Curso de História para o 1º Ano do Ensino Médio
MÓDULO 9 – O MUNDO ÁRABE-MUÇULMANO
Aula 106 – O desenvolvimento científico, cultural e filosófico do mundo islâmico
Aula 106 – O desenvolvimento científico, cultural e filosófico do mundo islâmico
Existe um período da história humana que raramente recebe a atenção que merece nos livros escolares do mundo ocidental, mas que foi absolutamente decisivo para o desenvolvimento da ciência, da filosofia, da medicina e da cultura que hoje consideramos parte da herança comum da humanidade. Esse período é chamado pelos historiadores de Era de Ouro islâmica, e se estendeu aproximadamente do século oito ao século treze depois de Cristo, embora seus efeitos tenham continuado a se fazer sentir muito depois desse intervalo. Durante esses séculos, enquanto grande parte da Europa Ocidental vivia num período de relativo obscurantismo intelectual, as cidades do mundo islâmico, especialmente Bagdá, Córdoba, Cairo, Samarcanda e Toledo, eram os centros mais avançados de produção de conhecimento do planeta. Matemáticos, astrônomos, médicos, filósofos, geógrafos, químicos e poetas muçulmanos, judeus e cristãos trabalhando em árabe produziram obras que transformaram a compreensão humana do mundo e que serviriam de base para o Renascimento europeu séculos depois.
Para entender como esse florescimento intelectual aconteceu, precisamos olhar para suas condições de possibilidade, ou seja, para as razões que permitiram que o mundo islâmico medieval se tornasse o maior centro de produção intelectual de seu tempo.
A primeira grande razão foi a criação de um espaço político e cultural unificado de dimensões extraordinárias. Como estudamos nas aulas anteriores, a expansão islâmica dos séculos sete e oito criou um território contínuo que ia da Península Ibérica até as fronteiras da Índia e da China. Esse território compartilhava uma língua de cultura comum, o árabe, uma religião comum, o islamismo, e um conjunto de práticas comerciais e administrativas comuns. Um médico de Bagdá podia ler os escritos de um colega de Córdoba sem necessidade de tradução. Um comerciante de Cairo podia negociar com um parceiro de Samarcanda usando as mesmas moedas e os mesmos instrumentos contratuais. Essa unidade cultural e linguística facilitou enormemente a circulação de ideias, de textos, de pessoas e de conhecimentos.
A segunda grande razão foi o enorme esforço sistemático de tradução que os califas abássidas de Bagdá patrocinaram a partir do final do século oito. O califa al-Mansur, fundador de Bagdá, e seus sucessores, especialmente Harun al-Rashid e al-Mamun, tinham uma curiosidade intelectual genuína e também uma percepção muito prática de que o conhecimento era um instrumento de poder. Por sua ordem, estudiosos de diferentes origens religiosas e linguísticas foram recrutados e pagos generosamente para traduzir para o árabe todo o conhecimento que pudessem encontrar. Textos gregos de Platão, Aristóteles, Euclides, Hipócrates, Galeno, Ptolomeu e dezenas de outros autores foram traduzidos. Textos persas de astronomia, medicina e literatura foram traduzidos. Textos indianos de matemática e astronomia foram traduzidos. Em questão de décadas, a língua árabe passou a ter acesso a um patrimônio intelectual acumulado por civilizações que haviam florescido ao longo de milênios.
A instituição central desse esforço foi a Casa da Sabedoria, em árabe Bayt al-Hikma, que foi criada em Bagdá no início do século nono pelo califa al-Mamun. A Casa da Sabedoria era ao mesmo tempo uma biblioteca de dimensões imensas, um centro de tradução onde trabalhavam os melhores tradutores do mundo da época, e um instituto de pesquisa onde sábios de todas as origens trabalhavam para avançar o conhecimento humano além do que os textos antigos já haviam estabelecido. Não era apenas um lugar de conservação do passado: era um lugar de produção ativa de conhecimento novo. Os estudiosos da Casa da Sabedoria não se limitavam a traduzir Euclides, eles resolviam problemas que Euclides não havia resolvido. Não se limitavam a traduzir Galeno, eles testavam suas teorias clínicas e as corrigiam quando estavam erradas.
O califa al-Mamun tinha um amor pelo debate intelectual que levava a situações que seriam incomuns em qualquer outro governo da época: é registrado que ele participava pessoalmente de discussões filosóficas com os sábios de sua corte, e que financiava não apenas a produção de conhecimento mas também expedições para medir a circunferência da Terra, aproveitando o fato de que os sábios islâmicos sabiam, desde os gregos, que a Terra era redonda e queriam determinar suas dimensões com a maior precisão possível. As medições realizadas por astrônomos enviados ao deserto da Síria por al-Mamun chegaram a um resultado surpreendentemente próximo do valor que a ciência moderna determina, evidência do rigor metodológico que esses pesquisadores já empregavam no século nono.
Vamos agora examinar os campos específicos do conhecimento em que o mundo islâmico medieval fez suas contribuições mais duradouras.
A matemática foi talvez o campo em que a contribuição islâmica foi mais revolucionária para a história da civilização, não porque os matemáticos muçulmanos foram os únicos a avançar o conhecimento matemático, mas porque foram eles que integraram as tradições matemáticas grega e indiana e as difundiram para o mundo de uma forma que transformou radicalmente as possibilidades do pensamento e do cálculo humano.
O nome mais importante da matemática islâmica, e talvez um dos nomes mais importantes de toda a história da matemática, é o de Muhammad ibn Musa al-Khwarizmi, que viveu e trabalhou na Casa da Sabedoria de Bagdá no início do século nono. Al-Khwarizmi escreveu uma obra em árabe cujo título era Hisab al-Jabr wal-Muqabala, que significa algo como o cálculo pela restauração e pela comparação. O termo al-jabr desse título é a origem direta da palavra álgebra, que usamos até hoje. A obra de al-Khwarizmi sistematizou pela primeira vez um conjunto de métodos para resolver equações de primeiro e segundo grau, apresentando-os de forma geral e abstrata em vez de limitá-los a problemas específicos como havia sido feito antes por matemáticos gregos e babilônios. Em outras palavras, al-Khwarizmi não apenas resolveu equações concretas: ele desenvolveu um método geral para resolver classes inteiras de equações, que é exatamente o que é a álgebra.
Mas a contribuição de al-Khwarizmi não parou na álgebra. Ele também escreveu um livro sobre o sistema de numeração indiano, que era o sistema baseado em dez algarismos incluindo o zero que os indianos haviam desenvolvido séculos antes. Al-Khwarizmi explicou esse sistema em árabe de forma tão clara e didática que a obra foi traduzida para o latim e se tornou o principal veículo pelo qual o sistema de numeração indo-arábico chegou à Europa. Os europeus chamaram esses números de algarismos arábicos porque os conheceram através dos textos árabes, embora sua origem fosse indiana. Sem os algarismos arábicos e o conceito do zero, não seria possível fazer a matemática e a ciência modernas. Pense numa equação como dois mais dois igual a quatro: parece simples assim, mas imagine tentar fazer os mesmos cálculos usando os algarismos romanos, sem zero e sem posição decimal. A matemática avançada seria praticamente impossível. O sistema que usamos hoje para escrever e calcular com números é um presente da matemática islâmica medieval para a civilização humana.
E há mais um detalhe: a própria palavra algoritmo, que usamos hoje para descrever uma sequência de passos para resolver um problema e que é fundamental na computação e na inteligência artificial, é uma latinização do nome al-Khwarizmi. Quando os europeus medievais latinizaram seu nome como Algorismus, os passos de cálculo que ele descrevia ficaram sendo chamados de algoritmos. Cada vez que um programador de computadores usa a palavra algoritmo, está, sem saber, homenageando um matemático muçulmano de Bagdá do século nono.
Outros matemáticos islâmicos avançaram o conhecimento ainda mais longe. Omar Khayyam, que viveu no Irã entre mil e quarenta e oito e mil e cento e trinta e um, é hoje mais famoso como poeta pelas suas Rubaiyat, coleção de quadras filosóficas e melancólicas sobre a fugacidade da vida, mas foi também um matemático de grande importância: resolveu equações cúbicas através de interseções de seções cônicas, um avanço que os europeus só alcançariam séculos depois. Al-Kashi, que viveu no século quinze, calculou o valor do pi com mais casas decimais do que qualquer matemático anterior, e desenvolveu o uso das frações decimais de uma forma sistemática.
A astronomia foi outro campo em que os muçulmanos medievais fizeram contribuições de enorme importância e durabilidade. Parte dessas contribuições é visível até hoje no céu, nos próprios nomes das estrelas: a maioria dos nomes de estrelas que usamos hoje em astronomia são de origem árabe, reflexo do fato de que foram os astrônomos medievais islâmicos que catalogaram, nomearam e estudaram sistematicamente o céu. Nomes como Aldebaran, Betelgeuse, Rigel, Vega, Altair, Deneb, Algol, Zubenelgenubi são todos nomes árabes dados por astrônomos muçulmanos medievais, e continuamos usando-os hoje porque os astrônomos europeus do Renascimento e da era moderna os aprenderam a partir de textos árabes e os adotaram como nomes técnicos oficiais.
Al-Battani, que viveu na Síria entre oitocentos e cinquenta e oito e novecentos e vinte e nove, foi um dos maiores astrônomos do mundo medieval. Com instrumentos de observação que ele mesmo projetou e construiu, realizou medições extraordinariamente precisas de vários fenômenos astronômicos. Determinou a duração do ano solar com uma precisão que surpreende quando se considera que não tinha telescópio nem nenhum instrumento óptico. Calculou a inclinação do eixo da Terra, a prececessão dos equinócios e a órbita da Lua com um grau de exatidão que só seria superado séculos depois com instrumentos muito mais sofisticados. Copérnico, o astrônomo polaco do século dezasseis que propôs o modelo heliocêntrico do sistema solar, citou al-Battani em suas obras, evidência direta de como os astrônomos islâmicos medievais influenciaram a revolução científica europeia.
Os astrônomos islâmicos também construíram os primeiros observatórios astronômicos institucionais da história, ou seja, edificações especialmente projetadas e equipadas para a observação sistemática do céu. Al-Mamun ordenou a construção de observatórios em Bagdá e em Damasco. O mais famoso observatório islâmico medieval foi o construído em Samarcanda no século quinze por Ulugh Beg, que era ele mesmo um astrônomo de grande capacidade além de governante, e que produziu um catálogo de estrelas de precisão sem precedentes para sua época.
O instrumento astronômico mais importante do mundo medieval islâmico foi o astrolábio, um dispositivo circular de metal com o qual era possível determinar a posição do sol e das estrelas, medir o tempo, calcular a latitude, orientar-se em terra e no mar, e resolver uma série de problemas astronômicos e matemáticos. Os gregos haviam inventado uma versão primitiva do astrolábio, mas foram os astrônomos islâmicos que o desenvolveram até um grau de sofisticação e de precisão que o tornou um instrumento universal. O astrolábio chegou à Europa medieval através do Al-Andalus islâmico da Espanha, e foi fundamental para o desenvolvimento da navegação europeia que culminou nas grandes viagens de exploração dos séculos quinze e dezasseis. Sem o astrolábio islâmico, seria muito mais difícil para os navegadores portugueses e espanhóis terem cruzado os oceanos Atlântico e Índico.
A medicina islâmica medieval foi talvez a mais diretamente útil para a vida das pessoas de seu tempo e também uma das que mais influenciou a medicina europeia posterior. Como nos outros campos, os médicos islâmicos começaram por traduzir e estudar os textos médicos gregos, especialmente as obras de Hipócrates e de Galeno, mas avançaram muito além deles através da observação clínica sistemática, da experimentação e do raciocínio crítico.
A figura mais importante da medicina islâmica foi Ibn Sina, conhecido na Europa pelo nome latinizado de Avicena, que viveu entre novecentos e oitenta e um e mil e trinta e sete no Irã. Ibn Sina foi um dos intelectos mais prodigiosos da história humana: além de médico, foi filósofo, matemático, astrônomo, geógrafo, poeta e músico. Conta-se que havia memorizado o Alcorão completo aos dez anos de idade e que aos dezasseis já tratava pacientes e ensinava medicina a médicos mais velhos. Sua obra mais famosa é o Cânon da Medicina, em árabe al-Qanun fi al-Tibb, uma enciclopédia médica em cinco volumes que sistematizou todo o conhecimento médico disponível em sua época, incluindo descrições de doenças, diagnósticos, tratamentos, farmacologia e anatomia. O Cânon foi traduzido para o latim no século doze e se tornou o principal livro didático de medicina nas universidades europeias por mais de quinhentos anos. Ainda era usado como texto de ensino em algumas universidades europeias no século dezassete, seiscentos anos depois de ter sido escrito.
Ibn Sina foi o primeiro a descrever com precisão a meningite, a distinguir a pleurisia de outras doenças pulmonares, a reconhecer o caráter contagioso de certas doenças transmitidas pela água e pelo solo, e a propor que os medicus deveriam testar a eficácia dos medicamentos antes de recomendá-los, um princípio que está na base do que hoje chamamos de ensaio clínico. Ele também descreveu com precisão o funcionamento da visão, explicou corretamente que a luz entra no olho em vez de sair dele como alguns antigos pensavam, e contribuiu para nossa compreensão do sistema nervoso.
Outro médico islâmico de importância excepcional foi Ibn al-Nafis, que viveu no Egito e na Síria entre mil e duzentos e treze e mil e duzentos e oitenta e oito. Ibn al-Nafis fez uma das descobertas mais importantes da história da medicina: descreveu corretamente a circulação pulmonar, ou seja, o caminho que o sangue percorre do coração até os pulmões e de volta ao coração. Essa descoberta, que havia escapado a Galeno e a todos os médicos anteriores, só seria feita de forma independente na Europa por Miguel Servet em mil quinhentos e cinquenta e três, mais de trezentos anos depois de Ibn al-Nafis. Ibn al-Nafis também foi o primeiro a descrever o que hoje chamamos de circulação coronariana, o sistema de vasos sanguíneos que alimenta o próprio músculo cardíaco.
Abu Bakr Muhammad ibn Zakariya al-Razi, conhecido no Ocidente como Rhazes, que viveu de oitocentos e cinquenta e quatro a novecentos e vinte e cinco no Irã e no Iraque, foi outro gigante da medicina islâmica medieval. Al-Razi foi o primeiro médico da história a distinguir claramente a varíola do sarampo, descrevendo os sintomas de cada doença com tal precisão que sua descrição ainda é considerada válida pelos médicos modernos. Escreveu uma enciclopédia médica chamada al-Hawi, o Livro Abrangente, que era ainda maior e mais detalhada do que o Cânon de Ibn Sina, e foi um dos primeiros defensores do uso da observação clínica cuidadosa e do registro sistemático dos casos médicos como base para o conhecimento médico.
A organização dos hospitais também é uma contribuição islâmica medieval que merece destaque. Os bimaristans, como eram chamados os hospitais no mundo islâmico, eram instituições muito mais sofisticadas do que qualquer coisa que existia na Europa cristã da mesma época. O hospital mais famoso foi o Bimaristan al-Mansuri, fundado no Cairo em mil duzentos e oitenta e quatro pelo sultão mamluk Qalawun, que tinha capacidade para oito mil pacientes, separava os doentes por tipo de enfermidade em enfermarias distintas, empregava médicos especializados em diferentes áreas, tinha farmácias, bibliotecas médicas e até salas de música para ajudar na recuperação dos pacientes. O hospital era gratuito para todos os pacientes, independentemente de sua origem social ou religiosa, e funcionava tanto como centro de atendimento quanto como escola de medicina. Esse modelo de hospital como instituição pública gratuita para todos foi uma inovação islâmica medieval que a Europa levaria muito tempo para adotar de forma comparável.
A filosofia islâmica medieval ocupa um lugar absolutamente central na história da filosofia ocidental, e é impossível entender como o pensamento filosófico europeu chegou ao que é hoje sem passar pela filosofia islâmica medieval. O ponto de partida dessa filosofia foi a tradução dos textos de Aristóteles para o árabe, que revelou ao mundo islâmico uma das mentes mais poderosas e mais sistemáticas que a humanidade já produziu. Mas a relação dos filósofos islâmicos com Aristóteles não foi de simples aceitação: foi de debate ativo, de reinterpretação criativa e em alguns casos de crítica que avançou o pensamento além do ponto em que Aristóteles havia deixado.
Al-Kindi, que viveu em Bagdá no século nono e é considerado o primeiro filósofo árabe propriamente dito, trabalhou na Casa da Sabedoria e foi um dos primeiros a tentar mostrar que a filosofia grega e o islamismo eram compatíveis, que a razão e a fé podiam coexistir sem se contradizer. Al-Kindi era um humanista avant la lettre, convicto de que a verdade não tinha fronteiras religiosas ou étnicas, e que qualquer pessoa, independentemente de sua origem, podia contribuir para o avanço do conhecimento humano. Essa convicção era ela mesma uma das marcas mais importantes da filosofia islâmica medieval: a abertura para as contribuições de outras culturas e tradições.
Al-Farabi, que viveu entre oitocentos e setenta e dois e novecentos e cinquenta, foi chamado de o Segundo Mestre, sendo o primeiro Aristóteles. Tal era a estatura que seus contemporâneos lhe atribuíam. Al-Farabi sistematizou a filosofia de Aristóteles, escreveu comentários sobre suas obras e desenvolveu uma filosofia política que tentava descrever o Estado ideal segundo os princípios da razão e da revelação islâmica combinados. Seu conceito da cidade virtuosa, al-Madina al-Fadila, é um dos primeiros exemplos de filosofia política sistemática no mundo islâmico, e influenciou profundamente os pensadores posteriores.
A figura mais importante da filosofia islâmica e talvez a mais importante para a história da filosofia como um todo foi Ibn Rushd, conhecido na Europa pelo nome latinizado de Averróis, que viveu em Córdoba, na Espanha islâmica, entre mil e cento e vinte e seis e mil e cento e noventa e oito. Ibn Rushd foi chamado de o Comentador pelos filósofos europeus medievais, título que resumia sua importância: ele escreveu comentários sobre praticamente todas as obras de Aristóteles, comentários tão completos, tão precisos e tão iluminadores que se tornaram a principal porta de entrada para o pensamento aristotélico na Europa medieval. Quando São Tomás de Aquino, o maior filósofo e teólogo do catolicismo medieval, queria citar Aristóteles, muitas vezes citava através dos comentários de Ibn Rushd. Quando as universidades europeias medievais debatiam filosofia aristotélica, debatiam em grande parte a interpretação de Ibn Rushd.
Mas Ibn Rushd foi mais do que um comentarista: foi também um pensador original de grande importância. Escreveu obras de medicina, de astronomia e de jurisprudência islâmica além das filosóficas. Defendeu com vigor a compatibilidade entre a razão filosófica e a fé religiosa, argumentando que a verdade é una e que a filosofia e a religião, quando corretamente compreendidas, chegam às mesmas conclusões por caminhos diferentes. Essa posição gerou uma controvérsia enorme no mundo islâmico de seu tempo, onde o filósofo al-Ghazali havia escrito uma obra famosa chamada a Incoerência dos Filósofos, argumentando que a filosofia aristotélica era incompatível com o islamismo em vários pontos fundamentais. Ibn Rushd respondeu com uma obra chamada a Incoerência da Incoerência, um dos títulos mais ousados da história da filosofia, defendendo os filósofos contra as críticas de al-Ghazali.
Na Europa, as obras de Ibn Rushd chegaram em tradução latina no século doze e desencadearam um debate apaixonante que durou séculos. A corrente filosófica que seguia Ibn Rushd na sua interpretação de Aristóteles foi chamada de averroísmo, e seus defensores nas universidades europeias medievais foram acusados pelos teólogos conservadores de negar a criação do mundo, a providência divina e a imortalidade individual da alma. A polêmica em torno do averroísmo foi uma das principais linhas de tensão intelectual das universidades europeias dos séculos treze e quatorze, e ajudou a preparar o terreno para o pensamento crítico e laico que caracterizaria o Renascimento europeu.
A filosofia islâmica também produziu um dos primeiros romances filosóficos da história: Hayy ibn Yaqzan, escrito por Ibn Tufayl, que era contemporâneo e amigo de Ibn Rushd na Espanha islâmica do século doze. A obra conta a história de um menino criado em isolamento numa ilha deserta, sem contato com nenhuma sociedade humana, que através da pura observação da natureza e do raciocínio independente chega, sozinho, a conclusões filosóficas e religiosas de grande profundidade. A ideia central da obra é que a razão humana, sem auxílio da revelação ou da tradição, é capaz de descobrir verdades fundamentais sobre a realidade e sobre Deus. Essa obra foi traduzida para o latim e para outras línguas europeias e influenciou o pensamento filosófico e literário europeu de formas que os historiadores ainda estudam.
Outra grande figura que merece destaque especial é Ibn Khaldun, que viveu no norte da África e na Espanha entre mil e trezentos e trinta e dois e mil e quatrocentos e seis, e que é considerado um dos pais fundadores da história e da sociologia como disciplinas científicas. Ibn Khaldun escreveu uma introdução histórica monumental chamada de Muqaddimah, que significa introdução ou prolegômenos, que era a parte inicial de uma história universal muito maior. Mas essa introdução era em si mesma uma obra de gênio: na Muqaddimah, Ibn Khaldun desenvolveu uma teoria sistemática sobre como as sociedades se formam, crescem, entram em decadência e são substituídas por outras. Ele argumentou que as sociedades são movidas por uma força que chamou de asabiyya, que pode ser traduzida como solidariedade de grupo ou espírito de coesão social, e que grupos com asabiyya forte tendem a conquistar e a substituir grupos com asabiyya enfraquecida pelo luxo e pela corrupção do poder. Essa teoria, embora primitiva por comparação com as teorias sociais modernas, foi a primeira tentativa sistemática de explicar as mudanças históricas através de fatores sociais e econômicos em vez de simplesmente pela vontade divina ou pelo acaso. Ibn Khaldun é reconhecido pelos historiadores modernos como precursor de figuras como Maquiavel, Montesquieu e até Marx.
A química foi outro campo em que o mundo islâmico medieval fez contribuições de grande importância. Jabir ibn Hayyan, que viveu no século oito e é chamado de o pai da química, desenvolveu métodos laboratoriais de destilação, cristalização, calcinação e sublimação que ainda usamos hoje. Jabir foi o primeiro a sintetizar vários compostos químicos importantes, incluindo ácidos como o ácido sulfúrico e o ácido nítrico, e a descrever processos como a preparação do carbonato de sódio e de outros compostos que têm usos práticos importantíssimos. A palavra álcool, que usamos hoje, é de origem árabe: vem de al-kuhul, que designava originalmente um pó finíssimo e depois passou a designar substâncias destiladas em geral. A palavra alquimia, que designava a química pré-científica, também é de origem árabe: al-kimiya. E a palavra elixir é igualmente de origem árabe: al-iksir.
A óptica foi transformada por Ibn al-Haytham, que viveu no Cairo entre novecentos e sessenta e cinco e mil e quarenta, e é considerado um dos cientistas mais importantes da história medieval. Ibn al-Haytham escreveu o Livro da Óptica, uma obra em sete volumes que transformou completamente a compreensão humana da luz e da visão. Antes de Ibn al-Haytham, havia duas teorias concorrentes sobre como a visão funcionava: a teoria da emissão, segundo a qual os olhos emitiam raios que tocavam os objetos e assim os percebiam, e a teoria da intromissão, segundo a qual os objetos emitiam algo que entrava nos olhos. Ibn al-Haytham provou experimentalmente que a teoria da emissão estava errada e que a luz vem de fora para dentro do olho. Explicou o funcionamento da câmara escura, descreveu a refração da luz, estudou as lentes e os espelhos, e desenvolveu uma teoria detalhada da percepção visual que influenciou profundamente o pensamento óptico e artístico europeu. O conceito de perspectiva que os artistas do Renascimento italiano desenvolveram no século quinze deve muito ao trabalho óptico de Ibn al-Haytham.
A óptica islâmica também teve aplicações práticas importantes. As lentes foram desenvolvidas no mundo islâmico medieval, e os óculos, que foram inventados na Itália no final do século treze, devem ao menos parte de seu desenvolvimento intelectual ao trabalho óptico dos sábios muçulmanos.
A geografia foi outro campo em que os estudiosos islâmicos medievais fizeram obras de valor excepcional. Al-Idrisi, que viveu de mil e cem a mil e cento e sessenta e cinco e trabalhou na corte do rei normando Roger segundo da Sicília, produziu em mil e cento e cinquenta e quatro um mapa-múndi de uma precisão impressionante para sua época, acompanhado de um livro de descrições geográficas chamado de o Livro de Prazer para Quem Deseja Percorrer o Mundo. O mapa de al-Idrisi permaneceu como o mapa mais preciso do mundo durante séculos e foi usado por navegadores e exploradores europeus muito depois de sua criação. Al-Masudi, chamado de o Heródoto dos árabes, percorreu o mundo islâmico e além no século dez, deixando relatos detalhados de suas viagens que são fontes históricas insubstituíveis sobre as sociedades da Ásia, da África e do Mediterrâneo medieval.
Mas o maior viajante do mundo islâmico medieval foi, sem dúvida, Ibn Battuta, que nasceu em Tânger, no atual Marrocos, em mil e trezentos e quatro e passou aproximadamente vinte e nove anos de sua vida viajando pelo mundo. Ibn Battuta percorreu uma extensão estimada de cento e dezessete mil quilômetros, visitando o norte da África, o Oriente Médio, a Pérsia, a Índia, a China, a África Oriental, a Espanha islâmica e o leste europeu. Seu relato de viagens, chamado de Rihla, que significa simplesmente a Viagem, é uma fonte histórica de valor inestimável para a compreensão do mundo medieval do século quatorze, descrevendo com riqueza de detalhe as sociedades, os costumes, as cidades e os personagens que encontrou ao longo de sua vida de viagens. Ibn Battuta viajou mais do que qualquer outro explorador anterior a ele, incluindo Marco Polo, e seu relato é considerado pelos historiadores medievalistas como um dos documentos históricos mais ricos do período.
A literatura e a poesia islâmicas medievais produziram obras de beleza extraordinária que ainda hoje encantam os leitores. As histórias de As Mil e Uma Noites, compiladas em árabe durante o período abássida a partir de fontes persas, indianas e árabes, são uma das obras literárias mais lidas e mais influentes de toda a história humana, com histórias como Aladim, Ali Babá e os quarenta ladrões e Sinbad, o Marujo, que inspiraram autores, cineastas e artistas por todo o mundo nos últimos séculos. A obra foi introduzida na Europa no início do século dezoito através de uma tradução francesa de Antoine Galland e imediatamente encantou os leitores europeus, influenciando a literatura ocidental de formas que se estendem do Romantismo ao surrealismo.
A poesia persa que floresceu no período islâmico produziu alguns dos mais belos textos poéticos da literatura mundial. Ferdowsi, que escreveu o Shahnameh, ou o Livro dos Reis, no final do século dez e início do século onze, criou uma epopeia de sessenta mil versos que narra a história mítica e lendária da Pérsia desde a criação do mundo até a conquista árabe, e que é até hoje considerada a obra literária central da cultura persa. Omar Khayyam, além de matemático, foi um poeta cujas Rubaiyat, ou quadras, expressam de forma memorável reflexões sobre o prazer, a morte, o tempo e a incerteza da existência. Hafez e Rumi, que viveram nos séculos treze e quatorze, são considerados dois dos maiores poetas que já escreveram em persa, e suas obras continuam sendo lidas, decoradas e cantadas no Irã, no Afeganistão, no Paquistão e em comunidades persas ao redor do mundo. Rumi em particular, fundador da ordem dos dervixes giróvagos, cujos versos de amor místico pela divindade foram traduzidos para dezenas de línguas, é hoje um dos poetas mais lidos no mundo inteiro, com traduções que vendem centenas de milhares de exemplares todos os anos nos Estados Unidos e na Europa.
A música islâmica medieval foi também um campo de grande sofisticação. Al-Farabi, além de filósofo, escreveu o Grande Livro da Música, uma obra de teoria musical de grande complexidade que descrevia instrumentos, escalas e princípios de harmonia. Al-Kindi também escreveu sobre música e foi um dos primeiros a tentar relacionar sistematicamente a teoria musical com a matemática e com a filosofia. A música árabe medieval desenvolveu um sistema de escalas, os chamados maqamat, que influenciou profundamente a música do Mediterrâneo, incluindo a música folclórica ibérica, que por sua vez influenciou o flamenco espanhol e a música popular brasileira através da colonização portuguesa.
A arquitetura islâmica medieval produziu alguns dos edifícios mais belos que a humanidade já construiu, e é importante entender não apenas que esses edifícios são belos, mas por quê são belos e o que expressam.
A mesquita, como edificação religiosa, desenvolveu durante o período medieval islâmico características arquitetônicas específicas que a tornam reconhecível em qualquer parte do mundo: o minarete, a torre alta de onde o muezim faz o chamado à oração; o mihrab, a reentrância na parede que indica a direção de Meca; o minbar, o púlpito de onde o imame faz o sermão da sexta-feira; e o pátio com fonte para as abluções rituais. Mas além dessas características funcionais, as mesquitas medievais islâmicas desenvolveram uma decoração interior de extraordinária riqueza e originalidade: como o islamismo desaconselhava a representação de figuras humanas ou animais em espaços sagrados, os artistas islâmicos desenvolveram outros sistemas decorativos de grande sofisticação, especialmente a caligrafia árabe, que atingiu um nível de arte tão elevado que é considerada uma das formas de arte visual mais refinadas do mundo; a geometria decorativa, com padrões de estrelas, polígonos e espirais de uma complexidade matemática impressionante; e os arabescos, padrões vegetais estilizados de grande beleza. Esses três elementos decorativos, a caligrafia, a geometria e o arabesco, são os fundamentos da arte decorativa islâmica e influenciaram profundamente a arte e a arquitetura europeias através do contato com o mundo islâmico.
A Mesquita de Córdoba, na Espanha islâmica, com sua floresta de colunas e seus arcos bicolores de pedra e tijolo em vermelho e branco, é um dos monumentos mais fotografados do mundo e um dos mais influentes na história da arquitetura. A Mesquita-Catedral de Córdoba, como é chamada hoje, porque no interior do espaço islâmico original os cristãos construíram uma catedral gótica após a Reconquista, é a evidência mais tangível da grandeza da civilização islâmica na Espanha medieval.
O Palácio da Alhambra, em Granada, construído pelos sultões nasridas no século quatorze, é talvez o exemplo mais perfeito da arquitetura islâmica tardia na Europa. Seus pátios com fontes, seus jardins com sistemas de irrigação que levavam água a cada planta, seus muros cobertos de estuque decorado com padrões geométricos e inscrições em árabe, suas abóbadas de estalactites de uma complexidade vertiginosa, fazem da Alhambra um dos edifícios mais belos que sobreviveram da Idade Média. O poeta americano do século dezenove Henry Wadsworth Longfellow escreveu que a Alhambra era um poema em mármore, e essa descrição ainda ressoa para quem visita o lugar hoje.
O sistema de irrigação e de gestão da água foi outra área em que a engenharia islâmica medieval fez contribuições importantes. Em regiões áridas como a Pérsia, a Arábia e o norte da África, os engenheiros islâmicos desenvolveram sistemas sofisticados de canais subterrâneos chamados de qanats ou falajs que transportavam água de aquíferos nas montanhas para as cidades e os campos agrícolas ao longo de distâncias de muitos quilômetros, sem nenhum bombeamento artificial, usando apenas a força da gravidade. Esses sistemas, muitos dos quais ainda funcionam hoje, permitiram o florescimento de cidades e de agriculturas em regiões que de outra forma seriam completamente áridas. Os jardins islâmicos medievais, com seus sistemas de canais, suas fontes e sua vegetação cuidadosamente planejada, eram ao mesmo tempo obras de arte, declarações filosóficas sobre a relação entre a ordem divina e a natureza, e demonstrações de engenharia hidráulica avançada.
O papel que Al-Andalus, a Espanha islâmica, desempenhou como ponte entre o mundo islâmico e a Europa cristã foi absolutamente crucial para a história da civilização ocidental. A cidade de Toledo, reconquistada pelos cristãos em mil e oitenta e cinco mas ainda com grande população muçulmana e judaica, tornou-se no século doze um dos maiores centros de tradução do mundo, onde estudiosos cristãos, judeus e muçulmanos trabalhavam juntos para traduzir textos árabes para o latim. Essas traduções incluíam não apenas as obras originais dos sábios islâmicos medievais, mas também as traduções árabes dos textos gregos antigos, muitos dos quais haviam sido perdidos no Ocidente. Foi através das traduções de Toledo que Aristóteles retornou à Europa cristã, que Euclides foi redescoberto, que a álgebra e os algarismos arábicos chegaram ao ocidente, que as obras de Ibn Sina e de al-Razi se tornaram os livros básicos das escolas de medicina europeias. O Renascimento europeu dos séculos quinze e dezasseis não teria sido possível sem esse fluxo de conhecimento que passou de Bagdá e de outras cidades islâmicas para a Europa através da Espanha.
Outra rota de transmissão do conhecimento islâmico para a Europa foi a Sicília. A ilha mediterrânea foi conquistada pelos muçulmanos no século nono e reconquistada pelos normandos no século onze, mas manteve por muito tempo uma população mista de muçulmanos, cristãos gregos e cristãos latinos que coexistiam e intercambiavam conhecimentos. O rei normando Roger segundo, que mandou al-Idrisi produzir seu mapa famoso, era um monarca que falava árabe e que admirava a civilização islâmica, e sua corte em Palermo foi outro ponto de contato entre as tradições intelectuais islâmica e europeia.
Para os estudantes que se preparam para o ENEM e para os vestibulares, é fundamental entender algumas dimensões gerais do desenvolvimento científico e cultural islâmico que aparecem frequentemente nas provas.
A primeira dimensão é a da integração de tradições: o mundo islâmico medieval não criou seu conhecimento do nada, mas foi extraordinariamente eficaz em sintetizar as contribuições de diferentes civilizações, a grega, a persa, a indiana, a egípcia antiga, e em avançar a partir dessa síntese. Essa abertura para as contribuições de outras culturas foi em si mesma uma das razões do sucesso intelectual islâmico.
A segunda dimensão é a da transmissão para a Europa: grande parte do que a Europa aprendeu durante o Renascimento e que tornou possível a Revolução Científica europeia dos séculos dezasseis e dezassete passou pelo filtro do conhecimento islâmico medieval. Sem a preservação e o avanço do conhecimento grego pelos sábios islâmicos, sem a algebra de al-Khwarizmi, sem os comentários de Ibn Rushd sobre Aristóteles, sem os livros de medicina de Ibn Sina, a história intelectual europeia teria sido muito diferente.
A terceira dimensão é a da relação entre religião e conhecimento: ao contrário do que uma visão simplificada às vezes sugere, o islamismo medieval não era incompatível com o desenvolvimento científico e filosófico. Pelo contrário, muitos dos maiores sábios islâmicos eram também pessoas profundamente religiosas, e a fé islâmica na racionalidade divina da criação era frequentemente citada como razão para estudar a natureza com rigor e curiosidade. A tensão entre razão e fé existia, como evidencia a controvérsia entre al-Ghazali e Ibn Rushd, mas não impedia o florescimento intelectual.
A quarta dimensão é a do papel das minorias religiosas: como vimos, judeus e cristãos participaram ativamente do florescimento intelectual islâmico medieval, trabalhando como tradutores, médicos, filósofos e cientistas nas mesmas instituições que os muçulmanos. Maimônides, o maior filósofo judeu medieval, escreveu suas obras mais importantes em árabe e em estreito diálogo com a filosofia islâmica. Esse caráter multicultural do florescimento intelectual islâmico é uma das suas características mais importantes e mais relevantes para o mundo contemporâneo.
Olhando para tudo isso em perspectiva, o que vemos é que o desenvolvimento científico, cultural e filosófico do mundo islâmico medieval foi uma das realizações mais extraordinárias da história humana. Numa época em que a maioria das sociedades produzia conhecimento de forma lenta e dispersa, o mundo islâmico criou um sistema de produção e difusão do conhecimento que era radicalmente mais eficiente e mais ambicioso do que qualquer coisa que existia em outro lugar. As instituições que criou, as obras que produziu, as descobertas que fez e os textos que preservou e transmitiu estão incorporados em camadas profundas na civilização contemporânea de formas que nem sempre reconhecemos ou agradecemos. Cada vez que resolvemos uma equação algébrica, cada vez que olhamos para as estrelas com nomes árabes, cada vez que tomamos um medicamento cuja história passa pela farmacologia islâmica medieval, cada vez que lemos um livro impresso em papel cuja rota de chegada ao Ocidente passou pelo mundo islâmico, estamos em contato com essa herança extraordinária que os sábios de Bagdá, de Córdoba, do Cairo e de Samarcanda deixaram para toda a humanidade.
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| Dados de Catalogação na Publicação: NORAT, Markus Samuel Leite. Curso de história para o 1º ano do ensino médio. João Pessoa: Editora Norat, 2026. Livro Digital, Formato: HTML5, Tamanho: 132,4125 gigabytes (132.412.500 kbytes) . ISBN: 978-65-80808-16-8 | Cutter: N825c | CDD-907.12 | CDU-94(100)”-04/17″:373.5 . Palavras-chave: História, Ensino Médio, Pré-História, Civilizações Antigas, Mesopotâmia, Egito Antigo, Grécia Antiga, Roma Antiga, África Antiga, Reinos Africanos, Mundo Árabe-Muçulmano, Idade Média, Feudalismo, Antigo Regime, Monarquias Absolutistas, Renascimento, Humanismo, ENEM, Vestibulares. . TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. É proibida a cópia total ou parcial desta obra, por qualquer forma ou qualquer meio. A violação dos direitos autorais é crime tipificado na Lei n. 9.610/98 e artigo 184 do Código Penal. |
