Curso de História para o 1º Ano do Ensino Médio
MÓDULO 7 – ROMA ANTIGA
Aula 79 – A fundação de Roma: mito e história
Aula 79 – A fundação de Roma: mito e história
Roma tornou-se uma das civilizações mais poderosas da Antiguidade, com um território imenso, um direito elaborado, uma arte reconhecida e uma organização política que influenciou muitas sociedades posteriores. Mas antes de tudo isso, houve um começo. E esse começo pode ser estudado de duas formas que precisam ser distinguidas com cuidado: por meio dos mitos que os próprios romanos criaram para explicar sua origem, e por meio das evidências históricas e arqueológicas que os estudiosos modernos reuniram ao longo dos séculos.
Entender essa diferença é fundamental. Um mito não é simplesmente uma mentira ou uma história sem importância. É uma narrativa que um povo cria para explicar sua origem, justificar seus valores e dar sentido à sua existência coletiva. Os romanos não inventaram seus mitos por ingenuidade ou por falta de informação. Eles precisavam de uma história de fundação que fosse grandioso o suficiente para explicar a grandeza de seu povo. Por isso, conectaram a origem de Roma a deuses, heróis e acontecimentos de enorme significado simbólico.
A história, por outro lado, é construída a partir de evidências concretas. Documentos escritos, escavações arqueológicas, análises de objetos e restos materiais fornecem informações sobre como as pessoas viveram, onde construíram suas primeiras habitações, como se organizaram e como se relacionaram com outros povos. Nem sempre os mitos e as evidências históricas concordam. Frequentemente apontam em direções diferentes. E é justamente essa diferença que torna o estudo das origens de Roma tão rico e tão importante para compreender como as sociedades constroem sua própria identidade.
Vamos começar pelos mitos, pois eles são a porta de entrada mais conhecida para a história de Roma.
A narrativa mítica mais famosa sobre a origem de Roma envolve dois irmãos gêmeos chamados Rômulo e Remo. Segundo essa história, eles eram filhos de Marte, o deus da guerra, e de uma mulher chamada Reia Sílvia, que era filha do rei Numitor, soberano de Alba Longa, uma cidade da região do Lácio, no centro da península itálica.
Para entender o começo da história, precisamos voltar um pouco. Numitor tinha um irmão chamado Amúlio, que o destituiu do trono e tomou o poder para si. Para garantir que a linhagem de Numitor não pudesse ameaçá-lo no futuro, Amúlio forçou a filha de seu irmão, Reia Sílvia, a se tornar uma sacerdotisa de Vesta, as chamadas Virgens Vestais, que eram obrigadas a guardar castidade durante o período de serviço religioso. Dessa forma, ela não poderia ter filhos que reivindicassem o trono.
No entanto, a tradição conta que Marte, o deus da guerra, se apaixonou por Reia Sílvia e se uniu a ela. Dessa união nasceram dois gêmeos: Rômulo e Remo. Quando Amúlio soube do nascimento, ficou furioso. Mandou que os bebês fossem jogados no Rio Tibre para morrer afogados. Os servos encarregados de cumprir a ordem, porém, não tiveram coragem de jogar as crianças diretamente nas águas. Deixaram-nas em uma cesta às margens do rio, em uma área sujeita a inundações.
O Tibre estava cheio naquele período, e as águas levaram a cesta até a base de uma colina chamada Palatino. Ali, uma loba encontrou os dois bebês e, em vez de atacá-los, os amamentou. Uma garça também teria ajudado a cuidar deles. Posteriormente, um pastor chamado Fáustulo encontrou as crianças e as levou para casa. Ele e sua esposa, Aca Larência, criaram os dois irmãos como se fossem seus próprios filhos.
Rômulo e Remo cresceram e descobriram suas origens. Rebelaram-se contra Amúlio, mataram o usurpador e restauraram o trono ao avô Numitor. Depois disso, decidiram fundar uma nova cidade. Queriam encontrar um local propício, e os dois irmãos entraram em conflito sobre qual colina seria a sede da nova cidade. Rômulo preferia o Palatino, colina onde haviam sido encontrados pela loba. Remo preferia o Aventino.
Decidiram resolver a questão por meio de auspícios, isto é, observando o voo das aves, prática considerada uma forma de receber sinais dos deuses. Remo avistou seis abutres. Rômulo avistou doze. A maioria de aves seria considerada sinal favorável, e Rômulo pareceu ter vencido. Mas os irmãos discordaram sobre a interpretação, e o conflito entre eles escalou rapidamente.
Rômulo começou a traçar os limites sagrados da nova cidade, o que os romanos chamavam de pomerium, uma fronteira religiosa que separava o espaço urbano do espaço externo. Remo, em um ato de desafio ou de brincadeira, dependendo da versão da história, pulou por cima da muralha que seu irmão estava construindo. Rômulo, furioso com a violação do espaço sagrado, matou Remo. Segundo algumas versões, teria dito algo como: assim perecerá qualquer um que pule sobre minhas muralhas.
Com a morte de Remo, Rômulo se tornou o único fundador e o primeiro rei da nova cidade, que recebeu seu nome: Roma. A data tradicional dessa fundação, estabelecida pelos estudiosos romanos da Antiguidade, era o ano de setecentos e cinquenta e três antes de Cristo. Os romanos calculavam seus anos a partir dessa data, usando a expressão latina que significava desde a fundação da cidade.
Esse mito é rico em significados. A descendência de Marte, o deus da guerra, explica por que os romanos eram um povo guerreiro e poderoso. O fato de terem sido amamentados por uma loba simbolizava força, resistência e uma origem ligada à natureza selvagem. A rivalidade entre os irmãos e o assassinato de Remo estabelecia que Roma foi fundada com sangue, tema que os próprios romanos reconheciam como um presságio dos conflitos que marcariam sua história. E a determinação de Rômulo em punir qualquer violação das fronteiras sagradas da cidade expressava o valor que os romanos atribuíam às leis e às instituições.
Mas a narrativa mítica sobre a fundação de Roma não começa apenas com Rômulo e Remo. Existe outra camada, ainda mais antiga, que os romanos desenvolveram especialmente após o período das guerras púnicas, quando Roma começou a querer afirmar seu prestígio no mundo mediterrâneo. Essa camada conecta Roma à Guerra de Troia, o grande conflito da mitologia grega narrado por Homero.
Segundo essa tradição, quando Troia foi destruída pelos gregos, um príncipe troiano chamado Enéias conseguiu escapar. Enéias era filho da deusa Afrodite, chamada Venus pelos romanos, e do mortal Anquises. Diferente de outros troianos, ele era considerado um homem piedoso, que respeitava os deuses e cumpria seus deveres religiosos e familiares. Durante a queda de Troia, ele carregou seu pai idoso nos ombros para salvá-lo das chamas, levou consigo as imagens sagradas da cidade e guiou seu filho Ascânio para fora do perigo.
Enéias embarcou em uma longa viagem pelo Mediterrâneo, enfrentando tempestades, visitas ao mundo dos mortos, conflitos com populações locais e obstáculos criados pela deusa Juno, que odiava os troianos. Finalmente, chegou ao Lácio, região da Itália central, onde se estabeleceu e se casou com a filha do rei local. Com o tempo, seus descendentes fundaram Alba Longa, a cidade de onde vinham Numitor, Amúlio, Reia Sílvia e, claro, Rômulo e Remo.
A obra que narra essa história com mais detalhes é a Eneida, escrita pelo poeta romano Virgílio no século primeiro antes de Cristo, a pedido do imperador Augusto. A Eneida não é apenas uma aventura épica. É também um texto político que legitima o poder de Roma ao conectá-la a uma origem divina e heroica. A ideia de que Roma descendia de Enéias, filho de Venus, e que seu povo havia sido escolhido pelos deuses para governar o mundo era uma justificativa poderosa para o domínio romano.
Perceba como os dois mitos se complementam. Enéias fornece a origem troiana e divina de longo prazo. Rômulo e Remo fornecem o momento específico da fundação da cidade. Juntos, eles criam uma narrativa de origem que combina nobreza ancestral, intervenção dos deuses, tragédia familiar e determinação guerreira. Era exatamente o tipo de história que uma cidade com aspirações de domínio mundial precisava contar sobre si mesma.
Mas o que a história e a arqueologia dizem sobre tudo isso?
Os estudos arqueológicos realizados especialmente a partir do século vinte revelaram que o Lácio, a região onde Roma se desenvolveu, era habitado por povos muito antes de qualquer data mítica de fundação. A península itálica foi ocupada por seres humanos há dezenas de milhares de anos, e durante o segundo milênio antes de Cristo já existiam comunidades agrícolas e pastoris nessa região.
As colinas onde Roma se desenvolveu, especialmente o Palatino e o Capitólio, mostram evidências de ocupação humana que remontam ao século décimo antes de Cristo, ou seja, muito antes da data tradicional de setecentos e cinquenta e três. Escavações no Palatino encontraram restos de habitações simples, feitas de madeira e palha, que pertencem a um período que os estudiosos chamam de cultura villanoviana ou das fases mais antigas da Idade do Ferro italiana.
Essas primeiras habitações eram modestas. As pessoas que viviam nelas criavam animais, cultivavam a terra, produziam cerâmica e fabricavam objetos de metal. Não havia nada que lembrasse a grandeza de Roma. Eram comunidades pequenas, dispersas pelas colinas, sem uma organização política central.
Com o tempo, os pequenos grupos que habitavam as diferentes colinas foram se juntando em um processo que os estudiosos chamam de sinecismo, que significa a fusão de comunidades menores em uma comunidade maior e mais organizada. Esse processo aconteceu gradualmente, ao longo dos séculos oitavo e sétimo antes de Cristo. As colinas foram conectadas, espaços comuns foram criados, uma área de reunião e mercado começou a se desenvolver no vale entre as colinas, que mais tarde se tornaria o Fórum Romano.
Esse processo de fusão gradual é muito diferente da fundação dramática narrada pelo mito, com um fundador único que traça os limites sagrados da cidade em um dia específico. A realidade histórica parece ter sido um crescimento lento e complexo, resultado da aproximação de diferentes grupos humanos ao longo de gerações. Isso não significa que o mito seja inútil. Ele captura, de forma simbólica, a importância daquele processo para a identidade romana. Mas como relato de um evento histórico específico, ele não corresponde ao que as evidências materiais mostram.
Um aspecto importante da história de Roma é a presença de diferentes povos na região. O Lácio era habitado pelos latinos, povo do qual os romanos faziam parte e cuja língua era o latim. Mas nas regiões próximas viviam outros grupos igualmente importantes.
Ao norte do Lácio, na região que hoje corresponde à Toscana, viviam os etruscos. Era um povo de civilização muito desenvolvida, com cidades organizadas, arte sofisticada, comércio ativo e práticas religiosas elaboradas. Os etruscos tiveram uma influência enorme sobre o desenvolvimento de Roma, especialmente nos primeiros séculos de sua existência.
Muitas práticas romanas têm origem etrusca. A toga, a vestimenta característica dos cidadãos romanos, tem raízes na tradição etrusca. Os rituais de adivinhação pelos órgãos de animais sacrificados, muito utilizados pelos romanos, eram práticas etruscas adaptadas. A estrutura de algumas cerimônias públicas, a arte da construção de arcos e abóbadas, a prática de criar gladiadores e muitas outras características que consideramos tipicamente romanas têm raízes ou foram fortemente influenciadas pelos etruscos.
Ao sul da região de Roma viviam os gregos, que haviam colonizado extensas áreas do sul da Itália e da Sicília. Essa região ficou tão densamente habitada por gregos que era chamada de Magna Grécia, ou seja, a Grande Grécia. Os gregos também exerceram enorme influência sobre o desenvolvimento de Roma, especialmente na arte, na arquitetura, na literatura, na filosofia e na religião.
Muitos dos deuses romanos têm equivalentes gregos. Júpiter corresponde a Zeus, Juno a Hera, Marte a Ares, Venus a Afrodite, Minerva a Atena. A arquitectura dos templos romanos foi profundamente influenciada pelos modelos gregos. A literatura latina foi modelada pela tradição literária grega. Os próprios romanos reconheciam essa influência e muitas vezes buscavam conscientemente aprender com a cultura grega, embora mantendo e valorizando suas próprias tradições.
Havia ainda outros povos na Itália, como os sabinos, que viviam nas regiões montanhosas próximas ao Lácio e com quem os romanos tiveram uma relação especial desde os primeiros tempos. O mito do rapto das sabinas, uma das histórias mais conhecidas sobre os primeiros anos de Roma, conta que os romanos, percebendo que não tinham mulheres suficientes para garantir a continuidade de sua população, organizaram uma festa e, durante a celebração, raptaram as mulheres sabinas. O episódio narra como os romanos e os sabinos acabaram chegando a um acordo e se fundindo em um único povo. Este mito provavelmente reflete a memória de um processo histórico real de aproximação e fusão entre diferentes comunidades do Lácio.
A tradição romana divide seus primeiros séculos em um período monárquico, em que a cidade era governada por reis. Segundo essa tradição, Roma teve sete reis antes de se tornar uma república. Os três primeiros, Rômulo, Numa Pompílio e Tulo Hostílio, seriam de origem latina e sabina. Os últimos três, Tarquínio Prisco, Sérvio Túlio e Tarquínio, o Soberbo, teriam sido de origem etrusca. Essa sequência sugere que em determinado momento os etruscos assumiram o controle da cidade, o que é consistente com o que a arqueologia mostra sobre a forte influência etrusca em Roma durante os séculos sétimo e sexto antes de Cristo.
Durante o período etrusco, Roma teria crescido e se desenvolvido significativamente. O Fórum Romano, a área central da cidade que servia como praça e local de reuniões, teria sido organizado nesse período. Templos importantes foram construídos. A cidade expandiu suas muralhas e sua organização administrativa. Essa fase de crescimento sob influência etrusca é visível nas evidências arqueológicas.
O último rei da tradição romana, Tarquínio, o Soberbo, foi expulso em quinhentos e nove antes de Cristo, segundo a tradição. Esse evento marcou o fim da monarquia e o início da República Romana, um período em que o poder passou a ser exercido por magistrados eleitos e pelo Senado, em vez de ser concentrado nas mãos de um único governante hereditário.
A expulsão do último rei é narrada como resultado de um escândalo. Sexto Tarquínio, filho do rei, teria violentado Lucrécia, uma mulher de família nobre conhecida por sua virtude. Lucrécia, após contar o que havia acontecido à família, tirou a própria vida para preservar sua honra. O ato provocou indignação entre os aristocratas romanos, liderados por Lúcio Júnio Bruto, que convocou o povo e expulsou os Tarquínios. Esse episódio, mesmo que parcialmente mítico, tornou-se um símbolo poderoso da resistência romana à tirania e da fundação de um regime mais participativo.
Mais uma vez, é importante distinguir a narrativa do evento histórico. A transição da monarquia para a república provavelmente não aconteceu de forma tão dramática quanto o mito sugere. Ela pode ter sido resultado de um processo mais gradual, envolvendo mudanças na estrutura de poder, influência etrusca declinante e reorganização interna das elites romanas. Mas a história de Lucrécia e da expulsão dos Tarquínios cumpria uma função ideológica poderosa: ela definia os valores que os romanos queriam associar à sua república, como virtude, liberdade e resistência ao poder absoluto.
Retornando às origens mais antigas, é importante entender o papel da geografia na história de Roma. As colinas romanas ofereciam vantagens naturais. Eram defensáveis militarmente, pois era muito mais difícil atacar uma posição elevada do que um terreno plano. O Rio Tibre oferecia água, pesca e, com o tempo, uma importante via de comércio. A região do Lácio tinha solos férteis e um clima adequado para a agricultura.
A posição de Roma na peninsula itálica também era estrategicamente central. Não ficava muito ao norte, não ficava muito ao sul. Estava em um ponto que permitia a comunicação e o comércio com diferentes partes da Itália e, através do Tibre, com o mar. Com o crescimento de Roma, essa posição central se tornaria uma das bases de sua expansão territorial.
O processo de crescimento de Roma nos primeiros séculos foi lento e marcado por conflitos com os povos vizinhos. Os romanos lutaram contra os latinos, os sabinos, os equos, os volscos, os etruscos e muitos outros grupos. Cada conflito podia significar a incorporação de novos territórios, de novas populações e de novos elementos culturais. Roma não cresceu apenas pela conquista militar. Cresceu também pela capacidade de absorver e integrar populações conquistadas, concedendo a algumas delas status de aliadas, de cidadãos com direitos parciais ou, com o tempo, de cidadãos plenos.
Essa política de integração foi uma das características mais importantes da expansão romana. Em vez de tratar os povos conquistados apenas como inimigos a subjugar, Roma frequentemente os incorporava ao seu mundo, permitindo que mantivessem parte de suas tradições e oferecendo-lhes possibilidades de ascensão social e política. Essa flexibilidade foi um dos fatores que tornou Roma tão resiliente e tão capaz de crescer.
É importante compreender que a história de Roma não começa com algo grandioso. As primeiras habitações no Palatino eram cabanas simples. A cidade cresceu de forma gradual, absorvendo influências de povos vizinhos e desenvolvendo suas próprias tradições. Os mitos de Enéias e de Rômulo e Remo expressam uma necessidade de dignidade e de significado que qualquer sociedade tem em relação às suas origens, mas a realidade histórica era muito mais complexa, fragmentada e interessante do que qualquer narrativa heroica pode capturar.
Quando os romanos olhavam para trás e viam uma fundação grandiosa, com um herói troiano e dois gêmeos filhos de um deus, estavam dizendo algo sobre o que queriam ser e sobre como queriam que o mundo os visse. Mas quando os arqueólogos escavam as colinas romanas e encontram restos de habitações simples, cerâmica tosca e ossos de animais, estão encontrando a realidade humana desses primórdios: pessoas comuns que viviam, trabalhavam, criavam animais, enterravam seus mortos e, aos poucos, construíram algo que se tornaria extraordinário.
As duas perspectivas, a mítica e a histórica, não precisam ser tratadas como incompatíveis. Elas respondem a perguntas diferentes. O mito responde à pergunta sobre quem os romanos queriam ser e que valores fundadores queriam celebrar. A história responde à pergunta sobre como Roma se formou de fato, quais foram os processos materiais, humanos e sociais que levaram ao surgimento de uma das maiores civilizações da Antiguidade.
Para estudar Roma é preciso saber reconhecer essa diferença e ser capaz de trabalhar com as duas dimensões. Quando uma fonte antiga conta uma história sobre Rômulo ou sobre Enéias, precisamos perguntar qual era a intenção de quem a contava, o que ela diz sobre os valores daquela sociedade e em que contexto foi produzida. Quando analisamos escavações arqueológicas, precisamos entender o que os objetos e as estruturas encontradas revelam sobre as condições de vida e a organização social dos habitantes.
O estudo da fundação de Roma nos ensina algo muito importante que vai além da história romana em si. Ensina que toda sociedade constrói narrativas sobre suas origens, e que essas narrativas dizem tanto sobre o presente de quem as conta quanto sobre o passado que pretendem descrever. Ensina também que as origens reais das civilizações são geralmente mais humildes, mais complexas e mais mescladas do que os mitos sugerem.
Roma começou como um conjunto de aldeias nas colinas do Lácio, habitadas por pastores e agricultores que falavam latim. Ao longo de séculos, por meio de conflitos, alianças, incorporações e transformações, essa coleção de aldeias se tornou uma cidade, depois uma república e finalmente um império que controlou grande parte do mundo conhecido. Esse processo real é tão impressionante quanto qualquer mito, talvez ainda mais, porque foi obra de seres humanos que tomaram decisões, cometeram erros, aprenderam com eles e construíram algo duradouro.
E é exatamente por isso que a história de Roma continua sendo estudada. Não apenas pelo que ela foi, mas pelo que ela nos ensina sobre como as civilizações surgem, como os povos constroem identidades coletivas e como as sociedades humanas são capazes de crescer, se transformar e influenciar o mundo por séculos.
Como fazer referência ao conteúdo:
| Dados de Catalogação na Publicação: NORAT, Markus Samuel Leite. Curso de história para o 1º ano do ensino médio. João Pessoa: Editora Norat, 2026. Livro Digital, Formato: HTML5, Tamanho: 132,4125 gigabytes (132.412.500 kbytes) . ISBN: 978-65-80808-16-8 | Cutter: N825c | CDD-907.12 | CDU-94(100)”-04/17″:373.5 . Palavras-chave: História, Ensino Médio, Pré-História, Civilizações Antigas, Mesopotâmia, Egito Antigo, Grécia Antiga, Roma Antiga, África Antiga, Reinos Africanos, Mundo Árabe-Muçulmano, Idade Média, Feudalismo, Antigo Regime, Monarquias Absolutistas, Renascimento, Humanismo, ENEM, Vestibulares. . TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. É proibida a cópia total ou parcial desta obra, por qualquer forma ou qualquer meio. A violação dos direitos autorais é crime tipificado na Lei n. 9.610/98 e artigo 184 do Código Penal. |
