Curso de História para o 1º Ano do Ensino Médio
MÓDULO 9 – O MUNDO ÁRABE-MUÇULMANO
Aula 101 – Maomé e o surgimento do islamismo (século VII)
Aula 101 – Maomé e o surgimento do islamismo (século VII)
Para compreender como uma das maiores religiões da história humana nasceu, cresceu e se espalhou pelo mundo em apenas algumas décadas, precisamos começar pelo início, pelo homem que está no centro de tudo isso, por sua vida, por suas experiências, por suas escolhas e por sua mensagem. O nome desse homem é Maomé, em árabe Muhammad, que significa o louvado ou o digno de louvor. Ele nasceu na cidade de Meca, na Península Arábica, por volta do ano quinhentos e setenta depois de Cristo, numa época em que o mundo estava dividido entre dois grandes impérios que se enfrentavam permanentemente: o Império Bizantino, herdeiro do Império Romano do Oriente, sediado em Constantinopla, de tradição cristã, e o Império Sassânida, o grande Império Persa de tradição zoroastriana, sediado em Ctesifonte, no atual Iraque. Entre esses dois gigantes, a Península Arábica era uma região periférica aos olhos dos grandes poderes, uma terra de tribos beduínas, de caravanas de comércio, de santuários e de deuses locais, sem um Estado centralizado que a governasse como um todo. Mas foi exatamente nesse espaço, nessa Arábia dividida e aparentemente marginal, que surgiu uma mensagem que mudaria o mundo para sempre.
Maomé nasceu na tribo dos coraixitas, conhecida em árabe como os Quraysh, que era a tribo mais poderosa e influente de Meca e que controlava tanto o comércio quanto o principal santuário religioso da cidade, a Caaba. Ser coraixita era, portanto, pertencer à elite da cidade mais importante da Arábia. Mas a vida de Maomé não começou com privilégios. Seu pai, Abdullah, morreu antes mesmo de seu nascimento, deixando a criança órfã de pai desde o primeiro momento. Sua mãe, Amina, cuidou dele pelos primeiros anos de vida, mas quando Maomé tinha apenas seis anos, ela também morreu, deixando o menino duplamente órfão. O costume árabe da época era enviar as crianças das cidades para serem criadas no deserto com famílias beduínas nos primeiros anos de vida, acreditando-se que o ar puro do deserto e a vida simples das tribos nômades fortaleceriam a criança e lhe ensinariam a falar o árabe mais puro e mais belo. Maomé passou seus primeiros anos com uma família beduína liderada por uma mulher chamada Halima, que se tornaria venerada na tradição islâmica como sua mãe de leite.
Depois da morte da mãe, Maomé foi cuidado primeiro por seu avô paterno, Abd al-Muttalib, um dos homens mais respeitados de Meca, que era guardião da Caaba e que tratou o neto com muito carinho. Mas dois anos depois, o avô também morreu, e Maomé foi entregue aos cuidados de seu tio Abu Talib, irmão de seu pai. Abu Talib era um homem de caráter íntegro e de profundo sentimento de honra tribal, que tratou o sobrinho como se fosse filho, protegeu-o ao longo de toda a vida e nunca o abandonou, mesmo quando a pregação de Maomé começou a criar inimigos poderosos. A relação entre Maomé e Abu Talib é uma das mais tocantes da história do islamismo primitivo, um exemplo de como os laços de lealdade familiar podiam transcender as diferenças de crença.
Desde jovem, Maomé acompanhava o tio nas expedições comerciais de caravanas, aprendendo o ofício do comércio e conhecendo o mundo além de Meca. Em pelo menos uma dessas viagens à Síria, quando Maomé era ainda um adolescente, conta a tradição islâmica que ele encontrou um monge cristão chamado Bahira, que ao observar o jovem reconheceu nele os sinais de um profeta anunciado pelas escrituras e aconselhou Abu Talib a protegê-lo dos inimigos que certamente tentariam prejudicá-lo. Seja qual for o nível de historicidade desse relato, ele serve para mostrar como a tradição islâmica sempre quis sublinhar que o caráter especial de Maomé era perceptível desde cedo.
Maomé cresceu com uma reputação de honestidade e de integridade que era rara no ambiente comercial de Meca, onde a astúcia e a desonestidade nos negócios eram frequentes. Seus contemporâneos o chamavam de al-Amin, que significa o digno de confiança, o honesto. Essa reputação chegou aos ouvidos de uma mulher chamada Khadija, viúva de um comerciante rico, que administrava com sucesso seus próprios negócios de caravanas. Khadija era uma mulher de excepcional inteligência e de grande força de caráter, que tinha cerca de quarenta anos quando decidiu contratar Maomé, então com vinte e cinco anos, para levar uma de suas caravanas à Síria. Quando Maomé voltou com lucros maiores do que os esperados e com a aprovação entusiástica dos parceiros de negócios de Khadija, ela ficou impressionada não apenas com a competência do jovem comerciante mas com seu caráter e sua honestidade. Khadija tomou a iniciativa de propor casamento a Maomé, numa inversão das normas habituais da sociedade árabe da época em que era o homem ou sua família que fazia a proposta. Maomé aceitou, e os dois se casaram, iniciando uma união que duraria vinte e cinco anos, até a morte de Khadija, e que seria descrita por Maomé como o período mais feliz de sua vida.
Khadija não era apenas a esposa de Maomé: era sua maior apoiadora, sua conselheira mais próxima, a pessoa em quem ele mais confiava e que mais o entendia. Juntos, tiveram vários filhos, mas apenas uma deles sobreviveria até a idade adulta, a filha Fátima, que se tornaria uma figura central na história do islamismo. A morte dos filhos homens deve ter sido uma grande dor para Maomé, especialmente num contexto cultural em que a descendência masculina era considerada essencial para a honra familiar e para a continuidade do nome.
Os anos entre o casamento com Khadija e o início da revelação são descritos pelas fontes islâmicas como um período de crescente inquietação espiritual. Maomé estava profundamente insatisfeito com o estado do mundo ao seu redor: com a adoração de ídolos que considerava vã e sem sentido, com as injustiças sociais de Meca, onde os ricos acumulavam riquezas imensas enquanto os pobres, os escravos e as viúvas viviam em condições de extrema precariedade, com os ciclos sem fim de violência tribal que destruíam vidas sem propósito. Ele passou a ter o hábito de se retirar para meditar sozinho numa caverna na montanha chamada Hira, a alguns quilômetros de Meca, passando dias em silêncio e reflexão, numa prática de retiro espiritual que os árabes chamavam de tahannuth.
Foi durante um desses períodos de retiro, por volta do ano seiscentos e dez depois de Cristo, quando Maomé tinha aproximadamente quarenta anos, que aconteceu o evento que os muçulmanos chamam de al-Wahy, a revelação, e que mudou para sempre não apenas a vida de Maomé mas a história do mundo. Segundo a narrativa islâmica, Maomé estava na caverna de Hira quando o anjo Gabriel, em árabe Jibril, apareceu a ele e o pressionou três vezes com grande força, ordenando-lhe: iqra, que significa lê, ou recita. Maomé respondeu que não sabia ler, pois de fato era analfabeto. Na terceira vez, o anjo revelou as primeiras palavras do que viria a ser o Alcorão: recita em nome de teu Senhor que criou, criou o homem de um coágulo de sangue, recita, pois teu Senhor é o mais generoso, que ensinou pelo cálamo, ensinou ao homem o que ele não sabia.
A experiência foi tão intensa e tão perturbadora que Maomé desceu correndo da montanha em pânico, tremendo incontrolavelmente, com medo de ter enlouquecido ou de ter sido possuído por um jinn, um ser sobrenatural. Foi direto para os braços de Khadija, que o acolheu, o acalmou e o cobriu com um manto. Quando ele conseguiu lhe contar o que havia acontecido, Khadija não duvidou, não hesitou, não lhe disse que havia sonhado ou que havia se enganado. Disse a ele que era um homem de caráter íntegro, que ajudava os pobres, que era hospitaleiro com os estrangeiros, que era honesto em seus negócios, e que certamente Deus não permitiria que um homem assim fosse enganado ou destruído. Khadija foi a primeira pessoa a acreditar em Maomé e a se converter ao islamismo, tornando-se o que os muçulmanos chamam de a primeira muçulmana. Sua fé inabalável no momento de maior vulnerabilidade de Maomé é considerada pelos muçulmanos um dos maiores atos de coragem e de amor da história religiosa.
Foi Khadija quem levou Maomé ao seu primo Waraqua ibn Nawfal, um ancião cristão versado nas escrituras bíblicas, que depois de ouvir o relato da experiência na caverna declarou que aquilo que havia visitado Maomé era o mesmo anjo que havia visitado Moisés, e que Maomé havia sido chamado a ser o profeta de seu povo. Waraqua morreu pouco depois, mas seu reconhecimento foi importante para Maomé no momento de maior dúvida sobre sua própria experiência.
Os meses que se seguiram foram de grande angústia para Maomé. As revelações pararam por um período que as fontes islâmicas chamam de fatra, o intervalo, e que durou alguns meses. Maomé ficou perturbado com o silêncio do anjo, chegando segundo algumas fontes a temer que havia sido abandonado por Deus. Mas as revelações recomeçaram e continuaram de forma regular pelos vinte e dois anos seguintes, até pouco antes da morte de Maomé em seiscentos e trinta e dois depois de Cristo. As revelações eram experiências físicas intensas: Maomé descrevia que quando o anjo vinha sobre ele era como o barulho de um sino, e que quando terminava ele havia compreendido o que havia sido revelado. Às vezes o corpo de Maomé ficava pesado como se estivesse sob grande peso, e ele suava profusamente mesmo no frio. As palavras reveladas eram então transmitidas a seus companheiros, que as memorizavam e as escreviam em folhas de papiro, em ossos, em pedras planas, em tudo que estivesse disponível. Esse conjunto de revelações acumuladas ao longo de vinte e dois anos é o Alcorão, que em árabe significa literalmente a recitação.
Por cerca de três anos, Maomé pregou apenas em círculos privados, começando pelas pessoas mais próximas. Além de Khadija, os primeiros convertidos foram o primo de Maomé, Ali ibn Abi Talib, filho de Abu Talib, que tinha apenas dez anos na época e que se tornaria uma das figuras mais importantes do islamismo primitivo; um amigo íntimo chamado Abu Bakr, comerciante respeitado em Meca, que convenceu outros amigos a se converterem; e Zayd ibn Haritha, um ex-escravo que Khadija havia dado a Maomé e que ele havia libertado e adotado como filho. Esses primeiros convertidos formam o núcleo do que viria a ser uma comunidade que mudaria o mundo.
Por volta do ano seiscentos e treze, Maomé recebeu a instrução divina de tornar pública sua pregação. Subiu ao Monte Safa, no centro de Meca, e convocou os coraixitas com o grito tradicional usado para anunciar perigo iminente, o que fez com que uma multidão se reunisse rapidamente. Quando os presentes o questionaram sobre o que havia de tão urgente, Maomé disse que era um profeta de Deus, que havia apenas um Deus, e que todos deveriam abandonar os ídolos e se submeter ao criador único. A reação foi de incredulidade e de ridicularização. Seu tio Abu Lahab, um dos coraixitas mais poderosos, lhe atirou pedras e o insultou publicamente, e o Alcorão preservaria para sempre o nome de Abu Lahab como símbolo da rejeição hostil da mensagem do profeta.
A oposição coraixita ao islamismo não era apenas religiosa: era profundamente econômica e política. Os coraixitas controlavam a Caaba e os ídolos que nela estavam depositados, e as peregrinações a esses ídolos eram uma fonte enorme de renda para a cidade de Meca. Se os ídolos fossem destruídos e a Caaba se tornasse um santuário monoteísta, o sistema econômico que sustentava a riqueza dos coraixitas poderia entrar em colapso. Além disso, a mensagem de Maomé atacava diretamente a hierarquia social de Meca: ele pregava que todos os seres humanos eram iguais diante de Deus, que a riqueza e o status tribal não tinham valor espiritual, que os escravos e os pobres tinham o mesmo valor que os ricos e os poderosos aos olhos do criador. Essa era uma mensagem politicamente explosiva numa sociedade baseada em hierarquias rígidas de tribo, de riqueza e de linhagem.
A perseguição aos primeiros muçulmanos foi intensa e cruel, especialmente contra aqueles que não tinham a proteção tribal dos coraixitas poderosos. Os escravos convertidos ao islamismo sofreram as piores brutalidades: Bilal, um escravo africano de origem etíope que havia se convertido entre os primeiros, foi submetido a torturas terríveis por seu dono coraixita, que o estendia no chão escaldante do deserto ao meio-dia, colocava uma pedra enorme sobre seu peito e ordenava que ele renegasse sua fé. Bilal resistiu, repetindo apenas a palavra ahad, que significa um, afirmando a unicidade de Deus com toda a força que lhe restava. Foi Abu Bakr quem o comprou e o libertou, e Bilal se tornaria o primeiro muezzin do islamismo, a pessoa que cinco vezes por dia convocava os muçulmanos à oração com sua bela voz. A história de Bilal é um símbolo da dimensão social e libertadora da mensagem islâmica primitiva, que atraiu especialmente os mais vulneráveis da sociedade árabe.
Diante da perseguição crescente, Maomé organizou em seiscentos e quinze a emigração de um grupo de muçulmanos para o reino cristão da Abissínia, o atual Etiópia, onde o rei Negus havia estabelecido uma reputação de governante justo. O rei acolheu os refugiados muçulmanos com generosidade, e quando os coraixitas enviaram mensageiros para exigir sua extradição, o Negus se recusou a devolvê-los depois de ouvir os muçulmanos expor os princípios de sua fé, especialmente o que diziam sobre Jesus e Maria. O Alcorão trata Jesus como um profeta de grande importância e Maria como a mais santa das mulheres, e essas posições criaram uma ressonância positiva com o rei cristão. Essa emigração para a Abissínia é considerada a primeira hégira, ou seja, o primeiro movimento de migração em busca de liberdade religiosa da história do islamismo.
Em Meca, a situação dos muçulmanos continuou se deteriorando. Os coraixitas impuseram um boicote econômico e social ao clã de Maomé, os Banu Hashim, recusando-se a vender alimentos, a fazer negócios ou a se casar com qualquer membro desse clã. O boicote durou três anos e causou grande sofrimento, com relatos de crianças passando fome e pessoas comendo folhas de árvore para sobreviver. Quando o boicote finalmente foi levantado, por pressão de outros coraixitas que achavam que havia ido longe demais, Maomé enfrentou duas perdas devastadoras num intervalo de poucos meses, no ano seiscentos e dezenove. Primeiro morreu Khadija, sua esposa amada de vinte e cinco anos, a primeira muçulmana, sua âncora emocional e espiritual. Pouco depois morreu Abu Talib, seu tio e protetor, que havia defendido Maomé durante toda a sua pregação pública mesmo sem nunca se converter ao islamismo. Com a morte de Abu Talib, Maomé perdeu a proteção tribal que garantia sua segurança física em Meca, porque na lógica tribal árabe, atacar Maomé significava atacar o clã dos Banu Hashim, e qualquer agressão exigiria retaliação. Sem essa proteção, Maomé ficou vulnerável como nunca havia estado antes. Os muçulmanos chamam esse ano de dupla perda de am al-huzn, o ano da tristeza ou o ano da dor.
Foi pouco depois desse período de perda que aconteceu um dos eventos mais extraordinários da tradição islâmica: a viagem noturna e a ascensão aos céus, conhecida em árabe como al-Isra wal-Miraj. Segundo a narrativa islâmica, numa noite, Maomé foi transportado miraculosamente de Meca a Jerusalém, montado num ser celestial chamado Buraq, espécie de animal alado de grande velocidade. Em Jerusalém, no Monte do Templo, Maomé liderou uma oração em que estavam presentes todos os profetas anteriores, de Adão a Jesus, passando por Abraão, Moisés, Noé e todos os outros profetas mencionados na tradição bíblica. Depois, subiu pelos sete céus em companhia do anjo Gabriel, encontrando em cada céu um dos profetas anteriores, até chegar à presença divina onde recebeu a instrução de que os muçulmanos deveriam orar cinquenta vezes por dia. Na descida, por conselho de Moisés, que conhecia a dificuldade de impor obrigações religiosas rigorosas ao povo, Maomé voltou repetidas vezes à presença divina e negociou a redução do número de orações até chegar ao número de cinco por dia, que é o número que os muçulmanos praticam até hoje. Esse evento é comemorado no calendário islâmico e é a razão pela qual Jerusalém é a terceira cidade mais sagrada do islamismo, depois de Meca e de Medina. A mesquita construída sobre o local de onde Maomé teria ascendido ao céu, em Jerusalém, é a Mesquita de al-Aqsa, que significa literalmente a mesquita mais distante, em referência à distância entre Meca e Jerusalém.
Depois do ano da tristeza, Maomé buscou apoio em outras cidades e tribos da Arábia, mas encontrou pouca receptividade e em algumas ocasiões hostilidade aberta. Uma tentativa de buscar apoio na cidade de Taif, ao sul de Meca, terminou com ele sendo expulso pela população local que atirou pedras nele, deixando-o ferido. A tradição islâmica conta que nesse momento, um dos mais baixos da vida de Maomé, o anjo Gabriel lhe ofereceu a possibilidade de destruir a cidade de Taif com as montanhas que a cercavam, e que Maomé recusou, dizendo que preferia que daquele povo viesse uma geração que adoraria a Deus. Esse episódio é citado pelos muçulmanos como exemplo da misericórdia e da paciência de seu profeta.
A virada decisiva veio de uma direção inesperada. Numa das peregrinações anuais a Meca, Maomé encontrou um grupo de homens da cidade de Yathrib, que ficava a trezentos e cinquenta quilômetros ao norte de Meca. Esses homens, que pertenciam a duas tribos árabes principais de Yathrib, os Aws e os Khazraj, haviam ouvido falar de Maomé por meio das comunidades judaicas de Yathrib, que falavam de um profeta que estava por vir. Os homens de Yathrib escutaram Maomé com atenção, se converteram ao islamismo e voltaram à sua cidade para pregar a nova fé. No ano seguinte, um grupo maior veio a Meca e fez com Maomé o que ficou conhecido como o Segundo Juramento de Aqaba, prometendo protegê-lo como protegeriam suas próprias famílias e convidando-o a ir viver em Yathrib como árbitro e líder espiritual da cidade.
Yathrib estava numa situação de conflito crônico entre as suas diversas tribos, tanto árabes quanto judaicas, que não conseguiam encontrar um sistema de resolução de disputas que todos aceitassem. A oferta que os yathribenses faziam a Maomé era precisamente a de ser esse árbitro neutro, reconhecido por todos como justo, que poderia pôr fim aos conflitos. Maomé aceitou, e organizou a emigração gradual dos muçulmanos de Meca para Yathrib ao longo de vários meses. Em seiscentos e vinte e dois, quando os coraixitas descobriram o plano e decidiram assassinar Maomé para impedir sua partida, ele escapou milagrosamente da cidade na companhia de Abu Bakr, escondendo-se numa gruta chamada Thawr por três dias antes de partir para Yathrib por uma rota alternativa do deserto. O Alcorão alude a esse momento dizendo que quando dois estavam na caverna, Maomé disse ao seu companheiro: não te aflijas, pois Deus está conosco. Esse momento de fuga e de chegada a Yathrib é chamado de Hégira, que em árabe significa emigração ou deslocamento, e é de tal importância para o islamismo que marca o início do calendário islâmico. O ano da Hégira, seiscentos e vinte e dois da era cristã, é o ano um do calendário muçulmano, o Anno Hegirae, abreviado AH.
A chegada de Maomé a Yathrib, que passaria a ser chamada de Medina, a cidade, foi recebida com entusiasmo pela população local. A tradição conta que as mulheres e as crianças de Medina cantavam e tocavam pandeiros enquanto Maomé entrava na cidade. Sua camela se ajoelhou num determinado terreno que Maomé interpretou como um sinal divino e ordenou que ali fosse construída a primeira mesquita do islamismo. Em torno dessa mesquita, que era um espaço simples de oração ao ar livre com um teto de palmas, Maomé construiu não apenas um lugar de culto mas o núcleo de uma nova comunidade política.
Uma das primeiras e mais importantes ações de Maomé em Medina foi a elaboração de um documento chamado pela historiografia moderna de a Constituição de Medina, que estabelecia os direitos e as obrigações de todos os grupos que viviam na cidade: os muçulmanos emigrados de Meca, chamados de muhajiroun, os muçulmanos de Medina que os receberam, chamados de ansar ou auxiliares, e as tribos judaicas da cidade. Esse documento era um acordo de coexistência e de defesa mútua: todos os grupos reconheciam Maomé como árbitro final das disputas, tinham obrigação de defender Medina de ataques externos e podiam manter suas práticas religiosas. A Constituição de Medina é considerada por muitos historiadores como um dos primeiros documentos constitucionais da história, um instrumento político de organização de uma comunidade plurirreligiosa baseado em acordos explícitos e em obrigações mútuas.
Mas a paz em Medina não durou sem tensões. As relações entre os muçulmanos e as tribos judaicas de Medina foram se deteriorando ao longo do tempo por razões múltiplas e complexas. As tribos judaicas não aceitaram Maomé como o profeta anunciado pelas escrituras hebraicas, argumentando que o profeta esperado deveria ser da linhagem de Israel, não de Ismael, o filho de Abraão que a tradição árabe considerava seu ancestral. Além disso, havia rivalidades econômicas e alianças políticas complicadas em que algumas tribos judaicas se aliaram aos coraixitas de Meca contra os muçulmanos. Ao longo de vários anos, as três principais tribos judaicas de Medina foram expulsas ou eliminadas por Maomé em resposta ao que ele descrevia como traições a seus acordos, episódios que são um dos aspectos mais debatidos e controversos da biografia do profeta do islamismo.
O conflito com Meca não terminou com a Hégira. Os coraixitas consideravam a existência de uma comunidade muçulmana organizada em Medina uma ameaça existencial, e os muçulmanos por sua vez queriam recuperar Meca, que consideravam a cidade sagrada de seu ancestral Abraão. Esse conflito gerou uma série de batalhas que moldaram profundamente o islamismo primitivo e estabeleceram seu caráter como não apenas uma religião espiritual mas também um sistema político e militar.
A Batalha de Badr, em seiscentos e vinte e quatro, foi o primeiro grande confronto militar entre os muçulmanos e os coraixitas, e seu resultado foi uma vitória muçulmana que chocou toda a Arábia. Um exército muçulmano de pouco mais de trezentos homens derrotou uma força coraixita de cerca de mil guerreiros, matando vários dos líderes mais importantes de Meca, incluindo Abu Jahl, um dos inimigos mais ferozes de Maomé. Para os muçulmanos, Badr foi uma confirmação da proteção divina: o Alcorão descreveu a batalha como um momento em que anjos combateram ao lado dos muçulmanos. Para os coraixitas, foi uma humilhação que exigia vingança.
A vingança veio no ano seguinte, na Batalha de Uhud, onde um exército coraixita de três mil soldados enfrentou os muçulmanos nas colinas próximas a Medina. A batalha começou com vantagem muçulmana, mas um erro tático decisivo, quando um grupo de arqueiros muçulmanos abandonou sua posição estratégica para se apropriar dos despojos de guerra antes do fim do combate, permitiu que a cavalaria coraixita envolvesse os muçulmanos por trás e os desorientasse. Maomé foi ferido no rosto e no corpo, e por um momento correu o rumor de que havia sido morto, o que causou pânico nas fileiras muçulmanas. Quando os soldados perceberam que o profeta estava vivo, a luta foi retomada, mas os muçulmanos sofreram perdas significativas, incluindo o tio favorito de Maomé, Hamza, um guerreiro de grande coragem que foi morto e mutilado pelos coraixitas. A derrota de Uhud causou grande perturbação espiritual na comunidade muçulmana, e o Alcorão tem longas passagens que refletem sobre esse evento, ensinando que a vitória e a derrota são provas de Deus e que a paciência e a confiança no criador são as respostas corretas às adversidades.
A Batalha da Vala, em seiscentos e vinte e sete, foi o último grande ataque dos coraixitas contra Medina. Desta vez, os mequenses reuniram uma coalizão de tribos aliadas, somando talvez dez mil guerreiros, a maior força já mobilizada na Arábia até então. Em resposta, Maomé adotou uma estratégia sugerida por um dos companheiros, Salman al-Farisi, um persa convertido que havia trazido da Pérsia o conhecimento de uma técnica defensiva: cavar um grande fosso, ou khandaq em árabe, ao redor das partes de Medina que não eram naturalmente protegidas por edifícios ou pelo terreno. A coalizão coraixita ficou paralisada diante do fosso, sem conseguir cruzá-lo, e depois de várias semanas de cerco infrutífero, com os suprimentos se esgotando e a coesão da coalização se desfazendo, os atacantes se retiraram sem ter conquistado Medina. A Batalha da Vala foi a última tentativa militar coraixita de destruir a comunidade muçulmana de Medina.
Depois da Batalha da Vala, a iniciativa estratégica passou para o lado dos muçulmanos. Em seiscentos e vinte e oito, Maomé liderou um grupo de muçulmanos desarmados em direção a Meca para realizar a peregrinação, numa demonstração de intenção pacífica que colocou os coraixitas numa posição politicamente difícil: atacar peregrinos desarmados que vinham ao santuário seria uma violação das normas sagradas que regulavam as peregrinações e mancharia a reputação dos coraixitas em toda a Arábia. Depois de negociações tensas, as duas partes chegaram a um acordo chamado de Tratado de Hudaybiyyah, cujos termos imediatos pareciam desfavoráveis aos muçulmanos: eles teriam que voltar sem entrar em Meca naquele ano, mas poderiam fazer a peregrinação no ano seguinte por três dias sem que os coraixitas interferissem. O tratado também estabelecia uma trégua de dez anos entre as duas partes. Muitos companheiros de Maomé ficaram descontentes com os termos, que pareciam uma capitulação, mas Maomé os chamou de uma vitória manifesta, porque o tratado reconhecia implicitamente os muçulmanos como uma entidade política legítima com quem os coraixitas tinham que negociar como iguais, o que era uma mudança fundamental de status.
Os dois anos seguintes foram de expansão extraordinária da influência islâmica. Maomé enviou cartas a vários governantes do mundo conhecendo, incluindo o Imperador Byzantino Heráclio, o Imperador Persa Cosroes Segundo, o Negus da Abissínia e o Governador Romano do Egito, convidando-os a se converter ao islamismo. A resposta foi variada: o Negus da Abissínia respondeu favoravelmente, Heráclio recebeu a carta com cortesia mas sem conversão, e segundo a tradição o Imperador Persa rasgou a carta num gesto de desprezo, ao que Maomé teria respondido profeticamente que assim também seria rasgado seu império.
Em seiscentos e trinta, um incidente envolvendo uma tribo aliada dos coraixitas que violou o tratado de Hudaybiyyah deu a Maomé o pretexto para mobilizar um exército sem precedentes. Cerca de dez mil soldados marcharam de Medina em direção a Meca, e a resistência foi mínima. A cidade capitulou praticamente sem luta, e Maomé entrou em Meca não como um conquistador vingativo mas com uma moderação que surpreendeu até seus inimigos. Declarou anistia geral para quase todos os habitantes de Meca, incluindo muitos que haviam sido seus perseguidores mais ferozes durante anos. Os únicos excluídos da anistia eram um pequeno grupo de pessoas que havia cometido crimes específicos considerados imperdoáveis. Maomé foi direto à Caaba, destruiu os ídolos que nela estavam, declarou o santuário consagrado ao Deus único e rezou dentro do espaço que havia sido centro do politeísmo árabe por gerações. A conquista de Meca sem derramamento de sangue significativo foi considerada pelos muçulmanos uma prova da proteção e da misericórdia divina, e foi um dos fatores que acelerou a conversão em massa de tribos de toda a Arábia ao islamismo.
Nos dois anos seguintes, embaixadas de tribos de toda a Arábia chegavam a Medina para declarar a adesão ao islamismo e à autoridade política de Maomé. Esse período é chamado pelas fontes islâmicas de o ano das delegações. Ao mesmo tempo, Maomé organizou expedições militares para consolidar a presença islâmica nas diferentes regiões da Arábia, e as últimas resistências politeístas foram sendo gradualmente neutralizadas. Pela primeira vez na história, a Península Arábica estava unificada sob uma autoridade comum.
Em seiscentos e trinta e dois, Maomé liderou a que seria sua única peregrinação completa a Meca depois do início de sua missão profética, num evento que ficou conhecido como a Haj al-Wida, a peregrinação de despedida. Num sermão pronunciado no Monte Arafat, diante de um número de fiéis que as fontes estimam em mais de cem mil pessoas, Maomé resumiu os princípios fundamentais do islamismo e fez algumas das declarações mais influentes de sua carreira como profeta. Declarou que todos os muçulmanos eram irmãos, que nenhum árabe tinha superioridade sobre um não árabe nem nenhum não árabe sobre um árabe, que nenhum branco tinha superioridade sobre um negro nem nenhum negro sobre um branco, exceto pela piedade e pelas boas obras. Reafirmou a proibição da usura, a obrigação de tratar as mulheres com respeito, a santidade da vida e dos bens de cada muçulmano. E ao final perguntou à multidão: transmiti a mensagem? E a multidão respondeu: sim. E ele disse: que Deus seja testemunha. Esse sermão é considerado um dos documentos mais importantes da história da ética religiosa, por sua afirmação clara da igualdade fundamental de todos os seres humanos.
Depois da peregrinação, Maomé voltou a Medina e começou a adoecer. Nos últimos meses de sua vida, com febre alta e dores de cabeça intensas, continuou presidindo as orações quando podia e delegando a Abu Bakr quando não tinha forças. Em dois de rabee al-awwal do ano onze da Hégira, correspondente a oito de junho do ano seiscentos e trinta e dois da era cristã, Maomé morreu na casa de sua esposa Aisha, a cabeça apoiada no colo dela. Tinha aproximadamente sessenta e dois anos. A notícia causou consternação e descrença entre seus companheiros: Umar ibn al-Khattab, um dos maiores guerreiros e líderes do islamismo primitivo, declarou em pânico que Maomé havia ido ao encontro de Deus como Moisés havia feito e que voltaria. Foi Abu Bakr quem restabeleceu a calma, pronunciando as palavras que o Alcorão preservou para sempre: aquele de vós que adorava Maomé, Maomé está morto. Aquele de vós que adora a Deus, Deus está vivo e nunca morrerá.
Para compreender o que o islamismo que Maomé fundou ensinava e o que o tornava tão diferente do politeísmo árabe que veio substituir, precisamos examinar seus princípios fundamentais.
O islamismo é uma religião monoteísta estrita, mais ainda do que o Judaísmo e o Cristianismo em sua formulação ortodoxa. A palavra islamismo significa em árabe submissão, especificamente submissão à vontade de Deus, e um muçulmano é literalmente aquele que se submete. O conceito central do islamismo é o de tawhid, a unicidade absoluta de Deus. Deus, chamado de Allah em árabe, não tem parceiros, não tem filhos, não tem forma física, não pode ser representado por imagens ou ídolos, é eterno, onipotente, onisciente, misericordioso e justo. O islamismo rejeita explicitamente a doutrina cristã da Trindade, considerando-a uma forma de politeísmo, e rejeita igualmente a ideia de que Deus possa ter se encarnado em forma humana. Jesus é reconhecido como um dos maiores profetas, nascido milagrosamente de Maria sem pai humano, capaz de realizar milagres, mas é um ser humano e um profeta, não divino. Maomé, por sua vez, é o último e o maior dos profetas, mas é também um ser humano, e o islamismo proíbe explicitamente qualquer forma de adoração a ele.
O Alcorão é considerado pelos muçulmanos a palavra literal de Deus, transmitida ao profeta Maomé pelo anjo Gabriel ao longo de vinte e dois anos. Por isso, o Alcorão tem um estatuto de sacralidade que vai além do que o Judaísmo ou o Cristianismo atribuem às suas escrituras: é considerado eterno, existente com Deus antes da criação do mundo, incriado. A língua árabe do Alcorão é considerada sagrada, e por isso as traduções do Alcorão para outras línguas não são consideradas o Alcorão em si mas apenas interpretações de seu significado. Recitar o Alcorão em árabe, mesmo sem compreender o significado das palavras, é um ato de devoção em si mesmo, e a memorização completa do Alcorão é um ideal piedoso altamente valorizado na tradição islâmica.
Os princípios práticos do islamismo são frequentemente resumidos no que os muçulmanos chamam de os cinco pilares: a shahada, a declaração de fé, que consiste em testemunhar que não há deus senão Deus e que Maomé é o mensageiro de Deus; o salat, as cinco orações diárias realizadas em direção a Meca nos horários estabelecidos; o zakat, a esmola obrigatória que cada muçulmano com posses deve pagar anualmente, calculada como uma fração de sua riqueza e destinada aos pobres, aos devedores e a outras categorias de necessitados; o sawm, o jejum do mês sagrado do Ramadã, durante o qual os muçulmanos adultos saudáveis se abstêm de comer, de beber, de fumar e de relações sexuais do amanhecer ao pôr do sol durante trinta dias; e o hajj, a peregrinação a Meca pelo menos uma vez na vida, obrigatória para todo muçulmano que tenha saúde e recursos financeiros suficientes para realizá-la.
O islamismo também estabeleceu um sistema jurídico abrangente, a sharia, que é a lei islâmica baseada no Alcorão e no conjunto de ditos e práticas de Maomé chamado de Sunnah, que foi preservado nos relatos chamados de hadith. A sharia regula não apenas as práticas religiosas mas também o casamento, o divórcio, a herança, os contratos comerciais, os crimes e as punições. O islamismo, ao contrário do Judaísmo e do Cristianismo, não faz uma distinção clara entre religião e Estado: a comunidade islâmica, chamada de umma, é ao mesmo tempo uma comunidade religiosa e uma entidade política, e a lei de Deus se aplica a todos os aspectos da vida social.
Algumas das inovações sociais do islamismo primitivo foram revolucionárias para o contexto árabe do século sete. O islamismo proibiu o infanticídio feminino que era praticado por algumas tribos. Estabeleceu direitos de herança para as mulheres, que antes eram frequentemente excluídas da partilha dos bens familiares. Limitou a poligamia a no máximo quatro esposas, com a condição de que todas fossem tratadas com igualdade absoluta, uma condição que muitos teólogos islâmicos interpretaram como um incentivo ao monogamia na prática. Aboliu a escravidão como condição hereditária, embora tenha mantido a escravidão de prisioneiros de guerra, e estabeleceu que libertar um escravo era um dos atos mais meritórios que um muçulmano podia realizar. Proibiu a usura, que era uma fonte importante de exploração dos mais pobres na sociedade comercial de Meca.
A velocidade com que o islamismo se espalhou depois da morte de Maomé foi extraordinária e não tem paralelo próximo na história das religiões. Em menos de cem anos depois da morte do profeta, a comunidade muçulmana havia conquistado ou convertido a Arábia inteira, o Iraque, o Irã, a Síria, o Egito, o norte da África inteira até o Marrocos, a Espanha, partes da Ásia Central e chegado às fronteiras da Índia. Esse processo de expansão foi simultaneamente militar, comercial, missionário e administrativo, e envolveu formas muito diferentes de islamização em contextos muito diferentes. Em algumas regiões, os conquistadores muçulmanos foram recebidos quase como libertadores de populações que sofriam sob o peso dos impostos e da opressão dos Impérios Bizantino e Persa. Em outras, a resistência foi feroz e a conversão foi um processo lento de séculos.
O islamismo transformou profundamente não apenas as regiões que conquistou militarmente mas também regiões que atingiu pacificamente através do comércio, como a África subsaariana e o sudeste asiático, onde o islamismo se espalhou por vias mercantis sem nenhuma conquista militar, convertendo populações ao longo de séculos de contato comercial pacífico. Hoje, os países com as maiores populações muçulmanas do mundo não são países árabes: são a Indonésia, o Paquistão e Bangladesh, que ficam a uma distância enorme da Arábia e que se tornaram muçulmanos muito depois dos árabes, em grande parte através dessas rotas de comércio.
É impossível compreender a história medieval e moderna sem compreender o islamismo, porque o mundo islâmico foi por séculos o centro intelectual e científico mais avançado do planeta. Enquanto a Europa ocidental vivia os séculos mais obscuros da Idade Média, os estudiosos muçulmanos de Bagdá, do Cairo, de Córdoba e de Samarcanda preservavam, traduziam e expandiam o conhecimento grego, persa e indiano em matemática, astronomia, medicina, filosofia, química, óptica e dezenas de outras disciplinas. Conceitos matemáticos fundamentais como o número zero, o sistema de numeração que usamos hoje, o álgebra, os algoritmos, foram preservados e desenvolvidos por estudiosos muçulmanos e chegaram à Europa em grande parte através da tradução dos textos árabes para o latim. As palavras álgebra, algoritmo, alquimia, azimute, elixir, xarope, algodão e centenas de outras em português e em outras línguas europeias são palavras de origem árabe, vestígios linguísticos da enorme influência que a civilização islâmica exerceu sobre o mundo.
Tudo isso começou com um homem que nasceu órfão em Meca há mais de mil e quatrocentos anos, que cresceu como comerciante honesto numa cidade de mercadores, que aos quarenta anos teve uma experiência espiritual que transformou sua vida, e que passou os vinte e dois anos seguintes pregando uma mensagem de monoteísmo, de justiça social e de fraternidade humana em face de uma oposição que incluiu perseguição, guerra e tentativas de assassinato. A história de Maomé e do surgimento do islamismo é uma das histórias mais importantes que um estudante de história pode conhecer, porque sem ela é impossível entender grande parte do mundo em que vivemos hoje.
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| Dados de Catalogação na Publicação: NORAT, Markus Samuel Leite. Curso de história para o 1º ano do ensino médio. João Pessoa: Editora Norat, 2026. Livro Digital, Formato: HTML5, Tamanho: 132,4125 gigabytes (132.412.500 kbytes) . ISBN: 978-65-80808-16-8 | Cutter: N825c | CDD-907.12 | CDU-94(100)”-04/17″:373.5 . Palavras-chave: História, Ensino Médio, Pré-História, Civilizações Antigas, Mesopotâmia, Egito Antigo, Grécia Antiga, Roma Antiga, África Antiga, Reinos Africanos, Mundo Árabe-Muçulmano, Idade Média, Feudalismo, Antigo Regime, Monarquias Absolutistas, Renascimento, Humanismo, ENEM, Vestibulares. . TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. É proibida a cópia total ou parcial desta obra, por qualquer forma ou qualquer meio. A violação dos direitos autorais é crime tipificado na Lei n. 9.610/98 e artigo 184 do Código Penal. |
