Curso de História para o 1º Ano do Ensino Médio
MÓDULO 3 – AS PRIMEIRAS CIVILIZAÇÕES DO ORIENTE MÉDIO
Aula 37 – Os assírios: conquistas e organização militar
Aula 37 – Os assírios: conquistas e organização militar
Imagine um exército que marcha sobre cidades inteiras, destrói muralhas, escraviza populações, deporta povos para lugares distantes e espalha o terror por onde passa. Imagine soldados vestindo armaduras de metal, brandindo armas de ferro, montados em cavalos velozes ou em poderosos carros de guerra, avançando com uma organização tão precisa que poucos exércitos do mundo antigo conseguiam resistir. Esse era o exército assírio, e por mais de seiscentos anos esse povo dominou uma das regiões mais disputadas da história: a Mesopotâmia e suas vizinhanças. Hoje vamos conhecer os assírios em profundidade, entender quem eram, de onde vieram, como construíram um dos impérios mais poderosos da Antiguidade e por que sua história é tão importante para você que está se preparando para o ENEM e para os vestibulares.
Antes de falar sobre guerras e conquistas, precisamos entender o contexto em que os assírios viviam, porque nenhum povo se torna guerreiro por acaso. A história sempre tem razões, e com os assírios não é diferente.
Os assírios eram um povo de origem semita, ou seja, falavam uma língua da mesma família das línguas faladas pelos babilônicos, pelos fenícios e pelos hebreus. Eles se estabeleceram na parte norte da Mesopotâmia, em uma região às margens do rio Tigre, onde fundaram a cidade de Assur, que deu nome ao próprio povo. A palavra Assur era também o nome do deus principal deles, o que já diz muito sobre a relação que os assírios tinham entre religião, identidade nacional e poder político. Ser assírio significava ser povo do deus Assur, e lutar pelos assírios era lutar pela vontade desse deus.
A localização geográfica de Assur era estratégica, mas também muito perigosa. A cidade ficava em uma rota de passagem intensa, por onde transitavam caravanas comerciais, migrações de povos e exércitos de diferentes civilizações. Por um lado, isso era ótimo para o comércio, e de fato os assírios foram grandes comerciantes antes de se tornarem grandes guerreiros. Por outro lado, estar em uma posição de passagem significava estar constantemente ameaçado por povos vizinhos que queriam controlar aquela rota. Ao longo dos séculos, os assírios foram dominados por outros povos, incluindo os acádios e os babilônicos, e durante muito tempo foram tributários de reis mais poderosos.
Mas é justamente aqui que está uma das lições mais importantes que a história dos assírios pode nos ensinar: a necessidade molda a capacidade. Vivendo em uma região constantemente ameaçada, os assírios foram obrigados a se defender, e ao se defender foram aprendendo a atacar. Foram aprimorando suas técnicas militares, seus equipamentos, sua organização. Foram transformando a guerra, que antes era uma necessidade de sobrevivência, em uma política de Estado, em um instrumento de expansão e de poder. E quando chegou o momento certo, toda essa experiência acumulada foi usada para construir um dos maiores impérios que o mundo antigo já viu.
Os primeiros registros de uma atividade assíria expressiva datam de aproximadamente 2400 anos antes de Cristo, quando a cidade de Assur foi fundada na região norte da Mesopotâmia. Mas foi a partir do segundo milênio antes de Cristo que os assírios começaram a se projetar além de suas fronteiras. Nesse período, os mercadores assírios já haviam estabelecido colônias comerciais em regiões distantes, especialmente na Anatólia, que é o território que hoje corresponde à Turquia. Essas colônias eram chamadas de entrepostos comerciais, e funcionavam como postos avançados onde os assírios compravam e vendiam mercadorias, estabeleciam contratos e acumulavam riqueza. O principal produto que os assírios levavam para a Anatólia era o tecido de lã, e em troca traziam metais, especialmente estanho e prata, que eram extremamente valorizados na Mesopotâmia.
Esse período comercial é muito importante para entender os assírios porque mostra que eles não eram apenas guerreiros. Eram também grandes organizadores, capazes de estabelecer redes complexas de negócios a longas distâncias, de criar contratos escritos, de manter a comunicação entre a cidade central e as colônias distantes. Os arqueólogos encontraram milhares de tabletes de argila com registros de transações comerciais assírias, contratos de empréstimo, cartas entre membros de famílias de mercadores e registros de expedições comerciais. Esses documentos mostram que o mundo dos negócios assírio era sofisticado e bem organizado muito antes de o exército assírio se tornar famoso.
Com o tempo, porém, a situação política na Mesopotâmia foi mudando. O Primeiro Império Babilônico, criado por Hamurabi, entrou em declínio. Os cassitas assumiram o controle da Babilônia e da região sul. E os assírios, que haviam sido submetidos e tributários por longos períodos, foram recuperando sua autonomia e sua força. Por volta do século 14 antes de Cristo, os reis assírios iniciaram uma série de campanhas militares que marcariam o início de uma nova fase na história da Mesopotâmia.
E para entender essas campanhas, precisamos falar sobre o que tornava o exército assírio tão diferente e tão temido. A resposta está em três fatores que se combinaram de maneira única: tecnologia, organização e crueldade deliberada.
Vamos começar pela tecnologia. Os assírios foram dos primeiros povos da Mesopotâmia a utilizar o ferro de forma sistemática e em larga escala na fabricação de armas. O ferro era um metal muito mais duro e resistente do que o bronze, que havia sido o material dominante nas armas até então. Uma espada de ferro era mais afiada, mais resistente e mais difícil de quebrar do que uma espada de bronze. Uma ponta de lança de ferro penetrava muito mais facilmente em escudos e armaduras do que o bronze. Isso dava aos soldados assírios uma enorme vantagem sobre os exércitos que ainda usavam principalmente o bronze.
Além das armas de ferro, os assírios desenvolveram e aperfeiçoaram os carros de guerra. Os carros de guerra já existiam na Mesopotâmia há séculos, mas os assírios os modificaram de maneira significativa. Eles reforçaram as rodas com aros de ferro, tornando-os mais resistentes e mais velozes. Substituíram os burros, que haviam sido os animais que puxavam os primeiros carros de guerra, por cavalos, que eram muito mais rápidos e poderosos. E desenvolveram também uma cavalaria propriamente dita, com soldados montados em cavalos, que podiam se mover rapidamente pelo campo de batalha, flanquear o inimigo, perseguir os que fugiam e criar confusão entre as fileiras adversárias.
O exército assírio era composto de diferentes tipos de combatentes que atuavam de forma coordenada. Havia a infantaria pesada, formada por soldados com armaduras de metal, escudos grandes e lanças longas, que formavam a linha de frente das batalhas. Havia os arqueiros, especialistas no uso do arco e da flecha, que podiam disparar sobre o inimigo a distância e causar baixas antes mesmo que o combate corpo a corpo começasse. Havia os carros de guerra, que funcionavam como a força de choque do exército, capazes de romper as formações inimigas com velocidade e violência. E havia a cavalaria, que completava o poder de movimento e de ataque do exército. Cada uma dessas unidades tinha uma função específica, e o segredo do sucesso militar assírio estava em saber combinar todas elas de forma coordenada e eficiente.
Os assírios também foram pioneiros no uso de técnicas de cerco a cidades. Quando uma cidade se recusava a se render, eles não simplesmente esperavam do lado de fora. Eles construíam rampas de terra para escalar as muralhas, usavam aríetes, que eram grandes vigas com pontas de metal, para derrubar portões e muros, construíam torres de madeira sobre rodas que podiam ser empurradas até as muralhas e permitiam que os soldados escalassem e atacassem os defensores no alto. Essas técnicas de cerco eram extremamente avançadas para a época e tornaram as muralhas das cidades, que haviam sido a principal forma de defesa por milênios, muito menos eficazes diante do poder militar assírio.
Mas a tecnologia e a organização não eram os únicos fatores que tornavam o exército assírio tão temido. O terceiro fator era a crueldade deliberada, e aqui precisamos conversar com muito cuidado, porque é um aspecto difícil, mas muito importante para entender a política imperial assíria.
Os assírios desenvolveram uma política de terror sistemático como instrumento de dominação. Quando conquistavam uma cidade que havia resistido à sua avanço, eles frequentemente praticavam massacres, destruíam edifícios, incendiavam colheitas e deportavam partes significativas da população para regiões distantes do império. Essa deportação em massa era uma estratégia política muito calculada: ao deslocar populações inteiras de suas terras de origem e misturá-las com outros povos em regiões distantes, os assírios quebravam os laços de identidade coletiva, destruíam as redes de solidariedade que poderiam sustentar rebeliões futuras e tornavam muito mais difícil para os povos conquistados se organizarem para resistir.
Os reis assírios mandavam esculpir em grandes relevos de pedra nas paredes de seus palácios cenas detalhadas de batalhas, de cercos a cidades, de execuções de prisioneiros e de deportações. Esses relevos não eram apenas arte. Eram propaganda. Eram uma mensagem clara para todos que visitassem o palácio: vejam o que acontece com quem resiste aos assírios. Vejam o poder do rei. Vejam o favor do deus Assur sobre seu povo. Essa combinação de violência real e comunicação estratégica do terror era muito eficaz para dissuadir povos vizinhos de se rebelar ou de tentar resistir.
Dito isso, é importante deixar claro que os assírios também podiam ser clementes quando uma cidade se rendia sem lutar. Nesse caso, a política geralmente era diferente: a cidade se tornava tributária, pagava impostos ao rei assírio em forma de bens e produtos, mantinha seus governantes locais no poder desde que fossem leais ao rei e continuava funcionando relativamente normalmente. O terror era direcionado principalmente para quem resistia. Isso mostra que a crueldade assíria não era irracional: ela tinha uma lógica política muito clara, voltada para a manutenção do controle sobre um território enorme com o mínimo de resistência.
Agora vamos falar sobre a expansão do Império Assírio propriamente dita, porque ela foi impressionante em termos de escala e de velocidade.
A partir do século 14 antes de Cristo, os reis assírios começaram a expandir seus territórios de forma sistemática. Mas foi especialmente entre os séculos 9 e 7 antes de Cristo que o Império Assírio atingiu sua extensão máxima, tornando-se o maior império que o mundo havia visto até então. Em seu auge, o Império Assírio controlava a Mesopotâmia inteira, a região da Síria, a Palestina, a Fenícia, e chegou a incluir até mesmo o Egito, um dos reinos mais antigos e mais poderosos do mundo antigo.
Entre os reis mais importantes desse período de expansão, podemos destacar algumas figuras que deixaram marcas profundas na história. Tiglate-Pileser III, que governou no século 8 antes de Cristo, foi um dos maiores reformadores militares da história assíria. Ele profissionalizou o exército, criando uma força permanente e bem treinada, paga pelo Estado, diferente dos exércitos anteriores que dependiam muito de recrutas temporários convocados para cada campanha. Ele também reorganizou a administração do império, dividindo-o em províncias administradas por governadores diretamente ligados ao rei, em vez de depender de reis locais que poderiam se tornar rivais. Essas reformas tornaram o império muito mais eficiente e muito mais estável.
Sargão II, que governou na segunda metade do século 8 antes de Cristo, foi responsável pela conquista e destruição do reino de Israel, deportando grande parte de sua população para outras regiões do império. Esse evento é mencionado na Bíblia e foi uma das maiores deportações da história da Antiguidade. Sargão também construiu uma nova capital, chamada Dur Sharrukin, que significa “fortaleza de Sargão”, uma cidade imponente que refletia o poder e a riqueza do império.
Senaqueribe, filho de Sargão II, foi outro rei importante que governou no final do século 8 e início do século 7 antes de Cristo. Ele ficou famoso pela destruição de Babilônia, que havia se rebelado contra o domínio assírio, e pela transferência da capital para Nínive, que se tornou a maior e mais rica cidade do mundo antigo sob seu comando. Nínive era uma metrópole impressionante, com palácios ornamentados, jardins, templos e uma população de dezenas de milhares de pessoas. As escavações arqueológicas do século 19 revelaram que a cidade era muito maior e mais sofisticada do que se imaginava.
Mas o rei assírio mais famoso de todos, e que também foi o último grande rei de um Império Assírio unificado, foi Assurbanipal, que governou entre 668 e 626 antes de Cristo. Assurbanipal é uma figura fascinante porque combinava, em uma única pessoa, o guerreiro brutal e o intelectual sofisticado. Por um lado, ele continuou as guerras de conquista assírias, chegando a dominar o Egito por um curto período e suprimindo rebeliões com a violência característica dos reis assírios. Por outro lado, ele era um homem de grande curiosidade intelectual, que valorizava o conhecimento de uma maneira que poucos governantes do mundo antigo demonstraram.
A maior obra de Assurbanipal no campo do conhecimento foi a criação da Biblioteca de Nínive, também chamada de Biblioteca de Assurbanipal, considerada a primeira grande biblioteca sistemática da história humana. Assurbanipal enviou escribas e agentes a todos os cantos do império com a missão de copiar e trazer para Nínive todos os textos importantes que encontrassem: textos religiosos, textos de astronomia e matemática, histórias, mitos, tratados médicos, coleções de presságios e muito mais. A biblioteca reuniu cerca de 22 mil tabletes de argila com textos cuneiformes sobre os mais variados assuntos. Foi nessa biblioteca que os arqueólogos do século 19 encontraram a cópia mais completa da Epopeia de Gilgamesh, aquele poema épico que estudamos em aulas anteriores e que é considerado uma das primeiras obras literárias da humanidade.
A criação da Biblioteca de Nínive não foi apenas um gesto de vaidade intelectual. Ela tinha uma função política clara: ao centralizar o conhecimento, especialmente o conhecimento religioso e científico, o rei assírio reforçava seu controle sobre as tradições culturais dos povos que havia conquistado. Quem controlava os textos sagrados controlava a interpretação da vontade dos deuses. E quem controlava a vontade dos deuses controlava a legitimidade do poder. Religião, conhecimento e poder estavam, mais uma vez, profundamente entrelaçados.
Agora vamos falar sobre a organização interna do Império Assírio, porque ela era tão impressionante quanto o exército.
O Império Assírio foi um dos primeiros na história a criar um sistema administrativo verdadeiramente centralizado e eficiente para governar um território enorme com muitos povos diferentes. O território do império era dividido em províncias, cada uma administrada por um governador nomeado pelo rei. Esses governadores eram responsáveis por coletar impostos, manter a ordem, recrutar soldados para o exército e garantir a lealdade da população local ao rei assírio. Eles se comunicavam com o palácio central por meio de uma rede de mensageiros que percorriam estradas melhoradas e mantidas pelo Estado.
As estradas assírias eram uma obra de engenharia notável para a época. Elas conectavam as principais cidades do império, permitindo que exércitos se deslocassem rapidamente, que mercadorias fluíssem entre as regiões e que as comunicações entre o rei e os governadores das províncias fossem relativamente ágeis. Os assírios também criaram estações ao longo das estradas onde os mensageiros podiam descansar e trocar seus cavalos, um sistema que lembrava muito o que os persas mais tarde tornaram famoso com seu serviço real de correios.
Os impostos cobrados pelo Império Assírio eram pesados. Os povos conquistados pagavam tributos em forma de cereais, animais, metais, tecidos, madeira e muitos outros produtos. Havia também o trabalho compulsório, em que populações eram obrigadas a trabalhar por períodos determinados em obras do Estado, como a construção de palácios, templos, muralhas e canais de irrigação. O enorme fluxo de riqueza que chegava a Nínive vindo de todas as partes do império financiava a construção de palácios monumentais, a manutenção do exército e o estilo de vida luxuoso da corte assíria.
A sociedade assíria era rigidamente hierárquica. No topo estava o rei, que era visto como representante do deus Assur na terra, com poder absoluto sobre todos os súditos do império. Logo abaixo do rei estavam os grandes funcionários da corte, os sacerdotes dos principais templos e os comandantes do exército, que formavam uma elite poderosa e privilegiada. Os comandantes militares eram especialmente influentes, porque o prestígio e o poder no Império Assírio dependiam em grande medida do sucesso nas guerras. Abaixo dessa elite, havia artesãos, comerciantes, agricultores livres e, na base de tudo, os escravos, que eram em grande parte prisioneiros de guerra ou pessoas deportadas das regiões conquistadas.
A religião era absolutamente central na vida dos assírios. O deus principal era Assur, o deus nacional que dava nome à cidade original e ao próprio povo. Assur era considerado o deus da guerra e da conquista, e todas as campanhas militares eram realizadas em seu nome e com sua bênção. Ao lado de Assur, outros deuses mesopotâmicos eram cultuados, como Ishtar, a deusa da guerra e do amor, que também tinha papel importante na religiosidade assíria. Os sacerdotes dos templos tinham grande influência, porque eram os responsáveis por interpretar os presságios, por realizar os rituais necessários antes de cada campanha militar e por garantir o favor dos deuses para o rei e para o povo.
Os reis assírios justificavam todas as suas guerras como missões sagradas ordenadas pelo deus Assur. Essa justificativa religiosa era muito importante politicamente, porque transformava a conquista violenta em um ato de devoção, em uma obrigação sagrada. O rei não estava simplesmente buscando riqueza ou poder para si mesmo. Ele estava cumprindo a vontade dos deuses, espalhando a ordem divina pelo mundo, submetendo os inimigos de Assur à sua justiça. Essa ideia de guerra justa ordenada pelos deuses aparece em muitas culturas ao longo da história, e os assírios foram um dos primeiros povos a desenvolvê-la de forma tão explícita e tão sistematizada.
Mas toda essa grandeza teve um fim. E o fim do Império Assírio foi dramático e relativamente rápido, o que nos ensina uma lição importante sobre os impérios ao longo da história: por mais poderosos que sejam, eles sempre carregam em si as sementes de seu próprio declínio.
Após a morte de Assurbanipal, em 626 antes de Cristo, o Império Assírio começou a se fragmentar rapidamente. Os problemas eram muitos. O próprio tamanho do império tornava sua administração cada vez mais difícil e cara. As guerras constantes exigiam recursos enormes e causavam desgaste tanto no exército quanto na economia. As populações conquistadas, submetidas à brutalidade da ocupação assíria, aguardavam qualquer oportunidade para se rebelar. E os povos vizinhos que haviam sido dominados ou ameaçados pelos assírios por décadas estavam prontos para se aliar e atacar assim que vissem sinal de fraqueza.
A coalizão que derrubou o Império Assírio foi formada principalmente por dois povos: os caldeus, que haviam assumido o controle da Babilônia e do sul da Mesopotâmia, e os medos, um povo iraniano que havia se organizado em um reino poderoso ao leste. Juntos, essas forças atacaram o coração do Império Assírio. Em 612 antes de Cristo, menos de quinze anos após a morte de Assurbanipal, a grande capital Nínive foi tomada, saqueada e destruída. A destruição foi tão completa que a cidade praticamente desapareceu da história, enterrada sob camadas de terra, e só foi redescoberta pelos arqueólogos no século 19.
O fim de Nínive foi tão dramático que até hoje existe no livro de Naum, na Bíblia hebraica, um texto que celebra a destruição da cidade, descrevendo-a como uma punição divina sobre um povo cruel. Isso nos mostra como os assírios eram vistos pelos povos que haviam sofrido sob seu domínio: como opressores temíveis cuja queda era motivo de alegria e de alívio.
Com a queda de Nínive, o Império Assírio desmoronou completamente em questão de poucos anos. Os últimos reis assírios tentaram resistir em outras cidades, mas sem sucesso. Por volta de 609 antes de Cristo, o Império Assírio havia deixado de existir, substituído pelo Segundo Império Babilônico dos caldeus, que estudaremos na próxima aula.
Agora vamos fazer as conexões com o ENEM que são tão importantes para a sua preparação.
O ENEM frequentemente apresenta questões sobre os assírios dentro de um contexto mais amplo das civilizações mesopotâmicas. É importante que você saiba localizar os assírios no tempo e no espaço: eles dominaram a Mesopotâmia principalmente entre os séculos 14 e 7 antes de Cristo, com o apogeu entre os séculos 9 e 7, e sua capital no auge do império era Nínive, no norte da Mesopotâmia, que hoje corresponde ao Iraque.
O ENEM também gosta de explorar a relação entre poder e religião, e os assírios são um exemplo perfeito dessa relação. O rei assírio governava em nome do deus Assur, todas as guerras eram justificadas religiosamente, e o controle dos templos e dos textos sagrados era parte fundamental da estratégia de poder imperial. Essa relação entre poder político e legitimidade religiosa aparece em muitas outras civilizações que você vai estudar, desde o Egito com o faraó divino até a Europa medieval com os reis que governavam por direito divino.
O ENEM também adora questões sobre a relação entre conhecimento e poder, e a Biblioteca de Nínive criada por Assurbanipal é um exemplo extraordinário disso. Quem controla o conhecimento controla a narrativa, controla a interpretação dos eventos e, portanto, tem muito mais poder sobre a sociedade. Esse é um tema que o ENEM explora tanto no contexto histórico antigo quanto em reflexões sobre o mundo contemporâneo.
Outra conexão importante com o ENEM é a questão das deportações assírias. Ao deslocar populações inteiras de suas terras de origem, os assírios estavam usando uma estratégia de domínio que passaria a se repetir ao longo da história em diferentes formas: destruir identidades coletivas, quebrar laços de pertencimento e tornar mais difícil a resistência organizada. O ENEM pode explorar esse tema em questões sobre as relações entre identidade, território e resistência cultural, conectando a Antiguidade com situações mais recentes da história.
E por fim, o colapso do Império Assírio é um ótimo exemplo para questões sobre os limites do poder e sobre as contradições internas dos impérios. O terror que os assírios usaram para dominar foi também o que fez com que todos os povos subjugados desejassem sua queda. A crueldade que havia sido sua força tornou-se sua fraqueza, porque não gerava lealdade, apenas medo. E o medo, quando a oportunidade aparece, se transforma em rebelião.
Vamos agora fazer um resumo completo de tudo que estudamos nesta aula.
Os assírios eram um povo semita que se estabeleceu no norte da Mesopotâmia, fundando a cidade de Assur às margens do rio Tigre. Vivendo em uma região de intenso trânsito de povos, foram obrigados a se aperfeiçoar como guerreiros para defender seu território. Antes de se tornarem um grande poder militar, foram comerciantes ativos, estabelecendo colônias mercantis na Anatólia e trocando tecidos de lã por metais preciosos.
A partir do século 14 antes de Cristo, os reis assírios iniciaram uma série de conquistas que culminou, entre os séculos 9 e 7 antes de Cristo, na formação do maior império que o mundo havia visto até então, controlando a Mesopotâmia, a Síria, a Palestina, a Fenícia e o Egito. O poder militar assírio se baseava no uso extensivo do ferro nas armas, no aperfeiçoamento dos carros de guerra com rodas de ferro e cavalos, no desenvolvimento de uma cavalaria eficiente, em uma infantaria bem organizada e em técnicas avançadas de cerco a cidades.
Politicamente, o Império Assírio usava uma combinação de terror sistemático e de administração centralizada por províncias para controlar seu vasto território. Os povos que resistiam eram massacrados e deportados. Os que se submetiam eram obrigados a pagar pesados tributos. O rei governava em nome do deus Assur, conferindo legitimidade religiosa às guerras de conquista.
Os principais reis do período de apogeu foram Tiglate-Pileser III, reformador militar e administrativo; Sargão II, responsável pela conquista de Israel e pela construção de Dur Sharrukin; Senaqueribe, que destruiu Babilônia e fez de Nínive a maior cidade do mundo; e Assurbanipal, o último grande rei, que além de continuar as conquistas criou a Biblioteca de Nínive, com cerca de 22 mil tabletes de argila, considerada a primeira grande biblioteca sistemática da história. Após a morte de Assurbanipal em 626 antes de Cristo, o império entrou em rápido declínio. Uma coalizão de caldeus e medos atacou e destruiu Nínive em 612 antes de Cristo, encerrando definitivamente o Império Assírio. O espaço deixado pelos assírios seria preenchido pelos caldeus com o Segundo Império Babilônico, que estudaremos na próxima aula, onde conheceremos Nabucodonosor II e as famosas maravilhas que ele construiu em Babilônia.
Como fazer referência ao conteúdo:
| Dados de Catalogação na Publicação: NORAT, Markus Samuel Leite. Curso de história para o 1º ano do ensino médio. João Pessoa: Editora Norat, 2026. Livro Digital, Formato: HTML5, Tamanho: 132,4125 gigabytes (132.412.500 kbytes) . ISBN: 978-65-80808-16-8 | Cutter: N825c | CDD-907.12 | CDU-94(100)”-04/17″:373.5 . Palavras-chave: História, Ensino Médio, Pré-História, Civilizações Antigas, Mesopotâmia, Egito Antigo, Grécia Antiga, Roma Antiga, África Antiga, Reinos Africanos, Mundo Árabe-Muçulmano, Idade Média, Feudalismo, Antigo Regime, Monarquias Absolutistas, Renascimento, Humanismo, ENEM, Vestibulares. . TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. É proibida a cópia total ou parcial desta obra, por qualquer forma ou qualquer meio. A violação dos direitos autorais é crime tipificado na Lei n. 9.610/98 e artigo 184 do Código Penal. |
