Curso de História para o 1º Ano do Ensino Médio
MÓDULO 3 – AS PRIMEIRAS CIVILIZAÇÕES DO ORIENTE MÉDIO
Aula 46 – Os persas: o maior império do Oriente Antigo
Aula 46 – Os persas: o maior império do Oriente Antigo
Hoje vamos conhecer um dos impérios mais poderosos, mais extensos e mais bem organizados que o mundo antigo já viu. Estamos falando do Império Persa, um estado que em seu momento de maior expansão controlava um território que ia do norte da Índia até o norte da África, das estepes da Ásia Central até as margens do Mar Egeu, reunindo sob um único governo dezenas de povos diferentes, com línguas, religiões e costumes completamente distintos. Um império que foi construído com uma combinação rara de força militar, inteligência política e tolerância religiosa, e que influenciou profundamente todas as civilizações que vieram depois dele.
Para entender o surgimento do Império Persa, precisamos primeiro saber quem eram os persas e de onde vieram.
Os persas eram um povo de origem indo-europeia, ou seja, faziam parte de um grande grupo de povos que migraram para várias partes do mundo a partir de uma região originária situada entre as estepes da Europa Oriental e da Ásia Central, há muitos séculos antes de Cristo. Outros povos indo-europeus incluíam os gregos, os romanos, os celtas, os germânicos e os povos que se estabeleceram na Índia. Ao chegarem à região que hoje conhecemos como o Irã, os persas encontraram um planalto de clima árido, com montanhas ao norte e ao leste, desertos ao centro e planícies férteis ao sul e ao oeste.
Os persas não eram os únicos habitantes daquela região. Junto com eles chegaram os medos, outro povo de origem indo-europeia que se estabeleceu ao norte dos persas, na parte ocidental do Irã. Durante muito tempo, foram os medos, e não os persas, o povo mais poderoso da região. Foi o reino medo que, em aliança com os caldeus de Babilônia, destruiu o Império Assírio em 612 antes de Cristo, como já estudamos em aulas anteriores. Por um bom período, os persas viviam subordinados aos reis medos, pagando tributos e reconhecendo a supremacia do reino da Média.
Mas essa situação mudou de forma dramática em meados do século seis antes de Cristo, quando um homem extraordinário assumiu o poder sobre a tribo persa dos aquemênidas e mudou para sempre o destino do Oriente Médio. Esse homem era Ciro II, que a história conhece pelo nome de Ciro, o Grande.
Ciro II assumiu o comando dos persas por volta de 559 antes de Cristo. Em menos de dez anos, ele realizou algo que pareceria impossível para qualquer observador da época: reverteu a relação de poder entre persas e medos, derrotou o rei medo Astíages em batalha e unificou medos e persas sob o seu comando. Essa conquista foi o ponto de partida para tudo que viria a seguir.
A velocidade com que Ciro expandiu seu domínio depois disso é impressionante. Em 547 antes de Cristo, ele derrotou o rei Creso do reino da Lídia, na Anatólia, que hoje é a Turquia. Creso era famoso pela sua riqueza extraordinária, tanto que até hoje a expressão rico como Creso é usada em vários idiomas para descrever alguém de riqueza incalculável. Com a queda da Lídia, todas as cidades gregas da costa da Anatólia também caíram sob o domínio persa.
Em 539 antes de Cristo, Ciro conquistou a poderosa Babilônia, como já vimos em aula anterior. E ao contrário do que era costume na Antiguidade, onde cidades conquistadas eram saqueadas e populações eram massacradas ou escravizadas, Ciro entrou em Babilônia de forma pacífica, se apresentou como um libertador, mostrou respeito pelo deus Marduk e tratou a população com clemência. Além disso, decretou que todos os povos deportados pelos babilônios, incluindo os hebreus que viviam no Cativeiro da Babilônia, podiam retornar às suas terras de origem.
Esse decreto de Ciro em favor dos hebreus é mencionado na Bíblia, e Ciro é tratado nos textos bíblicos com enorme admiração e respeito, sendo chamado de ungido do Senhor. Isso nos diz muito sobre como ele era percebido pelos povos que havia conquistado: não como um opressor, mas como alguém que havia encerrado uma opressão anterior. Essa percepção positiva era, em grande parte, resultado de uma política deliberada de Ciro de respeitar as culturas e religiões locais dos povos que dominava.
Ciro morreu em 530 antes de Cristo durante uma campanha militar nas estepes da Ásia Central. Seus feitos foram tão extraordinários que ele se tornou uma figura quase lendária já durante sua própria vida. Seus sucessores continuaram a obra de expansão que ele havia iniciado.
Cambises II, filho de Ciro, conquistou o Egito em 525 antes de Cristo, derrotando o faraó Psametique III na batalha de Pelusa. Com a incorporação do Egito ao império, os persas passaram a controlar o vale do Nilo, com toda a sua riqueza agrícola e seu prestígio histórico. Cambises foi um governante mais duro e menos habilidoso politicamente do que seu pai, e seu reinado foi marcado por tensões e instabilidade.
Mas foi com Dario I, que assumiu o poder em 522 antes de Cristo após um período de conflitos internos pela sucessão, que o Império Persa atingiu sua organização mais sofisticada e seu momento de maior sistematização administrativa. Dario I é frequentemente considerado o maior organizador da história persa, um rei que não apenas conquistou territórios, mas criou as estruturas que tornaram possível governar um império de dimensões gigantescas de forma eficiente e duradoura.
Vamos entender em detalhes como o Império Persa era organizado sob Dario I, porque essa organização é um dos aspectos mais importantes e mais cobrados nas provas do ENEM.
O território do Império Persa no seu apogeu era simplesmente imenso. Ele se estendia do vale do rio Indo, no que hoje é o Paquistão e o oeste da Índia, até a Trácia, que faz parte da Europa, passando pela Anatólia, pela Síria, pela Palestina, pelo Egito, pela Mesopotâmia, pela Pérsia e pela Ásia Central. Era um território tão vasto que abrangia climas completamente diferentes, desde as florestas temperadas da costa mediterrânea até os desertos do Egito e as estepes secas da Ásia Central.
Governar tudo isso a partir de uma única capital era praticamente impossível. Como resolver esse problema? Dario I encontrou uma solução que ficou famosa na história: a divisão do império em províncias chamadas satrapias. Cada satrapia era uma divisão administrativa do território imperial, com fronteiras definidas, e era governada por um funcionário chamado sátrapa.
O sátrapa era o representante direto do rei persa na sua região. Ele tinha responsabilidades muito amplas: administrar o território, coletar os impostos devidos ao rei, recrutar soldados para o exército imperial quando necessário, manter a ordem e a paz interna e resolver disputas entre os habitantes da satrapia. Em termos práticos, o sátrapa funcionava como um vice-rei, com grande autonomia para lidar com os assuntos cotidianos da sua região, mas sempre prestando contas ao grande rei em Persépolis ou Susa.
Para evitar que os sátrapas se tornassem muito poderosos e desenvolvessem ambições de independência, Dario criou um sistema de controles cruzados muito inteligente. Além do sátrapa, havia em cada satrapia um comandante militar nomeado diretamente pelo rei e independente do sátrapa. Havia também um secretário real, que era o representante da administração central e que mantinha registros de tudo que acontecia na satrapia. E havia os chamados olhos do rei e ouvidos do rei, que eram inspetores reais que viajavam pelo império sem aviso prévio, verificando se os sátrapas estavam cumprindo suas funções corretamente e se os impostos estavam sendo coletados e enviados à capital sem fraude. Esse sistema de fiscalização cruzada tornava muito difícil a corrupção ou o abuso de poder por parte dos governadores provinciais.
Outra grande inovação administrativa de Dario I foi a construção de uma extensa rede de estradas. A mais famosa delas era a chamada Estrada Real, que ligava a cidade de Susa, uma das capitais do império, à cidade de Sardes, na Anatólia, percorrendo uma distância de aproximadamente 2700 quilômetros. Ao longo dessa estrada havia postos com cavalos de reserva e acomodações para os mensageiros reais. Um mensageiro imperial podia cobrir esse percurso enorme em apenas sete dias, algo absolutamente extraordinário para a época, quando qualquer viagem normal levaria meses. Heródoto, o historiador grego, descreveu o sistema de mensageiros persas de uma forma que ficou famosa: nem neve, nem chuva, nem calor, nem escuridão da noite os impede de completar seu percurso o mais rápido possível. Essa frase, muito parecida com o lema dos correios modernos, mostra como o sistema de comunicação persa era visto pelos contemporâneos como algo extraordinário e admirável.
Além da Estrada Real, havia outras rotas secundárias que conectavam diferentes partes do império entre si, formando uma rede de comunicação e transporte que permitia ao governo central enviar ordens, receber relatórios, deslocar tropas e facilitar o comércio de forma muito mais eficiente do que qualquer outro império anterior havia conseguido.
Dario I também reformou o sistema monetário do império. Ele criou uma moeda de ouro chamada dárico, em homenagem ao próprio nome, que era aceita em todo o território imperial. Ter uma moeda padronizada que circulava por um território imenso facilitava enormemente o comércio, o pagamento de impostos e a administração financeira do Estado. Antes disso, como vimos ao estudar outros povos do Oriente Médio, as transações econômicas dependiam de equivalências em prata ou de escambo. A moeda padronizada era um avanço significativo na organização econômica.
O sistema de impostos do Império Persa também foi cuidadosamente organizado por Dario. Cada satrapia tinha uma cota de impostos definida, calculada com base na população, na riqueza agrícola e nas atividades econômicas da região. Algumas satrapias pagavam em ouro ou prata. Outras pagavam em espécie, ou seja, em produtos agrícolas, animais, madeira ou outros recursos específicos da sua região. Esse sistema gerava uma enorme quantidade de riqueza que fluía para as capitais do império, especialmente para Persépolis e Susa, financiando as obras monumentais dos reis persas, a manutenção do exército e o custo da burocracia imperial.
As capitais do Império Persa merecem atenção especial, porque eram obras arquitetônicas de grandiosidade impressionante.
Susa era uma cidade muito antiga, que havia sido a capital do reino elamita antes de ser incorporada ao Império Persa. Os reis persas a transformaram em uma das suas capitais principais, construindo ali um palácio suntuoso decorado com painéis de tijolos esmaltados coloridos que representavam guerreiros, leões e outros animais com riqueza de detalhes extraordinária.
Mas a capital mais emblemática dos persas era Persépolis, que em grego significa literalmente cidade dos persas. Persépolis foi construída por Dario I e continuada por seu filho Xerxes I nas montanhas do sul do Irã. Era uma cidade criada especialmente para ser o centro cerimonial do império, um lugar de poder simbólico onde os reis persas recebiam delegações de todos os povos do império e onde as grandes cerimônias de Estado eram realizadas. Os palácios de Persépolis eram construídos sobre uma enorme plataforma de pedra elevada acima do nível do solo, acessada por grandes escadarias decoradas com relevos extraordinários que mostram filas de pessoas representando todos os povos do império trazendo tributos e presentes ao grande rei.
Esses relevos de Persépolis são fontes históricas preciosas, porque mostram com riqueza de detalhes como eram os povos que compunham o Império Persa, suas roupas, seus adornos, os animais e os objetos que apresentavam como tributo. Indianos com elefantes, etíopes com marfim e animais exóticos, gregos com vasos de metal, egípcios com animais sagrados, cada povo está representado de acordo com as características culturais que os distinguiam. Olhar para esses relevos é como ver um retrato de toda a diversidade do mundo antigo num único lugar.
Agora vamos falar sobre um dos aspectos mais impressionantes do Império Persa, que o diferenciava radicalmente de outros grandes impérios da Antiguidade: a política de tolerância religiosa e cultural.
Enquanto os assírios haviam construído seu império pelo terror, destruindo cidades e deportando populações inteiras para quebrar as identidades culturais dos povos conquistados, os persas adotaram uma estratégia completamente diferente. Em vez de impor sua própria religião, língua e costumes aos povos que dominavam, os reis persas geralmente permitiam que cada povo continuasse praticando sua religião, usando sua língua e seguindo seus costumes locais. O que se exigia dos povos conquistados era basicamente lealdade política, pagamento de impostos e fornecimento de soldados quando o rei chamasse. Tudo o mais podia continuar como antes.
Essa política de tolerância tinha raízes na própria religião dos persas, o zoroastrismo, que veremos em seguida, mas também tinha uma lógica prática muito clara. Governar um império enorme com dezenas de povos diferentes pela força total era extremamente caro e gerava resistência constante. Permitir que os povos mantivessem suas identidades culturais e religiosas reduzia drasticamente a motivação para se rebelar. Se um povo podia continuar rezando para seus deuses, falando sua língua e vivendo segundo seus costumes, a dominação persa era muito mais fácil de aceitar do que a dominação de um conquistador que tentava apagar tudo isso.
Ciro, o Grande, havia estabelecido esse princípio de forma muito clara com suas ações em Babilônia, onde respeitou o culto a Marduk, e com seu decreto que permitiu o retorno dos hebreus à sua terra. Dario e seus sucessores continuaram essa política, com algumas variações e em alguns casos com rupturas pontuais, mas a tolerância cultural permaneceu como um traço geral da administração persa.
Essa abordagem fez com que muitos povos conquistados vissem os persas de forma mais positiva do que os conquistadores anteriores. Em vários casos, como com os hebreus, a chegada dos persas foi efetivamente vista como uma libertação em relação a governantes anteriores mais opressivos.
Agora vamos falar sobre a religião dos próprios persas, o zoroastrismo, que é um dos sistemas religiosos mais originais e mais influentes da Antiguidade.
O zoroastrismo foi fundado por um profeta chamado Zaratustra, que os gregos chamavam de Zoroastro. Exatamente quando e onde ele viveu é um dos debates mais antigos da história das religiões, com estimativas que variam de 1500 a 600 antes de Cristo. O que sabemos é que suas ideias se tornaram dominantes entre os persas e que elas representavam algo completamente novo no contexto das religiões da Antiguidade.
O zoroastrismo é, essencialmente, uma religião dualista. Isso significa que o universo é visto como o palco de um conflito eterno entre duas forças opostas: o bem e o mal. O princípio do bem era representado por Ahura Mazda, o Senhor Sábio, a divindade suprema da criação, da luz e da verdade. O princípio do mal era representado por Angra Mainyu, também chamado de Ahriman, a força destrutiva da mentira e das trevas. Todo o cosmos, toda a história e toda a vida humana eram vistos como parte desse conflito entre essas duas forças, e os seres humanos tinham a responsabilidade de escolher de que lado queriam estar.
Para o zoroastrismo, essa escolha moral é o centro de tudo. Cada ser humano tem livre-arbítrio para decidir entre seguir o caminho do bem, da verdade e da justiça, ou o caminho do mal, da mentira e da destruição. E as consequências dessa escolha não se limitam a esta vida: o zoroastrismo ensinava que após a morte as almas eram julgadas com base nas suas ações em vida e recebiam recompensas ou punições de acordo. As almas dos justos cruzavam a Ponte Chinvat, a ponte da separação, e chegavam ao paraíso, que em língua persa antiga se chamava pairidaeza, palavra da qual derivou o nosso paraíso. As almas dos injustos caíam da ponte e iam para um lugar de sofrimento.
Essas ideias de julgamento após a morte, de paraíso para os justos e de punição para os maus, de livre-arbítrio moral e de um conflito cósmico entre o bem e o mal, são conceitos que influenciaram profundamente outras religiões que surgiram na mesma região do mundo, incluindo o judaísmo tardio, o cristianismo e o islamismo. Muitos estudiosos argumentam que conceitos que consideramos centrais nessas religiões, como a ideia de um demônio como personificação do mal, a crença na ressurreição dos mortos, o julgamento final e a distinção entre paraíso e inferno, têm raízes profundas no zoroastrismo persa.
Os reis persas acáquemênidas eram devotos de Ahura Mazda, e muitas das inscrições deixadas por eles em templos e monumentos invocam a proteção e a graça dessa divindade. Ao mesmo tempo, como vimos, eles toleravam e até apoiavam outras religiões dentro do império, o que mostrava que o zoroastrismo, pelo menos na prática política persa, não era uma religião exclusivista que exigia a conversão de todos.
Agora vamos falar sobre o exército persa, porque ele foi o instrumento que tornaram possíveis todas as conquistas que mencionamos.
O exército persa era composto por guerreiros de diferentes partes do imenso império, cada um lutando com as armas e as técnicas típicas de sua região de origem. Havia infantaria pesada e leve, cavalaria, carros de guerra e arqueiros. A diversidade dos contingentes militares era ao mesmo tempo uma força e uma fraqueza: uma força porque reunia guerreiros especializados em tipos diferentes de combate, e uma fraqueza porque coordenar um exército tão diverso culturalmente exigia uma logística muito sofisticada.
O núcleo mais famoso do exército persa era um grupo de dez mil guerreiros de elite chamados os Imortais. Esse nome vinha de um sistema muito inteligente: sempre que um dos Imortais morria em batalha ou ficava doente e precisava se retirar, era imediatamente substituído por outro guerreiro, de forma que o número total jamais caía abaixo de dez mil. Os Imortais eram soldados profissionais de tempo integral, muito bem treinados e equipados, que formavam a guarda pessoal do rei e a força de choque do exército em situações críticas. Eles eram temidos por todos os povos que o Império Persa enfrentou.
O poder naval persa era sustentado principalmente pelos fenícios, que já estudamos, e também pelos egípcios e pelos gregos da Jônia, povos que foram incorporados ao império e que tinham tradições marítimas importantes. Os persas em si não eram naturalmente um povo de marinheiros, pois vinham do planalto iraniano, longe do mar. Mas ao incorporar os fenícios ao seu império, ganharam acesso a uma das frotas mais eficientes do mundo mediterrâneo antigo.
E falando em Mediterrâneo, não podemos deixar de mencionar as Guerras Médicas, que foram o maior conflito em que o Império Persa se envolveu e que marcaram profundamente a história grega e ocidental. As Guerras Médicas foram uma série de conflitos entre o Império Persa e as cidades-Estado gregas, ocorridos principalmente nas primeiras décadas do século cinco antes de Cristo.
O conflito teve início porque os reis persas queriam controlar as cidades gregas da Jônia, na costa da Anatólia, que haviam sido incorporadas ao império. Essas cidades se rebelaram com o apoio de algumas cidades gregas do continente europeu, especialmente Atenas. A resposta persa foi uma série de campanhas militares que levaram os exércitos persas até o próprio território da Grécia continental.
O rei persa Dario I enviou uma expedição que foi derrotada na famosa Batalha de Maratona em 490 antes de Cristo, quando os atenienses, em grande inferioridade numérica, surpreenderam o exército persa e o puseram em fuga. Dez anos depois, o filho e sucessor de Dario, Xerxes I, lançou uma invasão muito maior e mais devastadora, cruzando o estreito de Helesponto com um exército enorme. Os persas saquearam e queimaram Atenas depois que a cidade foi evacuada. Mas foram derrotados na batalha naval de Salamina em 480 antes de Cristo, quando os navios gregos, liderados pelo general ateniense Temístocles, destruíram a frota persa num estreito entre a ilha de Salamina e o continente. No ano seguinte, as forças terrestres persas foram derrotadas na batalha de Plateia, e os persas se retiraram definitivamente da Grécia continental.
As Guerras Médicas são um ponto central para o ENEM por várias razões. Elas representam o confronto entre dois modelos políticos muito diferentes: o modelo imperial persa, centralizado e autocrático, com um único rei de poder absoluto, e o modelo das cidades-Estado gregas, especialmente Atenas com sua democracia. A vitória grega foi interpretada pelos próprios gregos como a vitória da liberdade sobre o despotismo, uma narrativa que influenciou profundamente o pensamento político ocidental. Claro que essa narrativa é simplificada e não leva em conta as muitas formas de opressão que existiam dentro da própria sociedade grega, especialmente a escravidão. Mas o impacto simbólico das Guerras Médicas sobre a construção da identidade cultural grega e depois ocidental é inegável.
Após as Guerras Médicas, o Império Persa continuou existindo por mais de um século e meio, mas perdeu o impulso expansionista que havia caracterizado os reinados de Ciro, Cambises e Dario. Os reis persas que se sucederam a Xerxes foram frequentemente envolvidos em conflitos de palácio, conspirações e rivalidades internas que enfraqueceram progressivamente o poder central.
O fim do Império Persa aquemênida veio da mesma direção de onde havia vindo a derrota nas Guerras Médicas: da Grécia, mas desta vez de uma Grécia unificada pela força de um único conquistador. Em 334 antes de Cristo, Alexandre, o Grande, rei da Macedônia, cruzou o estreito de Helesponto com seu exército e iniciou a conquista do Império Persa. Em menos de dez anos, Alexandre derrotou o último rei persa aquemênida, Dario III, em várias batalhas decisivas, chegou até a Índia e transformou completamente o mapa político do mundo antigo. Persépolis, a gloriosa capital cerimonial do império, foi incendiada por Alexandre, num ato que muitos historiadores interpretam como um gesto simbólico de vingança pelas chamas que os persas haviam ateado em Atenas durante as Guerras Médicas.
Com o fim do Império Aquemênida, o mundo persa entrou numa nova fase de dominação helenística, mas a cultura persa não desapareceu. Ela continuou viva, se misturou com a cultura grega e sobreviveu até renascer séculos depois com os impérios pártico e sassânida, mantendo vivas muitas das tradições que os persas aquemênidas haviam estabelecido.
Agora vamos fazer as conexões com o ENEM que são tão importantes para a sua formação.
O ENEM frequentemente apresenta questões sobre o Império Persa dentro de um contexto mais amplo de análise dos diferentes modelos de organização do poder político. O modelo imperial persa, com suas satrapias, seus sátrapas, sua rede de estradas, seus inspetores reais e sua política de tolerância cultural, é um exemplo muito sofisticado de como governar um território imenso com populações diversas. Saber comparar esse modelo com o modelo das cidades-Estado gregas, com o Egito faraônico e com os impérios que vieram depois é uma habilidade analítica muito valorizada pelo ENEM.
Outro tema recorrente é a relação entre religião e política. O zoroastrismo persa, com seu dualismo entre o bem e o mal, seu conceito de julgamento após a morte e sua ênfase na responsabilidade moral individual, foi uma das religiões mais influentes da Antiguidade, mesmo que hoje seja muito menos conhecida do que as religiões que influenciou. Compreender essas relações de influência entre o zoroastrismo e o judaísmo, o cristianismo e o islamismo é algo que o ENEM pode explorar de forma muito interessante.
As Guerras Médicas também aparecem com muita frequência, seja em questões que pedem a localização temporal e espacial dos eventos, seja em questões que exploram os significados simbólicos e políticos que esse conflito teve para a construção da identidade grega e, por extensão, da ideia de Ocidente que ainda nos influencia hoje.
Por fim, a política de tolerância cultural dos persas é um tema que o ENEM gosta de conectar com reflexões mais gerais sobre diversidade, convivência entre culturas e modelos de gestão do poder. A ideia de que é possível manter um grande império sem impor uma cultura única a todos os povos é algo que continua sendo muito relevante para pensar as relações entre Estados e minorias culturais no mundo contemporâneo.
Vamos fazer agora um resumo completo de tudo que aprendemos nesta aula.
Os persas eram um povo de origem indo-europeia que se estabeleceu no planalto iraniano. Durante muito tempo subordinados aos medos, foram unificados por Ciro II, o Grande, que a partir de 559 antes de Cristo criou o Império Aquemênida, conquistando os medos, a Lídia, a Babilônia e abrindo caminho para um dos maiores impérios da Antiguidade. Seu filho Cambises II conquistou o Egito, e Dario I organizou o império em sua forma mais sofisticada, dividindo o território em satrapias administradas por sátrapas, criando a Estrada Real para facilitar as comunicações, padronizando a moeda com o dárico de ouro e estabelecendo um eficiente sistema de fiscalização por meio dos inspetores reais.
No seu apogeu, o Império Persa estendia-se do vale do Indo até a Trácia europeia, reunindo dezenas de povos sob um único governo. Sua política de tolerância cultural e religiosa, iniciada por Ciro, diferenciava os persas dos impérios anteriores e reduzia a resistência dos povos conquistados. O zoroastrismo, a religião persa, introduziu conceitos de dualismo cósmico entre o bem e o mal, julgamento após a morte, paraíso e punição que influenciaram profundamente o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.
Os persas se envolveram nas Guerras Médicas contra as cidades-Estado gregas, sendo derrotados em Maratona por Dario I e em Salamina e Plateia por Xerxes I. O Império Aquemênida chegou ao fim em 330 antes de Cristo, quando Alexandre, o Grande, derrotou o último rei persa Dario III e incendiou Persépolis, encerrando mais de dois séculos de domínio aquemênida sobre o Oriente Médio. Na próxima aula continuaremos nossa exploração do Oriente Antigo, conhecendo os hebreus, um povo cuja contribuição religiosa e cultural ao mundo é de uma importância extraordinária e cujos textos sagrados ainda são lidos por bilhões de pessoas no mundo inteiro até hoje.
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| Dados de Catalogação na Publicação: NORAT, Markus Samuel Leite. Curso de história para o 1º ano do ensino médio. João Pessoa: Editora Norat, 2026. Livro Digital, Formato: HTML5, Tamanho: 132,4125 gigabytes (132.412.500 kbytes) . ISBN: 978-65-80808-16-8 | Cutter: N825c | CDD-907.12 | CDU-94(100)”-04/17″:373.5 . Palavras-chave: História, Ensino Médio, Pré-História, Civilizações Antigas, Mesopotâmia, Egito Antigo, Grécia Antiga, Roma Antiga, África Antiga, Reinos Africanos, Mundo Árabe-Muçulmano, Idade Média, Feudalismo, Antigo Regime, Monarquias Absolutistas, Renascimento, Humanismo, ENEM, Vestibulares. . TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. É proibida a cópia total ou parcial desta obra, por qualquer forma ou qualquer meio. A violação dos direitos autorais é crime tipificado na Lei n. 9.610/98 e artigo 184 do Código Penal. |
