticas que são genuinamente suas e que tiveram um impacto crescente no mundo.
A arte japonesa de impressão em madeira, chamada de ukiyo-e, foi uma das primeiras tradições artísticas asiáticas a ter um impacto profundo na arte europeia. No século dezenove, quando artistas europeus como Van Gogh, Monet e Degas tiveram acesso às gravuras japonesas que chegavam à Europa, ficaram completamente encantados com a composição ousada, as cores vivas e a perspectiva incomum dessas obras. Essa influência da arte japonesa sobre o impressionismo e o pós-impressionismo europeu é chamada de Japonismo, e foi um dos fatores que ajudou a transformar a arte ocidental no final do século dezenove e no início do século vinte.
A estética japonesa, com seus conceitos como wabi-sabi, que é a beleza encontrada na imperfeição e na impermanência, e mono no aware, que é a emoção melancólica e bela diante da transitoriedade das coisas, influenciou profundamente o design, a arquitetura, a literatura e a filosofia contemporâneas. Muitos dos princípios do design minimalista moderno, com sua ênfase na simplicidade, na funcionalidade e na harmonia com a natureza, têm raízes na estética japonesa tradicional.
A cerimônia do chá japonesa, chamada de chado, é outra contribuição cultural japonesa de grande significado. Embora o chá tenha origem na China, os japoneses desenvolveram em torno do ato de preparar e de tomar chá toda uma filosofia e uma arte, que envolve a arquitetura da casa do chá, a escolha dos utensílios, os movimentos ritualizados do mestre do chá e o estado de espírito de presença plena e de simplicidade que a cerimônia busca cultivar. A cerimônia do chá é um exemplo de como a cultura japonesa tem a capacidade de transformar os atos mais cotidianos em formas de arte e de prática espiritual.
A origami, a arte japonesa de dobrar papel em formas de animais, flores e outras figuras sem usar tesoura ou cola, é outra criação japonesa que se tornou global. Hoje a origami é praticada em todo o mundo, usada tanto como arte quanto como técnica de desenvolvimento cognitivo em crianças. E não é apenas uma arte decorativa: os princípios matemáticos por trás da origami foram estudados por engenheiros e cientistas e aplicados no design de estruturas espaciais, de painéis solares que se dobram para caber em foguetes e de stents vasculares usados na medicina.
A Rota da Seda merece uma menção especial nessa aula, porque ela foi o principal veículo pelo qual todas essas contribuições das civilizações do Extremo Oriente chegaram ao resto do mundo.
A Rota da Seda não era uma única estrada, mas uma rede de rotas terrestres e marítimas que conectava a China ao Mediterrâneo, passando pela Ásia Central, pelo Oriente Médio e pelo norte da África. Ela estava ativa desde o século segundo antes de Cristo, quando o imperador Han Wu Di enviou o diplomata Zhang Qian para o oeste para estabelecer alianças contra os nômades Xiongnu, e foi então que os chineses descobriram que havia outros grandes impérios e outras grandes civilizações além das suas fronteiras.
Pela Rota da Seda viajavam as mercadorias mais preciosas do mundo antigo: seda, especiarias, porcelana, joias, vidro, tecidos e muito mais. Mas a Rota da Seda era também uma rota de transmissão de ideias, de tecnologias e de religiões. O budismo viajou da Índia para a China pela Rota da Seda, e depois da China para o Japão e para a Coreia. O islamismo viajou da Arábia para a Ásia Central e para a China pela Rota da Seda. O papel, a pólvora, a bússola e a seda viajaram da China para o Ocidente pela Rota da Seda. Os algarismos indianos viajaram para o mundo árabe e depois para a Europa pela Rota da Seda.
A Rota da Seda era também uma rota de transmissão de doenças. A Peste Negra, que devastou a Europa no século quatorze depois de Cristo, provavelmente viajou da Ásia Central para a Europa pelas rotas comerciais da Rota da Seda, carregada pelos ratos que infestavam as caravanas e os navios.
A Rota da Seda foi uma das primeiras grandes redes de globalização da história humana, um sistema de conexões que unia civilizações distantes e que permitia a troca de produtos, de ideias e de culturas em uma escala sem precedentes no mundo antigo. Quando os europeus das grandes navegações do século quinze e dezesseis cruzaram os oceanos em busca de rotas diretas para a Ásia, eles estavam tentando, em parte, contornar os intermediários que controlavam as rotas terrestres da Rota da Seda e que encareciam os produtos orientais. A descoberta da rota marítima para as Índias foi motivada, em grande parte, pelo desejo de ter acesso direto às riquezas do Oriente.
Outro aspecto muito importante das contribuições das civilizações do Extremo Oriente que merece destaque é o papel da Coreia como intermediária cultural entre a China e o Japão. A Coreia, localizada na península que separa a China continental do arquipélago japonês, foi o principal canal pelo qual a cultura chinesa chegou ao Japão. O budismo, a escrita chinesa, o confucionismo, as técnicas de cerâmica e muitos outros elementos da cultura chinesa chegaram ao Japão passando pela Coreia, onde foram muitas vezes reinterpretados e modificados antes de seguir adiante. A Coreia também desenvolveu suas próprias contribuições originais, como o hangul, o alfabeto fonético coreano, inventado no século quinze depois de Cristo pelo rei Sejong, que é considerado um dos sistemas de escrita mais científicos e mais eficientes do mundo.
É importante também reconhecer que o conhecimento que essas civilizações produziram não chegou ao Ocidente em linha reta. Muitas vezes, ele passou pelo mundo árabe islâmico, que funcionou como um grande intermediário intelectual entre o Oriente e a Europa. Os sábios islâmicos da Idade de Ouro do Islã, de aproximadamente séculos oito a treze depois de Cristo, traduziram, estudaram, desenvolveram e transmitiram o conhecimento da China, da Índia e da Grécia para a Europa medieval. Sem esse papel intermediário do mundo islâmico, muito do conhecimento oriental poderia ter demorado ainda mais para chegar à Europa.
Agora, vamos fazer as conexões com o ENEM que são tão importantes para a sua preparação.
O ENEM frequentemente apresenta questões sobre as contribuições das civilizações orientais que exploram a ideia de que a história da humanidade não é uma história apenas europeia, mas uma história global, em que muitas civilizações diferentes contribuíram de forma essencial para o desenvolvimento do conhecimento e da tecnologia. Você precisa saber identificar as principais contribuições de cada civilização e entender como elas chegaram ao mundo ocidental.
O tema da Rota da Seda é muito importante para o ENEM, pois ela é usada para discutir o intercâmbio cultural e comercial entre civilizações na Antiguidade e na Idade Média. Questões sobre a Rota da Seda podem explorar o papel do comércio na difusão de tecnologias, de religiões e de doenças, e podem usar fontes históricas como relatos de viajantes, como Marco Polo, para pedir que o aluno contextualize e analise a relação entre o Oriente e o Ocidente.
A questão dos algarismos arábicos de origem indiana é um tema que o ENEM pode usar para discutir como muitas invenções e descobertas que o mundo ocidental atribui à Europa ou ao mundo árabe têm, na verdade, raízes mais profundas nas civilizações asiáticas. Esse é um bom exemplo de como a história é sempre mais complexa e mais multicultural do que as narrativas simplificadas sugerem.
O budismo e seu papel na conectividade cultural da Ásia é outro ponto relevante. O ENEM pode apresentar textos sobre a difusão do budismo pela Rota da Seda e pedir que o aluno analise como uma religião pode ser um veículo de transmissão cultural muito além das fronteiras de onde nasceu.
As invenções chinesas, especialmente o papel, a pólvora, a bússola e a impressão, são temas clássicos que o ENEM usa para discutir o impacto das inovações tecnológicas na história mundial. Você precisa saber não apenas quando e onde cada invenção surgiu, mas também como ela chegou à Europa e que impacto teve quando chegou.
Vamos fazer agora um resumo completo de tudo que estudamos nesta aula.
As civilizações do Extremo Oriente, especialmente a China, a Índia e o Japão, fizeram contribuições extraordinárias à humanidade que moldaram o mundo em que vivemos hoje.
A China deu ao mundo o papel, a impressão tipográfica, a pólvora, a bússola, a seda, a porcelana, o ábaco, avanços em astronomia e matemática, o sistema de exames para funcionários públicos e o confucionismo como sistema ético e político de enorme influência na Ásia Oriental.
A Índia contribuiu com o sistema de numeração posicional e o conceito do zero, que são a base de toda a matemática moderna, a álgebra, a medicina cirúrgica do Ayurveda, o xadrez, a produção de algodão, o budismo e suas práticas de meditação e de não violência, e o yoga.
O Japão desenvolveu a arte ukiyo-e, que influenciou o impressionismo europeu, a estética wabi-sabi, a cerimônia do chá, a origami e adaptações criativas do budismo e do confucionismo de origem chinesa.
A Rota da Seda foi o principal veículo pelo qual essas contribuições chegaram ao Ocidente, passando frequentemente pelo mundo árabe islâmico como intermediário intelectual. Essa rede de rotas comerciais foi a primeira grande globalização da história humana, conectando civilizações distantes e permitindo a troca de mercadorias, de ideias, de religiões e, tragicamente, de doenças.
Reconhecer as contribuições dessas civilizações é fundamental para ter uma visão mais completa, mais justa e mais precisa da história da humanidade, entendendo que o progresso do conhecimento e da tecnologia foi sempre uma obra coletiva de muitos povos e de muitas culturas, e não o mérito exclusivo de nenhuma civilização específica.
Na próxima aula, vamos começar a explorar a Grécia Antiga, uma das civilizações mais estudadas e mais influentes da história, entendendo seu contexto geográfico e os principais períodos de sua história.
Como fazer referência ao conteúdo:
| Dados de Catalogação na Publicação: NORAT, Markus Samuel Leite. Curso de história para o 1º ano do ensino médio. João Pessoa: Editora Norat, 2026. Livro Digital, Formato: HTML5, Tamanho: 132,4125 gigabytes (132.412.500 kbytes) . ISBN: 978-65-80808-16-8 | Cutter: N825c | CDD-907.12 | CDU-94(100)”-04/17″:373.5 . Palavras-chave: História, Ensino Médio, Pré-História, Civilizações Antigas, Mesopotâmia, Egito Antigo, Grécia Antiga, Roma Antiga, África Antiga, Reinos Africanos, Mundo Árabe-Muçulmano, Idade Média, Feudalismo, Antigo Regime, Monarquias Absolutistas, Renascimento, Humanismo, ENEM, Vestibulares. . TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. É proibida a cópia total ou parcial desta obra, por qualquer forma ou qualquer meio. A violação dos direitos autorais é crime tipificado na Lei n. 9.610/98 e artigo 184 do Código Penal. |
